Formulário de Busca

Ganhou e não levou

Dom, 07/09/08
por Lédio Carmona |
categoria Fórmula 1

Rodrigo Mattar

O Grande Prêmio da Bélgica não perde suas características: a imprevisibilidade e a chuva. E foi a combinação destes dois fatores que provocaram um final de corrida tão surpreendente quanto polêmico. Na pista, Lewis Hamilton fez sua parte e venceu, beneficiado pela água que caiu no traçado de Spa-Francorchamps. Porém, para chegar ao primeiro lugar, que seria o 200º triunfo de pilotos ingleses na Fórmula 1, o piloto cortou a Bus Stop para superar Kimi Räikkönen.

E foi aí que os comissários, os personagens mais acionados do fim de semana belga, entraram em ação. Sabia-se que o incidente estava “sob investigação” e às 18 horas (hora local), o veredito: punido em 25 segundos, Hamilton perdeu a vitória para Felipe Massa, que chegou em segundo.

A decisão pôe fogo no campeonato às vésperas do GP da Itália, pois se Lewis ainda é líder, Felipe está mais próximo dele do que nunca: são apenas dois pontos os separando numa briga que possivelmente só termina no Brasil, em 2 de novembro.

Mas é bom lembrar que a corrida deste domingo teve outros personagens importantes: Kimi Räikkönen, por exemplo, fez sua parte no início da corrida. Ele passou Felipe Massa na largada e, aproveitando-se da rodada de Hamilton logo na segunda volta, chegou ao primeiro lugar. E aí, quando chegou a chuva, o britânico o ultrapassou, recebendo o troco logo depois. Mas o atual campeão se perdeu na antepenúltima volta, rodando e batendo - provavelmente para dar adeus ao título.

A chuva - sempre ela! - embaralhou a classificação de tal forma que no início da última volta, a Toro Rosso dividia o pódio com McLaren e Ferrari, com Sébastien Bourdais em terceiro. Mas alguns pilotos resolveram trocar de pneus e um deles, o alemão Nick Heidfeld, fez ultrapassagens estonteantes na última volta - duas delas, aliás, por fora - chegando em terceiro na pista e segundo com a punição a Hamilton.

Bourdais ainda perdeu posições para Kubica, Vettel e Alonso, chegando em sétimo. O espanhol faturou o quarto lugar, enquanto o alemãozinho da Toro Rosso foi quinto, com o polaco da BMW em sexto.

O último ponto do dia também mudou de mãos depois da corrida: Timo Glock foi punido com 25″ de acréscimo de tempo por ultrapassar Mark Webber em bandeira amarela. Coincidentemente, foi o australiano quem herdou a posição.

Numa corrida de poucos abandonos, somente três, dois deles foram dos outros brasileiros, Nelson Ângelo Piquet e Rubens Barrichello.

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A volta de Massa

Dom, 24/08/08
por Lédio Carmona |
categoria Fórmula 1

Rodrigo Mattar

Vou abusar de franqueza: o GP da Europa, na nova pista de rua de Valência, foi chatíssimo, de dar sono. Mas teve lá as suas compensações, especialmente para Felipe Massa. Após a desilusão vivida na Hungria, quando o motor de sua Ferrari estourou sem aviso, o brasileiro foi soberano à beira do Mar Mediterrâneo. Fez a pole, liderou praticamente de ponta a ponta e venceu sua quarta corrida no ano.

Os 10 pontos da vitória foram importantes, pois, além do triunfo - o nono da carreira, igualando Rubens Barrichello, Massa ultrapassou Räikkönen na classificação do Mundial de Pilotos. Tudo porque, desta vez, foi o motor do carro do finlandês que explodiu. Quero ver o que vão dizer aqueles que acreditavam em “teoria da conspiração” contra o brasileiro…

Lewis Hamilton fez o suficiente para chegar em segundo e assegurar mais oito pontos. Com 70 somados, ele tem vantagem de seis para Felipe e 13 sobre Kimi, o que nesta altura do campeonato é considerável - mas se lembrarmos do ano passado, não representa tanto assim.

Enfim, numa corrida onde só aconteceram três ultrapassagens na pista, nenhuma entrada do Safety Car e dois pequenos acidentes - um deles tirando de combate o ídolo local Fernando Alonso ainda na primeira volta - na pista e outras duas ocorrências nos boxes - a mais grave delas quando um mecânico da Ferrari foi atropelado por Räikkönen, destaca-se também o pódio de Robert Kubica com a BMW; a boa performance da Toyota, de novo nos pontos com Trulli em quinto e Glock em sétimo; o excelente Sebastian Vettel cravando três pontinhos com a STR e, alvíssaras, a Williams na zona de pontuação com Nico Rosberg.

A corrida perfeita de Massa só teve um pequeno senão: quando foi liberado pela equipe após o segundo pit, o brasileiro quase colheu a Force India de Adrian Sutil, que vinha na pista de rolamento, saindo dos boxes. A alegação foi que os mecânicos não viram o carro do alemão e Massa teve que deixá-lo sair à sua frente. O piloto foi multado em 10 mil euros.

Nelson Ângelo Piquet conseguiu terminar a prova, a duras penas, em 11º e último dos que completaram as 57 voltas do vencedor. Rubens Barrichello, que largou dos boxes, também chegou ao final carregando o Honda, com insolúveis problemas de freio, até o décimo-sexto lugar.

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“Bem-vindo ao mundo da vitória”

Dom, 03/08/08
por Lédio Carmona |
categoria Fórmula 1

Rodrigo Mattar

Existem momentos e oportunidades em que um piloto tem que estar no momento certo, na hora certa. E Heikki Kövalainen aproveitou muito bem a chance que lhe sorriu neste GP da Hungria, no circuito de Hungaroring. Quando tudo parecia encaminhado para a vitória e a conseqüente liderança de Felipe Massa, veio a fumaça… a explosão do motor da Ferrari - algo raro de se acontecer hoje em dia. E depois, outra explosão, a de alegria do finlandês de 26 anos que chega em sua 27ª corrida da carreira ao seleto grupo de vencedores na Fórmula 1, o que fez o engenheiro do piloto saudá-lo após a prova com esta frase: “Bem-vindo ao mundo da vitória”.

A corrida escapou da monotonia usual por três eventos. O primeiro, foi logo na largada. Partindo da segunda fila, em terceiro, Felipe Massa empreendeu uma saída espetacular. Deixou Kövalainen (que saiu no lado sujo) pra trás e, por fora, bloqueou rodas para passar o pole position Lewis Hamilton e assumir a ponta. Uma manobra sem dúvida brilhante do piloto brasileiro, que abriu vantagem e controlou a distância como quis até sua primeira parada, na 18ª volta. Hamilton fez seu pit stop pouco depois e a corrida se manteve sem grandes alterações por muito tempo.

Na 44ª volta, todavia, a sorte pareceu sorrir para Massa e abandonar o piloto da McLaren. O pneu dianteiro esquerdo do carro do britânico rasgou no ombro, perdeu pressão e foi difícil para Lewis levar um carro totalmente “manco” até o boxe. Ele antecipou sua segunda parada e caiu para décimo, dando pinta de que dificilmente pontuaria na Hungria.

Mas o britânico, que até ali perderia a liderança do campeonato, ganhou posições. E com as paradas de Jarno Trulli e depois de Nelson Ângelo Piquet, ascendeu ao sexto lugar. O prejuízo seria minimizado em três pontos, portanto. E quando tudo parecia se encaminhar para o triunfo de Massa - que seria o quarto do brasileiro no ano - eis que o motor da Ferrari fez BUM!… e a vitória de Felipe foi para o espaço.

Inconsolável, Massa chorou copiosamente nos boxes. E na rival McLaren, comemorou-se duplamente: primeiro, pela vitória inesperada, mas importante (até porque ele teve seu contrato renovado para 2009) de Heikki Kövalainen; e segundo, pela manutenção de Lewis Hamilton na liderança do campeonato.

O pódio incomum da Hungria, com Kova no topo, teve também Timo Glock - que fez uma excelente corrida, diga-se - dando à Toyota seu melhor resultado de sempre, além de Kimi Räikkönen, que conseguiu um importante terceiro lugar que o deixa de novo na vice-liderança do Mundial de Pilotos. Nelson Ângelo Piquet pontuou pela terceira vez em quatro corridas, chegando na sexta posição e somando mais três pontos na tabela. Rubens Barrichello fez o que lhe era possível com o Honda e terminou em 16º.

Agora, a Fórmula 1 faz uma pequena pausa de “férias”. Sem direito a testes, os pilotos vão descansar e repor energias. No dia 22, a categoria máxima volta para fazer os primeiros treinos no novíssimo circuito de rua de Valência onde, teoricamente, a McLaren é favorita.

Pensando bem, num campeonato como este, onde tudo acontece, ninguém mais pode ser apontado como favorito absoluto.

As notas dos pilotos no GP da Hungria:

Kövalainen - Fez seu papel nos treinos, andando bem e classificando a McLaren na primeira fila, mas por largar no lado sujo, teve poucas chances de manter a posição. Foi beneficiado duplamente durante a corrida, primeiro pelo furo de pneu no carro de Hamilton e depois pela explosão do motor de Felipe Massa. Foi a típica vitória do piloto que estava no momento certo, na hora certa, porém sem ser brilhante - Nota 8

Glock - Um dos grandes nomes do fim de semana. Foi rápido desde os treinos livres, fez uma qualificação ótima e uma corrida consistente e sem grandes erros. E olha que há duas semanas, na Alemanha, ele batera muito forte num muro com sua Toyota. Quando dizem que um piloto volta ainda mais rápido depois de um acidente, mais o ditado faz sentido. Afinal de contas, Kubica, Kövalainen e agora Glock estão aí para não nos deixar mentir - Nota 9

Räikkönen - Apagado na classificação, foi bem na corrida, mantendo-se bem próximo de Fernando Alonso, para quem perdeu a posição na largada. Depois que superou o espanhol da Renault no segundo pit stop, virou voltas muito rápidas e chegou a ameaçar a posição de Glock. Mas o estouro do motor de Felipe Massa fez com que a equipe mandasse o campeão mundial tirar o pé. O pódio, nessa situação, já era lucro e os seis pontos o trouxeram de volta à vice-liderança do campeonato - Nota 7,5

Alonso - Fez uma boa largada, ultrapassando Räikkönen e com um carro notadamente inferior à concorrência, mostrou as qualidades que lhe fazem ostentar o cetro de bicampeão mundial. Na segunda parada, perdeu a posição para o finlandês e a quebra do motor de Felipe Massa o colocou num bom quarto lugar - Nota 7

Hamilton - Foi muito bem nos treinos, mas pareceu ter perdido a confiança logo depois da largada, quando foi ultrapassado por Massa. Jamais acompanhou o ritmo do brasileiro e o azar chegou a bater à sua porta depois que o pneu dianteiro esquerdo de sua McLaren furou. Ganhou posições com as paradas alheias e quando parecia conformado com três pontos e a perda da liderança, foi bafejado pela sorte. Chegou em quinto e continua na ponta do campeonato - Nota 7,5

Piquet - Piloto com confiança redobrada é outra coisa. Numa pista onde brilhou na GP2, Nelson Ângelo Piquet fez talvez a sua corrida mais consistente do ano. Optou por carregar mais combustível em sua Renault e com isso parou mais tarde que os adversários, ganhando pelo menos duas posições importantes - as de Trulli e Kubica. Depois, ganharia o sexto lugar com a quebra de Massa. Pela terceira vez em quatro provas, marcou pontos e os críticos seguem tendo que engolir o filho do tricampeão mundial Nelson Piquet - Nota 7,5

Trulli - Desta vez, o experiente italiano não foi páreo para a turma mais jovem e principalmente para Timo Glock, que lhe deu um “vareio” no fim de semana. O golpe fatal em suas pretensões foi a ousada defesa de posição de Nelson Ângelo Piquet pra cima do piloto da Toyota, que teve de ceder a posição - Nota 6

Kubica - Sem um carro capaz de lhe proporcionar um resultado à altura do seu talento, o polonês desapontou seus torcedores, que acorreram em grande número a Hungaroring. Pelo menos teve competência para levar a BMW ao final e sorte ao conquistar um suado pontinho - Nota 5,5

Webber - Não foi notado durante o fim de semana. A RBR pareceu ter perdido terreno na parte técnica em relação às rivais Toyota e Renault e isto pareceu evidenciado na Hungria. O australiano apenas teve o mérito de chegar ao fim, na nona posição - Nota 5

Heidfeld - Largou muito atrás e por isso optou pela estratégia de apenas uma parada, a fim de ganhar o máximo possível de posições. Não conseguiu ir além da décima colocação, fechando melancolicamente o pior fim de semana da BMW na temporada 2008 - Nota 4,5

Coulthard - Pelo menos não bateu em ninguém. Enquanto pôde, até andou rápido e durante o primeiro stint foi o único piloto com pneus supermacios na pista. Mas seu carro estava longe, muito longe, de ser competitivo - Nota 4

Button - Deu à Honda uma pequena alegria na classificação ao levar o carro para a Q2. Largou em 12º e em 12º terminou, numa prova sem erros mas sem nenhum brilhantismo - Nota 4,5

Nakajima - Teve o mérito de novamente levar a melhor no “duelo” particular com o companheiro de equipe Nico Rosberg. Com uma parada apenas nos boxes, o japonês chegou na décima-terceira posição - Nota 5

Rosberg - Uma das grandes decepções do fim de semana e provavelmente de todo o campeonato. Jamais foi competitivo e ainda por cima andou embolado com as Force India e ficou atrás de Nakajima - Nota 3

Fisichella - Com o carro que tem, chegou a andar na frente dos dois pilotos da Williams, o que não é pouco. E não foi o último entre os que terminaram - o que também não é pouco - Nota 4

Barrichello - Fez uma boa manobra de ultrapassagem sobre Jenson Button, e só. Depois, perdeu terreno por conta de um reabastecimento desastroso e limitou-se a completar a prova na posição que lhe era possível - Nota 4,5

Bourdais - Foi o trapalhão do fim de semana. Prejudicou a volta rápida de Heidfeld na classificação e depois, na corrida, levou dois banhos de pó químico de extintor de incêndio quando parou para reabastecer sua STR. Ainda chegou ao final em 17º e último lugar - Nota 3

Massa - Brilhante na largada, conservou a liderança como quis, ditando um bom ritmo primeiro sobre Hamilton e depois com confortável vantagem para Kövalainen. Traído pela explosão do motor, perdeu a chance da liderança do campeonato e também o segundo lugar na tabela de pontos. Um fim de semana de sensações distintas: a alegria por uma boa apresentação e a profunda tristeza pelo abandono - Nota 8,5

Sutil - Nada pôde fazer na corrida. Saiu em último e entre os últimos ficou até abandonar com insolúveis problemas de freio - Nota 3

Vettel - Foi bem nos treinos classificatórios, somente. Na corrida, voltou a ter o mesmo problema que lhe afligiu nos treinos de sexta e teve que abandonar - Nota 4,5

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Bolão do Rafic (10ª etapa)

Sex, 01/08/08
por Lédio Carmona |

ferra.jpgRafael Rafic, o organizador, convoca todos os blogueiros a botarem o pé no acelerador e participar da nona etapa do Bolão da F1. Nesse fim de semana, como todos devem saber, teremos o GP da Hungria, com a disputa particular entre Filipe Massa, Lewis Hamilton, Kimi Raikkonen, Fernando Alonso e Robert Kubica. Lá, a coisa está equilibrada. Aqui, também. Mas por enquanto quem leva a melhor ainda é André Luiz O.Macedo e Marcelo Zanotto. Pitaque nos três primeiros colocados. Aqui embaixo, o resultado parcial dos primeiros colocados e,  a planilha completa. Muito obrigado, meu bom Rafic.

Resultado parcial

55 pontos - André Luiz O.Macedo e Marcelo Zanotto

48 pontos – Cleber Bito

47 pontos – Bruno Azzi

45 pontos – Ronaldo Derly Rodrigues

44 pontos – Fernando Xaruto

43 pontos – Jota

Clique aqui para acessar a planilha completa.

Dá-lhe, Nelsinho!

Dom, 20/07/08
por Lédio Carmona |
categoria Fórmula 1

20nelsinho.jpgRodrigo Mattar

O Silverstone, dos testes em fim de semana do GP da Alemanha foi do jeito que Lewis Hamilton queria. Em ascensão depois da vitória irretocável na chuva de Hockenheim onde a McLaren mostrou força, o piloto britânico voltou a não deixar dúvidas de que ele está disposto a apagar da memória os erros que lhe custaram o título do campeonato de 2007. Ao vencer a 10ª etapa do campeonato, Lewis agora é o novo líder isolado do campeonato.

Mas a torcida brasileira teve motivos para sorrir. Afinal, Nelson Ângelo Piquet conseguiu um resultado que até ontem, parecia sonho. Largando em 17º, o filho do tricampeão mundial Nelson Piquet - que há quase 30 anos estreou na Fórmula 1 exatamente na mesma pista de Hockenheim - contou com uma boa dose de sorte, além de grande competência, para alcançar o primeiro pódio dele na categoria máxima. E o melhor resultado da Renault no ano.

Felipe Massa deu o seu melhor e também foi ao pódio, com o terceiro lugar. Dois brasileiros entre os três primeiros era algo que não acontecia havia 17 anos. E por coincidência, havia um sobrenome Piquet no pódio: Nelson, o pai, foi terceiro no GP da Bélgica de 1991, vencido por Ayrton Senna.

A corrida da Alemanha, aliás, cheirava a monotonia nas primeiras voltas, pois Hamilton tirou partido da pole position, abriu e sumiu. Com um carro mais leve, parou duas voltas antes que todo mundo e seguiu tranqüilo na liderança. Até que, perto da metade da corrida, o alemão Timo Glock, da Toyota, “pisou” com o carro na zebra da última curva e a suspensão traseira direita quebrou, ejetando o bólido de encontro ao muro dos boxes. Destroços voaram e o carro atravessou perigosamente a pista - felizmente sem ser colhido por ninguém.

20hamilton.jpgO Safety Car entrou na pista, reajuntou o pelotão e praticamente o pelotão inteiro parou. Exceto o líder Lewis Hamilton, o alemão Nick Heidfeld e, para espanto geral, Nelson Ângelo Piquet. Felipe Massa voltou em quarto e já que a McLaren optara por não levar o britânico para seu segundo pit stop, muitos apostaram em “equívoco de estratégia”.

Só que Hamilton é daqueles pilotos que tem uma grande confiança em si mesmo. E da relargada até a sua segunda parada, que aconteceu na 50ª volta, jamais foi ameaçado. Ocorre que a McLaren e a Ferrari tinham estratégias bem opostas. A escuderia italiana optou por montar pneus macios entre o primeiro e o segundo stint de combustível. Já a McLaren preferiu deixá-los para o trecho final.

Tiro certeiro: Hamilton, com pneus frescos e mais aderentes, partiu pra cima. Passou Kövalainen na ordem do boxe e subiu para terceiro quando Nick Heidfeld fez sua parada - o que ascendeu Nelson Ângelo Piquet a uma incrível liderança da corrida. Por sua vez, o britânico trucidava volta após volta a diferença que o separava de Massa e a ultrapassagem, inevitável, aconteceu no grampo do circuito.

20massa.jpgPor alguns momentos, Piquet reviveu a temporada de 2006, quando em vários momentos não só andou na frente como ganhou corridas deixando Hamilton para trás. Só que aqui não é a GP2. Os carros não são iguais, longe disso. A Renault nem de longe chega aos pés da McLaren. E Hamilton, no mesmo ponto, passou o brasileiro, abriu, disparou e venceu.

Mas por mais que a vitória do líder do campeonato tenha sido impressionante, para todos nós o domingo ficará marcado pela alegria e pelo sorriso exultante de Nelson Ângelo Piquet. Afinal de contas, não é fácil sobreviver num meio onde a pressão psicológica dá as cartas. E o brasileiro vai mostrando aos poucos que seu lugar é aqui. Entre os grandes.

As notas do GP da Alemanha:

Hamilton - O britânico esteve imbatível no fim de semana. Com um carro impecável, fez a pole position, liderou grande parte da corrida e, quando todos imaginavam que a estratégia da equipe fora equivocada quando ele não parou durante o período de Safety Car, Lewis mostrou que todos estavam errados. Pneus macios e menos combustível no tanque foram a equação exata para mais uma vitória do novo líder do campeonato - Nota 10

Piquet - Trinta anos depois da estréia do pai, eis que o sobrenome Piquet brilha num solo conhecidíssimo da família. Afinal, o pai venceu o GP da Alemanha três vezes e Nelson Ângelo nasceu… na Alemanha. Coincidências à parte, o brasileiro fez uma prova impecável. Optou por andar com tanque cheio e parar apenas uma vez. A entrada do Safety Car foi decisiva para o sucesso da estratégia. No fim da prova, não teve como segurar Hamilton, mas mostrou consistência e velocidade num carro notadamente mediano. Um desempenho fantástico - Nota 9,5

20timo.jpgMassa - Deu o seu máximo no fim de semana. Mas o máximo dele não foi suficiente para superar Hamilton. Desta vez, não foi atrapalhado por decisões erradas da Ferrari. Ele não chegou em segundo porque a Renault optou por uma única parada para Piquet e ainda teve trabalho para ser terceiro colocado, agüentando bem a pressão de Nick Heidfeld nas voltas finais - Nota 8,5

Heidfeld - O experiente alemão caminhava para mais um fim de semana apagado depois de um desempenho abaixo do esperado nos treinos. Mas há que se contar que Hockenheim é um de seus “quintais de casa” e o piloto da BMW também foi um dos beneficiados com a entrada do Safety Car quando do acidente de Timo Glock. Com isso, conseguiu um importante quarto lugar - Nota 8

Kövalainen - Jamais esteve à altura de Lewis Hamilton, mesmo com um carro teoricamente parecido. Foi razoavelmente rápido, mas não conseguiu ir além da quinta posição - Nota 7

Räikkönen - O campeão mundial nunca se deu bem em Hockenheim e este fim de semana não foi exceção. Após um resultado abaixo do esperado nos treinos, foi prejudicado quando perdeu muito tempo nos boxes em sua segunda parada. Teve de pisar fundo para ganhar posições e conseguiu ótimas ultrapassagens sobre Alonso, Vettel e Kubica - Nota 6,5

Kubica - Na terra da BMW, ficou devendo. Classificou-se bem no grid, mas não conseguiu extrair um bom desempenho do carro durante a corrida. Perto do fim, perdeu o sexto lugar para Räikkönen - Nota 5,5

Vettel - Ótima performance do jovem alemão. Ficou entre os 10 da Superpole e foi competitivo o tempo inteiro. Teve uma bela briga com Fernando Alonso e valeu-se de um erro de Jarno Trulli para conquistar o último pontinho da corrida - Nota 7

Trulli - Classificação brilhante no sábado, corrida irregular no domingo. Teve um bom início de corrida com os pneus macios, mas quando montou os compostos “prime”, o rendimento caiu. Não conseguiu segurar-se nos pontos e chegou em nono - Nota 6

20lewis.jpgRosberg - Largou no meio do pelotão e fez uma corrida muito agressiva, tentando recuperar posições. O máximo que conseguiu, correndo em casa, foi uma boa manobra de ultrapassagem sobre Fernando Alonso. Depois de um raro erro do espanhol, fechou em décimo - Nota 5,5

Alonso - Tentou dar o máximo com um carro muito inferior à concorrência e travou bons duelos com Trulli, Vettel e Rosberg, incrivelmente perdendo todos. Perto do fim, cometeu um raríssimo erro e não foi além da 11ª posição - muito pouco para um bicampeão mundial - Nota 4,5

Bourdais - Devagar e sempre foi o lema do francês da STR. Largou do meio para trás do pelotão e chegou bem perto de Fernando Alonso. E foi só - Nota 4

Coulthard - Voltou a ter as “panes mentais” que lhe atormentam desde o início do campeonato. Desta vez, a vítima do escocês foi Rubens Barrichello. Bateu com o brasileiro e voltou à pista para ser o 13º - Nota 2

Fisichella - Último no grid, conseguiu o “milagre” de cruzar a linha de chegada na frente de uma Honda e de uma Williams. Com o carro que tem, é um feito - Nota 4,5

Nakajima - Apagado. Errou duas vezes durante a corrida e limitou-se a levar o carro ao final - Nota 3

Sutil - Lento o tempo todo, também não fez muita coisa. Acabou em penúltimo entre os que receberam a quadriculada - Nota 3

Button - O britânico fez uma corrida bem razoável no início, mas foi prejudicado por uma parada extra, que o jogou para os últimos lugares. Acabou em 17º - Nota 4,5

Barrichello - Vinha numa corrida honesta, dentro das suas possibilidades, quando ousou crescer nos espelhos retrovisores de David Coulthard e foi fechado inadvertidamente pelo escocês. Resolveu abandonar a corrida - Nota 5

Webber - Não teve um fim de semana brilhante nem nos treinos, nem na corrida. Abandonou por quebra - Nota 4,5

Glock - Vinha bem até ser surpreendido por um incidente desagradável: a quebra da suspensão traseira direita do Toyota, que o arremessou de encontro ao muro dos boxes. Um tremendo acidente que, felizmente, não lhe trouxe conseqüências físicas - Nota 5

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Bolão da F1

Sex, 18/07/08
por Lédio Carmona |
categoria Fórmula 1

nur.jpgMais uma etapa do Mundial de F1 e, claro, outra volta do Bolão da F1, mais conhecido como Bolão do Rafic, nosso editor de esportes olímpicos e de motor. No fim de semana, o GP da Alemanha, com mais um embate entre Lewis Hamilton, Felipe Massa, Robert Kubica, Kimi Raikkonen… Poste aqui o seu pódio ideal. E marque pontos. Por enquanto, a disputa está assim:

49 pontos – André Luiz O.Macedo

48 pontos – Marcelo Zanotto

42 pontos – Cleber Bito/Fernando Xaruto

41 pontos – Bruno Azzi

39 pontos – Fábio Djalma/Gustavo

Mais tarde publicaremos a planilha completa.

Promessa cumprida

Dom, 06/07/08
por Lédio Carmona |
categoria Fórmula 1

Rodrigo Mattar

Ano passado, Lewis Hamilton fez a pole e não venceu o GP da Inglaterra, honra que coube a Kimi Räikkönen. Prometeu que em 2008, tudo seria diferente. Hoje, em Silverstone, diante de sua torcida, que não via um piloto da casa vencer havia oito anos (desde David Coulthard), ele cumpriu a promessa, e em grande estilo. Sob chuva e com uma condução tremendamente impecável, Hamilton não só venceu como também assumiu a liderança do campeonato, com os mesmos 48 pontos de Felipe Massa e Kimi Räikkönen - este com uma vitória a menos que seus rivais.

A corrida foi sensacional desde o início, quando diversos pilotos cometeram um festival de erros já na primeira volta (que falta faz para muitos o tal do controle de tração…): Mark Webber inaugurou a comédia de erros em Silverstone, passando por Kazuki Nakajima, Felipe Massa, David Coulthard e Sebastian Vettel, que se auto-eliminaram num toque que culminou na saída de pista dos dois.

O pole position Heikki Kövalainen liderou por pouco tempo a corrida. Hamilton, com força e com vontade, como já dizia a canção, passou e dispensou o companheiro de equipe. Atrás dele, os pilotos que melhor se sobressaem no piso molhado começavam a se destacar - casos de Räikkönen, Alonso, Piquet, Heidfeld e Barrichello - que largara em décimo-sexto.

Em contrapartida, Sutil, Fisichella, Glock, Massa, Webber e outros iam se perdendo sob a chuva inclemente.

No primeiro pit stop, a Ferrari deu um tiro no próprio pé: Räikkönen, que vinha em segundo, não teve os pneus trocados. O mesmo erro foi cometido na parada de Felipe Massa, que vinha entre os últimos. A Renault optou pela estratégia equivocada, prejudicando a performance de Fernando Alonso. Aí a classificação embaralhou por completo. Os três, com pneus intermediários mais desgastados, perderam rendimento (na média, cinco a seis segundos mais lentos por volta) e foram superados por seus adversários.

Nesta altura, a chuva voltou com tudo e a classificação da corrida embaralhou por completo. Nick Heidfeld, que tinha discreta atuação, passou a brilhar intensamente. Robert Kubica teve a liderança isolada do campeonato em suas mãos, mas escapou no asfalto muito molhado e parou na brita. Mesmo destino que Nelson Ângelo Piquet tivera algumas voltas antes, depois de uma corrida até então impecável.

Enquanto Hamilton passeava na liderança, Rubens Barrichello deu seu show. Ao optar por montar pneus de chuva em seu Honda, o brasileiro pisou forte e no seu segundo stint, foi o piloto mais rápido no molhado. Passou quem quis e como quis no “quintal de casa”, uma vez que ele guiou muito tempo por equipes inglesas na Fórmula 3 e na própria Fórmula 1. Alcançou a segunda posição, mas ao efetuar uma terceira parada para trocar por pneus intermediários, caiu para quarto. Como Trulli pararia uma segunda vez, voltou a uma posição de pódio - o que não lhe acontecia havia três anos, desde o insólito “GP de Seis” em Indianápolis, 2005.

A Ferrari, totalmente perdida, viu seus pilotos rodarem mais do que pião de brinquedo. Massa, que acabou em 13º e último entre os que terminaram, rodou incríveis cinco vezes. Räikkönen saiu na pista em menos oportunidades, mas ficou claro que o finlandês tinha um acerto menos deficiente que o brasileiro. E ao chegar em quarto lugar, um resultado importante, igualou Hamilton e Massa na briga pela liderança do Mundial de Pilotos.

E no fim das contas, o pódio foi formado pelos três pilotos que mais brilharam no chuvoso domingo de Silverstone: Hamilton, pela vontade de ganhar depois de um festival de erros na classificação, que puseram em dúvida sua estabilidade psicológica; Heidfeld, por devolver a BMW a um lugar de ponta e porque provou que não está “morto” diante do companheiro de equipe Robert Kubica; e especialmente Rubens Barrichello, que deu uma aula de pilotagem no molhado e levou o deficiente Honda RA108 ao pódio. Um feito que só grandes pilotos são capazes de fazer.

A Fórmula 1 vai para Hockenheim com um panorama inacreditável na classificação do campeonato, pois Hamilton soma 48 pontos, assim como Massa e Räikkönen. Robert Kubica é o quarto, com 46. O britânico tem as mesmas três vitórias que Massa, mas abandonou menos corridas - e no desempate isto faz diferença. Räikkönen tem duas vitórias e o polonês, uma.

Quem apostaria, sinceramente, que o campeonato de 2008 chegaria ao fim de sua primeira metade tão embolado e disputado quanto este? Nem nos nossos mais delirantes sonhos, imaginávamos algo assim…

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Bolão da F1 (9ª etapa)

Qui, 03/07/08
por Lédio Carmona |
categoria Fórmula 1

speedracer.jpgRafael Rafic, intrépido Speed Racer do JA, convoca todos os blogueiros a participarem da nona etapa do Bolão da F1. Nesse fim de semana, Filipe Massa, Lewis Hamilton, Kimi Raikkonen, Fernando Alonso e Robert Kubica disputarão o GP da Inglaterra. Equilíbrio lá. Aqui, também. Agora o líder é Marcelo Zanotto. Pitaque nos três primeiros colocados. Aqui embaixo, o resultado parcial dos primeiros colocados e, a planilha completa. Muito obrigado, meu bom Rafic.

47 pontos – Marcelo Zanotto

44 pontos – André Luiz O.Macedo

42 pontos – Cleber Bito

41 pontos – Bruno Azzi/Fernando Xaruto

39 pontos – Gustavo

Planilha completa:

http://www.mediafire.com/?17yx9dde2yg 

Um líder que é Massa

Dom, 22/06/08
por Lédio Carmona |
categoria Fórmula 1

23massa.jpgRodrigo Mattar

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Num domingo nublado e tremendamente monótono no Brasil e em grande parte do planeta, inclusive na França, Felipe Massa conseguiu de uma só tacada quebrar dois tabus que já duravam bastante tempo na história do país na Fórmula 1.

 O primeiro durava 23 anos: desde que o tricampeão Nelson Piquet venceu pela primeira (e única) vez o GP da França em Paul Ricard, nenhum outro piloto vencera essa corrida. Senna tentou, Barrichello também e os dois não tiveram sucesso. 

E a vitória de Massa, mais do que quebrar apenas um jejum, fez mais: o piloto da Ferrari é o primeiro brasileiro desde Ayrton Senna a liderar um campeonato mundial de Fórmula 1. E lembro que Ayrton, em 1993, andava com um McLaren-Ford, que nem de longe era parâmetro para as Williams-Renault de Alain Prost e Damon Hill. 

Massa desta vez teve uma boa dose de sorte a seu favor. Porque o carro de Kimi Räikkönen, que liderava absoluto a corrida, com tudo dando certo até a metade da prova, teve a quebra de parte do escapamento. Com o rendimento mecânico comprometido, o finlandês não pôde impedir a aproximação e a ultrapassagem do brasileiro, que comandou a corrida até o final. 

Räikkönen fechou o fim de semana com a 200ª pole position da história da Ferrari e com uma outra marca de respeito: pela quinta corrida seguida, registrou a volta mais rápida em prova, algo que além dele, só Michael Schumacher conseguiu. 

A corrida teve três outros destaques: o primeiro foi Jarno Trulli, que fez uma excepcional largada e uma grande corrida com o Toyota, dando à marca japonesa seu primeiro pódio no ano. Heikki Kövalainen, injustamente punido no sábado por supostamente bloquear uma tentativa de volta rápida de Mark Webber, foi outro que andou muito bem o tempo inteiro, e levou a McLaren ao quarto lugar, salvando o dia da equipe – uma vez que Hamilton, largando em décimo-terceiro, foi “premiado” com um drive-through porque os comissários alegaram que ele cortou caminho para ultrapassar Sebastian Vettel na primeira volta. O inglês, prejudicado, não foi além da décima posição. 

Mas a ótima notícia do dia, sem dúvida, foi ver Nelson Ângelo Piquet na zona de pontuação. O brasileiro teve sua melhor atuação desde que estreou na Fórmula 1. Agüentou a pressão imposta por Lewis Hamilton nas voltas iniciais, não cometeu qualquer erro e ainda passou Fernando Alonso na penúltima volta, para ganhar a sétima posição.

 Um “cala-boca” e tanto para aqueles que queriam ver o filho do tricampeão Nelson Piquet pelas costas. Agora sim, Nelson Ângelo, bem-vindo à categoria máxima.

 See you in England!

Bolão da F1

Qui, 19/06/08
por Lédio Carmona |

1955.jpgRafael Rafic, o indômito, convoca todos os blogueiros a botarem o pé no acelerador e participar da oitava etapa do Bolão da F1. Nesse fim de semana, como todos devem saber, teremos o GP da França, com a disputa particular entre Filipe Massa, Lewis Hamilton, Kimi Raikkonen, Fernando Alonso e Robert Kubica. Lá, a coisa está equilibrada. Aqui, também. Mas por enquanto quem leva a melhor ainda é Cleber Bito. Pitaque nos três primeiros colocados. Aqui embaixo, o resultado parcial dos primeiros colocados e,  a planilha completa. Muito obrigado, meu bom Rafic.

40 pontos - Cléber Bito

39 pontos – Marcelo Zanotto

36 pontos – André Luiz O. Macedo

33 pontos – Bruno Azzi/Fernando Xaruto/Gustavo

31 pontos – André Naegele/Ronaldo Derly Rodrigues

Planilha completa:

http://www.mediafire.com/?emyjzjxdwg1