Cinco times na luta pelo título. Para não cair, os envolvidos são sete. O Brasileirão-2008 está aberto. E só deverá ser resolvido nas duas últimas rodadas. Na trigésima rodada foram marcados 25 gols, com média de 2,5 por partida. Muitos empates (5 no total). Apenas duas vitórias de mandantes e três de visitantes.
Embaixo, a briga está mais indefinida do que em cima. A situação mais dramática é a do Vasco, lanterna, que, hoje, precisaria de pelo menos duas rodadas e um combinação de resultados para sair do G4 do mal.
Em cima, cinco candidatos em momentos diferentes. O Grêmio lidera, mas, com apenas oito pontos, entre setembro e outubro, é o time que menos tem rendido. Flamengo e Cruzeiro, com cinco vitórias e duas derrotas, são os melhores nesses período. Bom lembrar que a Raposa tem dois confrontos diretos (só ela joga dois, em casa, contra Grêmio e Flamengo). Depois, São Paulo, quatro vitórias e três empates, mas com a maior invencibilidade (10 partidas), enquanto o Palmeiras seria o quarto(três vitórias, três empates e só uma derrota). Quem será campeão? Sei lá…
* Que jogo no Palestra Itália! O melhor do Brasileirão-2008. Bem disputado, com belos lances, tensão, guerra tática e, claro, evidente, óbvio, a polêmica não poderia ficar de fora. Vale lembrar que a bola cabeceada por Alex Mineiro não cruzou toda a linha no gol do Rogério Ceni. Outro fator a ser destacado são as expulsões de Borges e Diego Souza. Me pareceu exagerado. Um cartão amarelo para cada um, no meu entender, seria mais cabível. Mas pelo menos Sálvio Fagundes Espíndola tomou uma posição. Melhor do que nada. O plantão já deve ter sido acionado no STJD…
Ah, sim, o resultado. O empate de 2 a 2 foi bom para o Palmeiras, que perdia por 2 a 0, parecia abatido e se recuperou em dois iluminados minutos (gols de Kleber e Dagoberto, contra). No máximo, razoável para o São Paulo. Não dá para considerar bom um placar final de empate para um time que fez 2 a 0 no primeiro tempo e parecia firme no segundo (Rogério Ceni, após pênalti inútil de Leo Lima, e Dagoberto marcaram). Mas, pelo menos, o São Paulo manteve o quarto lugar, a um ponto do Flamengo, e pela segunda semana seguida fica no G4. E poderia ter ido mas longe se Hernânes não perdesse gol inacreditável no minuto final.
Primeiro tempo melhor para o São Paulo, mais organizado e jogando nos (muitos) erros do Palmeiras. No segundo, o Choque-Rei se equilibrou. Ainda no primeiro tempo, Vanderlei Luxemburgo tirou um zagueiro Maurício e pôs um meia Evandro para suprir a perda de Diego Souza. Depois, sacou um volante e lançou Denílson, um atacante. E, melhor de tudo, liberou-se de Leo Lima e arrumou a proteção aos zagueiros, com Pierre. E o empate, até mesmo com um pouco de sorte, foi conseguido, resultado que faz o Palmeiras ficar bem colocado, mas uma posição abaixo. Era segundo. Agora é terceiro.
Enfim, pode não ter sido bom para A, B, ou C. Mas foi excelente para quem gosta de futebol. Jogaço! E ainda dizem que não tem jogo bom no Brasileirão.
* No Mineirão, resultado excepcional para o Cruzeiro. A vitória por 2 a 0 foi merecida. E o Atlético não repetiu o feito na última rodada e sucumbiu diante da Raposa. Aliás, em 2008 os clássicos contra o maior rival precisam ser apagados pelo Galo. De cinco jogos, quatro triunfos para a equipe celeste.
Méritos para o Cruzeiro. Soube se impôr desde o primeiro minuto. E o Atlético apenas assistia o passeio azul. Para ter uma noção, aos 12 minutos de jogo a equipe de Adílson Baptista havia concluído oito vezes ao gol, enquanto que o Galo não havia arriscado nenhuma vez. Com esta avalanche celeste, a equipe de Marcelo Oliveira, praticamente, desistiu de atacar, e ficou recuada.
E o castigo veio no final do primeiro tempo. Fernandinho, que substituía Wagner, tocou com precisão para Jonathan abrir o placar. Porém, o alvinegro voltou para o segundo tempo com uma modificação ousada: Marcelo Oliveira sacou Denílson e colocou Raphael Aguiar. É fato que o time melhorou, mas o lado esquerdo ficou comprometido. E foi deste lado que saiu a jogada, que acabou em pênalti para o Cruzeiro. Guilherme cobrou e marcou. E o Cruzeiro, com este jeito mineirinho de ser, sem fazer alarde, já é o 2º colocado.
* O pior clássico da tarde foi disputado no Maracanã. 37.074 torcedores pagaram para ver um jogo horroroso entre Vasco e Flamengo. Terrível. Sucessão de passes errados, lances individuais grotescos, poucas chances de gol. E, claro, quando um jogo como esse não termina em 0 a 0 só tem outra fórmula de resultado. Adivinhe qual? 1 a 0, com um gol de contra. Melhor para o Flamengo, que fez o placar magro, graças à oferta de Jorge Luís, o zagueiro que é ruim, mas que muita gente em São Januário (até mesmo torcedores) jura que é bom. Pois é… Aí está. Jorge Luís prestou mais um serviço à comunidade vascaína.
Com o resultado, o Flamengo encosta de novo no G4. Está a um ponto do São Paulo, quarto colocado. E, como ficou a quatro do líder Grêmio, tem, sim, chances razoáveis até de brigar pelo título. Mas precisa jogar mais. Hoje foi mal, muito mal. De novo, a defesa cometeu erros (Fábio Luciano foi expulso no início do segundo tempo), o meio de campo continua inoperante e o ataque não funcionou, apesar da menção honrosa para Obina, que brigou muito no lance do gol. Mas, definitivamente, quem deseja ser campeão não pode ser dominado por uma equipe tão fraca quanto a do Vasco. Foi o que aconteceu no segundo tempo.
O Vasco, diante de suas limitações, até que fez uma atuação razoável e corajosa. Quis jogo, lutou, se esforçou. Mas, de novo, perdeu uma partida por culpa dos erros individuais de alguns jogadores. De Jorge Luís, já falei. Jonílson, outro que vive sendo poupado por muitos vascaínos, errou o passe que resultou no contra-ataque do Flamengo no lance fatal. Madson corre, corre, corre e pouco faz de prático. Baiano, Valmir… É duro. Fernando quase empatou de cabeça. Mas Bruno fez um milagre. Enfim, o Vasco perdeu seu 17º jogo no campeonato. Ninguém foi derrotado tantas vezes. E, agora, de volta à lanterna, o clube está a quatro pontos do primeiro time na zona do rebaixamento. Ou seja, o que era difícil ficou ainda mais. Dramático. Triste. Desalentador. Impossível, não é. Mas é difícil ter esperanças.
* Tropeço do Grêmio no Canindé. Um primeiro tempo razoável do Grêmio contra a Portuguesa, de Celso Roth. No segundo tempo, a partir da saída de Rafael Carioca, lesionado, os gaúchos se perderam totalmente. Orteman entrou mal e o time perdeu o meio de campo. Aí, não teve jeito. Ediglê, de cabeça, e o ótimo Edno mataram a partida. O Grêmio, dos cinco que lutam pelo título, é o que o menos somou pontos entre setembro e outubro (8, com apenas duas vitórias, dois empates e três derrotas). Se manter essa média, não será campeão. Trata-se de uma questão matemática. Mas a vantagem ainda é boa…
E a Portuguesa voltou a encaixar sob comando de Estevão Soares. Agora, nas duas próximas rodadas, dois confrontos decisivos. Nos Aflitos, contra o Náutico. No Canindé, contra o Ipatinga. Aí, nesses confrontos, a Lusa decidirá sua vida.
* Em pleno horário de verão, o calor de Salvador castigou os jogadores de Fluminense e Vitória. O empate por 2 a 2 foi ruim para as duas equipes. Para a equipe baiana porque jogava em casa e caiu para a 10ª colocação, se afastando do G4. Para o tricolor carioca porque poderia sair de campo com os três pontos e fora da zona da degola, se não fosse tantas oportunidades desperdiçadas - e se não fosse o braço de Leonardo Silva impedindo o segundo gol de Washington. Detalhe que o árbitro Leandro Pedro Vuaden estava muito próximo do lance e não marcou.
A equipe de Vágner Mancini não consegue atuar da mesma forma como foi o primeiro turno do Brasileirão, quando foi uma das sensações do campeonato. E depois da chegada do Renê Simões, o Fluminense evoluiu. Boas atuações de Washington, premiado com o gol, e de Thiago Silva, que voltou da Seleção e foi decisivo, com participação ativa nos dois gols tricolores. Aliás, que bomba acertou o zagueiro.
* Na Ilha do Retiro, uma partida igual. Sport e Náutico não venciam há quatro partidas. E as duas equipes não deixaram de atacar em nenhum minuto. Talvez por isso o empate por 2 a 2 foi merecido. O primeiro tempo foi de correria, com oportunidades para ambos concluírem ao gol. O alvirrubro saiu na frente com Gilmar. Mas como o rubro-negro não desistiu do ataque, foi premiado com a virada do placar. No início da 2ª etapa, já vencia por 2 a 1. E o Náutico no mesmo ritmo empatou logo em seguida. A partir daí, o clima na Ilha ficou tenso. As faltas começaram a ser destaque na partida. E o empate foi decretado. A equipe de Roberto Fernandes segue fora da degola, na 15ª colocação, mas ainda não pode relaxar. E Nelsinho Baptista mesmo com a Libertadores garantida, precisa definir o esquema da equipe. Porque a cada rodada, Carlinhos Bala é escalado de forma diferente.
* Coritiba e Goiás tinham tudo para sair do Couto Pereira com os três pontos. Por isso, precisando do resultado positivo para alcançar o G4, as duas equipes partiram para o ataque. Romerito, sempre eficiente, marcou o dele. Aliás, o gol foi válido, já que o atacante, mesmo impedido, não recebeu o passe de Paulo Baier. O lance prosseguiu para, depois, Romerito concluir bem e abrir o placar. No segundo tempo, o Coxa foi premiado com o empate, depois de muita insistência. Méritos para Keirrison, que foi inteligente ao deixar Felipe chutar para igualar a partida. Depois do gol sofrido, Hélio dos Anjos apostou no contra-ataque. O Coxa pressionava. Mas a falta de pontaria nas finalizações foi essencial para que as duas equipes ficassem apenas no empate por 1 a 1, bem distantes do tão sonhado G4.
Artilheiro: Kléber Pereira (Santos) - 20 gols
Confira a classificação da Série A
Agenda da 31ª rodada: 22/10, às 22h - Goiás x Vasco. 23/10, às 20h30 - Grêmio x Sport; São Paulo x Vitória; Flamengo x Coritiba. 25/10, às 16h - Ipatinga x Botafogo; Fluminense x Palmeiras; Santos x Figueirense; Atlético-MG x Internacional; Atlético-PR x Cruzeiro; Náutico x Portuguesa.