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Altos & Baixos

Sáb, 20/09/08
por Lédio Carmona |

De fato, este é o mais empolgante Brasileirão de pontos corridos. A disputa para entrar na Libertadores está magnífica. Já o campeonato na parte de baixo da tabela é emocionante. Na primeira parte da 26ª rodada, em apenas três partidas, foram marcados 13 gols. Média de 4,3 gols por jogo. Um sábado de alívio e lamentações para diversas torcidas. Vamos aos jogos:

Não é por mero acaso que o Goiás tem a melhor campanha do segundo turno. Sob comando de Hélio dos Anjos, o time encaixou. Defende com firmeza, é criativo e marcador no meio, e rápido e objetivo demais no contra-ataques, com a ajuda do ótimo Vitor e do veloz Julio Cesar pelos lados do campo. Marcio Fernandes, técnico do Santos, sabia disso tudo. Deve ter passado todos os segredos para os jogadores. Mas não adiantou absolutamante nada. O começo do Goiás, no Serra Dourada, foi avassalador. Em apenas 13 minutos, já vencia por 3 a 0. Com 1 minuto, Paulo Baier, de cabeça, fez 1 a 0. Aos 3min, Anderson Gomes, livre após lançamento de Vítor, fez 2 a 0. E, aos 13 min, Julio Cesar foi derrubado na área: Iarley, de pênalti: 3 a 0. Teria sido mais no primeiro tempo, se o Goiás não parasse e não ficasse com certa soberba. Sorte do Santos. No segundo tempo, novo golpe de misericórdia. Quando o Santos tentava se impor em campo, Rafael Marques fez 4 a 0, logo aos 8 min. Pará ainda encontrou um gol de honra para o alvinegro praiano, aos 29min. Mas aí, não tinha mais jeito. O massacre estava consumado. O Peixe continua com chances de escapar e creio que, se souber a administrar a derrota, pode seguir de cabeça em pé. E o Goiás, diabólico e muito bem treinado, já faz justos planos no caminho do G4. É difícil? É. Mas do jeito que os goianos têm jogado, nada é impossível.

De 26 rodadas, o Fluminense esteve 21 delas na zona da degola. Para uma equipe que sonhava com a Libertadores, a realidade é outra, e mais uma derrota no campeonato, a 13ª, desta vez foi de virada para o Coritiba por 3 a 2, no Maracanã, para 11.512 pagantes. Para ilustrar esse desespero, no segundo gol do Tricolor, marcado por Washington, aos 45 minutos do primeiro tempo, o atacante saiu correndo para pegar a bola que estava nas redes, enquanto a equipe vencia por 2 a 1. A situação ainda poderá piorar, basta Ipatinga e Portuguesa vencerem os jogos. Com isso, a equipe de Cuca poderá terminar o Brasileiro na última colocação. Já o Coritiba não queria nem saber da má fase do Fluminense. Aos 9 minutos, Carlinhos Paraíba abriu o placar. Washington empatou e virou ainda no primeiro tempo. Já na segunda etapa, Keirrison foi destaque, marcou dois e virou o placar para o Coxa. Pela terceira vez que visitou o Rio, a equipe de Dorival Júnior conseguiu a segunda vitória - a outra foi contra o Vasco, em São Januário – e agora está a dois pontos do G4, na 8ª posição.

Sem crise no Galo. Mesmo com a renúncia de Ziza Valadares no cargo da presidência do clube, na quinta-feira, o Atlético Mineiro saiu com a vitória de virada diante do Náutico por 2 a 1, no Mineirão. O Timbu começou surpreendente, Ruy abriu o placar após falha do goleiro Edson. Ainda no primeiro tempo, aos 42 minutos, quando a torcida mineira estava desanimada, Renan Oliveira arrancou com velocidade, invadiu a área e tocou na saída do goleiro Eduardo (1×1). A virada saiu aos 21 minutos, Petkovic, que havia entrado em campo há poucos minutos, cobrou falta, e após a bola ter batido no travessão Vinícius usou a cabeça para fazer o segundo. Com esta vitória, e se o Vasco perder, o Galo ficará a 7 pontos da zona do rebaixamento. Para o Jogo Aberto, a equipe de Marcelo Oliveira está livre da degola. Era um jogo de seis pontos e conseguiu. Já o Náutico ainda briga para não cair, está três pontos acima da fronteira dos quatros últimos.

Confira a classificação da Série A

Artilharia: Kleber Pereira (Santos) – 18 gols

Agenda de domingo: 16h - Atlético-PR x Grêmio; Sport x São Paulo; Portuguesa x Botafogo; e Figueirense x Cruzeiro; 18h10 - Internacional x Vitória; Palmeiras x Vasco; e Flamengo x Ipatinga

Reta final de luxo

Sáb, 13/09/08
por Lédio Carmona |

Sábado decisivo e movimentado pelo Campeonato Brasileiro. Teve queda de invencibilidade em casa, fuga da zona do rebaixamento e até um novo lanterna. Bom para o espectador, cada vez mais empolgado com o equilíbrio do Brasileirão. Excelente para Cruzeiro, Palmeiras, Botafogo, Flamengo e São Paulo. Ruim para Portuguesa, Fluminense, Santos e Náutico… Fato é que as últimas 13 rodadas reservam uma saudável e exagerada emoção. Vamos às partidas:

* Dos últimos 15 pontos disputados, o Grêmio fez cinco. Enquanto até a partida deste sábado, o Goiás era o vice-líder do segundo turno, com 10 pontos. Números, senão suficientes, ao menos ilustrativos para acreditar que a queda do último invicto em casa do Brasileirão não tardaria a vir. Hoje, pela primeira vez no campeonato, os gremistas saíram tristes do Olímpico. Para ser mais exato, 36.493 torcedores. A distância, que poderia ser de oito, é de seis. E ao término da 25ª rodada pode cair para três. Em meio a tantos números, alguns motivos podem explicar a surpreendente - para alguns - vitória do Goiás.

Victor falhou no gol olímpico de Paulo Baier - invariavelmente um goleiro não comete erro nessas ocasiões. E se estivesse na mesma fase de algumas semanas, quando foi o melhor jogador do primeiro turno, defenderia o chute do bom lateral Vítor - lance normal, por sinal. Confesso que o gol de Léo, aos 30 do primeiro tempo, fez parecer que seria mais uma noite idêntica no Olímpico. Mas a equipe de Celso Roth encontra problemas para criar e concluir. O treinador, inclusive, pode promover a estréia de Richard Morales logo. E a zaga, até pouco tempo intransponível, sofreu seis gols nas últimas cinco partidas - a média ainda é muito boa, diga-se, mas insuficiente para manter a boa seqüência do Tricolor. O Goiás segue sua rotina de recuperação no segundo turno. E ainda enfrenta Palmeiras, Cruzeiro, Botafogo, Flamengo e São Paulo.

* 14 rodadas. Ou mais de dois meses. Tempo suficiente para creditarem o Ipatinga ao rebaixamento. Mas o Tigre mostrou estar vivo ao vencer o rival Atlético Mineiro, por 3 a 2, no Ipatingão. Ferreira abriu o placar para o time da casa, ainda na primeira etapa. Os instantes movimentados ficaram por conta dos 23 minutos iniciais do segundo tempo. Gols de Luciano Mandi e Adeílson para o Ipatinga; Renan Oliveira e Leandro Almeida para o Galo, já apreensivo com a aproximação da zona da rabeira. E que por pouco não empatou - graças às boas defesas do goleiro Fernando. Embora valha a pena ressaltar que é pouco para um clube centenário e de tanta tradição.

* Geninho não podia estrear de forma melhor. Na briga direto para escapar do descenso, o Atlético Paranaense derrotou a Portuguesa, por 2 a 0, na Arena da Baixada (15.638 pagantes). Gols só no segundo tempo. Júlio César e Antônio Carlos, ambos em cruzamentos de Netinho, marcaram para o Furacão. Galatto e Sérgio pouco trabalharam. E só. Enquanto um respira - o rubro-negro torce por uma derrota do Náutico para continuar fora da zona -, o outro agoniza. A vitória do Ipatinga colocou a lanterna na mão da Lusa, que não vence desde a 19ª rodada (2 a 1 sobre o Cruzeiro), e soma apenas um ponto no segundo turno. Preocupante para Estevam Soares.

Colaborou Victor Canedo

A volta anunciada

Qua, 03/09/08
por Lédio Carmona |

O Flamengo demorou para se mexer. Liderava até a 15ª rodada. Uma semana depois se despedia do G4. Mas as contratações ensaiariam uma melhora - inclusive já notória dentro das quatro linhas. Dependendo do resultado de sábado entre Coritiba e Botafogo, no Couto Pereira, os rubro-negros podem sair do G4. Mais precisamente: o Flamengo só fica onde está se houver empate entre Coxa e alvinegros ou vitória por diferença de um gol dos paranaenses. Mas está evidente que o clube saiu da inércia.

Apesar da forte concorrência, Caio Júnior tem material para levar o Flamengo pela terceira vez consecutiva à principal competição sul-americana. Enquanto isso, Galo e Santos respiram o ar da Série A. Já São Paulo e Vitória parecem animados em disputar a Copa do Brasil de 2009… Vamos aos jogos desta quarta-feira:

* Mais parecia uma maratona tamanha foi a entrega física dos atletas no Orlando Scarpelli (15.372 pagantes), premiado com o melhor jogo da noite. Renovado, o Flamengo jogou muito bem na primeira etapa. Envolvente e com belos toques, o gol rubro-negro viria em questão de tempo. Exatos 18 minutos, quando Marcelinho Paraíba cruzou na medida para Ronaldo Angelim. Aos 40, foi a vez do próprio Marcelinho marcar o segundo, após passe de Íbson - o melhor em campo, sobretudo pelo trabalho na parte defensiva. Léo Moura, outro destaque, passou muito perto de ser comparado a Pelé, quando quase marcou do meio de campo.

PC Gusmão então lançou Tadeu. Seja pela presença do atacante ou não, funcionou. Pressão ensaiada, executada durante poucos minutos, mas nada além do gol de Rafael Coelho, aos 5 minutos do segundo tempo. Aos 36, Léo Moura ampliou em boa jogada de Marcelinho e Vandinho. Houve tempo ainda para Tadeu diminuir: 3 a 2. Três gols que colocam o rubro-negro ao lado de Grêmio e Palmeiras - ambos ainda jogam na rodada - como melhor ataque da competição, com 40. E, claro, de volta ao G4, pelo menos até a noite de sábado. O que a janela não faz… Seis jogos de invencibilidade. E outra decisão pela frente: São Paulo, domingo, no Morumbi. Na “zona da marola”, com 28 pontos, o Figueira ocupa o 13º lugar. Mas joga um futebol preocupante especialmente para sua torcida.

* Por alguns momentos tive pena da bola no Mineirão. Criatividade certamente não era uma palavra bem vinda para Atlético Mineiro e São Paulo. O Galo, por jogar em casa, até que tomou a atitude desde o início. Pena que, para os 6.393 pagantes-guerreiros, sobre vontade e falte qualidade. À espera de um bote, o Tricolor Paulista estava acuado até demais. Mas encontrou o gol relativamente cedo, com Borges - ou seria de Marcos, contra? Não há como negar que Marques e Petkovic devam ser considerados peças fundamentais quando os reservas são Lenílson e Jael. André Dias até que tentou ajudar, mas o inexperiente árbitro Nielson Nogueira Dias não viu dois pênaltis cometidos pelo zagueiro. Como ambos os times são chegados em um empate, o destino acabou selado aos 35 da segunda etapa, quando Márcio Araújo empatou - ou seria de Rodrigo, contra? Placar mais justo só o 0 a 0.

O São Paulo precisa recolocar os eixos no lugar. Disputar a Copa do Brasil em 2009, após cinco anos seguidos de Libertadores, é tudo o que o torcedor são-paulino e Muricy Ramalho não querem. Para isso, mais um jogo-chave, diante do Flamengo, no Morumbi. Algo que o Atlético Mineiro não deve ter no restante do Campeonato. Apesar da recente crise, os comandados de Marcelo Oliveira ainda estão numa situação confortável quanto ao rebaixamento.

* O Santos marcou 28 vezes no Campeonato Brasileiro. O que há de relevante nisso? Kleber Pereira pode explicar. Com mais dois marcados nesta quarta sobre o Vitória (2×0), na Vila Belmiro (10.061 pagantes), o artilheiro do Brasil alcançou os 17 no campeonato (aproximadamente 61% de toda a equipe). Sorte e competência de Márcio Fernandes, provisoriamente livre da zona de rebaixamento, em 15º, com 26 pontos. Mesmo que retorne sábado à noite, ao menos o alvinegro praiano dá sinais de melhora. Mas a noite de quarta-feira também teve outros destaques. Positivos, como Rodrigo Souto - essencial desde que voltou - e Douglas, e negativos, como toda a equipe baiana. O Vitória não apresenta um futebol semelhante ao que o credenciou como grata surpresa há algum tempo. Hoje a realidade é diferente. Um time baseado no sobrecarregado Marquinhos, que já não rende como antes - até por estar negociado -, e sem peças de reposição. Vale ressaltar que uma classificação à Sul Americana ainda é um ótimo negócio para os comandados de Vagner Mancini.  E bem próximo de ser realizado.

* Quinta vitória seguida no Serra Dourada. Quarto revés consecutivo no campeonato. Os números mostram a absurda diferença atual entre Goiás e Atlético Paranaense. O resultado desta quarta-feira não podia ser diferente: 4 a 0 para os donos da casa, com grande destaque para os laterais Vítor e Thiago Feltri. O primeiro novamente deixou sua marca, enquanto o ex-Galo participou dos outros três restantes (Romerito, Iarley e Anderson Gomes). No grupo dos, digamos, sem ambição, a equipe de Hélio dos Anjos é a mais equilibrada. Não à toa tem tudo para terminar a rodada na 9ª colocação. Para quem há pouco era apontado como favorito ao descenso, até que o alviverde faz uma digníssima recuperação.

Exatamente o oposto da equipe de Mário Sérgio. Se na quinta rodada do turno o Furacão era o quinto colocado, hoje amarga a 17ª posição, podendo ainda despencar para a vice-lanterna na noite sábado. Triste, porém previsível, visto que os esforços para tornar o clube bem estruturado são desproporcionais em relação à montagem de um elenco competitivo.

Surpresas e decepções

Sáb, 30/08/08
por Lédio Carmona |

Ao planejar a tabela, em algum momento Ney Franco e Vagner Mancini se depararam com a 23ª rodada. Presumo que assinalaram a coluna um até com certa tranqüilidade. Tanto Náutico quanto Ipatinga aspiram exclusivamente escapar do descenso - me arrisco a dizer que os dois são fortes favoritos. Os decepcionantes empates em casa não colocam tudo a perder, mas complicam as ambições de Botafogo e Vitória no Campeonato Brasileiro, que teve ainda nova vitória do Goiás no Serra Dourada. Vamos aos jogos de sábado:

* O que na teoria seria fácil, na prática acabou como frustração. O Botafogo sonhava com uma vitória e leve combinação de resultados para terminar a 23ª rodada na vice-liderança. No entanto, o gol de Adriano, aos 37 da segunda etapa, pode recolocá-lo na sexta colocação - basta a São Paulo e Flamengo vencerem os respectivos clássicos. Mas a noite até que prometia aos 24 mil presentes no Engenhão. Após longa pressão na primeira etapa, Carlos Alberto abriu o placar aos 39. O Timbu, até certo ponto defensivo, só foi assustar Castillo depois do gol sofrido.

O segundo tempo parecia ir para o mesmo caminho. Inclusive quando Alceu - que adora uma botinada -, aos 15 min, foi expulso. Ney Franco então pôs o argentino Zárate em campo (é cedo para crucificá-lo, até porque o jogador foi bastante elogiado durante os treinamentos, mas de fato não mostrou intimidade com a bola). Roberto Fernandes, também desesperado por um resultado, apostou em Gilmar e Felipe. O último não marcou por um detalhe chamado Diguinho. Na seqüência, em falha de Castillo, Adriano empatou. Empate que cai do céu para o Náutico, com 23 pontos, ainda na zona de rebaixamento. Mais do que amargo para o Botafogo - não fosse os dois empates seguidos no fim e estaria com 43. Hoje soma 39.

* O jogo contra o último colocado, Ipatinga, era decisivo para o Vitória sonhar com a vaga na Libertadores. Mas, em pleno Barradão, o Leão não saiu do zero diante do lanterna. Muitas vaias da torcida, em especial a Marquinhos, negociado com a parceira do Palmeiras. O rubro-negro baiano até deu trabalho ao goleiro Fernando, mas deve boas apresentações. E sente a falta dos gols de Dinei, já no Celta de Vigo, da Espanha. Apesar das adversidades, a campanha do Vitória ainda é de se elogiar. As dificuldades de Vagner Mancini são previsíveis. A tendência é cair de produção - soma 37 pontos (5º), mas pode despencar para oitavo. O inverso da equipe de Márcio Bittencourt, que somou quatro dos últimos seis pontos disputados. Embora escapar da segundona seja uma tarefa árdua demais para o Tigre. 

* Tenho reparado no bom rendimento do Goiás de Hélio dos Anjos, em especial no Serra Dourada. Hoje, com os experientes e eficientes Romerito e Iarley, venceu mais uma. 2 a 0 sobre o Figueirense, mesmo com a expulsão de Adriano Gabiru. O alviverde alcançou os 30 pontos e uma posição até tranqüila na tabela - inclusive estaria hoje classificado à Sul Americana. Já o Figueira faz o caminho inverso. Depois dos bons resultados de julho, o fim de agosto mostra que a equipe de Paulo César Gusmão deve terminar na zona da marola. De novo.

Classificação: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Futebol/Classificacao/0,,ESP0-9827,00.html

Colaborou Victor Canedo

Jogo de luxo

Qui, 21/08/08
por Lédio Carmona |

Belíssima partida no Maracanã. Muita boa, mesmo. Flamengo e Grêmio, com mais de 31 mil pagantes (esperava mais gente), foi um confronto de alto nível porque eram dois bons times em ação. Dispostos a jogar, a brigar pela vitória, ambos com sonhos de título. E os rubro-negros levaram a melhor, num final eletrizante: 2 a 1, gols de Maxi, no primeiro tempo, Souza, de falta, e Toró, a cinco minutos do fim. Bom resultado para a turma do arco-íris, pois o Grêmio ficou com 44 pontos, a cinco do Cruzeiro, sete de Botafogo e Palmeiras, oito do São Paulo e nove de Flamengo (agora em 6º, a dois do G4) e Coritiba. O Brasileirão segue espetacular e totalmente aberto.

Graças a um estado chamado Rio de Janeiro. As três derrotas do Tricolor Gaúcho no Campeonato Brasileiro foram para os cariocas. A última, por sinal, quebrou o longo jejum da equipe de Celso Roth: cinco vitórias seguidas sem sofrer um gol sequer. Nada que abale a ainda excelente campanha.

Foi o melhor jogo do Flamengo nos últimos 30 dias. Airton e Kleberson entraram bem no time. Marcelo Paraíba se movimentou muito e participou bastante do jogo. E os laterais, como sempre, funcionaram bem, principalmente Juan. Assim, o Flamengo saiu com tudo, apertou o Grêmio, que tentava cozinhar a partida. Até conseguia, mas, aos 26 min, Juan arriscou de fora da área, Victor deu rebote e Maxi fez 1 a 0. A partir dos 30 min, o Grêmio entrou de vez na partida, equilibrou as ações e também passou a pressionar.

No segundo tempo, o Grêmio melhorou ainda mais. Souza virou meio de campo e jogou muito. Makelele entrou bem na vaga de Perea, que não jogava nada. O Flamengo sentia o jogo, mas tinha a raça que compensava. O jogo ficou bom demais. Apenas um problemas: os dois chutavam pouco. O Flamengo continua sem centroavante. Quem sabe Josiel não será a solução? O Grêmio careceu do meu drama. Mas tinha Souza, que acertou linda cobrança de falta, aos 37 min. Golaço. Na garra, o Flamengo não desistiu e, após chute espirrado de Marcelinho Paraíba, a bola sobrou para Toró: 2 a 1.

Vitória rubro-negra. Bela vitória, num belo jogo, contra um belo adversário. Um duelo que explica bem porque o futebol é tão bom e lúdico. Jogaço!

* César Cielo deu o pontapé inicial que o Vasco precisava em Santa Bárbara D’Oeste. No dia em que completara 110 anos, o time de Tita conquistou a primeira vitória fora de casa. O magro 1 a 0 sobre a Portuguesa - belo gol de Alex Teixeira - foi suficiente não só para afastar as preocupações recentes de rebaixamento, como para empurrar o rival para a zona de rebaixamento. Segunda vitória seguida sem levar um gol sequer. Embora o Vasco tenha jogado mal - assim como a Lusa, no péssimo gramado do Estádio Antonio Guimarães -, o começo de Tita é dos melhores. Já a equipe de Valdir Espinosa voltou à zona de rebaixamento após longo período afastado. Apesar das duas bolas na trave de Roberto na primeira etapa, o futuro é perigoso. Falta criatividade. Falta um Diogo, que não volta mais.

* No sobe-e-desce do Campeonato Brasileiro, Atlético Mineiro e Goiás provaram o veneno do empate no Mineirão. O Galo, que há uma semana sequer pensava em rebaixamento, vê a volta de um perigoso fantasma - 14º, a dois pontos da Portuguesa. Poderia ainda ter sido pior se Édson não defendesse pênalti cobrado por Iarley, quando o placar já marcava 1 a 1 - Petkovic e Paulo Baier. O alviverde ainda pressionou - foi superior em boa parte do jogo -, mas o gol da vitória não veio. Por isso caiu uma posição (12º, com 26 pontos). E a tabela segue equilibradíssima, seja no topo ou na rabeira.

Colaborou Victor Canedo

Incontestável

Dom, 17/08/08
por Lédio Carmona |

17gremio.jpgDa mesma maneira que a alma despeitada do brasileiro tripudia dos resultados dos nossos atletas em Pequim, fazemos de tudo para botar para baixo quem merece elogios e uma melhor observação no Campeonato Brasileiro. Mas não. Preferimos simplificar, com nossas mentes obtusas, a vitória do Grêmio sobre o São Paulo por 1 a 0, no Olímpico (40.256 pagantes), gol de Perea, sob o simplório ponto de vista de que o lance decisivo do colombiano foi marcado em impedimento e que, dessa maneira, os gaúchos ganharam graças à arbitragem. Simplesmente patético.

O Grêmio ganhou do São Paulo por 1 a 0, gol de Perea, de fato, impedido, porque jogou melhor. Porque tem um meio de campo muito melhor do que o do adversário. Porque tem uma defesa tão boa quanto a do São Paulo, no ano passado, e que só levou 12 gols em 20 jogos. Por que tem um goleiraço. Porque tem William Magrão, volante que poucos dão valor, mas que corre o campo inteiro, marca e chega na frente. Porque tem um time disciplinado taticamente, que não joga bonito, mas sabe o que precisa para vencer, ou, no mínimo, chegar perto da vitória. Por tudo isso, o Grêmio ganhou um jogo chatíssimo, disputado num gramado encharcado, mas que, mesmo no cenário ruim, teve o vencedor correto.

O Grêmio não perde desde o dia 6 de julho. São 12 jogos invictos no Brasileiro. Venceu os últimos cinco jogos, dois deles fora de casa. O que o torcedor exigente quer mais? Ah, esqueci que o Grêmio tem o ataque mais positivo (36 gols) e é o time que mais ganhou (13). Eficiência ofensiva, sem ter um artilheiro brigando nas primeiras posições. Sinal de que o jogo é coletivo. Ainda não convenci vocês? Então, para fechar, com 73% de aproveitamento, o Grêmio precisará, segundo meus cálculos, de ganhar 50% dos pontos que tem a disputar para ser campeão. Nada mal para um time que não convence a tanta gente…

* O São Paulo? Esse sim, por mais que respeite e admire sua história e seu ótimo treinador, jamais me convenceu em 2008. Espirrou do G4 após perder uma partida da qual jamais deu pinta de que reagiria. Terá que jogar muito mais para jogar a Libertadores em 2009. Ainda dá? Claro que sim. Mas do jeito que está, não dará.

Há casamentos que, antes mesmo de serem consumados, davam pinta de que poderiam ter final feliz. Eu, pelo menos, sempre achei que Ney Franco tinha caixa para dar jeito no Botafogo. E que a Estrela Solitária poderia fazer do treinador um sujeito satisfeito com a relação. Não deu outra. Desde que houve o “sim” entre as duas partes, os alvinegros jogaram 10 partidas no Brasileirão. Ganharam 7, empataram 2 e só perderam 1 (São Paulo, no Morumbi). São cinco vitórias seguidas, a quinta hoje, na Ilha do Retiro, contra o Sport (1 a 0, gol de Jorge Henrique). E, vejam só, Ney Franco e o Botafogo dormirão os próximos dias no G4 (4º, com 34 pontos). Lua de mel mais do que perfeita.

* Sobre o jogo, confesso que já vi o Botafogo, de Ney Franco, jogar mais. Mas, como também já observei o Sport, de Nelsinho Baptista, funcionar melhor, ganharia quem marcasse primeiro. Foi o Botafogo, com Jorge Henrique. Pois é: quando a fase é boa, até Jorge Henrique acerta o gol. Que fase. Que amor. Que momento…

* Jogo duríssimo no Parque Antarctica (15.210 pagantes). É muito bem arrumado e treinado esse Coritiba, de Dorival Junior. Controla o jogo, não se desespera, sabe ficar com a posse de bola, e arrisca bem nos contra-ataques. Mas é duro fazer resultado na casa do Palmeiras. Lá, em 10 partidas, o time de Vanderlei Luxemburgo venceu nove. Hoje foi a nona: 1 a 0, gol de Alex Mineiro, de cabeça, na reta final da partida. Quando tudo parecia ainda mais difícil, pois os anfitriões jogavam com 10 (Fabinho Capixaba foi expulso). Mas veio o gol de Alex Mineiro. E, com ele, os três pontos.

O problema é que a equipe não tem regularidade. Fora de casa é um fracasso (30% de aproveitamento). Por isso está a sete pontos do Grêmio (3º, com 37). Mas o fator-campo lhe garante uma vaga no G4. Se o Palmeiras terá força para ir além, deixemos para responder mais à frente. Com a atual irregularidade, será difícil. Já o Coxa segue em oitavo, com 32. Uma ótima campanha para um clube que (está na cara) tem organização, planejamento e bom-senso.

* O empate invariavelmente é ruim para ambos. O Flamengo, no entanto, não tem do que se queixar depois do ponto conquistado (2×2) diante do Santos, na Vila Belmiro (15.359 pagantes). Saiu ganhando, aos sete minutos, num lance isolado - e sortudo - de Léo Moura. E só. Passou o resto do primeiro tempo acuado, sem opções ofensivas. Inclua aí Marcelinho Paraíba, apagado em sua estréia- talvez pela falta de ritmo. Não à toa Bruno foi o grande destaque da partida, mesmo com os dois gols de Kleber Pereira. A expulsão de Cristian no segundo tempo só reforça a satisfação rubro-negra ao conquistar o empate com o mesmo Léo Moura, de pênalti - estupidamente cometido por Domingos.

A lamentar a grave contusão sofrida pelo jovem promissor Maikon Leite. E, claro, a péssima fase santista. Já são quatro jogos sem vitória e quinze rodadas na zona de rebaixamento. Enquanto o time de Caio Júnior, mesmo sem vencer, manteve os dois pontos e distância do G4. E terá Juan de volta contra o Grêmio, no jogão de quinta-feira, no Maracanã.

* Tita deve estar querendo uma estátua em São Januário (5.387 pagantes). Ele conseguiu fazer com que a pavorosa defesa do Vasco jogasse bem contra o Internacional. Quase não falhou. O meio de campo esteve bem, principalmente Alex Teixeira e Madson. E o ataque, bem ou mal, sempre funcionou.

Soma-se tudo isso, ao bizarro lance de Clemer, que cometeu uma das furadas mais ridículas da história octogenária de São Januário, e chegamos à goleada de 4 a 0 do Vasco sobre o Internacional (Bolivar, contra, Edmundo, Eduardo Luís e Jean). Após três domingos sendo surrado, chegou o dia de o Vasco dar a sua coça! E foi de jeito. Tão forte que o tirou da zona do rebaixamento (15º, com 22). Que aproveite a fase e o bom astral de Tita para sair do buraco de vez por todas.

O Internacional cheio de novos jogadores é uma confusão só. Falta entrosamento, falta ritmo de jogo para os novos, como Daniel Carvalho e D´Alessandro, falta força física, falta liga com Tite. Infelizmente, o Internacional tem muitos bons jogadores, mas ainda não tem um time. Se terá um time a tempo de levá-lo à Libertadores, só um trabalho rápido e bem-feito garantirá. Eu, sinceramente, não acredito mais.

* A primeira etapa no Maracanã (12.666 pagantes) mostrou porque Fluminense e Atlético Mineiro habitam a parte debaixo da tabela há tantas rodadas. Passes errados a esmo, total falta de criatividade, faltas bobas… O tempo demorava a passar. Cuca então trocou o apagado Eduardo Ratinho pelo também ex-corinthiano Everton Santos. O Tricolor Carioca não melhorou. Mas, como atacava um pouco mais, marcou com Dodô, aos 16 da segunda etapa, após belo passe de Washington - um dos raros momentos de qualidade da dupla. A melhor chance do Atlético Mineiro veio com Petkovic, em escanteio cobrado na trave. Muito pouco. Somália ainda teve tempo para desperdiçar boas chances. O segundo tempo da equipe de Cuca não foi animador, porém eficiente. Justamente o que o Fluminense mais necessita. Já o Galo manteve a rotina de maus resultados longe de casa. Se o objetivo for somente escapar da segundona, o Atlético deve consegui-lo após algum esforço. Lamentável para um clube centenário e de muita tradição.

* O Goiás parece mesmo disposto a alçar vôos maiores. Mais uma boa vitória no Serra Dourada (4.083 pagantes). Dessa vez sobre o Náutico, de Roberto Fernandes, por 3 a 0. O alviverde não precisou nem de boas atuações de Iarley e Romerito - destaques até então. Gols de Paulo Baier, Paulo Henrique e Vítor - por pouco não o coloquei no Cartola FC. E 26 pontos somados, já na 11ª colocação - hoje estaria classificado para a Sul Americana. O Timbu, sem qualquer reação, voltou à zona de rebaixamento. Possuí o pior ataque da competição, com apenas 20 gols marcados. É bom vencer o jogo-chave diante do Fluminense, quarta-feira, nos Aflitos.

Colaborou Victor Canedo

Meio caminho andado

Sáb, 09/08/08
por Lédio Carmona |

Não há melhor forma para terminar um turno de Campeonato Brasileiro. Líder isolado (41 pontos), melhor ataque (35 gols marcados), melhor defesa (12 gols sofridos), mais vitórias (12), menos derrotas (duas, a última na 9ª rodada) e há quatro jogos sem sofrer um gol sequer. Este é o Grêmio, muito bem na fita para levantar o caneco em dezembro. E que neste sábado deu mais um gigante passo. Vamos aos jogos:

* O resultado de 4 a 0 normalmente sugere um atropelamento. Não foi o que ocorreu no Mineirão. Mas na base da competência, o Grêmio novamente chegou lá. Defende-se como ninguém no campeonato. E dá o bote na hora certa. Como no gol de William Magrão, aos 35 do primeiro tempo. Que tendeu levemente ao Atlético. Embora Victor quase não tenha trabalhado - a trave ajudou em chute de Petkovic. Placar necessário para a equipe de Celso Roth usar mais ainda sua principal arma: o contra-ataque. Perea sofreu pênalti. Tcheco cobrou e fez 2 a 0. O Galo, então, sucumbia diante do desespero. Reinaldo, assim como em Florianópolis, aproveitou e deixou mais dois - na ocasião marcou três vindo do banco. Enquanto o ótimo Victor tratou de se consagrar - melhor goleiro do primeiro turno. Goleada de gente grande sobre quem já foi um dia. Infelizmente, o Atlético ficará satisfeito se fizer figuração na competição. Apesar da melhora com Marcelo Oliveira, a briga, como de hábito, é para escapar da segundona. Não há presente pior para uma instituição centenária - e de muito respeito - como o Clube Atlético Mineiro.

* A crise na Gávea já tomava proporções maiores e inesperadas. O longo jejum - sete jogos sem vitória - incomodava. E não havia melhor adversário para o Flamengo pôr um fim: o Atlético Paranaense, no Maracanã (14.257 pagantes). Mas o rubro-negro precisava de um herói, digamos alternativo. Diante de tantos desfalques, acabou sendo fácil encontrá-lo. Jaílton, o vilão da torcida de outrora, certamente fez o gol mais importante de sua carreira - grata colaboração de Galatto. O magro 1 a 0 - que para o torcedor rubro-negro é um placar gigante - é mais do que suficiente para a tranqüilidade voltar aos comandados de Caio Júnior. O Flamengo continua a dois pontos do G4, muito embora careça de reforços - para o ataque, e, principalmente, o meio-campo. Ou até mesmo um lateral-esquerdo se Juan for atuar como armador. Já o Atlético Paranaense, que de Furacão nada tem, muito provavelmente voltará à ingrata zona de rebaixamento. Futebolzinho feio e nada eficiente. Ao menos se constata a cada rodada que o problema não vem do banco de reservas. Vive acima disso.

* Partida movimentadíssima no Morumbi. O São Paulo jogou para o gasto e venceu o Goiás, por 2 a 1. Talvez a trave de Paulo Baier, já no fim, não fosse esperada, mas o Tricolor Paulista desandou a desperdiçar chances de gol. Dagoberto, inclusive, chegou a marcar, mas o gol foi corretamente anulado - André Lima participou do lance. Bolas na rede, de fato, foram três; Zé Luís e Rodrigo - que petardo! - para o time de Muricy, e Iarley - sempre ele -, de pênalti, para o alviverde goiano. Aliás, penalidade pra lá de discutível - ao menos em nada influenciou. O São Paulo continua em busca de uma regularidade, mas a vaga no G4 está assegurada até o início do returno. Enquanto o Goiás, de Hélio dos Anjos, sofre do sobe-e-desce. E hoje, quando joga fora de casa, a tendência é cair. Embora tenha material necessário - precisa ser bem trabalhado - para escapar da temida segunda divisão.

Colaborou Victor Canedo

Jogo dos contrastes

Qua, 06/08/08
por Lédio Carmona |

Quarta-feira nada agradável para Santos, Vasco e Flamengo. Crises, lesões e ao menos duas quedas de técnicos – Antonio Lopes e Cuca; Pintado na corda bamba – marcaram a última noite. Que também teve gente sorrindo. Casos de Grêmio, Fluminense e Atlético Mineiro. Os empates estão cada vez mais escassos. Nada mais natural que o jogo dos contrastes entre em cena no Brasileirão. Vamos aos jogos:

*Pobre torcedor do Vasco. Sofre em busca de dias melhores. Pede mudanças. Quer time. E, em compensação, ganha uma defesa com Anderson (quem indicou?), Jorge Luis e Vitor; e um inacreditável meio de campo, com Marquinho, Rodrigo Antonio e Madson. Feliz torcedor do Coritiba. O time é bom, bem treinado, tem padrão tático, bons apoiadores, como Carlinhos Paraíba e Alê, e um atacante excelente, chamado Keirrison, autor do segundo gol na vitória por 2 a 0, em São Januário (6.657 pagantes). João Henrique marcou o primeiro.

Pobre torcedor do Vasco. Amarga as escalações erradas de Antonio Lopes, não entende como Alex Teixeira pode ser reserva de Marquinho. E talvez, a partir daí, entenda melhor como seu time perdeu 9 jogos em 18 disputados e está perto da zona do rebaixamento. Entrar nela é questão de tempo. Feliz torcedor do Coritiba. Com a terceira vitória seguida fora de casa (Náutico, Santos e Vasco), o time chegou aos 29 pontos e, além de provar ser o melhor do Paraná, está muito perto do G4. Feliz torcedor do Vasco, que comemora a saída de Antônio Lopes. O elenco, como de conhecimento geral, é fraco. Não possibilita muitas pretensões, no máximo um meio de tabela. Mas não havia mais espaço para erros do ex-técnico vascaíno. Resta saber o substituto - Tita é um dos mais cotados. Trabalho, certamente, ele terá.

* 14 jogos: 3 vitórias, 4 empates e 7 derrotas. Este terrível retrospecto é referente à passagem de Cuca no Santos. Hoje, após mais uma decepção, o treinador não resistiu no cargo. Decepção que tem significado inverso para o Atlético Mineiro. Com gols de Jael, Márcio Araújo e Rafael Aguiar, o Galo virou para cima do Santos - Kleber Pereira e Vinicius (contra) -, por 3 a 2, em plena Vila Belmiro (6.657 torcedores). E não só conquistou sua primeira vitória fora de casa, como se distanciou da temida zona de rebaixamento. Um alento à equipe do efetivado Marcelo Oliveira.

O mesmo não vale para o alvinegro praiano, que há uma semana ameaçava uma tímida reação. Mas as duas derrotas seguidas em casa expuseram – novamente - as fraquezas do elenco santista, estacionado nos 17 pontos. A zaga, mesmo com a chegada de Fabiano Eller, continua fraquíssima – vide terceiro gol do Atlético. O ataque continua a perder gols. E, Kleber, destaque das boas campanhas de 2006 e 2007, é o símbolo da desilusão. Seja no meio-campo ou na lateral. Fala-se em Gallo como solução. Enquanto isso, rios de dinheiro são desperdiçados em jogadores inúteis no elenco. Só não pergunte sobre reforços aos vândalos que se dizem torcedores. O estrago pode ainda ser maior.

* O empate no Serra Dourada (39.200 pagantes) já não agradava o Flamengo, abalado com os recentes acontecimentos. Mas a fase é tão ruim que o Goiás encontrou o gol da vitória com Iarley, aos 46 minutos da segunda etapa. Gol que só agrava a crise rubro-negra. Já são sete jogos sem vitória, e no próximo sábado terá de enfrentar o Atlético Paranaense com oito desfalques. Ao menos Juan, um dos únicos lúcidos do time ao lado de Airton, jogará. Ontem, o lateral não só sofreu o pênalti – bem cobrado pelo apagado Léo Moura -, como participou das principais chances de perigo do Flamengo. Mas a zaga já havia falhado no primeiro gol de Iarley – idêntico ao de Guilherme no último domingo – e erraria no segundo. A equipe de Caio Júnior ainda encontrou a trave em duas oportunidades – Jaílton e Henrique (contra) -, mas não resistiu à pressão.

O rubro-negro vive, de longe, o pior momento em sua fase recente. Só não se sabe até quando a bruxa – ou bruxos que soltam bombas – irão rondar a Gávea. Acreditem, há como ficar pior. Embora eu não acredite que a diretoria irá ficar de mãos atadas. Já o instável Goiás aproveita o fator casa. Até agora, suficiente para deixá-lo afastado da zona de rebaixamento.

* Esperava-se mais do líder diante do lanterna, em casa. O Grêmio esteve longe de mostrar o bom futebol de outrora, foi pressionado durante parte do jogo, mas conquistou mais três importantíssimos pontos na luta pelo simbólico título do primeiro turno. Perea – a dúvida fica se Marcel tocou na bola, caracterizando o impedimento -, logo aos três minutos, marcou o único gol da partida. O Ipatinga parecia não se importar. Por incrível que pareça, impôs o seu ritmo e por pouco não empatou – Victor, assim como no domingo passado, fez grande defesa. A equipe de Celso Roth acordou na segunda etapa. As entradas de Souza e Felipe Mattione – que gol perdido! - melhoraram consideravelmente o Grêmio, mas o magro resultado satisfez os 28.137 pagantes no Olímpico. Bom para o Tricolor Gaúcho, ainda soberano na liderança – oito pontos à frente do quarto colocado. Já o Tigre, apesar da melhora dentro de campo, perdeu como (quase) sempre. E permanece com os míseros 13 pontos, ostentando a lanterna. Como é difícil imaginar o Ipatinga na Série A em 2009…

* Renato Gaúcho abdicou dos três volantes. Não mais improvisou na lateral. E com Washington novamente inspirado, o Fluminense repetiu o placar do duelo das quartas-de-final da Libertadores: 3 a 1, no mesmo Maracanã (8.515 pagantes). Hugo abriu o placar no início de uma movimentada segunda etapa. Já o primeiro tempo só foi notado quando a torcida tricolor protestou – pacificamente, diga-se – ao adentrar a arquibancada carregando caixões e cruzes. O resultado, até certo ponto surpreendente, tem lá suas justificativas. Muricy errou tanto na escalação como nas substituições – o lateral-direito Éder cometeu pênalti prá lá de infantil. Jean, que teve boa atuação diante do Vasco, só foi entrar na segunda etapa. Richarlyson continua errando e muito. E o hoje acomodado São Paulo pode deixar o G4 caso o Vitória empate com o Palmeiras, no Palestra Itália. Enquanto o por ora ofensivo Fluminense vê uma luz no fim do túnel – acesa pela lanterna do Ipatinga, rival de domingo.

* Sobrevida ao Atlético Paranaense. No duelo dos desesperados, o Furacão derrotou o Náutico, por 2 a 0 – um em cada tempo -, na Arena da Baixada (12.142 pagantes). Rafael Moura – pasmem! – e Danilo anotaram. Maurinho – aquele mesmo – ainda foi expulso no Timbu. Enquanto um novo técnico não é anunciado, o interino Tico tem de se virar com o que tem. A sorte foi ter enfrentado uma equipe tão desqualificada quanto o rubro-negro da baixada. Ambos não me convencem. E Pintado já balança no cargo. Nunca é demais ressaltar o erro da direção alvirrubra ao demitir Leandro Machado – na época, o Náutico disputava uma vaga no G4. Hoje, ocupa a primeira vaga da zona de rebaixamento. Erros que não são perdoados.

* O Sport apenas exerceu o mando de campo para vencer a abatida Portuguesa, na Ilha do Retiro. Resultado até previsível. A Lusa já acumula sete derrotas fora de casa, enquanto o Leão alcançou o sexto triunfo como mandante. Roger e Bruno Rodrigo (contra) marcaram em cada tempo. Inúmeras chances desperdiçadas. Sérgio ainda defendeu pênalti de Luciano Henrique. Pouco para a equipe de Valdir Espinosa, que, sem Diogo, não aspira confiança alguma – e vai brigar contra o rebaixamento. No tamanho para o time de Nelsinho, na oitava colocação – e já na Libertadores de 2009.

Colaborou Victor Canedo

Calvário Tricolor

Sáb, 02/08/08
por Lédio Carmona |

* Há exato um mês o Fluminense vivia uma das maiores expectativas de sua história. O título da Libertadores não veio. E o que se viu foram erros e muitos erros durante o mês de julho. Agosto, pelo visto, começou do mesmo jeito. O Internacional, no entanto, nada tinha a ver com isso. Soberbo, Nilmar aprontou novamente e marcou os dois da vitória do Colorado por 2 a 1, no Maracanã. Aliás, o adjetivo encaixa-se perfeitamente para o volante Guiñazu, que rejeitou a proposta dos árabes e continua no time. Time que promete. Mas ainda com algumas ressalvas. Tite recuou demais a equipe na segunda etapa. Cansado, por pouco o Internacional não sofreu o empate de um horrível Fluminense. Mas, como já dito aqui neste espaço, irá melhorar consideravelmente. Novas vitórias fora de casa virão. O quarteto ofensivo promete. Basta esperar e secar. Já neste domingo, para que o Internacional – hoje com 25 pontos – não se distancie do G4. E digo mais: quem vencer o gre-nal da Sul Americana tem tudo para ir longe. Desde que ela não seja desprivilegiada, é claro.

Uma reunião entre Renato e diretoria optou pela continuidade do técnico no comando do Fluminense. Não sei até que ponto a decisão é benéfica – hoje, mais uma vez, escalou mal e mexeu pior. O grupo precisa de nova injeção de motivação – além dos reforços que estão para chegar. O elenco, tão aclamado nos primeiros seis meses, ainda é praticamente o mesmo. Muito embora os Thiagos representem boa parte dos méritos na Libertadores. Em suma, você vota para a saída ou permanência de Renato? Dê a sua opinião e solução.

* Veja como é o futebol. Na última quarta-feira a Portuguesa apresentou-se de forma convincente diante do Fluminense, no Canindé. Enquanto o Goiás sofreu contra o Botafogo, no Engenhão. Nada que um simples sábado volte a mudar o rumo da competição. O alviverde – com atuação de gala de Júlio César - atropelou a Lusa, por 4 a 0, no Serra Dourada (2.797 pagantes). O lateral esquerdo marcou dois e viu Iarley e Romerito decretarem a goleada. Hoje o ataque de Hélio dos Anjos funcionou. E o Goiás pode subir seis posições ao término da rodada. Já o time de Valdir Espinoza corre o risco de entrar na zona de rebaixamento. E não fugirá muito disso no restante do ano. É o vai-e-vem chamado Campeonato Brasileiro.

* Sete jogos. É o tempo que o Náutico não conquista uma vitória. Neste sábado, foi presa para mais um adversário do meio da tabela: Figueirense. Que não teve trabalho para fazer dois gols com Rafael Coelho ainda na primeira etapa. Gilmar, de pênalti, descontou. Mas faltaram forças para o empate, mesmo com um a mais (Bruno Aguiar foi expulso). É o preço que o Timbu paga por trocar de técnico na hora errada. E que provavelmente terminará a 17ª rodada na zona de rebaixamento. Já o Figueira, depois do baque, anuncia uma recuperação. Embora enfrente Botafogo e Internacional na seqüência do primeiro turno.

Colaborou Victor Canedo

A menina dos olhos

Qua, 23/07/08
por Lédio Carmona |

Esse é o Campeonato Brasileiro, cujas últimas rodadas têm reservado emoção, paridade e bom futebol. Não só em partidas, como o clássico carioca entre Vasco e Fluminense de ontem, mas a tabela reflete um sentimento de que o Campeonato Brasileiro empolga. Justamente pelo equilíbrio – e até bom nível. Tanto que do primeiro ao décimo há uma escada na pontuação. A disputa pela liderança já está em aberto – o Grêmio tem a chance de se tornar o novo líder nesta quinta. Por uma vaga no G4, São Paulo, Internacional e Palmeiras estão batendo na porta. Ascensão. Essa é a palavra-chave. E o maior exemplo veste vermelho. Vamos à radiografia dos jogos:

* O Internacional é a figura da vez no Campeonato Brasileiro. Em mais um jogo de seis pontos, voltou a animar a torcida, dessa vez em ótima presença no Beira-Rio (41.674 presentes). Nilmar marcou os dois na vitória por 2 a 0. Ao São Paulo coube lamentar o erro de arbitragem que anulou gol legal de Dagoberto. E, claro, as ausências de Hernanes e Alex Silva. Aliás, Juninho falhou no primeiro gol colorado. Muricy Ramalho aguarda ansiosamente pelas estréias de Rodrigo e Anderson. Enquanto isso, Rogério Ceni tem de se virar como pode. O Internacional aproveitou. E já está a apenas dois pontos do G4, com 22. Méritos da ótima seqüência da equipe de Tite – conquistou 14 pontos dos últimos 18 disputados. O São Paulo continua com 23. E a briga pelo título do Campeonato Brasileiro está mais empolgante do que nunca.

* Já virou rotina elogiar o Vitória nesta coluna. Mas o rubro-negro baiano faz por merecer a cada quarta-feira ou domingo futebolístico. Depois da vitória sobre o Flamengo, no Maracanã, o rubro-negro foi mais óbvio e, apesar dos desfalques, derrotou o Náutico, por 2 a 0, em mais uma noite de Barradão lotadinho (24.614 pagantes). E, claro, noite guiada por Marquinhos. A maior revelação do Campeonato Brasileiro marcou os dois. E a equipe do ótimo Vagner Mancini já é vice-líder, com 26 pontos. Apenas um pontinho atrás do outro ainda líder Flamengo. Olho no segundo melhor ataque da competição. O Vitória dá mostras que deve brigar lá em cima até dezembro. Enquanto o Náutico desce a ladeira. Só espero que a culpa não caia em cima do técnico Pintado.

* Portuguesa e Flamengo foi um jogo tão bom quanto polêmico, no Canindé (11.364 pagantes). Dois times jogando para frente, sem medo. Caio Junior entrou com três atacantes – Tardelli, Souza e Éder -, enquanto a Portuguesa, motivada pela chegada de Valdir Espinosa, corria e mostrava personalidade, principalmente com Diogo, que fez grande partida. Aos 34 minutos, primeiro gol do Flamengo, a primeira das polêmicas. O gol de Ronaldo Angelim foi com a mão. Mas antes, de fato, ele levou um empurrão de Ediglê. Só que uma coisa não tem a nada a ver com a outra. E Evandro Rogério Roman, o árbitro, não viu nenhuma delas.

Aos 36, pênalti de Fábio Luciano em Diogo. Não achei falta. Cobrança de Diogo, defesa de Bruno e o assistente mandou voltar. A chatice de sempre. Regra inútil. Gol de Diogo. Aos 42, Diogo Tardelli mete a mão na bola. Na sobra, gol de Ibson. Evandro Rogério Roman não viu. E, de fato, não era fácil dar o flagrante, tal a quantidade de jogadores dentro da área. O gol de empate da Lusa, já no segundo tempo, também foi de pênalti. Desta vez, foi. De Jaílton em Jonas: 2 a 2. E, aos 43m, Gavillan fez pênalti bobo em Juan. Ibson cobrou. Sergio defendeu. O assistente mandou voltar. Na segunda, Sergio salvou de novo.

Grande jogo, arbitragem confusa. Resultado ruim para o Flamengo, que, apesar de continuar na liderança, deixou de vencer um time que, apesar de motivação e de jogar dentro de casa, é muito inferior. Em tempo; o que é Diego Tardelli? Já tinha cartão amarelo e resolveu, tolamente, pôr a mão na bola num lance tosco e infantil. Foi infantil. Tem gente que não aprende nunca. E, como prêmio, ganha tapinha nas costas.

* O Botafogo novamente cumpriu o seu papel e goleou o Atlético Mineiro, por 4 a 0, no Engenhão (9.581 pagantes). Sim, a fase do Galo é tão ruim que constatou a exceção de domingo passado. Lúcio Flávio – de pênalti, com 1 minuto de jogo -, Triguinho, Carlos Alberto e Gil marcaram para o alvinegro carioca. Os dois últimos no fim, já com o rival batido e com apenas nove em campo – Yuri e César Prates foram expulsos. O Botafogo de Ney Franco nada teve a ver com isso. Em franca ascensão, pode-se perceber jogadas trabalhadas e movimentação ofensiva. É um time que vai dar trabalho a todos os líderes. E por que não se tornar um num futuro próximo? Já o técnico Gallo busca explicações. O Atlético encontra-se sem time, dependentes das atuações esporádicas de Petkovic. A zona de rebaixamento, infelizmente, deve virar rotina para o clube centenário.

* Noite de seis gols no Maracanã (19.346 pagantes). O que não quer dizer que o empate em 3 a 3 entre Vasco e Fluminense tenha sido ótimo. Mas merece ser contado detalhadamente. Foi, sim, eletrizante. Muito pelo segundo tempo de reviravoltas. Porque a primeira etapa teve um dono: o Vasco. Fechado e sem criatividade, era difícil ao Tricolor alcançar a intermediária vascaína com objetividade. Já a equipe de Antonio Lopes ameaçava. Leandro Amaral perdeu talvez a maior chance de sua carreira. Edmundo, no entanto, não desperdiçou sua chance. 1 a 0. A entrada de Tartá melhorou o Fluminense consideravelmente. Mas quem novamente marcou foi o Vasco. Leandro Amaral ampliou numa bela arrancada - sem ser importunado, diga-se. Washington, que voltou ao bom futebol, descontou em seguida. Apesar de que Rafael – terrível noite - não tardou a entregar. Morais cruzou e Edmundo, na habitual classe, colocou o Vasco em ótima situação. Três gols num intervalo de seis minutos.

Ah, mas como é o futebol. O Fluminense teria de reagir novamente. E o fez. Claro, com grande contribuição da defesa vascaína. Washington, de pênalti, e Tartá – meio gol de Somália -, igualaram o placar. Dodô, displicente, quase virou. Morais, nervoso, ainda foi expulso. E o Vasco, do atrapalhado Antonio Lopes, agoniza na 13ª posição. Sem muito futuro, apesar da boa partida hoje. Já o Fluminense sobrevive na base da vontade. Mas não deve comemorar. Ainda há muita estrada para percorrer – é o 18º, com 13 pontos -, e os vacilos de ontem podem não serem perdoados amanhã.

* O confronto era entre o terceiro colocado e o 17º. Mas no campo do Mineirão (18.048 pagantes), o Goiás se portou como vem fazendo. Em jogo aberto, Iarley acabou como herói ao marcar, de falta, o único gol da partida. Resultado até certo ponto surpreendente. Ainda mais porque a equipe de Adílson Baptista atuou com um a mais durante todo o segundo tempo – Júlio César levou cartão vermelho. A Raposa, que perdeu muitos gols, pode sair do G4 nesta quinta-feira. Fato raríssimo no campeonato até então. Enquanto o alviverde goiano segue subindo sem fazer paradas. E jogará em casa três das próximas quatro partidas. Olho no time de Hélio dos Anjos.

* Foi suado. O gol do ótimo Carlinhos Paraíba – o primeiro dele no Brasileiro -, aos 30 da segunda etapa, deu a vitória ao Coritiba sobre o Ipatinga, no Couto Pereira (12.734 pagantes). Confesso que espero mais da equipe de Dorival Júnior. Por enquanto o Coxa tem se mostrado um time apenas caseiro. A situação em Ipatinga, no entanto, é complicada. Apesar da melhora do time de Ricardo Drubscky, é difícil não apostar no descenso da equipe mineira, hoje com apenas 10 pontos – a 5 de escapar da zona de rebaixamento.

Colaborou Victor Canedo