Rodrigo Mattar
Existem momentos e oportunidades em que um piloto tem que estar no momento certo, na hora certa. E Heikki Kövalainen aproveitou muito bem a chance que lhe sorriu neste GP da Hungria, no circuito de Hungaroring. Quando tudo parecia encaminhado para a vitória e a conseqüente liderança de Felipe Massa, veio a fumaça… a explosão do motor da Ferrari - algo raro de se acontecer hoje em dia. E depois, outra explosão, a de alegria do finlandês de 26 anos que chega em sua 27ª corrida da carreira ao seleto grupo de vencedores na Fórmula 1, o que fez o engenheiro do piloto saudá-lo após a prova com esta frase: “Bem-vindo ao mundo da vitória”.
A corrida escapou da monotonia usual por três eventos. O primeiro, foi logo na largada. Partindo da segunda fila, em terceiro, Felipe Massa empreendeu uma saída espetacular. Deixou Kövalainen (que saiu no lado sujo) pra trás e, por fora, bloqueou rodas para passar o pole position Lewis Hamilton e assumir a ponta. Uma manobra sem dúvida brilhante do piloto brasileiro, que abriu vantagem e controlou a distância como quis até sua primeira parada, na 18ª volta. Hamilton fez seu pit stop pouco depois e a corrida se manteve sem grandes alterações por muito tempo.
Na 44ª volta, todavia, a sorte pareceu sorrir para Massa e abandonar o piloto da McLaren. O pneu dianteiro esquerdo do carro do britânico rasgou no ombro, perdeu pressão e foi difícil para Lewis levar um carro totalmente “manco” até o boxe. Ele antecipou sua segunda parada e caiu para décimo, dando pinta de que dificilmente pontuaria na Hungria.
Mas o britânico, que até ali perderia a liderança do campeonato, ganhou posições. E com as paradas de Jarno Trulli e depois de Nelson Ângelo Piquet, ascendeu ao sexto lugar. O prejuízo seria minimizado em três pontos, portanto. E quando tudo parecia se encaminhar para o triunfo de Massa - que seria o quarto do brasileiro no ano - eis que o motor da Ferrari fez BUM!… e a vitória de Felipe foi para o espaço.
Inconsolável, Massa chorou copiosamente nos boxes. E na rival McLaren, comemorou-se duplamente: primeiro, pela vitória inesperada, mas importante (até porque ele teve seu contrato renovado para 2009) de Heikki Kövalainen; e segundo, pela manutenção de Lewis Hamilton na liderança do campeonato.
O pódio incomum da Hungria, com Kova no topo, teve também Timo Glock - que fez uma excelente corrida, diga-se - dando à Toyota seu melhor resultado de sempre, além de Kimi Räikkönen, que conseguiu um importante terceiro lugar que o deixa de novo na vice-liderança do Mundial de Pilotos. Nelson Ângelo Piquet pontuou pela terceira vez em quatro corridas, chegando na sexta posição e somando mais três pontos na tabela. Rubens Barrichello fez o que lhe era possível com o Honda e terminou em 16º.
Agora, a Fórmula 1 faz uma pequena pausa de “férias”. Sem direito a testes, os pilotos vão descansar e repor energias. No dia 22, a categoria máxima volta para fazer os primeiros treinos no novíssimo circuito de rua de Valência onde, teoricamente, a McLaren é favorita.
Pensando bem, num campeonato como este, onde tudo acontece, ninguém mais pode ser apontado como favorito absoluto.
As notas dos pilotos no GP da Hungria:
Kövalainen - Fez seu papel nos treinos, andando bem e classificando a McLaren na primeira fila, mas por largar no lado sujo, teve poucas chances de manter a posição. Foi beneficiado duplamente durante a corrida, primeiro pelo furo de pneu no carro de Hamilton e depois pela explosão do motor de Felipe Massa. Foi a típica vitória do piloto que estava no momento certo, na hora certa, porém sem ser brilhante - Nota 8
Glock - Um dos grandes nomes do fim de semana. Foi rápido desde os treinos livres, fez uma qualificação ótima e uma corrida consistente e sem grandes erros. E olha que há duas semanas, na Alemanha, ele batera muito forte num muro com sua Toyota. Quando dizem que um piloto volta ainda mais rápido depois de um acidente, mais o ditado faz sentido. Afinal de contas, Kubica, Kövalainen e agora Glock estão aí para não nos deixar mentir - Nota 9
Räikkönen - Apagado na classificação, foi bem na corrida, mantendo-se bem próximo de Fernando Alonso, para quem perdeu a posição na largada. Depois que superou o espanhol da Renault no segundo pit stop, virou voltas muito rápidas e chegou a ameaçar a posição de Glock. Mas o estouro do motor de Felipe Massa fez com que a equipe mandasse o campeão mundial tirar o pé. O pódio, nessa situação, já era lucro e os seis pontos o trouxeram de volta à vice-liderança do campeonato - Nota 7,5
Alonso - Fez uma boa largada, ultrapassando Räikkönen e com um carro notadamente inferior à concorrência, mostrou as qualidades que lhe fazem ostentar o cetro de bicampeão mundial. Na segunda parada, perdeu a posição para o finlandês e a quebra do motor de Felipe Massa o colocou num bom quarto lugar - Nota 7
Hamilton - Foi muito bem nos treinos, mas pareceu ter perdido a confiança logo depois da largada, quando foi ultrapassado por Massa. Jamais acompanhou o ritmo do brasileiro e o azar chegou a bater à sua porta depois que o pneu dianteiro esquerdo de sua McLaren furou. Ganhou posições com as paradas alheias e quando parecia conformado com três pontos e a perda da liderança, foi bafejado pela sorte. Chegou em quinto e continua na ponta do campeonato - Nota 7,5
Piquet - Piloto com confiança redobrada é outra coisa. Numa pista onde brilhou na GP2, Nelson Ângelo Piquet fez talvez a sua corrida mais consistente do ano. Optou por carregar mais combustível em sua Renault e com isso parou mais tarde que os adversários, ganhando pelo menos duas posições importantes - as de Trulli e Kubica. Depois, ganharia o sexto lugar com a quebra de Massa. Pela terceira vez em quatro provas, marcou pontos e os críticos seguem tendo que engolir o filho do tricampeão mundial Nelson Piquet - Nota 7,5
Trulli - Desta vez, o experiente italiano não foi páreo para a turma mais jovem e principalmente para Timo Glock, que lhe deu um “vareio” no fim de semana. O golpe fatal em suas pretensões foi a ousada defesa de posição de Nelson Ângelo Piquet pra cima do piloto da Toyota, que teve de ceder a posição - Nota 6
Kubica - Sem um carro capaz de lhe proporcionar um resultado à altura do seu talento, o polonês desapontou seus torcedores, que acorreram em grande número a Hungaroring. Pelo menos teve competência para levar a BMW ao final e sorte ao conquistar um suado pontinho - Nota 5,5
Webber - Não foi notado durante o fim de semana. A RBR pareceu ter perdido terreno na parte técnica em relação às rivais Toyota e Renault e isto pareceu evidenciado na Hungria. O australiano apenas teve o mérito de chegar ao fim, na nona posição - Nota 5
Heidfeld - Largou muito atrás e por isso optou pela estratégia de apenas uma parada, a fim de ganhar o máximo possível de posições. Não conseguiu ir além da décima colocação, fechando melancolicamente o pior fim de semana da BMW na temporada 2008 - Nota 4,5
Coulthard - Pelo menos não bateu em ninguém. Enquanto pôde, até andou rápido e durante o primeiro stint foi o único piloto com pneus supermacios na pista. Mas seu carro estava longe, muito longe, de ser competitivo - Nota 4
Button - Deu à Honda uma pequena alegria na classificação ao levar o carro para a Q2. Largou em 12º e em 12º terminou, numa prova sem erros mas sem nenhum brilhantismo - Nota 4,5
Nakajima - Teve o mérito de novamente levar a melhor no “duelo” particular com o companheiro de equipe Nico Rosberg. Com uma parada apenas nos boxes, o japonês chegou na décima-terceira posição - Nota 5
Rosberg - Uma das grandes decepções do fim de semana e provavelmente de todo o campeonato. Jamais foi competitivo e ainda por cima andou embolado com as Force India e ficou atrás de Nakajima - Nota 3
Fisichella - Com o carro que tem, chegou a andar na frente dos dois pilotos da Williams, o que não é pouco. E não foi o último entre os que terminaram - o que também não é pouco - Nota 4
Barrichello - Fez uma boa manobra de ultrapassagem sobre Jenson Button, e só. Depois, perdeu terreno por conta de um reabastecimento desastroso e limitou-se a completar a prova na posição que lhe era possível - Nota 4,5
Bourdais - Foi o trapalhão do fim de semana. Prejudicou a volta rápida de Heidfeld na classificação e depois, na corrida, levou dois banhos de pó químico de extintor de incêndio quando parou para reabastecer sua STR. Ainda chegou ao final em 17º e último lugar - Nota 3
Massa - Brilhante na largada, conservou a liderança como quis, ditando um bom ritmo primeiro sobre Hamilton e depois com confortável vantagem para Kövalainen. Traído pela explosão do motor, perdeu a chance da liderança do campeonato e também o segundo lugar na tabela de pontos. Um fim de semana de sensações distintas: a alegria por uma boa apresentação e a profunda tristeza pelo abandono - Nota 8,5
Sutil - Nada pôde fazer na corrida. Saiu em último e entre os últimos ficou até abandonar com insolúveis problemas de freio - Nota 3
Vettel - Foi bem nos treinos classificatórios, somente. Na corrida, voltou a ter o mesmo problema que lhe afligiu nos treinos de sexta e teve que abandonar - Nota 4,5
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