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Incontestável

Dom, 17/08/08
por Lédio Carmona |

17gremio.jpgDa mesma maneira que a alma despeitada do brasileiro tripudia dos resultados dos nossos atletas em Pequim, fazemos de tudo para botar para baixo quem merece elogios e uma melhor observação no Campeonato Brasileiro. Mas não. Preferimos simplificar, com nossas mentes obtusas, a vitória do Grêmio sobre o São Paulo por 1 a 0, no Olímpico (40.256 pagantes), gol de Perea, sob o simplório ponto de vista de que o lance decisivo do colombiano foi marcado em impedimento e que, dessa maneira, os gaúchos ganharam graças à arbitragem. Simplesmente patético.

O Grêmio ganhou do São Paulo por 1 a 0, gol de Perea, de fato, impedido, porque jogou melhor. Porque tem um meio de campo muito melhor do que o do adversário. Porque tem uma defesa tão boa quanto a do São Paulo, no ano passado, e que só levou 12 gols em 20 jogos. Por que tem um goleiraço. Porque tem William Magrão, volante que poucos dão valor, mas que corre o campo inteiro, marca e chega na frente. Porque tem um time disciplinado taticamente, que não joga bonito, mas sabe o que precisa para vencer, ou, no mínimo, chegar perto da vitória. Por tudo isso, o Grêmio ganhou um jogo chatíssimo, disputado num gramado encharcado, mas que, mesmo no cenário ruim, teve o vencedor correto.

O Grêmio não perde desde o dia 6 de julho. São 12 jogos invictos no Brasileiro. Venceu os últimos cinco jogos, dois deles fora de casa. O que o torcedor exigente quer mais? Ah, esqueci que o Grêmio tem o ataque mais positivo (36 gols) e é o time que mais ganhou (13). Eficiência ofensiva, sem ter um artilheiro brigando nas primeiras posições. Sinal de que o jogo é coletivo. Ainda não convenci vocês? Então, para fechar, com 73% de aproveitamento, o Grêmio precisará, segundo meus cálculos, de ganhar 50% dos pontos que tem a disputar para ser campeão. Nada mal para um time que não convence a tanta gente…

* O São Paulo? Esse sim, por mais que respeite e admire sua história e seu ótimo treinador, jamais me convenceu em 2008. Espirrou do G4 após perder uma partida da qual jamais deu pinta de que reagiria. Terá que jogar muito mais para jogar a Libertadores em 2009. Ainda dá? Claro que sim. Mas do jeito que está, não dará.

Há casamentos que, antes mesmo de serem consumados, davam pinta de que poderiam ter final feliz. Eu, pelo menos, sempre achei que Ney Franco tinha caixa para dar jeito no Botafogo. E que a Estrela Solitária poderia fazer do treinador um sujeito satisfeito com a relação. Não deu outra. Desde que houve o “sim” entre as duas partes, os alvinegros jogaram 10 partidas no Brasileirão. Ganharam 7, empataram 2 e só perderam 1 (São Paulo, no Morumbi). São cinco vitórias seguidas, a quinta hoje, na Ilha do Retiro, contra o Sport (1 a 0, gol de Jorge Henrique). E, vejam só, Ney Franco e o Botafogo dormirão os próximos dias no G4 (4º, com 34 pontos). Lua de mel mais do que perfeita.

* Sobre o jogo, confesso que já vi o Botafogo, de Ney Franco, jogar mais. Mas, como também já observei o Sport, de Nelsinho Baptista, funcionar melhor, ganharia quem marcasse primeiro. Foi o Botafogo, com Jorge Henrique. Pois é: quando a fase é boa, até Jorge Henrique acerta o gol. Que fase. Que amor. Que momento…

* Jogo duríssimo no Parque Antarctica (15.210 pagantes). É muito bem arrumado e treinado esse Coritiba, de Dorival Junior. Controla o jogo, não se desespera, sabe ficar com a posse de bola, e arrisca bem nos contra-ataques. Mas é duro fazer resultado na casa do Palmeiras. Lá, em 10 partidas, o time de Vanderlei Luxemburgo venceu nove. Hoje foi a nona: 1 a 0, gol de Alex Mineiro, de cabeça, na reta final da partida. Quando tudo parecia ainda mais difícil, pois os anfitriões jogavam com 10 (Fabinho Capixaba foi expulso). Mas veio o gol de Alex Mineiro. E, com ele, os três pontos.

O problema é que a equipe não tem regularidade. Fora de casa é um fracasso (30% de aproveitamento). Por isso está a sete pontos do Grêmio (3º, com 37). Mas o fator-campo lhe garante uma vaga no G4. Se o Palmeiras terá força para ir além, deixemos para responder mais à frente. Com a atual irregularidade, será difícil. Já o Coxa segue em oitavo, com 32. Uma ótima campanha para um clube que (está na cara) tem organização, planejamento e bom-senso.

* O empate invariavelmente é ruim para ambos. O Flamengo, no entanto, não tem do que se queixar depois do ponto conquistado (2×2) diante do Santos, na Vila Belmiro (15.359 pagantes). Saiu ganhando, aos sete minutos, num lance isolado - e sortudo - de Léo Moura. E só. Passou o resto do primeiro tempo acuado, sem opções ofensivas. Inclua aí Marcelinho Paraíba, apagado em sua estréia- talvez pela falta de ritmo. Não à toa Bruno foi o grande destaque da partida, mesmo com os dois gols de Kleber Pereira. A expulsão de Cristian no segundo tempo só reforça a satisfação rubro-negra ao conquistar o empate com o mesmo Léo Moura, de pênalti - estupidamente cometido por Domingos.

A lamentar a grave contusão sofrida pelo jovem promissor Maikon Leite. E, claro, a péssima fase santista. Já são quatro jogos sem vitória e quinze rodadas na zona de rebaixamento. Enquanto o time de Caio Júnior, mesmo sem vencer, manteve os dois pontos e distância do G4. E terá Juan de volta contra o Grêmio, no jogão de quinta-feira, no Maracanã.

* Tita deve estar querendo uma estátua em São Januário (5.387 pagantes). Ele conseguiu fazer com que a pavorosa defesa do Vasco jogasse bem contra o Internacional. Quase não falhou. O meio de campo esteve bem, principalmente Alex Teixeira e Madson. E o ataque, bem ou mal, sempre funcionou.

Soma-se tudo isso, ao bizarro lance de Clemer, que cometeu uma das furadas mais ridículas da história octogenária de São Januário, e chegamos à goleada de 4 a 0 do Vasco sobre o Internacional (Bolivar, contra, Edmundo, Eduardo Luís e Jean). Após três domingos sendo surrado, chegou o dia de o Vasco dar a sua coça! E foi de jeito. Tão forte que o tirou da zona do rebaixamento (15º, com 22). Que aproveite a fase e o bom astral de Tita para sair do buraco de vez por todas.

O Internacional cheio de novos jogadores é uma confusão só. Falta entrosamento, falta ritmo de jogo para os novos, como Daniel Carvalho e D´Alessandro, falta força física, falta liga com Tite. Infelizmente, o Internacional tem muitos bons jogadores, mas ainda não tem um time. Se terá um time a tempo de levá-lo à Libertadores, só um trabalho rápido e bem-feito garantirá. Eu, sinceramente, não acredito mais.

* A primeira etapa no Maracanã (12.666 pagantes) mostrou porque Fluminense e Atlético Mineiro habitam a parte debaixo da tabela há tantas rodadas. Passes errados a esmo, total falta de criatividade, faltas bobas… O tempo demorava a passar. Cuca então trocou o apagado Eduardo Ratinho pelo também ex-corinthiano Everton Santos. O Tricolor Carioca não melhorou. Mas, como atacava um pouco mais, marcou com Dodô, aos 16 da segunda etapa, após belo passe de Washington - um dos raros momentos de qualidade da dupla. A melhor chance do Atlético Mineiro veio com Petkovic, em escanteio cobrado na trave. Muito pouco. Somália ainda teve tempo para desperdiçar boas chances. O segundo tempo da equipe de Cuca não foi animador, porém eficiente. Justamente o que o Fluminense mais necessita. Já o Galo manteve a rotina de maus resultados longe de casa. Se o objetivo for somente escapar da segundona, o Atlético deve consegui-lo após algum esforço. Lamentável para um clube centenário e de muita tradição.

* O Goiás parece mesmo disposto a alçar vôos maiores. Mais uma boa vitória no Serra Dourada (4.083 pagantes). Dessa vez sobre o Náutico, de Roberto Fernandes, por 3 a 0. O alviverde não precisou nem de boas atuações de Iarley e Romerito - destaques até então. Gols de Paulo Baier, Paulo Henrique e Vítor - por pouco não o coloquei no Cartola FC. E 26 pontos somados, já na 11ª colocação - hoje estaria classificado para a Sul Americana. O Timbu, sem qualquer reação, voltou à zona de rebaixamento. Possuí o pior ataque da competição, com apenas 20 gols marcados. É bom vencer o jogo-chave diante do Fluminense, quarta-feira, nos Aflitos.

Colaborou Victor Canedo

Tchau

Sex, 15/08/08
por Lédio Carmona |
categoria Palmeiras

Acabou a novela Valdívia. O meia chileno despede-se do Palestra Itália para defender o Al Ain, dos Emirados Árabes. Os valores? € 8 milhões (R$ 19 milhões). Muito boa venda do Palmeiras. Depois de dois anos promissores, o “El Mago” teve um 2008 para lá de irregular. E mostrou imaturidade em inúmeros casos. Não à toa levou nove cartões amarelos em 16 jogos no Campeonato Brasileiro. Valdívia não poderia ter saído em momento melhor. Mas vai sumir. E não duvido que volte no fim do contrato.

Cielo, o craque da noite

Qua, 13/08/08
por Lédio Carmona |

Numa noite de Gre-Nal movimentado em Porto Alegre, e da vitória do Vasco em São Januário às moscas, foi um jovem nadador de 21 anos que brilhou. O nome dele é César Cielo, medalhista de bronze nos 100m livre. Pouco importa para nós o fato de Alain Bernard ter se recuperado do revezamento há duas noites e conquistado o ouro. Ou Eamon Sullivan decepcionado com a prata. Jason Lezak, detentor do menor tempo da história no 100m livre - porém não computado como recorde mundial -, ainda empatou com o nosso prodígio. E, como disse na emocionante declaração: que venha o ouro nos 50m livre.

* Gre-Nal reúne quase sempre os mesmos ingredientes: poucos gols, jogo pegado, e principalmente, equilibrado - o que não quer dizer que é uma fórmula ruim. Assim como no primeiro turno do Campeonato Brasileiro, Grêmio e Internacional saíram de campo com um empate. No Beira-Rio (28.921 presentes), 1 a 1. Daniel Carvalho, de pênalti, - primeiro gol no retorno ao Colorado - e Léo - único titular do Tricolor Gaúcho - marcaram na segunda etapa.

O fator casa e o time titular já deveriam ser o suficiente para uma vitória dos comandados de Tite. Mas a fase não é boa. Poucas chances reais de gol foram criadas - Rosinei, Índio… D’Alessandro teve estréia apenas regular. E a defesa quase reserva do Grêmio só foi furada pelo pênalti cometido em Guiñazu. Preocupante para o Internacional não só o fato de não ter vencido - o empate soa como uma derrota -, mas por novamente não encaixar o seu jogo, ainda que sem Nilmar e Alex. Já a equipe de Celso Roth sai satisfeitíssima com o resultado conquistado pelos reservas. Joga por um empate sem gols ao lado de sua torcida. E embalado para mais uma final antecipada diante do São Paulo, domingo, no Olímpico.

* Reservas do Vasco contra os reservas do Palmeiras. Assim começou a Sul-Americana para esses dois representantes brasileiros. Tinha Madson de um lado; Elder Granja, do outro. E até que jogo, disputado num São Januário às moscas, foi razoável. Aberto, franco e divertido. Equilibrado no primeiro tempo, com leve superioridade do Palmeiras: 1 a 1 nessa parte, gols de Allan Kardec e Jefferson. No segundo tempo, o Vasco melhorou, o Palmeiras parou de jogar e, com justiça, o time de Tita fez 3 a 1, gols de Matheus e Madson, de pênalti. Agora, na volta, em São Paulo, o Vasco pode perder até por um gol de vantagem que estará classificado. Será que o Palmeiras terá fora (e vontade) para reverter?

Em tempo: creio que o jogo serviu para Tita distribuir gente boa para o meio de campo do Vasco. Matheus, melhor jogador em campo, Bruno Gallo e Madson fizeram ótima partida. Vale a pena insistir com o trio.

Colaborou Victor Canedo

Eles não aprendem

Ter, 12/08/08
por Lédio Carmona |

Confesso que não consigo entender. A Copa Sul-Americana oferece 75 mil dólares por jogo aos seus participantes. O campeão, além das cotas, ganha mais 1 milhão de dólares. E o que faz a maioria dos nossos clubes, amparada por seus iluminados cartolas? Desdenha do evento e enche de reservas suas equipes.Começa hoje para os brasileiros. Na Arena da Baixada, titulares do Atlético Paranaense contra um misto do São Paulo.

Amanhã, em Porto Alegre, reservas do Grêmio contra o principal do Internacional.

Botafogo e Atlético Mineiro devem usar o que têm de melhor, descontados os desfalques, amanhã, no Engenhão.

E o Vasco, o Super-Vasco, aquela máquina cheia de craques, vai com reservas (!?!?!?) contra o Palmeiras, em São Januário.

Se o time principal já é ruim, imagine o que será reserva!

Se o Vasco tem uma fagulha de chance de ganhar algo em 2008 seria a Sul-Americana. Pelo jeito, dirigentes e comissão técnica não entenderam isso.

Confesso que não entendo a lógica desse pessoal.

Aí, quando chegarmos em dezembro, e com cara triste observamos festa de argentinos ou mexicanos, todos com os bolsos cheios, faremos cara de arrependimento.

Não tem jeito. Todo ano é a mesma ladainha.

Os convincentes

Qui, 07/08/08
por Lédio Carmona |

Parece nome de filme. E é. Noite de complemento da 18ª rodada sem muitos gols, mas com vitórias pra lá de agradáveis. Foram 27 redes balançadas, alguns bons públicos e muito bom futebol, principalmente nesta quinta-feira. Cruzeiro, Palmeiras e Botafogo só ratificaram a ótima fase. Os dois primeiros estão cada vez mais fixos no G4, enquanto o alvinegro definitivamente chegou para brigar. E o mais importante: convencem um público sempre exigente. Vamos aos jogos:

* Carlos Alberto conseguiu a proeza de ser expulso aos 25 minutos de jogo. Apenas mais um desafio cumprido da melhor forma possível pelo Botafogo de Ney Franco. Túlio – belíssimo gol – e Thiaguinho marcaram na vitória diante do Figueirense, fora de casa, por 2 a 1, no Orlando Scarpelli (8.570 pagantes). Rafael Coelho descontou. Na medida para um time de meio de tabela, como é o Figueirense de Paulo César Gusmão. Ney Franco, ao contrário, possuí ambições. Com 13 pontos nos últimos 15 disputados, o alvinegro carioca já pode dizer que chegou. Atuais dois pontos o separam do São Paulo, quarto colocado, com 30. A destacar grande melhora da zaga botafoguense, hoje segura com Renato Silva e André Luís. Um gol sofrido nas últimas cinco partidas. E a última rodada do turno promete: Botafogo x Palmeiras, no provavelmente lotado Engenhão. Eu é que não perco mais um grande jogo deste Campeonato Brasileiro.

* Nem a chuva, nem o bem armado Vitória. Nada pôde atrapalhar mais uma noite de futebol vistoso e eficiente do Palmeiras, no Palestra Itália (18.190 pagantes). 3 a 0. Gols de Valdívia, Alex Mineiro e Sandro Silva. Resultado que, além de manter o alviverde na briga pelo título – agora quatro pontos atrás do Grêmio, deu ao time de Vanderlei Luxemburgo o melhor ataque da competição, com 32 gols. Mas o grande destaque do time tem sido os volantes Sandro Silva e Jumar. Duas contratações nada badaladas que deram retorno. Ainda há Pierre e Léo Lima para atuar na posição. É na base do equilibrado elenco que o Palmeiras não se distancia. E parece ter reservado uma vaga no grupo dos quatro primeiros. Tirá-lo dali não será nada fácil. Já o Vitória não resistiu a uma semana atípica – Grêmio e Palmeiras fora de casa. Duas derrotas que o afastam, por ora, do G4. Mas Vagner Mancini faz um ótimo trabalho. Ontem, a zaga, desfalcada, bateu cabeça. Embora a frente com Marquinhos, Ramon e Dinei continue sempre perigosa. Que o Vasco se cuide no próximo domingo.

* O Cruzeiro teve apenas mais dificuldade que o Palmeiras. Temporária. Até Fábio, quando o placar apontava 1 a 0, buscar pênalti bem cobrado por Nilmar. O Mineirão (30.861 presentes) estava em êxtase. A Raposa, com Gerson Magrão, vencia merecidamente. Possuía mais volume de jogo e chances em relação a um Internacional privado de criatividade – Alex, Daniel Carvalho e D’Alessandro estiveram de fora. Sorondo, contra, aumentou a vantagem azul celeste logo no início da segunda etapa. Aí ficou fácil para a equipe de Adílson Baptista administrar. O jogo melhorou. Na frente, o ataque cruzeirense desperdiçava oportunidades, enquanto Fábio, em grande noite, salvava as esporádicas chances do Colorado. E olha que Wagner e Ramires estiveram de fora. Hoje, coloco minha mão no fogo pelo Cruzeiro. Ainda não faço o mesmo pelo time de Tite, que ainda deve boas atuações – em especial fora de casa. Mas é muito cedo para excluí-lo do páreo. E, no domingo, a previsão é de estréias no Beira-Rio, contra o Figueirense.

* Roberto Fernandes está de volta ao Náutico. Conseguirá nova reação – assim como em 2007? O tempo dirá. A certeza é que terá de extrair o máximo do fraco elenco do Timbu.

Colaborou Victor Canedo

Brasileirão às avessas

Dom, 03/08/08
por Lédio Carmona |

Foi a rodada dos visitantes. Seis vitórias, contra apenas quatro dos mandantes. Não houve empate. No total, 32 gols, com média de 3,2 por partida. Rodada que mudou a cara do Brasileirão, de cima para baixo. Em cima, o Grêmio confirmou o primeiro lugar, com Cruzeiro em 2º e, finalmente, dois paulistas no G4 - Palmeiras e São Paulo. O Vitória foi para quinto e o Flamengo, sem vencer há seis jogos, despencou para sexto, a sete pontos do Grêmio. No fundo, Santos, Fluminense e Ipatinga seguem aboletados na zona do rebaixamento, agora na companhia do Atlético Paranaense, que não merece time tão fraco. Segue o resumo do domingão:

* O Grêmio não perde desde a 9ª rodada. Hoje, na 17ª, nada mais natural que seja o líder. Incontestável, por sinal. Em mais um confronto direto, o Tricolor Gaúcho fez o dever de casa diante do Vitória, no abarrotado Olímpico. Triunfo que só veio com a ajuda do ótimo goleiro Victor – defesa épica em cabeçada de Anderson Martins -, quando o time de Celso Roth já vencia por 1 a 0, com William Magrão – achei falta no lance. Vale destacar o belo lançamento de Rafael Carioca para Perea tocar levemente na trave, ainda na primeira etapa. Souza, em sua estréia, também lançou. E Reinaldo não desperdiçou. Resultado que só reforça a superioridade do Grêmio. Melhor ataque, com 30 gols; melhor defesa, com 12; mais vitórias, 10; menos derrotas, 2. Números de um forte favorito ao título. Ao contrário do Vitória, de Vagner Mancini. Desfalcado de Ramón e Willians, a derrota de hoje era aceitável, embora decisiva. E enfrenta outro adversário direto na quinta-feira – Palmeiras. Há qualidade suficiente para cobiçar uma vaga na Libertadores. O título, pelo visto, é demais para o Leão do Barradão.

* O marasmo rubro-negro continua. Para mais de 37 mil pagantes no Maracanã, o Cruzeiro voltou a aprontar das suas e, pela melhor fase que vive, venceu o Flamengo, de virada, por 2 a 1. Sem ter o que fazer com o setor ofensivo, Caio Júnior testou apenas Obina como atacante, e pôs o jovem Erick Flores em campo. Como era de se esperar, não deu resultado. A Raposa não foi brilhante na primeira etapa, mas dava trabalho a Bruno. Vandinho e Diego Tardelli entraram como solução. O primeiro marcou em sua estréia. Mas o Flamengo, perdido, sofreu a virada num intervalo de quatro minutos. Guilherme – que fase vive o garoto! – e Rômulo, livre, marcaram para o Cruzeiro. Fábio Luciano, já no fim, expôs a real situação do Flamengo ao ir para o ataque desesperadamente. E o rubro-negro acumula seis jogos sem uma vitória sequer – sete pontos atrás do líder Grêmio. Há menos de um mês o clube era referência com cinco pontos de vantagem. Esse é o cíclico futebol. Mas para voltar a vencer, Caio Júnior precisa não só reanimar o time, como encaixar as poucas peças que possuí. E torcer por mais contratações – principalmente no setor ofensivo, fragilizado ainda mais com a perda de Tardelli, no mínimo fora por três meses. A vinda de Vandinho ainda é muito pouco para quem almeja(va) o título.

Já o time de Adílson Baptista é só alegria. Três ótimas vitórias consecutivas mantiveram a Raposa na vice-liderança, com 33 pontos. E hoje nem precisou de Wagner, que deixou o gramado lesionado ainda na primeira etapa – não preocupa. Se o Cruzeiro não me convencia há algumas rodadas, aos poucos me faz acreditar que o título é possível. Embora necessite de Ramires – cobiçado agora pelo Werder Bremen.

 

* No início parecia que não daria liga. Ali pela sétima rodada, a sensação é de que não haveria nem namoro. O flerte recomeçou depois da décima. E o início da relação começou hoje. O São Paulo, enfim, conquistou o G4. No Morumbi, 4 a 0 em cima do limitadíssimo, confuso, desunido e mal escalado Vasco, que, pelo segundo domingo consecutivo, levou uma goleada capaz de envergonhar o mais crente e utópico dos vascaínos.

O jogo nunca foi difícil para o São Paulo. O time de Muricy Ramalho foi melhor o tempo todo. André Lima, o estreante, fez 2 a 0 no primeiro tempo. Dois gols polêmicos, ambos num breve impedimento. Lances difíceis de serem vistos. Na dúvida, pró-ataque. Assim eu entendo essas situações. Mas, evidentemente, vai ter gente se enganando e dizendo que o Vasco perdeu por culpa disso. No segundo tempo, após Antonio Lopes tirar Madson e oferecer Allan Kardec para os vascaínos, Rogério Ceni ensinou a bater falta e pênalti: 4 a 0. Massacre anunciado e justo. Sem choro nem vela. O São Paulo está no G4. E o Vasco está a dois pontos do rebaixamento. Doloroso…

* Fácil. O Botafogo nem precisou se esforçar para vencer o Atlético Paranaense, por 3 a 0, em plena Arena da Baixada (16.966 pagantes). Lúcio Flávio, Jorge Henrique e Túlio marcaram ao cantos de “olé” da torcida rubro-negra. Os três, ao lado de Diguinho, têm sido os destaques do ótimo time armado por Ney Franco, que já soma 25 pontos - apenas cinco abaixo do G4. Embora ainda falte algum matador – casos dos empates com Santos e Flamengo, e na derrota para o São Paulo. Mas é um time que cria - privilégio de poucos nesta competição. Se mantiver o ritmo, por que não sonhar com uma vaga na Libertadores? Quem paga o pato é Roberto Fernandes, virtualmente desempregado. O Furacão em sua pior fase no campeonato, na 17ª posição, com 17 pontos. Até que ponto vale à pena investir na estrutura, e, conseqüentemente, abandonar os investimentos no time?

* Longe de apresentar um futebol satisfatório, o Palmeiras jogou o suficiente para vencer o Ipatinga, no Ipatingão, por 2 a 1. Valdívia deixou a polêmica de lado e marcou os dois do alviverde. Alex Mineiro poderia ter assumido a liderança isolada, mas desperdiçou um pênalti. Mas a zaga palmeirense não poderia passar duas partidas sem sofrer um gol sequer. Adeílston, no fim, descontou. Não fez diferença. Ainda que sem brilho, o Palmeiras volta ao G4 na terceira posição, com 31 pontos. Mas é bom Luxemburgo torcer pela volta de Gustavo. Gladstone e Jeci ainda podem atrapalhar as ambições do Palmeiras no Campeonato Brasileiro. Já o Tigre continua segurando a ingrata lanterna. A cada rodada o sonho de permanecer na Série A torna-se cada vez mais utopia.

* Na Vila Belmiro (10.261 pagantes), falou mais alto a irregularidade do Santos. Diante de um Coritiba muito bem organizado, o time de Cuca errou passes demais, esbaldou-se em fazer falta inúteis, ofereceu o contra-ataque ao Coxa e foi derrotado com três gols do ótimo Keirrison. Dois deles em falhas claras do goleiro Douglas. No Santos, destaque apenas para o garoto Maikon Leite, autor do gol, mas que exagerou no individualismo. E, no fim, Kleber, que de novo não jogou nada, pediu desculpas aos torcedores. Fez bem. O Santos, creio, sairá do buraco. Mas a irregularidade atrapalha. Por isso, sonhos são proibidos. Melhor ser prático: escapar do abismo. E ponto final.

* Marcelo Oliveira tratou de apagar mais um incêndio no Atlético Mineiro. Depois da demissão de Gallo na última quinta-feira, o interino comandou a virada do Galo sobre o Sport, por 2 a 1, no Mineirão. Ainda que com dificuldade, o alvinegro faz valer o mando de campo. Roger abriu o placar para o Leão. Perdeu outros tantos gols. E o Atlético Mineiro, com Marques e Gedeon, assumiu a 12ª posição. Nem parece a crise que pintava após a goleada sofrida para o Vasco, com 21 pontos. O Sport, no entanto, caiu para a décima colocação. E não precisa se preocupar com o fantasma do rebaixamento. Muito provavelmente disputará a Libertadores de 2009 na primeira divisão.

Colaborou Victor Canedo

O dono da bola

Qui, 31/07/08
por Lédio Carmona |
categoria Palmeiras

mascara.jpgValdívia fez uma partida razoável contra o Flamengo. Cresceu no início do segundo tempo, quando deu um passe belíssimo para o gol de Sandro Silva. Depois, caiu de novo. Levou um cartão amarelo tolo e estava perto de ser expulso quando foi corretamente substituído por Vanderlei Luxemburgo.

Valdívia, mimado como sempre, saiu magoado, com cara de menino chorão, daqueles que compram a bola e só aceitam brincar com quem não lhe vence nenhuma pelada. Nem ficou no banco. Estava errado. Como quase sempre. Vanderlei Luxemburgo não gostou. E falou coisas certas na coletiva, porém com formato e maneira equivocados. Exagerou. Foi além da conta. E, talvez, tenha perdido de vez um jogador que, na prática e salvo alguns flashes, como o de ontem, parece ter se despedido na final do Campeonato Paulista. Por sinal, o Paulistão é um torneio de segunda categoria, como todos os estaduais, e que costuma transformar em craque apenas bons jogadores. Assim como maus jogadores se tornam medianos graças aos inacreditáveis e inúteis Estaduais.

Enfim, nessa guerra de egos, ninguém ganhou. Luxemburgo foi com tudo para o ataque, mas exagerou e ficou com a defesa exposta. Tática suicida.

Tudo azul

Qua, 30/07/08
por Lédio Carmona |

A quarta-feira não teve muitas novidades. Foram 19 gols em sete jogos (média de 2,7), públicos razoáveis e alguns destaques. A começar pelo novo líder Cruzeiro. Ao menos até as 22h30 de quinta-feira. Para recuperar a liderança, somente a vitória é necessária ao Grêmio. E o campeonato agora tem seis clubes na briga pelo G4. Palmeiras e São Paulo ainda batem na porta. Enquanto o sobe-e-desce prevalece no meio da tabela para baixo. Façam as suas apostas. Vamos às partidas:

* O Cruzeiro voltou a jogar bem. Contra o Náutico, no Mineirão (19.209 pagantes), nada mais natural que a vitória. Em noite de Guilherme, a Raposa fez 4 a 2 – dois em cada tempo - até com certa facilidade no Timbu. O jovem atacante marcou dois – chegou aos nove no campeonato - e deu passe para o de Wagner. Henrique completou. Para o decadente Náutico, Wellington e Geraldo – de pênalti. Por sinal, foi a terceira derrota consecutiva da equipe do técnico Pintado. Do lado cruzeirense, vale destacar a ótima atuação de Marquinhos Paraná – talvez a melhor com a camisa azul celeste. Movimentação, desarmes e até sofreu pênalti…. Só faltou o gol. Mas a zaga ainda vacila. E poderá custar alguns pontos no futuro. Nada que abale a quarta-feira perfeita do Cruzeiro. Dormirá na liderança ao som da canção de ninar. Feliz e sorrindo.

* O Vitória não esteve nos seus melhores dias, mas ainda assim conseguiu o triunfo diante do Atlético Paranaense, no Barradão (13.942 pagantes). Nei, ainda no primeiro tempo – com um gol olímpico, diga-se -, abriu o placar. Marquinhos e Ramón, no finzinho, decretaram a virada do rubro-negro baiano. Em casa, o time de Vagner Mancini é muito difícil de ser batido – sete vitórias e apenas duas derrotas. É outro que dormirá em bons lençóis – ao contrário da famosa expressão -, na vice-liderança, com 29 pontos. Já a situação do Furacão é preocupante. Nem quando a equipe de Roberto Fernandes tem jogado melhor o resultado é positivo. E, com o terrível retrospecto fora de casa – uma vitória e sete derrotas -, pode terminar a rodada na 16ª posição, apenas uma acima da zona de rebaixamento.

* Palmeiras e Flamengo não fizeram uma partida brilhante, como era esperado, no Palestra Itália (26.854 pagantes). Mas a vitória do eficiente Palmeiras, de Vanderlei Luxemburgo – que adora partidas decisivas -, acabou por merecida. O singelo 1 a 0 colocou o alviverde com a mesma pontuação do que o rubro-negro (28 pontos), porém em desvantagem no saldo de gols. A ser comemorada pelos palmeirenses a volta do bom futebol de Valdívia, como pôde ser visto na assistência para o gol do volante Sandro Silva. Aliás, a ótima atuação do outro volante, Jumar, possibilitou os avanços de Élder Granja e Leandro, perigos constantes ao gol de Bruno. Já o Flamengo, de Caio Júnior, até fez Marcos trabalhar. Mas a qualidade ofensiva de outrora simplesmente desapareceu com Marcinho, Souza e Renato Augusto. O rubro-negro completou cinco partidas sem vitória. Quatro dessas sem sequer marcar um gol. Fato mais do que preocupante para quem almeja o título.

* Papéis invertidos no Orlando Scarpelli (12.814 presentes). O empate em 1 a 1 entre Figueirense e São Paulo foi ruim para ambos, que desceram uma posição. Mas o mandante parecia ser o Tricolor Paulista. Talvez pelo fato do gol de Tadeu logo aos 7 minutos para o Figueira. Acuado, resistiu durante mais de uma hora. Encontrava ainda espaços para ameaçar nos contra-ataques. Em um deles, o juiz Evandro Rogério Roman não marcou pênalti de Richarlyson em Edu Sales. Wilson novamente se destacou com boas defesas. Embora nada pudesse fazer no petardo de Hugo, aos 34. Um ponto apenas separa o time de Muricy Ramalho do G4. Já os comandados de Paulo César Gusmão não vivem a melhor fase no campeonato – não vencem desde a 12ª rodada.

* O Botafogo de Ney Franco demonstrou novamente estar em ascensão. No Engenhão (15.798 pagantes), os números são expressivos – seis vitórias, um empate e uma derrota. A última delas conquistada sobre o Goiás, por 2 a 0. Túlio, revelado no alviverde, marcou ambos de fora da área. A defesa mostrou segurança durante boa parte do jogo, enquanto o ataque voltou a apresentar deficiência nas conclusões. Sob comando do treinador mineiro – três vitórias, dois empates e uma derrota -, o elevador alvinegro volta a subir. Já a instável equipe de Hélio dos Anjos nada fez de relevante. O novo revés ocasionou a volta para a zona de rebaixamento. Duas derrotas consecutivas pesam. E a tabela ainda reserva Flamengo e São Paulo no primeiro turno.

* O Santos aproveitou os importantes desfalques do Internacional e conquistou sua primeira vitória fora de casa, no Beira-Rio (19.952 pagantes). Maikon Leite – veloz e habilidoso -, destaque já do último domingo, anotou o único gol da partida. Promete ser, de fato, mais uma das tantas revelações do campeonato. Ponto positivo para Cuca, que depois de ter a demissão recusada, parece ter acertado o time. Tanto que o alvinegro abandonou a zona de rebaixamento. Talvez para não mais voltar. O Colorado, que conheceu sua primeira derrota como mandante, depende exclusivamente de sua força ofensiva. Sem Nilmar e Alex – além de Daniel Carvalho e D’Alessandro sem condições de estréia -, não há muito que Tite possa fazer. O Internacional que eu espero ver ainda não entrou em campo. Mas é bom correr contra o tempo.

* Vitória tranqüila da Portuguesa – fato raro – diante do Fluminense, numa noite de belos gols no Canindé (2.701 pagantes). Conca abriu o placar para o Tricolor, que teve ainda de lutar contra o nervosismo de seus jogadores. Tartá, descontrolado, foi expulso ainda no primeiro tempo, logo após o golaço de Jonas. Muito embora o cartão vermelho de Washington, na segunda etapa, tenha sido exagerado. 11×9. A virada era mera questão de tempo. Não tardou a vir com Preto. Jonas, no fim, fechou o caixão. Renato Gaúcho balança no cargo. Dá a cada jogo a impressão de que o ciclo está para se encerrar. E, há 15 rodadas na zona de rebaixamento, o Fluminense agoniza. Enquanto a Lusa de Valdir Espinoza sobrevive. E amanhecerá na 12ª colocação – subiu cinco posições -, com 19 pontos.

O Jogo Aberto pede desculpas pelo ocorrido durante as partidas de ontem. Tudo reestabelecido em sua normalidade.

Colaborou Victor Canedo

Faltou inspiração

Dom, 27/07/08
por Lédio Carmona |

A 15ª rodada até que não deixou a desejar – foram 28 gols em 10 partidas, um pouco acima da média atual de 2,66 -, mas os dois grandes jogos da rodada – ao menos na teoria - decepcionaram. Grêmio e Palmeiras até podem pôr a culpa na chuva que castigou severamente o Olímpico, mas não há explicações para tantos gols perdidos no clássico carioca. Uma pena que a bola não tenha balançado as redes no Maracanã. Ou mais ainda em Porto Alegre. Embora o Campeonato Brasileiro continue equilibradíssimo. E com qualidade até surpreendente. Vamos às partidas:

* Pressão. Tensão. E nada de gol. Flamengo e Botafogo fizeram um clássico de tempos distintos no Maracanã (35.915 pagantes). O primeiro teve domínio rubro-negro. Já a segunda etapa foi praticamente absoluta alvinegra. Em comum as inúmeras chances desperdiçadas ou salvas pelas respectivas defesas. Íbson, Maxi, Obina, Cristian, Éder, Wellington Paulista, Jorge Henrique, Carlos Alberto, Lúcio Flávio, Diguinho… Personagens para heróis não faltaram. O problema já é de conhecimento geral. Logo o gol, êxtase do futebol, impedido por quem deveria fazê-lo. A equipe de Caio Júnior carece de reforços no sistema ofensivo com certa urgência – não duvido que contrate bons jogadores, embora o tempo seja precioso. Não vence há quatro jogos pela tamanha dificuldade de marcar gols. Mas a campanha ainda é muito satisfatória – encontra-se apenas um ponto atrás do líder Grêmio. Já o Botafogo de Ney Franco, apesar da 11ª colocação, dá sinais de melhora a cada rodada. E é candidato a uma boa campanha no segundo turno.

* Tempo ruim refletido no campo alagado do Olímpico (34.062 pagantes). Não sou rígido a ponto de cobrar um grande espetáculo com as situações mais que adversas, mas Grêmio e Palmeiras empataram em 1 a 1 sem muita empolgação. Destaque para o jovem Felipe Mattione, válvula de escape da equipe de Celso Roth durante boa parte do jogo. Foi dele a melhor chance do Tricolor Gaúcho na primeira etapa, ao cabecear na trave. Perea também carimbou a baliza de Marcos. O time de Vanderlei Luxemburgo pouco ameaçou Victor – finalizou para fora as melhores oportunidades. O Grêmio voltou melhor na segunda etapa, mas foi o Palmeiras quem marcou. Alex Mineiro, de pênalti, deixou o seu 10º na competição – artilheiro ao lado de Kleber Pereira. Ânderson Pico não tardou a igualar. E foi só. Resultado que manteve o Tricolor na liderança, com 29, mas afastou o alviverde do G4. Muito embora o empate de hoje deva ser comemorado.

* Fiquei surpreso ao tomar conhecimento do gol do bom Edno, da Portuguesa, aos 3 minutos do segundo tempo – depois de vaias na primeira etapa -, no Morumbi (12.373 pagantes). Sem Diogo, a Portuguesa não deveria ser tão resistente para a equipe de Muricy Ramalho. Mas a zaga são-paulina voltou a falhar. Coube ao trio Hugo-Dagoberto-Éder Luís garantir mais uma vitória para o Tricolor Paulista - maior destaque ao segundo, que além do seu, deu o passe para o do primeiro. E o São Paulo já colou no Vitória – possuí os mesmos 26 pontos do rubro-negro, mas perde no critério de desempate. A Lusa, no entanto, tem qualidade para se livrar da segunda divisão. E faz um jogo de seis pontos na próxima quarta-feira, diante do Fluminense, no Canindé.

* Esperança para o santista. Com autoridade e atuação irrepreensível do garoto Maikon Leite, que sofreu três penâltis e fez a jogada de mais um gol, o Santos massacrou o Vasco por 5 a 2, na Vila Belmiro (10.738 pagantes). Cuca começa a dar jeito ao time. Claro, não dá para ser campeão. Nem para brigar por vaga na Libertadores. Mas dá para sair do sufoco e da zona do rebaixamento, até com certo conforto. O jogo foi resolvido no primeiro tempo. A defesa do Vasco conseguiu ser enganada após arremesso lateral de Kléber. Molina fez 1 a 0. Depois, três pênaltis bobos - falhas de Byro, Edu e Rodrigo Antônio e três gols de Kleber Pereira, agora artilheiro do Campeonato Brasileiro, ao lado de Alex Mineiro, com 10 gols. Para piorar, Thiago foi expulso no lance da terceira penalidade. Assim foi o primeiro tempo: 4 a 1 - Leandro Amaral chegou a descontar, quando o Peixe vencia por 2 a 0.

No segundo, o Santos só administrou e o Vasco até melhorou. Mas sem conseguir assustar, ainda mais com 10. Com um arremedo de time, só conseguiu descontar com um gol sem querer de Madson, após cobrança de falta mal feita, desviada na barriga de Domingo. E, no fim, Maikon Leite passeou de novo e só passou para Molina encher o pé: 5 a 2. Placar que deixa claro o vazio de esperanças para os vascaínos, cada vez mais ensandecidos com a proximidade da zona do rebaixamento. E que deixa os santistas certos de que dias melhores virão. Mas, com todo respeito, também não dá para ter sonhos muito ousados. Apesar da audácia de Maikon leite e da regularidade do ótimo Kleber Pereira.

* O Atlético Mineiro afastou as preocupações após a goleada sofrida no meio de semana. Vitória importantíssima diante do Vitória, no Mineirão (7.099 pagantes), palco ainda invicto para o Galo contra times de fora do estado (só perdeu para o Cruzeiro) – quatro vitórias e três empates. Petkovic, novamente, fez a diferença. O meio campista originou as jogadas dos gols de Marques e Gedeon. Mas o sérvio cansou. E o Vitória cresceu. Porém, só coube o gol curioso de Rodrigão. A equipe de Vagner Mancini permanece no G4, embora a sombra de São Paulo e Palmeiras comece a incomodar. Já o Galo, apesar do elenco limitado, mostrou poder de recuperação. E terá jogo-chave diante do Vasco, em São Januário, na próxima quinta-feira.

* Grande vitória do Sport sobre o Goiás (2×1), no Serra Dourada (6.665 pagantes) – a primeira fora de Recife do rubro-negro no campeonato. O Leão, que parecia desanimado, conquistou o segundo triunfo consecutivo, e já ocupa a 9ª colocação. Júnior Maranhão e Durval – sempre ele – marcaram. Vítor, num petardo, anotou para o alviverde. Que poderia até ter mantido a boa seqüência de resultados, mas a frente com Iarley, Romerito e Alex Terra não funcionou. E deixa o Goiás ainda em alerta. No mais, olho em Moacir, apoiador que fez sua estréia pelo Sport – era destaque do Central. Pareceu-me bom jogador.

* 17.528 torcedores provavelmente se arrependeram de terem pagado o caro ingresso da Arena da Baixada neste domingo. O modorrento empate em 0 a 0 desagradou tanto ao Atlético Paranaense quanto ao Figueirense. O rubro-negro, apesar do empate, subiu duas posições na tabela – 13º, com 17 pontos. Mas esbarrou na total falta de competência de criação. E já há quem peça a cabeça de Roberto Fernandes – a torcida gritou por Geninho. Já o Figueirense, que pouco assustou, manteve-se entre os 10 primeiros, mas encara a pedreira São Paulo na próxima rodada, em casa.

Colaborou Victor Canedo

O líder é o Grêmio

Qui, 24/07/08
por Lédio Carmona |

24perea.jpgPlacar final: 7 x 1. Não é conta de mentiroso. Muito pelo contrário. Verdade pura. O Grêmio herdou a liderança do Campeonato Brasileiro do Flamengo, após nove rodadas, com uma retumbante e irretocável goleada sobre o Figueirense, no Orlando Scarpelli. Atuação perfeita. Marcação adiantada e na pressão, bom passe e velocidade no meio, alas participativos e ataque inspirado. Todo mundo mostrou serviço: Perea fez três gols, Reinaldo outros três e Marcel, um, de cabeça.

Qual é o segredo do Grêmio? Trata-se do equilíbrio e da regularidade. O momento mais brilhante foi hoje, com esse placar sonoro. Mas repare os números. 8 vitórias (Flamengo e Vitória, também), 4 empates e 2 derrotas (Vasco e Botafogo, ambas no Rio). Tem 26 gols (segundo melhor ataque do Brasileirão, com um gol a menos do Flamengo), e a melhor defesa (11 gols sofridos em 14 partidas). E, além de vários jogadores conhecidos, tem pelo menos três que podem ser chamados de revelação: Victor, belo goleiro, Leo, grande zagueiro e que hoje ficou de fora, e Rafael Carioca, meia de qualidade.

24figueira.jpgCelso Roth, com um bom time, mas que ainda carece de um banco mais farto, está por cima. Superou as críticas de sempre e outras tantas, movidas pela intempestiva demissão de Wagner Mancini, em março. E faz mais um trabalho bom. Agora, lhe resta quebrar mais um gelo. A turma da ranhetice, munida de suas pranchetas, gosta de dizer que Celso arranca bem e não fecha o trabalho da mesma maneira. Pode até ser. Mas esse Grêmio tem números que merecem ser respeitados. Números de líder.

24palmeiras1.jpg• Claro, o Palmeiras fez uma boa partida. Jogou fácil, com velocidade, troca de posição e a defesa errou pouco. Mas os equívocos do Santos facilitaram as coisas. Defesa desastrada e meio de campo sem a menor noção de posicionamento. E tudo ficou mais tranqüilo para o mundo verde. Sem forçar, o Palmeiras já vencia por 2 a 0 (Leandro e Alex Mineiro), aos 14 minutos do primeiro tempo. Aos 28 min, Felipe,o jovem goleiro, foi inventar e falhou no terceiro gol, novamente de Leandro.

• Aos 33 min, num lance isolado, Kleber Pereira diminuiu. Aos 38min, Apodi chutou tudo e fez 3 a 2. O Santos se empolgou. Mas… E aí… Nova falha defesa e de Felipe. Gol de Gladstone. Não deve ser fácil tomar gol de Gladstone. No segundo tempo, o Palmeiras só administrou a correria do esquizofrênico primeiro tempo. E nada mais aconteceu, além da expulsão do desconsolado Cuca, é claro. Enfim, o Palmeiras chega pela terceira vez ao G4 – o Cruzeiro espirrou para o quinto lugar. E o Santos completa 10 rodadas na zona do rebaixamento. E, se não tiver paciência e serenidade, será difícil sair dela.

24spo.jpg• Na Ilha do Retiro, a velha dificuldade de Sport e Atlético Paranaense para fazer gol. Saiu unzinho só: de Luciano Henrique. Suficiente para chegar aos 18 pontos e chegar ao 12º lugar. A três posições do Atlético Paranaense, que não faz gol nenhum fora de casa. Dois com cara de meio de tabela. Não deve subir muito. Nem descer. Muito pelo contrário. Duro é que tem gente que se conforma com isso.


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