Que Brasileirão, meu
O domingo no Campeonato Brasileiro teve um sotaque já conhecido. Excelente para o Palmeiras, cada vez mais próximo do Grêmio. Ótimo para o São Paulo, colado no G4. Muito bom para o Santos, já a três pontos da zona do rebaixamento. Mas se engana quem pensa que acabou por aí. Surpresas e decepções - em especial para os cariocas - também fizeram parte do roteiro Brasil afora. Acredito que a competição finalmente tenha caído no gosto do povo. E, se a esta altura em 2007 já havia algo definido, a atual temporada ainda nos reserva treze decisivas rodadas. Seja no topo ou na rabeira. Vamos aos destaques:
* No melhor jogo e público da rodada, uma afirmação: o Palmeiras, finalmente, mostrou ao seu torcedor que irá mesmo disputar o título do Campeonato Brasileiro. Tamanha certeza pode ser explicada pela vitória pontual sobre o Cruzeiro, em um Mineirão com mais de 46 mil cruzeirenses. Sem Alex Mineiro e Kleber, toda a responsabilidade caiu em cima de Diego Souza. Assim como na Arena da Baixada, há duas semanas, e ao contrário da derrota diante do Sport, o meio campista não decepcionou. Domínio no peito, com classe, e chute forte. 1 a 0. Lenny ainda tratou de ser expulso aos 13 do segundo tempo, mas Marcos garantiu o excelente resultado - segunda vitória fora de casa consecutiva. A distância que poderia ser de oito pontos, agora é de míseros três. Com 13 rodadas ainda em disputa, pode-se dizer que há um empate técnico, como no basquete, ou nas eleições eleitorais. E o alviverde ainda conta com a vantagem do número de vitórias. Fortes emoções vêm por aí.
O Cruzeiro, que também não contou com seu principal jogador (Guilherme), viu uma excelente oportunidade ir embora. Confesso não ter a solução para o problema do time de Adílson Baptista, que também não deve ser crucificado. A defesa, por mais que não conte com jogadores supremos, sofreu 26 gols (o Palmeiras sofreu cinco a mais), enquanto o ataque marcou 38 (sexta melhor marca). Mas falta maturidade na hora H. A Libertadores, porém, continua sendo um ótimo negócio para a Raposa, na terceira posição, com 43 pontos - apenas um acima do quinto colocado, o São Paulo.
* Apesar da boa presença da torcida do Flamengo no Morumbi (29.325 pagantes), quem saiu feliz foi a torcida do São Paulo. Assim como no primeiro turno, o tricolor bateu o rubro-negro: 2 a 0 até com certa facilidade. A partida foi caracterizada pela forte marcação de ambos os lados. Mas era o Tricolor Paulista que mostrava mais ímpeto ofensivo, e acabou recompensado pela insistência das bolas alçadas na área. Aos 44, Dagoberto aproveitou cruzamento do sempre presente Zé Luís para abrir o placar. Enquanto isso, o rubro-negro, desorganizado, pouco assustava nos contra-ataques.
No segundo tempo, a tônica do jogo não mudou. Aproveitando-se dos espaços dos alas rubro-negros, Zé Luís e Jorge Wagner deitaram e rolaram - o segundo ainda deve na temporada. Logo aos 14 minutos, o São Paulo ampliou da mesma forma: cruzamento de Zé na medida para Hugo. Caio Júnior ainda tentou modificar algo com Vandinho e Sambueza nos lugares dos inoperantes Josiel e Íbson. Sem sucesso. O São Paulo toma a quinta posição do Flamengo e um pouco da pretensão do rubro-negro de conquistar o hexa. Embora a Libertadores esteja num patamar mais acessível para ambos - o rubro-negro, por exemplo, jogará seis das próximas sete partidas no Maracanã. Já a equipe de Muricy Ramalho comemora os lampejos de bom futebol - muito graças à volta de Hernanes. Nada definido nesse maluco Brasileirão.
* Os cálculos de Ney Franco certamente não apontavam para uma derrota hoje, no Engenhão (25.196 pagantes). Mas o Internacional estava disposto a estragar os planos, ao estrear com o pé direito no Estádio: 2 a 1 sobre o Botafogo. A segunda vitória Colorada fora de casa reacendeu as esperanças do time na competição - a outra também havia sido no Rio, contra o Flu. Na primeira etapa, Alex inaugurou o marcador para os gaúchos, mas foi substituído por Taison, após sentir dores nas costas. A partir daí, os argentinos Guiñazu e D’Alessandro se tornaram os grandes destaques e tomaram conta da partida. O primeiro, incansável como sempre, foi o motor da engrenagem colorada. Enquanto o segundo foi eleito o maestro da equipe, articulando as principais jogadas - inclusive a do primeiro gol - e anotando um golaço, com direito a Leandro Guerreiro sentado no chão. O gol botafoguense foi marcado por André Luís, que acabou expulso pouco depois.
A derrota não só freou a reação do Glorioso, como encerrou a invencibilidade de incríveis treze jogos do time. Mesmo assim, o Botafogo permanece em quarto lugar, firme e forte numa disputa por vaga no G4. O Inter, por sua vez, volta a sonhar em disputar a Libertadores 2009 - ano em que comemora seu centenário. Nas duas próximas rodadas, Vitória e Grêmio, no Beira-Rio. Será possível? Fernando Carvalho diz que sim.
* Responsável por 62% dos gols do Santos, Kléber Pereira - é disparado o jogador que mais aparece no Jogo Aberto - fez mais uma vítima neste domingo: o Fluminense. Pobre Fluminense, que acabou caindo no inferno no dia 02 de julho e de lá ainda não saiu. Perdeu jogadores importantes, como Thiago Neves e Cícero, e não repôs sequer com qualidade próxima. O Santos, em clara evolução sob comando de Márcio Fernandes, não somente mereceu a vitória por 2 a 1, na Vila Belmiro (11.055 pagantes), como também vê a segunda divisão cada vez mais longe. Longe de brilhante, apenas eficiente, no pé do artilheiro do campeonato, com 18 gols, e na cabeça de Bida, apesar da estática zaga tricolor. Romeu ainda descontou no fim. Muito pouco. Como bem disse Luiz Alberto, hora de relaxar é nas férias.
* Nove jogadores em campo. Goleiro expulso. Atacante vestindo luvas. Mesmo placar. As coincidências da partida deste domingo com a derrota para o Cruzeiro não param por aí. O Vasco manteve o péssimo futebol apresentado em São Januário (10.450 pagantes) e foi merecidamente derrotado pelo Náutico, por 3 a 1. O Timbu, aliás, conquistou a segunda vitória fora de casa no campeonato e não perde desde a 21ª rodada. Hoje já soma 29 pontos, três acima do próprio Vasco, primeiro do G-4. Clodoaldo, Ruy - excelente jogada de William - e Felipe anotaram os gols do time de Roberto Fernandes (por sinal, o técnico e o clube vivem em perfeita sintonia). Já o crucificado Tita não tem muito que fazer. Nem a volta de Leandro Amaral, apesar do gol, e a estréia de Pedrinho foram suficientes. Ontem, Tiago e Jonílson. Hoje, Roberto e Jorge Luís. Na quarta e domingo, o Palmeiras, no Palestra Itália. Quem serão os próximos?
* “Vencer hoje era o que mais importava”. A frase de Vagner Mancini, na entrevista coletiva, finalmente foi atendida pelo time. O Vitória passava por um momento de instabilidade, e uma derrota hoje praticamente tiraria o rubro-negro no caminho da Libertadores. Mas o singelo gol de Marcelo Cordeiro diante do Coritiba deu uma sobrevida ao Leão do Barradão (7.955 pagantes). No duelo de seis pontos, melhor para os baianos, de Viáfara - hoje decisivo - agora na sexta posição, a dois pontos do quarto colocado Botafogo. O Coxa, no entanto, já vê a concorrência aumentar e se distanciar. A Sul-Americana em 2009 parece ser um bom destino para o time de Dorival Júnior.
* Está mais do que provado que vencer o Sport na Ilha do Retiro não é uma tarefa nada fácil. Desta vez, com 21.355 pagantes, a presa do Leão foi o apático Figueirense, goleado por 5 a 0. Roger, duas vezes, Júnior Maranhão, Wilson e Sandro Goiano (!) marcaram os gols que retratam a ótima fase da equipe de Nelsinho Baptista. São cinco jogos de invencibilidade e três vitórias consecutivas. Com 38 pontos, até poderia sonhar em Libertadores. Mas o Leão já está lá… Quinta derrota seguida do Figueira, agora a apenas dois pontos da fronteira da Série B. E o próximo adversário ainda é o Cruzeiro…
* Classificação e tabela completa do Brasileirão: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Futebol/Classificacao/0,,ESP0-9827,00.html
* E, se formos computar apenas o segundo turno, ficaria assim: 1. Goiás (como em 2003): 13; 2. Palmeiras e Santos: 12; 4. Botafogo e Sport: 11; 6. Internacional: 10; 7. Fla, Flu, São Paulo: 9; 10. Grêmio, Náutico, Vitória, Ipatinga: 8; 14. Vasco e Cruzeiro: 7; 16. Atlético-MG e Atlético-PR: 6; 18. Coritiba: 5; 19. Figueirense: 3; 20. Portuguesa: 1.
* Trata-se do Brasileirão-Raul Seixas: maluco beleza!
Dos bons.
Colaboraram Victor Canedo e Pedro Bevilaqua
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Foi a referência de área nos clubes onde atuou. Espalhou o seu faro de gol por três continentes. Aos 33 anos, vive a melhor fase na carreira. Quem é? Kléber João Boas Pereira, artilheiro do Brasil e líder do prêmio Friedenreich, com 36 gols na temporada - sendo 17 só neste Brasileirão. As estatísticas comprovam: Kleber é responsável por 60,7% dos gols do Santos no campeonato. Uma dependência para lá de saudável para o torcedor santista.
Aí é que entra o Santos. Em julho de 2007, o matador aterrissou na Vila Belmiro. Mesmo com dois meses de desvantagem, anotou 16 gols na última edição do Brasileirão - terminou a quatro do artilheiro Josiel. Marca ultrapassada ontem, após mais uma noite iluminada, diante do Vitória. Cabe a pergunta: há espaço para Kléber Pereira na indecisa Seleção Brasileira?
O Flamengo demorou para se mexer. Liderava até a 15ª rodada. Uma semana depois se despedia do G4. Mas as contratações ensaiariam uma melhora - inclusive já notória dentro das quatro linhas. Dependendo do resultado de sábado entre Coritiba e Botafogo, no Couto Pereira, os rubro-negros podem sair do G4. Mais precisamente: o Flamengo só fica onde está se houver empate entre Coxa e alvinegros ou vitória por diferença de um gol dos paranaenses. Mas está evidente que o clube saiu da inércia.
* Mais parecia uma maratona tamanha foi a entrega física dos atletas no Orlando Scarpelli (15.372 pagantes), premiado com o melhor jogo da noite. Renovado, o Flamengo jogou muito bem na primeira etapa. Envolvente e com belos toques, o gol rubro-negro viria em questão de tempo. Exatos 18 minutos, quando Marcelinho Paraíba cruzou na medida para Ronaldo Angelim. Aos 40, foi a vez do próprio Marcelinho marcar o segundo, após passe de Íbson - o melhor em campo, sobretudo pelo trabalho na parte defensiva. Léo Moura, outro destaque, passou muito perto de ser comparado a Pelé, quando quase marcou do meio de campo.
* Por alguns momentos tive pena da bola no Mineirão. Criatividade certamente não era uma palavra bem vinda para Atlético Mineiro e São Paulo. O Galo, por jogar em casa, até que tomou a atitude desde o início. Pena que, para os 6.393 pagantes-guerreiros, sobre vontade e falte qualidade. À espera de um bote, o Tricolor Paulista estava acuado até demais. Mas encontrou o gol relativamente cedo, com Borges - ou seria de Marcos, contra? Não há como negar que Marques e Petkovic devam ser considerados peças fundamentais quando os reservas são Lenílson e Jael. André Dias até que tentou ajudar, mas o inexperiente árbitro Nielson Nogueira Dias não viu dois pênaltis cometidos pelo zagueiro. Como ambos os times são chegados em um empate, o destino acabou selado aos 35 da segunda etapa, quando Márcio Araújo empatou - ou seria de Rodrigo, contra? Placar mais justo só o 0 a 0.
* O Santos marcou 28 vezes no Campeonato Brasileiro. O que há de relevante nisso? Kleber Pereira pode explicar. Com mais dois marcados nesta quarta sobre o Vitória (2×0), na Vila Belmiro (10.061 pagantes), o artilheiro do Brasil alcançou os 17 no campeonato (aproximadamente 61% de toda a equipe). Sorte e competência de Márcio Fernandes, provisoriamente livre da zona de rebaixamento, em 15º, com 26 pontos. Mesmo que retorne sábado à noite, ao menos o alvinegro praiano dá sinais de melhora. Mas a noite de quarta-feira também teve outros destaques. Positivos, como Rodrigo Souto - essencial desde que voltou - e Douglas, e negativos, como toda a equipe baiana. O Vitória não apresenta um futebol semelhante ao que o credenciou como grata surpresa há algum tempo. Hoje a realidade é diferente. Um time baseado no sobrecarregado Marquinhos, que já não rende como antes - até por estar negociado -, e sem peças de reposição. Vale ressaltar que uma classificação à Sul Americana ainda é um ótimo negócio para os comandados de Vagner Mancini. E bem próximo de ser realizado.
* Quinta vitória seguida no Serra Dourada. Quarto revés consecutivo no campeonato. Os números mostram a absurda diferença atual entre Goiás e Atlético Paranaense. O resultado desta quarta-feira não podia ser diferente: 4 a 0 para os donos da casa, com grande destaque para os laterais Vítor e Thiago Feltri. O primeiro novamente deixou sua marca, enquanto o ex-Galo participou dos outros três restantes (Romerito, Iarley e Anderson Gomes). No grupo dos, digamos, sem ambição, a equipe de Hélio dos Anjos é a mais equilibrada. Não à toa tem tudo para terminar a rodada na 9ª colocação. Para quem há pouco era apontado como favorito ao descenso, até que o alviverde faz uma digníssima recuperação.
O que antes era cogitado, agora está quase confirmado: até amanhã, Alex trocará, oficialmente, o Inter pelo Al Jazira, dos Emirados Árabes. O jogador colorado se juntará ao ex-comandante Abel Braga. O valor da negociação gira em torno de € 8,5 milhões (R$ 20,1 milhões). O Inter, detentor de 70% dos direitos do jogador, embolsará € 6 milhões (R$ 14,2 milhões). Os 30% restantes pertencem ao próprio atleta.
Sorte é que o Inter tem uma base. E ainda pode melhorá-la. A dúvida é: o torcedor e os cornetas entrincheirados no Beira-Rio terão paciência para aguardar? A história de todos os clubes mostra que não.
Semana desconfortável para o Grêmio. Para o Cruzeiro, aterrorizante. Longe dos seus domínios, ambos foram derrotados e só viram a concorrência encostar. Bom para o Campeonato Brasileiro, que já tem emoção suficiente reservada para as 16 rodadas restantes. Seja no céu ou no inferno. Excelente para o Palmeiras, único vencedor do pelotão da frente, e agora segundo colocado. Pela 22ª vez, bons públicos e uma média de gols razoável: 2,8 - até pelas quatro partidas terminadas em 1 a 1. Vamos aos jogos deste domingo:
* A partida não era no Palestra Itália, mas o mando de campo era do Palmeiras - talvez possa explicar tamanha facilidade alviverde. No Pacaembu (8.180 pagantes), o time de Vanderlei Luxemburgo não tomou reconhecimento da Portuguesa. Marcou quatro gols na primeira etapa, e apenas administrou os gols sofridos por Jonas para conquistar mais uma vitória como mandante. - a décima em onze jogos. Alex Mineiro, duas vezes, Gustavo e Kleber anotaram os gols que colocaram o Palmeiras na terceira colocação - com a ajuda do goleiro André Luís. Destaque também para Leandro, autor de duas assistências. Os resultados dentro de casa são um alento. Mas o título, que fique claro, só virá se o aproveitamento longe de São Paulo melhorar, e muito. Enquanto isso, a Lusa agoniza. E vê no retrovisor Santos, Náutico e Ipatinga muito próximos. Preocupante. 
* Domingo de sorte para o Vasco no clássico carioca. O empate de 1 a 1 com o Botafogo - com 35.619 pagantes no Maracanã, melhor público da rodada - foi um presente para um time totalmente dominado no segundo, após uma primeira etapa sonolenta. Gols só na segunda. Wellington Paulista, aos 8 min - após sete jogos de jejum -, e Rodrigo Antônio, aos 44. Aliás, gol que brecou a incrível seqüência da equipe de Ney Franco - iria para sete vitórias consecutivas -, e derrubou o Botafogo para a quarta colocação, com 38, apenas um acima do perigoso São Paulo. Jorge Henrique faz mesmo falta. Até para dar opções ao individualista Carlos Alberto. Poucos destaques na equipe de Tita. Chamado de burro após o gol alvinegro, pôs o barrado Mádson em campo. Ironia do destino ou não, foi do baixinho o cruzamento para o empate. O suficiente para ainda manter o Vasco longe da zona de rebaixamento - 14º, com 26 pontos.
* Buscando recuperação na tabela, Internacional e Flamengo, candidatos ao G4, travaram duelo movimentado no Beira Rio (29.329 pagantes). O Colorado foi soberano durante toda a primeira etapa, controlando o jogo diante de um Flamengo apático. Logo aos 8, pênalti de Bruno sobre Nilmar não marcado. Aos 14, Nilmar - melhor em campo - foi esperto e soube aproveitar falha clamorosa de Bruno. E para não terminar os primeiros 45 minutos ainda pior, Caio Júnior se viu obrigado a sacar o faltoso Jaílton - que deu lugar a Toró. Aos 44, Nilmar, após ótimo lançamento de Alex, driblou Bruno e tocou para o gol, mas Fábio Luciano salvou em cima da linha. Domínio amplo da equipe de Tite.
O oposto do ocorrido na segunda etapa. O rubro-negro inverteu os papéis e controlou as principais ações. Mas faltava a falha de Clemer. Obina, também aos 14, empatou após saída errada do goleiro Colorado. E o Flamengo só não virou a partida porque Erick Flores e Obina não tiveram tranqüilidade para marcar, aos 45 e 47, respectivamente. Resultado justo perante o esforço dos dois times. O Inter mantém-se em 9º, com 30 pontos. O Flamengo desce um degrau, ocupando a 7ª colocação, com 36 pontos. Ambos ainda sonham. Muito embora a equipe de Caio Júnior esteja mais próxima da realidade.
* No provável melhor jogo da rodada, Coritiba e São Paulo empataram em 2 a 2 no abarrotadinho Couto Pereira (32.096 pagantes). O Coxa esteve na frente durante duas oportunidades, mas o já conhecido ataque aéreo são-paulino conquistou importantíssimo ponto. Não só por diminuir a vantagem para o G4 - o Botafogo possuí 38 pontos, diante dos 37 do São Paulo -, mas também para impedir o avanço do perigoso Coritiba. Ricardinho e Keirrison anotaram para o time de Dorival Júnior. Rodrigo e Hugo para o Tricolor Paulista. Dagoberto, conhecido da torcida coxa-branca, ainda teve duas chances. Sem muito trabalho para Vanderlei. A impressão que passa é de que na hora em que precisar o São Paulo estará figurando no G4. Também não me restam dúvidas de que o Coritiba estará lutando até o fim do melhor campeonato brasileiro dos últimos anos.
* O Santos tinha o maior período de seca - não vencia desde a 16ª rodada. Mas tem a vantagem de contar no elenco jogadores que possam decidir. Ou melhor, jogador. Kleber Pereira é o único deles. Não à toa marcou os dois na vitória sobre o Cruzeiro, por 2 a 0, na Vila Belmiro, e se igualou na artilharia ao lado de Alex Mineiro, com 15 gols. A Raposa, sem a espinha dorsal - Wagner, Charles e Ramires -, pouco fez. Adílson Baptista ainda apostou em Carlinhos e Bruno na segunda etapa. Sem sucesso. O Cruzeiro não marcou um gol sequer na última semana, e viu a vice-liderança ser roubada pelo Palmeiras.
* Redenção mineira no confronto dos atléticos. O Galo sobrou em campo e não teve dificuldades para fazer 4 a 0, no Mineirão. Serginho, Lenílson, Marques e o jovem Luís Gustavo marcaram. A equipe do técnico Marcelo Oliveira voltou a subir: 11º, com 28 pontos - inclusive já na zona da Sul Americana. O Furacão não ocupa a zona de rebaixamento por detalhes - caso do gol do Grêmio no último minuto nos Aflitos. Acredito ser questão de tempo para a equipe de segundo pior ataque, com 23 gols marcados. Mário Sérgio terá trabalho. E a solução não será colocar volantes.
* O novo treinador do Ipatinga, Márcio Bittencourt, estreou com o pé direito no comando do time. No Ipatingão, vitória pelo placar mínimo do Tigre sobre o Goiás. Ferreira anotou o único gol da partida. Gol que mantém o time do Vale do Aço esperançoso numa fuga do descenso - ainda ocupa a lanterna, com 20 pontos. Já o time de Hélio dos Anjos desperdiçou nova chance por incompetência do ataque - assim como no empate diante do Atlético Mineiro. Assim como Grêmio e Cruzeiro, a semana longe de casa não lhe fez bem, e o alviverde goiano caiu para a 13ª colocação, com 27 pontos.
* A campanha do Botafogo é tão incontestável quanto a vitória de 1 a 0, hoje, sobre o Cruzeiro. No Engenhão com ótimo público (quase 24 mil pagantes), o time de Ney Franco sofreu no primeiro tempo, marcado pelo duelo tático, no qual ninguém deixou ninguém jogar. No segundo, o Botafogo arriscou mais. Jogou com uma vontade impressionante. Acuou o Cruzeiro, desfalcado de cinco titulares, botou pressão, soltou os laterais - basicamente Triguinho passou a chegar mais, como Thiaguinho faz a partida toda -, e atacava muito pela direita, nas costas de Jadílson. Para facilitar, Camilo foi expulso após falta dura em Wellington Paulista, que, como sempre, exagerou no efeito. O Botafogo perdia gols, segura os contra-ataques dos mineiros, até que veio a polêmica de sempre. Giuliano Bozzano, o árbitro, viu pênalti de Thiago Heleno em Wellington Paulista. Eu, sinceramente, não vi nada na jogada. Lúcio Flávio, como sempre, bateu bem: Botafogo 1 a 0, aos 34 minutos. E a vitória se consumou, levando o Botafogo ao terceiro lugar, com 37 pontos.
* Um primeiro tempo sonolento e burocrático quase pôs tudo a perder para o São Paulo, no Morumbi (6.006 pagantes). O Atlético Paranaense correu e marcou muito. Para aumentar o drama, fez 1 a 0, gol de Pedro Oldoni, aos 24 min. A torcida ficou tensa. O time, nervoso. Os erros aumentaram. No intervalo, Muricy Ramalho deve ter falado todas. E o São Paulo voltou com outra postura. E teve sorte de Hugo, logo no primeiro minuto, empatar. O Furacão seguiu perigoso nos contra-ataques, mas, nessa hora, o melhor se impõe. Um minuto após sua entrada na vaga de Aloísio, André Lima ajeitou para Borges: 2 a 1. E, no fim, André Lima fez 3 a 1. Justo, no fim das contas. O São Paulo segue numa posição tão discreta, porém útil, bem parecido com a cara do futebol que tem jogado. Não encanta, mas dá para o gasto. É 5º, com 36. E o Furacão é o 14º, com 23, mas dá sinais de melhora com Mário Sergio.
* E o Palmeiras é mesmo um time caseiro. A derrota para o Internacional (4 a 1), no Beira-Rio (12.648 pagantes), foi a sexta fora de casa no Campeonato Brasileiro - só venceu duas e empatou três. O time só funciona em casa, onde conquistou 80% dos seus 37 pontos (caiu para 4ª lugar, agora atrás do Botafogo). Hoje, em Porto Alegre, o time de Vanderlei Luxemburgo até deu sinais de conseguiria um bom resultado. Fez 1 a 0, no primeiro tempo, gol de pênalti (inexistente) de Alex Mineiro. Mas desmoronou quando sua defesa, fraca como sempre, com Jeci e Gladstone, tomou dois gols seguidos: Índio, de cabeça (quanta novidade!) e Alex (num chutaço de fora da área, outra novidade!). No segundo tempo, o Internacional soube explorar o desespero verde, foi perfeito nos contra-ataques e matou o jogo, com mais um gol de cabeça de Índio (quanta novidade!) e, no fim, com o garoto Taison.
* Náutico 1×3 Washington. A partida nos Aflitos esteve longe de ter alguma qualidade relevante. A não ser por um jogador. Washington não é lá um primor de técnica, mas é guerreiro e, principalmente, fazedor de gols. Tanto que os três gols marcados foram de bola parada - dois de falta e um após escanteio. O Fluminense, de Cuca, respira por um dia o ar puro da primeira divisão. Ainda tem risco de regressar à ingrata zona de rebaixamento, porém por pouco tempo. Mas serve como alento a primeira vitória fora de casa. O Timbu, no entanto, não possuí alguém que faça a diferença. Ruy é no máximo esforçado. E por isso tem o pior ataque da competição, com 21 gols marcados. Roberto Fernandes terá a mesma missão de 2007: escapar da Série B.
* A palavra-chave da noite vale também para o Coritiba. Dominou o Figueirense desde o início - mesmo sem Carlinhos Paraíba -, no Couto Pereira (12.360 pagantes), e não teve dificuldades para fazer os três gols que garantiram a provisória sexta colocação. Maurício, Keirrison e João Henrique - belo gol - marcaram. Dorival Júnior já vê o time a dois pontos do G4. A vaga na Libertadores-2009 é um sonho para lá de possível. Já o Figueira havia até ameaçado uma reação. Esbarrou na falta de profundidade do elenco. A Sul Americana estará de ótimo tamanho para os comandados de Paulo César Gusmão, hoje com sete vitórias, empates e derrotas.
* E o Santos tropeçou em Ipatinga: 1 a 1, gols no final de Cuevas, após falha ridícula da defesa mineira, e de Henrique, a seis minutos do fim. Dois gols no fim, que deram certa graça a um jogo que, no geral, foi entediante e de baixíssimo nível técnico. Nenhum dos dois jamais se encontrou na competição e conseguiram um resultado péssimo para ambos. Desse jeito morrerão abraçados. À beira do abismo, com placa a caminho da segundona. E nem Kleber Pereira conseguiu dar uma força ao Pequeno Bob FC. Lamentável…
* O Barradão estava mal acostumado. O Vitória de Vagner Mancini brilhava ao lado de sua torcida - oito vitórias e duas derrotas até então. Empolgava. Hoje, no duelo de rubro-negros do Nordeste, o que se viu foi uma partida pobre, refletida no placar: 0 a 0. Talvez explicada pelos importantíssimos desfalques de Dinei e Marquinhos - responsáveis por 13 gols do Vitória na Série A. O primeiro, aliás, pode estar de saída. Enquanto isso, Ramon e Willians brigavam com a forte marcação do Sport, de Nelsinho Baptista. Que ainda ameaçava esporadicamente nos contra-ataques - inclusive no que ocasionou a expulsão de Anderson Martins, já no fim. Vale ressaltar que, pela diferença de investimento, o trabalho feito no Vitória é dos melhores. Pena que tenha um prazo.
O Grêmio não perde desde o dia 6 de julho. São 12 jogos invictos no Brasileiro. Venceu os últimos cinco jogos, dois deles fora de casa. O que o torcedor exigente quer mais? Ah, esqueci que o Grêmio tem o ataque mais positivo (36 gols) e é o time que mais ganhou (13). Eficiência ofensiva, sem ter um artilheiro brigando nas primeiras posições. Sinal de que o jogo é coletivo. Ainda não convenci vocês? Então, para fechar, com 73% de aproveitamento, o Grêmio precisará, segundo meus cálculos, de ganhar 50% dos pontos que tem a disputar para ser campeão. Nada mal para um time que não convence a tanta gente…
Há casamentos que, antes mesmo de serem consumados, davam pinta de que poderiam ter final feliz. Eu, pelo menos, sempre achei que Ney Franco tinha caixa para dar jeito no Botafogo. E que a Estrela Solitária poderia fazer do treinador um sujeito satisfeito com a relação. Não deu outra. Desde que houve o “sim” entre as duas partes, os alvinegros jogaram 10 partidas no Brasileirão. Ganharam 7, empataram 2 e só perderam 1 (São Paulo, no Morumbi). São cinco vitórias seguidas, a quinta hoje, na Ilha do Retiro, contra o Sport (1 a 0, gol de Jorge Henrique). E, vejam só, Ney Franco e o Botafogo dormirão os próximos dias no G4 (4º, com 34 pontos). Lua de mel mais do que perfeita.
* Jogo duríssimo no Parque Antarctica (15.210 pagantes). É muito bem arrumado e treinado esse Coritiba, de Dorival Junior. Controla o jogo, não se desespera, sabe ficar com a posse de bola, e arrisca bem nos contra-ataques. Mas é duro fazer resultado na casa do Palmeiras. Lá, em 10 partidas, o time de Vanderlei Luxemburgo venceu nove. Hoje foi a nona: 1 a 0, gol de Alex Mineiro, de cabeça, na reta final da partida. Quando tudo parecia ainda mais difícil, pois os anfitriões jogavam com 10 (Fabinho Capixaba foi expulso). Mas veio o gol de Alex Mineiro. E, com ele, os três pontos.
* O empate invariavelmente é ruim para ambos. O Flamengo, no entanto, não tem do que se queixar depois do ponto conquistado (2×2) diante do Santos, na Vila Belmiro (15.359 pagantes). Saiu ganhando, aos sete minutos, num lance isolado - e sortudo - de Léo Moura. E só. Passou o resto do primeiro tempo acuado, sem opções ofensivas. Inclua aí Marcelinho Paraíba, apagado em sua estréia- talvez pela falta de ritmo. Não à toa Bruno foi o grande destaque da partida, mesmo com os dois gols de Kleber Pereira. A expulsão de Cristian no segundo tempo só reforça a satisfação rubro-negra ao conquistar o empate com o mesmo Léo Moura, de pênalti - estupidamente cometido por Domingos.
* Tita deve estar querendo uma estátua em São Januário (5.387 pagantes). Ele conseguiu fazer com que a pavorosa defesa do Vasco jogasse bem contra o Internacional. Quase não falhou. O meio de campo esteve bem, principalmente Alex Teixeira e Madson. E o ataque, bem ou mal, sempre funcionou.
O Internacional cheio de novos jogadores é uma confusão só. Falta entrosamento, falta ritmo de jogo para os novos, como Daniel Carvalho e D´Alessandro, falta força física, falta liga com Tite. Infelizmente, o Internacional tem muitos bons jogadores, mas ainda não tem um time. Se terá um time a tempo de levá-lo à Libertadores, só um trabalho rápido e bem-feito garantirá. Eu, sinceramente, não acredito mais.
* A primeira etapa no Maracanã (12.666 pagantes) mostrou porque Fluminense e Atlético Mineiro habitam a parte debaixo da tabela há tantas rodadas. Passes errados a esmo, total falta de criatividade, faltas bobas… O tempo demorava a passar. Cuca então trocou o apagado Eduardo Ratinho pelo também ex-corinthiano Everton Santos. O Tricolor Carioca não melhorou. Mas, como atacava um pouco mais, marcou com Dodô, aos 16 da segunda etapa, após belo passe de Washington - um dos raros momentos de qualidade da dupla. A melhor chance do Atlético Mineiro veio com Petkovic, em escanteio cobrado na trave. Muito pouco. Somália ainda teve tempo para desperdiçar boas chances. O segundo tempo da equipe de Cuca não foi animador, porém eficiente. Justamente o que o Fluminense mais necessita. Já o Galo manteve a rotina de maus resultados longe de casa. Se o objetivo for somente escapar da segundona, o Atlético deve consegui-lo após algum esforço. Lamentável para um clube centenário e de muita tradição.
* O Goiás parece mesmo disposto a alçar vôos maiores. Mais uma boa vitória no Serra Dourada (4.083 pagantes). Dessa vez sobre o Náutico, de Roberto Fernandes, por 3 a 0. O alviverde não precisou nem de boas atuações de Iarley e Romerito - destaques até então. Gols de Paulo Baier, Paulo Henrique e Vítor - por pouco não o coloquei no Cartola FC. E 26 pontos somados, já na 11ª colocação - hoje estaria classificado para a Sul Americana. O Timbu, sem qualquer reação, voltou à zona de rebaixamento. Possuí o pior ataque da competição, com apenas 20 gols marcados. É bom vencer o jogo-chave diante do Fluminense, quarta-feira, nos Aflitos.


















