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A bola não pára

Ter, 12/08/08
por Lédio Carmona |

* Excelente jogo na Ressacada entre Corinthians, líder da Série B, com 36 pontos, e Avaí, segundo colocado, com 34. Dois bons times, que jogaram para frente numa partida emocionante, bem disputada e com boa arbitragem (Leandro Vuaden). O Corinthians foi um pouco melhor no primeiro tempo e fez 1 a 0, gol de Douglas. No segundo tempo, recuou demais, deu campo ao Avaí, uma equipe muita bem arrumada por Silas Oliveira, aquele mesmo, velho companheiro de Muller no São Paulo, e cedeu o empate, aos 38 minutos. Belíssimo gol de bicicleta de Evando, diga-se. Resultado justíssimo, num jogo de Série B, mas com jeito de A. Por sinal, aposto que os dois estarão em cima ano que vem.O Corinthians caiu? Não vejo assim não. A Série B é que não é tão fácil quanto parecia. E, mesmo assim, não tem time no planeta que consiga manter o mesmo padrão durante 38 rodadas. Façam uma pesquisa e me provem o contrário.

* Na Arena da Baixada, empate entre titulares do Atlético e reservas do São Paulo na estréia de ambos na Copa Sul-Americana. Pois então: o Furacão A não consegue ganhar do São Paulo B. Depois não entendem porque estão brigando para não cair. Definitivamente, elenco ruim gera time fraco. E ninguém se estabelece com esse cenário. Uma pena.

A metade (muito) boa

Dom, 10/08/08
por Lédio Carmona |

De maio a agosto. Longas e até interessantes 19 jornadas marcaram o primeiro turno do campeonato. Gols, bons jogos, estádios cheios… A 19ª rodada – em especial o domingo -, no entanto, fugiu um pouco à regra. Foram 26 gols (2,73 é a média geral do campeonato, enquanto 2007 teve 2,76 gols por jogo) – muitos em virtudes de falhas alheias -, públicos razoáveis - a média do campeonato é de 15.486 pagantes -, gramados ruins, jogos piores e uma exceção: Botafogo x Palmeiras. O duelo mais aguardado do fim-de-semana teve apenas um golzinho, porém, de importância gigantesca. O Grêmio, campeão do turno, somou 41 pontos – 71% de aproveitamento, um recorde na era dos pontos corridos. Mas que na reta final teve a agradável companhia do alvinegro. Para azar dos cariocas, o Tricolor Gaúcho portou-se tão bem nas dez primeiras rodadas – esteve em sete na zona da Libertadores -, que lidera o campeonato com cinco pontos sobre o vice-líder. No entanto, há muita gente de olho. O que deixa a metade restante do campeonato como, no mínimo, promissora. Vamos às partidas deste belo dia dos pais:

* Ney Franco assumiu o Botafogo na 11ª rodada. O decepcionante empate diante do Santos – vencia por 2 a 0 – deu a leve impressão de que o alvinegro seria novamente coadjuvante no Campeonato Brasileiro. Grata ilusão. Hoje, oito rodadas depois, o Botafogo soma 31 pontos - 20 conquistados pelo técnico mineiro ou 74% de aproveitamento) – apenas a dois do São Paulo, atual quarto colocado, e a três do Palmeiras, adversário vencido deste domingo. No Engenhão (29.379 pagantes), o Botafogo soube se impor e acabou compensado pela postura ofensiva que adotou durante o jogo: 1 a 0. Zé Carlos, outrora contestado pela torcida, acabou como salvador, já que Gil não teve competência para tal. Além de mais uma vitória, a torcida deve comemorar a volta do bom futebol de Jorge Henrique, novamente decisivo. Os “inhos” também vêm sendo fundamentais na arrancada alvinegra. Que empolga. E já começa o segundo turno na quinta marcha, à procura de alguém que possa brecar o ímpeto dos comandados de Ney Franco. Já o Palmeiras apenas se defendeu além da conta. Embora não tenha deixado de ser perigoso quando atacou – Evandro e Valdívia criaram boas oportunidades. Mas a zaga ainda falha. E Luxemburgo, que assiste à disparada gremista de camarote, só lamenta.

* O Vasco conseguiu terminar o primeiro turno na zona do rebaixamento. E o torcedor amargou seu terceiro domingo seguido com uma goleada nas costas: Santos 5 a 2; São Paulo 4 x 0; e, hoje, Vitória 5 x 0. No meio de tudo isso, mais uma sapatada, em casa, para o Coritiba (2 a 0)e uma goleada a favor (6 a 1 sobre o não menos fragilizado Atlético Mineiro). Com apenas 19 pontos em 57 disputados (33%), 5 minguadas vitórias, 4 empates, 10 derrotas (mais de 50%), 30 gols marcados e 39 sofridos (pior defesa da competição, ao lado da Portuguesa), o Vasco envergonha os seus torcedores. A culpa não é de Tita. A culpa é de quem achava ontem e ainda entende hoje que o time não é tão ruim assim. É péssimo. É medonho. É insuportavelmente fraco. Com esse elenco, não há Rinus Michels, Telê Santana, Guus Hiddink ou Bernardinho que salve. Hoje, infelizmente, o Vasco tem uma história e torcida de clube grande e time de Série B. Ou melhor, para brigar para não cair na B! E ainda faltam 19 jogos. Será que a defesa chegará aos 100 gols ao fim do returno?

Enquanto isso, o Vitória só orgulha o seu torcedor. Foi um massacre no Barradão, com um inapelável 5 a 0, gols de Dinei, Ramon, Leandro Domingues, Jackson e Adriano. O Vitória tem tudo que o Vasco não tem: treinador com elenco na mão, plantel jovem e de qualidade, padrão de jogo, defesa razoável e ataque rápido. Por isso, termina o turno em 5º lugar, a apenas um ponto do G4 – o São Paulo tem 33. E olha que Marquinhos nem jogou tanto hoje. O Vitória vai brigar, sim, por uma vaga na Libertadores.

* Após quatro vitórias seguidas, o Cruzeiro tropeçou no gramado ruim do Canindé (3.489 pagantes) e numa aplicada Portuguesa: 2 a 1, gols de Jonas e Edno, enquanto Fabrício descontou. Foi bom para o Grêmio, que abriu cinco pontos para a Raposa, segunda colocada. Apesar desse resultado, o Cruzeiro, no meu entender, se manterá no G4 até o fim da competição – está nele há 18 rodadas - e permanecerá na caça aos gaúchos. Elenco bom, treinador, também, tudo está no lugar. Basta não cair na tentação de vender mais alguém. Sábado o time recebe o Vitória e tem tudo para se recuperar. E a Lusa luta para não cair. Por enquanto está livre. Até com certa folguinha. Mas é bom deixar os dois olhos arregalados.

* Todos os aplausos para a campanha do excelente time do Coritiba – o melhor, disparado, do Paraná. Terminou o 1º turno em 6º lugar, com 9 vitórias, 5 empates e 5 derrotas. Dos primeiros colocados, o Coritiba só perdeu para o Grêmio. Ganhou do Palmeiras e do Flamengo e empatou com Cruzeiro, São Paulo e Vitória. O time é bom, bem armado por Dorival Junior, tem padrão tático, um bom meio de campo, com Carlinhos Paraíba, Alê e Guaru, e um atacante de ponta como Keirrison, autor de 2 gols no 3 a 0 sobre o Sport, no Couto Pereira (20.077 pagantes) e com 10 na briga pela artilharia – Alex Mineiro e Kleber Pereira têm 11. Já o Sport terminou o 1º turno em 9º lugar. Como já ganhou o ano com o título da Copa do Brasil e a classificação assegurada na Libertadores, está mais do que de ótimo tamanho. Quem vai reclamar?

* Em outro terrível confronto da rodada, vitória do Ipatinga sobre o Fluminense, de virada, no Ipatingão (3.788 presentes). Até a expulsão de Fabinho – carrinho criminoso -, a equipe de Renato Gaúcho vencia e tinha o jogo nos pés – muito pela fraqueza do adversário. Tartá, ainda no primeiro tempo, havia marcado. O Tricolor, que desperdiçou outras chances – leia-se Somália e Washington -, viu a situação de promissora voltar ao antigo sofrimento em apenas três minutos. Depois de tanto pressionar, Adeílson e Kempes anotaram os gols da virada. Até merecida. Acostumado a sofrer mais faltas do que fazê-las, o Fluminense hoje é um time descontrolado emocionalmente. Enquanto isso, a situação é refletida no campo e na tabela: 16 pontos em 57 possíveis. O tempo de brincadeira se esgotou. É hora de voltar à sala de aula.

* Mais uma atuação sofrível do Santos. Novo resultado decepcionante. Nada parece ter mudado no alvinegro praiano, agora com o interino Márcio Fernandes. Apesar de não ter feito uma partida brilhante – longe disso -, o adversário Náutico ao menos voltou a vencer – acumulava jejum desde a 10ª rodada, na vitória sobre o São Paulo. Curiosamente – ou não -, na reestréia de Roberto Fernandes no comando do Timbu. Nos Aflitos (13.711 torcedores), 1 a 0, gol de Negretti em um dos muitos ataques aéreos do alvirrubro pernambucano. Douglas ainda fez boas defesas que evitaram uma derrota maior. Perdido em campo, o Santos foi o retrato fiel de sua pífia campanha – 17 pontos em 19 jogos.

* Vaga na Libertadores é o máximo que o bom time (no papel) do Internacional pode almejar nesse Campeonato Brasileiro – se bem que não esteve nela durante todo turno. Não engrena. Hoje, na estréia de Daniel Carvalho, tropeçou mais uma vez no Beira-Rio (23.234 pagantes). Depois de perder para o Santos, ficou no empate de 1 a 1 com o Figueirense (Diogo e Nilmar). Tite não acertou a equipe e já tem muita resistência. Com sete derrotas e apenas sete vitórias, os gaúchos estão em 10º lugar, a 15 pontos do Grêmio. O título já era. O ataque não funciona – fez apenas 21 gols em 19 jogos. Números de meio de tabela. Como são os do Figueirense – 11º, com 25. Nenhum deles deu liga. E acho difícil que venham a dar nesse Brasileirão. Apesar do ótimo elenco de vermelho.

* Marcelinho Paraíba, aos 33 anos, chega como incógnita ao Flamengo. Pode ser útil, mas sempre dependeu do corpo, do estado físico para render. Vamos ver como ele está. Suas ultimas temporadas na Europa foram decepcionantes. Talvez por isso o Wolfsburg o tenha liberado tão facilmente. Amanhã eu volto ao tema. Por ora, garanto: Marcelinho Paraíba pode ajudar, mas está longe de ser a solução. Aguardemos. Amanhã eu explico melhor.

* Renato Gaúcho não é mais o técnico do Fluminense. O treinador foi demitido após mais uma derrota no Campeonato Brasileiro - dessa vez sobre o lanterna Ipatinga, no Ipatingão. Permaneceu aproximadamente um ano e quatro meses no cargo - e conquistou a Copa do Brasil de 2007. Mas o ciclo parecia ter acabado desde a derrota na final da Libertadores. Cuca e Carlos Alberto Parreira surgem como possibilidades. E você, aposta em quem como comandante do tricolor?

Nada melhor do que ser pai. Só não foi um domingo perfeito pelo fato de não ter mais o meu pai. Mas sei que está feliz em saber que tenho o meu filho, minha família, minha mãe, meus amigos, meus leitores, minha vida. É muito bom ser pai. Saudades do meu. Que eu seja tão bom e importante para o Pequeno Bob quanto o Grande Carmona foi para mim. Um ótimo fim de domingo e semana melhor ainda para todos.

Colaborou Victor Canedo

Jogo dos contrastes

Qua, 06/08/08
por Lédio Carmona |

Quarta-feira nada agradável para Santos, Vasco e Flamengo. Crises, lesões e ao menos duas quedas de técnicos – Antonio Lopes e Cuca; Pintado na corda bamba – marcaram a última noite. Que também teve gente sorrindo. Casos de Grêmio, Fluminense e Atlético Mineiro. Os empates estão cada vez mais escassos. Nada mais natural que o jogo dos contrastes entre em cena no Brasileirão. Vamos aos jogos:

*Pobre torcedor do Vasco. Sofre em busca de dias melhores. Pede mudanças. Quer time. E, em compensação, ganha uma defesa com Anderson (quem indicou?), Jorge Luis e Vitor; e um inacreditável meio de campo, com Marquinho, Rodrigo Antonio e Madson. Feliz torcedor do Coritiba. O time é bom, bem treinado, tem padrão tático, bons apoiadores, como Carlinhos Paraíba e Alê, e um atacante excelente, chamado Keirrison, autor do segundo gol na vitória por 2 a 0, em São Januário (6.657 pagantes). João Henrique marcou o primeiro.

Pobre torcedor do Vasco. Amarga as escalações erradas de Antonio Lopes, não entende como Alex Teixeira pode ser reserva de Marquinho. E talvez, a partir daí, entenda melhor como seu time perdeu 9 jogos em 18 disputados e está perto da zona do rebaixamento. Entrar nela é questão de tempo. Feliz torcedor do Coritiba. Com a terceira vitória seguida fora de casa (Náutico, Santos e Vasco), o time chegou aos 29 pontos e, além de provar ser o melhor do Paraná, está muito perto do G4. Feliz torcedor do Vasco, que comemora a saída de Antônio Lopes. O elenco, como de conhecimento geral, é fraco. Não possibilita muitas pretensões, no máximo um meio de tabela. Mas não havia mais espaço para erros do ex-técnico vascaíno. Resta saber o substituto - Tita é um dos mais cotados. Trabalho, certamente, ele terá.

* 14 jogos: 3 vitórias, 4 empates e 7 derrotas. Este terrível retrospecto é referente à passagem de Cuca no Santos. Hoje, após mais uma decepção, o treinador não resistiu no cargo. Decepção que tem significado inverso para o Atlético Mineiro. Com gols de Jael, Márcio Araújo e Rafael Aguiar, o Galo virou para cima do Santos - Kleber Pereira e Vinicius (contra) -, por 3 a 2, em plena Vila Belmiro (6.657 torcedores). E não só conquistou sua primeira vitória fora de casa, como se distanciou da temida zona de rebaixamento. Um alento à equipe do efetivado Marcelo Oliveira.

O mesmo não vale para o alvinegro praiano, que há uma semana ameaçava uma tímida reação. Mas as duas derrotas seguidas em casa expuseram – novamente - as fraquezas do elenco santista, estacionado nos 17 pontos. A zaga, mesmo com a chegada de Fabiano Eller, continua fraquíssima – vide terceiro gol do Atlético. O ataque continua a perder gols. E, Kleber, destaque das boas campanhas de 2006 e 2007, é o símbolo da desilusão. Seja no meio-campo ou na lateral. Fala-se em Gallo como solução. Enquanto isso, rios de dinheiro são desperdiçados em jogadores inúteis no elenco. Só não pergunte sobre reforços aos vândalos que se dizem torcedores. O estrago pode ainda ser maior.

* O empate no Serra Dourada (39.200 pagantes) já não agradava o Flamengo, abalado com os recentes acontecimentos. Mas a fase é tão ruim que o Goiás encontrou o gol da vitória com Iarley, aos 46 minutos da segunda etapa. Gol que só agrava a crise rubro-negra. Já são sete jogos sem vitória, e no próximo sábado terá de enfrentar o Atlético Paranaense com oito desfalques. Ao menos Juan, um dos únicos lúcidos do time ao lado de Airton, jogará. Ontem, o lateral não só sofreu o pênalti – bem cobrado pelo apagado Léo Moura -, como participou das principais chances de perigo do Flamengo. Mas a zaga já havia falhado no primeiro gol de Iarley – idêntico ao de Guilherme no último domingo – e erraria no segundo. A equipe de Caio Júnior ainda encontrou a trave em duas oportunidades – Jaílton e Henrique (contra) -, mas não resistiu à pressão.

O rubro-negro vive, de longe, o pior momento em sua fase recente. Só não se sabe até quando a bruxa – ou bruxos que soltam bombas – irão rondar a Gávea. Acreditem, há como ficar pior. Embora eu não acredite que a diretoria irá ficar de mãos atadas. Já o instável Goiás aproveita o fator casa. Até agora, suficiente para deixá-lo afastado da zona de rebaixamento.

* Esperava-se mais do líder diante do lanterna, em casa. O Grêmio esteve longe de mostrar o bom futebol de outrora, foi pressionado durante parte do jogo, mas conquistou mais três importantíssimos pontos na luta pelo simbólico título do primeiro turno. Perea – a dúvida fica se Marcel tocou na bola, caracterizando o impedimento -, logo aos três minutos, marcou o único gol da partida. O Ipatinga parecia não se importar. Por incrível que pareça, impôs o seu ritmo e por pouco não empatou – Victor, assim como no domingo passado, fez grande defesa. A equipe de Celso Roth acordou na segunda etapa. As entradas de Souza e Felipe Mattione – que gol perdido! - melhoraram consideravelmente o Grêmio, mas o magro resultado satisfez os 28.137 pagantes no Olímpico. Bom para o Tricolor Gaúcho, ainda soberano na liderança – oito pontos à frente do quarto colocado. Já o Tigre, apesar da melhora dentro de campo, perdeu como (quase) sempre. E permanece com os míseros 13 pontos, ostentando a lanterna. Como é difícil imaginar o Ipatinga na Série A em 2009…

* Renato Gaúcho abdicou dos três volantes. Não mais improvisou na lateral. E com Washington novamente inspirado, o Fluminense repetiu o placar do duelo das quartas-de-final da Libertadores: 3 a 1, no mesmo Maracanã (8.515 pagantes). Hugo abriu o placar no início de uma movimentada segunda etapa. Já o primeiro tempo só foi notado quando a torcida tricolor protestou – pacificamente, diga-se – ao adentrar a arquibancada carregando caixões e cruzes. O resultado, até certo ponto surpreendente, tem lá suas justificativas. Muricy errou tanto na escalação como nas substituições – o lateral-direito Éder cometeu pênalti prá lá de infantil. Jean, que teve boa atuação diante do Vasco, só foi entrar na segunda etapa. Richarlyson continua errando e muito. E o hoje acomodado São Paulo pode deixar o G4 caso o Vitória empate com o Palmeiras, no Palestra Itália. Enquanto o por ora ofensivo Fluminense vê uma luz no fim do túnel – acesa pela lanterna do Ipatinga, rival de domingo.

* Sobrevida ao Atlético Paranaense. No duelo dos desesperados, o Furacão derrotou o Náutico, por 2 a 0 – um em cada tempo -, na Arena da Baixada (12.142 pagantes). Rafael Moura – pasmem! – e Danilo anotaram. Maurinho – aquele mesmo – ainda foi expulso no Timbu. Enquanto um novo técnico não é anunciado, o interino Tico tem de se virar com o que tem. A sorte foi ter enfrentado uma equipe tão desqualificada quanto o rubro-negro da baixada. Ambos não me convencem. E Pintado já balança no cargo. Nunca é demais ressaltar o erro da direção alvirrubra ao demitir Leandro Machado – na época, o Náutico disputava uma vaga no G4. Hoje, ocupa a primeira vaga da zona de rebaixamento. Erros que não são perdoados.

* O Sport apenas exerceu o mando de campo para vencer a abatida Portuguesa, na Ilha do Retiro. Resultado até previsível. A Lusa já acumula sete derrotas fora de casa, enquanto o Leão alcançou o sexto triunfo como mandante. Roger e Bruno Rodrigo (contra) marcaram em cada tempo. Inúmeras chances desperdiçadas. Sérgio ainda defendeu pênalti de Luciano Henrique. Pouco para a equipe de Valdir Espinosa, que, sem Diogo, não aspira confiança alguma – e vai brigar contra o rebaixamento. No tamanho para o time de Nelsinho, na oitava colocação – e já na Libertadores de 2009.

Colaborou Victor Canedo

Brasileirão às avessas

Dom, 03/08/08
por Lédio Carmona |

Foi a rodada dos visitantes. Seis vitórias, contra apenas quatro dos mandantes. Não houve empate. No total, 32 gols, com média de 3,2 por partida. Rodada que mudou a cara do Brasileirão, de cima para baixo. Em cima, o Grêmio confirmou o primeiro lugar, com Cruzeiro em 2º e, finalmente, dois paulistas no G4 - Palmeiras e São Paulo. O Vitória foi para quinto e o Flamengo, sem vencer há seis jogos, despencou para sexto, a sete pontos do Grêmio. No fundo, Santos, Fluminense e Ipatinga seguem aboletados na zona do rebaixamento, agora na companhia do Atlético Paranaense, que não merece time tão fraco. Segue o resumo do domingão:

* O Grêmio não perde desde a 9ª rodada. Hoje, na 17ª, nada mais natural que seja o líder. Incontestável, por sinal. Em mais um confronto direto, o Tricolor Gaúcho fez o dever de casa diante do Vitória, no abarrotado Olímpico. Triunfo que só veio com a ajuda do ótimo goleiro Victor – defesa épica em cabeçada de Anderson Martins -, quando o time de Celso Roth já vencia por 1 a 0, com William Magrão – achei falta no lance. Vale destacar o belo lançamento de Rafael Carioca para Perea tocar levemente na trave, ainda na primeira etapa. Souza, em sua estréia, também lançou. E Reinaldo não desperdiçou. Resultado que só reforça a superioridade do Grêmio. Melhor ataque, com 30 gols; melhor defesa, com 12; mais vitórias, 10; menos derrotas, 2. Números de um forte favorito ao título. Ao contrário do Vitória, de Vagner Mancini. Desfalcado de Ramón e Willians, a derrota de hoje era aceitável, embora decisiva. E enfrenta outro adversário direto na quinta-feira – Palmeiras. Há qualidade suficiente para cobiçar uma vaga na Libertadores. O título, pelo visto, é demais para o Leão do Barradão.

* O marasmo rubro-negro continua. Para mais de 37 mil pagantes no Maracanã, o Cruzeiro voltou a aprontar das suas e, pela melhor fase que vive, venceu o Flamengo, de virada, por 2 a 1. Sem ter o que fazer com o setor ofensivo, Caio Júnior testou apenas Obina como atacante, e pôs o jovem Erick Flores em campo. Como era de se esperar, não deu resultado. A Raposa não foi brilhante na primeira etapa, mas dava trabalho a Bruno. Vandinho e Diego Tardelli entraram como solução. O primeiro marcou em sua estréia. Mas o Flamengo, perdido, sofreu a virada num intervalo de quatro minutos. Guilherme – que fase vive o garoto! – e Rômulo, livre, marcaram para o Cruzeiro. Fábio Luciano, já no fim, expôs a real situação do Flamengo ao ir para o ataque desesperadamente. E o rubro-negro acumula seis jogos sem uma vitória sequer – sete pontos atrás do líder Grêmio. Há menos de um mês o clube era referência com cinco pontos de vantagem. Esse é o cíclico futebol. Mas para voltar a vencer, Caio Júnior precisa não só reanimar o time, como encaixar as poucas peças que possuí. E torcer por mais contratações – principalmente no setor ofensivo, fragilizado ainda mais com a perda de Tardelli, no mínimo fora por três meses. A vinda de Vandinho ainda é muito pouco para quem almeja(va) o título.

Já o time de Adílson Baptista é só alegria. Três ótimas vitórias consecutivas mantiveram a Raposa na vice-liderança, com 33 pontos. E hoje nem precisou de Wagner, que deixou o gramado lesionado ainda na primeira etapa – não preocupa. Se o Cruzeiro não me convencia há algumas rodadas, aos poucos me faz acreditar que o título é possível. Embora necessite de Ramires – cobiçado agora pelo Werder Bremen.

 

* No início parecia que não daria liga. Ali pela sétima rodada, a sensação é de que não haveria nem namoro. O flerte recomeçou depois da décima. E o início da relação começou hoje. O São Paulo, enfim, conquistou o G4. No Morumbi, 4 a 0 em cima do limitadíssimo, confuso, desunido e mal escalado Vasco, que, pelo segundo domingo consecutivo, levou uma goleada capaz de envergonhar o mais crente e utópico dos vascaínos.

O jogo nunca foi difícil para o São Paulo. O time de Muricy Ramalho foi melhor o tempo todo. André Lima, o estreante, fez 2 a 0 no primeiro tempo. Dois gols polêmicos, ambos num breve impedimento. Lances difíceis de serem vistos. Na dúvida, pró-ataque. Assim eu entendo essas situações. Mas, evidentemente, vai ter gente se enganando e dizendo que o Vasco perdeu por culpa disso. No segundo tempo, após Antonio Lopes tirar Madson e oferecer Allan Kardec para os vascaínos, Rogério Ceni ensinou a bater falta e pênalti: 4 a 0. Massacre anunciado e justo. Sem choro nem vela. O São Paulo está no G4. E o Vasco está a dois pontos do rebaixamento. Doloroso…

* Fácil. O Botafogo nem precisou se esforçar para vencer o Atlético Paranaense, por 3 a 0, em plena Arena da Baixada (16.966 pagantes). Lúcio Flávio, Jorge Henrique e Túlio marcaram ao cantos de “olé” da torcida rubro-negra. Os três, ao lado de Diguinho, têm sido os destaques do ótimo time armado por Ney Franco, que já soma 25 pontos - apenas cinco abaixo do G4. Embora ainda falte algum matador – casos dos empates com Santos e Flamengo, e na derrota para o São Paulo. Mas é um time que cria - privilégio de poucos nesta competição. Se mantiver o ritmo, por que não sonhar com uma vaga na Libertadores? Quem paga o pato é Roberto Fernandes, virtualmente desempregado. O Furacão em sua pior fase no campeonato, na 17ª posição, com 17 pontos. Até que ponto vale à pena investir na estrutura, e, conseqüentemente, abandonar os investimentos no time?

* Longe de apresentar um futebol satisfatório, o Palmeiras jogou o suficiente para vencer o Ipatinga, no Ipatingão, por 2 a 1. Valdívia deixou a polêmica de lado e marcou os dois do alviverde. Alex Mineiro poderia ter assumido a liderança isolada, mas desperdiçou um pênalti. Mas a zaga palmeirense não poderia passar duas partidas sem sofrer um gol sequer. Adeílston, no fim, descontou. Não fez diferença. Ainda que sem brilho, o Palmeiras volta ao G4 na terceira posição, com 31 pontos. Mas é bom Luxemburgo torcer pela volta de Gustavo. Gladstone e Jeci ainda podem atrapalhar as ambições do Palmeiras no Campeonato Brasileiro. Já o Tigre continua segurando a ingrata lanterna. A cada rodada o sonho de permanecer na Série A torna-se cada vez mais utopia.

* Na Vila Belmiro (10.261 pagantes), falou mais alto a irregularidade do Santos. Diante de um Coritiba muito bem organizado, o time de Cuca errou passes demais, esbaldou-se em fazer falta inúteis, ofereceu o contra-ataque ao Coxa e foi derrotado com três gols do ótimo Keirrison. Dois deles em falhas claras do goleiro Douglas. No Santos, destaque apenas para o garoto Maikon Leite, autor do gol, mas que exagerou no individualismo. E, no fim, Kleber, que de novo não jogou nada, pediu desculpas aos torcedores. Fez bem. O Santos, creio, sairá do buraco. Mas a irregularidade atrapalha. Por isso, sonhos são proibidos. Melhor ser prático: escapar do abismo. E ponto final.

* Marcelo Oliveira tratou de apagar mais um incêndio no Atlético Mineiro. Depois da demissão de Gallo na última quinta-feira, o interino comandou a virada do Galo sobre o Sport, por 2 a 1, no Mineirão. Ainda que com dificuldade, o alvinegro faz valer o mando de campo. Roger abriu o placar para o Leão. Perdeu outros tantos gols. E o Atlético Mineiro, com Marques e Gedeon, assumiu a 12ª posição. Nem parece a crise que pintava após a goleada sofrida para o Vasco, com 21 pontos. O Sport, no entanto, caiu para a décima colocação. E não precisa se preocupar com o fantasma do rebaixamento. Muito provavelmente disputará a Libertadores de 2009 na primeira divisão.

Colaborou Victor Canedo

Azul de tricolor

Qui, 31/07/08
por Lédio Carmona |

Não me surpreendi com mais um resultado positivo do time de Celso Roth. Enquanto outros pensam em reforços, o Tricolor Gaúcho acumula pontos. A liderança é mais do que merecida. E com um quê de preto e branco somado ao azul da quarta-feira. Mas a quinta-feira não foi só agitada no Couto Pereira – e na tabela. Vamos aos jogos:

* O Grêmio tinha pela frente um adversário ainda invicto em seus domínios. O Coritiba já havia vencido Palmeiras e Flamengo – e empatado com o Cruzeiro - no Couto Pereira. Mas o gol de Marcel, no início da segunda etapa, de cabeça, e uma defesa quase intransponível garantiram mais três pontos ao Tricolor Gaúcho. Tanto que o muito bom Victor sequer trabalhou - Hugo e Keirrison jogaram para fora as chances de um resultado positivo. Méritos do ótimo sistema defensivo da equipe de Celso Roth – apenas 12 gols sofridos. E, claro, de um time que sabe vencer também fora de casa – possuí quatro vitórias longe do Olímpico, uma a mais que Ipatinga e Fluminense no geral. O Coxa, no entanto, desperdiçou a oportunidade de encostar no G4. Dorival Júnior tem qualidade em mãos, mas o meio da tabela parece ser inevitável tamanha a quantidade de times equilibrados.

* A tensão que pairava em São Januário e a péssima situação na tabela talvez não permitissem acreditar em uma noite tão boa – dentro de campo, diga-se – para o Vasco. O Atlético Mineiro, no entanto, até começou melhor. Levou o primeiro, de Edmundo, mas empatou em seguida, com Jael. A partir daí a equipe de Antonio Lopes – que sobrevive no comando vascaíno – cresceu nos erros do Galo. Eduardo Luiz e Mádson – belíssimo gol – ampliaram. Em dezessete minutos de segundo tempo já vencia pelo humilhante placar de 6 a 1 - Wagner Diniz, duas vezes, e Leandro Amaral. Aliás, melhores em campo ao lado de Edmundo. Resultado expressivo, mas longe de empolgar. Até porque o elenco vascaíno não permite tal aventura. Assim como o Atlético, o time é fraco. E as defesas juntas somam 58 gols sofridos. Não há Gallo que resista. O treinador é mais um ter seu nome na ingrata lista que assombra os técnicos. Muito embora Marcelo Oliveira dê conta do recado sempre que assume a função de bombeiro. Fato que foi encoberto pela grande polêmica da noite: Edmundo. Novamente.

O atacante vascaíno, que já havia reclamado de Antonio Lopes pela substituição, disparou contra Leandro Bomfim e Jean, acusando-os de terem pedido para não entrar em campo, assim como Morais, no dia anterior. Ambos declararam ao SportvNews – aliás, jornalismo de primeira linha – não estarem em condições de jogo. E me convenceram. E você, torcedor vascaíno, está do lado de quem?

* Seria até normal um relaxamento do Sport após o título da Copa do Brasil. Mas o rubro-negro joga com a torcida. E sobe na tabela. Ontem, depois de um primeiro tempo em dificuldades, o Leão deslanchou na segunda etapa, na Ilha do Retiro (23.086 pagantes) Carlinhos Bala, Luciano Henrique – de pênalti – e Ciro – jovem promessa - marcaram na vitória de 3 a 1 sobre o Ipatinga. Beto ainda descontou quando o placar apontava 2 a 1. Nada que assustasse de fato a equipe de Nelsinho Baptista, líder na maratona de julho. Foram 16 pontos em oito jogos. A atual sétima colocação é algo natural. Já o Tigre está solitário na lanterna, com 15 pontos. Ainda que não tenha o pior ataque e defesa da competição, são remotas as chances de um milagre.

Colaborou Victor Canedo

Passeio no Maracanã

Sáb, 26/07/08
por Lédio Carmona |

Há tempos não se via um claro domínio no Maracanã (13.808 pagantes). O Fluminense até ficou bastante tempo na frente do placar pelo fraquíssimo futebol apresentado. Washington, de pênalti, abriu o logo aos 10 minutos. Mas o Cruzeiro, mesmo fora de casa, tomou as ações da partida. Os laterais da Raposa tinham total liberdade. E a facilidade para tocar a bola era notável. De se espantar somente a escalação da equipe de Renato Gaúcho - que atuava em casa - com três zagueiros e dois volantes de contenção, sendo esses Ygor (!) e Fabinho. Claro, inúmeros desfalques acabaram atrapalhando da vida do treinador. Nada que pudesse influenciar numa escalação tão acuada e perdida. A virada acabou ocorrendo naturalmente, com Guilherme e Fabrício, de falta – colaboração de Ricardo Berna. Aliás, diga-se, mais uma grande atuação do volante cruzeirense.

A história não foi lá muito diferente na segunda etapa. Desespero tricolor refletido na tabela – 13 pontos, na 18ª colocação – e no campo – Luiz Alberto expulso infantilmente no fim. Enquanto não vierem reforços do nível dos que saíram, os erros dificilmente serão perdoados – ou compensados. Coube a Wagner, outro destaque, fechar o caixão – onde cabia mais. E deixar o Cruzeiro feliz da vida, de volta ao G4, com 27 pontos. Ao menos na noite deste sábado, quando o tabu de 36 anos sem vitórias diante do Fluminense no Maracanã foi quebrado. Como um passeio no Rio de Janeiro.

* O Ipatinga mostrou mais uma vez não estar morto. Azar do Internacional, que sucumbiu novamente longe do Beira-Rio. Se em casa a equipe de Tite funciona com até qualidade, fora dos seus domínios a situação é inversa. A falta de criatividade foi o principal fator para o fraquíssimo primeiro tempo – para piorar, o Colorado perdeu Alex, lesionado. Aos 32 do segundo tempo, o gol de Beto acabou como castigo para o sonolento Internacional, que desperdiçou ótima chance de encostar de vez no pelotão da frente. Já o Tigre ultrapassou o Santos – que ainda joga neste domingo -, e colou no Fluminense. Será que o destino reservou vagas para grandes na Série B de 2009? Você responde.

* Não me surpreendi com o resultado nos Aflitos (12.552 torcedores). Num jogo de muitas faltas e passes errados, vitória de quem ainda dá sinais de qualidade – ainda que escassos. O Coritiba marcou com Guaru. Piauí empatou. E o Timbu até poderia ter virado não fosse a trave e a própria incompetência. Mas no fim a estrela de Keirrison fez a diferença. O Coxa garantiu a sétima colocação, com 23 pontos. Já o Náutico despenca. Soma cinco preocupantes jogos sem vitória. E Pintado pode ser o próximo da ingrata e famosa lista que percorre o Campeonato Brasileiro.

Colaborou Victor Canedo

Central de boatos (e verdades) do futebol mundial

Ter, 22/07/08
por Lédio Carmona |

Ainda que por míseros cinco meses – até dezembro -, Daniel Carvalho deve defender o Internacional, clube que o revelou. O jogador impôs essa condição ao renovar contrato com o CSKA até 2010. E, claro, terá a chance de voltar a aparecer para a Seleção Brasileira. Futebol ele tem. De sobra.* Mas sempre há um porém. Não sei o que passou pela cabeça da diretoria colorada em contratar o lateral-esquerdo Gustavo Nery, ex-Corinthians, ex-Fluminense e extremamente descompromissado. Por isso o contrato de risco, que deverá ser assinado por um ano ainda hoje. Embora sem necessidade alguma.  E o Internacional de Tite subindo na tabela.

* Até estranhei a queda de rendimento da jovem promessa gremista Léo no Campeonato Brasileiro. Mas tem ao menos um motivo: o zagueiro está próximo de deixar o Grêmio. Deve atuar no Espanyol, de Barcelona, que tenta adquirir 60% dos direitos federativos do jogador. Infelizmente os clubes não vivem sem o dinheiro das vendas de suas promessas. Especula-se que Roque Júnior seja o substituto. A conferir.

* O Fluminense começa a buscar reforços no mercado exterior. A última é a possível contratação de Lucas Castroman, meia-atacante argentino. Atualmente vem sendo pouco aproveitado no Boca Juniors. Com justiça. Já teve a sua época. E ainda é um jogador caro. O América-MEX, dono do passe do jogador, não deve liberá-lo facilmente. É bom Branco & Cia correrem.

* O meia-atacante Michael, do Coritiba, está deixando o Brasil para atuar no Japão. Os valores da negociação nem o destino do jogador foram divulgados pela diretoria do Coxa. Mas a entrada de dinheiro no caixa possibilita reforços. E Dorival Júnior não irá sentir sua falta, já que Keirrison e Carlinhos Paraíba voltaram de contusões jogando muita bola.* Sidny é mais um jogador a atuar por dois clubes rivais no Brasil. O lateral-direito, ex-Náutico – onde atuou por 89 jogos -, acertou com o Sport para a seqüência do Campeonato Brasileiro. Estava no Livorno, da Itália.* Valdir Espinosa foi apresentado como novo técnico da Portuguesa. E já chegou falando em Libertadores. Infelizmente, é apenas um sonho para a Lusa. O elenco é limitado. E o treinador, por mais competente que seja não faz milagres. Além de ter o líder Flamengo já como a primeira pedra no caminho.

* Está confirmado: Henrique defenderá o Bayer Leverkusen na próxima temporada. O zagueiro ainda pertence ao clube catalão, que apenas o emprestou para ganhar a famosa experiência. Fez o certo. Henrique não teria espaço no atual time de Josep Guardiola. Mas aposto nele a partir de 2009.

* Depois de cinco temporadas no Chelsea, Claude Makelele acertou com o Paris Saint-Germain. O clube francês arcará apenas com salários do jogador – não pagou nada para tê-lo em definitivo. Apesar dos 35 anos, Makelele tem muito a ajudar o PSG, ainda mais depois da pífia temporada passada. Somada à contratação do também experiente Giuly, nota-se maior ambição do time da capital francesa.* Khalid Boulahrouz é o novo reforço do Stuttgart, da Alemanha. Depois de uma boa Uefa Euro, o zagueiro-lateral-direito holandês chamou a atenção do clube alemão, que teria pagado € 5 milhões ao Chelsea. Mais uma boa contratação que não precisa ser cara.

Colaborou Victor Canedo

Vitória da oposição

Qui, 17/07/08
por Lédio Carmona |

Que o Flamengo não é imbatível todos já sabiam. Mas vendeu caro a derrota para o bom Coritiba, de Dorival Júnior, no lotadinho Couto Pereira (33.321 pagantes). O gol de Rodrigo Mancha, aos 17 do primeiro tempo, e as grandes defesas de Édson Bastos, principalmente na segunda etapa, seguraram o placar de 1 a 0. Ontem, venceu quem secou. Anteontem era a situação que ria à toa. E que ainda tem motivos para rir. Mas o tropeço rubro-negro até que é bom para a competição. A diferença para o vice-líder Cruzeiro caiu para dois pontos (26 a 24). E Caio Júnior, que sentiu a falta de Marcinho na ligação com o ataque nesta quinta, não poderá contar com Juan (3º amarelo) no domingo, diante do Vitória, no Maracanã. Já o Coxa, do bom Carlinhos Paraíba, alcançou a 10ª colocação. Apenas quatro pontos o separam do G4. Bons duelos não só pelo título, como pelas vagas na Libertadores. No frio do inverno, o Campeonato Brasileiro pega fogo. E agradece.

* O Internacional manteve a ótima forma e dá a impressão de que a inclusão no G4 é questão de tempo. Pouco, eu diria. Três pontos o separam do Palmeiras, atual quarto colocado. Depois do empate no gre-nal, o Colorado disputou quatro jogos. Venceu três em casa e empatou um fora. Hoje, no Beira-Rio (27.496 presentes) o triunfo sobre o Atlético Mineiro foi magro. Apenas 1 a 0. Mas seguro. Nilmar, logo no início, marcou o único gol do jogo. Édson fez linda defesa em chute de Magrão. Alex também assustou. O Atlético Mineiro continua com um problema crônico chamado finalização. Falta poder de fogo ao time do técnico, que já ocupa a 15ª colocação. Sem Danilinho, o futuro não é nada bom. Infelizmente virou rotina criticar o Galo no ano de seu centenário.

* A exceção de quinta-feira foi Vasco x Goiás. Estádio vazio (4.083 pagantes), e um empate. Que ao menos pôde mostrar a fraqueza vascaína. Seja fora de casa, no Maracanã, ou como hoje, em São Januário. Quando se esperava um resultado positivo – ainda mais com os desfalques de Iarley e Paulo Baier no Goiás -, o time da Colina voltou a vacilar. Não fosse o gol de Luizão, aos 46 minutos da segunda etapa, e o cargo de Antônio Lopes estaria correndo perigo. Perigoso nos contra-ataques, o Romerito abriu o placar após escanteio, ainda no primeiro tempo. Edmundo e Valmir entraram nos 45 minutos finais, mas o Vasco não melhorou. Mas, por ironia do destino, achou o gol no fim. Injusto, por sinal. O Goiás, melhor durante boa parte do jogo, merecia vencer. Porém, novamente sofreu gol no final. Que pode fazer falta lá na frente. Roberto Dinamite terá muito trabalho para montar um time à altura do Vasco da Gama.

Colaborou Victor Canedo

Reabilitação

Sáb, 12/07/08
por Lédio Carmona |

Uma virada com cara de recuperação no Maracanã (13.860 pagantes). O muitíssimo bem armado Vitória tentou – principalmente nos contra-ataques -, abriu o placar com a ótima revelação Marquinhos, mas permitiu a virada do Fluminense. Rafael e Dodô – que novamente desperdiçou um pênalti – marcaram os gols do Tricolor. Gols que já livram a equipe de Renato Gaúcho da lanterna – 9 pontos e duas vitórias seguidas.

Mas a vitória esteve longe de ser fácil. O time só melhorou com as entradas de Tartá e Somália. Washington continua brigando com a bola. E sua saída de campo expôs uma fraqueza ainda não vista. Parecia não se importar com o resultado – negativo até então. É bom voltar a jogar bola. Tartá assumiu o posto de sombra do atacante, já que Cícero foi negociado. Já o rubro-negro não há com o que se preocupar. Uma derrota senão prevista, normal. A vice-liderança deve ser comemorada. Fruto do bom trabalho de Vágner Mancini.

A partida no Serra Dourada (2.844 pagantes) caminhava-se para outra virada no sábado, mas o gol de Bernardi, aos 42 minutos, acabou sendo justo. Depois de muitos gols perdidos, Goiás e Coritiba empataram em 2 a 2. Keirrison, Romerito e Paulo Henrique completaram o placar. O alviverde goiano continua na zona de rebaixamento, embora tenha mostrado alguma evolução. O Coxa, no entanto, é o 10º - deve cair algumas posições neste domingo. E aguarda pela volta de Carlinhos Paraíba. Há qualidade no time.

Colaborou Victor Canedo

Tempo de Vitória

Qua, 09/07/08
por Lédio Carmona |

* Seis vitórias em dez partidas – quatro seguidas. Segundo melhor ataque (17 gols). Segunda melhor defesa (8). Uma grande revelação (o meia Marquinhos). Segundo colocado na classificação geral, com 20 pontos, a apenas três do líder Flamengo. O Vitória não é mais surpresa. Tornou-se a realidade mais agradável desse Brasileirão-2008 pintado, até o momento, de vermelho e preto. Na noite de quarta, o time de Vágner Mancini foi o que tivemos de melhor. Com atuação soberba do garoto Marquinhos, o Vitória massacrou o atarantado Botafogo (16º, na fronteira da zona da perdição) por 5 a 2 no Barradão, com ótimo público: 26.560 pagantes. Não tem jeito: quando a equipe ajuda, o povo prestigia. Três gols de Ramon, também em boa fase, e dois do lateral Marcelo Cordeiro para os baianos. Lúcio Flávio e, aleluia, Wellington Paulista descontaram. Que fase, Vitória! Que lástima, Botafogo!

09galo.jpg* Excelente jogo no Mineirão - 33.359 pagantes. O Flamengo, líder, com 23 pontos (7 vitórias, 2 empates e 1 derrota) foi o dono do primeiro tempo. Parecia em casa. Jogava com simplicidade, sem recuar. E o Galo errava, às vezes por tensão; outras por incompetência. E, com os velhos problemas da defesa, os mineiros tomaram o primeiro gol, com Marcinho, artilheiro do Brasileirão, com sete. Os rubro-negros continuavam melhor, embora Renan, ainda na etapa inicial, tivesse a chance de empatar. No segundo tempo, o Galo abriu o jogo, Danilinho apareceu muito bem, Petkovic, mesmo sem correr, deu boa qualidade de passe no meio e o Atlético dominou. Chegou ao empate, com Marcos, e quase mata o jogo com belo chute de Serginho, na trave. Um bom jogo, com resultado justo. Cada um jogou um tempo. Mas a diferença é clara entre os times: o Flamengo é muito melhor. E sabe ganhar. Já o Galo gosta de empatar. Foi o sexto empate em dez partidas, o terceiro seguido. Por isso, um é líder; o outro, 13º.

* Jogo de muita luta e pouca técnica na Vila Belmiro, com 10. 138 pagantes. O Grêmio fez 1 a 0, com Rodrigo Mendes, mas o Santos empatou, com Michael. Ruim para os dois. O Grêmio segue cinco pontos atrás do Flamengo e também perdeu lugar para o Vitória; e o Santos continua aboletado na zona do rebaixamento e com Cuca quase na lona – ainda não venceu pelo novo time. Novo ou velho? Nunca se sabe. Mas ao menos mostrou uma pequena evolução. E tende a melhorar em agosto. Assim como o Tricolor, que já poderá utilizar o meia Tcheco a partir da próxima rodada. E aguarda por Souza.

09flu.jpg* Baixa qualidade técnica também teve o jogo do Maracanã, com 10.482 pagantes. O Fluminense foi mais time (como todo mundo sabe), se impôs e abriu 1 a 0, com Dodô. O Atlético Paranaense quis empatar, tentou, mas erra passe demais e tem pouco poder ofensivo. Pedro Oldoni não dá. Falta velocidade (ou sopro) ao Furacão. Depois da expulsão de Nei, a coisa desandou de vez. E, no fim, Conca e Somália fecharam o placar de 3 a 0. O Fluminense finalmente venceu, mas continua na zona do rebaixamento (antepenúltimo, à frente apenas do Ipatinga). E o Atlético Paranaense segue no meio da tabela. Um simples coadjuvante. Uma pena.

09coxa.jpg* Eu aposto que esse time do Coritiba, que é melhor do que o Atlético-PR, vai terminar o Brasileirão numa boa posição. A campanha irregular é pontual. Hoje, no Couto Pereira (12.850 pagantes) - e sem Carlinhos Paraíba, o melhor do elenco -, o time se impôs e cravou 4 a 0 na Portuguesa, sempre com mais baixos do que altos. Todos os gols no segundo tempo, após equilíbrio no primeiro: Keirrison, de volta, Hugo (2) e Rubens Cardoso marcaram. Por sinal, esse trio vive ótima fase. E o Coxa já está em nono, com 13 pontos. A preocupante Lusa caiu para o 11º.

09inter.jpg* O melhor do jogo no Beira-Rio foi o público: 26.535 pagantes para ver Internacional 1 x 0 Goiás, na volta de Iarley e Gabiru a Porto Alegre (só que de camisas verdes). Foi justo. O Inter, de Tite, não fez uma grande partida, mas quis mais do que os goianos. Principalmente no segundo tempo. Forçaram o ritmo, fizeram o gol com Adriano (após falta de Nilmar) e poderiam ter aumentado, se não fosse a afobação de Nilmar. E se Tite não fosse tão precavido nas duas últimas substituições. É bom mesmo o garoto Taison. Além da segura zaga com Sorondo e Índio. O Inter, com duas vitórias seguidas, já está em sétimo. E o Goiás permanece na zona do rebaixamento.

* E, nos Aflitos - péssimo gramado, por sinal, mas ótimo público (18.012 pagantes) -, deu Náutico sobre o São Paulo, por 2 a 1 (Radamés, Everaldo e Borges), de virada. Resultado que levou o Timbu à sexta colocação, com 17 pontos. Enquanto o São Paulo, sem vencer há três partidas, caiu para o oitavo lugar. Méritos para o Timbu, que reforça a ótima fase do futebol nordestino. Sport, campeão da Copa do Brasil, e Vitoria, vice-líder, são outros exemplos. E vai recomeçar a novela “Muricy Ramalho”. Resta saber se Juvenal Juvêncio conseguirá preservar o final de sempre e o mais justo. Afinal, o treinador, nesse caso, não tem culpa nenhuma.

* Destaques da noite: Vitória, Náutico, bons públicos e mandantes, que venceram cinco de sete. Quinta-feira tem mais.