Esse é o Campeonato Brasileiro, cujas últimas rodadas têm reservado emoção, paridade e bom futebol. Não só em partidas, como o clássico carioca entre Vasco e Fluminense de ontem, mas a tabela reflete um sentimento de que o Campeonato Brasileiro empolga. Justamente pelo equilíbrio – e até bom nível. Tanto que do primeiro ao décimo há uma escada na pontuação. A disputa pela liderança já está em aberto – o Grêmio tem a chance de se tornar o novo líder nesta quinta. Por uma vaga no G4, São Paulo, Internacional e Palmeiras estão batendo na porta. Ascensão. Essa é a palavra-chave. E o maior exemplo veste vermelho. Vamos à radiografia dos jogos:
* O Internacional é a figura da vez no Campeonato Brasileiro. Em mais um jogo de seis pontos, voltou a animar a torcida, dessa vez em ótima presença no Beira-Rio (41.674 presentes). Nilmar marcou os dois na vitória por 2 a 0. Ao São Paulo coube lamentar o erro de arbitragem que anulou gol legal de Dagoberto. E, claro, as ausências de Hernanes e Alex Silva. Aliás, Juninho falhou no primeiro gol colorado. Muricy Ramalho aguarda ansiosamente pelas estréias de Rodrigo e Anderson. Enquanto isso, Rogério Ceni tem de se virar como pode. O Internacional aproveitou. E já está a apenas dois pontos do G4, com 22. Méritos da ótima seqüência da equipe de Tite – conquistou 14 pontos dos últimos 18 disputados. O São Paulo continua com 23. E a briga pelo título do Campeonato Brasileiro está mais empolgante do que nunca.
* Já virou rotina elogiar o Vitória nesta coluna. Mas o rubro-negro baiano faz por merecer a cada quarta-feira ou domingo futebolístico. Depois da vitória sobre o Flamengo, no Maracanã, o rubro-negro foi mais óbvio e, apesar dos desfalques, derrotou o Náutico, por 2 a 0, em mais uma noite de Barradão lotadinho (24.614 pagantes). E, claro, noite guiada por Marquinhos. A maior revelação do Campeonato Brasileiro marcou os dois. E a equipe do ótimo Vagner Mancini já é vice-líder, com 26 pontos. Apenas um pontinho atrás do outro ainda líder Flamengo. Olho no segundo melhor ataque da competição. O Vitória dá mostras que deve brigar lá em cima até dezembro. Enquanto o Náutico desce a ladeira. Só espero que a culpa não caia em cima do técnico Pintado.
* Portuguesa e Flamengo foi um jogo tão bom quanto polêmico, no Canindé (11.364 pagantes). Dois times jogando para frente, sem medo. Caio Junior entrou com três atacantes – Tardelli, Souza e Éder -, enquanto a Portuguesa, motivada pela chegada de Valdir Espinosa, corria e mostrava personalidade, principalmente com Diogo, que fez grande partida. Aos 34 minutos, primeiro gol do Flamengo, a primeira das polêmicas. O gol de Ronaldo Angelim foi com a mão. Mas antes, de fato, ele levou um empurrão de Ediglê. Só que uma coisa não tem a nada a ver com a outra. E Evandro Rogério Roman, o árbitro, não viu nenhuma delas.
Aos 36, pênalti de Fábio Luciano em Diogo. Não achei falta. Cobrança de Diogo, defesa de Bruno e o assistente mandou voltar. A chatice de sempre. Regra inútil. Gol de Diogo. Aos 42, Diogo Tardelli mete a mão na bola. Na sobra, gol de Ibson. Evandro Rogério Roman não viu. E, de fato, não era fácil dar o flagrante, tal a quantidade de jogadores dentro da área. O gol de empate da Lusa, já no segundo tempo, também foi de pênalti. Desta vez, foi. De Jaílton em Jonas: 2 a 2. E, aos 43m, Gavillan fez pênalti bobo em Juan. Ibson cobrou. Sergio defendeu. O assistente mandou voltar. Na segunda, Sergio salvou de novo.
Grande jogo, arbitragem confusa. Resultado ruim para o Flamengo, que, apesar de continuar na liderança, deixou de vencer um time que, apesar de motivação e de jogar dentro de casa, é muito inferior. Em tempo; o que é Diego Tardelli? Já tinha cartão amarelo e resolveu, tolamente, pôr a mão na bola num lance tosco e infantil. Foi infantil. Tem gente que não aprende nunca. E, como prêmio, ganha tapinha nas costas.
* O Botafogo novamente cumpriu o seu papel e goleou o Atlético Mineiro, por 4 a 0, no Engenhão (9.581 pagantes). Sim, a fase do Galo é tão ruim que constatou a exceção de domingo passado. Lúcio Flávio – de pênalti, com 1 minuto de jogo -, Triguinho, Carlos Alberto e Gil marcaram para o alvinegro carioca. Os dois últimos no fim, já com o rival batido e com apenas nove em campo – Yuri e César Prates foram expulsos. O Botafogo de Ney Franco nada teve a ver com isso. Em franca ascensão, pode-se perceber jogadas trabalhadas e movimentação ofensiva. É um time que vai dar trabalho a todos os líderes. E por que não se tornar um num futuro próximo? Já o técnico Gallo busca explicações. O Atlético encontra-se sem time, dependentes das atuações esporádicas de Petkovic. A zona de rebaixamento, infelizmente, deve virar rotina para o clube centenário.
* Noite de seis gols no Maracanã (19.346 pagantes). O que não quer dizer que o empate em 3 a 3 entre Vasco e Fluminense tenha sido ótimo. Mas merece ser contado detalhadamente. Foi, sim, eletrizante. Muito pelo segundo tempo de reviravoltas. Porque a primeira etapa teve um dono: o Vasco. Fechado e sem criatividade, era difícil ao Tricolor alcançar a intermediária vascaína com objetividade. Já a equipe de Antonio Lopes ameaçava. Leandro Amaral perdeu talvez a maior chance de sua carreira. Edmundo, no entanto, não desperdiçou sua chance. 1 a 0. A entrada de Tartá melhorou o Fluminense consideravelmente. Mas quem novamente marcou foi o Vasco. Leandro Amaral ampliou numa bela arrancada - sem ser importunado, diga-se. Washington, que voltou ao bom futebol, descontou em seguida. Apesar de que Rafael – terrível noite - não tardou a entregar. Morais cruzou e Edmundo, na habitual classe, colocou o Vasco em ótima situação. Três gols num intervalo de seis minutos.
Ah, mas como é o futebol. O Fluminense teria de reagir novamente. E o fez. Claro, com grande contribuição da defesa vascaína. Washington, de pênalti, e Tartá – meio gol de Somália -, igualaram o placar. Dodô, displicente, quase virou. Morais, nervoso, ainda foi expulso. E o Vasco, do atrapalhado Antonio Lopes, agoniza na 13ª posição. Sem muito futuro, apesar da boa partida hoje. Já o Fluminense sobrevive na base da vontade. Mas não deve comemorar. Ainda há muita estrada para percorrer – é o 18º, com 13 pontos -, e os vacilos de ontem podem não serem perdoados amanhã.
* O confronto era entre o terceiro colocado e o 17º. Mas no campo do Mineirão (18.048 pagantes), o Goiás se portou como vem fazendo. Em jogo aberto, Iarley acabou como herói ao marcar, de falta, o único gol da partida. Resultado até certo ponto surpreendente. Ainda mais porque a equipe de Adílson Baptista atuou com um a mais durante todo o segundo tempo – Júlio César levou cartão vermelho. A Raposa, que perdeu muitos gols, pode sair do G4 nesta quinta-feira. Fato raríssimo no campeonato até então. Enquanto o alviverde goiano segue subindo sem fazer paradas. E jogará em casa três das próximas quatro partidas. Olho no time de Hélio dos Anjos.
* Foi suado. O gol do ótimo Carlinhos Paraíba – o primeiro dele no Brasileiro -, aos 30 da segunda etapa, deu a vitória ao Coritiba sobre o Ipatinga, no Couto Pereira (12.734 pagantes). Confesso que espero mais da equipe de Dorival Júnior. Por enquanto o Coxa tem se mostrado um time apenas caseiro. A situação em Ipatinga, no entanto, é complicada. Apesar da melhora do time de Ricardo Drubscky, é difícil não apostar no descenso da equipe mineira, hoje com apenas 10 pontos – a 5 de escapar da zona de rebaixamento.
Colaborou Victor Canedo