23 vezes Boca (e o exemplo do Tigre)
A final do Campeonato Argentino (Apertura/2008) foi emblemática por vários pontos.
1. No futebol atual, o mais fraco pode encarar o mais forte, sem medo de ser feliz. Basta não ter medo. Nem precisa ser brilhante. Basta não ser covarde e acreditar.
2. O evento dos vizinhos é tão bom e equilibrado quanto o nosso (ou até mais). Nas últimas 11 ediçòes tivemos seis campeões diferentes (Boca, River, San Lorenzo, Newells, Estudiantes e Lanus).
3. E, se você souber perder, a dor da derrota tem outro sabor, outro significado, outra dimensão. Foi o que fez a brava torcida do Tigre, que perdeu o campeonato mesmo vencendo o Boca por 1 a 0, no El Cilindro, gol de Lazzaro, numa falha patética de Javier Garcia, e, no fim, comemorou seu feito com tanta alegria, entusiasmo e devoção como fizeram os xeneizes do lado azul e amarelo. Foi lindo, arrepiante e inesquecível. Uma lição de civilidade e amor à causa.
E a torcida do San Lorenzo contorce. Se esgoela. Afinal, este placar daria o título ao Ciclón, caso o clube tivesse sofrido um gol a menos na vitória sobre o Tigre ou na derrota para o Boca. O Tigre lamenta, pois está fora da Libertadores. Mas tem muito o que comemorar. É o segundo vice-campeonato do El Matador, time que ascendeu à primeira divisão e manteve 95% do plantel. Para um time limitado, chegar onde chegou, vencendo duas vezes o Boca é histórico. Quase venceu. Talvez não fosse o momento. Mas o bom Diego Cagna, treinador do time de Victória, ainda comemorará muita coisa pela frente. É muito bom treinador.
Mas no fim das contas, valeu a força do Gigante de La Bombonera. Os Xeneizes se abateram com o gol sofrido, na metade da segunda etapa. O goleiro Javier Garcia falhou feio e foi sacado. Riquelme não estava ali para ajudar. Dattolo também não, pois saira no intervalo, machucado. Palacio não se encontrou e foi expulso. Viatri errava tudo. Bem mesmo só Battaglia, Ibarra, Cáceres, um pouco de Cristian Chávez e muito de Morel Rodriguez, o melhor em campo. Como jogou o paraguaio! Como joga! Pena que poucos notam o quanto ele é bom e eficiente.
Após o gol do tanque Lazzaro, a partida ganhou tons fortes de drama. Virou uma epopéia. Quase o Boca amarelou como a cor da camisa. O time sentiu demais o golpe. E talvez não tenha entregue o ouro porque, por mais que seja guerreiro e disciplinado, o Tigre não tem craques. Morel, o do Tigre, não resolve. Luna é muito ruim. Os outros são brigadores. Assim, o Boca se segurou como pôde e saiu campeón. Com certeza, um dos títulos mais dramáticos e comemorados da história xeneize.
Resultados do triangular e classificação final:
1º Boca 3 pts. SG +1
2º Tigre 3 pts. SG 0
3º San Lorenzo 3 pts. SG -1
San Lorenzo 2×1 Tigre
Boca 3×1 San Lorenzo
Tigre 1×0 Boca
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*O San Lorenzo largou na frente no triangular decisivo do Torneio Apertura-08. O Ciclón venceu o Tigre por 2 a 1, no estádio Jose Amalfitani. Em vinte minutos, o time de Miguel Angel Russo mostrou porque é favorito para conquistar o título. Com amplo domínio sobre o adversário, Barrientos e Bergessio marcaram dois gols. Vale destacar a boa participação de Solari durante a partida. Em seguida, o forte calor castigou o Ciclón. Até por causa da vantagem de dois gols, a equipe permitiu a reação do Tigre. Lazarro descontou para o time de Victoria. E foi só. Até que o goleiro Islas perdeu a cabeça no final da partida, ao acertar Barrientos dentro da área. Um desfalque importante para partida decisiva contra o Boca. Mas…
40 anos de espera que valeram a pena. Temos de novo um triangular decidindo o campeão argentino. Usando o linguajar comum pra campeonatos paulistas, dois grandes e um pequeno vão brigar em igualdade de condições pelo presente de natal mais cobiçado dos últimos anos.
E se elenco for o mais importante nessas horas decisivas, podem entregar o caneco pro San Lorenzo. Indiscutivelmente eles têm o plantel mais completo e qualificado de todo o Apertura. Sem contar que terminaram o torneio com o melhor ataque e a melhor defesa. Só que mesmo com Barrientos, Ledesma, Solari, Bergessio e cia., o Ciclon não foi capaz de manter a vantagem de 5 pontos que teve no meio do campeonato, quando todos os outros achavam que tudo estava perdido. Claro que nos últimos 3 jogos, o time de Miguel Angel Russo apresentou uma constância interessante. Mas por ser um time que goleia o Independiente com a mesma facilidade que empata em casa com o Gimnasia, se torna uma incógnita.
Falando de irregularidade é impossível não lembrarmos do Boca comandado pelo Ischia. Foi o visitante mais indesejado do semestre, mas como mandante deixou a desejar. 3 derrotas em casa, uma delas pro adversário direto Tigre. Por conta disso, o time xeneize não era muito cotado para essa luta por título até o meio do campeonato. Tudo isso mudou depois da vitória no Superclásico. Uma seqüência de vitórias, somada a tropeços dos rivais colocou de volta o Boca Juniors nessa disputa equilibrada. O que credencia o Boca nesse triangular é seu ataque, comandado por Riquelme. Outro que não começou bem o semestre, mas agora desequilibra com a mesma naturalidade de sempre. Mas Roman terá um desafio pela frente: fazer o ataque xeneize compensar os erros da atrapalhada defesa. Isso sem contar dos erros do técnico Ischia, erros esses que precisariam de um blog inteiro pra que eu pudesse citá-los um por um. Mesmo que disfarcem, essa volta olímpica representa sim o próspero ano novo do time de La Bombonera além de aliviar um pouco a cabeça ainda a prêmio do controverso treinador careca.
Quanto ao Tigre esse título está longe de ser uma obrigação. Os torcedores de Victória já têm muito a agradecer ao Cagna por mais essa campanha brilhante, mas não achariam ruim se viesse o título inédito. O artilheiro Morel, autor do gol que levou o Tigre a esse triangular, é a arma definitiva para assustar hinchas de San Lorenzo, Boca Juniors e Estudiantes. Estudiantes? Exatamente, afinal a classificação para a Libertadores do time de Verón depende do fracasso do Tigre. Fracasso esse que fica mais difícil de imaginar quando se lembra que Daniel Islas, melhor arqueiro do campeonato, agarra pelo time de Cagna. Os confrontos diretos também pesam a favor dos “pequenos”. Venceram na Bombonera e no Nuevo Gasômetro, e agora que jogam em campo neutro, teoricamente será ainda mais fácil pra que repitam essa façanha.
No Brasileirão, 8 rodadas atrás, 4 times tinham chance de sair campeões nacionais. De fato o campeonato mais equilibrado e emocionante dos últimos tempos, porém no final ninguém segurou o São Paulo, e na última rodada o título já estava direcionado. Frustração do apaixonado por futebol que esperava mais. Frustração essa que passa longe dos hinchas argentinos.
Golearam ontem o Independiente por 4×1. A destacar não só dessa linda vitória, mas também desse semestre do Ciclón eu exalto a fase maravilhosa do Barrientos, o jogo firme do Ledesma, e a boa volta de Solari ao futebol argentino. Retorno esse que teve direito a gol ontem contra os Rojos. Ótima chance do Russo se vingar do time que o despediu. Enfrentarão o Argentinos em La Paternal.
O 4° candidato encarava essa possibilidade como um sonho por causa da distância de pontos, mas hoje ainda existe a chance do Lanus conseguir o segundo título seguido do Apertura. Jose Sand, artilheiro do campeonato com 15 gols, está lá pra meter medo nos três líderes. E apesar de ter dois pontos a descontar, encara o rival mais fraco. San Martin, em casa.
Victor Canedo
Talvez inspirado pelas presenças de Robinho e Pelé nos camarotes, o Santos pressionou desde o início. A retranca mexicana facilitou o trabalho do time de Emerson Leão. Só não ajudou Ochoa, sempre seguro. Mas os primeiros 45 minutos terminaram sem gols. Trípodi, herói da classificação na fase de grupos, entrou no lugar de Wesley. Mais pressão. Kleber Pereira sofreu um pênalti discutível. Não marcado. O tempo corria. Então, Leão aderiu o tudo ou nada. Quiñonez no lugar de Betão. Um minuto depois, o equatoriano participou do gol. De quem? Claro, Kleber Pereira. Contudo, o sufoco até o final nada valeu. A revanche de 2007 estava consumada.
* Venceu o melhor time. Pelo menos a LDU se apresentou como tal nos confrontos diante do San Lorenzo. Mas o fim da história poderia ter sido outro. Orión, que já havia falhado no gol da Liga em Buenos Aires, não alcançou chute de Manso. 1 a 0. A equipe argentina, com um a menos, sofria pressão no abarrotado Estádio Casablanca. Bergessio, herói da classificação diante do River Plate, achou o gol de empate. O técnico Ramón Diaz, então, resolveu segurar o resultado. A pressão foi ainda maior. Oportunidades perdidas inacreditavelmente. Mas a vaga estava guardada. Nas penalidades, Cevallos defendeu a cobrança de Aurelliano Torres. O “grupo da morte” marca presença nas semifinais com total justiça.


