O domingo no Campeonato Brasileiro teve um sotaque já conhecido. Excelente para o Palmeiras, cada vez mais próximo do Grêmio. Ótimo para o São Paulo, colado no G4. Muito bom para o Santos, já a três pontos da zona do rebaixamento. Mas se engana quem pensa que acabou por aí. Surpresas e decepções - em especial para os cariocas - também fizeram parte do roteiro Brasil afora. Acredito que a competição finalmente tenha caído no gosto do povo. E, se a esta altura em 2007 já havia algo definido, a atual temporada ainda nos reserva treze decisivas rodadas. Seja no topo ou na rabeira. Vamos aos destaques:
* No melhor jogo e público da rodada, uma afirmação: o Palmeiras, finalmente, mostrou ao seu torcedor que irá mesmo disputar o título do Campeonato Brasileiro. Tamanha certeza pode ser explicada pela vitória pontual sobre o Cruzeiro, em um Mineirão com mais de 46 mil cruzeirenses. Sem Alex Mineiro e Kleber, toda a responsabilidade caiu em cima de Diego Souza. Assim como na Arena da Baixada, há duas semanas, e ao contrário da derrota diante do Sport, o meio campista não decepcionou. Domínio no peito, com classe, e chute forte. 1 a 0. Lenny ainda tratou de ser expulso aos 13 do segundo tempo, mas Marcos garantiu o excelente resultado - segunda vitória fora de casa consecutiva. A distância que poderia ser de oito pontos, agora é de míseros três. Com 13 rodadas ainda em disputa, pode-se dizer que há um empate técnico, como no basquete, ou nas eleições eleitorais. E o alviverde ainda conta com a vantagem do número de vitórias. Fortes emoções vêm por aí.
O Cruzeiro, que também não contou com seu principal jogador (Guilherme), viu uma excelente oportunidade ir embora. Confesso não ter a solução para o problema do time de Adílson Baptista, que também não deve ser crucificado. A defesa, por mais que não conte com jogadores supremos, sofreu 26 gols (o Palmeiras sofreu cinco a mais), enquanto o ataque marcou 38 (sexta melhor marca). Mas falta maturidade na hora H. A Libertadores, porém, continua sendo um ótimo negócio para a Raposa, na terceira posição, com 43 pontos - apenas um acima do quinto colocado, o São Paulo.
* Apesar da boa presença da torcida do Flamengo no Morumbi (29.325 pagantes), quem saiu feliz foi a torcida do São Paulo. Assim como no primeiro turno, o tricolor bateu o rubro-negro: 2 a 0 até com certa facilidade. A partida foi caracterizada pela forte marcação de ambos os lados. Mas era o Tricolor Paulista que mostrava mais ímpeto ofensivo, e acabou recompensado pela insistência das bolas alçadas na área. Aos 44, Dagoberto aproveitou cruzamento do sempre presente Zé Luís para abrir o placar. Enquanto isso, o rubro-negro, desorganizado, pouco assustava nos contra-ataques.
No segundo tempo, a tônica do jogo não mudou. Aproveitando-se dos espaços dos alas rubro-negros, Zé Luís e Jorge Wagner deitaram e rolaram - o segundo ainda deve na temporada. Logo aos 14 minutos, o São Paulo ampliou da mesma forma: cruzamento de Zé na medida para Hugo. Caio Júnior ainda tentou modificar algo com Vandinho e Sambueza nos lugares dos inoperantes Josiel e Íbson. Sem sucesso. O São Paulo toma a quinta posição do Flamengo e um pouco da pretensão do rubro-negro de conquistar o hexa. Embora a Libertadores esteja num patamar mais acessível para ambos - o rubro-negro, por exemplo, jogará seis das próximas sete partidas no Maracanã. Já a equipe de Muricy Ramalho comemora os lampejos de bom futebol - muito graças à volta de Hernanes. Nada definido nesse maluco Brasileirão.
* Os cálculos de Ney Franco certamente não apontavam para uma derrota hoje, no Engenhão (25.196 pagantes). Mas o Internacional estava disposto a estragar os planos, ao estrear com o pé direito no Estádio: 2 a 1 sobre o Botafogo. A segunda vitória Colorada fora de casa reacendeu as esperanças do time na competição - a outra também havia sido no Rio, contra o Flu. Na primeira etapa, Alex inaugurou o marcador para os gaúchos, mas foi substituído por Taison, após sentir dores nas costas. A partir daí, os argentinos Guiñazu e D’Alessandro se tornaram os grandes destaques e tomaram conta da partida. O primeiro, incansável como sempre, foi o motor da engrenagem colorada. Enquanto o segundo foi eleito o maestro da equipe, articulando as principais jogadas - inclusive a do primeiro gol - e anotando um golaço, com direito a Leandro Guerreiro sentado no chão. O gol botafoguense foi marcado por André Luís, que acabou expulso pouco depois.
A derrota não só freou a reação do Glorioso, como encerrou a invencibilidade de incríveis treze jogos do time. Mesmo assim, o Botafogo permanece em quarto lugar, firme e forte numa disputa por vaga no G4. O Inter, por sua vez, volta a sonhar em disputar a Libertadores 2009 - ano em que comemora seu centenário. Nas duas próximas rodadas, Vitória e Grêmio, no Beira-Rio. Será possível? Fernando Carvalho diz que sim.
* Responsável por 62% dos gols do Santos, Kléber Pereira - é disparado o jogador que mais aparece no Jogo Aberto - fez mais uma vítima neste domingo: o Fluminense. Pobre Fluminense, que acabou caindo no inferno no dia 02 de julho e de lá ainda não saiu. Perdeu jogadores importantes, como Thiago Neves e Cícero, e não repôs sequer com qualidade próxima. O Santos, em clara evolução sob comando de Márcio Fernandes, não somente mereceu a vitória por 2 a 1, na Vila Belmiro (11.055 pagantes), como também vê a segunda divisão cada vez mais longe. Longe de brilhante, apenas eficiente, no pé do artilheiro do campeonato, com 18 gols, e na cabeça de Bida, apesar da estática zaga tricolor. Romeu ainda descontou no fim. Muito pouco. Como bem disse Luiz Alberto, hora de relaxar é nas férias.
* Nove jogadores em campo. Goleiro expulso. Atacante vestindo luvas. Mesmo placar. As coincidências da partida deste domingo com a derrota para o Cruzeiro não param por aí. O Vasco manteve o péssimo futebol apresentado em São Januário (10.450 pagantes) e foi merecidamente derrotado pelo Náutico, por 3 a 1. O Timbu, aliás, conquistou a segunda vitória fora de casa no campeonato e não perde desde a 21ª rodada. Hoje já soma 29 pontos, três acima do próprio Vasco, primeiro do G-4. Clodoaldo, Ruy - excelente jogada de William - e Felipe anotaram os gols do time de Roberto Fernandes (por sinal, o técnico e o clube vivem em perfeita sintonia). Já o crucificado Tita não tem muito que fazer. Nem a volta de Leandro Amaral, apesar do gol, e a estréia de Pedrinho foram suficientes. Ontem, Tiago e Jonílson. Hoje, Roberto e Jorge Luís. Na quarta e domingo, o Palmeiras, no Palestra Itália. Quem serão os próximos?
* “Vencer hoje era o que mais importava”. A frase de Vagner Mancini, na entrevista coletiva, finalmente foi atendida pelo time. O Vitória passava por um momento de instabilidade, e uma derrota hoje praticamente tiraria o rubro-negro no caminho da Libertadores. Mas o singelo gol de Marcelo Cordeiro diante do Coritiba deu uma sobrevida ao Leão do Barradão (7.955 pagantes). No duelo de seis pontos, melhor para os baianos, de Viáfara - hoje decisivo - agora na sexta posição, a dois pontos do quarto colocado Botafogo. O Coxa, no entanto, já vê a concorrência aumentar e se distanciar. A Sul-Americana em 2009 parece ser um bom destino para o time de Dorival Júnior.
* Está mais do que provado que vencer o Sport na Ilha do Retiro não é uma tarefa nada fácil. Desta vez, com 21.355 pagantes, a presa do Leão foi o apático Figueirense, goleado por 5 a 0. Roger, duas vezes, Júnior Maranhão, Wilson e Sandro Goiano (!) marcaram os gols que retratam a ótima fase da equipe de Nelsinho Baptista. São cinco jogos de invencibilidade e três vitórias consecutivas. Com 38 pontos, até poderia sonhar em Libertadores. Mas o Leão já está lá… Quinta derrota seguida do Figueira, agora a apenas dois pontos da fronteira da Série B. E o próximo adversário ainda é o Cruzeiro…
* Classificação e tabela completa do Brasileirão: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Futebol/Classificacao/0,,ESP0-9827,00.html
* E, se formos computar apenas o segundo turno, ficaria assim: 1. Goiás (como em 2003): 13; 2. Palmeiras e Santos: 12; 4. Botafogo e Sport: 11; 6. Internacional: 10; 7. Fla, Flu, São Paulo: 9; 10. Grêmio, Náutico, Vitória, Ipatinga: 8; 14. Vasco e Cruzeiro: 7; 16. Atlético-MG e Atlético-PR: 6; 18. Coritiba: 5; 19. Figueirense: 3; 20. Portuguesa: 1.
* Trata-se do Brasileirão-Raul Seixas: maluco beleza!
Dos bons.
Colaboraram Victor Canedo e Pedro Bevilaqua