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23 vezes Boca (e o exemplo do Tigre)

Ter, 23/12/08
por Lédio Carmona |

alento.jpgA final do Campeonato Argentino (Apertura/2008) foi emblemática por vários pontos.

1. No futebol atual, o mais fraco pode encarar o mais forte, sem medo de ser feliz. Basta não ter medo. Nem precisa ser brilhante. Basta não ser covarde e acreditar.

2. O evento dos vizinhos é tão bom e equilibrado quanto o nosso (ou até mais). Nas últimas 11 ediçòes tivemos seis campeões diferentes (Boca, River, San Lorenzo, Newells, Estudiantes e Lanus).

3. E, se você souber perder, a dor da derrota tem outro sabor, outro significado, outra dimensão. Foi o que fez a brava torcida do Tigre, que perdeu o campeonato mesmo vencendo o Boca por 1 a 0, no El Cilindro, gol de Lazzaro, numa falha patética de Javier Garcia, e, no fim, comemorou seu feito com tanta alegria, entusiasmo e devoção como fizeram os xeneizes do lado azul e amarelo. Foi lindo, arrepiante e inesquecível. Uma lição de civilidade e amor à causa.

bocadeamarelo.jpgE a torcida do San Lorenzo contorce. Se esgoela. Afinal, este placar daria o título ao Ciclón, caso o clube tivesse sofrido um gol a menos na vitória sobre o Tigre ou na derrota para o Boca. O Tigre lamenta, pois está fora da Libertadores.  Mas tem muito o que comemorar. É o segundo vice-campeonato do El Matador, time que ascendeu à primeira divisão e manteve 95% do plantel. Para um time limitado, chegar onde chegou, vencendo duas vezes o Boca é histórico. Quase venceu. Talvez não fosse o momento. Mas o bom Diego Cagna, treinador do time de Victória, ainda comemorará muita coisa pela frente. É muito bom treinador.

Mas no fim das contas, valeu a força do Gigante de La Bombonera. Os  Xeneizes se abateram com o gol sofrido, na metade da segunda etapa. O goleiro Javier Garcia falhou feio e foi sacado. Riquelme não estava ali para ajudar. Dattolo também não, pois saira no intervalo, machucado. Palacio não se encontrou e foi expulso. Viatri errava tudo. Bem mesmo só Battaglia, Ibarra, Cáceres, um pouco de Cristian Chávez e muito de Morel Rodriguez, o melhor em campo. Como jogou o paraguaio! Como joga! Pena que poucos notam o quanto ele é bom e eficiente.

lazzaro.jpgApós o gol do tanque Lazzaro, a partida ganhou tons fortes de drama. Virou uma epopéia. Quase o Boca amarelou como a cor da camisa. O time sentiu demais o golpe. E talvez não tenha entregue o ouro porque, por mais que seja guerreiro e disciplinado, o Tigre não tem craques. Morel, o do Tigre, não resolve. Luna é muito ruim. Os outros são brigadores. Assim, o Boca se segurou como pôde e saiu campeón. Com certeza, um dos títulos mais dramáticos e comemorados da história xeneize.

Resultados do triangular e classificação final:

Boca 3 pts. SG +1

Tigre 3 pts. SG 0

San Lorenzo 3 pts. SG -1

San Lorenzo 2×1 Tigre

Boca 3×1 San Lorenzo

Tigre 1×0 Boca

Boca, sempre Boca

Sáb, 20/12/08
por Lédio Carmona |

golboca.jpgValeu muito a pena. Mesmo com o calor de matar, na cabine-solitária do El Cilindro. Um belo jogo. Que merecia muito mais do que os 27 mil pagantes, máximo aceito pela AFA com medo de novas badernas na reta final do Apertura-2008. As duas torcidas deram um show. Cânticos irreverentes, históricos, vulgares… Tinha de tudo. Havia história. Emoção. Paixão. O argentino ama o futebol com toda as suas forças e devoção latina.

Uma bandeira gigantesca do Boca, toda amarela, chamou a atenção. Os cuervos do San Lorenzo achavam que seria possível jogar, vencer e terminar o ano do centenário com um título. Não deu. De novo, o Boca foi certeiro, frio, calculista e brilhante num jogo decisivo. E, com atuação mais cerebral do que plástica, venceu o clássico por 3 a 1, eliminou o Ciclón e ficou a um empate (terça, no mesmo local, contra o Tigre), do título.

golpala.jpgAgora, o Boca pode até perder por um gol de diferença para oTigre para conquistar o vigésimo terceiro título argentino da história do clube. Riquelme e Vargas, suspensos, não jogam. Devem entrar Cristian Chavez e Gracián ou Álvaro Gonzalez. O Tigre, por sua vez, terá que vencer o Boca por dois de diferença para erguer a taça pela primeira vez. Vale ressaltar que o surpreendente Tigre bateu o Boca, na Bombonera, ainda na primeira fase (3 a 2).

O jogo foi equilibrado no primeiro tempo. Mas o Boca sempre foi mais frio do que o San Lorenzo. Um adversário ansioso demais e nervoso além da conta (foram 12 cartões amarelos, para os dois times, e duas expulsões (Aguirre e Bergessio, ambos do Ciclón), a cada minuto que passava mais pressionado pela necessidade de vencer para matar o campeonato. Até que veio momento dramático. Forlin e Silvera bateram cabeça. Ambos desmaiaram no gramado. Pensou-se no pior, Houve desespero. A tragédia, graças a Deus, não se consumou, mas deixou o clima em campo ainda mais pesado.

golriq.jpgNa tensão, o Boca foi ainda mais frio. E, nos acréscimos do primeiro tempo, Riquelme bateu corner e Viatri, na primeira trave, fez 1 a 0, de cabeça. No segundo, o San Lorenzo foi com tudo, Mas continuou com as pernas pesadas e a cabeça fraca, sem controle psicológico. Mas veio um golpe de sorte, Um chute despretensioso passou debaixo das pernas de Javier Garcia. Frangaço, Como acontecera, no mesmo local, por Migliore, também do Boca, no jogo contra o Fluminense, pela Libertadores.

O San Lorenzo não aproveitou a maré boa. Seguiu repleto de erros. E o Boca não desandou. Seguiu defendendo-se bem e a explorar contra-ataques. Que ficaram ainda mais fortes quando Palácio substituiu Figueroa. Assim, aos 31 min, veio o golpe fatal. Lançamento de Javier Garcia para o ótimo Dattolo. A matada de bola foi impecável, assim como a inversão de bola para Riquelme, do lado direito. O craque só ajeitou, de primeira, para a entrada de Palácio: 2 a 1. O San Lorenzo estava aniquilado. Perdeu Aguirre. Perdeu Bergessio, E levou o terceiro gol, com Cristian Chávez.

Venceu o melhor, o mais seguro, o mais inteiro e o mais bem preparado, dos pés a cabeça. Ganhou, como quase sempre, o Boca.

Buenos Aires, 36 graus

Sex, 19/12/08
por Lédio Carmona |

sino.jpgEstar em Buenos Aires é sempre muito bom. Mesmo quente demais, como agora. Algo que varia entre 32 e 36 graus. Moleques se refrescam no chafariz da Avenida 9 de Julho. A cerveja Quilmes não gela como deveria. O povo fala mal de Cristina Kirchner. A Calle Florida transborda de gente em busca das últimas compras natalinas. O bife de chouriço continua bom, mas é mais pesado agora. Comprei um alfajore e estava meio derretido. Buenos Aires é muito melhor no inverno. Mas não dá para desprezar a capital dos argentinos. Ainda mais na véspera do jogo do ano, razão pela qual estamos por aqui.

Amanhã, 18h30, El Clindro, cancha do Racing, em Avellaneda, a 25 minutos do centro da capital. Trata-se do segundo jogo pelo triangular decisivo que parou o país. San Lorenzo x Boca Juniors. Ciclón x Xeneizes. Todos falam do duelo. Até quem é River Plate e só lamenta a humilhação de ter sido lanterna de um evento nos quais seus rivais chegaram fortes e terminam mais fortes. A atmosfera de um clássico decisivo em Buenos Aires é arrepiante.

- Mas como? Jornalistas brasileiros aqui para acompanhar nossa final? Vocês vieram mesmo para isso? - pergunta um torcedor do Boca, barrigudo, na esquina de Calle Florida com Avenida Córdoba, um dos pontos mais populares da capital.

alfajor.jpgPor que não? Sem futebol no Brasil, mostrar essa atmosfera para nossos torcedores é algo maravilhoso. Pode estar num estádio lotado, transbordando de emoção e adrenalina, é algo que, com 23 anos de profissão, ficará marcado. Acompanharemos um capítulo da história do futebol argentino. E o torcedor brasileiro, que curte futebol de verdade, nos acompanhará.

bife.jpgO jogo vale muito. Se o San Lorenzo vencer, leva o título, pois venceu o Tigre (2 a 1) na abertura do trinagular. Se empatar, o Boca ficará perto do título. Bastará vencer o Tigre na próxima terça. Se ganhar, um empate será suficiente. Todos os elementos para um jogo dramático.

empamada.jpgDois times saturados. Jogarão no sacrifício. O San Lorenzo aposta em Barrientos e Bergessio, mas o time vem de duas partidas decisivas (e amanhã, mais uma) em menos de uma semana. É demais. Terá pernas para resistir, matar o campeonato e provar porque é o único time argentino com mais vitórias do que o Boca? Quem sabe?

O Boca, sempre calculista e apaixonantes, que tem Riquelme, motivado, mas jogará com Cáceres, Dattolo e Morel Rodriguez no bagaço. Os três longe de estarem plenamente recuperados de suas respectivas lesões.

quil.jpgÉ um cenário empolgante. Me dói saber que meu pai não verá mais esse capítulo da minha vida atrás de histórias da bola. Mas me conforta saber que, de algum lugar, ele valorizará esse momento, que só ele pôde me proporcionar. Me deixa ainda mais feliz ter mais histórias para um dia contar para meu filho. Me fortalece saber que, com minha família, darei prosseguimento ao legado ético e romântico do meu inesquecível pai.

De novo, verei a história.

Às vezes, faz bem chorar.

E sentir saudade.

Mesmo no calor.

Él gran Ciclón

Qua, 17/12/08
por Lédio Carmona |

*O San Lorenzo largou na frente no triangular decisivo do Torneio Apertura-08. O Ciclón venceu o Tigre por 2 a 1, no estádio Jose Amalfitani. Em vinte minutos, o time de Miguel Angel Russo mostrou porque é favorito para conquistar o título. Com amplo domínio sobre o adversário, Barrientos e Bergessio marcaram dois gols. Vale destacar a boa participação de Solari durante a partida. Em seguida, o forte calor castigou o Ciclón. Até por causa da vantagem de dois gols, a equipe permitiu a reação do Tigre. Lazarro descontou para o time de Victoria. E foi só. Até que o goleiro Islas perdeu a cabeça no final da partida, ao acertar Barrientos dentro da área. Um desfalque importante para partida decisiva contra o Boca. Mas…

…o Tigre precisa torcer pelo rival Boca Juniors. A equipe de Ischia terá que vencer o San Lorenzo. Em seguida, o time de Cagna ainda teria que vencer os xeneizes e conferir se terá melhor saldo de gols para ser campeão. A tarefa não será nada fácil.

Enquanto isso, para o título ficar nas mãos do San Lorenzo, basta vencer o Boca Juniors no sábado, às 18h30. E a pressão estará toda do lado de Riquelme & Cia.

Colaborou Carlos Gustavo

O presente de natal mais cobiçado

Ter, 16/12/08
por Lédio Carmona |

Rodrigo Vasconcelos

40 anos de espera que valeram a pena. Temos de novo um triangular decidindo o campeão argentino. Usando o linguajar comum pra campeonatos paulistas, dois grandes e um pequeno vão brigar em igualdade de condições pelo presente de natal mais cobiçado dos últimos anos.

E se elenco for o mais importante nessas horas decisivas, podem entregar o caneco pro San Lorenzo. Indiscutivelmente eles têm o plantel mais completo e qualificado de todo o Apertura. Sem contar que terminaram o torneio com o melhor ataque e a melhor defesa. Só que mesmo com Barrientos, Ledesma, Solari, Bergessio e cia., o Ciclon não foi capaz de manter a vantagem de 5 pontos que teve no meio do campeonato, quando todos os outros achavam que tudo estava perdido. Claro que nos últimos 3 jogos, o time de Miguel Angel Russo apresentou uma constância interessante. Mas por ser um time que goleia o Independiente com a mesma facilidade que empata em casa com o Gimnasia, se torna uma incógnita.

Falando de irregularidade é impossível não lembrarmos do Boca comandado pelo Ischia. Foi o visitante mais indesejado do semestre, mas como mandante deixou a desejar. 3 derrotas em casa, uma delas pro adversário direto Tigre. Por conta disso, o time xeneize não era muito cotado para essa luta por título até o meio do campeonato. Tudo isso mudou depois da vitória no Superclásico. Uma seqüência de vitórias, somada a tropeços dos rivais colocou de volta o Boca Juniors nessa disputa equilibrada. O que credencia o Boca nesse triangular é seu ataque, comandado por Riquelme. Outro que não começou bem o semestre, mas agora desequilibra com a mesma naturalidade de sempre. Mas Roman terá um desafio pela frente: fazer o ataque xeneize compensar os erros da atrapalhada defesa. Isso sem contar dos erros do técnico Ischia, erros esses que precisariam de um blog inteiro pra que eu pudesse citá-los um por um. Mesmo que disfarcem, essa volta olímpica representa sim o próspero ano novo do time de La Bombonera além de aliviar um pouco a cabeça ainda a prêmio do controverso treinador careca.

Quanto ao Tigre esse título está longe de ser uma obrigação. Os torcedores de Victória já têm muito a agradecer ao Cagna por mais essa campanha brilhante, mas não achariam ruim se viesse o título inédito. O artilheiro Morel, autor do gol que levou o Tigre a esse triangular, é a arma definitiva para assustar hinchas de San Lorenzo, Boca Juniors e Estudiantes. Estudiantes? Exatamente, afinal a classificação para a Libertadores do time de Verón depende do fracasso do Tigre. Fracasso esse que fica mais difícil de imaginar quando se lembra que Daniel Islas, melhor arqueiro do campeonato, agarra pelo time de Cagna. Os confrontos diretos também pesam a favor dos “pequenos”. Venceram na Bombonera e no Nuevo Gasômetro, e agora que jogam em campo neutro, teoricamente será ainda mais fácil pra que repitam essa façanha.

Pra que o hermano blogueiro possa se agendar, ai vai a relação dos jogos:
17/12: Tigre x San Lorenzo, às 18h30 no José Amalfitani (Vélez)
20/12: San Lorenzo x Boca, às 18h30 no Cilindro de Avellaneda (Racing)
23/12: Boca x Tigre, às 21h30 (a confirmar) no Cilindro de Avellaneda (Racing)

Quanto aos campos neutros, não concordo. Vai acabar acontecendo aquilo que presenciei no Bezerrão. A torcida maior, no caso argentino a do Boca, estará em maior número, e ai a neutralidade vai pro espaço. Mas tentar argumentar sobre mudança de regras com seu Júlio Grondona… Melhor não se aborrecer.

Fato mesmo é que, como os jogos vão até o dia 23, certamente na listinha de natal dos jovens torcedores argentinos, estará no topo o seguinte pedido: Papai Noel, quero o título do Apertura 2008.

Rodrigo Vasconcelos é brasileiro, amante de futebol e atende por Jacaré Argentino.

Pontos corridos, 4 finais

Qua, 10/12/08
por Lédio Carmona |

Rodrigo Vasconcelos

Na Trave

No Brasileirão, 8 rodadas atrás, 4 times tinham chance de sair campeões nacionais. De fato o campeonato mais equilibrado e emocionante dos últimos tempos, porém no final ninguém segurou o São Paulo, e na última rodada o título já estava direcionado. Frustração do apaixonado por futebol que esperava mais. Frustração essa que passa longe dos hinchas argentinos.

Longe de mim querer comparar os dois campeonatos ou dizer que o Campeonato Argentino é melhor que o Brasileirão, antes que me entendam mal. Mas a emoção que esperavam no torneio brazuca transborda na última rodada do Apertura 2008. Quatro times tem chances de volta olímpica, e três deles estão empatados na liderança. E pra por mais lenha na fogueira, a famigerada regra que decidiu a edição de 2006: não existe critério de desempate pra definir o campeão. Se empatar, é jogo extra!

Só que se perguntarem pelas ruas de Buenos Aires se os torcedores estão felizes com esse equilibrio, 50% dos entrevistados mais um responderão que não. Isso porque o Boca tinha tudo pra já sair campeão nesse Domingo, só que no meio do caminho tinha uma pedra, ou melhor, um Lobo.

A equipe com a melhor defesa conseguiu segurar o empate em casa e com isso a diferença xeneize de dois pontos pros adversários se foi. Foi dificil pro Gimnasia, mesmo numa tarde pouco inspirada de Juan Roman Riquelme. Mas ficou facil quando foi expulso o guarani Morel Rodriguez, e pra terminar de ajudar o time da casa, Carlos Ischia insistia em Alvaro Gonzalez jogando pela esquerda no lugar de Dátolo, mesmo com uma avenida disponível do lado direito do ataque xeneize.

Pro próximo jogo do Boca, Riquelme inspirado agora é mais que necessário, é vital pra salvar o ano. O adversário será o Colón na Bombonera. Será também a chance de provar que os auriazuis podem vencer sem ajuda dos árbitros, como tanto reclamam os rivais (pra vocês verem que choro com juizes não é privilégio daqui).

Quem sabe bem como é perder a liderança num momento crucial é o San Lorenzo. Chegaram a ter 5 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, e 8 de “gordura” pro rival de La Boca. Mas agora fizeram com que eles provassem de seu próprio remédio, voltando pra briga quando ninguem acreditava.

Golearam ontem o Independiente por 4×1. A destacar não só dessa linda vitória, mas também desse semestre do Ciclón eu exalto a fase maravilhosa do Barrientos, o jogo firme do Ledesma, e a boa volta de Solari ao futebol argentino. Retorno esse que teve direito a gol ontem contra os Rojos. Ótima chance do Russo se vingar do time que o despediu. Enfrentarão o Argentinos em La Paternal.

Dentre as 4 equipes na briga, de longe a mais feliz é a comandada pelo ex-ídolo xeneize, Diego Cagna. Mas apesar de não ser tradicional, não é de hoje que o Tigre vem buscando esse caneco. Em 2007 foi vice com o mesmo treinador. Só que dessa vez eles estão mais forte do que quando surpreenderam a Argentina. Se não têm mais Ferrero, contam com a solidez defensiva do também ex-Boca, Rodolfo Arruabarrena, e com os gols dos artilheiros Claudio Morel e Carlos Luna.

E pra que ninguem duvidasse de que “el Matador” segue vivo, ganharam fora de casa, e de virada, por 3×2. A vítima foi o Rosário Central, um dos lanternas desse Apertura. Já imaginaram o modesto Tigre na Libertadores? Torcida dos rivais de Boca e San Lorenzo pra isso não faltará e pra isso o Banfield precisa ser batido.

O 4° candidato encarava essa possibilidade como um sonho por causa da distância de pontos, mas hoje ainda existe a chance do Lanus conseguir o segundo título seguido do Apertura. Jose Sand, artilheiro do campeonato com 15 gols, está lá pra meter medo nos três líderes. E apesar de ter dois pontos a descontar, encara o rival mais fraco. San Martin, em casa.

Não só a nível nacional, mas no mundo inteiro não me lembro de ver tal situação. Confesso que me encaixo na metade +1 citada acima, mas como um simples apaixonado pelo esporte, nunca me senti tão feliz e ansioso pra saber: Quem será o campeão argentino? Será que tudo se decide na última rodada ou teremos jogos extras? Quem dera que Domingo já fosse amanhã…

E pra quem sentiu falta do River nessa briga, experimentem procurar na outra ponta da tabela que encontrarão os Millonarios.

Rodrigo Vasconcelos é brasileiro, amante de futebol e atende por Jacaré Argentino.

Lutar em vão

Qui, 22/05/08
por Lédio Carmona |

Victor Canedo

É um sentimento ruim. Na Vila Belmiro, os 20 mil torcedores presentes sentiram-se impotentes. O Santos lutou, mas não conseguiu vencer a retranca mexicana e Ochoa. O árbitro uruguaio Jorge Larrionda ainda se atrapalhou. E, no fim, passou o América, time do baixinho Cabañas - dessa vez vigiado de perto por Marcelo e Fabão. Que falta fez o gol mal anulado de Kleber Pereira, semana passada, no estádio Azteca.

Talvez inspirado pelas presenças de Robinho e Pelé nos camarotes, o Santos pressionou desde o início. A retranca mexicana facilitou o trabalho do time de Emerson Leão. Só não ajudou Ochoa, sempre seguro. Mas os primeiros 45 minutos terminaram sem gols. Trípodi, herói da classificação na fase de grupos, entrou no lugar de Wesley. Mais pressão. Kleber Pereira sofreu um pênalti discutível. Não marcado. O tempo corria. Então, Leão aderiu o tudo ou nada. Quiñonez no lugar de Betão. Um minuto depois, o equatoriano participou do gol. De quem? Claro, Kleber Pereira. Contudo, o sufoco até o final nada valeu. A revanche de 2007 estava consumada.

Leão, apesar de exagerado, teve razão ao reclamar da arbitragem. Mas um time que almeja um título da Copa Libertadores não deve simplesmente lutar. Gol perdido no mata-mata deveria ser crime. E o Santos cansou de cometê-los. O Campeonato Brasileiro está aí. E a concorrência é ainda maior.

* Venceu o melhor time. Pelo menos a LDU se apresentou como tal nos confrontos diante do San Lorenzo. Mas o fim da história poderia ter sido outro. Orión, que já havia falhado no gol da Liga em Buenos Aires, não alcançou chute de Manso. 1 a 0. A equipe argentina, com um a menos, sofria pressão no abarrotado Estádio Casablanca. Bergessio, herói da classificação diante do River Plate, achou o gol de empate. O técnico Ramón Diaz, então, resolveu segurar o resultado. A pressão foi ainda maior. Oportunidades perdidas inacreditavelmente. Mas a vaga estava guardada. Nas penalidades, Cevallos defendeu a cobrança de Aurelliano Torres. O “grupo da morte” marca presença nas semifinais com total justiça.

Mais uma noite de El Fofito

Qui, 15/05/08
por Lédio Carmona |

caba.jpgO Santos perdeu para o América, no Azteca, por 2 a 0, dois gols de Cabanãs, o El Fofito paraguaio. Por que o Santos perdeu para o America? Primeiro, pelo fato de os mexicanos terem feito uma atuação bastante correta. Segundo, por que os brasileiros não jogaram absolutamente nada. Coisa nenhuma. Time apático, sem força ofensiva, sem meio e com uma defesa terrível, notadamente Fabão, que errou demais e tomou pique em velocidade de Cabanãs e do seu, digamos, corpinho. No fim, o Santos melhorou um pouco, fez pressão no fim e teve um gol, de Kleber Pereira, muito mal anulado por Hector Baldassi e seu assistente argentino. 

Enfim, deu América (2 a o), mas ainda acho que o Santos pode reverter na Vila. Difícil é. Mas, se o Santos não me empolga, muito menos é esse América quadradinho que me pega. Redondo, ali, só o talento de Ochoa e a bola de Cabañas.

* San Lorenzo 1 x LDU. Que pasa, hermanos! Tá tudo esquisito!

Hora do divã

Qui, 08/05/08
por Lédio Carmona |

marquess.jpgNo jogo do divã, Atlético Mineiro e Botafogo empataram em 0 a 0, no Mineirão, no jogo de ida pelas quartas-de-final da Copa do Brasil. Foi mais ou menos para os dois. E justo no fim. O Botafogo foi melhor no primeiro tempo, mas não soube concluir, como na bola chutada por Fábio no travessão. O segundo foi do Galo, que se fartou em errar o alvo. Mas, numa boa, 0 a 0 em Copa do Brasil é um resultado estranho. Para quem empatou em casa, é ruim por razóes óbvias. Para que empatou fora, pode ser ruim se empatar de novo, com gols, em casa. Traiçoeiro… E, sinceramente, os dois alvinegros mostraram que ainda precisam de mais algumas sessões de análise após os traumas da últimas semanas. 

almagro.jpg* Catimba, expulsões e gols. Ingredientes de um clássico não faltaram para o empate em 2 a 2 entre River Plate e San Lorenzo, que classificou o Ciclón para as quartas-de-final da Taça Libertadores – enfrentará a LDU. Isso porque a equipe de Diego Simeone vencia a partida por 2 a 0 (Abelairas e Abreu) e jogava com dois jogadores a mais - Rivero e Botinelli foram expulsos. Mas, no ano de seu centenário, o time de D’Alessandro reagiu. Em apenas três minutos, Bergessio marcou duas vezes para empatar. O San Lorenzo vem de incríveis 9 vitórias consecutivas no Clausura. Pode pintar surpresa por aí. E o River, de novo, ficou pelo caminho.

leao.jpg* O Santos foi passear em Cúcuta. Diante de um adversário irreconhecível, mesmo dentro de casa, o Peixe, de Emerson Leão, jogou com autoridade impressionante e passou como quis (Kleber Pereira e Lima) fizeram os dois primeiros gols. O Santos, apesar de não ter um timaço, cresce e mostra maturidade na hora certa. Só mostra o quanto é competente Emerson Leão, apesar do seu gênio, digamos, indomável. E agora enfrentará o América do Mexico, contra quem, na minha opinião, é favorito. E acabou o encanto do Cúcuta. Faz sentido.


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