Na Libertadores. Sem convencer
No fim das contas, tudo se manteve como estava. São Paulo, Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras, além do Sport que venceu a Copa do Brasil, representarão o Brasil no torneio mais importante da América no ano que vem, a Libertadores. E o Flamengo, de forma melancólica, se despede do Brasileirão sem a tão esperada classificação.
Palmeiras 0×1 Botafogo
(Wellington Paulista)
Parecia filme de sessão da tarde. O cenário era o mesmo. Palestra Itália. Última rodada. Um adversário alvinegro. Só dependia de si para ir à Libertadores. Derrota. Mas para a sorte do Palmeiras, o Fla colaborou, não venceu o Atlético e o desfecho foi diferente. Por pouco, o Verdão não repetiu o vexame do ano passado - quando perdeu para o Atlético Mineiro, em casa - e entregou a vaga na despedida do Brasileirão.
A expectativa era grande. Os investimentos maiores ainda. Mas o Palmeiras encerra o campeonato de forma frustrante. Um time montado para ser campeão, que teve alguns lampejos, mas nunca emplacou. Em casa, foi impecável. Mas fora de casa foi um fiasco. A vaga para a Libertadores acaba como um alento para uma equipe bastante irregular, que não cresceu na hora da decisão.
Reforços virão. Vanderlei fica. Mas Luxa terá que refletir sobre os erros cometidos ao longo do campeonato - como a má condução do eposódio Marcos - e preparar melhor a equipe para conquistar o bicampeonato da Libertadores para o Palmeiras. Mas antes tem a fase preliminar, já que o alviverde ficou na quarta colocação.
Cruzeiro 4×1 Portuguesa
(Thiago Ribeiro, Wanderley, Fernandinho, duas vezes; Athirson)
Os 45 minutos iniciais foram de apavorar até o mais pessimista torcedor do Cruzeiro. Imagine permanecer no G4 por 36 rodadas e justamente uma das duas em que ficou de fora ser a última. Pois é. Não poderia ser assim. Passado o susto da etapa inicial com o gol de Athirson, o Cruzeiro se reabilitou e mostrou o futebol envolvente que contagiou a todos nesse campeonato. Impiedosamente, a Raposa aplicou quatro gols na Lusa e fechou o campeonato em terceiro lugar, sem ter que jogar a fase preliminar da Libertadores.
O Cruzeiro foi o time mais regular do campeonato. A Raposa apresentou o melhor futebol da competição, mas nunca disparou. Nunca brigou, efetivamente, pelo título. O time é jovem, promissor e tem tudo para amadurecer e ir mais longe ainda no ano que vem. Mas é preciso reforçar o setor defensivo, que não é lá dos melhores. Adílson, que renovou por mais uma temporada, tem em mãos muitas jóias que, se bem lapidadas, podem dar muita alegria ao torcedor cruzeirense. Com a manutenção dos excelentes Ramires, Wágner e Guilherme, o futuro promete.
Atlético Paranaense 5×3 Flamengo
(Toró (contra), Rafael Moura, Júlio César, Zé Antônio e Alan Bahia; Marcelinho Paraíba, três vezes)
A decepção que parecia ter se esgotado este ano teve um novo episódio. Para completar o ano de frustrações, hoje, apesar dos ventos soprarem a favor - com a derrota do Palmeiras no Palestra Itália, o Fla só dependia dele mesmo para ir à Libertadores - , o Flamengo mais uma vez decepcionou e não fez a sua parte. Derrota para o Atlético, na Arena da Baixada, por 5 a 3. Adversário que, aliás, o clube carioca nunca venceu longe de seus domínios.
Para alguns, o balanço final é de tragédia, visto que os resultados não se alinharam aos investimentos e pretensões do clube. Por outro lado, pela primeira vez desde 1999 um treinador inicia e termina o campeonato no comando do clube. Tudo indica que Caio Júnior não será mais técnico do Flamengo a partir de amanhã. Na Gávea, a perspectiva imediatista ainda vale mais do que o projeto a longo prazo. Há quanto tempo o torcedor não aspirava um título? Há quanto tempo o Flamengo não liderava um campeonato por dez rodadas? Mas há quem diga que o Fla desperdiçou uma chance de ouro, pois o campeonato deste ano estava no papo. O julgamento quem faz é você, blogueiro.
O caminho mais fácil é demitir o técnico. Mas a diretoria não foi ágil. Durante os meses de julho e agosto, em que o Fla obteve dois empates em sete partidas, a diretoria demorou para repor os reforços. Além disso, Caio Júnior, por inúmeras vezes, reclamou das notícias que vazam e da falta de infra-estrutura do clube. É hora de refletir. Camisa não basta. Futebol hoje em dia é planejamento e gestão profissional. Como bem disse Juan, após a partida “Cada time tem que o merece.”
* No Maracanã, Fluminense e Ipatinga empataram em 1 a 1. O gol de empate do tricolor, no jogo de despedida do Xerifão Thiago Silva, saiu dos pés de Washington. Com mais um tento na conta, Coração Valente empatou com Kléber Pereira na artilharia da competição, com 21 gols cada.
* Outro que também terminou na artilharia foi Keirrison. Apesar da derrota para o Sport, na Ilha do Retiro, por 4 a 3, o jogador do Coritiba também deixou a sua marca e terminou a competição com 21 gols.
Colaborou Pedro Bevilaqua
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* O palco estava armado, a festa estava pronta, mas esqueceram de avisar ao Fluminense. O São Paulo errou demais. O meio de campo do tricolor paulista ficou imóvel, sem municiar o ataque. Além disso, as jogadas pelas laterais não foram utilizadas, como ocorriam nas partidas anteriores. E, no momento decisivo, a zaga falhou na marcação no gol de Tartá.Ponto positivo para o Fluminense, porque congestionou o meio-de-campo, bloqueando as jogadas de ataque do adversário. Renê Simões apostou em Tartá no intervalo. Com cinco minutos de jogo, o jogador fez um excelente passe para Washington, que perdeu um gol incrível. No rebote, Tartá deixou Rodrigo sentado e abriu o placar.








* O Figueirense parece ter acordado na hora certa. O time catarinense alcançou a segunda vitória consecutiva, após vencer o Botafogo, por 3 a 1, no Engenhão. Os anfitriões tiveram mais posse de bola e pressionaram o Figueira desde o início. Mas não tiveram tranqüilidade para concluir as oportunidades criadas. E na base dos contra ataques, o Figueira chegou lá. Nos primeiros onze minutos da etapa final, Diogo e Jairo abriram boa vantagem: 2 a 0. Alexsandro ainda descontou, mas Tadeu fechou o placar.

Caro Ronaldo Fenômeno,
A reciprocidade desse amor parece clara, mas o sonho de tê-lo, Ronaldo, parece tão obscuro e distante como é hoje o sonho do torcedor de chegar a uma final sul-americana. Enquanto o Flamengo embarca no sonho de chegar pela terceira vez seguida à competição mais importante das Américas, você dá a impressão de ir na contramão do seu sonho. Um dia parece aquele Flamengo contra o Palmeiras: decidido, fazendo planos e declarando seu amor ao rubro-negro. No outro, dá um branco, e de camiseta branca - pesadelo estético dos gordinhos - desfila uma silhueta incompatível com sua meta de voltar a jogar.











O ponto de encontro é um hotel na barra da Tijuca. O personagem da entrevista aparece na sala reservada, com a mesma expressão das coletivas após as partidas. Caio Júnior parecia aliviado. Também pudera. O Flamengo fizera na tarde de domingo a melhor partida do ano sob o seu comando. Mais do que isso: Seu time marcara cinco gols em uma equipe comandada por Luxemburgo, que por sua vez, não sabia o que era perder de cinco há mais de dez anos.
Lembrei que há dois meses, ele havia afirmado que gostaria de jogar com um meia ofensivo e que, com uma pré-temporada teria tempo para treinar os reforços que chegaram no meio do ano e, assim, mudar o esquema que herdou de Joel há sete meses. 









