O Flamengo é melhor do que todos os adversários do Campeonato Brasileiro. Por isso está há oito rodadas na liderança, tem cinco pontos de vantagem sobre Grêmio e Cruzeiro e apresenta aproveitamento de 78% após a 11ª volta. Não há time com padrão tático semelhante ao rubro-negro. Caio Junior tem o grupo nas mãos. E os jogadores confiam nele. Além disso, não há goleiro em melhor fase do que Bruno hoje em dia; a zaga é a mais forte do país, com Fábio Luciano e Ronaldo Angelim; o lateral-esquerdo é o melhor do Brasil – só Dunga ignora Juan; os volantes são bons. Faltam um bom meia de ligação e centroavante. O Flamengo não tem um camisa 9 à altura da ótima equipe montada. Mas, assim mesmo, a superioridade é flagrante. Se será campeão, ninguém sabe. O Campeonato Brasileiro é longo, muita coisa pode acontecer em 27 rodadas; Caio Junior, com ótima proposta do Catar pode sair; e o oba-oba da Gávea é sempre perigoso. Porém, hoje, ninguém pode questionar que o Flamengo é favorito, com justiça e louvor, à conquista do hexacampeonato - sim, considero Flamengo e Sport os campeões de 1987.
O Flamengo tem equipe muito melhor do que a do Vasco. Tão superior que essa possível dor já nem incomoda os vascaínos lúcidos. Melhor esperar que uma futura equipe possa ser adversária do eterno rival. A de hoje, lamentavelmente, só vai correr, lutar, de vez em quando ganhar e, na maioria das vezes, perder. Hoje os rubro-negros atropelaram. Por méritos próprios e por erros escancarados do Vasco. Que nasceram na escalação e aumentaram com a incompetência de alguns em campo. Antonio Lopes apostou em Jean, Edmundo e Leandro Amaral, deixando o meio de campo com Jonílson, Beto e Jean, além dos “alas” Wagner Diniz e Pablo. Um buraco em forma de avenida surgiu no setor. E foi por ali, naquele vazio, aumentado pela inércia de Edmundo, Leandro Amaral, Wagner Diniz e Beto para combater, que o Flamengo ganhou quando e como quis.
Wagner Diniz um dia atacou. Nunca defendeu. Hoje, ele nem atacou. E deixou um buraco para o ótimo Juan fazer fila no primeiro tempo. E ainda fez um pênalti inútil no próprio Juan logo aos 7min. Gol de Ibson. O passeio continuou. O Flamengo jogava bem. E com liberdade. Até que Eduardo Luís errou mais uma vez. A bola era de Tiago. O zagueiro se meteu e deu o gol para Fábio Luciano. No segundo tempo, Beto saiu (se é que entrou). E Alex Teixeira melhorou um pouco o time. Mas não o suficiente para diminuir ou evitar o lindo gol de Cristian, após belo chute de fora da área. Alex Teixeira descontou no fim. Foi até pouco pela diferença de qualidade dos times. O Flamengo está quase pronto. E Roberto Dinamite, nobre presidente, e ídolo supremo dos vascaínos, sabe tudo que é preciso reformular. Só falta o dinheiro, é claro. Que ontem até pingou, com a grande renda e o recorde de público do Brasileirão no Maracanã, com 63. 611 pagantes.
São Paulo 2 x 1 Palmeiras
Ganhou o São Paulo. Jogou bem 20 minutos do primeiro tempo e mais ou menos o resto da partida, com apenas 22.235 torcedores no Morumbi. A diferença é que o Palmeiras esteve mal o tempo todo. Sem brilho, sem penetração, sem chegada, sem surpresa alguma. O São Paulo começou muito rápido. A fim de jogo. Com meio de campo ligado na partida, marcando pressão e com Dagoberto deixando o ataque mais leve, ao lado do pouco valorizado Borges. Além disso, alguns jogadores de meio de campo do tricolor estavam muito bem, como Joílson, Jorge Wagner e, principalmente, Hernanes. Dominavam o setor, enquanto Leo Lima, Martinez e, principalmente, Valdívia olhavam a partida. André Dias fez 1 a 0, logo aos sete minutos.
No segundo tempo, o Palmeiras cresceu um pouco, mas não suficiente para reverter nada. Mas sim de levar o segundo gol, com Eder Luis. O gol de Jeci, já nos acréscimos, nada mudou no cenário e no resultado final. Lições do clássico:
a) Os dois elencos já foram melhores. Precisam de mais para ter fôlego e brigar contra o Flamengo, principalmente.
b) Na minha visão, é mais fácil Muricy Ramalho arrumar o elenco do que Vanderlei Luxemburgo. No geral, eu ainda acho o grupo do São Paulo superior.
c) A zaga do Palmeiras é fraca.
d) Valdívia continua de férias.
Atlético Mineiro 1 x 2 Cruzeiro
Não pude ver esse clássico com 37.644 pagantes. Afinal de contas, tenho quatro olhos, não seis, ou oito. Pelo que li, foi equilibrado e acabou decidido no detalhe, com o gol de Ramires, aos 46 minutos do segundo tempo. Até achava que, pelas últimas atuações, o Galo, pudesse surpreender a Raposa. Fiquei ainda mais desconfiado quando Danilinho fez 1 a 0, aos 33 minutos do primeiro tempo. Só que, logo em seguida, Tiago Martinelli empatou. O equilíbrio foi mantido no segundo tempo, até que Ramires virou herói azul. O Cruzeiro mantém o segundo lugar, tem um bom elenco, mas não consegue me convencer. Falta regularidade. E o Atlético, infelizmente, não consegue se impor. O treinador é bom, a garotada corre e tem algum talento, mas falta muita, muita coisa para quem sonhou com vitórias no ano do Centenário.
Náutico 0 x 2 Sport
Grande resultado do campeão da Copa do Brasil. Ganhar do rival nos Aflitos é algo para ser comemorado, principalmente porque o resultado dá moral ao time e o afasta das proximidades da zona do rebaixamento. Com os gols de Carlinhos Bala e Durval, o Leão chegou aos 14 pontos e ficou no bolo, na 11ª posição. O Náutico perdeu, mas conservou a sexta colocação. Vai bem o futebol pernambucano, que mais uma vez contribuiu com a média de público: 19.141 torcedores viram o clássico.
Grêmio 2 x 1 Portuguesa
O Grêmio passou por um sufoco que não esperava, mas derrotou a Portuguesa, por 2 a 1, de virada, no Olímpico (22.257 pagantes). Rogério abriu o placar após falha de Léo. E Marcel, duas vezes, decretou a vitória na reestréia de Tcheco – que cobrou escanteio na cabeça do atacante. Halisson ainda foi expulso no fim. O Tricolor Gaúcho alcançou os mesmos 21 pontos do Cruzeiro – continua atrás no quesito gols marcados. A campanha do time de Celso Roth é até certo ponto surpreendente, porém ótima. Já a Lusa cai consideravelmente. Depois de três derrotas seguidas, o time de Vagner Benazzi amarga a 14ª colocação.
Santos 2 x 2 Botafogo
Acreditem: o empate em 2 a 2 entre Santos e Botafogo ficou barato. Não fosse o caminhão de gols perdidos por ambos e a média de gols da rodada teria sido a maior do Campeonato Brasileiro. O time de Ney Franco abriu 2 a 0 logo no início – Zé Carlos e Wellington Paulista - e poderia até ter matado o jogo na primeira etapa – Jorge Henrique perdeu um gol incrível. Mas Kleber Pereira – como um banquinho faz bem! - mudou a partida no segundo tempo ao marcar os dois gols da equipe santista – o último em impedimento. Porém, a situação de Cuca ainda é ruim. O Santos ocupa a penúltima posição do campeonato, à frente apenas do Ipatinga, com 8 pontos. Já o Botafogo, que hoje perdeu dois pontos, deve evoluir com Ney Franco no comando. Até porque 12 pontos conquistados em 11 rodadas não é algo que deve ser comemorado. Pelo contrário. Na Vila Belmiro, 10.088 pagantes.
Atlético-PR 1 x 1 Internacional
Em jogo morno tecnicamente e polêmico, Atlético Paranaense e Internacional empataram em 1 a 1, na Arena da Baixada (18.068 pagantes). Alan Bahia – num pênalti inventado por Giuliano Bozzano – e Índio anotaram os gols da partida. Roberto Fernandes já balança no cargo. Mas não tem ataque para trabalhar. A distância do Colorado para a zona da Libertadores voltou aos seis pontos. Que também carece de um reforço ou outro. O aproveitamento de Tite ainda é muito bom.
Ipatinga 0 x 1 Figueirense
O Figueirense de Paulo César Gusmão continua em franca evolução no Campeonato Brasileiro. Nas últimas quatro partidas, duas vitórias e dois empates. Neste domingo, o gol de Cleiton Xavier – um dos artilheiros da Série A, com Marcinho e Alex Mineiro, com sete gols – foi suficiente para o triunfo diante do Ipatinga, no Ipatingão (2.371 pagantes). O Tigre já assumiu a lanterna da competição, com apenas sete pontos. E precisa de mais cinco para deixar a zona de rebaixamento. Difícil crer numa reação tamanha em Ipatinga.
Colaborou Victor Canedo