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Que Brasileirão, meu

Dom, 14/09/08
por Lédio Carmona |

O domingo no Campeonato Brasileiro teve um sotaque já conhecido. Excelente para o Palmeiras, cada vez mais próximo do Grêmio. Ótimo para o São Paulo, colado no G4. Muito bom para o Santos, já a três pontos da zona do rebaixamento. Mas se engana quem pensa que acabou por aí. Surpresas e decepções - em especial para os cariocas - também fizeram parte do roteiro Brasil afora. Acredito que a competição finalmente tenha caído no gosto do povo. E, se a esta altura em 2007 já havia algo definido, a atual temporada ainda nos reserva treze decisivas rodadas. Seja no topo ou na rabeira. Vamos aos destaques:

* No melhor jogo e público da rodada, uma afirmação: o Palmeiras, finalmente, mostrou ao seu torcedor que irá mesmo disputar o título do Campeonato Brasileiro. Tamanha certeza pode ser explicada pela vitória pontual sobre o Cruzeiro, em um Mineirão com mais de 46 mil cruzeirenses. Sem Alex Mineiro e Kleber, toda a responsabilidade caiu em cima de Diego Souza. Assim como na Arena da Baixada, há duas semanas, e ao contrário da derrota diante do Sport, o meio campista não decepcionou. Domínio no peito, com classe, e chute forte. 1 a 0. Lenny ainda tratou de ser expulso aos 13 do segundo tempo, mas Marcos garantiu o excelente resultado - segunda vitória fora de casa consecutiva. A distância que poderia ser de oito pontos, agora é de míseros três. Com 13 rodadas ainda em disputa, pode-se dizer que há um empate técnico, como no basquete, ou nas eleições eleitorais. E o alviverde ainda conta com a vantagem do número de vitórias. Fortes emoções vêm por aí.

O Cruzeiro, que também não contou com seu principal jogador (Guilherme), viu uma excelente oportunidade ir embora. Confesso não ter a solução para o problema do time de Adílson Baptista, que também não deve ser crucificado. A defesa, por mais que não conte com jogadores supremos, sofreu 26 gols (o Palmeiras sofreu cinco a mais), enquanto o ataque marcou 38 (sexta melhor marca). Mas falta maturidade na hora H. A Libertadores, porém, continua sendo um ótimo negócio para a Raposa, na terceira posição, com 43 pontos - apenas um acima do quinto colocado, o São Paulo.

* Apesar da boa presença da torcida do Flamengo no Morumbi (29.325 pagantes), quem saiu feliz foi a torcida do São Paulo. Assim como no primeiro turno, o tricolor bateu o rubro-negro: 2 a 0 até com certa facilidade. A partida foi caracterizada pela forte marcação de ambos os lados. Mas era o Tricolor Paulista que mostrava mais ímpeto ofensivo, e acabou recompensado pela insistência das bolas alçadas na área. Aos 44, Dagoberto aproveitou cruzamento do sempre presente Zé Luís para abrir o placar. Enquanto isso, o rubro-negro, desorganizado, pouco assustava nos contra-ataques.

No segundo tempo, a tônica do jogo não mudou. Aproveitando-se dos espaços dos alas rubro-negros, Zé Luís e Jorge Wagner deitaram e rolaram - o segundo ainda deve na temporada. Logo aos 14 minutos, o São Paulo ampliou da mesma forma: cruzamento de Zé na medida para Hugo. Caio Júnior ainda tentou modificar algo com Vandinho e Sambueza nos lugares dos inoperantes Josiel e Íbson. Sem sucesso. O São Paulo toma a quinta posição do Flamengo e um pouco da pretensão do rubro-negro de conquistar o hexa. Embora a Libertadores esteja num patamar mais acessível para ambos - o rubro-negro, por exemplo, jogará seis das próximas sete partidas no Maracanã. Já a equipe de Muricy Ramalho comemora os lampejos de bom futebol - muito graças à volta de Hernanes. Nada definido nesse maluco Brasileirão.

* Os cálculos de Ney Franco certamente não apontavam para uma derrota hoje, no Engenhão (25.196 pagantes). Mas o Internacional estava disposto a estragar os planos, ao estrear com o pé direito no Estádio: 2 a 1 sobre o Botafogo. A segunda vitória Colorada fora de casa reacendeu as esperanças do time na competição - a outra também havia sido no Rio, contra o Flu. Na primeira etapa, Alex inaugurou o marcador para os gaúchos, mas foi substituído por Taison, após sentir dores nas costas. A partir daí, os argentinos Guiñazu e D’Alessandro se tornaram os grandes destaques e tomaram conta da partida. O primeiro, incansável como sempre, foi o motor da engrenagem colorada. Enquanto o segundo foi eleito o maestro da equipe, articulando as principais jogadas - inclusive a do primeiro gol - e anotando um golaço, com direito a Leandro Guerreiro sentado no chão. O gol botafoguense foi marcado por André Luís, que acabou expulso pouco depois.

A derrota não só freou a reação do Glorioso, como encerrou a invencibilidade de incríveis treze jogos do time. Mesmo assim, o Botafogo permanece em quarto lugar, firme e forte numa disputa por vaga no G4. O Inter, por sua vez, volta a sonhar em disputar a Libertadores 2009 - ano em que comemora seu centenário. Nas duas próximas rodadas, Vitória e Grêmio, no Beira-Rio. Será possível? Fernando Carvalho diz que sim.

* Responsável por 62% dos gols do Santos, Kléber Pereira - é disparado o jogador que mais aparece no Jogo Aberto - fez mais uma vítima neste domingo: o Fluminense. Pobre Fluminense, que acabou caindo no inferno no dia 02 de julho e de lá ainda não saiu. Perdeu jogadores importantes, como Thiago Neves e Cícero, e não repôs sequer com qualidade próxima. O Santos, em clara evolução sob comando de Márcio Fernandes, não somente mereceu a vitória por 2 a 1, na Vila Belmiro (11.055 pagantes), como também vê a segunda divisão cada vez mais longe. Longe de brilhante, apenas eficiente, no pé do artilheiro do campeonato, com 18 gols, e na cabeça de Bida, apesar da estática zaga tricolor. Romeu ainda descontou no fim. Muito pouco. Como bem disse Luiz Alberto, hora de relaxar é nas férias.

* Nove jogadores em campo. Goleiro expulso. Atacante vestindo luvas. Mesmo placar. As coincidências da partida deste domingo com a derrota para o Cruzeiro não param por aí. O Vasco manteve o péssimo futebol apresentado em São Januário (10.450 pagantes) e foi merecidamente derrotado pelo Náutico, por 3 a 1. O Timbu, aliás, conquistou a segunda vitória fora de casa no campeonato e não perde desde a 21ª rodada. Hoje já soma 29 pontos, três acima do próprio Vasco, primeiro do G-4. Clodoaldo, Ruy - excelente jogada de William - e Felipe anotaram os gols do time de Roberto Fernandes (por sinal, o técnico e o clube vivem em perfeita sintonia). Já o crucificado Tita não tem muito que fazer. Nem a volta de Leandro Amaral, apesar do gol, e a estréia de Pedrinho foram suficientes. Ontem, Tiago e Jonílson. Hoje, Roberto e Jorge Luís. Na quarta e domingo, o Palmeiras, no Palestra Itália. Quem serão os próximos?

* “Vencer hoje era o que mais importava”. A frase de Vagner Mancini, na entrevista coletiva, finalmente foi atendida pelo time. O Vitória passava por um momento de instabilidade, e uma derrota hoje praticamente tiraria o rubro-negro no caminho da Libertadores. Mas o singelo gol de Marcelo Cordeiro diante do Coritiba deu uma sobrevida ao Leão do Barradão (7.955 pagantes). No duelo de seis pontos, melhor para os baianos, de Viáfara - hoje decisivo - agora na sexta posição, a dois pontos do quarto colocado Botafogo. O Coxa, no entanto, já vê a concorrência aumentar e se distanciar. A Sul-Americana em 2009 parece ser um bom destino para o time de Dorival Júnior.

* Está mais do que provado que vencer o Sport na Ilha do Retiro não é uma tarefa nada fácil. Desta vez, com 21.355 pagantes, a presa do Leão foi o apático Figueirense, goleado por 5 a 0. Roger, duas vezes, Júnior Maranhão, Wilson e Sandro Goiano (!) marcaram os gols que retratam a ótima fase da equipe de Nelsinho Baptista. São cinco jogos de invencibilidade e três vitórias consecutivas. Com 38 pontos, até poderia sonhar em Libertadores. Mas o Leão já está lá… Quinta derrota seguida do Figueira, agora a apenas dois pontos da fronteira da Série B. E o próximo adversário ainda é o Cruzeiro…

* Classificação e tabela completa do Brasileirão: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Futebol/Classificacao/0,,ESP0-9827,00.html

* E, se formos computar apenas o segundo turno, ficaria assim: 1. Goiás (como em 2003): 13; 2. Palmeiras e Santos: 12; 4. Botafogo e Sport: 11; 6. Internacional: 10; 7. Fla, Flu, São Paulo: 9; 10. Grêmio, Náutico, Vitória, Ipatinga: 8; 14. Vasco e Cruzeiro: 7; 16. Atlético-MG e Atlético-PR: 6; 18. Coritiba: 5; 19. Figueirense: 3; 20. Portuguesa: 1. 

* Trata-se do Brasileirão-Raul Seixas: maluco beleza!

Dos bons.

Colaboraram Victor Canedo e Pedro Bevilaqua

Artilheiro do Brasil

Qui, 04/09/08
por Lédio Carmona |
categoria Santos

Foi a referência de área nos clubes onde atuou. Espalhou o seu faro de gol por três continentes. Aos 33 anos, vive a melhor fase na carreira. Quem é? Kléber João Boas Pereira, artilheiro do Brasil e líder do prêmio Friedenreich, com 36 gols na temporada - sendo 17 só neste Brasileirão. As estatísticas comprovam: Kleber é responsável por 60,7% dos gols do Santos no campeonato. Uma dependência para lá de saudável para o torcedor santista.

O gosto pela artilharia já o acompanha desde o início da carreira. Em 1996, no Moto Clube, Kléber Pereira foi o goleador do Campeonato Estadual Maranhense, com 25 gols. A partir daí, o ainda menino, com 21 anos, buscou o sonho de todo jogador de futebol. O modesto Sion, da Suíça, foi o primeiro lar no exterior. O primeiro título também não tardou a vir: campeão suíço de 1996. O reconhecimento, no entanto, só apareceu quando o jogador chegou ao Atlético Paranaense, em 1999. Curitiba só o fez bem. Foram 124 gols durante os três anos que vestiu a camisa rubro-negra. Todos essenciais nas conquistas do tricampeonato estadual (00/01/02) e do Campeonato Brasileiro de 2001. A fama o fez optar pelo México. Pelo grande momento, talvez um escolha equivocada. Em seis anos, passou por quatro clubes: Tigres, Veracruz, América e Necaxa. No total, marcou 66 gols, muitos desses na Libertadores.

Aí é que entra o Santos. Em julho de 2007, o matador aterrissou na Vila Belmiro. Mesmo com dois meses de desvantagem, anotou 16 gols na última edição do Brasileirão - terminou a quatro do artilheiro Josiel. Marca ultrapassada ontem, após mais uma noite iluminada, diante do Vitória. Cabe a pergunta: há espaço para Kléber Pereira na indecisa Seleção Brasileira?

*Abaixo, os principais torneios que o atacante se destacou. Em parênteses o número de gols. Dados do site oficial do Santos.

Brasileiro 1999 (CAP) - 19J (9)
Brasileiro 2000 (CAP) - 26J (13)
Brasileiro 2001 (CAP) - 24J (17)
Brasileiro 2002 (CAP) - 20J (11)
Libertadores 2007 (Necaxa-MEX) - 9J (4)
Brasileiro 2007 (Santos) - 26J (16)
Paulista 2008 (Santos) - 16J (13)
Libertadores 2008 (Santos) 10J (6)

Colaborou Carlos Gustavo

A volta anunciada

Qua, 03/09/08
por Lédio Carmona |

O Flamengo demorou para se mexer. Liderava até a 15ª rodada. Uma semana depois se despedia do G4. Mas as contratações ensaiariam uma melhora - inclusive já notória dentro das quatro linhas. Dependendo do resultado de sábado entre Coritiba e Botafogo, no Couto Pereira, os rubro-negros podem sair do G4. Mais precisamente: o Flamengo só fica onde está se houver empate entre Coxa e alvinegros ou vitória por diferença de um gol dos paranaenses. Mas está evidente que o clube saiu da inércia.

Apesar da forte concorrência, Caio Júnior tem material para levar o Flamengo pela terceira vez consecutiva à principal competição sul-americana. Enquanto isso, Galo e Santos respiram o ar da Série A. Já São Paulo e Vitória parecem animados em disputar a Copa do Brasil de 2009… Vamos aos jogos desta quarta-feira:

* Mais parecia uma maratona tamanha foi a entrega física dos atletas no Orlando Scarpelli (15.372 pagantes), premiado com o melhor jogo da noite. Renovado, o Flamengo jogou muito bem na primeira etapa. Envolvente e com belos toques, o gol rubro-negro viria em questão de tempo. Exatos 18 minutos, quando Marcelinho Paraíba cruzou na medida para Ronaldo Angelim. Aos 40, foi a vez do próprio Marcelinho marcar o segundo, após passe de Íbson - o melhor em campo, sobretudo pelo trabalho na parte defensiva. Léo Moura, outro destaque, passou muito perto de ser comparado a Pelé, quando quase marcou do meio de campo.

PC Gusmão então lançou Tadeu. Seja pela presença do atacante ou não, funcionou. Pressão ensaiada, executada durante poucos minutos, mas nada além do gol de Rafael Coelho, aos 5 minutos do segundo tempo. Aos 36, Léo Moura ampliou em boa jogada de Marcelinho e Vandinho. Houve tempo ainda para Tadeu diminuir: 3 a 2. Três gols que colocam o rubro-negro ao lado de Grêmio e Palmeiras - ambos ainda jogam na rodada - como melhor ataque da competição, com 40. E, claro, de volta ao G4, pelo menos até a noite de sábado. O que a janela não faz… Seis jogos de invencibilidade. E outra decisão pela frente: São Paulo, domingo, no Morumbi. Na “zona da marola”, com 28 pontos, o Figueira ocupa o 13º lugar. Mas joga um futebol preocupante especialmente para sua torcida.

* Por alguns momentos tive pena da bola no Mineirão. Criatividade certamente não era uma palavra bem vinda para Atlético Mineiro e São Paulo. O Galo, por jogar em casa, até que tomou a atitude desde o início. Pena que, para os 6.393 pagantes-guerreiros, sobre vontade e falte qualidade. À espera de um bote, o Tricolor Paulista estava acuado até demais. Mas encontrou o gol relativamente cedo, com Borges - ou seria de Marcos, contra? Não há como negar que Marques e Petkovic devam ser considerados peças fundamentais quando os reservas são Lenílson e Jael. André Dias até que tentou ajudar, mas o inexperiente árbitro Nielson Nogueira Dias não viu dois pênaltis cometidos pelo zagueiro. Como ambos os times são chegados em um empate, o destino acabou selado aos 35 da segunda etapa, quando Márcio Araújo empatou - ou seria de Rodrigo, contra? Placar mais justo só o 0 a 0.

O São Paulo precisa recolocar os eixos no lugar. Disputar a Copa do Brasil em 2009, após cinco anos seguidos de Libertadores, é tudo o que o torcedor são-paulino e Muricy Ramalho não querem. Para isso, mais um jogo-chave, diante do Flamengo, no Morumbi. Algo que o Atlético Mineiro não deve ter no restante do Campeonato. Apesar da recente crise, os comandados de Marcelo Oliveira ainda estão numa situação confortável quanto ao rebaixamento.

* O Santos marcou 28 vezes no Campeonato Brasileiro. O que há de relevante nisso? Kleber Pereira pode explicar. Com mais dois marcados nesta quarta sobre o Vitória (2×0), na Vila Belmiro (10.061 pagantes), o artilheiro do Brasil alcançou os 17 no campeonato (aproximadamente 61% de toda a equipe). Sorte e competência de Márcio Fernandes, provisoriamente livre da zona de rebaixamento, em 15º, com 26 pontos. Mesmo que retorne sábado à noite, ao menos o alvinegro praiano dá sinais de melhora. Mas a noite de quarta-feira também teve outros destaques. Positivos, como Rodrigo Souto - essencial desde que voltou - e Douglas, e negativos, como toda a equipe baiana. O Vitória não apresenta um futebol semelhante ao que o credenciou como grata surpresa há algum tempo. Hoje a realidade é diferente. Um time baseado no sobrecarregado Marquinhos, que já não rende como antes - até por estar negociado -, e sem peças de reposição. Vale ressaltar que uma classificação à Sul Americana ainda é um ótimo negócio para os comandados de Vagner Mancini.  E bem próximo de ser realizado.

* Quinta vitória seguida no Serra Dourada. Quarto revés consecutivo no campeonato. Os números mostram a absurda diferença atual entre Goiás e Atlético Paranaense. O resultado desta quarta-feira não podia ser diferente: 4 a 0 para os donos da casa, com grande destaque para os laterais Vítor e Thiago Feltri. O primeiro novamente deixou sua marca, enquanto o ex-Galo participou dos outros três restantes (Romerito, Iarley e Anderson Gomes). No grupo dos, digamos, sem ambição, a equipe de Hélio dos Anjos é a mais equilibrada. Não à toa tem tudo para terminar a rodada na 9ª colocação. Para quem há pouco era apontado como favorito ao descenso, até que o alviverde faz uma digníssima recuperação.

Exatamente o oposto da equipe de Mário Sérgio. Se na quinta rodada do turno o Furacão era o quinto colocado, hoje amarga a 17ª posição, podendo ainda despencar para a vice-lanterna na noite sábado. Triste, porém previsível, visto que os esforços para tornar o clube bem estruturado são desproporcionais em relação à montagem de um elenco competitivo.

Do Beira-Rio para Abu Dhabi

Qua, 27/08/08
por Lédio Carmona |

O que antes era cogitado, agora está quase confirmado: até amanhã, Alex trocará, oficialmente, o Inter pelo Al Jazira, dos Emirados Árabes. O jogador colorado se juntará ao ex-comandante Abel Braga. O valor da negociação gira em torno de € 8,5 milhões (R$ 20,1 milhões). O Inter, detentor de 70% dos direitos do jogador, embolsará € 6 milhões (R$ 14,2 milhões). Os 30% restantes pertencem ao próprio atleta.

A contratação de jogadores badalados para o setor ofensivo - Daniel Carvalho e D’Alessandro - dava sinais de que foram contratados para suprir perdas iminentes, e não para reforçar de fato o elenco. Juntos, não vinham funcionando. Porém. a diretoria do Inter promete dar o troco e repor a perda do jogador à altura. Especula-se a volta de Rafael Sóbis, insatisfeito no Bétis, da Espanha.

Sem Alex o time perde sua principal referência nas duas últimas temporadas. Há quem diga que Nilmar também está perto de deixar o clube. O domingo - último dia da aflitiva janela - reserva fortes emoções ao torcedor colorado. Só com muita reza mesmo para resistir ao provável e anunciado desmanche.

Sorte é que o Inter tem uma base. E ainda pode melhorá-la. A dúvida é: o torcedor e os cornetas entrincheirados no Beira-Rio terão paciência para aguardar? A história de todos os clubes mostra que não.

E você, amigo blogueiro, como montaria o time do Inter?

* Quem também está perto de se despedir é Kleber. O lateral-esquerdo, que não faz boa temporada pelo Santos, tem proposta do futebol europeu. O clube ainda não foi anunciado, mas há quem diga que os valores ultrapassariam € 3 milhões.

Domingo verde

Dom, 24/08/08
por Lédio Carmona |

Semana desconfortável para o Grêmio. Para o Cruzeiro, aterrorizante. Longe dos seus domínios, ambos foram derrotados e só viram a concorrência encostar. Bom para o Campeonato Brasileiro, que já tem emoção suficiente reservada para as 16 rodadas restantes. Seja no céu ou no inferno. Excelente para o Palmeiras, único vencedor do pelotão da frente, e agora segundo colocado. Pela 22ª vez, bons públicos e uma média de gols razoável: 2,8 - até pelas quatro partidas terminadas em 1 a 1. Vamos aos jogos deste domingo:

* A partida não era no Palestra Itália, mas o mando de campo era do Palmeiras - talvez possa explicar tamanha facilidade alviverde. No Pacaembu (8.180 pagantes), o time de Vanderlei Luxemburgo não tomou reconhecimento da Portuguesa. Marcou quatro gols na primeira etapa, e apenas administrou os gols sofridos por Jonas para conquistar mais uma vitória como mandante. - a décima em onze jogos. Alex Mineiro, duas vezes, Gustavo e Kleber anotaram os gols que colocaram o Palmeiras na terceira colocação - com a ajuda do goleiro André Luís. Destaque também para Leandro, autor de duas assistências. Os resultados dentro de casa são um alento. Mas o título, que fique claro, só virá se o aproveitamento longe de São Paulo melhorar, e muito. Enquanto isso, a Lusa agoniza. E vê no retrovisor Santos, Náutico e Ipatinga muito próximos. Preocupante.

* Após a derrota, em nota oficial, a diretoria da Lusa anunciou a saída de Valdir Espinosa. Segundo o comunicado, houve um consenso entre membros da diretoria e o treinador. Para o seu lugar, eis o substituto: O ex palmeirense Estevam Soares.

* Na “Batalha dos Aflitos - Volume II”, Grêmio e Náutico mais uma vez testaram os corações de seus torcedores. Na primeira metade, o Gre-Nau teve dois momentos distintos. Até os 26 minutos, só dava Grêmio. Daí em diante, o Timbu passou a controlar as ações. E só não marcou porque Felipe e Kuki, assim como o time, vivem fase terrível - ataque é o pior do campeonato, com 22 gols marcados. No intervalo, o goleiro André sentiu dores e cedeu lugar a David, recém promovido ao elenco profissional. A partir daí, fortes emoções. Mostrando-se mais objetivo e incisivo, o time pernambucano furou a zaga gremista com Paulo Santos. David, então, entrava em cena. Repertório completo: De furadas a bolas mal rebatidas. Já aos 49, quando se concretizava a segunda derrota consecutiva do Tricolor Gaúcho, veio o empate salvador. Bate-e-rebate para a bomba de Rever. Empate com sabor de vitória. Um ponto precioso para o líder Grêmio, que agora ainda lidera com cinco pontos de vantagem.

* Domingo de sorte para o Vasco no clássico carioca. O empate de 1 a 1 com o Botafogo - com 35.619 pagantes no Maracanã, melhor público da rodada - foi um presente para um time totalmente dominado no segundo, após uma primeira etapa sonolenta. Gols só na segunda. Wellington Paulista, aos 8 min - após sete jogos de jejum -, e Rodrigo Antônio, aos 44. Aliás, gol que brecou a incrível seqüência da equipe de Ney Franco - iria para sete vitórias consecutivas -, e derrubou o Botafogo para a quarta colocação, com 38, apenas um acima do perigoso São Paulo. Jorge Henrique faz mesmo falta. Até para dar opções ao individualista Carlos Alberto. Poucos destaques na equipe de Tita. Chamado de burro após o gol alvinegro, pôs o barrado Mádson em campo. Ironia do destino ou não, foi do baixinho o cruzamento para o empate. O suficiente para ainda manter o Vasco longe da zona de rebaixamento - 14º, com 26 pontos.

* Buscando recuperação na tabela, Internacional e Flamengo, candidatos ao G4, travaram duelo movimentado no Beira Rio (29.329 pagantes). O Colorado foi soberano durante toda a primeira etapa, controlando o jogo diante de um Flamengo apático. Logo aos 8, pênalti de Bruno sobre Nilmar não marcado. Aos 14, Nilmar - melhor em campo - foi esperto e soube aproveitar falha clamorosa de Bruno. E para não terminar os primeiros 45 minutos ainda pior, Caio Júnior se viu obrigado a sacar o faltoso Jaílton - que deu lugar a Toró. Aos 44, Nilmar, após ótimo lançamento de Alex, driblou Bruno e tocou para o gol, mas Fábio Luciano salvou em cima da linha. Domínio amplo da equipe de Tite.

O oposto do ocorrido na segunda etapa. O rubro-negro inverteu os papéis e controlou as principais ações. Mas faltava a falha de Clemer. Obina, também aos 14, empatou após saída errada do goleiro Colorado. E o Flamengo só não virou a partida porque Erick Flores e Obina não tiveram tranqüilidade para marcar, aos 45 e 47, respectivamente. Resultado justo perante o esforço dos dois times. O Inter mantém-se em 9º, com 30 pontos. O Flamengo desce um degrau, ocupando a 7ª colocação, com 36 pontos. Ambos ainda sonham. Muito embora a equipe de Caio Júnior esteja mais próxima da realidade.

* No provável melhor jogo da rodada, Coritiba e São Paulo empataram em 2 a 2 no abarrotadinho Couto Pereira (32.096 pagantes). O Coxa esteve na frente durante duas oportunidades, mas o já conhecido ataque aéreo são-paulino conquistou importantíssimo ponto. Não só por diminuir a vantagem para o G4 - o Botafogo possuí 38 pontos, diante dos 37 do São Paulo -, mas também para impedir o avanço do perigoso Coritiba. Ricardinho e Keirrison anotaram para o time de Dorival Júnior. Rodrigo e Hugo para o Tricolor Paulista. Dagoberto, conhecido da torcida coxa-branca, ainda teve duas chances. Sem muito trabalho para Vanderlei. A impressão que passa é de que na hora em que precisar o São Paulo estará figurando no G4. Também não me restam dúvidas de que o Coritiba estará lutando até o fim do melhor campeonato brasileiro dos últimos anos.

* O Santos tinha o maior período de seca - não vencia desde a 16ª rodada. Mas tem a vantagem de contar no elenco jogadores que possam decidir. Ou melhor, jogador. Kleber Pereira é o único deles. Não à toa marcou os dois na vitória sobre o Cruzeiro, por 2 a 0, na Vila Belmiro, e se igualou na artilharia ao lado de Alex Mineiro, com 15 gols. A Raposa, sem a espinha dorsal - Wagner, Charles e Ramires -, pouco fez. Adílson Baptista ainda apostou em Carlinhos e Bruno na segunda etapa. Sem sucesso. O Cruzeiro não marcou um gol sequer na última semana, e viu a vice-liderança ser roubada pelo Palmeiras.

* Redenção mineira no confronto dos atléticos. O Galo sobrou em campo e não teve dificuldades para fazer 4 a 0, no Mineirão. Serginho, Lenílson, Marques e o jovem Luís Gustavo marcaram. A equipe do técnico Marcelo Oliveira voltou a subir: 11º, com 28 pontos - inclusive já na zona da Sul Americana. O Furacão não ocupa a zona de rebaixamento por detalhes - caso do gol do Grêmio no último minuto nos Aflitos. Acredito ser questão de tempo para a equipe de segundo pior ataque, com 23 gols marcados. Mário Sérgio terá trabalho. E a solução não será colocar volantes.

* O novo treinador do Ipatinga, Márcio Bittencourt, estreou com o pé direito no comando do time. No Ipatingão, vitória pelo placar mínimo do Tigre sobre o Goiás. Ferreira anotou o único gol da partida. Gol que mantém o time do Vale do Aço esperançoso numa fuga do descenso - ainda ocupa a lanterna, com 20 pontos. Já o time de Hélio dos Anjos desperdiçou nova chance por incompetência do ataque - assim como no empate diante do Atlético Mineiro. Assim como Grêmio e Cruzeiro, a semana longe de casa não lhe fez bem, e o alviverde goiano caiu para a 13ª colocação, com 27 pontos.

Colaborou Victor Canedo

Incontestável II, a missão

Qua, 20/08/08
por Lédio Carmona |

* A campanha do Botafogo é tão incontestável quanto a vitória de 1 a 0, hoje, sobre o Cruzeiro. No Engenhão com ótimo público (quase 24 mil pagantes), o time de Ney Franco sofreu no primeiro tempo, marcado pelo duelo tático, no qual ninguém deixou ninguém jogar. No segundo, o Botafogo arriscou mais. Jogou com uma vontade impressionante. Acuou o Cruzeiro, desfalcado de cinco titulares, botou pressão, soltou os laterais - basicamente Triguinho passou a chegar mais, como Thiaguinho faz a partida toda -, e atacava muito pela direita, nas costas de Jadílson. Para facilitar, Camilo foi expulso após falta dura em Wellington Paulista, que, como sempre, exagerou no efeito. O Botafogo perdia gols, segura os contra-ataques dos mineiros, até que veio a polêmica de sempre. Giuliano Bozzano, o árbitro, viu pênalti de Thiago Heleno em Wellington Paulista. Eu, sinceramente, não vi nada na jogada. Lúcio Flávio, como sempre, bateu bem: Botafogo 1 a 0, aos 34 minutos. E a vitória se consumou, levando o Botafogo ao terceiro lugar, com 37 pontos.

Sexta vitória seguida, nove de invencibilidade, a oitava de Ney Franco em 11, desde que assumiu o clube. O Botafogo está impossível. Tem bom time, tem bom treinador, e agora tem paz e torcida ao seu lado. Tudo igual ao bom e estruturado Cruzeiro, que continua em segundo (39). Jogo de primeira, entre dois times da elite desse disputadíssimo Brasileirão. O destaque da partida? Ney Franco.

* Um primeiro tempo sonolento e burocrático quase pôs tudo a perder para o São Paulo, no Morumbi (6.006 pagantes). O Atlético Paranaense correu e marcou muito. Para aumentar o drama, fez 1 a 0, gol de Pedro Oldoni, aos 24 min. A torcida ficou tensa. O time, nervoso. Os erros aumentaram. No intervalo, Muricy Ramalho deve ter falado todas. E o São Paulo voltou com outra postura. E teve sorte de Hugo, logo no primeiro minuto, empatar. O Furacão seguiu perigoso nos contra-ataques, mas, nessa hora, o melhor se impõe. Um minuto após sua entrada na vaga de Aloísio, André Lima ajeitou para Borges: 2 a 1. E, no fim, André Lima fez 3 a 1. Justo, no fim das contas. O São Paulo segue numa posição tão discreta, porém útil, bem parecido com a cara do futebol que tem jogado. Não encanta, mas dá para o gasto. É 5º, com 36. E o Furacão é o 14º, com 23, mas dá sinais de melhora com Mário Sergio.

* E o Palmeiras é mesmo um time caseiro. A derrota para o Internacional (4 a 1), no Beira-Rio (12.648 pagantes), foi a sexta fora de casa no Campeonato Brasileiro - só venceu duas e empatou três. O time só funciona em casa, onde conquistou 80% dos seus 37 pontos (caiu para 4ª lugar, agora atrás do Botafogo). Hoje, em Porto Alegre, o time de Vanderlei Luxemburgo até deu sinais de conseguiria um bom resultado. Fez 1 a 0, no primeiro tempo, gol de pênalti (inexistente) de Alex Mineiro. Mas desmoronou quando sua defesa, fraca como sempre, com Jeci e Gladstone, tomou dois gols seguidos: Índio, de cabeça (quanta novidade!) e Alex (num chutaço de fora da área, outra novidade!). No segundo tempo, o Internacional soube explorar o desespero verde, foi perfeito nos contra-ataques e matou o jogo, com mais um gol de cabeça de Índio (quanta novidade!) e, no fim, com o garoto Taison.

Uma goleada que pode, mais uma vez, dar um gás aos colorados no Brasileirão. Nos embalos de D’Alessandro e Alex, uma dupla que promete. Hoje a equipe de Tite esteve muito bem, mereceu o resultado e pulou para 9º lugar, com 29. Já o Palmeiras… Equipe caseira? Se fosse mata-mata, até dava para chegar se garantido em casa. Num campeonato de pontos corridos, será impossível. Ou acorda ou não avança.

* Náutico 1×3 Washington. A partida nos Aflitos esteve longe de ter alguma qualidade relevante. A não ser por um jogador. Washington não é lá um primor de técnica, mas é guerreiro e, principalmente, fazedor de gols. Tanto que os três gols marcados foram de bola parada - dois de falta e um após escanteio. O Fluminense, de Cuca, respira por um dia o ar puro da primeira divisão. Ainda tem risco de regressar à ingrata zona de rebaixamento, porém por pouco tempo. Mas serve como alento a primeira vitória fora de casa. O Timbu, no entanto, não possuí alguém que faça a diferença. Ruy é no máximo esforçado. E por isso tem o pior ataque da competição, com 21 gols marcados. Roberto Fernandes terá a mesma missão de 2007: escapar da Série B.

* A palavra-chave da noite vale também para o Coritiba. Dominou o Figueirense desde o início - mesmo sem Carlinhos Paraíba -, no Couto Pereira (12.360 pagantes), e não teve dificuldades para fazer os três gols que garantiram a provisória sexta colocação. Maurício, Keirrison e João Henrique - belo gol - marcaram. Dorival Júnior já vê o time a dois pontos do G4. A vaga na Libertadores-2009 é um sonho para lá de possível. Já o Figueira havia até ameaçado uma reação. Esbarrou na falta de profundidade do elenco. A Sul Americana estará de ótimo tamanho para os comandados de Paulo César Gusmão, hoje com sete vitórias, empates e derrotas.

* E o Santos tropeçou em Ipatinga: 1 a 1, gols no final de Cuevas, após falha ridícula da defesa mineira, e de Henrique, a seis minutos do fim. Dois gols no fim, que deram certa graça a um jogo que, no geral, foi entediante e de baixíssimo nível técnico. Nenhum dos dois jamais se encontrou na competição e conseguiram um resultado péssimo para ambos. Desse jeito morrerão abraçados. À beira do abismo, com placa a caminho da segundona. E nem Kleber Pereira conseguiu dar uma força ao Pequeno Bob FC. Lamentável…

* O Barradão estava mal acostumado. O Vitória de Vagner Mancini brilhava ao lado de sua torcida - oito vitórias e duas derrotas até então. Empolgava. Hoje, no duelo de rubro-negros do Nordeste, o que se viu foi uma partida pobre, refletida no placar: 0 a 0. Talvez explicada pelos importantíssimos desfalques de Dinei e Marquinhos - responsáveis por 13 gols do Vitória na Série A. O primeiro, aliás, pode estar de saída. Enquanto isso, Ramon e Willians brigavam com a forte marcação do Sport, de Nelsinho Baptista. Que ainda ameaçava esporadicamente nos contra-ataques - inclusive no que ocasionou a expulsão de Anderson Martins, já no fim. Vale ressaltar que, pela diferença de investimento, o trabalho feito no Vitória é dos melhores. Pena que tenha um prazo.

Colaborou Victor Canedo

Incontestável

Dom, 17/08/08
por Lédio Carmona |

17gremio.jpgDa mesma maneira que a alma despeitada do brasileiro tripudia dos resultados dos nossos atletas em Pequim, fazemos de tudo para botar para baixo quem merece elogios e uma melhor observação no Campeonato Brasileiro. Mas não. Preferimos simplificar, com nossas mentes obtusas, a vitória do Grêmio sobre o São Paulo por 1 a 0, no Olímpico (40.256 pagantes), gol de Perea, sob o simplório ponto de vista de que o lance decisivo do colombiano foi marcado em impedimento e que, dessa maneira, os gaúchos ganharam graças à arbitragem. Simplesmente patético.

O Grêmio ganhou do São Paulo por 1 a 0, gol de Perea, de fato, impedido, porque jogou melhor. Porque tem um meio de campo muito melhor do que o do adversário. Porque tem uma defesa tão boa quanto a do São Paulo, no ano passado, e que só levou 12 gols em 20 jogos. Por que tem um goleiraço. Porque tem William Magrão, volante que poucos dão valor, mas que corre o campo inteiro, marca e chega na frente. Porque tem um time disciplinado taticamente, que não joga bonito, mas sabe o que precisa para vencer, ou, no mínimo, chegar perto da vitória. Por tudo isso, o Grêmio ganhou um jogo chatíssimo, disputado num gramado encharcado, mas que, mesmo no cenário ruim, teve o vencedor correto.

O Grêmio não perde desde o dia 6 de julho. São 12 jogos invictos no Brasileiro. Venceu os últimos cinco jogos, dois deles fora de casa. O que o torcedor exigente quer mais? Ah, esqueci que o Grêmio tem o ataque mais positivo (36 gols) e é o time que mais ganhou (13). Eficiência ofensiva, sem ter um artilheiro brigando nas primeiras posições. Sinal de que o jogo é coletivo. Ainda não convenci vocês? Então, para fechar, com 73% de aproveitamento, o Grêmio precisará, segundo meus cálculos, de ganhar 50% dos pontos que tem a disputar para ser campeão. Nada mal para um time que não convence a tanta gente…

* O São Paulo? Esse sim, por mais que respeite e admire sua história e seu ótimo treinador, jamais me convenceu em 2008. Espirrou do G4 após perder uma partida da qual jamais deu pinta de que reagiria. Terá que jogar muito mais para jogar a Libertadores em 2009. Ainda dá? Claro que sim. Mas do jeito que está, não dará.

Há casamentos que, antes mesmo de serem consumados, davam pinta de que poderiam ter final feliz. Eu, pelo menos, sempre achei que Ney Franco tinha caixa para dar jeito no Botafogo. E que a Estrela Solitária poderia fazer do treinador um sujeito satisfeito com a relação. Não deu outra. Desde que houve o “sim” entre as duas partes, os alvinegros jogaram 10 partidas no Brasileirão. Ganharam 7, empataram 2 e só perderam 1 (São Paulo, no Morumbi). São cinco vitórias seguidas, a quinta hoje, na Ilha do Retiro, contra o Sport (1 a 0, gol de Jorge Henrique). E, vejam só, Ney Franco e o Botafogo dormirão os próximos dias no G4 (4º, com 34 pontos). Lua de mel mais do que perfeita.

* Sobre o jogo, confesso que já vi o Botafogo, de Ney Franco, jogar mais. Mas, como também já observei o Sport, de Nelsinho Baptista, funcionar melhor, ganharia quem marcasse primeiro. Foi o Botafogo, com Jorge Henrique. Pois é: quando a fase é boa, até Jorge Henrique acerta o gol. Que fase. Que amor. Que momento…

* Jogo duríssimo no Parque Antarctica (15.210 pagantes). É muito bem arrumado e treinado esse Coritiba, de Dorival Junior. Controla o jogo, não se desespera, sabe ficar com a posse de bola, e arrisca bem nos contra-ataques. Mas é duro fazer resultado na casa do Palmeiras. Lá, em 10 partidas, o time de Vanderlei Luxemburgo venceu nove. Hoje foi a nona: 1 a 0, gol de Alex Mineiro, de cabeça, na reta final da partida. Quando tudo parecia ainda mais difícil, pois os anfitriões jogavam com 10 (Fabinho Capixaba foi expulso). Mas veio o gol de Alex Mineiro. E, com ele, os três pontos.

O problema é que a equipe não tem regularidade. Fora de casa é um fracasso (30% de aproveitamento). Por isso está a sete pontos do Grêmio (3º, com 37). Mas o fator-campo lhe garante uma vaga no G4. Se o Palmeiras terá força para ir além, deixemos para responder mais à frente. Com a atual irregularidade, será difícil. Já o Coxa segue em oitavo, com 32. Uma ótima campanha para um clube que (está na cara) tem organização, planejamento e bom-senso.

* O empate invariavelmente é ruim para ambos. O Flamengo, no entanto, não tem do que se queixar depois do ponto conquistado (2×2) diante do Santos, na Vila Belmiro (15.359 pagantes). Saiu ganhando, aos sete minutos, num lance isolado - e sortudo - de Léo Moura. E só. Passou o resto do primeiro tempo acuado, sem opções ofensivas. Inclua aí Marcelinho Paraíba, apagado em sua estréia- talvez pela falta de ritmo. Não à toa Bruno foi o grande destaque da partida, mesmo com os dois gols de Kleber Pereira. A expulsão de Cristian no segundo tempo só reforça a satisfação rubro-negra ao conquistar o empate com o mesmo Léo Moura, de pênalti - estupidamente cometido por Domingos.

A lamentar a grave contusão sofrida pelo jovem promissor Maikon Leite. E, claro, a péssima fase santista. Já são quatro jogos sem vitória e quinze rodadas na zona de rebaixamento. Enquanto o time de Caio Júnior, mesmo sem vencer, manteve os dois pontos e distância do G4. E terá Juan de volta contra o Grêmio, no jogão de quinta-feira, no Maracanã.

* Tita deve estar querendo uma estátua em São Januário (5.387 pagantes). Ele conseguiu fazer com que a pavorosa defesa do Vasco jogasse bem contra o Internacional. Quase não falhou. O meio de campo esteve bem, principalmente Alex Teixeira e Madson. E o ataque, bem ou mal, sempre funcionou.

Soma-se tudo isso, ao bizarro lance de Clemer, que cometeu uma das furadas mais ridículas da história octogenária de São Januário, e chegamos à goleada de 4 a 0 do Vasco sobre o Internacional (Bolivar, contra, Edmundo, Eduardo Luís e Jean). Após três domingos sendo surrado, chegou o dia de o Vasco dar a sua coça! E foi de jeito. Tão forte que o tirou da zona do rebaixamento (15º, com 22). Que aproveite a fase e o bom astral de Tita para sair do buraco de vez por todas.

O Internacional cheio de novos jogadores é uma confusão só. Falta entrosamento, falta ritmo de jogo para os novos, como Daniel Carvalho e D´Alessandro, falta força física, falta liga com Tite. Infelizmente, o Internacional tem muitos bons jogadores, mas ainda não tem um time. Se terá um time a tempo de levá-lo à Libertadores, só um trabalho rápido e bem-feito garantirá. Eu, sinceramente, não acredito mais.

* A primeira etapa no Maracanã (12.666 pagantes) mostrou porque Fluminense e Atlético Mineiro habitam a parte debaixo da tabela há tantas rodadas. Passes errados a esmo, total falta de criatividade, faltas bobas… O tempo demorava a passar. Cuca então trocou o apagado Eduardo Ratinho pelo também ex-corinthiano Everton Santos. O Tricolor Carioca não melhorou. Mas, como atacava um pouco mais, marcou com Dodô, aos 16 da segunda etapa, após belo passe de Washington - um dos raros momentos de qualidade da dupla. A melhor chance do Atlético Mineiro veio com Petkovic, em escanteio cobrado na trave. Muito pouco. Somália ainda teve tempo para desperdiçar boas chances. O segundo tempo da equipe de Cuca não foi animador, porém eficiente. Justamente o que o Fluminense mais necessita. Já o Galo manteve a rotina de maus resultados longe de casa. Se o objetivo for somente escapar da segundona, o Atlético deve consegui-lo após algum esforço. Lamentável para um clube centenário e de muita tradição.

* O Goiás parece mesmo disposto a alçar vôos maiores. Mais uma boa vitória no Serra Dourada (4.083 pagantes). Dessa vez sobre o Náutico, de Roberto Fernandes, por 3 a 0. O alviverde não precisou nem de boas atuações de Iarley e Romerito - destaques até então. Gols de Paulo Baier, Paulo Henrique e Vítor - por pouco não o coloquei no Cartola FC. E 26 pontos somados, já na 11ª colocação - hoje estaria classificado para a Sul Americana. O Timbu, sem qualquer reação, voltou à zona de rebaixamento. Possuí o pior ataque da competição, com apenas 20 gols marcados. É bom vencer o jogo-chave diante do Fluminense, quarta-feira, nos Aflitos.

Colaborou Victor Canedo

Tudo azul

Qua, 30/07/08
por Lédio Carmona |

A quarta-feira não teve muitas novidades. Foram 19 gols em sete jogos (média de 2,7), públicos razoáveis e alguns destaques. A começar pelo novo líder Cruzeiro. Ao menos até as 22h30 de quinta-feira. Para recuperar a liderança, somente a vitória é necessária ao Grêmio. E o campeonato agora tem seis clubes na briga pelo G4. Palmeiras e São Paulo ainda batem na porta. Enquanto o sobe-e-desce prevalece no meio da tabela para baixo. Façam as suas apostas. Vamos às partidas:

* O Cruzeiro voltou a jogar bem. Contra o Náutico, no Mineirão (19.209 pagantes), nada mais natural que a vitória. Em noite de Guilherme, a Raposa fez 4 a 2 – dois em cada tempo - até com certa facilidade no Timbu. O jovem atacante marcou dois – chegou aos nove no campeonato - e deu passe para o de Wagner. Henrique completou. Para o decadente Náutico, Wellington e Geraldo – de pênalti. Por sinal, foi a terceira derrota consecutiva da equipe do técnico Pintado. Do lado cruzeirense, vale destacar a ótima atuação de Marquinhos Paraná – talvez a melhor com a camisa azul celeste. Movimentação, desarmes e até sofreu pênalti…. Só faltou o gol. Mas a zaga ainda vacila. E poderá custar alguns pontos no futuro. Nada que abale a quarta-feira perfeita do Cruzeiro. Dormirá na liderança ao som da canção de ninar. Feliz e sorrindo.

* O Vitória não esteve nos seus melhores dias, mas ainda assim conseguiu o triunfo diante do Atlético Paranaense, no Barradão (13.942 pagantes). Nei, ainda no primeiro tempo – com um gol olímpico, diga-se -, abriu o placar. Marquinhos e Ramón, no finzinho, decretaram a virada do rubro-negro baiano. Em casa, o time de Vagner Mancini é muito difícil de ser batido – sete vitórias e apenas duas derrotas. É outro que dormirá em bons lençóis – ao contrário da famosa expressão -, na vice-liderança, com 29 pontos. Já a situação do Furacão é preocupante. Nem quando a equipe de Roberto Fernandes tem jogado melhor o resultado é positivo. E, com o terrível retrospecto fora de casa – uma vitória e sete derrotas -, pode terminar a rodada na 16ª posição, apenas uma acima da zona de rebaixamento.

* Palmeiras e Flamengo não fizeram uma partida brilhante, como era esperado, no Palestra Itália (26.854 pagantes). Mas a vitória do eficiente Palmeiras, de Vanderlei Luxemburgo – que adora partidas decisivas -, acabou por merecida. O singelo 1 a 0 colocou o alviverde com a mesma pontuação do que o rubro-negro (28 pontos), porém em desvantagem no saldo de gols. A ser comemorada pelos palmeirenses a volta do bom futebol de Valdívia, como pôde ser visto na assistência para o gol do volante Sandro Silva. Aliás, a ótima atuação do outro volante, Jumar, possibilitou os avanços de Élder Granja e Leandro, perigos constantes ao gol de Bruno. Já o Flamengo, de Caio Júnior, até fez Marcos trabalhar. Mas a qualidade ofensiva de outrora simplesmente desapareceu com Marcinho, Souza e Renato Augusto. O rubro-negro completou cinco partidas sem vitória. Quatro dessas sem sequer marcar um gol. Fato mais do que preocupante para quem almeja o título.

* Papéis invertidos no Orlando Scarpelli (12.814 presentes). O empate em 1 a 1 entre Figueirense e São Paulo foi ruim para ambos, que desceram uma posição. Mas o mandante parecia ser o Tricolor Paulista. Talvez pelo fato do gol de Tadeu logo aos 7 minutos para o Figueira. Acuado, resistiu durante mais de uma hora. Encontrava ainda espaços para ameaçar nos contra-ataques. Em um deles, o juiz Evandro Rogério Roman não marcou pênalti de Richarlyson em Edu Sales. Wilson novamente se destacou com boas defesas. Embora nada pudesse fazer no petardo de Hugo, aos 34. Um ponto apenas separa o time de Muricy Ramalho do G4. Já os comandados de Paulo César Gusmão não vivem a melhor fase no campeonato – não vencem desde a 12ª rodada.

* O Botafogo de Ney Franco demonstrou novamente estar em ascensão. No Engenhão (15.798 pagantes), os números são expressivos – seis vitórias, um empate e uma derrota. A última delas conquistada sobre o Goiás, por 2 a 0. Túlio, revelado no alviverde, marcou ambos de fora da área. A defesa mostrou segurança durante boa parte do jogo, enquanto o ataque voltou a apresentar deficiência nas conclusões. Sob comando do treinador mineiro – três vitórias, dois empates e uma derrota -, o elevador alvinegro volta a subir. Já a instável equipe de Hélio dos Anjos nada fez de relevante. O novo revés ocasionou a volta para a zona de rebaixamento. Duas derrotas consecutivas pesam. E a tabela ainda reserva Flamengo e São Paulo no primeiro turno.

* O Santos aproveitou os importantes desfalques do Internacional e conquistou sua primeira vitória fora de casa, no Beira-Rio (19.952 pagantes). Maikon Leite – veloz e habilidoso -, destaque já do último domingo, anotou o único gol da partida. Promete ser, de fato, mais uma das tantas revelações do campeonato. Ponto positivo para Cuca, que depois de ter a demissão recusada, parece ter acertado o time. Tanto que o alvinegro abandonou a zona de rebaixamento. Talvez para não mais voltar. O Colorado, que conheceu sua primeira derrota como mandante, depende exclusivamente de sua força ofensiva. Sem Nilmar e Alex – além de Daniel Carvalho e D’Alessandro sem condições de estréia -, não há muito que Tite possa fazer. O Internacional que eu espero ver ainda não entrou em campo. Mas é bom correr contra o tempo.

* Vitória tranqüila da Portuguesa – fato raro – diante do Fluminense, numa noite de belos gols no Canindé (2.701 pagantes). Conca abriu o placar para o Tricolor, que teve ainda de lutar contra o nervosismo de seus jogadores. Tartá, descontrolado, foi expulso ainda no primeiro tempo, logo após o golaço de Jonas. Muito embora o cartão vermelho de Washington, na segunda etapa, tenha sido exagerado. 11×9. A virada era mera questão de tempo. Não tardou a vir com Preto. Jonas, no fim, fechou o caixão. Renato Gaúcho balança no cargo. Dá a cada jogo a impressão de que o ciclo está para se encerrar. E, há 15 rodadas na zona de rebaixamento, o Fluminense agoniza. Enquanto a Lusa de Valdir Espinoza sobrevive. E amanhecerá na 12ª colocação – subiu cinco posições -, com 19 pontos.

O Jogo Aberto pede desculpas pelo ocorrido durante as partidas de ontem. Tudo reestabelecido em sua normalidade.

Colaborou Victor Canedo

Faltou inspiração

Dom, 27/07/08
por Lédio Carmona |

A 15ª rodada até que não deixou a desejar – foram 28 gols em 10 partidas, um pouco acima da média atual de 2,66 -, mas os dois grandes jogos da rodada – ao menos na teoria - decepcionaram. Grêmio e Palmeiras até podem pôr a culpa na chuva que castigou severamente o Olímpico, mas não há explicações para tantos gols perdidos no clássico carioca. Uma pena que a bola não tenha balançado as redes no Maracanã. Ou mais ainda em Porto Alegre. Embora o Campeonato Brasileiro continue equilibradíssimo. E com qualidade até surpreendente. Vamos às partidas:

* Pressão. Tensão. E nada de gol. Flamengo e Botafogo fizeram um clássico de tempos distintos no Maracanã (35.915 pagantes). O primeiro teve domínio rubro-negro. Já a segunda etapa foi praticamente absoluta alvinegra. Em comum as inúmeras chances desperdiçadas ou salvas pelas respectivas defesas. Íbson, Maxi, Obina, Cristian, Éder, Wellington Paulista, Jorge Henrique, Carlos Alberto, Lúcio Flávio, Diguinho… Personagens para heróis não faltaram. O problema já é de conhecimento geral. Logo o gol, êxtase do futebol, impedido por quem deveria fazê-lo. A equipe de Caio Júnior carece de reforços no sistema ofensivo com certa urgência – não duvido que contrate bons jogadores, embora o tempo seja precioso. Não vence há quatro jogos pela tamanha dificuldade de marcar gols. Mas a campanha ainda é muito satisfatória – encontra-se apenas um ponto atrás do líder Grêmio. Já o Botafogo de Ney Franco, apesar da 11ª colocação, dá sinais de melhora a cada rodada. E é candidato a uma boa campanha no segundo turno.

* Tempo ruim refletido no campo alagado do Olímpico (34.062 pagantes). Não sou rígido a ponto de cobrar um grande espetáculo com as situações mais que adversas, mas Grêmio e Palmeiras empataram em 1 a 1 sem muita empolgação. Destaque para o jovem Felipe Mattione, válvula de escape da equipe de Celso Roth durante boa parte do jogo. Foi dele a melhor chance do Tricolor Gaúcho na primeira etapa, ao cabecear na trave. Perea também carimbou a baliza de Marcos. O time de Vanderlei Luxemburgo pouco ameaçou Victor – finalizou para fora as melhores oportunidades. O Grêmio voltou melhor na segunda etapa, mas foi o Palmeiras quem marcou. Alex Mineiro, de pênalti, deixou o seu 10º na competição – artilheiro ao lado de Kleber Pereira. Ânderson Pico não tardou a igualar. E foi só. Resultado que manteve o Tricolor na liderança, com 29, mas afastou o alviverde do G4. Muito embora o empate de hoje deva ser comemorado.

* Fiquei surpreso ao tomar conhecimento do gol do bom Edno, da Portuguesa, aos 3 minutos do segundo tempo – depois de vaias na primeira etapa -, no Morumbi (12.373 pagantes). Sem Diogo, a Portuguesa não deveria ser tão resistente para a equipe de Muricy Ramalho. Mas a zaga são-paulina voltou a falhar. Coube ao trio Hugo-Dagoberto-Éder Luís garantir mais uma vitória para o Tricolor Paulista - maior destaque ao segundo, que além do seu, deu o passe para o do primeiro. E o São Paulo já colou no Vitória – possuí os mesmos 26 pontos do rubro-negro, mas perde no critério de desempate. A Lusa, no entanto, tem qualidade para se livrar da segunda divisão. E faz um jogo de seis pontos na próxima quarta-feira, diante do Fluminense, no Canindé.

* Esperança para o santista. Com autoridade e atuação irrepreensível do garoto Maikon Leite, que sofreu três penâltis e fez a jogada de mais um gol, o Santos massacrou o Vasco por 5 a 2, na Vila Belmiro (10.738 pagantes). Cuca começa a dar jeito ao time. Claro, não dá para ser campeão. Nem para brigar por vaga na Libertadores. Mas dá para sair do sufoco e da zona do rebaixamento, até com certo conforto. O jogo foi resolvido no primeiro tempo. A defesa do Vasco conseguiu ser enganada após arremesso lateral de Kléber. Molina fez 1 a 0. Depois, três pênaltis bobos - falhas de Byro, Edu e Rodrigo Antônio e três gols de Kleber Pereira, agora artilheiro do Campeonato Brasileiro, ao lado de Alex Mineiro, com 10 gols. Para piorar, Thiago foi expulso no lance da terceira penalidade. Assim foi o primeiro tempo: 4 a 1 - Leandro Amaral chegou a descontar, quando o Peixe vencia por 2 a 0.

No segundo, o Santos só administrou e o Vasco até melhorou. Mas sem conseguir assustar, ainda mais com 10. Com um arremedo de time, só conseguiu descontar com um gol sem querer de Madson, após cobrança de falta mal feita, desviada na barriga de Domingo. E, no fim, Maikon Leite passeou de novo e só passou para Molina encher o pé: 5 a 2. Placar que deixa claro o vazio de esperanças para os vascaínos, cada vez mais ensandecidos com a proximidade da zona do rebaixamento. E que deixa os santistas certos de que dias melhores virão. Mas, com todo respeito, também não dá para ter sonhos muito ousados. Apesar da audácia de Maikon leite e da regularidade do ótimo Kleber Pereira.

* O Atlético Mineiro afastou as preocupações após a goleada sofrida no meio de semana. Vitória importantíssima diante do Vitória, no Mineirão (7.099 pagantes), palco ainda invicto para o Galo contra times de fora do estado (só perdeu para o Cruzeiro) – quatro vitórias e três empates. Petkovic, novamente, fez a diferença. O meio campista originou as jogadas dos gols de Marques e Gedeon. Mas o sérvio cansou. E o Vitória cresceu. Porém, só coube o gol curioso de Rodrigão. A equipe de Vagner Mancini permanece no G4, embora a sombra de São Paulo e Palmeiras comece a incomodar. Já o Galo, apesar do elenco limitado, mostrou poder de recuperação. E terá jogo-chave diante do Vasco, em São Januário, na próxima quinta-feira.

* Grande vitória do Sport sobre o Goiás (2×1), no Serra Dourada (6.665 pagantes) – a primeira fora de Recife do rubro-negro no campeonato. O Leão, que parecia desanimado, conquistou o segundo triunfo consecutivo, e já ocupa a 9ª colocação. Júnior Maranhão e Durval – sempre ele – marcaram. Vítor, num petardo, anotou para o alviverde. Que poderia até ter mantido a boa seqüência de resultados, mas a frente com Iarley, Romerito e Alex Terra não funcionou. E deixa o Goiás ainda em alerta. No mais, olho em Moacir, apoiador que fez sua estréia pelo Sport – era destaque do Central. Pareceu-me bom jogador.

* 17.528 torcedores provavelmente se arrependeram de terem pagado o caro ingresso da Arena da Baixada neste domingo. O modorrento empate em 0 a 0 desagradou tanto ao Atlético Paranaense quanto ao Figueirense. O rubro-negro, apesar do empate, subiu duas posições na tabela – 13º, com 17 pontos. Mas esbarrou na total falta de competência de criação. E já há quem peça a cabeça de Roberto Fernandes – a torcida gritou por Geninho. Já o Figueirense, que pouco assustou, manteve-se entre os 10 primeiros, mas encara a pedreira São Paulo na próxima rodada, em casa.

Colaborou Victor Canedo

O líder é o Grêmio

Qui, 24/07/08
por Lédio Carmona |

24perea.jpgPlacar final: 7 x 1. Não é conta de mentiroso. Muito pelo contrário. Verdade pura. O Grêmio herdou a liderança do Campeonato Brasileiro do Flamengo, após nove rodadas, com uma retumbante e irretocável goleada sobre o Figueirense, no Orlando Scarpelli. Atuação perfeita. Marcação adiantada e na pressão, bom passe e velocidade no meio, alas participativos e ataque inspirado. Todo mundo mostrou serviço: Perea fez três gols, Reinaldo outros três e Marcel, um, de cabeça.

Qual é o segredo do Grêmio? Trata-se do equilíbrio e da regularidade. O momento mais brilhante foi hoje, com esse placar sonoro. Mas repare os números. 8 vitórias (Flamengo e Vitória, também), 4 empates e 2 derrotas (Vasco e Botafogo, ambas no Rio). Tem 26 gols (segundo melhor ataque do Brasileirão, com um gol a menos do Flamengo), e a melhor defesa (11 gols sofridos em 14 partidas). E, além de vários jogadores conhecidos, tem pelo menos três que podem ser chamados de revelação: Victor, belo goleiro, Leo, grande zagueiro e que hoje ficou de fora, e Rafael Carioca, meia de qualidade.

24figueira.jpgCelso Roth, com um bom time, mas que ainda carece de um banco mais farto, está por cima. Superou as críticas de sempre e outras tantas, movidas pela intempestiva demissão de Wagner Mancini, em março. E faz mais um trabalho bom. Agora, lhe resta quebrar mais um gelo. A turma da ranhetice, munida de suas pranchetas, gosta de dizer que Celso arranca bem e não fecha o trabalho da mesma maneira. Pode até ser. Mas esse Grêmio tem números que merecem ser respeitados. Números de líder.

24palmeiras1.jpg• Claro, o Palmeiras fez uma boa partida. Jogou fácil, com velocidade, troca de posição e a defesa errou pouco. Mas os equívocos do Santos facilitaram as coisas. Defesa desastrada e meio de campo sem a menor noção de posicionamento. E tudo ficou mais tranqüilo para o mundo verde. Sem forçar, o Palmeiras já vencia por 2 a 0 (Leandro e Alex Mineiro), aos 14 minutos do primeiro tempo. Aos 28 min, Felipe,o jovem goleiro, foi inventar e falhou no terceiro gol, novamente de Leandro.

• Aos 33 min, num lance isolado, Kleber Pereira diminuiu. Aos 38min, Apodi chutou tudo e fez 3 a 2. O Santos se empolgou. Mas… E aí… Nova falha defesa e de Felipe. Gol de Gladstone. Não deve ser fácil tomar gol de Gladstone. No segundo tempo, o Palmeiras só administrou a correria do esquizofrênico primeiro tempo. E nada mais aconteceu, além da expulsão do desconsolado Cuca, é claro. Enfim, o Palmeiras chega pela terceira vez ao G4 – o Cruzeiro espirrou para o quinto lugar. E o Santos completa 10 rodadas na zona do rebaixamento. E, se não tiver paciência e serenidade, será difícil sair dela.

24spo.jpg• Na Ilha do Retiro, a velha dificuldade de Sport e Atlético Paranaense para fazer gol. Saiu unzinho só: de Luciano Henrique. Suficiente para chegar aos 18 pontos e chegar ao 12º lugar. A três posições do Atlético Paranaense, que não faz gol nenhum fora de casa. Dois com cara de meio de tabela. Não deve subir muito. Nem descer. Muito pelo contrário. Duro é que tem gente que se conforma com isso.