Triste domingo
Emerson Gonçalves
O domingo começou cedo no sítio, como sempre. E logo cedo o telefone tocou: era minha filha dando-nos a notícia do falecimento do Marcelo.
Marcelo Portugal Gouvêa, ex-presidente do São Paulo de 2002 a 2006 e diretor de planejamento desde então. Um ser humano maravilhoso, que primava pela educação, pela gentileza, pela elegância no comportamento.
Daí em diante pouca atenção prestei às vacas e ao resto. Corremos com algumas tarefas inadiáveis e pegamos a estrada mais cedo que o previsto, pois agora não era só voltar para ir ao jogo, infelizmente. Era, também, para um último adeus a ele.
Nos quase 300 km do sitio até São Paulo vim pensando na pessoa que admirava como dirigente e passei a gostar como ser humano.
Na Anhanguera, vans e ônibus carregados de torcedores, bandeiras agitadas pelas janelas, alegria nos rostos que víamos rapidamente.
A mesma cena na Bandeirantes e apesar da tristeza que nos dominava, acabava havendo lugar para um pouco daquela festa, buzinando, acenando, colocando três dedos para fora, simbolizando o TRI.
Acompanhamos, ora apreensivos, ora esperançosos, o estado de saúde do Marcelo, torcendo, rezando para que ele superasse mais esta batalha e voltasse ao convívio da família e ao São Paulo. Durante esse tempo não perdi a esperança de ainda voltar a conversar com ele sobre futebol, sobre o São Paulo, desafiando, claro que por pouco tempo, o desejo da família de falar sobre outras coisas, também tão importantes ou até mais que o futebol.
Foi ele o dirigente esportivo que mais admirei, por sua visão, inteligência, comportamento e elegância como presidente de um grande clube, sem perder a combatividade pelo São Paulo e por suas idéias.
Considero sua gestão a síntese de um grande trabalho de direção de um clube que tem no futebol sua razão de ser. O marketing ganhou de vez seu necessário lugar de destaque. A famosa e fantástica estrutura são-paulina foi aprimorada com a inauguração do REFFIS e do Centro de Formação de Atletas de Cotia. Marcelo trouxe Lugano e Falcão e depois de dez anos o clube voltou à Libertadores e não mais saiu.
Falo mais sobre o Marcelo no Olhar Crônico Esportivo. Antes, porém, reproduzo aqui o que o André Kfouri escreveu em seu blog:
“Sobre ele, direi apenas o seguinte: foi o único, (repito: o único), dirigente de futebol que encontrei na classe econômica de um vôo internacional. O que serve para diferenciá-lo de seus pares”.
Assino embaixo: isso diz muito sobre quem foi Marcelo Portugal Gouvêa.
Deu tempo para a Rosa costurar uma tarja preta na camisa que escolhi para ir ao jogo, depois de passar pelo cemitério. Uma camisa já velha de sócio-torcedor, mas testemunha e participante de importantes vitórias do São Paulo. Por que não?
O Morumbi estava cheio, os arredores entupidos de gente, carros e automóveis mais de duas horas antes do início da partida. A Rosa já tinha encontrado o Miguel e pego com ele meu ingresso. Dali para o Cemitério São Paulo o trânsito dominical ajudou e lá já estavam os familiares, amigos, companheiros de clube e de profissão e muitos admiradores e torcedores. O palmeirense Zé Serra lá estava, prestando sua homenagem.
Céu azul, o sol forte, queimando, a emoção das pessoas no alto, a simples lembrança marejando meus olhos ainda agora.
A vida seguiu.
Chegamos tarde ao Morumbi, apenas 20 minutos antes do jogo. Conosco, um velho amigo do Marcelo que aproveitou a carona pro estádio.
Estádio ultra-lotado, assisti ao jogo em pé (inadmissível, mas fica para depois).
O Morumbi em festa é lindo. E o torcedor são-paulino é assim mesmo e compete ao time brilhar e levá-lo ao campo. É nosso jeito de ser.
Em campo o Fluminense.
Confesso que considerava o jogo contra o Vasco o mais difícil dessa fase. Confesso que tinha certeza da vitória ontem, mesmo sem pensar pouco do Fluminense, mas ainda assim tinha certeza da vitória.
O começo foi o de sempre, com o Tricolor das Laranjeiras pressionando. Nada preocupante, mas, pouco a pouco, fomos percebendo que o Flu estava muito bem postado. Renê Simões fez com perfeição a lição de casa. Porém, mesmo assim, chances de gol foram criadas pelos dois times.
O segundo tempo começou e logo de cara 1×0 contra. Falem o que quiserem do São Paulo, mas esse é um time que toma um gol e segue em frente.
O grande momento do estádio foi o gol de Borges. Alívio, catarse e esperança, tudo num só grito. O gigante pulsava forte, mas a trave impediu o segundo grito, como já tinha impedido o grito primeiro para os tricolores cariocas.
É fácil falar que o São Paulo jogou mal. Mas não foi bem assim. Se por um lado o time jogou abaixo do que poderia, foi também levado a isso pela postura e determinação do Fluminense, que aproveitou a habitual deficiência de marcação na esquerda são-paulina, problema que surgiu com a ida de Richarlyson para a reserva, e contou também com as descidas perigosas de Junior Cesar, que mesmo sem pegar na bola leva a defesa a tomar cuidado com ele, facilitando para quem vem pelo meio, no caso Conca, velho sonho de Muricy.
No final, um empate que transfere a decisão do título para a última rodada desse Brasileiro emocionante.
O vice-campeão da Libertadores saiu de campo livre do fantasma do rebaixamento. Seu futebol nesse segundo turno é a prova cabal do erro que foi abandonar o Brasileiro como abandonou.
O atual bi-campeão deixou o campo com empate no placar e derrota no espírito, mas tem uma semana para recuperar tudo e enfrentar o Goiás.
Um grande jogo, assistido por 66.888 torcedores, com uma renda bruta de R$ 1.387.775,00. A torcida demorou, mas compareceu.
O título de TRI-campeão não veio ontem, mas confio que virá domingo. Foi um triste domingo, não pelo jogo, mas pela perda que sofremos todos. Títulos a gente conquista, se não for hoje será amanhã, mais dia menos dia virá. Fica, porém, o irreparável da perda do Marcelo. Que descanse em paz.
De nossa parte, a palavra de ordem é uma só:
Rumo ao TRI!
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* O palco estava armado, a festa estava pronta, mas esqueceram de avisar ao Fluminense. O São Paulo errou demais. O meio de campo do tricolor paulista ficou imóvel, sem municiar o ataque. Além disso, as jogadas pelas laterais não foram utilizadas, como ocorriam nas partidas anteriores. E, no momento decisivo, a zaga falhou na marcação no gol de Tartá.Ponto positivo para o Fluminense, porque congestionou o meio-de-campo, bloqueando as jogadas de ataque do adversário. Renê Simões apostou em Tartá no intervalo. Com cinco minutos de jogo, o jogador fez um excelente passe para Washington, que perdeu um gol incrível. No rebote, Tartá deixou Rodrigo sentado e abriu o placar.








* O Figueirense parece ter acordado na hora certa. O time catarinense alcançou a segunda vitória consecutiva, após vencer o Botafogo, por 3 a 1, no Engenhão. Os anfitriões tiveram mais posse de bola e pressionaram o Figueira desde o início. Mas não tiveram tranqüilidade para concluir as oportunidades criadas. E na base dos contra ataques, o Figueira chegou lá. Nos primeiros onze minutos da etapa final, Diogo e Jairo abriram boa vantagem: 2 a 0. Alexsandro ainda descontou, mas Tadeu fechou o placar.

























Na parte de cima, nada mudou. Mas na parte de baixo, plástica geral. Um empurra-empurra para ver quem irá descer e subir as escadas. Nos degraus da 19ª até a 14ª colocação, todas as posições foram modificadas. Na noite de sábado, os torcedores de Atlético-PR, Vasco e Fluminense podem dormir sossegados. E a intranqüilidade segue para Ipatinga, Figueirense, Portuguesa e Náutico. Mas o tricolor carioca ou o vascaíno poderão cair nos degraus do Brasileirão-08 ainda amanhã. Se o Timbu vencer, a equipe de Renê Simões será deslocada para o piso anterior. Mas se o Fluminense também ganhar a partida diante do Cruzeiro, quem retornará alguns lances de escada será o time de Renato Gaúcho.
* Em São Januário, um jogo dramático e um pênalti polêmico. O Vasco não vencia em casa desde a 20ª rodada, quase três meses de abstinência. Mas o gigante da Colina despertou, incendiado por 21.310 pagantes. E por causa de cinco jogadores específicos: Madson, Leandro Amaral, Rafael, Jonílson e Edmundo. Este quinteto jogou com muita vontade e mereceu a vitória. O resto do time compôs bem e, principalmente, não cometeu erros individuais. 
* No último minuto, a Portuguesa poderia ter empatado a partida e sairia da incômoda situação. No último minuto, o São Paulo poderia perder os importantes três pontos. Mas o travessão prejudicou a equipe de Estevam Soares, que buscou o atacante durante toda a partida. Porém o travessão ajudou o time de Muricy Ramalho a ficar a poucos passos do tricampeonato. 
* Outra equipe que subiu na tabela foi o Atlético Paranaense. Uma vitória com autoridade, em plena casa do adversário. Aliás, o Orlando Scarpelli virou vilão para o Figueira. Desde a 20ª rodada, no mês de agosto, o Figueirense não vence em casa. E sair da degola com essa estatística não dá liga. Méritos para o Furacão que nas últimas quatro rodadas conquistou 10 pontos de 12 possíveis. Assim dá para escapar, com os fundamentais Alan Bahia e Rafael Moura, que têm decidido na reta final. 