Mais um Maracanazo. A LDU ganhou a Libertadores. Nos pênaltis. Em quatro cobranças, o Fluminense só fez um gol e permitiu que o instável goleiro Cevallos, que falhou em dois gols tricolores no tempo normal, pegasse três bolas e saísse do Maracanã como herói equatoriano. No tempo normal, de virada, Fluminense 3 a 1. Na prorrogação, 0 a 0. Nas penalidades, LDU 3 a 1. Uma final incrível, marcada pelo imponderável e que terminou de maneira totalmente fora do script. Mas assim é feita a história do futebol. Quase todas são contadas pelo avesso do cenário traçado pelos personagens envolvidos, pelos torcedores e pela mídia.
A LDU é um bom time. Não era a presa fácil que Renato Gaúcho apregoou desde semana passada, quando garantiu por A + B que o Fluminense seria campeão. Tem bons jogadores, como Guerron, Urrutia, Manso, muito embora Washington tenha dito que o craque equatoriano era a Altitude. E não é pequeno, como Gabriel chegou a comentar. Mas, também, a LDU não tem uma equipe que lhe garanta um título da Libertadores sem discussão. Não era para tanto, mas, pragmaticamente, jogou com o regulamento debaixo do bolso desde as oitavas-de-final. Tanto que, na fase do mata-mata, só venceu duas partidas em oito disputadas. E nem tem grupo (muito menos terá em dezembro) para superar o Manchester United, em Yokohama. Mas, com tantas ressalvas, a LDU teve seus méritos. E calou 80 mil tricolores no Maracanã.
E porque calou? Hoje muito mais por erro de postura do Fluminense. E olha que não sou daqueles de justificar derrotas e diminuir vencedores. Por sinal, nós, brasileiros, um dia saberemos respeitar o adversário antes da partidas e, quem sabe, valorizá-los após sermos derrotados, coisa que, diga-se de passagem, tem acontecido com absoluta rotina nos últimos anos. Mas, assim mesmo, continuamos com um injustificável discurso arrogante-ufanista-ingênuo-saudosista.
Mas, de volta ao tema do início do parágrafo anterior… Por que a LDU calou o Maracanã? Não foi por causa do gol de Bolaños, logo aos cinco minutos. Claro que todos sentiram. Os equatorianos jogavam bem. Do meio para frente. Na defesa, porém, estavam mal demais. E o Fluminense, com autoridade, se impôs. Logo aos 11 min, Tiago Neves bateu de fora da área e Cevallos, aquele que se tornaria herói, aceitou.
O jogo prosseguiu do mesmo jeito. Fluminense em cima. LDU perigosa na contra-ataques, ainda mais com o incansável Guerrón. Aos 27 min, um arremesso de lateral de Junior Cesar encontrou Cícero livre. Cruzamento perfeito e outro gol de Tiago Neves. O título parecia a caminho. Ainda faltavam mais de 15 min do primeiro tempo e todo segundo pela frente.
Nada mais aconteceu no primeiro tempo. Ah, sim. Houve um pênalti não marcado em Washington e um impedimento inexistente de Cícero. No segundo tempo, Hector Baldassi e seus dois assistentes erraram ao não validarem gol de cabeça de Bieller (impedimento mal marcado). Voltemos agora à parte final.
Nada mudou. Fluminense em cima. LDU, com personalidade, nos contra-ataques. Veio uma falta na entrada da área. Eram 11 min. Tiago Neves bateu bem. Mas dava para Cevallos chegar na bola. Foi gol. O terceiro. O Fluminense teria mais de 30 min para fazer mais um e ser campeão da Libertadores pela primeira vez. Mas aí o jogo, estranhamente, mudou. A LDU, não, seguiu com a mesma postura perigosa. E o Fluminense diminuiu o ritmo. Talvez tenha achado que o quarto gol surgiria naturalmente. Reduziu a pressão. E permitiu que os equatorianos ficassem com a bola a maior parte do tempo.
Assim, foi-se o segundo tempo. E também a prorrogação. Claro que o Fluminense teve suas chances, como num chute de Dodô por cima e num outro de Tiago Neves, desta vez salvo por Cevallos. Mas a LDU também assustava, tanto que, no último lance da prorrogação, Luis Alberto teve que fazer falta em Guerron e ser expulso. Do contrário, o ala direito entraria com bola e tudo. Tudo foi para os pênaltis e, ali, Cevallos virou herói e pegou as cobranças de Conca, Tiago Neves e Washington. Pela LDU, só Campos errou. E o Maracanã se calou diante da festa inédita dos equatorianos. Fica uma dúvida: o que terá acontecido com o time do Fluminense após ter marcado o terceiro gol? Faltou perna? Sobrou respeito? E resta uma certeza: a LDU é campeã da Libertadores. Para o Fluminense, o caminho agora é único. Campeonato Brasileiro. Não há outra opção.