Altos & Baixos
De fato, este é o mais empolgante Brasileirão de pontos corridos. A disputa para entrar na Libertadores está magnífica. Já o campeonato na parte de baixo da tabela é emocionante. Na primeira parte da 26ª rodada, em apenas três partidas, foram marcados 13 gols. Média de 4,3 gols por jogo. Um sábado de alívio e lamentações para diversas torcidas. Vamos aos jogos:
Não é por mero acaso que o Goiás tem a melhor campanha do segundo turno. Sob comando de Hélio dos Anjos, o time encaixou. Defende com firmeza, é criativo e marcador no meio, e rápido e objetivo demais no contra-ataques, com a ajuda do ótimo Vitor e do veloz Julio Cesar pelos lados do campo. Marcio Fernandes, técnico do Santos, sabia disso tudo. Deve ter passado todos os segredos para os jogadores. Mas não adiantou absolutamante nada. O começo do Goiás, no Serra Dourada, foi avassalador. Em apenas 13 minutos, já vencia por 3 a 0. Com 1 minuto, Paulo Baier, de cabeça, fez 1 a 0. Aos 3min, Anderson Gomes, livre após lançamento de Vítor, fez 2 a 0. E, aos 13 min, Julio Cesar foi derrubado na área: Iarley, de pênalti: 3 a 0. Teria sido mais no primeiro tempo, se o Goiás não parasse e não ficasse com certa soberba. Sorte do Santos. No segundo tempo, novo golpe de misericórdia. Quando o Santos tentava se impor em campo, Rafael Marques fez 4 a 0, logo aos 8 min. Pará ainda encontrou um gol de honra para o alvinegro praiano, aos 29min. Mas aí, não tinha mais jeito. O massacre estava consumado. O Peixe continua com chances de escapar e creio que, se souber a administrar a derrota, pode seguir de cabeça em pé. E o Goiás, diabólico e muito bem treinado, já faz justos planos no caminho do G4. É difícil? É. Mas do jeito que os goianos têm jogado, nada é impossível.
De 26 rodadas, o Fluminense esteve 21 delas na zona da degola. Para uma equipe que sonhava com a Libertadores, a realidade é outra, e mais uma derrota no campeonato, a 13ª, desta vez foi de virada para o Coritiba por 3 a 2, no Maracanã, para 11.512 pagantes. Para ilustrar esse desespero, no segundo gol do Tricolor, marcado por Washington, aos 45 minutos do primeiro tempo, o atacante saiu correndo para pegar a bola que estava nas redes, enquanto a equipe vencia por 2 a 1. A situação ainda poderá piorar, basta Ipatinga e Portuguesa vencerem os jogos. Com isso, a equipe de Cuca poderá terminar o Brasileiro na última colocação. Já o Coritiba não queria nem saber da má fase do Fluminense. Aos 9 minutos, Carlinhos Paraíba abriu o placar. Washington empatou e virou ainda no primeiro tempo. Já na segunda etapa, Keirrison foi destaque, marcou dois e virou o placar para o Coxa. Pela terceira vez que visitou o Rio, a equipe de Dorival Júnior conseguiu a segunda vitória - a outra foi contra o Vasco, em São Januário – e agora está a dois pontos do G4, na 8ª posição.
Sem crise no Galo. Mesmo com a renúncia de Ziza Valadares no cargo da presidência do clube, na quinta-feira, o Atlético Mineiro saiu com a vitória de virada diante do Náutico por 2 a 1, no Mineirão. O Timbu começou surpreendente, Ruy abriu o placar após falha do goleiro Edson. Ainda no primeiro tempo, aos 42 minutos, quando a torcida mineira estava desanimada, Renan Oliveira arrancou com velocidade, invadiu a área e tocou na saída do goleiro Eduardo (1×1). A virada saiu aos 21 minutos, Petkovic, que havia entrado em campo há poucos minutos, cobrou falta, e após a bola ter batido no travessão Vinícius usou a cabeça para fazer o segundo. Com esta vitória, e se o Vasco perder, o Galo ficará a 7 pontos da zona do rebaixamento. Para o Jogo Aberto, a equipe de Marcelo Oliveira está livre da degola. Era um jogo de seis pontos e conseguiu. Já o Náutico ainda briga para não cair, está três pontos acima da fronteira dos quatros últimos.
Confira a classificação da Série A
Artilharia: Kleber Pereira (Santos) – 18 gols
Agenda de domingo: 16h - Atlético-PR x Grêmio; Sport x São Paulo; Portuguesa x Botafogo; e Figueirense x Cruzeiro; 18h10 - Internacional x Vitória; Palmeiras x Vasco; e Flamengo x Ipatinga
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Sábado decisivo e movimentado pelo Campeonato Brasileiro. Teve queda de invencibilidade em casa, fuga da zona do rebaixamento e até um novo lanterna. Bom para o espectador, cada vez mais empolgado com o equilíbrio do Brasileirão. Excelente para Cruzeiro, Palmeiras, Botafogo, Flamengo e São Paulo. Ruim para Portuguesa, Fluminense, Santos e Náutico… Fato é que as últimas 13 rodadas reservam uma saudável e exagerada emoção. Vamos às partidas:
Victor falhou no gol olímpico de Paulo Baier - invariavelmente um goleiro não comete erro nessas ocasiões. E se estivesse na mesma fase de algumas semanas, quando foi o melhor jogador do primeiro turno, defenderia o chute do bom lateral Vítor - lance normal, por sinal. Confesso que o gol de Léo, aos 30 do primeiro tempo, fez parecer que seria mais uma noite idêntica no Olímpico. Mas a equipe de Celso Roth encontra problemas para criar e concluir. O treinador, inclusive, pode promover a estréia de Richard Morales logo. E a zaga, até pouco tempo intransponível, sofreu seis gols nas últimas cinco partidas - a média ainda é muito boa, diga-se, mas insuficiente para manter a boa seqüência do Tricolor. O Goiás segue sua rotina de recuperação no segundo turno. E ainda enfrenta Palmeiras, Cruzeiro, Botafogo, Flamengo e São Paulo.
* 14 rodadas. Ou mais de dois meses. Tempo suficiente para creditarem o Ipatinga ao rebaixamento. Mas o Tigre mostrou estar vivo ao vencer o rival Atlético Mineiro, por 3 a 2, no Ipatingão. Ferreira abriu o placar para o time da casa, ainda na primeira etapa. Os instantes movimentados ficaram por conta dos 23 minutos iniciais do segundo tempo. Gols de Luciano Mandi e Adeílson para o Ipatinga; Renan Oliveira e Leandro Almeida para o Galo, já apreensivo com a aproximação da zona da rabeira. E que por pouco não empatou - graças às boas defesas do goleiro Fernando. Embora valha a pena ressaltar que é pouco para um clube centenário e de tanta tradição.
* Geninho não podia estrear de forma melhor. Na briga direto para escapar do descenso, o Atlético Paranaense derrotou a Portuguesa, por 2 a 0, na Arena da Baixada (15.638 pagantes). Gols só no segundo tempo. Júlio César e Antônio Carlos, ambos em cruzamentos de Netinho, marcaram para o Furacão. Galatto e Sérgio pouco trabalharam. E só. Enquanto um respira - o rubro-negro torce por uma derrota do Náutico para continuar fora da zona -, o outro agoniza. A vitória do Ipatinga colocou a lanterna na mão da Lusa, que não vence desde a 19ª rodada (2 a 1 sobre o Cruzeiro), e soma apenas um ponto no segundo turno. Preocupante para Estevam Soares.
O Flamengo demorou para se mexer. Liderava até a 15ª rodada. Uma semana depois se despedia do G4. Mas as contratações ensaiariam uma melhora - inclusive já notória dentro das quatro linhas. Dependendo do resultado de sábado entre Coritiba e Botafogo, no Couto Pereira, os rubro-negros podem sair do G4. Mais precisamente: o Flamengo só fica onde está se houver empate entre Coxa e alvinegros ou vitória por diferença de um gol dos paranaenses. Mas está evidente que o clube saiu da inércia.
* Mais parecia uma maratona tamanha foi a entrega física dos atletas no Orlando Scarpelli (15.372 pagantes), premiado com o melhor jogo da noite. Renovado, o Flamengo jogou muito bem na primeira etapa. Envolvente e com belos toques, o gol rubro-negro viria em questão de tempo. Exatos 18 minutos, quando Marcelinho Paraíba cruzou na medida para Ronaldo Angelim. Aos 40, foi a vez do próprio Marcelinho marcar o segundo, após passe de Íbson - o melhor em campo, sobretudo pelo trabalho na parte defensiva. Léo Moura, outro destaque, passou muito perto de ser comparado a Pelé, quando quase marcou do meio de campo.
* Por alguns momentos tive pena da bola no Mineirão. Criatividade certamente não era uma palavra bem vinda para Atlético Mineiro e São Paulo. O Galo, por jogar em casa, até que tomou a atitude desde o início. Pena que, para os 6.393 pagantes-guerreiros, sobre vontade e falte qualidade. À espera de um bote, o Tricolor Paulista estava acuado até demais. Mas encontrou o gol relativamente cedo, com Borges - ou seria de Marcos, contra? Não há como negar que Marques e Petkovic devam ser considerados peças fundamentais quando os reservas são Lenílson e Jael. André Dias até que tentou ajudar, mas o inexperiente árbitro Nielson Nogueira Dias não viu dois pênaltis cometidos pelo zagueiro. Como ambos os times são chegados em um empate, o destino acabou selado aos 35 da segunda etapa, quando Márcio Araújo empatou - ou seria de Rodrigo, contra? Placar mais justo só o 0 a 0.
* O Santos marcou 28 vezes no Campeonato Brasileiro. O que há de relevante nisso? Kleber Pereira pode explicar. Com mais dois marcados nesta quarta sobre o Vitória (2×0), na Vila Belmiro (10.061 pagantes), o artilheiro do Brasil alcançou os 17 no campeonato (aproximadamente 61% de toda a equipe). Sorte e competência de Márcio Fernandes, provisoriamente livre da zona de rebaixamento, em 15º, com 26 pontos. Mesmo que retorne sábado à noite, ao menos o alvinegro praiano dá sinais de melhora. Mas a noite de quarta-feira também teve outros destaques. Positivos, como Rodrigo Souto - essencial desde que voltou - e Douglas, e negativos, como toda a equipe baiana. O Vitória não apresenta um futebol semelhante ao que o credenciou como grata surpresa há algum tempo. Hoje a realidade é diferente. Um time baseado no sobrecarregado Marquinhos, que já não rende como antes - até por estar negociado -, e sem peças de reposição. Vale ressaltar que uma classificação à Sul Americana ainda é um ótimo negócio para os comandados de Vagner Mancini. E bem próximo de ser realizado.
* Quinta vitória seguida no Serra Dourada. Quarto revés consecutivo no campeonato. Os números mostram a absurda diferença atual entre Goiás e Atlético Paranaense. O resultado desta quarta-feira não podia ser diferente: 4 a 0 para os donos da casa, com grande destaque para os laterais Vítor e Thiago Feltri. O primeiro novamente deixou sua marca, enquanto o ex-Galo participou dos outros três restantes (Romerito, Iarley e Anderson Gomes). No grupo dos, digamos, sem ambição, a equipe de Hélio dos Anjos é a mais equilibrada. Não à toa tem tudo para terminar a rodada na 9ª colocação. Para quem há pouco era apontado como favorito ao descenso, até que o alviverde faz uma digníssima recuperação.
Ao planejar a tabela, em algum momento Ney Franco e Vagner Mancini se depararam com a 23ª rodada. Presumo que assinalaram a coluna um até com certa tranqüilidade. Tanto Náutico quanto Ipatinga aspiram exclusivamente escapar do descenso - me arrisco a dizer que os dois são fortes favoritos. Os decepcionantes empates em casa não colocam tudo a perder, mas complicam as ambições de Botafogo e Vitória no Campeonato Brasileiro, que teve ainda nova vitória do Goiás no Serra Dourada. Vamos aos jogos de sábado:
* O que na teoria seria fácil, na prática acabou como frustração. O Botafogo sonhava com uma vitória e leve combinação de resultados para terminar a 23ª rodada na vice-liderança. No entanto, o gol de Adriano, aos 37 da segunda etapa, pode recolocá-lo na sexta colocação - basta a São Paulo e Flamengo vencerem os respectivos clássicos. Mas a noite até que prometia aos 24 mil presentes no Engenhão. Após longa pressão na primeira etapa, Carlos Alberto abriu o placar aos 39. O Timbu, até certo ponto defensivo, só foi assustar Castillo depois do gol sofrido.
* O jogo contra o último colocado, Ipatinga, era decisivo para o Vitória sonhar com a vaga na Libertadores. Mas, em pleno Barradão, o Leão não saiu do zero diante do lanterna. Muitas vaias da torcida, em especial a Marquinhos, negociado com a parceira do Palmeiras. O rubro-negro baiano até deu trabalho ao goleiro Fernando, mas deve boas apresentações. E sente a falta dos gols de Dinei, já no Celta de Vigo, da Espanha. Apesar das adversidades, a campanha do Vitória ainda é de se elogiar. As dificuldades de Vagner Mancini são previsíveis. A tendência é cair de produção - soma 37 pontos (5º), mas pode despencar para oitavo. O inverso da equipe de Márcio Bittencourt, que somou quatro dos últimos seis pontos disputados. Embora escapar da segundona seja uma tarefa árdua demais para o Tigre.
* Tenho reparado no bom rendimento do Goiás de Hélio dos Anjos, em especial no Serra Dourada. Hoje, com os experientes e eficientes Romerito e Iarley, venceu mais uma. 2 a 0 sobre o Figueirense, mesmo com a expulsão de Adriano Gabiru. O alviverde alcançou os 30 pontos e uma posição até tranqüila na tabela - inclusive estaria hoje classificado à Sul Americana. Já o Figueira faz o caminho inverso. Depois dos bons resultados de julho, o fim de agosto mostra que a equipe de Paulo César Gusmão deve terminar na zona da marola. De novo.
Belíssima partida no Maracanã. Muita boa, mesmo. Flamengo e Grêmio, com mais de 31 mil pagantes (esperava mais gente), foi um confronto de alto nível porque eram dois bons times em ação. Dispostos a jogar, a brigar pela vitória, ambos com sonhos de título. E os rubro-negros levaram a melhor, num final eletrizante: 2 a 1, gols de Maxi, no primeiro tempo, Souza, de falta, e Toró, a cinco minutos do fim. Bom resultado para a turma do arco-íris, pois o Grêmio ficou com 44 pontos, a cinco do Cruzeiro, sete de Botafogo e Palmeiras, oito do São Paulo e nove de Flamengo (agora em 6º, a dois do G4) e Coritiba. O Brasileirão segue espetacular e totalmente aberto.
Foi o melhor jogo do Flamengo nos últimos 30 dias. Airton e Kleberson entraram bem no time. Marcelo Paraíba se movimentou muito e participou bastante do jogo. E os laterais, como sempre, funcionaram bem, principalmente Juan. Assim, o Flamengo saiu com tudo, apertou o Grêmio, que tentava cozinhar a partida. Até conseguia, mas, aos 26 min, Juan arriscou de fora da área, Victor deu rebote e Maxi fez 1 a 0. A partir dos 30 min, o Grêmio entrou de vez na partida, equilibrou as ações e também passou a pressionar.
* César Cielo deu o pontapé inicial que o Vasco precisava em Santa Bárbara D’Oeste. No dia em que completara 110 anos, o time de Tita conquistou a primeira vitória fora de casa. O magro 1 a 0 sobre a Portuguesa - belo gol de Alex Teixeira - foi suficiente não só para afastar as preocupações recentes de rebaixamento, como para empurrar o rival para a zona de rebaixamento. Segunda vitória seguida sem levar um gol sequer. Embora o Vasco tenha jogado mal - assim como a Lusa, no péssimo gramado do Estádio Antonio Guimarães -, o começo de Tita é dos melhores. Já a equipe de Valdir Espinosa voltou à zona de rebaixamento após longo período afastado. Apesar das duas bolas na trave de Roberto na primeira etapa, o futuro é perigoso. Falta criatividade. Falta um Diogo, que não volta mais.
* No sobe-e-desce do Campeonato Brasileiro, Atlético Mineiro e Goiás provaram o veneno do empate no Mineirão. O Galo, que há uma semana sequer pensava em rebaixamento, vê a volta de um perigoso fantasma - 14º, a dois pontos da Portuguesa. Poderia ainda ter sido pior se Édson não defendesse pênalti cobrado por Iarley, quando o placar já marcava 1 a 1 - Petkovic e Paulo Baier. O alviverde ainda pressionou - foi superior em boa parte do jogo -, mas o gol da vitória não veio. Por isso caiu uma posição (12º, com 26 pontos). E a tabela segue equilibradíssima, seja no topo ou na rabeira.
O Grêmio não perde desde o dia 6 de julho. São 12 jogos invictos no Brasileiro. Venceu os últimos cinco jogos, dois deles fora de casa. O que o torcedor exigente quer mais? Ah, esqueci que o Grêmio tem o ataque mais positivo (36 gols) e é o time que mais ganhou (13). Eficiência ofensiva, sem ter um artilheiro brigando nas primeiras posições. Sinal de que o jogo é coletivo. Ainda não convenci vocês? Então, para fechar, com 73% de aproveitamento, o Grêmio precisará, segundo meus cálculos, de ganhar 50% dos pontos que tem a disputar para ser campeão. Nada mal para um time que não convence a tanta gente…
Há casamentos que, antes mesmo de serem consumados, davam pinta de que poderiam ter final feliz. Eu, pelo menos, sempre achei que Ney Franco tinha caixa para dar jeito no Botafogo. E que a Estrela Solitária poderia fazer do treinador um sujeito satisfeito com a relação. Não deu outra. Desde que houve o “sim” entre as duas partes, os alvinegros jogaram 10 partidas no Brasileirão. Ganharam 7, empataram 2 e só perderam 1 (São Paulo, no Morumbi). São cinco vitórias seguidas, a quinta hoje, na Ilha do Retiro, contra o Sport (1 a 0, gol de Jorge Henrique). E, vejam só, Ney Franco e o Botafogo dormirão os próximos dias no G4 (4º, com 34 pontos). Lua de mel mais do que perfeita.
* Jogo duríssimo no Parque Antarctica (15.210 pagantes). É muito bem arrumado e treinado esse Coritiba, de Dorival Junior. Controla o jogo, não se desespera, sabe ficar com a posse de bola, e arrisca bem nos contra-ataques. Mas é duro fazer resultado na casa do Palmeiras. Lá, em 10 partidas, o time de Vanderlei Luxemburgo venceu nove. Hoje foi a nona: 1 a 0, gol de Alex Mineiro, de cabeça, na reta final da partida. Quando tudo parecia ainda mais difícil, pois os anfitriões jogavam com 10 (Fabinho Capixaba foi expulso). Mas veio o gol de Alex Mineiro. E, com ele, os três pontos.
* O empate invariavelmente é ruim para ambos. O Flamengo, no entanto, não tem do que se queixar depois do ponto conquistado (2×2) diante do Santos, na Vila Belmiro (15.359 pagantes). Saiu ganhando, aos sete minutos, num lance isolado - e sortudo - de Léo Moura. E só. Passou o resto do primeiro tempo acuado, sem opções ofensivas. Inclua aí Marcelinho Paraíba, apagado em sua estréia- talvez pela falta de ritmo. Não à toa Bruno foi o grande destaque da partida, mesmo com os dois gols de Kleber Pereira. A expulsão de Cristian no segundo tempo só reforça a satisfação rubro-negra ao conquistar o empate com o mesmo Léo Moura, de pênalti - estupidamente cometido por Domingos.
* Tita deve estar querendo uma estátua em São Januário (5.387 pagantes). Ele conseguiu fazer com que a pavorosa defesa do Vasco jogasse bem contra o Internacional. Quase não falhou. O meio de campo esteve bem, principalmente Alex Teixeira e Madson. E o ataque, bem ou mal, sempre funcionou.
O Internacional cheio de novos jogadores é uma confusão só. Falta entrosamento, falta ritmo de jogo para os novos, como Daniel Carvalho e D´Alessandro, falta força física, falta liga com Tite. Infelizmente, o Internacional tem muitos bons jogadores, mas ainda não tem um time. Se terá um time a tempo de levá-lo à Libertadores, só um trabalho rápido e bem-feito garantirá. Eu, sinceramente, não acredito mais.
* A primeira etapa no Maracanã (12.666 pagantes) mostrou porque Fluminense e Atlético Mineiro habitam a parte debaixo da tabela há tantas rodadas. Passes errados a esmo, total falta de criatividade, faltas bobas… O tempo demorava a passar. Cuca então trocou o apagado Eduardo Ratinho pelo também ex-corinthiano Everton Santos. O Tricolor Carioca não melhorou. Mas, como atacava um pouco mais, marcou com Dodô, aos 16 da segunda etapa, após belo passe de Washington - um dos raros momentos de qualidade da dupla. A melhor chance do Atlético Mineiro veio com Petkovic, em escanteio cobrado na trave. Muito pouco. Somália ainda teve tempo para desperdiçar boas chances. O segundo tempo da equipe de Cuca não foi animador, porém eficiente. Justamente o que o Fluminense mais necessita. Já o Galo manteve a rotina de maus resultados longe de casa. Se o objetivo for somente escapar da segundona, o Atlético deve consegui-lo após algum esforço. Lamentável para um clube centenário e de muita tradição.
* O Goiás parece mesmo disposto a alçar vôos maiores. Mais uma boa vitória no Serra Dourada (4.083 pagantes). Dessa vez sobre o Náutico, de Roberto Fernandes, por 3 a 0. O alviverde não precisou nem de boas atuações de Iarley e Romerito - destaques até então. Gols de Paulo Baier, Paulo Henrique e Vítor - por pouco não o coloquei no Cartola FC. E 26 pontos somados, já na 11ª colocação - hoje estaria classificado para a Sul Americana. O Timbu, sem qualquer reação, voltou à zona de rebaixamento. Possuí o pior ataque da competição, com apenas 20 gols marcados. É bom vencer o jogo-chave diante do Fluminense, quarta-feira, nos Aflitos.
Não há melhor forma para terminar um turno de Campeonato Brasileiro. Líder isolado (41 pontos), melhor ataque (35 gols marcados), melhor defesa (12 gols sofridos), mais vitórias (12), menos derrotas (duas, a última na 9ª rodada) e há quatro jogos sem sofrer um gol sequer. Este é o Grêmio, muito bem na fita para levantar o caneco em dezembro. E que neste sábado deu mais um gigante passo. Vamos aos jogos:
* O resultado de 4 a 0 normalmente sugere um atropelamento. Não foi o que ocorreu no Mineirão. Mas na base da competência, o Grêmio novamente chegou lá. Defende-se como ninguém no campeonato. E dá o bote na hora certa. Como no gol de William Magrão, aos 35 do primeiro tempo. Que tendeu levemente ao Atlético. Embora Victor quase não tenha trabalhado - a trave ajudou em chute de Petkovic. Placar necessário para a equipe de Celso Roth usar mais ainda sua principal arma: o contra-ataque. Perea sofreu pênalti. Tcheco cobrou e fez 2 a 0. O Galo, então, sucumbia diante do desespero. Reinaldo, assim como em Florianópolis, aproveitou e deixou mais dois - na ocasião marcou três vindo do banco. Enquanto o ótimo Victor tratou de se consagrar - melhor goleiro do primeiro turno. Goleada de gente grande sobre quem já foi um dia. Infelizmente, o Atlético ficará satisfeito se fizer figuração na competição. Apesar da melhora com Marcelo Oliveira, a briga, como de hábito, é para escapar da segundona. Não há presente pior para uma instituição centenária - e de muito respeito - como o Clube Atlético Mineiro.
* A crise na Gávea já tomava proporções maiores e inesperadas. O longo jejum - sete jogos sem vitória - incomodava. E não havia melhor adversário para o Flamengo pôr um fim: o Atlético Paranaense, no Maracanã (14.257 pagantes). Mas o rubro-negro precisava de um herói, digamos alternativo. Diante de tantos desfalques, acabou sendo fácil encontrá-lo. Jaílton, o vilão da torcida de outrora, certamente fez o gol mais importante de sua carreira - grata colaboração de Galatto. O magro 1 a 0 - que para o torcedor rubro-negro é um placar gigante - é mais do que suficiente para a tranqüilidade voltar aos comandados de Caio Júnior. O Flamengo continua a dois pontos do G4, muito embora careça de reforços - para o ataque, e, principalmente, o meio-campo. Ou até mesmo um lateral-esquerdo se Juan for atuar como armador. Já o Atlético Paranaense, que de Furacão nada tem, muito provavelmente voltará à ingrata zona de rebaixamento. Futebolzinho feio e nada eficiente. Ao menos se constata a cada rodada que o problema não vem do banco de reservas. Vive acima disso.
* Partida movimentadíssima no Morumbi. O São Paulo jogou para o gasto e venceu o Goiás, por 2 a 1. Talvez a trave de Paulo Baier, já no fim, não fosse esperada, mas o Tricolor Paulista desandou a desperdiçar chances de gol. Dagoberto, inclusive, chegou a marcar, mas o gol foi corretamente anulado - André Lima participou do lance. Bolas na rede, de fato, foram três; Zé Luís e Rodrigo - que petardo! - para o time de Muricy, e Iarley - sempre ele -, de pênalti, para o alviverde goiano. Aliás, penalidade pra lá de discutível - ao menos em nada influenciou. O São Paulo continua em busca de uma regularidade, mas a vaga no G4 está assegurada até o início do returno. Enquanto o Goiás, de Hélio dos Anjos, sofre do sobe-e-desce. E hoje, quando joga fora de casa, a tendência é cair. Embora tenha material necessário - precisa ser bem trabalhado - para escapar da temida segunda divisão.






















