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Negócios do dia

Ter, 16/12/08
por Lédio Carmona |
categoria Negócios, Série A

*O primeiro reforço do Vasco para a temporada 2009 foi anunciado. O lateral-direito Paulo Sérgio, que estava no Grêmio, será anunciado pela diretoria em janeiro, já que o jogador tem contrato com o Tricolor gaúcho até 31 de dezembro. O atleta esteve em São Januário para fechar os últimos detalhes do contrato. O meia Enrico também foi contratado pela equipe cruzmaltina. Em 2006, o jogador foi artilheiro da Copa do Brasil pelo Ipatinga, com 4 gols.

*O técnico Cuca poderá perder Juan. O lateral-esquerdo é cobiçado pelo Villarreal, e deverá deixar o Flamengo quando a janela de transferências da Europa reabrir, em janeiro. Depois de ter perdido Thiago Silva para o Milan, o Submarino Amarelo não gostaria de perder outra negociação.

*Dentre os times da Série A, só faltava o Coritiba bater o martelo sobre o comandante da equipe! Pronto, agora não falta mais. Ivo Wortmann será o treinador do Coxa, no ano do centenário do clube.

*Falando em centenário… O Internacional quer fazer bonito nos cem anos do clube. Para isso, o lateral Marcelo Cordeiro, do Vitória, poderá ser anunciado ainda nesta semana. Outro jogador na mira do clube é o atacante Leonel Altobelli, de 22 anos, do Tigre. Para quem não conhece, o jogador é um dos destaques da equipe por causa da dedicação. Porém marcou apenas dois gols no Torneio Apertura deste ano. Enquanto isso, o goleiro Clemer, de 40 anos, irá renovar com o Colorado por mais seis meses.

*Alex Mineiro poderá atuar no Peixe. O artilheiro do Palmeiras nesta temporada poderá reeditar a dupla de ataque campeã brasileira pelo Atlético-PR, em 2001, com Kléber Pereira. O jogador poderá ficar na Vila por até dois anos.

*Depois de ter perdido Jean para o Corinthians, o Grêmio poderá perder mais um zagueiro. O Panathinaikos, da Grécia, quer o zagueiro Léo. Porém, os gregos querem envolver na negociação o centroavante Souza, que estava no Flamengo no primeiro semestre do ano.

*Soares poderá treinar na Toca da Raposa. O novo coordenador de futebol do Fluminense, Alexandre Faria, afirmou que o clube carioca está disposto a negociar o atacante com o Cruzeiro. De acordo com o dirigente tricolor, uma reunião com Zezé Perrella, na sexta-feira, definirá o futuro do jogador que estava emprestado ao Grêmio.

*E o Cruzeiro já começou as negociações com o Jubilo Iwata para prorrogar o empréstimo do volante Henrique. Os japoneses querem R$ 2,4 milhões por 50% de seus direitos federativos, mas os dirigentes brasileiros tentam incluir alguns jogadores como opções de troca. A conferir!

*Lenny não marcou nenhum gol neste Brasileirão pelo Palmeiras, mas poderá ser a novidade para o Botafogo, em 2009. Além do atacante, os zagueiros Gustavo, também do alviverde, e Rafael Santos, do Atlético-PR, surgem como possíveis nomes em General Severiano.

*O Santa Cruz está disposto a se reerguer. O zagueiro Leandro Camilo assinou contrato de um ano com o clube. O atleta estava jogando na Indonésia e já atuou pelo Ceará e Marília.

*O Bahia acertou a contratação do técnico Gallo por uma temporada.

*Do Náutico para o Sport. O atacante Felipe, do Timbu, nem precisará mudar de endereço, caso o negócio seja confirmado. Uma boa opção para a Libertadores!

Colaborou Carlos Gustavo

Mercadão/JA

Seg, 15/12/08
por Lédio Carmona |
categoria Negócios, Série A

* Lúcio Flávio não acertou sua permanência no Botafogo e, ao que tudo indica, deverá ir mesmo para o Santos. Se confirmada, será uma bela contratação do Peixe. O ano de 2009 começa promissor.

* Depois das dispensas de Denílson e Lenny, a diretoria palmeirense pretende se livrar de mais dois: Roque Júnior e Léo Lima. O Palmeiras começa bem a preparação para a Libertadores. Antes de se reforçar, é preciso analisar as carências e definir a situação de cada jogador.

* O hexacampeão São Paulo negocia em silêncio os nomes de Edno, da Lusa, e Washington, do Flu. O desfecho pode sair a qualquer momento. Com o retorno de Leandro (Palmeiras) ao Porto, o lateral também entra nos planos do tricolor.

* E o Corinthians continua se mexendo. Ântonio Carlos foi à Argentina tratar das negociações de Escudero e Verón. Depois de Ronaldo, eu acredito em qualquer coisa. Em compensação, o hermano Herrera não deve continuar.

* O presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, disse que precisa equilibrar as contas do ano. Ramires, Wágner ou Guilherme serão vendidos. Por outro lado, Perrella disse que irá buscar quatro reforços de peso. Um zagueiro, um lateral-direito e dois atacantes. Os pretendidos do momento são Leandro Amaral, do Vasco, e Osvaldo, do Fortaleza.

*O lateral-esquerdo Léo, que pertence ao Benfica e está no Brasil de licença, e o zagueiro Rodolfo, revelado em Xerém e que atua no futebol russo, estão na lista de reforços do Fluminense.

E depois de brigar com o Flamengo por Carlos Alberto Parreira, o Fluminense irá travar mais  duelos com o rival ao longo da semana. Desta vez, os noticiários deverão ser ocupados pela disputa entre Diguinho e Conca, respectivamente. Mas é bom se apressar, pois o São Paulo também tem interesse no argentino.

* Uma boa noticia para o torcedor vascaíno: Jonilson nao ficará no clube. Agora, uma péssima noticia: o clube estuda contratar Carlos Alberto (aquele mesmo). A sorte é que o “craque” pediu alto. Cruzem os dedos, vascaínos!

* O Goiás anunciou a primeira contratação do ano. Trata-se do volante Gomes, revelado pelo Vasco e que estava no Figueirense. Passo.

A turma de 2009

Dom, 14/12/08
por Lédio Carmona |
categoria Série A

sabiademias.jpgA boa contratação de Emerson Leão pelo Atlético Mineiro deixou o mercado de treinadores dos grandes clubes do Brasil para 2009 praticamente fechado. Falta apenas o Coritiba bater o martelo sobre quem será o substituto de Dorival Junior. Veja como ficou o cenário e uma curta opinião individual do JA.

Atlético Mineiro (Emerson Leão) - Bom nome, experiente, embora seja polêmico. A melhor opção seria manter Marcelo de Oliveira. Como houve a dispensa precipitada, Leão é uma boa solução. Embora a maioria torça a cara de forma injusta e estereotipada.

Um esclarecimento para quem merece: quando eu digo que a maioria torce a cara, não me refiro à torcida do Atlético. Mas a bom parte dos segmentos do futebol, inclusive a mídia, que tem resistência ao trabalho de Emerson Leão. Eu acho a escolha excelente.

Atlético Paranaense (Geninho) - Já não parece tão motivado quanto há alguns anos, mas merece ficar após ter salvado o time.

Botafogo (Ney Franco) - Um dos melhores da nova geração. O problema do Botafogo não será treinador.

Corinthians (Mano Menezes) - Indiscutível. Um dos três melhores do Brasil.

Cruzeiro (Adílson Baptista) -  Bom trabalho em 2008. Mantê-lo foi sinal de maturidade.

Flamengo (Cuca) -  Descontados os estereótipos que mídia e torcedores adoram inventar, é um nome interessante. Mas terá que ter serenidade para agüentar os cornetas da Gávea.

Fluminense (Renê Simões) -  Um aposta que deu certo e virou segurança para 2009.

toolittle.jpgGoiás (Hélio dos Anjos) - Mais experiente e maduro, vive o melhor momento da carreira.

Grêmio (Celso Roth) - Operou um milagre no Campeonato Brasileiro. Trabalho excelente.

Internacional (Tite) - Encaixou o time durante a Sul-Americana. Terá a chance de confirmar a evolução. Time não lhe falta.

Náutico (Roberto Fernandes) -  É torcedor do time e sabe montar um time. A questão da “falta inteligente” foi mais um exagero da mídia nacional.

Palmeiras (Vanderlei Luxemburgo) -  Seus sonhos são maiores do que a qualidade do elenco. Terá que ganhar mais mão-de-obra.

Santos (Márcio Fernandes) - A permanência do técnico é a melhor opção para quem conhece o elenco.

São Paulo (Muricy Ramalho) - O melhor treinador do Brasil.

Sport (Nelsinho Baptista) -  Conhece todos os segredos, virtudes e defeitos do time. O homem certo na hora certa.

Vasco (Dorival Junior)  - A melhor e mais serena opção para ajudar na reconstrução.

Vitória (Vágner Mancini) - Um técnico que futuro certo e vitorioso. Um dos bons exemplos da nova geração de treinadores.

Em suma, todos estão bem servidos. Desta vez, todo mundo soube escolher  (e manter).

Amauri x Ibra

Dom, 14/12/08
por Lédio Carmona |

ama.jpgSem alguém ainda duvidava da capacidade de Amauri, tem boas chances de ter mudado de opinião depois desse clássico. Com ótima atuação, o brasileiro comandou a vitória da Juventus por 4 a 2, no Estádio Olímpico de Turim (Amauri (2), Del Piero, Chiellini - Pato e Ambrosini). Bastaram dois gols para o atacante virar a zaga milanesa de pernas para o ar e deixar Carlo Ancelotti com uma pulginha atrás da orelha…Quando será a estréia de Thiago Silva? Não pôde deixar o zagueiro de molho por seis meses e assistir as atuações horripilantes de Zambrotta, na lateral-direita, além de Kaladze e do experiente Maldini, na zaga central. O time precisa de renovação e isso é para ontem.

Sem poder contar com Kaká, com dores musculares, e Gattuso, que será operado, o meio-de-campo do Milan ficou abalado estruturalmente. Sem os dois principais jogadores, de marcação e de articulação, a equipe ficou devendo. Pois a forte marcação não teve sustento e a rápida jogada de contra-ataque ficou sobrecarregada com Ronaldinho Gaúcho. Ainda mais, com Pato isolado no ataque.

i.jpgDesta forma, Amauri e Del Piero, com a categoria de sempre, atropelaram o Milan. Agora, até segunda ordem, a disputa pelo scudetto fica entre Juventus e Inter de Milão…

*…Porque a Inter de Milão continua na liderança, mas passou sufoco para vencer o lanterna Chievo por 4 a 2, no Giuseppe Meazza. O time de José Mourinho não tomou conhecimento e abriu dois gols de vantagem (Maxwell e Stankovic - que golaço!). Porém, a equipe se acomodou e permitiu a reação. Pellisier e Bentivoglio igualaram o placar. Aliás, que bela jogada de Mantovani no segundo gol. A partir do empate, os nerazzuri acordaram. Mourinho escalou três atacantes e deu resultado. Em uma cabeçada certeira e depois em um chute de primeira, Ibrahimovic marcou duas vezes e recolocou a Inter em vantagem. Ponto positivo pela recuperação da equipe durante a partida. Mas vale ressaltar que com a vantagem de dois a zero no marcador, o líder do Calcio não pode cochilar e permitir a reação do adversário.

aaaaaaaaaaaaaaaaaaa.jpg* Durante o domingo, surgiram mais especulações sobre o futuro de Adriano. Os jornais italianos publicaram que o jogador estaria liberado para as festas de fim de ano e que não voltaria mais para a Itália no próximo semestre. Porém, segundo o comunicado do clube, o atleta apenas foi liberado com uma semana de antecedência, porque estaria lesionado e não teria condições de enfrentar o Siena, no próximo domingo. Mas teria que retornar ao clube no próximo dia 2 de janeiro, junto com a reapresentação de todo o elenco. Eu acho que houve o rompimento. E imagino que um certo clube brasileiro tentará repatriá-lo. Um erro (mais um). Mas volto ao tema amanhã.

Não há espaços para sonhos no futebol

Sáb, 13/12/08
por Lédio Carmona |

Vitor Quartezani

Sempre escutei de pessoas que me ajudaram a construir o que sou hoje, que sonhar faz bem. Que sonhar é uma janela que divide a pessoa de seu objetivo. Que o ato de sonhar faz com que indivíduos tenham forças para lutar em busca de atingir um ideal maior.

Porém, no mundo do futebol essa palavra sonho tem que vir acompanhada de uma série de fatores, além do desejo próprio. É preciso ter uma estrutura preparada, um planejamento definido e adequado às condições no qual o clube se encontra nesse exato momento.

O Flamengo é um dos exemplos de clube onde a palavra sonho não tem espaço. Vamos aos fatos:

1- Como que um clube deseja ter um atacante de nível mundial como o Ronaldo, se nem ao menos tem um espaço para seus jogadores realizarem uma refeição após os treinos?

2 - Como um jogador que interessa ao clube, passa quatro meses em tratamento e ninguém da diretoria o procura para uma conversa sobre uma negociação (segundo palavras do próprio Ronaldo em entrevista ao Clayton Conservani)?

3 - Sem um planejamento definido, como que o Flamengo espera ter um cara sério igual ao Parreira de técnico?

4 - Após isso alguém acha que trazer o Adriano ainda é possível?

Essas coisas não acontecem apenas com o Flamengo, muito pelo contrário. Salvo algumas equipes, essa é a realidade da maioria dos grandes clubes do nosso futebol, que ainda hoje se preocupam apenas na contratação de jogadores e montagens de equipes para disputas de um ou no máximo dois campeonatos.

A realidade do futebol de hoje não cabe mais esse tipo de gerência. Atualmente o futebol, vem exigindo uma preparação muito própria e transparente de como administrar um clube de futebol. No futebol, projetos de estruturação estão ganhando maior importância, pois essa estrutura bem montada e gerenciada com inteligência, certamente resultará em grandes conquistas no mundo do futebol.

Para a vida sonhar é muito bom, agora para o futebol, isso só não basta!    

Vitor Quartezani é estudante de jornalismo e apaixonado por futebol

Data-Arcanjo

Qui, 11/12/08
por Lédio Carmona |
categoria Série A

Hélio Arcanjo 

Cruzeiro, Flamengo e Internacional, são os únicos clubes a participar das 39 edições do Brasileirão da Primeira Divisão.

Número de participação na Série A (1971 a 2009)
39 Cruzeiro-MG (100%)
39 Flamengo-RJ (100%)
39 Internacional-RS (100%)
38 Atlético-MG (-2006)
38 Botafogo-RJ (-2003)
38 Santos-SP (-1979)
38 São Paulo-SP (-1979)
37 Corinthians-SP (-1979-08)
37 Grêmio-RS (-1992-05)
37 Palmeiras-SP (-1982-03)
37 Fluminense-RJ (-1998-99)
34 Goiás-GO
30 Atlético-PR
30 Sport-PE
30 Vitória-BA
29 Coritiba-PR
24 Náutico-PE
05 Avaí-SC
02 Santo André-SP
01 Barueri-SP
38 Vasco-RJ (-2009)
31 Bahia-BA
29 Portuguesa-SP
27 Guarani-SP
18 Ponte Preta-SP
16 Juventude-RS
15 Fortaleza-CE
15 Para-PR
14 América-RN
14 Ceará-CE
12 Figueirense-SC
09 Bragantino-SP
07 ABC-RN
07 São Caetano-SP
07 Vila Nova-GO
04 Campinense-PB
03 Atlético-GO
01 Brasiliense-DF
01 Ipatinga-MG
00 Duque de Caxias-RJ
20 Paysandu-PA
20 Santa Cruz-PE
16 América-RJ
14 Nacional-AM
14 Remo-PA
13 América-MG
12 Desportiva-ES
11 CSA-AL
10 Criciúma-SC
10 Joinville-SC
10 Operário-MS
09 CRB-AL
09 Sergipe-SE

Os eleitos

Seg, 08/12/08
por Lédio Carmona |
categoria Série A


hh.jpgSegue a lista dos vencedores do Prêmio Craque do Brasileirão 2008, promovido pela CBF. Em negrito, o vencedor de cada posição. Em seguida, o segundo e terceiro colocados.

Goleiro - Vítor (Grêmio), Rogério Ceni (São Paulo) e Marcos (Palmeiras)

Lateral-direito - Leonardo Moura (Flamengo), Vítor (Goiás) e Elder Granja (Palmeiras)

Zagueiro -  Tiago Silva (Fluminense), André Dias (São Paulo), Fábio Luciano (Flamengo)

Zagueiro - Miranda (São Paulo)¸Ronaldo Angelim (Flamengo) e Rever (Grêmio)

kei.jpgLateral-esquerdo - Juan (Flamengo),  Leandro (Palmeiras) e  Kleber (Santos)

juann.jpgVolante - Hernanes (São Paulo), Rafael Carioca (Grêmio) e Pierre (Palmeiras)

Volante - Ramires (Cruzeiro), Guinazu (Internacional) e Diguinho (Botafogo)

Meia - Diego Souza (Palmeiras), Tcheco (Grêmio) e Ibson (Flamengo)

Meia - Alex (Internacional),  Wagner (Cruzeiro) e Lúcio Flávio (Botafogo)

Atacante - Kleber Pereira (Santos), Keirrison (Coritiba) e Guilherme (Cruzeiro)

Atacante -  Alex Mineiro (Palmeiras),  Nilmar (Internacional),  Kleber (Palmeiras)

Técnico: Muricy Ramalho (São Paulo), Celso Roth (Grêmio) e Vanderlei Luxemburgo (Palmeiras)

gaciba.jpgRevelação - Keirrison (Coritiba)

Arbitro - Leonardo Gaciba, Leandro Vuaden, Carlos Eugenio Simon

Um time meio bizarro. Vítor jogou muito mais do que Leonardo Moura. André Dias foi o melhor zagueiro do Brasileirão e não está na lista. Theco foi superior a Diego Souza. E Alex Mineiro não merece estar na relação. Sua úitima atuação convincente foi em agosto. Mas, como se sabe, gosto não se discute.

Minha seleção era: Victor, Vítor, André Dias, Rever e Juan; Rafael Carioca, Hernanes, Guinazu e Alex; Keirrison e Kleber Pereira.

Só emplaquei cinco. Mas sou mais o meu time. Antes que os tricolores reclamem: Thiago Silva é um zagueiraço. Um monstro. Mas jogou pouco (em quantidade) o Brasileirão. Por isso, minha opção.

Boa noite.

A Era dos Chavões

Seg, 08/12/08
por Lédio Carmona |
categoria Série A


Lúcio de Castrofindelostiempos.jpg

Dessa eu achei que meus ouvidos estavam livres!

 Mas foi só o último jogo acabar no Campeonato Brasileiro de 2008 que voltou a cantilena. “Os resultados mostram a superioridade de tal estado. Mostram que a força da economia de acolá é determinante na atualidade, e que nos pontos corridos, etc, blábláblá…”. E para piorar e arrematar a certeza cretina, aquele argumento carregado de preconceito, e como todo preconceito, de ignorância: “Em tal lugar se trabalha pouco, tem a praia, etc…” (logo eu que pensei que o Bernardinho dava os treinos dele a 5 metros da praia e trabalhava bastante…).

 Não achei que estava livre de escutar tudo de novo por acreditar em grande evolução intelectual dos oradores. Mas é que, no começo do ano, quando o Fluminense acabara de conquistar a Copa do Brasil, era finalista de Libertadores, o Flamengo liderava o campeonato, os mesmos enchiam a boca para falar: “É que nesse estado aprenderam que era preciso se organizar, ter mais estrutura, planejar, investir na base, etc, blábláblá”!!!!

Claro que erravam também. Claro que aqueles brilharecos eram circunstanciais. (tivesse um pênalti entrado no Flu x LDU estariam dizendo que o clube se planejou, etc…) Mas depois de falar tudo isso, não dava pra voltar atrás tão pouco tempo depois, e chamar os outros de bobo mudando o tom da prosa. Claro que agora ninguém falou aquilo lá atrás…

estomago.jpgComo em 2006, quando os mesmos, faltando 10 dias pra Copa, diziam que o Brasil era como sorveteria, cheio de qualidades, e os jogadores pessoas ótimas, e, assim que o juiz apitou, o time era péssimo e os jogadores marginais sem alma!

Bom, o fato é que parece que vamos ter mais uns meses de inacreditável repetição de chavões sem a menor reflexão de cenário. Contexto para onde caminha o negócio futebol, e tudo o que realmente determina o sucesso e fracasso de um clube, e não a simples afirmação sobre o lado da Dutra em que se está e que define sucesso e fracasso.

Vivemos a “Era dos Chavões”, mas esse, confesso, é duro de ouvir tão repetidamente, por tão pobre intelectualmente.

Não tenho a menor pretensão de ser o dono da verdade. Minhas reflexões são obviamente minhas, e como tais, sujeitas a estarem equivocadas. Mas apenas pretendem vir com um pouco de reflexão e análise.

Não é possível imaginar-se que o fato de os últimos cinco campeões brasileiros sejam de um estado indique determinismo de poderio econômico, planejamento, etc.

Claro que ninguém aqui vai contra a óbvia constatação de o poderio econômico do estado de São Paulo é muito maior do que os outros. A questão é tentar refletir para resistir a tentação da associação tão fácil e simples, a reflexão preguiçosa e pobre.

fidel.jpgDos tais últimos 5 campeões, (Santos 2004, Corinthians 2005, e depois só São Paulo), não é possível botar os títulos de Santos e Corinthians no mesmo saco do que os do São Paulo, como se obedecessem a uma mesma ordem de fenômenos, causas e efeitos.

A reflexão começa errada por aí. E como toda construção que começa com seus alicerces errados, o resto da casa é um monstrengo.

É preciso tirar o São Paulo. É a exceção. E não porque é aqui ou acolá. E nem porque como, em mais um chavão, “tem estrutura, tem estádio, tem isso, aquilo”. Tudo isso é necessário, mas outros também tem.

O São Paulo é o São Paulo, tricampeão seguido, hexa, porque tem soberania. É esse o conceito que paira acima de estrutura, dinheiro, estado de localização, etc.

No São Paulo, o ídolo é trabalhador e não tem privilégios. O treinador não traz 11 jogadores do time do amigo em hipótese alguma. E um aventureiro com sua lavanderia de dinheiro não ousa passar perto da porta com uma proposta de casamento indecorosa.

E não porque não existam problemas, dirigentes e conselheiros medíocres no conjunto, erros, etc. É porque historicamente se estabeleceu um conceito de ‘Soberania” no clube, que é único, e que está acima de tudo isso que falamos. (O Internacional-RS pode chegar lá, tá perto, tá faltando o pulo do gato…). Outros clubes foram assim outrora, mas perderam esse conceito em aventuras, e hoje patinam por aí.

Mas será que alguém há de falar que o título do Santos de 2004 foi o título do planejamento, da estrutura, de estar no estado mais rico?

Do mesmo Santos em que Emerson Leão saiu atirando, dizendo que encontrou uma terra arrasada? Valhei-me, Meu Pai… Título conjuntural, ou será que alguém pode me convencer de que foi um título estrutural?

Passemos ao Corinthians. Talvez esteja uma das chaves para entender para onde caminha o negócio futebol.

  Alguns fugitivos da lei de aqui e acolá, em busca de alguns pares, bateram na porta do Parque São Jorge.

Pela razão de ser e estar em São Paulo?

eraumavez.jpgOra, se o capital não tem pátria, como diz o velho chavão, imagina o capital sujo!!!

A porta que se abrisse e estaria ele lá, abrigado!

E para não termos dúvida, bem que ele tentou bater na porta de outros clubes, de outros estados.

Quando aquela camarilha bateu e botou jogadores em clubes de Rio e Minas, eles viram pátria, analisaram que era preciso investir no estado de maior PIB, ou viram boas chances de negociatas? (teve um que deu umas voltas de helicóptero pelo Rio, curtiu vida de rei e foi embora deixando a conta!).

Não fosse a Polícia Federal, Ministério Público, algumas instituições sérias que restam, botar essa escumalha para correr, e eles teriam passado o rodo e arrematado boa parte do nosso futebol.

E num ano o time deles do Rio teria sido o campeão, no outro o de Minas, e por aí vamos…E aquele sujeito que eles iam adorar, no alto de sua reflexão, ia dizer, solene no programa de TV: “os clubes de tal lugar entenderam que precisavam se estruturar”.

Desconfio com alguma graça de que, quando começa a repetição desses chavões pobres de capacidade de entendimento do cenário, da nova realidade do futebol, alguém por aí ri de tudo.

 Em algum restaurante de luxo da Geórgia, da Rússia, de Londres, do Leblon ou dos Jardins, alguém está morrendo de rir. Ou talvez juntos, conectados e constatando que, com esses pensadores, terão caminho livre por muito tempo.

Novos modelos de parcerias se apresentam para os próximos tempos no futebol brasileiro. Fundos de investimento, carteiras pulverizadas em times, atletas, criadouros de jovens que podem potencialmente virar lucro …A sede deles e onde se alojam e investem? O estado mais rico, claro, repetem os nossos experts…

asetechaves.jpgInfelizmente não…Seria bem melhor…Mas ninguém nunca sabe bem ao certo, algo entre Brasil, Portugal, Inglaterra, Rússia, Ilhas Caiman, coisa de fácil localização. Manda depois a Interpol lá…

 Não consta que no Morumbi tenham encontrado eco. Por uma palavrinha mágica lá de cima, que sempre vale sempre ser repetida: SOBERANIA. E não porque o São Paulo não precisa, está num estado rico. Mas encontram espaço em outros lugares, mesmo no mais rico estado.

E seguem varrendo por todos os cantos. Nos estados mais ricos, nos mais pobres, e até onde nenhum de nós imagina. Nesse momento, enquanto alguém bate na mesa e repete pela enésima vez que “esse tema é bom”, e perde horas nele, como num jogo de WAR, estados e times vão sendo conquistados. E divisões de base. E clubes de primeira, segunda, terceira.

 E alguém ainda reduz a discussão, nesse momento, a fatos regionais…Alguém está rindo por aí, sou obrigado a desconfiar…

Vou constatar o sexo dos anjos: vivemos novos tempos. Mesmo a revolução científica e tecnológica já deu lugar a revolução informática, virtual, do capital especulativo, da quebradeira da economia de papel, onde não se consegue localizar geograficamente o epicentro do furacão, dos estados cada vez mais vítimas do “laissez faire, laissez passer”, e nós aqui, querendo tratar uma categoria como o futebol, um dos cenários mais férteis para o florescimento de tudo o que cerca esse nem tão admirável mundo novo, com conceitos e análises tão retrógradas, tão banais, desprovidas de um mínimo de olhar sobre o contexto mundial.

Logo o futebol, que, como disse, pode ser o refúgio do dono da lavanderia, o endereço mais apropriado para o sujeito que quer a aplicação rentável no menor tempo e para o que anseia obter poder político para plantar bases em seus negócios ilícitos. Logo ele, estaria livre de toda essa sofisticação de entendimento do novo negócio, dos novos rumos.

 E tudo segue se explicando pela análise pura e simples de quem ganhou, quem perdeu, quem ficou até o quarto lugar, quem subiu, quantos clubes tem na divisão A, B ou C, esses tem planejamento, esses não.

A essa hora, aquela turma que ria conectada, já deve gargalhar.

O não entendimento dessa nova realidade e a repetição de chavões paupérrimos, é ser cúmplice de pragas que podem vir a matar o futebol. Tentar entender com um pouco mais de profundidade tudo o que se descortina é estar atento e fiscalizar o futuro de uma paixão. Que não acaba, porque o futebol, como o samba, agoniza mas não morre. Mas enquanto conceitos velhos e surrados forem repetidos, o tabuleiro vai sendo tomado. E muitos desses novos ricos da bola não tem qualquer compromisso com o futuro do futebol.

Essas reflexões não tem a menor pretensão acadêmica. É só um livre pensar de quem aprendeu a gostar desse jogo mesmo antes de se entender por gente. Muito mais do que isso: de quem acredita que o futebol é parte da minha identidade, de que o grito de gol do meu time (nas horas de folga…!) é mais do que um grito solto no ar. É  sim uma daquelas coisas boas que consegui aprender com meu pai lá atrás e que segue a nos unir nas tardes de domingo como o pão, o vinho, e a boa conversa.

E que a preservação desse jogo depende agora de reflexões e entendimentos profundos da complexidade que se apresenta, e de irmos um pouco além da simples repetição de chavões.

São Paulo: tri, hexa, multi campeão

Dom, 07/12/08
por Lédio Carmona |
categoria São Paulo, Série A

077sampa.jpgTri ou hexa. Não importa! O momento é para comemorar. Porque celebrar? Qual é a equipe com o 2º ataque mais positivo? Qual é a 2ª defesa menos vazada? Qual é o time que menos perdeu? Qual é o clube que igualou o recorde de invencibilidade na era dos pontos corridos? Qual é o técnico que conquistou três títulos consecutivos no comando da mesma equipe? Manchar essa campanha por causa desses acontecimentos madonescos do fim de semana é mera dor-de-cotovelo.

Todas as respostas se dirigem ao tricolor paulista. Este é o São Paulo… No momento decisivo do campeonato - quando estava há 11 pontos atrás do líder -, se impôs e cresceu na competição. Os resultados e as conquistas comprovam, sem dúvida nenhuma, é o gigante do Brasil.

77muri.jpgMas a equipe teve um adversário à altura, que disputou o título até a última rodada. Por isso, o Grêmio também merece elogios. Uma equipe vibrante, que lutou até a última rodada. Fez o dever de casa ao vencer o Atlético-MG por 2 a 0, no Olímpico. Mas pecou neste 2º turno, quando não repetiu a dose de sucesso do 1º. A equipe comandada por Celso Roth, o melhor treinador desta Série A, só ficou três rodadas fora do G4. Por isso, merece o vice-campeonato e fará uma grande campanha na Libertadores, junto com este elenco barato e eficiente.

Enquanto isso, o campeão precisava de uma partida para selar o campeonato. A vitória contra o Goiás ilustra o desempenho do tricolor paulista neste Brasileirão. Com forte marcação no sistema defensivo, não deixou o esmeraldino atacar. Com isso, a equipe de Hélio dos Anjos não conseguiu furar o bloqueio defensivo montado pelo tricolor. O gol impedido de Borges (sim, estava) foi um mero detalhe, porque mesmo com o empate, a taça estaria na Barra Funda.

77borges.jpgA equipe esteve impecável nos últimos três campeonatos. O ponto de destaque foi a defesa. A cada ano, a zaga se renovou - Fabão, depois Alex Silva e Breno - e desta vez foi André Dias. No apoio a defesa, a dupla de volantes também foi de fundamental importância. O Brasileirão passou, a receita de sucesso da renovação continuou, mas a qualidade permaneceu alta. Josué-Mineiro; Hernanes-Richarlyson e Hernanes-Jean. Mas o líder desse sistema defensivo foi e continuará sendo comandado pelo símbolo do clube - Rogério Ceni. O único capitão a levantar o caneco por três vezes seguidas. 

Com esta defesa sólida, o time sofreu apenas 16 derrotas, somando as ultimas três edições - uma média acima do normal. Neste Brasileirão, conquistou uma invencibilidade de 18 partidas - um recorde na era dos pontos corridos -, igualando-se ao Atlético-PR, em 2004. Mas, ainda não citamos o poderoso chefão, Muricy Ramalho. O técnico igualou o feito de Rubens Minelli, com três conquistas consecutivas. Mas Muricy comandou a mesma equipe - vale lembrar que o treinador ainda foi vice-campeão com o Internacional, em 2005.

Parabéns, São Paulo!

Colaborou Carlos Gustavo

A hora da reconstrução

Dom, 07/12/08
por Lédio Carmona |
categoria Série A, Vasco


712.jpgO Vasco não caiu hoje. Não, não foi por culpa da derrota para o Vitória por 2 a 0 (gols de Leandro Domingues e Adriano) que o clube viveu na tarde de domingo o dia mais triste da sua história. A queda vem sendo costurada há anos. Escolha errada de treinadores; jogadores sem a menor condição de vestir uma camisa histórica; guerra política; acomodação com derrotas e mais derrotas. Um clube grande como Vasco, com mais de 11 milhões de torcedores, não pode se acostumar a perder. Quem é gigante - e o Vasco é enorme -, se contorce nos momentos dolorosos. Há anos o Vasco parecia anestesiado. Por isso, estou convicto de que a dor do rebaixamento, a mácula do desalento, a vergonha de ouvir piadas idiotas dos adversários e o choro coletivo testemunhado hoje, em São Januário, servirão para despertar o clube. E mostrar à diretoria, aos poucos jogadores que servem e aos torcedores, que vale muito ser, jogar e viver o Vasco. O dia 7 de dezembro de 2008 tem dois lados. A consumação da queda. E o início da reconstrução.

triste.jpgDoeu fundo na alma ver o torcedor tentar se jogar da marquise de São Januário. O bombeiro o impediu. E ele verá o Vasco renascer. Não vale a pena procurar culpados agora. O importante é fazer. A diretoria passada errou muito. Escolheu Alfredo Sampaio, inventou Romário como treinador. Há anos vinha enfiando pela goela dos vascaínos um time patético. O novo comando também falhou nos primeiros meses. Recebeu uma herança ruim, mas poderia ter sido mais ousado. Apostou em Edmundo (boa aposentadoria!), sabe-se lá porque contratou Tita, Fernando e Odvan , viu alguns jogadores atuarem com absoluta má vontade e desdém e nada fez. Paciência. Caiu. Agora é hora de levantar. E seguir em frente.

O risco que o Vasco corre hoje não é o de jogar a segunda divisão. Isso muita gente grande já fez e outros também farão. Grêmio, Atlético Mineiro, Botafogo, Palmeiras, Coritiba, Corinthians. Claro, o ideal é não descer. Mas não é o fim do mundo. O inferno, sim, será o clube mergulhar em nova briga política. Não é hora. O grupo que assumiu em maio precisa de tempo. Precisa reconstruir. Merece crédito. Mas terá que agir.

127.jpgNão é preciso ser rico para andar arrumadinho, bem vestido. Basta ter bom gosto. Achar peças certas nos locais certos. Com o novo patrocinador e novo fornecedor de material esportivo, o Vasco começa a respirar. Mas terá que saber montar um time. Sim, pensar grande não é contratar Ronaldo Fenômeno, nem Adriano. É saber onde há bons jogadores, com custos razoáveis e que, preferencialmente, tenham orgulho de jogar pelo Vasco. E, para tal, é necessário ter no departamento de futebol gente capaz, atenta a opções e perfis de mercado, para agir no momento certo.

Na reconstrução, não cabe ter gente que queira usar o clube como escada ou trampolim. Acertar na escolha do treinador também é obrigatório. Ninguém tem mais o direito de errar. O torcedor vascaíno está cansado de ver trabalhos mambembes, esquemas táticos primários  e treinadores com respostas prontas. Renato Gaúcho está saindo. Amanhã isso será confirmado. Há muita gente boa (e nova) no mercado. Gente louca para entrar pelo portão principal de São Januário. Gente que vai se orgulhar de servir ao Vasco.

O Vasco caiu. Sim, caiu. Foi um dia triste? Sim, o mais triste de todos os dias. Mas com uma torcida como aquela, uma história tão rica e uma marca tão forte, é mais do que certo que o futuro chegará mais rápido do que muitos imaginam.

Que a reconstrução comece.  Já.  Para ontem.


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