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O rei dos elogios

Seg, 08/09/08
por Lédio Carmona |
categoria Tênis

Victor Canedo

Pouco se falou de Roger Federer durante as duas últimas semanas em Nova York. Eliminado precocemente nas quartas-de-final das Olimpíadas de Pequim há menos de um mês, os holofotes estavam direcionados para Rafael Nadal, campeão de Roland Garros, Wimbledon e medalhista de ouro na China.

O suíço definitivamente correu por fora. Não tanto quando o rival espanhol o faz em suas partidas. A técnica suprema que possuí o permite aplicar dos mais variados golpes sem precisar se deslocar. Quem sofreu na pele hoje foi o escocês Andy Murray, outro grande talento do tênis mundial. Embora não tivesse chance alguma diante de tanta classe no Arthur Ashe Stadium. Em sua melhor partida no torneio, Roger Federer foi irrepreensível. 6/2, 7/5 e 6/2 (placar comum em suas estréias). Perdeu três míseros sets em todo o campeonato - dois contra o russo Andreev, quando por pouco teve de adiar o sonho. E conquistou o mais do que merecido pentacampeonato - seguido, diga-se - do US Open.

Não perca a conta. Já são 13 Grand Slams. Falta apenas um para igualar o recorde do também incrível americano Pete Sampras. E não precisa nem ser o Roland Garros - torneio precioso que resta em sua coleção de 56 canecos. Pois eu estou mais do que satisfeito em acompanhar uma geração tão brilhante no tênis, liderada por esse mostro chamado Roger Federer. Não torço como torci na “Era Guga”. Apenas aprecio.

Boletim do US Open

Qui, 04/09/08
por Lédio Carmona |
categoria Tênis

O US Open segue como o script. Rafael Nadal e Roger Federer suaram, mas não tiverem muitas dificuldades nas quartas-de-final diante de Mardy Fish (3×1) e a surpresa Gilles Muller (3×0), respectivamente. O atual número 1 do mundo enfrentará agora a pedreira Andy Murray na, enquanto o suíço aguarda o duelo entre Novak Djokovic e Andy Roddick. Aliás, confusão tem sido uma rotina para o americano. Além de ironizar as possíveis lesões do sérvio nas últimas partidas, Roddick por pouco não sofreu processo de Fabrice Santoro. O motivo? Assista ao vídeo abaixo. Tênis por tênis, fico com Djokovic. Somente hoje à noite. A simplicidade genial de Roger Federer e a agressividade de Rafael Nadal não me deixam com outra escolha: é um ou outro.

Mais um reinado do tetracampeão do US Open quebrado? Você responde.

* Na chave feminina, semifinais definidas: Serena Williams x Dinara Safina e Elena Dementieva x Jelena Jankovic. Prefiro não apostar em ninguém. Só lamento por Maria Sharapova e Ana Ivanovic, duas deusas do tênis mundial, não embelezarem ainda mais as transmissões do Sportv.

O exemplo Nadal

Ter, 08/07/08
por Lédio Carmona |
categoria Série A, Tênis

rafanadal.jpgDomingo passado, o JA cometeu erro imperdoável. Não fizemos um único post sobre o memorável jogo entre Rafael Nadal e Roger Federer na final de Wimbledon. O espanhol venceu, após quase cinco horas de duelo, e, na hora dos salamaleques, comentou, com a mais absoluta sinceridade. “Tão bom quanto vencer, é saber que ganhei do tenista número 1 do mundo. Ganhei de um campeão”.

Jovem, rico, bem-sucedido, Rafael Nadal não perdeu a elegância. Soube comemorar e, ao mesmo tempo, reconhecer o poder e a história do derrotado. O tenista teria dificuldade de se adaptar ao futebol brasileiro. Aqui, a deselegância é a lei. A falta de respeito entre os adversários impera. O despreparo de boa parte da mídia reforça a falta de modos. Os torcedores se torturam com discussões tacanhas e obsoletas. Vivemos uma fase obscura de idéias e discussões. Não me lembro de uma fase tão pobre, rancorosa e medíocre dentro da sociedade da bola.

Há um ódio incrustrado em algumas camadas. Ainda é possível ser removido. Hoje, comemora-se muito mais a derrota do rival do que a vitória do próprio time. Não me venham com o argumento de que sempre foi assim. Era muito diferente. Ainda há exceções, que lembram o bom humor dos áureos tempos. “ O Fluminense iria para Yokohama mas parou em Washington”. É uma frase tão boa e espirituosa que até alguns tricolores riram por aqui. Mas, infelizmente, foi exceção na semana passada, após a perda do título para a LDU. Como os rubro-negros tiveram que aturar absurdos depois de serem eliminados pelo América do México. O São Paulo, pelo Fluminense. O Corinthians, ao cair para a segundona. O Botafogo, ao perder para o Flamengo. E sucessivamente.

O torcedor (salve as boas exceções) hoje não brinca. Ele pisa. Esfola. Tem o prazer de machucar. E a mídia, a minha mídia (salve as boas exceções) endossa. Dá espaço para piadas idiotas. Acoberta baixaria. Publica foto de bobalhões, todos pimpões com suas besteirinhas, crente que são inteligentes com suas infâmias infantis e vazias. Jogadores  também são culpados. Extrapolam. Debocham dos rivais. Medíocres, jogam para a galera. São vazios. A maioria não tem a elegância de um autêntico vencedor.

Nunca vivemos numa sociedade com tanto espaço para a troca de idéias. Mas parecemos convictos de que o ideal é jogar a chance pelo ralo. E dizer, como rematados débil-mentais, que o “meu é melhor do que o seu”, com duas ou três variações.

fedenad.jpg

Perdemos tempo. Porque não gastam essa ira com debates sobre os cambistas-canalhas? Sobre inovações táticas? Porque ninguém vê méritos na LDU? Porque ao invés de projetar o Vasco de Roberto Dinamite preferem bater no Vasco de Eurico Miranda? Ninguém mais vê mérito no vencedor. É absurda inversão dos fatos.

Onde estamos? O que somos? O que pretendemos ser?

O futebol brasileiro precisa de uma invasão de cabeças pensantes como a de Rafael Nadal.

Nas arquibancadas, no campo, na mídia, na direção.

Afinal de contas, tudo começa com respeito. Sem eles, só vai piorar.

E aí, amigos, teremos que chorar ainda por muitos garotos de dois anos.

Caminhamos para isso.

Infelizmente.

Alegria, carisma e simpatia

Dom, 25/05/08
por Lédio Carmona |
categoria Tênis

Victor Canedo

Eu era novinho. Tinha apenas 9 anos quando o nosso Guga despontava para a glória, ao conquistar, em 1997, o seu primeiro Roland Garros. Certamente não sabia a dimensão do que era aquilo. Um “manézinho da ilha” começava a marcar época. Mas não somente no tênis. Na vida de muitas pessoas, como o meu caso. Matriculei-me na escolinha de tênis assim que pude. Guga fez virar febre as manhãs dos finais de semana, esquecidas desde Ayrton Senna, outro ídolo nacional.

O bi-campeonato na França não tardou a vir. Em 2000, na inesquecível final diante de Magnus Norman, quando precisou de 11 match-points. O início de um ano glorioso. Em dezembro, lá estava ele em Lisboa para conquistar a Masters Cup. Que tenista conseguiria vencer na mesma semana Pete Sampras, André Agassi, e, ainda assim, terminar a temporada como número um do mundo? Este é o nosso Gustavo Kuerten. Digo isto sem ao menos conhecê-lo. Parecia que éramos melhores amigos ao vê-lo em ação, desfilando com o seu habitual carisma.

Veio 2001, o tri-campeonato. Um de seus últimos títulos de relevância. Depois de tantas maravilhosas conquistas, manifestava-se o problema físico que iria comprometer o eterno ídolo por toda a sua carreira: a velha dor no quadril. Maldito quadril. Mesmo após operações, Gustavo Kuerten não pôde se apresentar nas quadras com a mesma maestria. A dor privava-me de assistir a uma partida de Guga. Era como ouvir uma bela música, só que com duas horas de duração. Mas o refúgio para todos os problemas estava com os dias contados.

No dia 25 de maio de 2008, Gustavo Kuerten despedia-se do tênis profissional. Desfilando como um modelo nas passarelas, usava a mesma vestimenta de 11 anos atrás. E, nos raros momentos de supremacia, me fez lembrar do velho novo Guga. Esquerdas na paralela, deixadinhas… O arsenal de jogadas estava completo. Apesar da derrota direta em três sets (6/3, 6/4 e 6/2) para o jovem Paul Henri Mathieu, eu chorei de felicidade. Afinal, era impossível não ir às lagrimas com tanta emoção presente na quadra Philippe Chartier. Agradeço, desde sempre, por tudo o que você representou. Por tudo o que você foi e é para nós: um eterno ídolo. Valeu, Guga!


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