Geração SPA
O Engenhão não lotou. Foi deprimente acompanhar um jogo de eliminatórias da Seleção Brasileira com um estádio com meia lotação. É grave. Sábado, em Buenos Aires, a Argentina encheu o Monumental de Nunez. Os chilenos entupiram o Nacional, de Santiago, até mesmo após terem sido surrados pelo Brasil. Portugal perdeu para a Dinamarca, mas com o José Alvalade, em Lisboa, botando gente pelo ladrão. Muita gente para ver Itália x Georgia, em Udine. O mesmo para França x Servia, em Paris. E para Espanha x Armênia, em Albacete. Só o Brasil não foi capaz de convencer seus seguidores a visitarem o Engenhão. Há muito por trás disso. O primeiro elemento. O torcedor, não só o brasileiro como de todo planeta, quer saber mesmo é do seu clube. As seleções perdem espaço escancaradamente. Os europeus ainda levam vantagem por que, em quatro anos, jogam dois mega-eventos. Copa do Mundo e Euro. Isso, apesar da paixão clubística, impede que o interesse pelas equipes nacionais diminua. Mas, na América do Sul, é só Copa do Mundo. Eliminatórias não cativam. Copa América não pega. Brasileiro não gosta de amistoso.
Para piorar, a Seleção não ajuda. E Dunga não é o único culpado. O Brasil perde sua força há uma década. O excesso de preocupações marqueteiras que envolvem o time atingiu os boleiros. Na verdade, queiram ou não, e tenho absoluta convicção disso, a maioria dos nossos jogadores observa a chance de jogar pela seleção como uma espécie de oportunidade de auto-exibição. Em suma: todos acompanham nossos jogos, então é aqui o melhor palco para se promover. Não há espírito de competição. É como se a partida fosse uma grande passarela para que possam desfilar. É com a camisa amarela que se pode dar o drible a mais que não é permitido na Europa, onde comer grama e brigar por cada tufo do gramado é obrigação.
Para quem esquentar a mufa com preocupações táticas, se já nos entopem de esquemas e sistemas de jogos no dia-a-dia europeu? Ah, seleção é para relaxar. Ali, na Granja Comary, é hora da confraternização, do pagode, para rever os amigos e trocar idéias sobre a vida na Europa. E, nos jogos, a gente se diverte.
É assim que, até inconscientemente, o jogador brasileiro pensa. Claro que não é algo estudado, mas está enraizado, infelizmente, que Seleção é a hora certa para desestressar. Os treinos acontecem. Há trabalho, mas a cabeça do boleiro não está ali. O quadro só muda quando bate a pressão e é preciso rebolar para evitar o pior, como aconteceu contra o Chile. Mas eis que vem a Bolívia e a idéia do SPA volta à tona. E deu no que deu.
Há anos esse espírito de SPA ocupa a Seleção Brasileira. Até em Copa do Mundo, na Alemanha, houve essa tendência. E, enquanto não mudar, o povo continuará longe. Distante. E deixando os estádios às moscas. A exceção só vigora quando o assunto é degola de treinador. Aí, o pacheco-patropi sai da indiferença e vai à luta. Como, efetivamente, aconteceu hoje. Agora, garanto, se o Brasil tivesse vencido por 5 a 0, a indiferença seria total e irrestrita. Culpa do SPA.
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Qualquer pessoa com mínimo de entendimento de futebol, e sem aquele discursinho ranheta e hipócrita de que “é preciso respeitar todos os adversários”, imaginava que o Brasil golearia a Bolívia, no Engenhão (31.422 presentes). Fui uma delas. E, após o 0 a 0 medonho, num dos jogos mais pavorosos de todos os tempos, boto minha cara para bater. Errei feio. Culpa minha? Claro que não. No próximo Brasil x Bolívia, com esses mesmos jogadores em campo, eu repetirei o post e direi que a Seleção massacrará os bolivianos.
E isso só não aconteceu porque o time de Dunga, simplesmente, não jogou. Nem no segundo tempo, quando a Bolívia esteve o tempo quase todo com um a menos. Errou tudo. A postura e atitude de domingo, em Santiago, ficaram no Chile. Não havia tática, não havia inspiração, não houve determinação, não houve chance de gol, não houve nada. E não houve adversário. A Bolívia apenas se defendeu. Sem o menor mistério. Todo mundo atrás e bico para frente. Em qualquer circunstância normal, levaria mais um sacode para a sua coleção histórica. Como, nessa mesma eliminatória, tomou de 3 a 0 da Argentina, 5 a 0 do Uruguai, e 5 a 3 para a Venezuela. Só o Brasil não soube golear a Bolívia. Há sete anos a Bolívia não marcava um único pontinho fora de casa nas eliminatórias. Hoje conseguiu. Culpa do Brasil. E ainda queriam que eu achasse que o Brasil não golearia a Bolívia.
Não há análise tática sobre o jogo. Pelo simples fato de que não houve tática em campo. Não há análise técnica sobre a partida. Até porque ninguém jogou bem. Não há melhor em campo. Todos foram piores. O Brasil, basicamente, mostrou que, até segunda ordem, ou que prove o contrário, não sabe jogar partindo para cima dos adversários. As três melhores vitórias do time de Dunga aconteceram explorando contra-ataques: 3 a 0 Argentina, em Londres; 3 a 0 na Argentina, na final da Copa América; 3 a 0 no Chile, domingo passado, em Santiago.
Falar mais o que? Não goleamos a Bolívia, como eu acreditava e banquei. Paciência. Não devo entender nada de futebol. Quem manja mesmo é aquele que acha que a Bolívia deve ser respeitada. Deve mesmo ser bom à beça um time que ganhou apenas um jogo nas eliminatórias, empatou 2, perdeu 5, marcou 8 gols e tomou 20. Uma máquina. Talvez tenha sido isso. O Brasil empatou de 0 a 0 porque respeitou a Bolívia. Se tivesse prestado atenção nesses números, teria feito um saco de gols e evitado esse mico histórico.
De quanto vai ser a goleada?
* Mesmo com uma goleada sobre a Bolívia, o Brasil não poderá ser o primeiro colocado nesta rodada das Eliminatórias. Já que no Estádio Defensores del Chaco, o líder Paraguai venceu com tranqüilidade a Venezuela por 2 a 0 - gols de Riveros e Valdez. Com isso, os paraguaios, com 17 pontos, não poderão ser alcançados nesta jornada. Já os venezuelanos, na 8ª posição, com 7 pontos, enfrentarão a Seleção Brasileira, em casa, no dia 11/10.
Luís Fabiano não tem uma marca. Não é estrela. Não costuma ter holofotes consigo a cada passo. Atua por um clube mediano em seu país (Sevilla). Mas é inegável que na “Era Dunga” tenha sido o atacante mais eficiente. A vaga da camisa 9 da Seleção Brasileira ainda está em aberto na cabeça de alguns. Não na minha. Até segunda ordem - e muitos gols e boas atuações dos concorrentes -, o companheiro de Robinho é ele. Até pela atuação do último domingo, diante do Chile.





Saiu a lista da Seleção Brasileira para os jogos de setembro pelas eliminatórias. Os adversários: Chile, em Santiago, e Bolívia, no Engenhão. A grande novidade (e justíssima) foi a convocação de Juan, do Flamengo, espero que para ser titular da lateral-esquerda. Por outro lado, Dunga insiste com Kleber, do Santos, que há meses não joga absolutamente nada. De resto, nove olímpicos, mas, se era para chamar gente que foi a Pequim, também deveriam ter sido lembrados Marcelo, para a vaga de Kleber, e Hernanes, muito melhor do que os incompreensíveis nomes de Josué (Wolfsburg) e Gilberto Silva (Panathinaikos). E Alexandre Pato, fora da relação, mostra que Dunga não está nem um pouco encantado com ele. Enfim, uma lista normal, que não me empolga muito. Mas também não contraria. Se não fosse por Juan, não merecia nem post, tão fim de festa me parece esse momento da Seleção Brasileira.
O futebol masculino volta para casa com a sua segunda medalha de bronze da história. Uma vitória protocolar sobre a medíocre Bélgica por 3 a 0, gol de Diego (o melhor brasileiro na China) e dois de Jô (centroavante bom, porém maltratado por parte da mídia ainda em busca de centroavante técnicos montados num cavalo branco). Claro que, na prática, o Brasil não ganhou o bronze, mas perdeu (e feio) o ouro. Mas já que a realidade é essa, que estejamos hoje à noite, no Ninho do Pássaro, para acompanhar a grande final entre Argentina e Nigéria, dois times que merecem ir à final. E para receber a medalha de bronze no pódio e não cometer a deselegância daquele time marrento e sem nenhum espírito esportivo dos Jogos de 1996, em Atlanta.
Faltou estrutura psicológica para o futebol feminino do Brasil vencer a seleção americana. Infelizmente, superestimamos a equipe mais medíocre dos Estados Unidos nos últimos anos. Uma equipe com média de idade inferior a nossa. Mas que joga com uma máquina pragmática, fria e calculista em busca de não tomar gol e de fazer um no erro do adversário. Erramos no excesso de respeito. E falhamos em outros aspectos. Faltaram preparo físico, planejamento tático e atitude, coisa que o time só teve no segundo tempo da prorrogação, quando Lloyd já havia feito o gol da vitória das rivais e finalmente lembramos que o time americano não é mais aquele e não tem mais Mia Hamm, Kristin Lilly e artilheira Wambach.