Domingo passado, o JA cometeu erro imperdoável. Não fizemos um único post sobre o memorável jogo entre Rafael Nadal e Roger Federer na final de Wimbledon. O espanhol venceu, após quase cinco horas de duelo, e, na hora dos salamaleques, comentou, com a mais absoluta sinceridade. “Tão bom quanto vencer, é saber que ganhei do tenista número 1 do mundo. Ganhei de um campeão”.
Jovem, rico, bem-sucedido, Rafael Nadal não perdeu a elegância. Soube comemorar e, ao mesmo tempo, reconhecer o poder e a história do derrotado. O tenista teria dificuldade de se adaptar ao futebol brasileiro. Aqui, a deselegância é a lei. A falta de respeito entre os adversários impera. O despreparo de boa parte da mídia reforça a falta de modos. Os torcedores se torturam com discussões tacanhas e obsoletas. Vivemos uma fase obscura de idéias e discussões. Não me lembro de uma fase tão pobre, rancorosa e medíocre dentro da sociedade da bola.
Há um ódio incrustrado em algumas camadas. Ainda é possível ser removido. Hoje, comemora-se muito mais a derrota do rival do que a vitória do próprio time. Não me venham com o argumento de que sempre foi assim. Era muito diferente. Ainda há exceções, que lembram o bom humor dos áureos tempos. “ O Fluminense iria para Yokohama mas parou em Washington”. É uma frase tão boa e espirituosa que até alguns tricolores riram por aqui. Mas, infelizmente, foi exceção na semana passada, após a perda do título para a LDU. Como os rubro-negros tiveram que aturar absurdos depois de serem eliminados pelo América do México. O São Paulo, pelo Fluminense. O Corinthians, ao cair para a segundona. O Botafogo, ao perder para o Flamengo. E sucessivamente.
O torcedor (salve as boas exceções) hoje não brinca. Ele pisa. Esfola. Tem o prazer de machucar. E a mídia, a minha mídia (salve as boas exceções) endossa. Dá espaço para piadas idiotas. Acoberta baixaria. Publica foto de bobalhões, todos pimpões com suas besteirinhas, crente que são inteligentes com suas infâmias infantis e vazias. Jogadores também são culpados. Extrapolam. Debocham dos rivais. Medíocres, jogam para a galera. São vazios. A maioria não tem a elegância de um autêntico vencedor.
Nunca vivemos numa sociedade com tanto espaço para a troca de idéias. Mas parecemos convictos de que o ideal é jogar a chance pelo ralo. E dizer, como rematados débil-mentais, que o “meu é melhor do que o seu”, com duas ou três variações.

Perdemos tempo. Porque não gastam essa ira com debates sobre os cambistas-canalhas? Sobre inovações táticas? Porque ninguém vê méritos na LDU? Porque ao invés de projetar o Vasco de Roberto Dinamite preferem bater no Vasco de Eurico Miranda? Ninguém mais vê mérito no vencedor. É absurda inversão dos fatos.
Onde estamos? O que somos? O que pretendemos ser?
O futebol brasileiro precisa de uma invasão de cabeças pensantes como a de Rafael Nadal.
Nas arquibancadas, no campo, na mídia, na direção.
Afinal de contas, tudo começa com respeito. Sem eles, só vai piorar.
E aí, amigos, teremos que chorar ainda por muitos garotos de dois anos.
Caminhamos para isso.
Infelizmente.