Quando vencem os melhores…
A marra do brasileiro quando o assunto é futebol não permite que se enxergue o óbvio: há pelo menos quatro anos a Argentina é melhor do que a Seleção. A superioridade foi camuflada por alguns resultados isolados que, nos últimos três anos, criaram uma escrita ilusória, na qual nossos hermanos não conseguiam nos vencer. Ganhamos a final da Copa das Confederações. Ganhamos a Copa América. Boas atuações, muito embora nossos rivais tenham jogado tão mal quanto o Brasil se exibira bem.
Hoje, no confronto mais importante entre as duas seleções desde a Copa de 1990, fomos derrotados com flagrante facilidade: 3 a 0, dois gols de Aguero e um de Riquelme, de pênalti. O time de Dunga terminou com 9 jogadores - Thiago Neves e Lucas foram expulsos -, prova cabal de que, o tempo passa, o tempo voa, e ainda não aprendemos a aceitar derrotas. Nem fora nem dentro de campo.Foi inapelável. A Argentina jogou como quis. Tocou a bola, envolveu o Brasil, que marcava à distância, como sempre não tinha chegada na frente e parecia tonto diante da movimentação dos adversários. Rafael Sóbis, como sempre, sozinho no ataque. E Ronaldinho Gaúcho, como de praxe, encostado no canto esquerdo. O Brasil só não levou gol no primeiro tempo porque a Argentina tem o pecado, constante, de chutar pouco a gol. Toca demais e executa de menos.
No segundo tempo, nada mudou. Ou melhor, a Argentina resolveu ser mais objetiva. E aí, o ouro sonhado derreteu rapidamente. Aos sete, gol de Aguero (foto abaixo). Aos 12m, mais um gol de Aguero. Aos 31 min, pênalti de Breno, perdido e sem tempo de bola, em Aguero. Riquelme bateu: 3 a 0. Só não foi de quatro porque eles tiveram pena. Devem ter tido o respeito que sempre mostraram pelo Brasil. E tiraram o pél. Ou ficaram receosos de perder algum jogador, diante dos pontapés dos brasileiros, razão para a expulsão de Lucas e Thiago Neves.
A Argentina hoje só não é melhor do que o futebol brasileiro no feminino. Ganha mais as competições com clubes, tem seleções superiores, da base à principal, passando pela olímpica. Por isso, vai bem nas eliminatórias, bateu o recorde de vitórias seguidas em Jogos Olímpicos - 11, entre Atenas e Pequim - e disputará o bicampeonato, sábado, contra a Nigéria, que hoje goleou a Bélgica por 4 a 1. Por sinal, reedição da final de Atlanta, vencida pelos africanos.
Já nós, brasileiros, vamos ficar discutindo porque perdemos para a Argentina. E não enxergaremos o óbvio. Hoje somos piores. Temos uma boa seleção, mas que é inferior a deles. E, sinceramente, Dunga não é o maior culpado desta vez. Convocou um bom grupo e, reconheço, cometeu erros, como não escalar os dois Thiagos, além de não ter conseguido dar padrão tático adequado ao time. Mas perdemos porque, infelizmente, em condições normais, estamos muito mais perto disso atualmente, nos confrontos contra os argentinos. Nos falta a humildade para reconhecer isso. E a simplicidade de entender que o futebol é cíclico e não tem dono. Quem joga melhor, ganha. E hoje, a Argentina foi (e é) melhor.
Assim mesmo, as Olimpíadas foram úteis para mostrar que temos jogadores jovens de muito potencial, principalmente para o meio de campo. Se existe um legado do fracasso de Pequim, é saber que temos volantes olímpicos superiores aos da seleção principal. Hernanes, Anderson e Lucas merecem uma promoção. Urgentemente.
Que nossos jogadores tenham fair-play para ganhar o bronze contra a Bélgica. Receio que nossa tradicional pose e marra atrapalhem esse projeto. O ouro ficará para outra vez. Quem sabe quando o Brasil tenha, de fato, uma Seleção melhor do que a dos principais adversários. Hoje está longe de ter.
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Brasil e Argentina se encontrarão pela 88º vez nesta terça-feira - 33 vitórias de cada um e 21 empates. Confronto que já teve sede em Londres, Hannover, Frankfurt, Turin, Maracaibo, Lima, Buenos Aires, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte… E agora no Estádio dos Trabalhadores, em Pequim. Certamente o duelo mais importante dos últimos 18 anos para a Seleção Brasileira. O porquê todos devem saber. A medalha de ouro é o que resta à nossa extensa galeria de títulos - os hermanos a conquistaram há quatro anos, em Atenas, portanto, têm “apenas” a missão de acabar com a má fase diante do Brasil.
Dessa vez não há favoritos. Tanto Brasil quanto Argentina venceram, mas não convenceram. No papel, aliás, é o que temos de melhor nos últimos tempos - há quem diga que a seleção olímpica é melhor que a principal. Os eternos rivais, no entanto, possuem jogadores decisivos. Sinto a falta de alguém com as mesmas características de Messi e Riquelme. Nada que impeça mais um triunfo verde-e-amarelo. Até porque estamos invictos há três anos - a última derrota ocorreu nas Eliminatórias-2006, no Monumental de Nuñez. Amanhã, às 10h (horário de Brasília), será de roer as unhas.
As meninas conseguiram. Depois de um início terrível, quando Prinz aproveitou-se do erro de Ericka para fazer 1 a 0, e Mittag e Behringer quase aumentaram, Martha, Cristiane & Cia conseguiram se estabilizar em campo, foram para cima das alemãs e chegaram ao empate ainda no primeiro tempo. Exatamente aos 43 min, quando Cristiane fez boa jogada pela esquerda, Marta tentou chutar tudo e Formiga, de primeira, empatou, finalmente vazando a quase instransponível Angerer, que não levara gol nem na Copa do Mundo, ano passado, e até hoje, nos Jogos de Pequim.
As alemãs tontearam. Ainda tentaram reagir. Mas não tinham mais forças. Só para levar mais um golaço de Cristiane, consumando a sua marca olímpica. Placar: 4 a 1. Goleada histórica. Finalmente vencemos a Alemanha, de Prinz, em grande e definitivo estilo. Vamos à final em Pequim contra os Estados Unidos, que golearam o Japão por 4 a 2.
Guerra em Shenyang. Assim foi o confronto entre Brasil e Camarões pelas quartas-de-final dos Jogos de Pequim. No fim, 12 cartões amarelos, um vermelho (Banning), 0 a 0 no tempo normal e uma corajosa vitória brasileira na prorrogação: 2 a 0, gols de Rafael Sobis, após belíssimo lançamento de Diego, e Marcelo, completando meio sem jeito, mas com estilo inusitado, uma boa tabela entre Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves.
A questão é que o Brasil segue com controle das partidas, mas lento, sem abrir o jogo pelos lados, com Ronaldinho Gaúcho ainda vivendo de lampejos e com um centroavante isolado. Hoje, após a barracão de Pato, a bola da vez foi Rafael Sóbis. Insisto que Thiago Neves deveria ser titular. E que Diego e Ronaldinho Gaúcho, limitado ao lado esquerdo, deveriam encostar mais na frente. E os laterais, principalmente Rafinha, deveriam arquivar de vez a timidez.
Nada a comentar sobre o amistoso de hoje cedo, no qual tive o prazer de trabalhar mais uma vez ao lado do ótimo amigo Jota Junior: Brasil 3 x 0 China, gol de Diego (melhor em campo) e dois de Thiago Neves (um de falta e outro de fora da área). O Brasil fechou a fase inicial em primeiro lugar no Grupo C. E, agora, enfrenta Camarões nas quartas-de-final. Um rápido pitaco sobre cada um dos confrontos.
Argentina x Holanda - No papel, a Argentina é um timaço, embora ainda não tenha encantado. Ganhou de Austrália, Sérvia e Costa do Marfim com dificuldades. A defesa é apenas razoável, os alas atacam pouco e Ustari me parece mais um goleiro inseguro da nova safra portenha. A diferença fica por conta dos volantes, Mascherano e Gago, e do quarteto Riquelme-Messi-Aguero-Lavezzi. A Holanda mistura veteranos, como Makaay, com jovens, como Babbel, Maduro, Drenthe e Emmanuelsson. Não empolgou ninguém até agora. E por pouco não fica na primeira fase. Vai dar Argentina.
Itália x Bélgica - O time da Bélgica é duro como uma rapadura. Vai jogar pelo empate, para decidir na prorrogação e, melhor ainda, nos pênaltis. Mirallas é a esperança, mas tem fama de perdedor nato de gol. Imagine, então. A esperança da Azurra é o garoto Giovinco. Pouco, mas suficiente para a Itália passar de fase. Mas não para ir à final.
Apesar da animadora atuação de Cristiane - seria o Adriano versão feminina? - a Seleção Brasileira teve mais uma atuação sonolenta. A Nigéria saiu na frente, com Nkwocha, de pênalti. O Brasil virou naturalmente, sem o menor esforço, ainda na primeira etapa. A artilheira da última Olimpíada e terceira melhor jogadora do Mundial-2007 deixou sua marca três vezes. Claro, com enorme contribuição do sistema defensivo nigeriano - em especial a atabalhoada goleira Dede. Aliás, é difícil encontrar quem passe segurança com as luvas no futebol feminino em geral. 



A expectativa era, enfim, de uma boa estréia da Seleção Brasileira. Depois dos amargurados testes diante do combinado de Cingapura e do Vietnã, o Brasil não fugiu muito do que havia apresentado. Nem o belo gol salvador de Hernanes, aos 31 da segunda etapa, pôde livrar a desconfiança que ainda ambienta, por ora, a seleção. Ronaldinho novamente não esteve inspirado. Um primeiro tempo ruim e o segundo, digamos, participativo. Muito pela expulsão de Kompany, aos 16 – Failanni, injustamente, teve o mesmo fim. Pouco para quem deseja ostentar no peito a tão sonhada medalha de ouro.