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Gatos em pânico

Sáb, 15/11/08
por Lédio Carmona |

topp.jpgO Campeonato Brasileiro de 2008 contraria qualquer clichê. Por sinal, a quantidade de gato-mestre que já virou lenda nas 35 rodadas disputadas até agora é de deixar envergonhado qualquer catedrático. O início do 35º round já deu a primeira paulada. “Jogos na reta final são sinônimo de poucos gols”. Pois então, gatinho felpudo: em quatro jogos, 19 gols, com média de 4,75 por partida. Algo impressionante, quase assombroso. Nem o felino mais assanhado preveria tal fartura nesse momento decisivo.

O sábado decretou o que todo  Cruzeiro já admite: o título brasileiro virou miragem. Tomar de 5 a 2 do Náutico, nos Aflitos, foi doloroso para os mineiros. Adílson Batista e os jogadores sabem que é melhor focar uma vaga da Libertadores. Mas, apesar do tombo no Recife, a Raposa continuará no G4. O que acontecer amanhã, no Maracanã, apenas levará o Cruzeiro da 3ª para  a 4ª posição. Nisso, a gataria não errará. E o time azul ainda tem Flamengo e Portuguesa pela frente, no Mineirão - agora só sai para enfrentar os reservas do Internacional no Beira-Rio. Uma pena que a irregularidade e certa imaturidade tenham traçado um limite nos planos do bom time do Cruzeiro.

15cru.jpgEnfim, o São Paulo já se livrou de um dos seus quatro adversários na luta pelo título. E amanhã não terá, no mínimo, mais um. Quem perder no Maracanã, no meu modo de ver, também se despede da briga pela taça. A não ser, claro, que o São Paulo perca para o Figueirense, no Morumbi. Eu duvido. E ainda tem o Grêmio contra o Coritiba, no Olímpico. Deve vencer. E seguir vivo. À espera do tombo do São Paulo. A dúvida é: o Grêmio não tombará mais?

Foi um sábado terrível para o Vasco. A vitória do Náutico sobre o Cruzeiro tirou o time do Recife da zona do rebaixamento e o deixou a três pontos do Vasco. Mesma coisa para o Fluminense, que, de virada, passou pela Portuguesa (3 a 1), com 42 mil torcedores, no Maracanã, e, com certeza, escapará. Difícil ficou a situação da Lusa, que agora terá que somar seis pontos nas duas próximas rodadas, dentro do Canindé, e arrancar pelo menos um empate contra o Cruzeiro, no Mineirão.

15tiago-silva.jpgTanto resultado adverso apertou a corda no pescoço do Vasco. Agora, fazer sete pontos nos últimos nove  a serem disputados virou obrigação. Se é que um time se salvará com 43 pontos. Dá, pode ser (São Paulo e Vitória, em São Januário, e Coritiba, fora). E o Ipatinga ganhou do Sport ( 3 a 0), mas, numa boa, já era há algum tempo. Não sei porque ainda insisto em bancar alguma coisa nesse campeonato. Mas é o tal negócio. Nesse momento, todo mundo gosta de ser gato-mestre. É do jogo. E faz parte do show desse impagável Brasileirão. Miau…

Náutico 5 x2 Cruzeiro (Gilmar-2, Felipe-2, Everaldo, Wagner e Guilherme)

15nautico.jpgQuem disse que o ataque do Náutico é o segundo pior do Brão? Jogando com muita disposição, o Timbu goleou o Cruzeiro por 5 a 2, nos Aflitos, e se livrou, por enquanto, do G4 do mal. Na primeira etapa, a partida foi aberta e bastante movimentada. Logo aos 4 minutos, o veloz Gilmar arrancou e abriu o placar. Aos 16, Ramires empatou, mas o gol foi anulado devido à participação de Camilo, em posição irregular, no lance. Minutos depois, Wágner empatou. Ainda na primeira etapa, Felipe, de pênalti, colocou o Timbu novamente em vantagem: 2 a 1.

Na etapa derradeira, a tônica permaneceu e ambos os times continuaram buscando o gol. E novamente no inicio, aos 3 minutos, o Náutico marcou. Felipe anotou o segundo dele na partida: 3 a 1. A reação cruzeirense, porém, veio tarde. Aos 31, Guilherme diminuiu, de pênalti. Mas a técnica de Felipe fez a diferença. Com duas assistências, o atacante deixou Everaldo - que acabara de entrar - e Gilmar livres para decretar a goleada: 5 a 2.

O Timbu não respira mais por aparelhos e está prestes a deixar a UTI. Basta que Figueirense não vença o São Paulo no Morumbi, o que é bem provável. Definitivamente o Cruzeiro não é um time confiável. O time acumulou a quarta derrota consecutiva fora de Minas e deu adeus ao título brasileiro.

Fluminense 3×1 Portuguesa (Maracanã/gols de Edno; Washington, Tartá e Romeu)

15flu.jpg*Se não fosse a garotada de Xerém, o Fluminense estaria em uma situação delicada na tabela. A Portuguesa vencia a partida, com um golaço de Edno, ainda no 1º tempo. Mas no intervalo Renê Simões foi muito bem, modificou o sistema ofensivo, com as saídas de Everton Santos e Eduardo Ratinho. Com isso, entraram Maicon e Tartá, e a equipe passou a ter mais mobilidade no ataque, dominou o meio-de-campo e soube aproveitar os erros do adversário.

Os gols do tricolor saíram do lado direito do ataque, com Maicon, que teve liberdade total neste setor. Outro destaque foi Tartá, com bela exibição. Com a vitória, o Fluminense entrou na zona da Sul-Americana. Já a Portuguesa é um time difícil de ser batido. Mas precisa fazer 100% em casa na reta final. No mínimo.

15ferreira.jpgIpatinga 3×0 Sport (Ipatingão/gols de Ferreira (2) , e Gian)

*O Sport já está com o pensamento na Libertadores do próximo ano. Contra o Ipatinga, o Leão da Ilha até assustou o adversário, principalmente, com Fumagalli, mas faltou eficiência nas finalizações. Nelsinho Baptista terá trabalho para ajustar esta equipe. Enquanto isso, o Ipatinga ainda agoniza graças a um atacante. Ferreira foi o grande destaque da partida, ao marcar dois gols que garantiram a vitória do Tigre.

Profissão: secador

Sáb, 01/11/08
por Lédio Carmona |

secador.gifO secador já não é mais um aparelho para secar os cabelos. Os torcedores que o digam. Pois, agora, na reta final do Brasileirão é utilizado para trazer “azar”, “falta de sorte” para os adversários. Desta forma, Grêmio, São Paulo, Cruzeiro e Palmeiras usaram deste artifício para que o Flamengo não vencesse. Pois bem, o empate diante da Portuguesa por 2 a 2, em pleno Maracanã, foi péssimo para o time rubro-negro. Amanhã, a equipe carioca terá que “secar” os outros quatro times para que ainda reste alguma possibilidade de título para a equipe de Caio Júnior.

O aparelho também foi usado na parte debaixo da tabela. Os torcedores de Fluminense, Figueirense, Atlético-PR e Vasco torciam para que Náutico, Ipatinga e Portuguesa não vencessem os respectivos jogos. Mas as equipes pernambucana, mineira e paulista conseguiram o resultado favorável. Agora, o secador irá trocar de mãos, já que Fluminense, Vasco, Figueirense e Atlético-PR jogam no domingo. Enquanto isso, vamos ao panorama dos jogos deste sábado:

Flamengo 2×2 Portuguesa (Maracanã)

(Fábio Luciano, Jonas, Athirson e Maxi)

jonas.jpg* “Jogamos apenas os 20 minutos iniciais”. A declaração de Caio Júnior resume o que foi o Flamengo no jogo de hoje. Em apenas cinco minutos, após escanteio, o melhor jogador da equipe, Fábio Luciano - com um belo voleio - completou para gol. Nesta hora, o Maracanã era só festa. A equipe carioca estava na liderança, mesmo que provisório, e seguia pressionando, mas aos poucos foi desacelerando o ritmo. Por conta do relaxamento rubro-negro, a Portuguesa passou a gostar do jogo e cresceu em campo.

No intervalo, Caio Júnior trocou Kléberson, apático, por Fierro, para dar mais força ao lado direito do ataque. Isso porque Léo Moura e Juan, além de sobrecarregados, não estavam em dias inspirados. A Lusa, por sua vez, voltou no mesmo embalo. E em quinze minutos, o placar já marcava 2 a 1 para o time paulista – gols de Jonas e do ex rubro-negro Athirson. A torcida, incrédula, alternava momentos de irritação com esperança. Mas era a Portuguesa que, através dos contra-ataques armados por Preto – bela partida, por sinal –, chegava ao ataque com mais perigo.

Sob vaias, Caio Júnior mexeu na equipe. E a mudança surtiu efeito imediato. Everton fez boa jogada pela esquerda e cruzou para Maxi, que acertou o travessão, mas não desperdiçou a segunda chance: 2 a 2. O árbitro Héber Roberto Lopes, após o gol, expulsou Obina, que quis jogar para a galera, e Patrício por conta de uma confusão. O resultado deixa o Fla em situação delicada, já que as chances de título se reduziram bastante. O empate tem sabor amargo para a Lusa, que poderia ter vencido a partida, mas permanece fora da zona da degola.

Náutico 1×0 Vitória (Aflitos)

(Felipe)

renan.jpg* Polêmica, polícia envolvida e uma vitória no sufoco do Náutico. Um alívio para a equipe , que saiu da zona da degola, e até a próxima rodada não ficará entre os quatro últimos. Porém, muita confusão durante e após a partida. Um pênalti para o Vitória não marcado, e outro para o Náutico, bem assinalado. Na cobrança, Viáfara avançou um quilômetro para defender a bola. Acertadamente, a cobrança teve que ser repetida. Na 2ª tentativa, Felipe acertou as redes.

Depois do apito final, muita confusão no vestiário do Vitória. Os jogadores acusaram que a polícia usou spray de pimenta. Em contrapartida, a polícia nega os fatos. Mas logo em seguida, as câmeras de TV mostravam que os jogadores do rubro-negro baiano já utilizavam o vestiário sem sofrer nenhum problema.

Ipatinga 2×0 Coritiba (Ipatingão)

(Ferreira, duas vezes)

nau.jpg* Uma vitória para dar moral à equipe e uma esperança de continuar na Série A. Mesmo na última colocação, o Ipatinga jogou com vontade e dominou a partida, enquanto que a equipe de Dorival Júnior buscava a velocidade nos contra-ataques. E o Coxa até poderia ter marcado o 1º gol, logo no primeiro minuto de jogo, mas o goleiro Fernando fez grande defesa. Depois, quem foi o destaque da partida foi o atacante Ferreira, autor de dois gols. Aliás, o segundo foi nos acréscimos da partida. Com este resultado, o Coritiba joga as fichas apenas na Sul-Americana, e a equipe mineira tenta de qualquer forma permanecer na elite do futebol nacional.

Camisa 10

Sáb, 18/10/08
por Lédio Carmona |

* O sábado do Brasileirão foi agitado, embora tenham sido marcados apenas seis gols em três partidas. Como hoje não tivemos equipes que disputam o título, a principal atração foi a guerra para sair da degola. O troca-troca nas últimas quatro posições só irá terminar na última rodada. E a disputa para as vagas da Libertadores ainda não está definida. Vamos para a 1ª parte da 30ª rodada. É válido lembrar que amanhã tem muito mais.

* No Botafogo e Santos não havia Garrincha e muito menos Pelé. E nos 75 anos da “Alegria do Povo”, os jogadores não se inspiraram no craque. Por causa disso, a bola foi tão maltratada no Engenhão. O camisa 10 santista foi o único que deu um carinho especial para a redonda. Molina acertou um belo chute de falta, apesar de o bom goleiro Renan estar um pouco adiantado. E esse foi o único gol da partida. (1×0).

Até que o alvinegro carioca pressionava no início de jogo. Mas quando Lúcio Flávio se lesionou, a equipe perdeu o ritmo. Ney Franco foi ousado ao pôr Zárate, logo na metade do primeiro tempo. Mas depois da substituição a equipe ficou desarrumada. Com isso sobrou espaço para o meio-de-campo santista. E o gol de Molina fez com que o Santos controlasse a partida, baseando-se nos contra-ataques, porém sem tanta eficiência. Foi a segunda vitória do Peixe fora de casa na Série A, que soma 36 pontos, com vaga na Sul-Americana. Já para a equipe carioca, o G4 ficou difícil, mas ainda com chances. Ney Franco pode negar, mas eu acredito que o técnico irá focalizar apenas no torneio da Sul-Americana.

* Os ares da Seleção Brasileira fizeram muito bem ao Alex. Depois de ser convocado por Dunga para as partidas contra a Venezuela e Colômbia, o camisa 10 do Inter voltou a ser simplesmente o nome da partida no Beira-Rio. O primeiro gol foi uma pintura, com um belo passe para Nilmar completar para as redes. O segundo foi uma bomba precisa, sem chances para o goleiro Galatto. Para melhorar a média de gols do pior ataque do Brasileirão, Geninho escalou três atacantes e buscava o resultado positivo para sair da crise. Mas deixou brechas na marcação, e o único gol do rubro-negro saiu de uma bobeada Colorada. D’Alessandro teve a infelicidade de tocar com o peito para trás, em seguida Ângelo se atrapalhou todo, e Ferreira não perdeu a oportunidade para diminuir. O Furacão segue na zona da degola, em 17º colocado, com 28 pontos. Já o Inter segue com esperança de entrar no G4, em 7º lugar, mas tudo irá depender dos resultados de domingo.

* Com pouca técnica Figueirense e Ipatinga praticaram um futebol feio, talvez por causa do temporal que caiu em Florianópolis, ou por causa da classificação das duas equipes na tabela do Brasileirão. E o empate por 1 a 1 foi péssimo para os dois. O Figueira ocupa a 14ª colocação, mas ainda não se livrou da degola. Apesar de Tadeu ter marcado o gol, sem Cleiton Xavier em campo, a equipe catarinense perde o homem da armação das jogadas. Já o Ipatinga é um candidato muito forte para a Série B. Pelo menos, neste sábado irá dormir longe da lanterna, que agora está nas mãos do Vasco. E se for escapar do rebaixamento será na base da raça, como foi neste sábado - com gol aos 48 min do 2º tempo marcado por Pablo Escobar.

Artilheiro: Kléber Pereira (Santos) – 20 gols

Confira a classificação da Série A

Agenda de domingo: 16h - Vitória x Fluminense; Palmeiras x São Paulo; Coritiba x Goiás; Atlético-MG x Cruzeiro. 18h10 - Sport x Náutico; Portuguesa x Grêmio; Vasco x Flamengo

Dever de casa cumprido

Qui, 09/10/08
por Lédio Carmona |

Com Carlos Gustavo 

* Já estava no script. Os mandantes venceriam. Porém, passaram sufoco durante as partidas. Com os resultados, o duelo pelo título ficou mais disputado. E na parte de baixo, a degola está embolada. As quatro últimas equipes possuem o mesmo número de pontos, 27. Na parte de cima e na debaixo da tabela qualquer erro será fatal. Vamos aos jogos desta noite:

* Foi sofrido, suado! Hernanes, com o chute preciso, não decepcionou o São Paulo. Aos 37 min do 2º tempo, o jogador revelado pelas categorias de base do clube paulista marcou o gol, que livrou a equipe de um resultado que seria vergonhoso, em pleno Morumbi. A perda de dois pontos significaria o adeus da disputa pelo tri. Porém, durante a partida, o tricolor buscou os três pontos a qualquer custo. Pressionou o Náutico, mas encontrava uma equipe baseada na retranca, mas que saia com velocidade para os contra-ataques. Porém, de nada adiantou. O Timbu com essa tática arriscada, não conseguiu suportar e tomou o gol. Roberto Fernandes está caindo de padrão, não vence há quatro jogos. A degola está cada vez mais perto. Já o tricolor paulista foi premiado por não desistir de atacar, até conseguir o 1 a 0. Com o resultado, a equipe paulista, que não perde há nove jogos, entrou no G4, e, agora, está a apenas dois pontos do Palmeiras. Justamente a equipe de Luxemburgo será o próximo adversário do Muricy. Uma disputa direta pelo título, sinônimo de jogaço!

* Quem também passou sufoco foi o Cruzeiro. Uma vitória magra por 1 a 0 diante do Ipatinga, no Mineirão. O Tigre poderia até sair com um resultado melhor, se não fosse a lambança do goleiro Fernando. Gérson Magrão, ainda, teve a proeza de perder em seguida, mas Ramires não perdoou e marcou o gol de número 100 da Raposa na temporada. O Ipatinga até conseguiu bons ataques. Fábio teve trabalho, mas a equipe, com o pior ataque, não conseguiu resultar as investidas em gols. Será difícil sair da 19ª colocação. Depois do gol, o Cruzeiro apostava nos contra-ataques, e no toque de bola para segurar a partida. Se não fosse a trave no chute de Thiago Ribeiro, a situação poderia ser mais cômoda. Adílson Baptista terá que abrir o olho. Hoje, jogou apenas o necessário e saiu com os três pontos. Porém, a próxima rodada é o rival Atlético. Todos sabem que em clássico, a história é diferente!

* Como o Botafogo é dependente de Lúcio Flávio! Enquanto o jogador não atravessava uma grande fase, a equipe alvinegra começou a perder pontos preciosos no campeonato. Hoje, o capitão voltou a jogar bem, e o resultado foi uma vitória merecida da equipe de General Severiano diante do Vitória por 3 a 1, no Engenhão. Os rubro-negros estavam em vantagem no placar, com o gol de Willians, mas a expulsão de Anderson Martins prejudicou o desempenho da equipe de Vagner Mancini, agora na 8ª posição. Com um homem a mais, o Botafogo começou a jogar melhor. Desacreditado por todos, Zárate encarregou-se de empatar a partida. E mesmo um pouquinho fora de forma, o argentino mostrou vontade. Em seguida, para alívio do torcedor, Lúcio Flávio, voltou a encantar, e deu o toque de classe para virar o jogo. André Luis ainda marcou o terceiro para consolidar a vitória, e a 6ª colocação para os alvinegros. Libertadores? É possível, mas precisa secar os adversários.

Confira a classificação da Série A

Artilheiro: Kleber Pereira (Santos) – 20 gols

Agenda de sábado: 18h20 - Atlético-PR x Fluminense; Portuguesa x Coritiba; Goiás x Internacional; e Flamengo x Atlético-MG.

Linhas inimigas (29ª rodada/2ª parte)

Qua, 08/10/08
por Lédio Carmona |

Difícil prever uma surpresa no duelo do melhor contra o pior ataque. E para ultrapassar a linha do G4, o pensamento do São Paulo está voltado apenas nos três pontos. Para encarar o Náutico, no Morumbi, a zaga será improvisada. Rodrigo está suspenso, e Zé Luis será recuado. Com isso, Joílson terá nova oportunidade na lateral.

Há três jogos sem vencer, o Timbu ficará acima da linha do G4 do mal. Mas se bobear…

* No confronto mineiro, o Cruzeiro não terá Fabrício e Wagner, lesionados. O problema estará no meio-de-campo. O quarteto formado por Henrique, Marquinhos Paraná, Ramires e Gerson Magrão atuarão juntos, pela primeira vez, como titulares. Já o Ipatinga, terá que suar para, pelo menos, arrancar um pontinho no Mineirão.

* Há quatro jogos sem vencer no Brasileirão, a arma de ataque do Botafogo será composta por Zárate e Wellington Paulista. Para encarar o Vitória, no Engenhão, Ney Franco adotou esta tática, porque acredita no argentino, e garante que ele está bem fisicamente, já que Carlos Alberto, mesmo recuperado de virose, não irá atuar. O adversário tem o mesmo número de pontos do alvinegro, 43, e está com o time completo. E quem perder, dará adeus ao sonho da Libertadores.

Reta final de luxo

Sáb, 13/09/08
por Lédio Carmona |

Sábado decisivo e movimentado pelo Campeonato Brasileiro. Teve queda de invencibilidade em casa, fuga da zona do rebaixamento e até um novo lanterna. Bom para o espectador, cada vez mais empolgado com o equilíbrio do Brasileirão. Excelente para Cruzeiro, Palmeiras, Botafogo, Flamengo e São Paulo. Ruim para Portuguesa, Fluminense, Santos e Náutico… Fato é que as últimas 13 rodadas reservam uma saudável e exagerada emoção. Vamos às partidas:

* Dos últimos 15 pontos disputados, o Grêmio fez cinco. Enquanto até a partida deste sábado, o Goiás era o vice-líder do segundo turno, com 10 pontos. Números, senão suficientes, ao menos ilustrativos para acreditar que a queda do último invicto em casa do Brasileirão não tardaria a vir. Hoje, pela primeira vez no campeonato, os gremistas saíram tristes do Olímpico. Para ser mais exato, 36.493 torcedores. A distância, que poderia ser de oito, é de seis. E ao término da 25ª rodada pode cair para três. Em meio a tantos números, alguns motivos podem explicar a surpreendente - para alguns - vitória do Goiás.

Victor falhou no gol olímpico de Paulo Baier - invariavelmente um goleiro não comete erro nessas ocasiões. E se estivesse na mesma fase de algumas semanas, quando foi o melhor jogador do primeiro turno, defenderia o chute do bom lateral Vítor - lance normal, por sinal. Confesso que o gol de Léo, aos 30 do primeiro tempo, fez parecer que seria mais uma noite idêntica no Olímpico. Mas a equipe de Celso Roth encontra problemas para criar e concluir. O treinador, inclusive, pode promover a estréia de Richard Morales logo. E a zaga, até pouco tempo intransponível, sofreu seis gols nas últimas cinco partidas - a média ainda é muito boa, diga-se, mas insuficiente para manter a boa seqüência do Tricolor. O Goiás segue sua rotina de recuperação no segundo turno. E ainda enfrenta Palmeiras, Cruzeiro, Botafogo, Flamengo e São Paulo.

* 14 rodadas. Ou mais de dois meses. Tempo suficiente para creditarem o Ipatinga ao rebaixamento. Mas o Tigre mostrou estar vivo ao vencer o rival Atlético Mineiro, por 3 a 2, no Ipatingão. Ferreira abriu o placar para o time da casa, ainda na primeira etapa. Os instantes movimentados ficaram por conta dos 23 minutos iniciais do segundo tempo. Gols de Luciano Mandi e Adeílson para o Ipatinga; Renan Oliveira e Leandro Almeida para o Galo, já apreensivo com a aproximação da zona da rabeira. E que por pouco não empatou - graças às boas defesas do goleiro Fernando. Embora valha a pena ressaltar que é pouco para um clube centenário e de tanta tradição.

* Geninho não podia estrear de forma melhor. Na briga direto para escapar do descenso, o Atlético Paranaense derrotou a Portuguesa, por 2 a 0, na Arena da Baixada (15.638 pagantes). Gols só no segundo tempo. Júlio César e Antônio Carlos, ambos em cruzamentos de Netinho, marcaram para o Furacão. Galatto e Sérgio pouco trabalharam. E só. Enquanto um respira - o rubro-negro torce por uma derrota do Náutico para continuar fora da zona -, o outro agoniza. A vitória do Ipatinga colocou a lanterna na mão da Lusa, que não vence desde a 19ª rodada (2 a 1 sobre o Cruzeiro), e soma apenas um ponto no segundo turno. Preocupante para Estevam Soares.

Colaborou Victor Canedo

Surpresas e decepções

Sáb, 30/08/08
por Lédio Carmona |

Ao planejar a tabela, em algum momento Ney Franco e Vagner Mancini se depararam com a 23ª rodada. Presumo que assinalaram a coluna um até com certa tranqüilidade. Tanto Náutico quanto Ipatinga aspiram exclusivamente escapar do descenso - me arrisco a dizer que os dois são fortes favoritos. Os decepcionantes empates em casa não colocam tudo a perder, mas complicam as ambições de Botafogo e Vitória no Campeonato Brasileiro, que teve ainda nova vitória do Goiás no Serra Dourada. Vamos aos jogos de sábado:

* O que na teoria seria fácil, na prática acabou como frustração. O Botafogo sonhava com uma vitória e leve combinação de resultados para terminar a 23ª rodada na vice-liderança. No entanto, o gol de Adriano, aos 37 da segunda etapa, pode recolocá-lo na sexta colocação - basta a São Paulo e Flamengo vencerem os respectivos clássicos. Mas a noite até que prometia aos 24 mil presentes no Engenhão. Após longa pressão na primeira etapa, Carlos Alberto abriu o placar aos 39. O Timbu, até certo ponto defensivo, só foi assustar Castillo depois do gol sofrido.

O segundo tempo parecia ir para o mesmo caminho. Inclusive quando Alceu - que adora uma botinada -, aos 15 min, foi expulso. Ney Franco então pôs o argentino Zárate em campo (é cedo para crucificá-lo, até porque o jogador foi bastante elogiado durante os treinamentos, mas de fato não mostrou intimidade com a bola). Roberto Fernandes, também desesperado por um resultado, apostou em Gilmar e Felipe. O último não marcou por um detalhe chamado Diguinho. Na seqüência, em falha de Castillo, Adriano empatou. Empate que cai do céu para o Náutico, com 23 pontos, ainda na zona de rebaixamento. Mais do que amargo para o Botafogo - não fosse os dois empates seguidos no fim e estaria com 43. Hoje soma 39.

* O jogo contra o último colocado, Ipatinga, era decisivo para o Vitória sonhar com a vaga na Libertadores. Mas, em pleno Barradão, o Leão não saiu do zero diante do lanterna. Muitas vaias da torcida, em especial a Marquinhos, negociado com a parceira do Palmeiras. O rubro-negro baiano até deu trabalho ao goleiro Fernando, mas deve boas apresentações. E sente a falta dos gols de Dinei, já no Celta de Vigo, da Espanha. Apesar das adversidades, a campanha do Vitória ainda é de se elogiar. As dificuldades de Vagner Mancini são previsíveis. A tendência é cair de produção - soma 37 pontos (5º), mas pode despencar para oitavo. O inverso da equipe de Márcio Bittencourt, que somou quatro dos últimos seis pontos disputados. Embora escapar da segundona seja uma tarefa árdua demais para o Tigre. 

* Tenho reparado no bom rendimento do Goiás de Hélio dos Anjos, em especial no Serra Dourada. Hoje, com os experientes e eficientes Romerito e Iarley, venceu mais uma. 2 a 0 sobre o Figueirense, mesmo com a expulsão de Adriano Gabiru. O alviverde alcançou os 30 pontos e uma posição até tranqüila na tabela - inclusive estaria hoje classificado à Sul Americana. Já o Figueira faz o caminho inverso. Depois dos bons resultados de julho, o fim de agosto mostra que a equipe de Paulo César Gusmão deve terminar na zona da marola. De novo.

Classificação: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Futebol/Classificacao/0,,ESP0-9827,00.html

Colaborou Victor Canedo

A metade (muito) boa

Dom, 10/08/08
por Lédio Carmona |

De maio a agosto. Longas e até interessantes 19 jornadas marcaram o primeiro turno do campeonato. Gols, bons jogos, estádios cheios… A 19ª rodada – em especial o domingo -, no entanto, fugiu um pouco à regra. Foram 26 gols (2,73 é a média geral do campeonato, enquanto 2007 teve 2,76 gols por jogo) – muitos em virtudes de falhas alheias -, públicos razoáveis - a média do campeonato é de 15.486 pagantes -, gramados ruins, jogos piores e uma exceção: Botafogo x Palmeiras. O duelo mais aguardado do fim-de-semana teve apenas um golzinho, porém, de importância gigantesca. O Grêmio, campeão do turno, somou 41 pontos – 71% de aproveitamento, um recorde na era dos pontos corridos. Mas que na reta final teve a agradável companhia do alvinegro. Para azar dos cariocas, o Tricolor Gaúcho portou-se tão bem nas dez primeiras rodadas – esteve em sete na zona da Libertadores -, que lidera o campeonato com cinco pontos sobre o vice-líder. No entanto, há muita gente de olho. O que deixa a metade restante do campeonato como, no mínimo, promissora. Vamos às partidas deste belo dia dos pais:

* Ney Franco assumiu o Botafogo na 11ª rodada. O decepcionante empate diante do Santos – vencia por 2 a 0 – deu a leve impressão de que o alvinegro seria novamente coadjuvante no Campeonato Brasileiro. Grata ilusão. Hoje, oito rodadas depois, o Botafogo soma 31 pontos - 20 conquistados pelo técnico mineiro ou 74% de aproveitamento) – apenas a dois do São Paulo, atual quarto colocado, e a três do Palmeiras, adversário vencido deste domingo. No Engenhão (29.379 pagantes), o Botafogo soube se impor e acabou compensado pela postura ofensiva que adotou durante o jogo: 1 a 0. Zé Carlos, outrora contestado pela torcida, acabou como salvador, já que Gil não teve competência para tal. Além de mais uma vitória, a torcida deve comemorar a volta do bom futebol de Jorge Henrique, novamente decisivo. Os “inhos” também vêm sendo fundamentais na arrancada alvinegra. Que empolga. E já começa o segundo turno na quinta marcha, à procura de alguém que possa brecar o ímpeto dos comandados de Ney Franco. Já o Palmeiras apenas se defendeu além da conta. Embora não tenha deixado de ser perigoso quando atacou – Evandro e Valdívia criaram boas oportunidades. Mas a zaga ainda falha. E Luxemburgo, que assiste à disparada gremista de camarote, só lamenta.

* O Vasco conseguiu terminar o primeiro turno na zona do rebaixamento. E o torcedor amargou seu terceiro domingo seguido com uma goleada nas costas: Santos 5 a 2; São Paulo 4 x 0; e, hoje, Vitória 5 x 0. No meio de tudo isso, mais uma sapatada, em casa, para o Coritiba (2 a 0)e uma goleada a favor (6 a 1 sobre o não menos fragilizado Atlético Mineiro). Com apenas 19 pontos em 57 disputados (33%), 5 minguadas vitórias, 4 empates, 10 derrotas (mais de 50%), 30 gols marcados e 39 sofridos (pior defesa da competição, ao lado da Portuguesa), o Vasco envergonha os seus torcedores. A culpa não é de Tita. A culpa é de quem achava ontem e ainda entende hoje que o time não é tão ruim assim. É péssimo. É medonho. É insuportavelmente fraco. Com esse elenco, não há Rinus Michels, Telê Santana, Guus Hiddink ou Bernardinho que salve. Hoje, infelizmente, o Vasco tem uma história e torcida de clube grande e time de Série B. Ou melhor, para brigar para não cair na B! E ainda faltam 19 jogos. Será que a defesa chegará aos 100 gols ao fim do returno?

Enquanto isso, o Vitória só orgulha o seu torcedor. Foi um massacre no Barradão, com um inapelável 5 a 0, gols de Dinei, Ramon, Leandro Domingues, Jackson e Adriano. O Vitória tem tudo que o Vasco não tem: treinador com elenco na mão, plantel jovem e de qualidade, padrão de jogo, defesa razoável e ataque rápido. Por isso, termina o turno em 5º lugar, a apenas um ponto do G4 – o São Paulo tem 33. E olha que Marquinhos nem jogou tanto hoje. O Vitória vai brigar, sim, por uma vaga na Libertadores.

* Após quatro vitórias seguidas, o Cruzeiro tropeçou no gramado ruim do Canindé (3.489 pagantes) e numa aplicada Portuguesa: 2 a 1, gols de Jonas e Edno, enquanto Fabrício descontou. Foi bom para o Grêmio, que abriu cinco pontos para a Raposa, segunda colocada. Apesar desse resultado, o Cruzeiro, no meu entender, se manterá no G4 até o fim da competição – está nele há 18 rodadas - e permanecerá na caça aos gaúchos. Elenco bom, treinador, também, tudo está no lugar. Basta não cair na tentação de vender mais alguém. Sábado o time recebe o Vitória e tem tudo para se recuperar. E a Lusa luta para não cair. Por enquanto está livre. Até com certa folguinha. Mas é bom deixar os dois olhos arregalados.

* Todos os aplausos para a campanha do excelente time do Coritiba – o melhor, disparado, do Paraná. Terminou o 1º turno em 6º lugar, com 9 vitórias, 5 empates e 5 derrotas. Dos primeiros colocados, o Coritiba só perdeu para o Grêmio. Ganhou do Palmeiras e do Flamengo e empatou com Cruzeiro, São Paulo e Vitória. O time é bom, bem armado por Dorival Junior, tem padrão tático, um bom meio de campo, com Carlinhos Paraíba, Alê e Guaru, e um atacante de ponta como Keirrison, autor de 2 gols no 3 a 0 sobre o Sport, no Couto Pereira (20.077 pagantes) e com 10 na briga pela artilharia – Alex Mineiro e Kleber Pereira têm 11. Já o Sport terminou o 1º turno em 9º lugar. Como já ganhou o ano com o título da Copa do Brasil e a classificação assegurada na Libertadores, está mais do que de ótimo tamanho. Quem vai reclamar?

* Em outro terrível confronto da rodada, vitória do Ipatinga sobre o Fluminense, de virada, no Ipatingão (3.788 presentes). Até a expulsão de Fabinho – carrinho criminoso -, a equipe de Renato Gaúcho vencia e tinha o jogo nos pés – muito pela fraqueza do adversário. Tartá, ainda no primeiro tempo, havia marcado. O Tricolor, que desperdiçou outras chances – leia-se Somália e Washington -, viu a situação de promissora voltar ao antigo sofrimento em apenas três minutos. Depois de tanto pressionar, Adeílson e Kempes anotaram os gols da virada. Até merecida. Acostumado a sofrer mais faltas do que fazê-las, o Fluminense hoje é um time descontrolado emocionalmente. Enquanto isso, a situação é refletida no campo e na tabela: 16 pontos em 57 possíveis. O tempo de brincadeira se esgotou. É hora de voltar à sala de aula.

* Mais uma atuação sofrível do Santos. Novo resultado decepcionante. Nada parece ter mudado no alvinegro praiano, agora com o interino Márcio Fernandes. Apesar de não ter feito uma partida brilhante – longe disso -, o adversário Náutico ao menos voltou a vencer – acumulava jejum desde a 10ª rodada, na vitória sobre o São Paulo. Curiosamente – ou não -, na reestréia de Roberto Fernandes no comando do Timbu. Nos Aflitos (13.711 torcedores), 1 a 0, gol de Negretti em um dos muitos ataques aéreos do alvirrubro pernambucano. Douglas ainda fez boas defesas que evitaram uma derrota maior. Perdido em campo, o Santos foi o retrato fiel de sua pífia campanha – 17 pontos em 19 jogos.

* Vaga na Libertadores é o máximo que o bom time (no papel) do Internacional pode almejar nesse Campeonato Brasileiro – se bem que não esteve nela durante todo turno. Não engrena. Hoje, na estréia de Daniel Carvalho, tropeçou mais uma vez no Beira-Rio (23.234 pagantes). Depois de perder para o Santos, ficou no empate de 1 a 1 com o Figueirense (Diogo e Nilmar). Tite não acertou a equipe e já tem muita resistência. Com sete derrotas e apenas sete vitórias, os gaúchos estão em 10º lugar, a 15 pontos do Grêmio. O título já era. O ataque não funciona – fez apenas 21 gols em 19 jogos. Números de meio de tabela. Como são os do Figueirense – 11º, com 25. Nenhum deles deu liga. E acho difícil que venham a dar nesse Brasileirão. Apesar do ótimo elenco de vermelho.

* Marcelinho Paraíba, aos 33 anos, chega como incógnita ao Flamengo. Pode ser útil, mas sempre dependeu do corpo, do estado físico para render. Vamos ver como ele está. Suas ultimas temporadas na Europa foram decepcionantes. Talvez por isso o Wolfsburg o tenha liberado tão facilmente. Amanhã eu volto ao tema. Por ora, garanto: Marcelinho Paraíba pode ajudar, mas está longe de ser a solução. Aguardemos. Amanhã eu explico melhor.

* Renato Gaúcho não é mais o técnico do Fluminense. O treinador foi demitido após mais uma derrota no Campeonato Brasileiro - dessa vez sobre o lanterna Ipatinga, no Ipatingão. Permaneceu aproximadamente um ano e quatro meses no cargo - e conquistou a Copa do Brasil de 2007. Mas o ciclo parecia ter acabado desde a derrota na final da Libertadores. Cuca e Carlos Alberto Parreira surgem como possibilidades. E você, aposta em quem como comandante do tricolor?

Nada melhor do que ser pai. Só não foi um domingo perfeito pelo fato de não ter mais o meu pai. Mas sei que está feliz em saber que tenho o meu filho, minha família, minha mãe, meus amigos, meus leitores, minha vida. É muito bom ser pai. Saudades do meu. Que eu seja tão bom e importante para o Pequeno Bob quanto o Grande Carmona foi para mim. Um ótimo fim de domingo e semana melhor ainda para todos.

Colaborou Victor Canedo

Passeio no Maracanã

Sáb, 26/07/08
por Lédio Carmona |

Há tempos não se via um claro domínio no Maracanã (13.808 pagantes). O Fluminense até ficou bastante tempo na frente do placar pelo fraquíssimo futebol apresentado. Washington, de pênalti, abriu o logo aos 10 minutos. Mas o Cruzeiro, mesmo fora de casa, tomou as ações da partida. Os laterais da Raposa tinham total liberdade. E a facilidade para tocar a bola era notável. De se espantar somente a escalação da equipe de Renato Gaúcho - que atuava em casa - com três zagueiros e dois volantes de contenção, sendo esses Ygor (!) e Fabinho. Claro, inúmeros desfalques acabaram atrapalhando da vida do treinador. Nada que pudesse influenciar numa escalação tão acuada e perdida. A virada acabou ocorrendo naturalmente, com Guilherme e Fabrício, de falta – colaboração de Ricardo Berna. Aliás, diga-se, mais uma grande atuação do volante cruzeirense.

A história não foi lá muito diferente na segunda etapa. Desespero tricolor refletido na tabela – 13 pontos, na 18ª colocação – e no campo – Luiz Alberto expulso infantilmente no fim. Enquanto não vierem reforços do nível dos que saíram, os erros dificilmente serão perdoados – ou compensados. Coube a Wagner, outro destaque, fechar o caixão – onde cabia mais. E deixar o Cruzeiro feliz da vida, de volta ao G4, com 27 pontos. Ao menos na noite deste sábado, quando o tabu de 36 anos sem vitórias diante do Fluminense no Maracanã foi quebrado. Como um passeio no Rio de Janeiro.

* O Ipatinga mostrou mais uma vez não estar morto. Azar do Internacional, que sucumbiu novamente longe do Beira-Rio. Se em casa a equipe de Tite funciona com até qualidade, fora dos seus domínios a situação é inversa. A falta de criatividade foi o principal fator para o fraquíssimo primeiro tempo – para piorar, o Colorado perdeu Alex, lesionado. Aos 32 do segundo tempo, o gol de Beto acabou como castigo para o sonolento Internacional, que desperdiçou ótima chance de encostar de vez no pelotão da frente. Já o Tigre ultrapassou o Santos – que ainda joga neste domingo -, e colou no Fluminense. Será que o destino reservou vagas para grandes na Série B de 2009? Você responde.

* Não me surpreendi com o resultado nos Aflitos (12.552 torcedores). Num jogo de muitas faltas e passes errados, vitória de quem ainda dá sinais de qualidade – ainda que escassos. O Coritiba marcou com Guaru. Piauí empatou. E o Timbu até poderia ter virado não fosse a trave e a própria incompetência. Mas no fim a estrela de Keirrison fez a diferença. O Coxa garantiu a sétima colocação, com 23 pontos. Já o Náutico despenca. Soma cinco preocupantes jogos sem vitória. E Pintado pode ser o próximo da ingrata e famosa lista que percorre o Campeonato Brasileiro.

Colaborou Victor Canedo

O novo vice-líder

Sáb, 19/07/08
por Lédio Carmona |

Sim, há méritos em um vice-líder. E hoje o Campeonato Brasileiro voltou a ter o Grêmio na segunda posição. Que dominou por completo o desfalcado Cruzeiro, no Olímpico (28.217 pagantes), e alcançou a marca dos 25 pontos. Apenas um a menos que o Flamengo – que joga no domingo. A vitória de 1 a 0, com o golaço de Paulo Sérgio, muito se deve à inoperância dos atacantes gremistas. Perea, André Luís, Reinaldo… Todos desperdiçaram chances claras. O bom goleiro Victor mal trabalhou. Sem Fabrício, Ramires, Wagner e Weldon, a Raposa pouco ameaçou. Completa é uma equipe forte. Mas ainda falta ganhar a minha confiança.

Confesso que após 13 rodadas não esperava o Grêmio na vice-liderança. Celso Roth montou um esquema sólido – o Tricolor Gaúcho possuí a melhor defesa do campeonato, com apenas 10 gols sofridos -, com qualidade também no meio campo. Destaco William Magrão e principalmente, o jovem Rafael Carioca. Tcheco, apesar do gol perdido, também substituí Roger à altura. E ainda tem lugar para Souza. As perspectivas são boas para o Grêmio.

* Alívio. O Fluminense até começou bem a partida diante do Figueirense, no Maracanã (12.499 pagantes). Acertou a trave em duas oportunidades – Dodô e Washington - e fez Wilson trabalhar. Mas foi só. O Figueirense, desfalcado de jogadores importantes como Cleiton Xavier e Edu Sales, também não ameaçava Ricardo Berna. O polêmico gol – e único da partida - de Thiago Neves – não achei falta de Washington –, já aos 40 da segunda etapa, acabou premiando os 15 minutos iniciais de bom futebol do Fluminense. Muito pouco. A equipe de Renato Gaúcho mostrou-se sem padrão tático na maior parte do tempo. E vai sentir a falta dos gols de Thiago Neves - será que ele volta? - e das coberturas de Thiago Silva. Não fossem ambos e os desfalques da arrumada equipe de Paulo César Gusmão, e o cargo de Renato Gaúcho já estaria em perigo.

* O Ipatinga já mostrava evolução. Consolidada neste sábado na goleada sobre a Portuguesa, no Ipatingão – alguém tem o público? -, por 4 a 1. Rodriguinho, duas vezes, Dias (contra) e Marinho marcaram para o Tigre. Halisson descontou. E a Lusa, que parecia recuperada, voltou a cair. Vagner Benazzi está com os dias contados. Mas o problema está longe de ser no comando técnico. O elenco é limitado. E a 14ª colocação está longe de ser algo anormal. Assim como a vice-lanterna – o Santos precisa vencer o Sport para voltar à 19ª posição - não é uma surpresa para o Ipatinga.

Colaborou Victor Canedo