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Geração SPA

Qui, 11/09/08
por Lédio Carmona |
categoria Seleção

engenhao.jpgO Engenhão não lotou. Foi deprimente acompanhar um jogo de eliminatórias da Seleção Brasileira com um estádio com meia lotação. É grave. Sábado, em Buenos Aires, a Argentina encheu o Monumental de Nunez. Os chilenos entupiram o Nacional, de Santiago, até mesmo após terem sido surrados pelo Brasil. Portugal perdeu para a Dinamarca, mas com o José Alvalade, em Lisboa, botando gente pelo ladrão. Muita gente para ver Itália x Georgia, em Udine. O mesmo para França x Servia, em Paris. E para Espanha x Armênia, em Albacete. Só o Brasil não foi capaz de convencer seus seguidores a visitarem o Engenhão. Há muito por trás disso. O primeiro elemento. O torcedor, não só o brasileiro como de todo planeta, quer saber mesmo é do seu clube. As seleções perdem espaço escancaradamente. Os europeus ainda levam vantagem por que, em quatro anos, jogam dois mega-eventos. Copa do Mundo e Euro. Isso, apesar da paixão clubística, impede que o interesse pelas equipes nacionais diminua. Mas, na América do Sul, é só Copa do Mundo. Eliminatórias não cativam. Copa América não pega. Brasileiro não gosta de amistoso.

Para piorar, a Seleção não ajuda. E Dunga não é o único culpado. O Brasil perde sua força há uma década. O excesso de preocupações marqueteiras que envolvem o time atingiu os boleiros. Na verdade, queiram ou não, e tenho absoluta convicção disso, a maioria dos nossos jogadores observa a chance de jogar pela seleção como uma espécie de oportunidade de auto-exibição. Em suma: todos acompanham nossos jogos, então é aqui o melhor palco para se promover. Não há espírito de competição. É como se a partida fosse uma grande passarela para que possam desfilar. É com a camisa amarela que se pode dar o drible a mais que não é permitido na Europa, onde comer grama e brigar por cada tufo do gramado é obrigação.

pagode.jpgPara quem esquentar a mufa com preocupações táticas, se já nos entopem de esquemas e sistemas de jogos no dia-a-dia europeu? Ah, seleção é para relaxar. Ali, na Granja Comary, é hora da confraternização, do pagode, para rever os amigos e trocar idéias sobre a vida na Europa. E, nos jogos, a gente se diverte.

É assim que, até inconscientemente, o jogador brasileiro pensa. Claro que não é algo estudado, mas está enraizado, infelizmente, que Seleção é a hora certa para desestressar.  Os treinos acontecem. Há trabalho, mas a cabeça do boleiro não está ali.  O quadro só muda quando bate a pressão e é preciso rebolar para evitar o pior, como aconteceu contra o Chile. Mas eis que vem a Bolívia e a idéia do SPA volta à tona. E deu no que deu.

Há anos esse espírito de SPA ocupa a Seleção Brasileira. Até em Copa do Mundo, na Alemanha, houve essa tendência. E, enquanto não mudar, o povo continuará longe. Distante. E deixando os estádios às moscas. A exceção só vigora quando o assunto é degola de treinador. Aí, o pacheco-patropi  sai da indiferença e vai à luta. Como, efetivamente, aconteceu hoje. Agora, garanto, se o Brasil tivesse vencido por 5 a 0, a indiferença seria total e irrestrita. Culpa do SPA.

Noite dos horrores

Qua, 10/09/08
por Lédio Carmona |

Qualquer pessoa com mínimo de entendimento de futebol, e sem aquele discursinho ranheta e hipócrita de que “é preciso respeitar todos os adversários”, imaginava que o Brasil golearia a Bolívia, no Engenhão (31.422 presentes). Fui uma delas. E, após o 0 a 0 medonho, num dos jogos mais pavorosos de todos os tempos, boto minha cara para bater. Errei feio. Culpa minha? Claro que não. No próximo Brasil x Bolívia, com esses mesmos jogadores em campo, eu repetirei o post e direi que a Seleção massacrará os bolivianos.

E isso só não aconteceu porque o time de Dunga, simplesmente, não jogou. Nem no segundo tempo, quando a Bolívia esteve o tempo quase todo com um a menos. Errou tudo. A postura e atitude de domingo, em Santiago, ficaram no Chile. Não havia tática, não havia inspiração, não houve determinação, não houve chance de gol, não houve nada. E não houve adversário. A Bolívia apenas se defendeu. Sem o menor mistério. Todo mundo atrás e bico para frente. Em qualquer circunstância normal, levaria mais um sacode para a sua coleção histórica. Como, nessa mesma eliminatória, tomou de 3 a 0 da Argentina, 5 a 0 do Uruguai, e 5 a 3 para a Venezuela. Só o Brasil não soube golear a Bolívia. Há sete anos a Bolívia não marcava um único pontinho fora de casa nas eliminatórias. Hoje conseguiu. Culpa do Brasil. E ainda queriam que eu achasse que o Brasil não golearia a Bolívia.

Não há análise tática sobre o jogo. Pelo simples fato de que não houve tática em campo. Não há análise técnica sobre a partida. Até porque ninguém jogou bem. Não há melhor em campo. Todos foram piores. O Brasil, basicamente, mostrou que, até segunda ordem, ou que prove o contrário, não sabe jogar partindo para cima dos adversários. As três melhores vitórias do time de Dunga aconteceram explorando contra-ataques: 3 a 0 Argentina, em Londres; 3 a 0 na Argentina, na final da Copa América; 3 a 0 no Chile, domingo passado, em Santiago.

Falar mais o que? Não goleamos a Bolívia, como eu acreditava e banquei. Paciência. Não devo entender nada de futebol. Quem manja mesmo é aquele que acha que a Bolívia deve ser respeitada. Deve mesmo ser bom à beça um time que ganhou apenas um jogo nas eliminatórias, empatou 2, perdeu 5, marcou 8 gols e tomou 20. Uma máquina. Talvez tenha sido isso. O Brasil empatou de 0 a 0 porque respeitou a Bolívia. Se tivesse prestado atenção nesses números, teria feito um saco de gols e evitado esse mico histórico.

Uma noite dos horrores no Engenhão.

E viva o lugar-comum no futebol (e na sociedade).

Bolão do Engenhão

Ter, 09/09/08
por Lédio Carmona |

De quanto vai ser a goleada?

Quem fará mais gols?

Você acredita que a Bolívia fará pelo menos um golzinho?

O JA é um blog sério e se recusa a pensar na possibilidade de o Brasil não dar uma goleada na Bolívia, muito menos não vencer a lanterninha das eliminatórias sul-americanas.

* Mesmo com uma goleada sobre a Bolívia, o Brasil não poderá ser o primeiro colocado nesta rodada das Eliminatórias. Já que no Estádio Defensores del Chaco, o líder Paraguai venceu com tranqüilidade a Venezuela por 2 a 0 - gols de Riveros e Valdez. Com isso, os paraguaios, com 17 pontos, não poderão ser alcançados nesta jornada. Já os venezuelanos, na 8ª posição, com 7 pontos, enfrentarão a Seleção Brasileira, em casa, no dia 11/10.

Classificação: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Futebol/Classificacao/0,,ESP0-9833,00.html

Só falta grife

Ter, 09/09/08
por Lédio Carmona |
categoria Seleção

Luís Fabiano não tem uma marca. Não é estrela. Não costuma ter holofotes consigo a cada passo. Atua por um clube mediano em seu país (Sevilla). Mas é inegável que na “Era Dunga” tenha sido o atacante mais eficiente. A vaga da camisa 9 da Seleção Brasileira ainda está em aberto na cabeça de alguns. Não na minha. Até segunda ordem - e muitos gols e boas atuações dos concorrentes -, o companheiro de Robinho é ele. Até pela atuação do último domingo, diante do Chile.

Embora precise de tempo para se firmar na Inter, Adriano é um adversário de respeito. Não à toa tem a melhor marca dentre os centroavantes que figuram nas listas de Dunga - 42 jogos e 27 gols. Pato, talentosíssimo, muito provavelmente será reserva de Shevchenko no Milan. Jô tem futebol para estar no grupo, mas é cedo para carregar o peso de uma titularidade. Vagner Love perdeu espaço nas últimas convocações. Rafael Sóbis ainda sonha com uma vaga no elenco - o que já estaria de ótimo tamanho, diga-se.

Fabuloso marcou 118 gols em 160 jogos pelo São Paulo - a segunda melhor média da história do clube. Em 79 partidas pelo Sevilla, 39 gols. Na Seleção Brasileira, onze gols em 21 jogos. E amanhã deve vir mais por aí. Não duvide do pavio curto que comanda o ataque brasileiro. Hoje, eu tenho em quem confiar.

Colaborou Victor Canedo

Samba na Cordilheira

Dom, 07/09/08
por Lédio Carmona |
categoria Seleção


07lf.jpgSe a boa vitória sobre o Chile for vista com serenidade, pés no chão e cabeça no lugar pela Seleção Brasileira, terá sido ainda mais importante que os três pontos que levaram o time de Dunga ao segundo lugar nas eliminatórias sul-americanas, à frente da Argentina, mas ainda atrás do Paraguai. Foi uma boa partida. Não pela forma geométrica usada em campo. Não existe esse papo furado de quadrado mágico, losango das trevas, ou triângulo diabólico. Hoje em dia, o que ganha jogo é o coletivo. Vence quem corre atrás, quem não espera a bola no pé, quem respeita adversário, mas não o teme, e quem tem jogador bom. Todo mundo sabe que jogador bom, por mais que a safra não seja tão rica, dá em penca por aqui. O que às vezes falta é postura, atitude, vontade, energia. Hoje isso estava em campo com o talento nacional. Resultado: Brasil 3 a 0, em pleno Estádio Nacional, de Santiago.

O Brasil venceu um jogo fora de casa pelas eliminatórias, algo que não ocorria desde 2004, quando a Venezuela foi derrotada em San Cristobal. E porque vencemos? O Chile sentiu o jogo. E o Brasil soube explorar os erros do time de Bielsa. Defesa comprovadamente fraca - 12 gols em sete jogos, o triplo da brasileira -, a retaguarda chilena fez água nos contra-ataques da Seleção. Não esperava a marcação na saída de bola. Diego, Ronaldinho Gaúcho e Robinho souberam dar o primeiro combate e isso deixou abertas as feridas de um sistema defensivo instável e inseguro.

07robi.jpgClaro que o Chile teve chances.  Mas Suazo não é tão talentoso quanto o orgulho chileno quer provar. E nossa zaga nunca foi problema. Lúcio e Luisão, Lúcio e Juan, Lúcio e Tiago Silva. O que vier, está no lucro. Aos poucos, o Brasil se soltou no jogo. E quando Luís Fabiano fez o primeiro gol, de cabeça, se antecipando à tonta defesa adversária, tudo ficou ainda mais transparente. E poderia ter ficado ainda mais se Ronaldinho Gaúcho não tivesse batido mal um pênalti e permitido a defesa de Claudio Bravo. Mas Robinho ainda  pôde fazer o segundo gol, no fim do primeiro tempo, após mais uma boa jogada de Luis Fabiano.

No segundo tempo, com Valdívia em campo, o Chile foi para cima. Teve chances, principalmente após a expulsão de Kleber, um dos pontos negativos do Brasil. Só que Valdívia, tão talentoso quanto inconseqüente, entrou para quebrar Luis Fabiano e também foi expulso por Carlos Torres. Ali, naquele lance, o jogo foi decidido definitivamente. O Chile não teve mais forças, muito menos equilíbrio e tranqüilidade. E o Brasil passeou em campo. Poderia ter sido de quatro ou de cinco. Foi de três, graças a mais um gol de força de Luis Fabiano. Vitória justíssima, bem construída e inapelável. Na minha opinião, a melhor partida do Brasil nas eliminatórias. Superior inclusive à goleada de 5 a 0 sobre o Equador. Hoje, as dificuldades foram maiores. E o adversário, melhor. Ponto para Dunga, que ganha tempo para respirar na sua luta para ficar. E, claro, para os jogadores.

07bra.jpgPara não dizer que falei só de flores…. Destaques do Brasil: Luís Fabiano, o melhor, Diego, Robinho e Lúcio. Mas…

* Kleber não dá na lateral-esquerda. Nervoso, inseguro e fora de jogo, foi expulso e abriu chance para Juan entrar e se firmar. Nada como uma Bolívia para consagrar alguém.

* Ronaldinho Gaúcho continua fora de forma, encostado no canto esquerdo. Creio que, com os jogos na Itália, ele recupere a forma. Mas, hoje, ainda está longe disso.

* Robinho joga tão bem quanto reclama. Por que não apenas jogar?

 De resto, uma boa partida do Brasil, com  placar final clássico e inapelável: 3 a 0. E do sexto lugar já está em segundo. E muito próximo do primeiro. Nem Dunga esperava um início de semana tão plácido para a Seleção Brasileira.

Ataque na Cordilheira

Sex, 05/09/08
por Lédio Carmona |
categoria Seleção

nacsant.jpgJulio César; Maicon, Lúcio, Luisão e Kléber; Gilberto Silva, Josué, Diego e Robinho; Ronaldinho Gaúcho e Luis Fabiano. É com essa seleção, ofensiva e de pouca marcação, que o Brasil enfrentará o Chile, domingo, em Santiago. Algo que lembra um 4-2-3-1, com Fabuloso mais à frente.

Jogo importantíssimo para o Brasil, hoje em quinto nas eliminatórias, mas que pode acordar, na segunda-feira, em sétimo lugar.

Basta perder, algo que hoje em dia não é nada surpreendente, e Uruguai e Peru vençam suas partidas contra Colômbia e Venezuela, respectivamente.

Evidente que Dunga quer atacar para impor medo ao Chile. Por isso, quatro jogadores de frente, sendo que nenhum deles marca ninguém.

O treinador deve pensar. Atacar para não ser atacado.

andes0.jpgMas quem disse que o Chile não atacará? Principalmente quando terá tanto espaço e liberdade para jogar, quando tiver a bola nos pés.

Mathias Fernandes, Valdívia, Suazo, Alexis Sanchez…

O Chile também terá quatro na frente.

Sei lá. Mas parece uma tática kamikaze.

Que eu esteja errado.

Mas, ao mesmo tempo, e pensando de forma positiva, é um time técnico e ligado no ataque. No mínimo, uma decisão corajosa, porém não menos arriscada.

Que eu esteja certo.

E o nobre blogueiro, o que pensa a respeito?

Pérolas da Granja

Sex, 05/09/08
por Lédio Carmona |
categoria Seleção


05lula.jpgQual foi o exagero do Presidente Lula? Ele gosta de futebol, tem um clube de coração, perde horas à frente da televisão observando, discutindo e torcendo. Lula é um torcedor.  E tem todo direito de ser. Então, ele não fez nada demais ao comentar o que acha da entediante atual Seleção Brasileira.

“Quando vejo o Messi, na minha opinião o melhor jogador do mundo, perder uma bola, ele sai correndo até recuperar ou fazer falta. Os nossos perdem a bola e cruzam os braços”.

É um opinião legítima, de quem gosta de futebol e faz questão de se manifestar a respeito. Qual é o problema de ser Presidente da República? Por ele ter tamanha responsabilidade, precisa ficar quieto?

“Fico muito triste com a declaração dele. Em primeiro lugar, porque votei nele. Em segundo, porque esse era o momento de termos uma palavra de apoio vinda dele. Se eu fosse ele, iria de uma vez pra Argentina. Se for assim, é melhor ele renunciar à presidência e talvez o país até melhore. Aprendi uma coisa quando era pequeno. Temos que pensar antes de falar alguma coisa”, transbordou Julio Cesar.

Quer dizer que, pelo fato de Julio Cesar ter votado em Lula, o presidente não pode criticar a Seleção? As outras besteiras devem ser ignoradas. A falta de fair-play de alguns integrantes da seleção brasileira com o discurso de Lula só mostra o quanto são mimados e melindrados alguns jogadores. O piti de Julio Cesar, dizendo que o presidente deveria se mudar para a Argentina, é coisa de profissional imaturo e que só sabe conviver com elogios.

Uma pena. Lula tem todo direito de se expressar sobre futebol. E, de mais a mais, ele não disse nenhuma besteira. Falou a verdade. Algo que num grupo que parece viver no reino do faz-de-conta, como é  a Seleção Brasileira, deve doer à beça.

E agora, enquanto escrevo esse texto, me espanto com mais uma peróla, direto da Granja Comary. Fala aí, Professor Dunga.

“A expectativa sobre o futebol é sempre muito grande, mas foi o único esporte que trouxe medalhas sem dinheiro do Governo Federal.”

Ah, tadinha da Seleção Brasileira. Tão pobre… Tão sem recurso… Tão prejudicada…

Enfim, Juan

Sex, 22/08/08
por Lédio Carmona |
categoria Seleção

Saiu a lista da Seleção Brasileira para os jogos de setembro pelas eliminatórias. Os adversários: Chile, em Santiago, e Bolívia, no Engenhão. A grande novidade (e justíssima) foi a convocação de Juan, do Flamengo, espero que para ser titular da lateral-esquerda. Por outro lado, Dunga insiste com Kleber, do Santos, que há meses não joga absolutamente nada. De resto, nove olímpicos, mas, se era para chamar gente que foi a Pequim, também deveriam ter sido lembrados Marcelo, para a vaga de Kleber, e Hernanes, muito melhor do que os incompreensíveis nomes de Josué (Wolfsburg) e Gilberto Silva (Panathinaikos). E Alexandre Pato, fora da relação, mostra que Dunga não está nem um pouco encantado com ele. Enfim, uma lista normal, que não me empolga muito. Mas também não contraria. Se não fosse por Juan, não merecia nem post, tão fim de festa me parece esse momento da Seleção Brasileira.

Goleiros - Júlio César (Inter de Milão); Renan (Internacional)

Laterais - Maicon (Inter de Milão); Kleber (Santos); Juan (Flamengo);
Rafinha (Schalke)

Zagueiros - Juan (Roma); Lúcio (Bayern de Munique); Luisão (Benfica); Alex Silva (São Paulo)

Volantes e meias - Gilberto Silva (Panathinaikos); Lucas (Liverpool); Elano (Manchester City); Anderson (Manchester United); Josué (Wolfsburg); Diego (Werder Bremen); Julio Baptista (Roma)

Atacantes - Robinho (Real Madrid); Ronaldinho Gaúcho (Milan); Jô (Manchester City)
Luis Fabiano (Sevilla); Rafael Sobis (Bétis).

Bronze protocolar

Sex, 22/08/08
por Lédio Carmona |

O futebol masculino volta para casa com a sua segunda medalha de bronze da história. Uma vitória protocolar sobre a medíocre Bélgica por 3 a 0, gol de Diego (o melhor brasileiro na China) e dois de Jô (centroavante bom, porém maltratado por parte da mídia ainda em busca de centroavante técnicos montados num cavalo branco). Claro que, na prática, o Brasil não ganhou o bronze, mas perdeu (e feio) o ouro. Mas já que a realidade é essa, que estejamos hoje à noite, no Ninho do Pássaro, para acompanhar a grande final entre Argentina e Nigéria, dois times que merecem ir à final. E para receber a medalha de bronze no pódio e não cometer a deselegância daquele time marrento e sem nenhum espírito esportivo dos Jogos de 1996, em Atlanta.

O abalo

Qui, 21/08/08
por Lédio Carmona |

Faltou estrutura psicológica para o futebol feminino do Brasil vencer a seleção americana. Infelizmente, superestimamos a equipe mais medíocre dos Estados Unidos nos últimos anos. Uma equipe com média de idade inferior a nossa. Mas que joga com uma máquina pragmática, fria e calculista em busca de não tomar gol e de fazer um no erro do adversário. Erramos no excesso de respeito. E falhamos em outros aspectos. Faltaram preparo físico, planejamento tático e atitude, coisa que o time só teve no segundo tempo da prorrogação, quando Lloyd já havia feito o gol da vitória das rivais e finalmente lembramos que o time americano não é mais aquele e não tem mais Mia Hamm, Kristin Lilly e artilheira Wambach.

Para piorar,  jogamos menos do que na Copa do Mundo. Por quê? Porque lá tínhamos um quarteto que funcionava: Formiga, Daniela Alves, Cristiane e Marta. Nos Jogos Olímpicos, virou dupla, pois as duas apoiadoras estiveram mal, física e tecnicamente. Perdemos o ouro, não ganhamos a prata. Entendo a derrota com essa frieza porque conheço um pouco as meninas e estou convicto de que nosso time é melhor do que o dos Estados Unidos. A diferença é que elas souberam vencer. E tiveram a frieza que sempre nos faltou.


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