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Incontestável

Dom, 17/08/08
por Lédio Carmona |

17gremio.jpgDa mesma maneira que a alma despeitada do brasileiro tripudia dos resultados dos nossos atletas em Pequim, fazemos de tudo para botar para baixo quem merece elogios e uma melhor observação no Campeonato Brasileiro. Mas não. Preferimos simplificar, com nossas mentes obtusas, a vitória do Grêmio sobre o São Paulo por 1 a 0, no Olímpico (40.256 pagantes), gol de Perea, sob o simplório ponto de vista de que o lance decisivo do colombiano foi marcado em impedimento e que, dessa maneira, os gaúchos ganharam graças à arbitragem. Simplesmente patético.

O Grêmio ganhou do São Paulo por 1 a 0, gol de Perea, de fato, impedido, porque jogou melhor. Porque tem um meio de campo muito melhor do que o do adversário. Porque tem uma defesa tão boa quanto a do São Paulo, no ano passado, e que só levou 12 gols em 20 jogos. Por que tem um goleiraço. Porque tem William Magrão, volante que poucos dão valor, mas que corre o campo inteiro, marca e chega na frente. Porque tem um time disciplinado taticamente, que não joga bonito, mas sabe o que precisa para vencer, ou, no mínimo, chegar perto da vitória. Por tudo isso, o Grêmio ganhou um jogo chatíssimo, disputado num gramado encharcado, mas que, mesmo no cenário ruim, teve o vencedor correto.

O Grêmio não perde desde o dia 6 de julho. São 12 jogos invictos no Brasileiro. Venceu os últimos cinco jogos, dois deles fora de casa. O que o torcedor exigente quer mais? Ah, esqueci que o Grêmio tem o ataque mais positivo (36 gols) e é o time que mais ganhou (13). Eficiência ofensiva, sem ter um artilheiro brigando nas primeiras posições. Sinal de que o jogo é coletivo. Ainda não convenci vocês? Então, para fechar, com 73% de aproveitamento, o Grêmio precisará, segundo meus cálculos, de ganhar 50% dos pontos que tem a disputar para ser campeão. Nada mal para um time que não convence a tanta gente…

* O São Paulo? Esse sim, por mais que respeite e admire sua história e seu ótimo treinador, jamais me convenceu em 2008. Espirrou do G4 após perder uma partida da qual jamais deu pinta de que reagiria. Terá que jogar muito mais para jogar a Libertadores em 2009. Ainda dá? Claro que sim. Mas do jeito que está, não dará.

Há casamentos que, antes mesmo de serem consumados, davam pinta de que poderiam ter final feliz. Eu, pelo menos, sempre achei que Ney Franco tinha caixa para dar jeito no Botafogo. E que a Estrela Solitária poderia fazer do treinador um sujeito satisfeito com a relação. Não deu outra. Desde que houve o “sim” entre as duas partes, os alvinegros jogaram 10 partidas no Brasileirão. Ganharam 7, empataram 2 e só perderam 1 (São Paulo, no Morumbi). São cinco vitórias seguidas, a quinta hoje, na Ilha do Retiro, contra o Sport (1 a 0, gol de Jorge Henrique). E, vejam só, Ney Franco e o Botafogo dormirão os próximos dias no G4 (4º, com 34 pontos). Lua de mel mais do que perfeita.

* Sobre o jogo, confesso que já vi o Botafogo, de Ney Franco, jogar mais. Mas, como também já observei o Sport, de Nelsinho Baptista, funcionar melhor, ganharia quem marcasse primeiro. Foi o Botafogo, com Jorge Henrique. Pois é: quando a fase é boa, até Jorge Henrique acerta o gol. Que fase. Que amor. Que momento…

* Jogo duríssimo no Parque Antarctica (15.210 pagantes). É muito bem arrumado e treinado esse Coritiba, de Dorival Junior. Controla o jogo, não se desespera, sabe ficar com a posse de bola, e arrisca bem nos contra-ataques. Mas é duro fazer resultado na casa do Palmeiras. Lá, em 10 partidas, o time de Vanderlei Luxemburgo venceu nove. Hoje foi a nona: 1 a 0, gol de Alex Mineiro, de cabeça, na reta final da partida. Quando tudo parecia ainda mais difícil, pois os anfitriões jogavam com 10 (Fabinho Capixaba foi expulso). Mas veio o gol de Alex Mineiro. E, com ele, os três pontos.

O problema é que a equipe não tem regularidade. Fora de casa é um fracasso (30% de aproveitamento). Por isso está a sete pontos do Grêmio (3º, com 37). Mas o fator-campo lhe garante uma vaga no G4. Se o Palmeiras terá força para ir além, deixemos para responder mais à frente. Com a atual irregularidade, será difícil. Já o Coxa segue em oitavo, com 32. Uma ótima campanha para um clube que (está na cara) tem organização, planejamento e bom-senso.

* O empate invariavelmente é ruim para ambos. O Flamengo, no entanto, não tem do que se queixar depois do ponto conquistado (2×2) diante do Santos, na Vila Belmiro (15.359 pagantes). Saiu ganhando, aos sete minutos, num lance isolado - e sortudo - de Léo Moura. E só. Passou o resto do primeiro tempo acuado, sem opções ofensivas. Inclua aí Marcelinho Paraíba, apagado em sua estréia- talvez pela falta de ritmo. Não à toa Bruno foi o grande destaque da partida, mesmo com os dois gols de Kleber Pereira. A expulsão de Cristian no segundo tempo só reforça a satisfação rubro-negra ao conquistar o empate com o mesmo Léo Moura, de pênalti - estupidamente cometido por Domingos.

A lamentar a grave contusão sofrida pelo jovem promissor Maikon Leite. E, claro, a péssima fase santista. Já são quatro jogos sem vitória e quinze rodadas na zona de rebaixamento. Enquanto o time de Caio Júnior, mesmo sem vencer, manteve os dois pontos e distância do G4. E terá Juan de volta contra o Grêmio, no jogão de quinta-feira, no Maracanã.

* Tita deve estar querendo uma estátua em São Januário (5.387 pagantes). Ele conseguiu fazer com que a pavorosa defesa do Vasco jogasse bem contra o Internacional. Quase não falhou. O meio de campo esteve bem, principalmente Alex Teixeira e Madson. E o ataque, bem ou mal, sempre funcionou.

Soma-se tudo isso, ao bizarro lance de Clemer, que cometeu uma das furadas mais ridículas da história octogenária de São Januário, e chegamos à goleada de 4 a 0 do Vasco sobre o Internacional (Bolivar, contra, Edmundo, Eduardo Luís e Jean). Após três domingos sendo surrado, chegou o dia de o Vasco dar a sua coça! E foi de jeito. Tão forte que o tirou da zona do rebaixamento (15º, com 22). Que aproveite a fase e o bom astral de Tita para sair do buraco de vez por todas.

O Internacional cheio de novos jogadores é uma confusão só. Falta entrosamento, falta ritmo de jogo para os novos, como Daniel Carvalho e D´Alessandro, falta força física, falta liga com Tite. Infelizmente, o Internacional tem muitos bons jogadores, mas ainda não tem um time. Se terá um time a tempo de levá-lo à Libertadores, só um trabalho rápido e bem-feito garantirá. Eu, sinceramente, não acredito mais.

* A primeira etapa no Maracanã (12.666 pagantes) mostrou porque Fluminense e Atlético Mineiro habitam a parte debaixo da tabela há tantas rodadas. Passes errados a esmo, total falta de criatividade, faltas bobas… O tempo demorava a passar. Cuca então trocou o apagado Eduardo Ratinho pelo também ex-corinthiano Everton Santos. O Tricolor Carioca não melhorou. Mas, como atacava um pouco mais, marcou com Dodô, aos 16 da segunda etapa, após belo passe de Washington - um dos raros momentos de qualidade da dupla. A melhor chance do Atlético Mineiro veio com Petkovic, em escanteio cobrado na trave. Muito pouco. Somália ainda teve tempo para desperdiçar boas chances. O segundo tempo da equipe de Cuca não foi animador, porém eficiente. Justamente o que o Fluminense mais necessita. Já o Galo manteve a rotina de maus resultados longe de casa. Se o objetivo for somente escapar da segundona, o Atlético deve consegui-lo após algum esforço. Lamentável para um clube centenário e de muita tradição.

* O Goiás parece mesmo disposto a alçar vôos maiores. Mais uma boa vitória no Serra Dourada (4.083 pagantes). Dessa vez sobre o Náutico, de Roberto Fernandes, por 3 a 0. O alviverde não precisou nem de boas atuações de Iarley e Romerito - destaques até então. Gols de Paulo Baier, Paulo Henrique e Vítor - por pouco não o coloquei no Cartola FC. E 26 pontos somados, já na 11ª colocação - hoje estaria classificado para a Sul Americana. O Timbu, sem qualquer reação, voltou à zona de rebaixamento. Possuí o pior ataque da competição, com apenas 20 gols marcados. É bom vencer o jogo-chave diante do Fluminense, quarta-feira, nos Aflitos.

Colaborou Victor Canedo

Meio caminho andado

Sáb, 09/08/08
por Lédio Carmona |

Não há melhor forma para terminar um turno de Campeonato Brasileiro. Líder isolado (41 pontos), melhor ataque (35 gols marcados), melhor defesa (12 gols sofridos), mais vitórias (12), menos derrotas (duas, a última na 9ª rodada) e há quatro jogos sem sofrer um gol sequer. Este é o Grêmio, muito bem na fita para levantar o caneco em dezembro. E que neste sábado deu mais um gigante passo. Vamos aos jogos:

* O resultado de 4 a 0 normalmente sugere um atropelamento. Não foi o que ocorreu no Mineirão. Mas na base da competência, o Grêmio novamente chegou lá. Defende-se como ninguém no campeonato. E dá o bote na hora certa. Como no gol de William Magrão, aos 35 do primeiro tempo. Que tendeu levemente ao Atlético. Embora Victor quase não tenha trabalhado - a trave ajudou em chute de Petkovic. Placar necessário para a equipe de Celso Roth usar mais ainda sua principal arma: o contra-ataque. Perea sofreu pênalti. Tcheco cobrou e fez 2 a 0. O Galo, então, sucumbia diante do desespero. Reinaldo, assim como em Florianópolis, aproveitou e deixou mais dois - na ocasião marcou três vindo do banco. Enquanto o ótimo Victor tratou de se consagrar - melhor goleiro do primeiro turno. Goleada de gente grande sobre quem já foi um dia. Infelizmente, o Atlético ficará satisfeito se fizer figuração na competição. Apesar da melhora com Marcelo Oliveira, a briga, como de hábito, é para escapar da segundona. Não há presente pior para uma instituição centenária - e de muito respeito - como o Clube Atlético Mineiro.

* A crise na Gávea já tomava proporções maiores e inesperadas. O longo jejum - sete jogos sem vitória - incomodava. E não havia melhor adversário para o Flamengo pôr um fim: o Atlético Paranaense, no Maracanã (14.257 pagantes). Mas o rubro-negro precisava de um herói, digamos alternativo. Diante de tantos desfalques, acabou sendo fácil encontrá-lo. Jaílton, o vilão da torcida de outrora, certamente fez o gol mais importante de sua carreira - grata colaboração de Galatto. O magro 1 a 0 - que para o torcedor rubro-negro é um placar gigante - é mais do que suficiente para a tranqüilidade voltar aos comandados de Caio Júnior. O Flamengo continua a dois pontos do G4, muito embora careça de reforços - para o ataque, e, principalmente, o meio-campo. Ou até mesmo um lateral-esquerdo se Juan for atuar como armador. Já o Atlético Paranaense, que de Furacão nada tem, muito provavelmente voltará à ingrata zona de rebaixamento. Futebolzinho feio e nada eficiente. Ao menos se constata a cada rodada que o problema não vem do banco de reservas. Vive acima disso.

* Partida movimentadíssima no Morumbi. O São Paulo jogou para o gasto e venceu o Goiás, por 2 a 1. Talvez a trave de Paulo Baier, já no fim, não fosse esperada, mas o Tricolor Paulista desandou a desperdiçar chances de gol. Dagoberto, inclusive, chegou a marcar, mas o gol foi corretamente anulado - André Lima participou do lance. Bolas na rede, de fato, foram três; Zé Luís e Rodrigo - que petardo! - para o time de Muricy, e Iarley - sempre ele -, de pênalti, para o alviverde goiano. Aliás, penalidade pra lá de discutível - ao menos em nada influenciou. O São Paulo continua em busca de uma regularidade, mas a vaga no G4 está assegurada até o início do returno. Enquanto o Goiás, de Hélio dos Anjos, sofre do sobe-e-desce. E hoje, quando joga fora de casa, a tendência é cair. Embora tenha material necessário - precisa ser bem trabalhado - para escapar da temida segunda divisão.

Colaborou Victor Canedo

Jogo dos contrastes

Qua, 06/08/08
por Lédio Carmona |

Quarta-feira nada agradável para Santos, Vasco e Flamengo. Crises, lesões e ao menos duas quedas de técnicos – Antonio Lopes e Cuca; Pintado na corda bamba – marcaram a última noite. Que também teve gente sorrindo. Casos de Grêmio, Fluminense e Atlético Mineiro. Os empates estão cada vez mais escassos. Nada mais natural que o jogo dos contrastes entre em cena no Brasileirão. Vamos aos jogos:

*Pobre torcedor do Vasco. Sofre em busca de dias melhores. Pede mudanças. Quer time. E, em compensação, ganha uma defesa com Anderson (quem indicou?), Jorge Luis e Vitor; e um inacreditável meio de campo, com Marquinho, Rodrigo Antonio e Madson. Feliz torcedor do Coritiba. O time é bom, bem treinado, tem padrão tático, bons apoiadores, como Carlinhos Paraíba e Alê, e um atacante excelente, chamado Keirrison, autor do segundo gol na vitória por 2 a 0, em São Januário (6.657 pagantes). João Henrique marcou o primeiro.

Pobre torcedor do Vasco. Amarga as escalações erradas de Antonio Lopes, não entende como Alex Teixeira pode ser reserva de Marquinho. E talvez, a partir daí, entenda melhor como seu time perdeu 9 jogos em 18 disputados e está perto da zona do rebaixamento. Entrar nela é questão de tempo. Feliz torcedor do Coritiba. Com a terceira vitória seguida fora de casa (Náutico, Santos e Vasco), o time chegou aos 29 pontos e, além de provar ser o melhor do Paraná, está muito perto do G4. Feliz torcedor do Vasco, que comemora a saída de Antônio Lopes. O elenco, como de conhecimento geral, é fraco. Não possibilita muitas pretensões, no máximo um meio de tabela. Mas não havia mais espaço para erros do ex-técnico vascaíno. Resta saber o substituto - Tita é um dos mais cotados. Trabalho, certamente, ele terá.

* 14 jogos: 3 vitórias, 4 empates e 7 derrotas. Este terrível retrospecto é referente à passagem de Cuca no Santos. Hoje, após mais uma decepção, o treinador não resistiu no cargo. Decepção que tem significado inverso para o Atlético Mineiro. Com gols de Jael, Márcio Araújo e Rafael Aguiar, o Galo virou para cima do Santos - Kleber Pereira e Vinicius (contra) -, por 3 a 2, em plena Vila Belmiro (6.657 torcedores). E não só conquistou sua primeira vitória fora de casa, como se distanciou da temida zona de rebaixamento. Um alento à equipe do efetivado Marcelo Oliveira.

O mesmo não vale para o alvinegro praiano, que há uma semana ameaçava uma tímida reação. Mas as duas derrotas seguidas em casa expuseram – novamente - as fraquezas do elenco santista, estacionado nos 17 pontos. A zaga, mesmo com a chegada de Fabiano Eller, continua fraquíssima – vide terceiro gol do Atlético. O ataque continua a perder gols. E, Kleber, destaque das boas campanhas de 2006 e 2007, é o símbolo da desilusão. Seja no meio-campo ou na lateral. Fala-se em Gallo como solução. Enquanto isso, rios de dinheiro são desperdiçados em jogadores inúteis no elenco. Só não pergunte sobre reforços aos vândalos que se dizem torcedores. O estrago pode ainda ser maior.

* O empate no Serra Dourada (39.200 pagantes) já não agradava o Flamengo, abalado com os recentes acontecimentos. Mas a fase é tão ruim que o Goiás encontrou o gol da vitória com Iarley, aos 46 minutos da segunda etapa. Gol que só agrava a crise rubro-negra. Já são sete jogos sem vitória, e no próximo sábado terá de enfrentar o Atlético Paranaense com oito desfalques. Ao menos Juan, um dos únicos lúcidos do time ao lado de Airton, jogará. Ontem, o lateral não só sofreu o pênalti – bem cobrado pelo apagado Léo Moura -, como participou das principais chances de perigo do Flamengo. Mas a zaga já havia falhado no primeiro gol de Iarley – idêntico ao de Guilherme no último domingo – e erraria no segundo. A equipe de Caio Júnior ainda encontrou a trave em duas oportunidades – Jaílton e Henrique (contra) -, mas não resistiu à pressão.

O rubro-negro vive, de longe, o pior momento em sua fase recente. Só não se sabe até quando a bruxa – ou bruxos que soltam bombas – irão rondar a Gávea. Acreditem, há como ficar pior. Embora eu não acredite que a diretoria irá ficar de mãos atadas. Já o instável Goiás aproveita o fator casa. Até agora, suficiente para deixá-lo afastado da zona de rebaixamento.

* Esperava-se mais do líder diante do lanterna, em casa. O Grêmio esteve longe de mostrar o bom futebol de outrora, foi pressionado durante parte do jogo, mas conquistou mais três importantíssimos pontos na luta pelo simbólico título do primeiro turno. Perea – a dúvida fica se Marcel tocou na bola, caracterizando o impedimento -, logo aos três minutos, marcou o único gol da partida. O Ipatinga parecia não se importar. Por incrível que pareça, impôs o seu ritmo e por pouco não empatou – Victor, assim como no domingo passado, fez grande defesa. A equipe de Celso Roth acordou na segunda etapa. As entradas de Souza e Felipe Mattione – que gol perdido! - melhoraram consideravelmente o Grêmio, mas o magro resultado satisfez os 28.137 pagantes no Olímpico. Bom para o Tricolor Gaúcho, ainda soberano na liderança – oito pontos à frente do quarto colocado. Já o Tigre, apesar da melhora dentro de campo, perdeu como (quase) sempre. E permanece com os míseros 13 pontos, ostentando a lanterna. Como é difícil imaginar o Ipatinga na Série A em 2009…

* Renato Gaúcho abdicou dos três volantes. Não mais improvisou na lateral. E com Washington novamente inspirado, o Fluminense repetiu o placar do duelo das quartas-de-final da Libertadores: 3 a 1, no mesmo Maracanã (8.515 pagantes). Hugo abriu o placar no início de uma movimentada segunda etapa. Já o primeiro tempo só foi notado quando a torcida tricolor protestou – pacificamente, diga-se – ao adentrar a arquibancada carregando caixões e cruzes. O resultado, até certo ponto surpreendente, tem lá suas justificativas. Muricy errou tanto na escalação como nas substituições – o lateral-direito Éder cometeu pênalti prá lá de infantil. Jean, que teve boa atuação diante do Vasco, só foi entrar na segunda etapa. Richarlyson continua errando e muito. E o hoje acomodado São Paulo pode deixar o G4 caso o Vitória empate com o Palmeiras, no Palestra Itália. Enquanto o por ora ofensivo Fluminense vê uma luz no fim do túnel – acesa pela lanterna do Ipatinga, rival de domingo.

* Sobrevida ao Atlético Paranaense. No duelo dos desesperados, o Furacão derrotou o Náutico, por 2 a 0 – um em cada tempo -, na Arena da Baixada (12.142 pagantes). Rafael Moura – pasmem! – e Danilo anotaram. Maurinho – aquele mesmo – ainda foi expulso no Timbu. Enquanto um novo técnico não é anunciado, o interino Tico tem de se virar com o que tem. A sorte foi ter enfrentado uma equipe tão desqualificada quanto o rubro-negro da baixada. Ambos não me convencem. E Pintado já balança no cargo. Nunca é demais ressaltar o erro da direção alvirrubra ao demitir Leandro Machado – na época, o Náutico disputava uma vaga no G4. Hoje, ocupa a primeira vaga da zona de rebaixamento. Erros que não são perdoados.

* O Sport apenas exerceu o mando de campo para vencer a abatida Portuguesa, na Ilha do Retiro. Resultado até previsível. A Lusa já acumula sete derrotas fora de casa, enquanto o Leão alcançou o sexto triunfo como mandante. Roger e Bruno Rodrigo (contra) marcaram em cada tempo. Inúmeras chances desperdiçadas. Sérgio ainda defendeu pênalti de Luciano Henrique. Pouco para a equipe de Valdir Espinosa, que, sem Diogo, não aspira confiança alguma – e vai brigar contra o rebaixamento. No tamanho para o time de Nelsinho, na oitava colocação – e já na Libertadores de 2009.

Colaborou Victor Canedo

Calvário Tricolor

Sáb, 02/08/08
por Lédio Carmona |

* Há exato um mês o Fluminense vivia uma das maiores expectativas de sua história. O título da Libertadores não veio. E o que se viu foram erros e muitos erros durante o mês de julho. Agosto, pelo visto, começou do mesmo jeito. O Internacional, no entanto, nada tinha a ver com isso. Soberbo, Nilmar aprontou novamente e marcou os dois da vitória do Colorado por 2 a 1, no Maracanã. Aliás, o adjetivo encaixa-se perfeitamente para o volante Guiñazu, que rejeitou a proposta dos árabes e continua no time. Time que promete. Mas ainda com algumas ressalvas. Tite recuou demais a equipe na segunda etapa. Cansado, por pouco o Internacional não sofreu o empate de um horrível Fluminense. Mas, como já dito aqui neste espaço, irá melhorar consideravelmente. Novas vitórias fora de casa virão. O quarteto ofensivo promete. Basta esperar e secar. Já neste domingo, para que o Internacional – hoje com 25 pontos – não se distancie do G4. E digo mais: quem vencer o gre-nal da Sul Americana tem tudo para ir longe. Desde que ela não seja desprivilegiada, é claro.

Uma reunião entre Renato e diretoria optou pela continuidade do técnico no comando do Fluminense. Não sei até que ponto a decisão é benéfica – hoje, mais uma vez, escalou mal e mexeu pior. O grupo precisa de nova injeção de motivação – além dos reforços que estão para chegar. O elenco, tão aclamado nos primeiros seis meses, ainda é praticamente o mesmo. Muito embora os Thiagos representem boa parte dos méritos na Libertadores. Em suma, você vota para a saída ou permanência de Renato? Dê a sua opinião e solução.

* Veja como é o futebol. Na última quarta-feira a Portuguesa apresentou-se de forma convincente diante do Fluminense, no Canindé. Enquanto o Goiás sofreu contra o Botafogo, no Engenhão. Nada que um simples sábado volte a mudar o rumo da competição. O alviverde – com atuação de gala de Júlio César - atropelou a Lusa, por 4 a 0, no Serra Dourada (2.797 pagantes). O lateral esquerdo marcou dois e viu Iarley e Romerito decretarem a goleada. Hoje o ataque de Hélio dos Anjos funcionou. E o Goiás pode subir seis posições ao término da rodada. Já o time de Valdir Espinoza corre o risco de entrar na zona de rebaixamento. E não fugirá muito disso no restante do ano. É o vai-e-vem chamado Campeonato Brasileiro.

* Sete jogos. É o tempo que o Náutico não conquista uma vitória. Neste sábado, foi presa para mais um adversário do meio da tabela: Figueirense. Que não teve trabalho para fazer dois gols com Rafael Coelho ainda na primeira etapa. Gilmar, de pênalti, descontou. Mas faltaram forças para o empate, mesmo com um a mais (Bruno Aguiar foi expulso). É o preço que o Timbu paga por trocar de técnico na hora errada. E que provavelmente terminará a 17ª rodada na zona de rebaixamento. Já o Figueira, depois do baque, anuncia uma recuperação. Embora enfrente Botafogo e Internacional na seqüência do primeiro turno.

Colaborou Victor Canedo

A menina dos olhos

Qua, 23/07/08
por Lédio Carmona |

Esse é o Campeonato Brasileiro, cujas últimas rodadas têm reservado emoção, paridade e bom futebol. Não só em partidas, como o clássico carioca entre Vasco e Fluminense de ontem, mas a tabela reflete um sentimento de que o Campeonato Brasileiro empolga. Justamente pelo equilíbrio – e até bom nível. Tanto que do primeiro ao décimo há uma escada na pontuação. A disputa pela liderança já está em aberto – o Grêmio tem a chance de se tornar o novo líder nesta quinta. Por uma vaga no G4, São Paulo, Internacional e Palmeiras estão batendo na porta. Ascensão. Essa é a palavra-chave. E o maior exemplo veste vermelho. Vamos à radiografia dos jogos:

* O Internacional é a figura da vez no Campeonato Brasileiro. Em mais um jogo de seis pontos, voltou a animar a torcida, dessa vez em ótima presença no Beira-Rio (41.674 presentes). Nilmar marcou os dois na vitória por 2 a 0. Ao São Paulo coube lamentar o erro de arbitragem que anulou gol legal de Dagoberto. E, claro, as ausências de Hernanes e Alex Silva. Aliás, Juninho falhou no primeiro gol colorado. Muricy Ramalho aguarda ansiosamente pelas estréias de Rodrigo e Anderson. Enquanto isso, Rogério Ceni tem de se virar como pode. O Internacional aproveitou. E já está a apenas dois pontos do G4, com 22. Méritos da ótima seqüência da equipe de Tite – conquistou 14 pontos dos últimos 18 disputados. O São Paulo continua com 23. E a briga pelo título do Campeonato Brasileiro está mais empolgante do que nunca.

* Já virou rotina elogiar o Vitória nesta coluna. Mas o rubro-negro baiano faz por merecer a cada quarta-feira ou domingo futebolístico. Depois da vitória sobre o Flamengo, no Maracanã, o rubro-negro foi mais óbvio e, apesar dos desfalques, derrotou o Náutico, por 2 a 0, em mais uma noite de Barradão lotadinho (24.614 pagantes). E, claro, noite guiada por Marquinhos. A maior revelação do Campeonato Brasileiro marcou os dois. E a equipe do ótimo Vagner Mancini já é vice-líder, com 26 pontos. Apenas um pontinho atrás do outro ainda líder Flamengo. Olho no segundo melhor ataque da competição. O Vitória dá mostras que deve brigar lá em cima até dezembro. Enquanto o Náutico desce a ladeira. Só espero que a culpa não caia em cima do técnico Pintado.

* Portuguesa e Flamengo foi um jogo tão bom quanto polêmico, no Canindé (11.364 pagantes). Dois times jogando para frente, sem medo. Caio Junior entrou com três atacantes – Tardelli, Souza e Éder -, enquanto a Portuguesa, motivada pela chegada de Valdir Espinosa, corria e mostrava personalidade, principalmente com Diogo, que fez grande partida. Aos 34 minutos, primeiro gol do Flamengo, a primeira das polêmicas. O gol de Ronaldo Angelim foi com a mão. Mas antes, de fato, ele levou um empurrão de Ediglê. Só que uma coisa não tem a nada a ver com a outra. E Evandro Rogério Roman, o árbitro, não viu nenhuma delas.

Aos 36, pênalti de Fábio Luciano em Diogo. Não achei falta. Cobrança de Diogo, defesa de Bruno e o assistente mandou voltar. A chatice de sempre. Regra inútil. Gol de Diogo. Aos 42, Diogo Tardelli mete a mão na bola. Na sobra, gol de Ibson. Evandro Rogério Roman não viu. E, de fato, não era fácil dar o flagrante, tal a quantidade de jogadores dentro da área. O gol de empate da Lusa, já no segundo tempo, também foi de pênalti. Desta vez, foi. De Jaílton em Jonas: 2 a 2. E, aos 43m, Gavillan fez pênalti bobo em Juan. Ibson cobrou. Sergio defendeu. O assistente mandou voltar. Na segunda, Sergio salvou de novo.

Grande jogo, arbitragem confusa. Resultado ruim para o Flamengo, que, apesar de continuar na liderança, deixou de vencer um time que, apesar de motivação e de jogar dentro de casa, é muito inferior. Em tempo; o que é Diego Tardelli? Já tinha cartão amarelo e resolveu, tolamente, pôr a mão na bola num lance tosco e infantil. Foi infantil. Tem gente que não aprende nunca. E, como prêmio, ganha tapinha nas costas.

* O Botafogo novamente cumpriu o seu papel e goleou o Atlético Mineiro, por 4 a 0, no Engenhão (9.581 pagantes). Sim, a fase do Galo é tão ruim que constatou a exceção de domingo passado. Lúcio Flávio – de pênalti, com 1 minuto de jogo -, Triguinho, Carlos Alberto e Gil marcaram para o alvinegro carioca. Os dois últimos no fim, já com o rival batido e com apenas nove em campo – Yuri e César Prates foram expulsos. O Botafogo de Ney Franco nada teve a ver com isso. Em franca ascensão, pode-se perceber jogadas trabalhadas e movimentação ofensiva. É um time que vai dar trabalho a todos os líderes. E por que não se tornar um num futuro próximo? Já o técnico Gallo busca explicações. O Atlético encontra-se sem time, dependentes das atuações esporádicas de Petkovic. A zona de rebaixamento, infelizmente, deve virar rotina para o clube centenário.

* Noite de seis gols no Maracanã (19.346 pagantes). O que não quer dizer que o empate em 3 a 3 entre Vasco e Fluminense tenha sido ótimo. Mas merece ser contado detalhadamente. Foi, sim, eletrizante. Muito pelo segundo tempo de reviravoltas. Porque a primeira etapa teve um dono: o Vasco. Fechado e sem criatividade, era difícil ao Tricolor alcançar a intermediária vascaína com objetividade. Já a equipe de Antonio Lopes ameaçava. Leandro Amaral perdeu talvez a maior chance de sua carreira. Edmundo, no entanto, não desperdiçou sua chance. 1 a 0. A entrada de Tartá melhorou o Fluminense consideravelmente. Mas quem novamente marcou foi o Vasco. Leandro Amaral ampliou numa bela arrancada - sem ser importunado, diga-se. Washington, que voltou ao bom futebol, descontou em seguida. Apesar de que Rafael – terrível noite - não tardou a entregar. Morais cruzou e Edmundo, na habitual classe, colocou o Vasco em ótima situação. Três gols num intervalo de seis minutos.

Ah, mas como é o futebol. O Fluminense teria de reagir novamente. E o fez. Claro, com grande contribuição da defesa vascaína. Washington, de pênalti, e Tartá – meio gol de Somália -, igualaram o placar. Dodô, displicente, quase virou. Morais, nervoso, ainda foi expulso. E o Vasco, do atrapalhado Antonio Lopes, agoniza na 13ª posição. Sem muito futuro, apesar da boa partida hoje. Já o Fluminense sobrevive na base da vontade. Mas não deve comemorar. Ainda há muita estrada para percorrer – é o 18º, com 13 pontos -, e os vacilos de ontem podem não serem perdoados amanhã.

* O confronto era entre o terceiro colocado e o 17º. Mas no campo do Mineirão (18.048 pagantes), o Goiás se portou como vem fazendo. Em jogo aberto, Iarley acabou como herói ao marcar, de falta, o único gol da partida. Resultado até certo ponto surpreendente. Ainda mais porque a equipe de Adílson Baptista atuou com um a mais durante todo o segundo tempo – Júlio César levou cartão vermelho. A Raposa, que perdeu muitos gols, pode sair do G4 nesta quinta-feira. Fato raríssimo no campeonato até então. Enquanto o alviverde goiano segue subindo sem fazer paradas. E jogará em casa três das próximas quatro partidas. Olho no time de Hélio dos Anjos.

* Foi suado. O gol do ótimo Carlinhos Paraíba – o primeiro dele no Brasileiro -, aos 30 da segunda etapa, deu a vitória ao Coritiba sobre o Ipatinga, no Couto Pereira (12.734 pagantes). Confesso que espero mais da equipe de Dorival Júnior. Por enquanto o Coxa tem se mostrado um time apenas caseiro. A situação em Ipatinga, no entanto, é complicada. Apesar da melhora do time de Ricardo Drubscky, é difícil não apostar no descenso da equipe mineira, hoje com apenas 10 pontos – a 5 de escapar da zona de rebaixamento.

Colaborou Victor Canedo

Fim da sombra e água fresca

Dom, 20/07/08
por Lédio Carmona |

A rodada de domingo teve uma única surpresa. O Vitória já é uma realidade, mas o triunfo diante do líder Flamengo, no Maracanã, surpreendeu. E deixou o Campeonato Brasileiro mais emocionante do que nunca. Aliás, antes que venham com pedradas, não torço contra o Flamengo. E sim a favor do campeonato. Na absoluta imparcialidade. De resto, tudo rigorosamente dentro do script. Públicos razoáveis – exceção feita aos mais de 40 mil no Maracanã -, média de gols razoável – 2,8 gols por jogo -, e muitos jogos ruins pela 13ª rodada. Destaque também para as vitórias dos seis últimos colocados – o que só embola a competição. Vamos às partidas.

* Se na última quinta o Flamengo não merecia a derrota, pagou o preço neste domingo. Apático como há muito não se via, sofreu o segundo revés seguido, para 41.827 pagantes no Maracanã. Claro, o Vitória tem os seus méritos. Muitos, eu diria. Mas os desfalques no rubro-negro carioca expuseram as deficiências até então não comentadas. A começar pelo ataque. Marcinho não fará falta, disseram alguns. Como, se era o artilheiro do time no ano com 17 gols? O segundo, Obina, tem 10. Fominha ou não, deixa o rubro-negro à mercê de Souza, Tardelli – que teve um gol mal anulado, por sinal -, Éder e afins. Além da ausência de Juan, simplesmente o faz tudo na equipe de Caio Júnior. Que hoje mexeu mal. Preteriu Maxi e Obina à Éder e Erick Flores. O rubro-negro baiano, que de bobo não tem nada, aproveitou os espaços e abriu o placar com a dupla Marquinhos-Dinei. Passe do primeiro para a conclusão do segundo. E Vagner Mancini saiu do Maracanã com a quarta colocação na bagagem. Aos flamenguistas: nada está perdido. Assim como há duas rodadas era favorito incontestável, pode mudar o atual panorama rapidamente. A liderança está mantida. Embora precise contratar. A bruxa anda solta. E a maratona de jogos está só começando.

* O São Paulo não jogou bem como na última quarta-feira. Mas manteve a boa fase de resultados ao conquistar a terceira vitória seguida, diante do ajustado Botafogo, no Morumbi (17.598 pagantes). O Tricolor Paulista até começou bem, mas em pouco tempo o alvinegro igualou as ações. O velho problema de fazer gols, porém, continuou a atormentar Ney Franco. Destaque para os gols perdidos por Jorge Henrique no segundo tempo. Rogério Ceni marcou seu primeiro gol no campeonato, em penalidade sofrida por Alex Cazumba. Carlos Alberto até empatou, mas Dagoberto, no último minuto, deixou o São Paulo de Muricy Ramalho em ótimas condições no campeonato, com 23 pontos. Ainda que perca Alex Silva e Hernanes por um bom tempo. Embora fora do G4, a distância para o líder Flamengo é de apenas três pontos. Já o alvinegro mostrou evoluir sob comando de Ney Franco. O Campeonato Brasileiro está longe de ter algo definido.

* Alguém se surpreendeu com a sexta derrota do Vasco no Campeonato Brasileiro? Nem eu. O time é limitado e só tem o mérito, obrigação, diga-se de passagem, de correr e lutar. Mas isso não é tudo. Um bom meio de campo, uma defesa segura e um treinador com o time nas mãos ajudariam. O Vasco não tem isso. E já perdeu o primeiro tempo para o Atlético Paranaense, na Arena da Baixada (17.806 pagantes), por 2 a 0, gols de Joãozinho e Marcio Azevedo. Alex Teixeira e Morais entraram – incrível terem começado no banco – e o time melhorou. Descontou com Allan Kardec e quase empata, com Leandro Amaral (péssima fase) perdendo pênalti. No crepúsculo, como diziam antigamente, gol de Anderson Aquino, 3 a 1 e fim de papo. O Vasco, cheio de limitações, está mais perto da zona do rebaixamento do que de qualquer outro sonho. E o Atlético, mesmo com a vitória, não empolga nem convence ninguém com o mínimo de serenidade. Resta saber agora se Antonio Lopes resistirá a tanta pressão para sua queda na colina. Mas está claro que a nova diretoria precisa fazer algo para chacoalhar o grupo. Não sei se mudar treinador resolve, só não dá para achar normal perder seis partidas em 13 disputadas. Não faz parte do tamanho do Vasco.

* O melhor jogo aconteceu no Serra Dourada (17.316 pagantes). Cheio de gols, mas com uma razão óbvia. Havia cinco zagueiros em campo. Nenhum deles funcionou. Gladstone (fraco!) e Jeci eram os dois do Palmeiras. E, com cara de paisagem, observaram Alex Terra e Paulo Henrique cabecearem sem nenhuma marcação, na cara de Marcos. Aos 11 e 21 min do primeiro tempo o Goiás abria 2 a 0. Aos poucos, depois do susto, o Palmeiras se viu obrigado a sair para o jogo. E aí foi a vez de o trio da retaguarda goiana fazer água. Ernando, Paulo Henrique e Henrique até que não tiveram culpa no primeiro gol verde limão, marcado por Alex Mineiro, artilheiro do Brasileirão com oito gols, após belo passe de Leo Lima. Quatro minutos depois, todos olharam Jeci subir para cabecear. 2 a 2 e fim do primeiro tempo.

Um novo erro de posicionamento da defesa do Palmeiras permitiu aos Alex Terra fizesse 3 a 2 no segundo tempo. E aí, os paulistas não tiveram serenidade, muito menos paciência, para chegar ao empate. E, dessa maneira, o time de Vanderlei Luxemburgo, que um dia foi favorito ao titulo perde sua quarta partida e deixou o G4. Enquanto isso, o Goiás chegou a sair da zona de rebaixamento. Apenas por duas horas. Enfim, o que fica mesmo, após esse jogo cheio de gols e repleto de erros no Serra Dourada, é que o verde anda mais do que desbotado nesse Campeonato Brasileiro.

* Na Vila Belmiro (13.918 pagantes), outra partida com vontade e erros de sobra. E, finalmente, o Santos venceu com Cuca. Após oito jogos, com quatro empates e quatro derrotas, o treinador viu sua equipe ganhar do Sport por 1 a 0, gol de Kleber Pereira, de pênalti. Placar pálido como o jogo, marcado por muita correria, poucas chances e muitos lances brutos. Fabiano Eller melhorou a saída de bola do Santos. Cuevas tem potencial, mas ainda esta fora de forma. E Kleber precisa ser meio de campo, posição na qual jogou hoje. O Sport segue sem ataque, com Carlinhos Bala abusando do direito de perder gols e me atrapalhar no Cartola FC. Na verdade, os dois ataques são fraquíssimos. E os números provam. O Peixe só fez 10 e tem o pior da competição. O Leão marcou apenas 12 em 13 jogos. Uma lastima. Enfim, o Santos segue na zona do rebaixamento. Subiu da ultima para a penúltima posição. E o Sport, ainda de ressaca da Copa do Brasil, é o 14º colocado.

 

* A noite era de protestos no Mineirão. Tanto que boa parte ficou de fora do estádio enquanto apenas 6.569 torcedores acompanharam a ótima – e surpreendente – virada do Atlético Mineiro sobre o Coritiba, por 3 a 2. Em 20 minutos, Keirrison e César Prates, contra, já deixavam o Coxa em grande vantagem. Mas Petkovic tratou de reanimar o Galo. Não só deu o passe para o primeiro como sofreu o pênalti cobrado por ele mesmo. Eduardo, na segunda etapa, virou. Houve tempo ainda para Rubens Cardoso e Marlos serem expulsos. O Coritiba de Dorival Júnior é inconstante demais, embora possua bons jogadores no elenco. Mas ainda é o décimo colocado, com 17 pontos. Já o Galo sobrevive, com 15.

 

* Dois gols irregulares marcaram o jogo equilibrado entre Náutico e Internacional, nos Aflitos (15.431 pagantes). Não houve pênalti no lance que Radamés converteu com êxito – o sétimo contra o Colorado no campeonato. E, a quatro minutos do fim, Nilmar estava impedido quando empatou. Melhor para o Internacional, que arrancou empate em Recife, algo sempre muito difícil. E o Náutico tropeçou dentro de casa, tão incomum quanto. E o sexto jogo invicto do Inter – três vitórias e três empates. A tendência é crescer ainda mais, até porque ótimos reforços não param de chegar. Quanto ao Náutico, tenho minhas duvidas. Não consegue me convencer uma diretoria que muda de treinador de mês em mês. Sem justificativa, por sinal.

Colaborou Victor Canedo

Vitória da oposição

Qui, 17/07/08
por Lédio Carmona |

Que o Flamengo não é imbatível todos já sabiam. Mas vendeu caro a derrota para o bom Coritiba, de Dorival Júnior, no lotadinho Couto Pereira (33.321 pagantes). O gol de Rodrigo Mancha, aos 17 do primeiro tempo, e as grandes defesas de Édson Bastos, principalmente na segunda etapa, seguraram o placar de 1 a 0. Ontem, venceu quem secou. Anteontem era a situação que ria à toa. E que ainda tem motivos para rir. Mas o tropeço rubro-negro até que é bom para a competição. A diferença para o vice-líder Cruzeiro caiu para dois pontos (26 a 24). E Caio Júnior, que sentiu a falta de Marcinho na ligação com o ataque nesta quinta, não poderá contar com Juan (3º amarelo) no domingo, diante do Vitória, no Maracanã. Já o Coxa, do bom Carlinhos Paraíba, alcançou a 10ª colocação. Apenas quatro pontos o separam do G4. Bons duelos não só pelo título, como pelas vagas na Libertadores. No frio do inverno, o Campeonato Brasileiro pega fogo. E agradece.

* O Internacional manteve a ótima forma e dá a impressão de que a inclusão no G4 é questão de tempo. Pouco, eu diria. Três pontos o separam do Palmeiras, atual quarto colocado. Depois do empate no gre-nal, o Colorado disputou quatro jogos. Venceu três em casa e empatou um fora. Hoje, no Beira-Rio (27.496 presentes) o triunfo sobre o Atlético Mineiro foi magro. Apenas 1 a 0. Mas seguro. Nilmar, logo no início, marcou o único gol do jogo. Édson fez linda defesa em chute de Magrão. Alex também assustou. O Atlético Mineiro continua com um problema crônico chamado finalização. Falta poder de fogo ao time do técnico, que já ocupa a 15ª colocação. Sem Danilinho, o futuro não é nada bom. Infelizmente virou rotina criticar o Galo no ano de seu centenário.

* A exceção de quinta-feira foi Vasco x Goiás. Estádio vazio (4.083 pagantes), e um empate. Que ao menos pôde mostrar a fraqueza vascaína. Seja fora de casa, no Maracanã, ou como hoje, em São Januário. Quando se esperava um resultado positivo – ainda mais com os desfalques de Iarley e Paulo Baier no Goiás -, o time da Colina voltou a vacilar. Não fosse o gol de Luizão, aos 46 minutos da segunda etapa, e o cargo de Antônio Lopes estaria correndo perigo. Perigoso nos contra-ataques, o Romerito abriu o placar após escanteio, ainda no primeiro tempo. Edmundo e Valmir entraram nos 45 minutos finais, mas o Vasco não melhorou. Mas, por ironia do destino, achou o gol no fim. Injusto, por sinal. O Goiás, melhor durante boa parte do jogo, merecia vencer. Porém, novamente sofreu gol no final. Que pode fazer falta lá na frente. Roberto Dinamite terá muito trabalho para montar um time à altura do Vasco da Gama.

Colaborou Victor Canedo

Reabilitação

Sáb, 12/07/08
por Lédio Carmona |

Uma virada com cara de recuperação no Maracanã (13.860 pagantes). O muitíssimo bem armado Vitória tentou – principalmente nos contra-ataques -, abriu o placar com a ótima revelação Marquinhos, mas permitiu a virada do Fluminense. Rafael e Dodô – que novamente desperdiçou um pênalti – marcaram os gols do Tricolor. Gols que já livram a equipe de Renato Gaúcho da lanterna – 9 pontos e duas vitórias seguidas.

Mas a vitória esteve longe de ser fácil. O time só melhorou com as entradas de Tartá e Somália. Washington continua brigando com a bola. E sua saída de campo expôs uma fraqueza ainda não vista. Parecia não se importar com o resultado – negativo até então. É bom voltar a jogar bola. Tartá assumiu o posto de sombra do atacante, já que Cícero foi negociado. Já o rubro-negro não há com o que se preocupar. Uma derrota senão prevista, normal. A vice-liderança deve ser comemorada. Fruto do bom trabalho de Vágner Mancini.

A partida no Serra Dourada (2.844 pagantes) caminhava-se para outra virada no sábado, mas o gol de Bernardi, aos 42 minutos, acabou sendo justo. Depois de muitos gols perdidos, Goiás e Coritiba empataram em 2 a 2. Keirrison, Romerito e Paulo Henrique completaram o placar. O alviverde goiano continua na zona de rebaixamento, embora tenha mostrado alguma evolução. O Coxa, no entanto, é o 10º - deve cair algumas posições neste domingo. E aguarda pela volta de Carlinhos Paraíba. Há qualidade no time.

Colaborou Victor Canedo

Desavenças

Dom, 06/07/08
por Lédio Carmona |

A nona rodada foi perfeita para um time: Flamengo. Com os tropeços de Palmeiras e Grêmio no domingo, o rubro-negro abriu cinco pontos de vantagem na liderança. O também vermelho e preto Vitória festeja. O quarto lugar é uma grata surpresa. Conseqüência da vitória fora de casa sobre a Portuguesa – com o gol mais rápido do campeonato, marcado por Dinei. Aliás, o único triunfo dos visitantes na rodada. De resto, dois empates e sete vitórias dos mandantes. Entre os empates, a grande decepção da rodada no Morumbi, que também contou com as desilusões em Belo Horizonte e Goiânia. O fato é que gerou discórdia. Novamente. Excelente para alguns, insossa para outros e péssima para o restante. É a rotina do Campeonato Brasileiro. Neste fim-de-semana, apenas 21 gols em 30 jogos. A média voltou a baixar. Mas ao menos tivemos bons públicos, especialmente no Maracanã e no Mineirão. Vamos aos jogos.

* O Internacional confirmou a boa fase ao golear o Coritiba, por 3 a 0, no Beira-Rio (23.829 pagantes). Alex, destaque do Colorado no ano, marcou os três – um de pênalti e dois golaços. E o jovem Taison infernizou a equipe de Dorival Junior desde o início. Pressionado, o Coxa só deu a primeira finalização já no fim da primeira etapa, com Keirrison. O panorama foi o mesmo no segundo tempo. Dominado, o Coritiba errava muitos passes. Méritos para Tite, que não precisou de Nilmar para construir o placar. Aos poucos, o Internacional se aproxima do tão desejado equilíbrio. Seis pontos o separam da zona de classificação para a Libertadores. Já o Coritiba, promissor no início, é justamente o primeiro acima da zona de rebaixamento.

* Quando parecia engrenar, o São Paulo tropeçou. Um empate em 1 a 1 nada agradável diante do Ipatinga, no Morumbi (13.421 pagantes). O esperado massacre esteve longe de acontecer. Explorando os espaços das alas, o Ipatinga atacava com perigo na base dos contra-ataques, principalmente com Adeílson. Apesar de recuado, jogava de igual para igual com a equipe de Muricy Ramalho. Numa das poucas chances do primeiro tempo, Borges, sempre oportunista, marcou. Rogério Ceni passou a ser figura importante na segunda etapa. Mas não pôde impedir o gol de Luciano Mandi, aos 44. Merecido, por sinal. Problemas de criação voltaram a aparecer. Dois pontos que certamente farão muita falta ao São Paulo. O sentimento é de melancolia. Embora seja cedo para fazer qualquer previsão acerca do Tricolor Paulista.

* Diante de seis desfalques, o Palmeiras tinha muitas dificuldades no Mineirão (31.570). O Atlético Mineiro vencia por 1 a 0 (Eduardo) e já havia desperdiçado pênalti com Renan. Pressionou Marcos durante boa parte do jogo. Mas aos 36 minutos do segundo tempo, já com um a mais – César Prates foi expulso infantilmente - surgiu uma falta para o alviverde. Diego Souza cobrou com perfeição. E a equipe de Vanderlei Luxemburgo escapou do pior. Saiu da zona de classificação para a Libertadores, mas com os mesmos 17 pontos que o quarto colocado Vitória. Já o Galo acumula mais uma rodada sem vitória. Os reforços melhoraram, de fato, a equipe do técnico Gallo. Mas ainda é pouco para quem completa 100 anos. E a torcida, embora sempre presente, já está desacreditada.

* Situação pior vive o Fluminense. Vice-campeão da Libertadores, o Tricolor voltou a jogar o futebol melancólico que costuma apresentar no Campeonato Brasileiro – apenas 4 gols em 9 jogos. O problema é que nem os titulares puderam evitar mais uma derrota. O Goiás, com Iarley, venceu por 1 a 0, no Serra Dourada (6.529 pagantes). Chegou aos 9 pontos, à espera de outra chance para escapar da zona de rebaixamento. O time de Renato Gaúcho, no entanto, continua com a lanterna na mão. Faltam 29 rodadas, mas é preciso enxergar evolução. Os volantes não marcam nem apóiam. E invariavelmente dois ou três jogadores do sistema ofensivo não jogam bem. A ligação direta não funciona e o time é dominado. Hélio dos Anjos soube aproveitar e o alviverde saiu de campo com merecida vitória.

* Enfim uma vitória do Botafogo. Disposto – e sem Carlos Alberto -, o alvinegro venceu o Grêmio por 2 a 0, no Engenhão (7.436 pagantes), e respirou na competição. A facilidade tem explicação. Sem Roger – leia-se criatividade -, Celso Roth não pensou duas vezes ao colocar jogadores defensivos no time. Pressionado, o Tricolor Gaúcho mal conseguia trocar passes. Perea, isolado, mal tocava na bola. Túlio aproveitou e deixou o seu, aos 15 minutos da primeira etapa. E Zé Carlos – quebrando o longo jejum -, de falta, no segundo tempo, ampliou. A partir daí, o Botafogo cozinhou. Falta ainda o de Wellington Paulista. Ao menos Geninho respira aliviado.

* Tiago foi o destaque do Vasco. Ainda assim, a vitória foi do Figueirense, de virada, por 2 a 1, no Orlando Scarpelli (12.370 pagantes). Com uma pequena ajuda da trave, diga-se de passagem – e grande contribuição de Cleiton Xavier. O goleiro vascaíno fez grandes defesas na primeira etapa, inclusive a de um penalti cobrado por Cleiton Xavier. Já no fim, o time de Antonio Lopes abriu o marcador em lance confuso. Rodrigo Antonio marcou após Leandro Amaral acertar a trave – já o havia feito em lance anterior. No segundo tempo, Edmundo voltou a carimbar a barra. Faltavam os gols da virada. Ambos marcados por Cleiton Xavier. O Figueira segue invicto em casa. Assim como o Vasco segue sem vencer fora. Times caseiros, como tantos outros no campeonato.

* O Vitória é a grande surpresa do Campeonato Brasileiro 2008. Ao vencer a Portuguesa, por 2 a 1, no Canindé (4.420 pagantes), o rubro-negro assumiu a quarta colocação, com 17 pontos. E já detém um recorde: o gol mais rápido do campeonato. Dinei, aos 9 segundos, e o veterano Ramón, aos 15 minutos, colocaram o Leão em vantagem. Vandinho, impedido, descontou na segunda etapa, quando o Vitória já tinha 10 em campo – Marcos Aurélio foi expulso. Mas a reação parou por aí. Dos times que subiram na Série B em 2007, é o de Vagner Mancini que melhor se apresenta. E que também vence fora de casa. Já a Lusa sofreu com o desfalque de Diogo. Falta elenco. Embora seja deficiência de tantos outros clubes nesta Série A. Os privilegiados certamente estarão no topo em dezembro. Enquanto isso, assisto, critico e me divirto com o Campeonato Brasileiro. Com ressalvas, é claro.

Colaborou Victor Canedo

Equilíbrio saudável

Dom, 22/06/08
por Lédio Carmona |

Faltam jogadores. O talento vive nas salas de embarque. Mas o Campeonato Brasileiro resiste. A edição de 2008 está marcada pelo equilíbrio. Três times estão na frente com 16 pontos (cinco vitórias, um empate e apenas uma derrota). São Flamengo, Grêmio e Cruzeiro. A vantagem dos cariocas, líderes, em relação aos gaúchos é o número de gols marcados (16 x 12), pois o saldo é igual. O Cruzeiro, terceiro, tem um gol a menos no saldo.

A incerteza em relação aos favoritos aumenta quanto observa-se o surpreendente Náutico, em quarto, com 14 pontos, e os sempre favoritos Palmeiras (13) e São Paulo (12) abrindo caminho na quinta e sexta posições. Esse cenário me leva a crer que teremos o Brasileirão mais equilibrado da Era dos Pontos Corridos.

Alguns detalhes: * das sete rodadas, o Flamengo foi líder em quatro.

* A média de gols foi 2,7 por jogo. Pouco abaixo da última (3,0/jogo).

* Há três rodadas, a zona da Libertadores não muda, com Flamengo, Grêmio, Cruzeiro e Náutico.

* Desde a segunda rodada, o Fluminense não sai da zona do rebaixamento. O Santos está nela desde a quinta; o Goiás, desde a quarta; e o Ipatinga, que todo mundo garante que cairá, só esteve na ZR após a 2ª, 3ª, 6ª e 7ª rodada.

* Desde a 3ª rodada, o Botafogo não aparece nem na zona da Sul-Americana.

* Nessa rodada, nada de empates. Foram seis vitórias de mandantes e quatro de visitantes (Goiás, Flamengo, Palmeiras e Portuguesa).

* A média de público foi fraca, pouco acima de 11 mil torcedores. Quando clubes de massa, como Flamengo, Internacional e Atlético-MG saem dos seus domínios, o número naturalmente cai. Campanha ruins de times com torcida grande, como Botafogo, Santos e Fluminense, ajudam a naufragar os números.

* Tríplice divisão também na artilharia: Marcinho, Alex Mineiro e Guilherme dividem o poder com cinco gols.

Sobre os jogos. No Ipatingão, com 13.260 pagantes, o Flamengo naturalmente se impôs ao Ipatinga e, com alguma dificuldade, fechou o placar de 3 a 1, com gols de Juan, Ibson e Kleberson (muita boa atuação, finalmente). Todos os gols no segundo tempo. O Flamengo tem aproveitado o bom momento e soma pontos. Mas os sustos causados pelo Ipatinga devem ser discutidos. Foram demais para a modéstia do time mineiro. Mas o trabalho de Caio Junior é bom e está mais do que claro que, no mínimo, os rubro-negros brigarão por Libertadores. No mínimo…

No Olímpico, 21.438 pagantes (melhor público da rodada) levaram o Grêmio à viutória de 3 a 0 sobre o Atlético Paranaense. Três gols de Roger, todos de pênalti. Dois foram, um não. Mas os gaúchos jogaram mais e mereceram. Com um elenco enxuto, fazem um campanha de ponta. O segundo lugar é conseqüência. A única dúvida é saber se, quando a campanha apertar e as necessidades forem maiores, se o plantel à disposição de Celso Roth será rico o suficiente para superar adversidades comuns a um campeonato de sete meses. E o Atlético Paranaense, salvo mudança urgente, tem time para meio de tabela. E só.

Derrotar o Vasco em São Januário (5.348 pagantes) não é uma tarefa nada fácil. O Palmeiras, que aos poucos se reencontra, o fez. Alex Mineiro – artilheiro do campeonato com 5 gols – e Kleber, num belo gol, marcaram na importantíssima vitória por 2 a 0. A técnica alviverde sobressaiu diante do quase time misto vascaíno – foram cinco desfalques, no total. Muitos erros de passe e finalização por parte da equipe de Antonio Lopes. Luxemburgo agradece. E o Palmeiras já é o quinto.

Não é difícil constatar que o Santos é a grande decepção do campeonato. Seja o de Leão ou de Cuca. O Goiás, que nada tinha a ver com isso, conquistou não só a primeira vitória, como aplicou uma sonora goleada de 4 a 0 em plena Vila Belmiro (3.848 pagantes). Alex Terra, Iarley (2) e Romerito anotaram. Três dos quatro gols vindos de reforços. Bom presságio para o também estreante Hélio dos Anjos. E que não demitam o Cuca logo. Não costuma negar trabalho. Mas treinar o atual vice-lanterna é mais do que uma aventura. Tudo fruto do mau planejamento desde o início do ano, quando Leão pediu reforços e não foi atendido. Ou vocês consideram Quiñonez e cia bons jogadores. Até Molina já perdeu todo o crédito conquistado há alguns meses. Que os santistas abram o olho.

É inegável que o Internacional seja outra decepção até agora. Nem a volta de Alex impediu nova derrota, dessa vez diante do Vitória, por 2 a 1, no Barradão. Marquinhos e William marcaram para o rubro-negro, já na surpreendente 7ª posição. Nilmar, o solitário, descontou. E o Colorado não mais ameaçou. Pelo contrário. O time de Vagner Mancini acertou a trave de Clemer duas vezes. Na teoria, Tite precisaria apenas de um bom atacante. Mas na prática erros ocorrem em demasia. O Internacional já está a 7 pontos da Libertadores. E a 9 dos líderes.

O Náutico é a surpresa da tabela após 7 rodadas. Grata surpresa, por sinal. Perdeu Roberto Fernandes, mas a boa revelação Leandro Machado tem dado conta. O Timbu venceu o Atlético Mineiro, no Arruda (15.104 pagantes), por 2 a 1, e chegou aos 14 pontos. Continua na quarta posição, a frente de Palmeiras e São Paulo. Warley e Wellington anotaram para o Náutico. Vinícius, de cabeça, marcou para o Galo. É notória a dificuldade da equipe do técnico Gallo em fazer gols. Muito por não ter material para tal. O Atlético Mineiro passará o centenário em branco, para a tristeza da massa.