Formulário de Busca

“Eu não chorei”

Qui, 03/07/08
por Lédio Carmona |

Renato Nogueira

ligarey.jpgÀs dez para as duas da manhã, eu caminhava sozinho por uma Tijuca desolada. Não por gostar de passeios melancólicos, e gosto, mas porque faltavam táxis nesta cidade esquizofrênica que se sonha civilizada ao restringir o uso de carros particulares mas cai na real diante da falta de transporte público. Não é esse o ponto. Eu caminhava sozinho por uma madrugada melancólica e pensava nas crianças que vi chorando. Elas. Eu não chorei. Meu time fez o que foi possível fazer, e a festa foi bonita. Mas para ver assim a vida é preciso saber uma ou duas coisas sobre o tempo, e as crianças ainda não sabem. E choraram um choro inteiro, desiludido, em queda-livre. Hanna era uma delas e estava no nosso grupo. Chorava. Me abaixei e perguntei a ela se podia lhe dar um beijo. Ela fez sim com a cabeça. Beijei e sussurrei: “você ainda vai ver muita coisa boa aqui no Maracanã.”  

Às oito da manhã, acordei sem despertador depois de dormir por quatro horas só. Fui à cama da minha filha. Ela ainda vestia a camisa do Fluminense usada na noite anterior, de torcida pela televisão. Aos sete anos de idade, tinha adormecido durante o jogo. Me deitei ao lado de Maria, que acordou. O bom-dia veio assim: “Papai, estou feliz. O Fluminense ganhou.” 

Sentamos na cama, meu coração doía. Enchi Maria de beijos e de abraços e expliquei as regras do campeonato. Botei Maria no colo e imaginei que a minha filha era também todas as crianças que vi chorando no Maracanã. Ela já não estava feliz. Não sei se agora está. Numa hora qualquer, estará. Feliz e um pouco mais velha.  

E ao beijar duas crianças fiz o que foi possível fazer por todas as que vi chorando no assombroso silêncio do Maracanã. Elas. Eu não chorei.

A história de mais um Maracanazo

Qua, 02/07/08
por Lédio Carmona |

cevallos.jpgMais um Maracanazo. A LDU ganhou a Libertadores. Nos pênaltis. Em quatro cobranças, o Fluminense só fez um gol e permitiu que o instável goleiro Cevallos, que falhou em dois gols tricolores no tempo normal, pegasse três bolas e saísse do Maracanã como herói equatoriano. No tempo normal, de virada, Fluminense 3 a 1. Na prorrogação, 0 a 0. Nas penalidades, LDU 3 a 1. Uma final incrível, marcada pelo imponderável e que terminou de maneira totalmente fora do script. Mas assim é feita a história do futebol. Quase todas são contadas pelo avesso do cenário traçado pelos personagens envolvidos, pelos torcedores e pela mídia.

A LDU é um bom time. Não era a presa fácil que Renato Gaúcho apregoou desde semana passada, quando garantiu por A + B que o Fluminense seria campeão. Tem bons jogadores, como Guerron, Urrutia, Manso, muito embora Washington tenha dito que o craque equatoriano era a Altitude. E não é pequeno, como Gabriel chegou a comentar. Mas, também, a LDU não tem uma equipe que lhe garanta um título da Libertadores sem discussão. Não era para tanto, mas, pragmaticamente, jogou com o regulamento debaixo do bolso desde as oitavas-de-final. Tanto que, na fase do mata-mata, só venceu duas partidas em oito disputadas. E nem tem grupo (muito menos terá em dezembro) para superar o Manchester United, em Yokohama. Mas, com tantas ressalvas, a LDU teve seus méritos. E calou 80 mil tricolores no Maracanã.

tsilva.jpgE porque calou? Hoje muito mais por erro de postura do Fluminense. E olha que não sou daqueles de justificar derrotas e diminuir vencedores. Por sinal, nós, brasileiros, um dia saberemos respeitar o adversário antes da partidas e, quem sabe, valorizá-los após sermos derrotados, coisa que, diga-se de passagem, tem acontecido com absoluta rotina nos últimos anos. Mas, assim mesmo, continuamos com um injustificável discurso arrogante-ufanista-ingênuo-saudosista.

Mas, de volta ao tema do início do parágrafo anterior… Por que a LDU calou o Maracanã? Não foi por causa do gol de Bolaños, logo aos cinco minutos. Claro que todos sentiram. Os equatorianos jogavam bem. Do meio para frente. Na defesa, porém, estavam mal demais. E o Fluminense, com autoridade, se impôs. Logo aos 11 min, Tiago Neves bateu de fora da área e Cevallos, aquele que se tornaria herói, aceitou.

ldu.jpgO jogo prosseguiu do mesmo jeito. Fluminense em cima. LDU perigosa na contra-ataques, ainda mais com o incansável Guerrón. Aos 27 min, um arremesso de lateral de Junior Cesar encontrou Cícero livre. Cruzamento perfeito e outro gol de Tiago Neves. O título parecia a caminho. Ainda faltavam mais de 15 min do primeiro tempo e todo segundo pela frente.

Nada mais aconteceu no primeiro tempo. Ah, sim. Houve um pênalti não marcado em Washington e um impedimento inexistente de Cícero. No segundo tempo, Hector Baldassi e seus dois assistentes erraram ao não validarem gol de cabeça de Bieller (impedimento mal marcado). Voltemos agora à parte final.

Nada mudou. Fluminense em cima. LDU, com personalidade, nos contra-ataques. Veio uma falta na entrada da área. Eram 11 min. Tiago Neves bateu bem. Mas dava para Cevallos chegar na bola. Foi gol. O terceiro. O Fluminense teria mais de 30 min para fazer mais um e ser campeão da Libertadores pela primeira vez. Mas aí o jogo, estranhamente, mudou. A LDU, não, seguiu com a mesma postura perigosa. E o Fluminense diminuiu o ritmo. Talvez tenha achado que o quarto gol surgiria naturalmente. Reduziu a pressão. E permitiu que os equatorianos ficassem com a bola a maior parte do tempo.

tneves.jpgAssim, foi-se o segundo tempo. E também a prorrogação. Claro que o Fluminense teve suas chances, como num chute de Dodô por cima e num outro de Tiago Neves, desta vez salvo por Cevallos. Mas a LDU também assustava, tanto que, no último lance da prorrogação, Luis Alberto teve que fazer falta em Guerron e ser expulso. Do contrário, o ala direito entraria com bola e tudo. Tudo foi para os pênaltis e, ali, Cevallos virou herói e pegou as cobranças de Conca, Tiago Neves e Washington. Pela LDU, só Campos errou. E o Maracanã se calou diante da festa inédita dos equatorianos. Fica uma dúvida: o que terá acontecido com o time do Fluminense após ter marcado o terceiro gol? Faltou perna? Sobrou respeito? E resta uma certeza: a LDU é campeã da Libertadores. Para o Fluminense, o caminho agora é único. Campeonato Brasileiro. Não há outra opção.

JA enquete

Qua, 02/07/08
por Lédio Carmona |

Como você escalaria o Fluminense para logo mais, diante da LDU? É bom lembrar que o time precisa ao menos vencer por dois gols de diferença no tempo normal. Dodô e Washington juntos? Cícero em campo? Ou os três juntos? Quem marcará Guerrón?

Façam as suas aposta. Opine. Participe.

Tempo de decisão

Ter, 01/07/08
por Lédio Carmona |

Victor Canedo

Noventa minutos. Que podem ser 120. Ou ainda mais alguns momentos de tensão com as cobranças de pênalti. É o que falta para o campeão da Libertadores ser declarado. LDU ou Fluminense. Hoje, véspera de jogo, a vantagem é da equipe equatoriana. Conquistada há uma semana depois de ótima atuação diante de um adversário apagado. 4 a 2. Ou um simples 2 a 0. Como preferirem. Mas nesta quarta a promessa é de um Fluminense diferente. Tão aguerrido quanto nas partidas contra São Paulo e Boca Juniors. Um time que precisa de ao menos dois gols. Nada impossível para o que é a campanha do Tricolor até agora.

Durante os últimos sete dias houve de tudo. Provocação, confiança exacerbada, declarações exageradas, e principalmente, questionamentos. Será a equipe de Renato Gaúcho capaz de conseguir outra virada? É necessário ter Dodô como titular? Quem irá parar Guerrón? Só iremos saber as respostas no fim de noite desta quarta. Ou na madrugada de quinta-feira, já acostumada com decisões.

Creio que Cícero iniciará a partida no ataque. Renato gosta de ter Dodô quieto, no banco, para entrar e mudar a história da partida, justamente como vem fazendo. Certamente a LDU não terá o mesmo ímpeto ofensivo – até porque é difícil jogar com mais de 80 mil no abafa. O que não quer dizer que irá para a retranca. Os equatorianos conquistaram importantes resultados fora de casa no mata-mata. Mas facilitará o lado de Júnior César e Gabriel, que sofreram na altitude de Quito. Washington espera continuar abençoado no templo sagrado que é o Maracanã. Benção que a torcida também aguarda ansiosamente. Lá do céu. De um tal de João de Deus. Armas já conhecidas do grandioso arsenal tricolor.

Falando em Arsenal, quem sabe o tricolor, depois de tanto sofrimento pelo ingresso, não é recompensado com uma atuação à altura do dia 5 de março? Paro por aqui. Deixo com vocês a missão de torcer. Contra ou a favor. Façam as suas apostas. Eu já fiz a minha. De que irei acompanhar mais uma partida épica. Seja ela de 90 ou 120 minutos.

Tragédia reversível

Qua, 25/06/08
por Lédio Carmona |

Colaborou Victor Canedo

Parece controverso. E é mesmo. Apesar de não ter passado por situação tão adversa na competição até então, o Fluminense vai ao Maracanã, na próxima quarta-feira, com um pingo de esperança. Acredite, o massacre da LDU, no Estádio Casablanca, por 4 a 2, poderia ter sido ainda pior. Foram 45 minutos iniciais para serem devidamente excluídos da memória dos 102 anos de história do clube. Mas só na semana que vem, depois de rever passo-a-passo os inúmeros erros – coletivos e individuais - que contribuíram para o inesperado resultado. Contribuíram, sim, porque a LDU fez um primeiro tempo quase perfeito. Aplicou uma goleada que fez tremer a espinha de todo tricolor. É simplório olhar apenas para o próprio umbigo e não reconhecer, de fato, a quem devem ser dado os méritos. Essa mentalidade tem de ser superada. Em especial por nós, brasileiros. No fim, a confiança de que o gol de Thiago Neves e a milagrosa defesa de Fernando Henrique, aos 42 minutos, foram mesmo obra do destino.

Vamos aos méritos e deméritos:

* Reparem na marcação frouxa de Júnior César sobre Guerrón. Imperdoável numa final de Libertadores. Bieler antecipou-se facilmente a Thiago Silva (atuação irreconhecível) e fez 1 a 0.

* Washington, artilheiro como é, não pode perder um gol daqueles. Apagado na maior parte do tempo.

* Bela cobrança de Conca, o jogador mais lúcido do time em toda a partida.

* A marcação no meio campo tricolor parecia fachada. Cícero não marcava. Arouca idem. Guerrón, Bolaños e Manso nada tinham a ver com isso. E fizeram festa no sistema defensivo da equipe de Renato Gaúcho.

* Inclusive Guerrón estava sozinho quando acertou um belo chute para marcar o segundo gol, no rebote da difícil defesa de Fernando Henrique.

* Cícero, que tem como forte a bola aérea, não passou perto de Campos na cobrança de escanteio. Era o terceiro gol da LDU. O mesmo Cícero logo depois perderia outro gol claro. Se não era útil nem defensivamente nem ofensivamente, o que fazia em campo?

* O Fluminense não aprendeu com o erro. Washington desviou. E Urrutia, completamente sozinho, anotou o quarto. Vale ressaltar o desleixo de Ygor no lance. Gol que pode fazer a diferença na semana que vem.

* Num dos pouquíssimos acertos de Gabriel, Thiago Neves descontou. Outro gol que pode fazer a diferença na próxima quarta-feira. Aliás, os laterais tricolores estiveram comprometidos. Gabriel na defesa era um desastre. E pouco apoiava. Júnior César se virou como pôde, mas marcava praticamente sozinho Guerrón. A cobertura falhou inúmeras vezes e por muito pouco o desastre não foi maior.

* Fernando Henrique fechou a noite com a possível defesa do título. Ao menos será esse o argumento dos tricolores mais ouvidos a partir de hoje.

Si, se puede. Mas não basta crer. Embora Renato Gaúcho não perca a pose ao afirmar que a LDU tem de estar desesperada. O Fluminense terá de jogar até melhor do que contra São Paulo e Boca Juniors para levantar o caneco. Aos equatorianos basta se defender. Noventa minutos com requintes épicos de sobra, certamente. Apenas mais um capítulo da batalha que é a campanha do tricolor.

Eis o grande dia

Ter, 24/06/08
por Lédio Carmona |

Victor Canedo

A tão sonhada final chegou. Pouca gente acreditava, de fato, que o Fluminense estaria compromissado no dia 25 de junho. Mas está. E como. O primeiro passo que decidirá o rumo do time no próximo ano. E, possivelmente, boa parte de 2009.

Isso porque, caso vença a Libertadores, o Fluminense já estará automaticamente na edição da competição sul-americana do ano seguinte. Logo, Renato Gaúcho poderia usufruir das brincadeiras que tanto deseja no Campeonato Brasileiro. Com restrições, é claro. Caso contrário, uma possível crise poderia abalar ainda mais o time no Brasileirão – ocupa a lanterna com apenas dois pontos. A classificação para a Libertadores-2009 se tornaria uma verdadeira missão para o clube das Laranjeiras. Uma arrancada, talvez, superior a do rival Flamengo em 2007. O céu e inferno andarão lado a lado até o próximo dia 2.

Para o confronto desta quarta-feira, na altitude de Quito, Renato Gaúcho terá o time completo. Aquele que todos os tricolores sabem de cor. Que conta com a boa fase de Fernando Henrique, passando pelo quase intransponível Thiago Silva, até o guerreiro abençoado Washington. Mas é preciso olhar o outro lado. Saber explorar os espaços que a LDU deixará. Cada milímetro é de suma importância.

A começar por Guerrón. É inegável a habilidade do ora ponta, ora ala-direito equatoriano. Mas tem a deficiência de não concluir muito bem, apesar de estar sempre próximo ao gol. Que Renato Gaúcho não deixe de ser ousado e coloque Júnior César com uma função mais ofensiva. Não se arrependerá. Assim como manter a velocidade de Thiago Neves no ataque. Contra-ataques serão fundamentais. Não adianta outro jogador “pesadão” como Cícero fixo na área. Até porque a posse de bola deverá ser algo raro. Ygor também pode desempenhar uma função de marcação individual. Não há mais Riquelme no caminho de ninguém.

O jogo de ida – estréia do time na competição – também serve de exemplo. Acuado, o Fluminense sofreu uma pressão descomunal na primeira etapa. Quando saiu para o ataque, como no segundo tempo, criou oportunidades. Mas o Fluminense de hoje, quatro meses depois, é outro. Evoluiu e muito ao longo da temporada. Obteve a melhor campanha da primeira fase. Eliminou nada menos que São Paulo e Boca Juniors. E chega a esta grande final como favorito. Aliás, qual problema há nisso?

A torcida ao menos reza para que o futebol siga a lógica nas duas próximas quartas-feiras. De arrepiar.

Segredos da LDU

Ter, 24/06/08
por Lédio Carmona |

A LDU não é a carne-assada que muitos tricolores imaginam desgustar. Mas também não é nada do outro lado da linha do Equador. É um bom time. Nada além disso. Claro, o futebol sul-americano anda tão nivelado por baixo que ser bom hoje em dia não chega a ser algo tão meritório.De fato, a equipe treinada por Edgardo Baúza, um argentino muito esperto e ligado em tática e variações, tem qualidade. Porém, após 12 partidas transmitidas pelo SporTV na Libertadores, qualquer coisa dos equatorianos não pode ser mais novidade. A LDU deve ser tão conhecida dos envolvidos na final (Fluminense e imprensa, por exemplo) do que qualquer participante do Campeonato Brasileiro.

A LDU joga no 3-6-1. São três zagueiros (Norberto Araújo, argentino, Campos, reserva da seleção equatoriana, e Calle). O trio se entende bem. É sóbrio e falha pouco. Calle ainda tem facilidade na cobrança de falta.

O meio de campo tem dois volantes: Urrutia e Vera. O segundo, mais bem pago do time (R$ 48 mil), marca e sabe fazer lançamento. Joga pela seleção guarani. É quem tem a melhor saída de bola. Urruria marca ainda mais e tem um belo chute de fora da área. Ambrossi é um ala pela esquerda. Mas sobe pouco. Quem ataca mais pelos lados são Guerron. o mais conhecido dos brasileiros, pelo lado direito, e já vendido para o Getafe, e Bolanõs, mais avançado, pela esquerda. Os equatorianos variam muito bem o jogo pelos dois lados, sem viciar apenas em um setor do campo.

Um pouco mais adiantado aparece um jogador-chave, pouco badalado, mas muito eficiente. Trata-se do argentino Damian Manso, de 29 anos, que corre por todos os lados e costuma fazer bem a triangulação com os dois alas e com o único jogador da frente, outro argentino, Bieler. Esse é um centroavante comum, sem muito faro de gol, mas que corre demais e costuma, fatigado, ser substituído no segundo tempo.

A LDU é perigosa. Principalmente por povoar o meio e não dar espaço para o adversário jogar. Mas, sinceramente, no ataque é mais cautelosa do que deveria e ainda mais que seu esquema tático moderno possa supor. Na verdade, é um time que não cria muito. E, quando cria, não é muito forte nas conclusões. Por isso, empatou os quatro últimos jogos (dois contra o San Lorenzo e dois contra o América do México). Dois deles no Estádio Casablanca, confortável, para 40 mil torcedores, e palco da decisão de amanhã.

Números que mostram que a LDU é perigosa, mas bastante vulnerável. Sinceramente, se o Fluminense jogar sem medo, sai de lá com um empate. Como os outros fizeram (inclusive ele). E com altitude e tudo.

Idade da pedra

Seg, 23/06/08
por Lédio Carmona |

idadedapedra.gifFarra de cambistas. Torcedores tratados como gado. Tudo esgotado em menos de um dia.

Afinal de contas, quando o futebol brasileiro vai crescer? Será que um dia testemunharemos a maturidade dos nosso cartolas e dirigentes? Por que não interessa a quase ninguém disponibilizar ingressos pela internet? Quanto mais o futebol evolui no mundo, por aqui mais os cambistas dão as cartas. Um vexame.

A venda de ingressos para Fluminense x LDU, a decisão da Taça Libertadores, dia 2 no Maracanã, simplesmente o jogo mais importante do ano, foi tratada de forma grostesca e obsoleta.

E, pior, o torcedor segue forte. Leva um tapa e oferece o outro lado da face. Isso sim é amor.

Lutar em vão

Qui, 22/05/08
por Lédio Carmona |

Victor Canedo

É um sentimento ruim. Na Vila Belmiro, os 20 mil torcedores presentes sentiram-se impotentes. O Santos lutou, mas não conseguiu vencer a retranca mexicana e Ochoa. O árbitro uruguaio Jorge Larrionda ainda se atrapalhou. E, no fim, passou o América, time do baixinho Cabañas - dessa vez vigiado de perto por Marcelo e Fabão. Que falta fez o gol mal anulado de Kleber Pereira, semana passada, no estádio Azteca.

Talvez inspirado pelas presenças de Robinho e Pelé nos camarotes, o Santos pressionou desde o início. A retranca mexicana facilitou o trabalho do time de Emerson Leão. Só não ajudou Ochoa, sempre seguro. Mas os primeiros 45 minutos terminaram sem gols. Trípodi, herói da classificação na fase de grupos, entrou no lugar de Wesley. Mais pressão. Kleber Pereira sofreu um pênalti discutível. Não marcado. O tempo corria. Então, Leão aderiu o tudo ou nada. Quiñonez no lugar de Betão. Um minuto depois, o equatoriano participou do gol. De quem? Claro, Kleber Pereira. Contudo, o sufoco até o final nada valeu. A revanche de 2007 estava consumada.

Leão, apesar de exagerado, teve razão ao reclamar da arbitragem. Mas um time que almeja um título da Copa Libertadores não deve simplesmente lutar. Gol perdido no mata-mata deveria ser crime. E o Santos cansou de cometê-los. O Campeonato Brasileiro está aí. E a concorrência é ainda maior.

* Venceu o melhor time. Pelo menos a LDU se apresentou como tal nos confrontos diante do San Lorenzo. Mas o fim da história poderia ter sido outro. Orión, que já havia falhado no gol da Liga em Buenos Aires, não alcançou chute de Manso. 1 a 0. A equipe argentina, com um a menos, sofria pressão no abarrotado Estádio Casablanca. Bergessio, herói da classificação diante do River Plate, achou o gol de empate. O técnico Ramón Diaz, então, resolveu segurar o resultado. A pressão foi ainda maior. Oportunidades perdidas inacreditavelmente. Mas a vaga estava guardada. Nas penalidades, Cevallos defendeu a cobrança de Aurelliano Torres. O “grupo da morte” marca presença nas semifinais com total justiça.


Formulário de Busca


2000-2008 globo.com Todos os direitos reservados. Política de privacidade