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Incontestável

Dom, 17/08/08
por Lédio Carmona |

17gremio.jpgDa mesma maneira que a alma despeitada do brasileiro tripudia dos resultados dos nossos atletas em Pequim, fazemos de tudo para botar para baixo quem merece elogios e uma melhor observação no Campeonato Brasileiro. Mas não. Preferimos simplificar, com nossas mentes obtusas, a vitória do Grêmio sobre o São Paulo por 1 a 0, no Olímpico (40.256 pagantes), gol de Perea, sob o simplório ponto de vista de que o lance decisivo do colombiano foi marcado em impedimento e que, dessa maneira, os gaúchos ganharam graças à arbitragem. Simplesmente patético.

O Grêmio ganhou do São Paulo por 1 a 0, gol de Perea, de fato, impedido, porque jogou melhor. Porque tem um meio de campo muito melhor do que o do adversário. Porque tem uma defesa tão boa quanto a do São Paulo, no ano passado, e que só levou 12 gols em 20 jogos. Por que tem um goleiraço. Porque tem William Magrão, volante que poucos dão valor, mas que corre o campo inteiro, marca e chega na frente. Porque tem um time disciplinado taticamente, que não joga bonito, mas sabe o que precisa para vencer, ou, no mínimo, chegar perto da vitória. Por tudo isso, o Grêmio ganhou um jogo chatíssimo, disputado num gramado encharcado, mas que, mesmo no cenário ruim, teve o vencedor correto.

O Grêmio não perde desde o dia 6 de julho. São 12 jogos invictos no Brasileiro. Venceu os últimos cinco jogos, dois deles fora de casa. O que o torcedor exigente quer mais? Ah, esqueci que o Grêmio tem o ataque mais positivo (36 gols) e é o time que mais ganhou (13). Eficiência ofensiva, sem ter um artilheiro brigando nas primeiras posições. Sinal de que o jogo é coletivo. Ainda não convenci vocês? Então, para fechar, com 73% de aproveitamento, o Grêmio precisará, segundo meus cálculos, de ganhar 50% dos pontos que tem a disputar para ser campeão. Nada mal para um time que não convence a tanta gente…

* O São Paulo? Esse sim, por mais que respeite e admire sua história e seu ótimo treinador, jamais me convenceu em 2008. Espirrou do G4 após perder uma partida da qual jamais deu pinta de que reagiria. Terá que jogar muito mais para jogar a Libertadores em 2009. Ainda dá? Claro que sim. Mas do jeito que está, não dará.

Há casamentos que, antes mesmo de serem consumados, davam pinta de que poderiam ter final feliz. Eu, pelo menos, sempre achei que Ney Franco tinha caixa para dar jeito no Botafogo. E que a Estrela Solitária poderia fazer do treinador um sujeito satisfeito com a relação. Não deu outra. Desde que houve o “sim” entre as duas partes, os alvinegros jogaram 10 partidas no Brasileirão. Ganharam 7, empataram 2 e só perderam 1 (São Paulo, no Morumbi). São cinco vitórias seguidas, a quinta hoje, na Ilha do Retiro, contra o Sport (1 a 0, gol de Jorge Henrique). E, vejam só, Ney Franco e o Botafogo dormirão os próximos dias no G4 (4º, com 34 pontos). Lua de mel mais do que perfeita.

* Sobre o jogo, confesso que já vi o Botafogo, de Ney Franco, jogar mais. Mas, como também já observei o Sport, de Nelsinho Baptista, funcionar melhor, ganharia quem marcasse primeiro. Foi o Botafogo, com Jorge Henrique. Pois é: quando a fase é boa, até Jorge Henrique acerta o gol. Que fase. Que amor. Que momento…

* Jogo duríssimo no Parque Antarctica (15.210 pagantes). É muito bem arrumado e treinado esse Coritiba, de Dorival Junior. Controla o jogo, não se desespera, sabe ficar com a posse de bola, e arrisca bem nos contra-ataques. Mas é duro fazer resultado na casa do Palmeiras. Lá, em 10 partidas, o time de Vanderlei Luxemburgo venceu nove. Hoje foi a nona: 1 a 0, gol de Alex Mineiro, de cabeça, na reta final da partida. Quando tudo parecia ainda mais difícil, pois os anfitriões jogavam com 10 (Fabinho Capixaba foi expulso). Mas veio o gol de Alex Mineiro. E, com ele, os três pontos.

O problema é que a equipe não tem regularidade. Fora de casa é um fracasso (30% de aproveitamento). Por isso está a sete pontos do Grêmio (3º, com 37). Mas o fator-campo lhe garante uma vaga no G4. Se o Palmeiras terá força para ir além, deixemos para responder mais à frente. Com a atual irregularidade, será difícil. Já o Coxa segue em oitavo, com 32. Uma ótima campanha para um clube que (está na cara) tem organização, planejamento e bom-senso.

* O empate invariavelmente é ruim para ambos. O Flamengo, no entanto, não tem do que se queixar depois do ponto conquistado (2×2) diante do Santos, na Vila Belmiro (15.359 pagantes). Saiu ganhando, aos sete minutos, num lance isolado - e sortudo - de Léo Moura. E só. Passou o resto do primeiro tempo acuado, sem opções ofensivas. Inclua aí Marcelinho Paraíba, apagado em sua estréia- talvez pela falta de ritmo. Não à toa Bruno foi o grande destaque da partida, mesmo com os dois gols de Kleber Pereira. A expulsão de Cristian no segundo tempo só reforça a satisfação rubro-negra ao conquistar o empate com o mesmo Léo Moura, de pênalti - estupidamente cometido por Domingos.

A lamentar a grave contusão sofrida pelo jovem promissor Maikon Leite. E, claro, a péssima fase santista. Já são quatro jogos sem vitória e quinze rodadas na zona de rebaixamento. Enquanto o time de Caio Júnior, mesmo sem vencer, manteve os dois pontos e distância do G4. E terá Juan de volta contra o Grêmio, no jogão de quinta-feira, no Maracanã.

* Tita deve estar querendo uma estátua em São Januário (5.387 pagantes). Ele conseguiu fazer com que a pavorosa defesa do Vasco jogasse bem contra o Internacional. Quase não falhou. O meio de campo esteve bem, principalmente Alex Teixeira e Madson. E o ataque, bem ou mal, sempre funcionou.

Soma-se tudo isso, ao bizarro lance de Clemer, que cometeu uma das furadas mais ridículas da história octogenária de São Januário, e chegamos à goleada de 4 a 0 do Vasco sobre o Internacional (Bolivar, contra, Edmundo, Eduardo Luís e Jean). Após três domingos sendo surrado, chegou o dia de o Vasco dar a sua coça! E foi de jeito. Tão forte que o tirou da zona do rebaixamento (15º, com 22). Que aproveite a fase e o bom astral de Tita para sair do buraco de vez por todas.

O Internacional cheio de novos jogadores é uma confusão só. Falta entrosamento, falta ritmo de jogo para os novos, como Daniel Carvalho e D´Alessandro, falta força física, falta liga com Tite. Infelizmente, o Internacional tem muitos bons jogadores, mas ainda não tem um time. Se terá um time a tempo de levá-lo à Libertadores, só um trabalho rápido e bem-feito garantirá. Eu, sinceramente, não acredito mais.

* A primeira etapa no Maracanã (12.666 pagantes) mostrou porque Fluminense e Atlético Mineiro habitam a parte debaixo da tabela há tantas rodadas. Passes errados a esmo, total falta de criatividade, faltas bobas… O tempo demorava a passar. Cuca então trocou o apagado Eduardo Ratinho pelo também ex-corinthiano Everton Santos. O Tricolor Carioca não melhorou. Mas, como atacava um pouco mais, marcou com Dodô, aos 16 da segunda etapa, após belo passe de Washington - um dos raros momentos de qualidade da dupla. A melhor chance do Atlético Mineiro veio com Petkovic, em escanteio cobrado na trave. Muito pouco. Somália ainda teve tempo para desperdiçar boas chances. O segundo tempo da equipe de Cuca não foi animador, porém eficiente. Justamente o que o Fluminense mais necessita. Já o Galo manteve a rotina de maus resultados longe de casa. Se o objetivo for somente escapar da segundona, o Atlético deve consegui-lo após algum esforço. Lamentável para um clube centenário e de muita tradição.

* O Goiás parece mesmo disposto a alçar vôos maiores. Mais uma boa vitória no Serra Dourada (4.083 pagantes). Dessa vez sobre o Náutico, de Roberto Fernandes, por 3 a 0. O alviverde não precisou nem de boas atuações de Iarley e Romerito - destaques até então. Gols de Paulo Baier, Paulo Henrique e Vítor - por pouco não o coloquei no Cartola FC. E 26 pontos somados, já na 11ª colocação - hoje estaria classificado para a Sul Americana. O Timbu, sem qualquer reação, voltou à zona de rebaixamento. Possuí o pior ataque da competição, com apenas 20 gols marcados. É bom vencer o jogo-chave diante do Fluminense, quarta-feira, nos Aflitos.

Colaborou Victor Canedo

Copa Sono-Americana

Qui, 14/08/08
por Lédio Carmona |

Placar animador; Jogo sonolento. Sem a menor vontade, o misto frio do Botafogo derrotou os titulares do Atlético Mineiro, por 3 a 1, de virada, no Engenhão (10.181 pagantes). Carlos Alberto, em dois belos gols, e o jovem Eduardo - após bom passe de Lucas Silva - marcaram para o alvinegro carioca. Marques abriu o placar do jogo, mas o Galo ainda sofre. E virou mesmo freguês do Botafogo: não vence há 12 jogos.

Após mais um jogo desinteressante - refletido na atitude de alguns times -, cabem as perguntas: os clubes brasileiros querem mesmo vencer a Copa Sul Americana? Ou estão nadando no dinheiro para dispensá-la?

Colaborou Victor Canedo

Central de negócios

Qua, 13/08/08
por Lédio Carmona |

* A novela Robinho continua. Permanece no Real Madrid? Ou ruma para o Chelsea? Enquanto ninguém sai de cima do muro, eu voto pela segunda opção. O Chelsea é um projeto, hoje, menos marqueteiro do que o Real Madrid. A dupla de gigantes espanhóis precisa aprender a expor menos seus atletas. O que Barcelona e Real Madrid fizeram com Ronaldinho e Robinho nesse mercado é amador. Trataram aos pontapés. E, evidentemente, os dois preferiram sair. Real Madrid e Barcelona precisam aprender, de vez por todas, que não são a última bolacha do pacote. Muito embora muitos jogadores, mal informados, ainda achem que eles são o último farelo do polvilho. Por sinal, se eu fosse jogador do futebol não pensaria duas vezes hoje em dia: iria para a Inglaterra. E ponto final.

* Rubens Sambueza é o novo alvo do Flamengo. Outro meio-campo comum, lento, e que não acrescentaria em nada ao elenco rubro-negro. A solução pode estar no mercado sul-americano, mas os nomes especulados para a posição ainda estão longe do ideal.

* O Vasco continua à procura de zagueiros - já que os seus estão sempre perdidos. Gustavo, ex-Corinthians, negocia com o clube. Enquanto Fernando, aquele mesmo, ex-Flamengo, foi contratado. Não gostei. Trata-se de uma ousada temeridade.

* O Corinthians acertou o empréstimo do meia Morais, ex-Vasco, por um ano. O Timão desembolsará R$ 600 mil à vista. Tenho minhas dúvidas. Morais já mostrou que nao convive bem com pressao. No Corinthians, a pressão é uma rotina. Será dificil a adaptação desse jogador que adora jogar com a bola no pé. Se possível em jogos fáceis.

* O atacante Thiago Ribeiro, ex-São Paulo, negocia com o Botafogo. Cairia como uma luva no esquema de Ney Franco, já que Gil não rende o esperado. Apesar de que ainda tem de se livrar do estigma de promessa. Mas Cuca já o teria indicado como reforço ao Fluminense. A conferir mais uma mini-série do futebol brasileiro.

* Há quem dê por certa a saída de Valdívia do Palmeiras. O meio campista pode fazer hoje o último jogo com a camisa alviverde. Isso porque está suspenso para o confronto diante do Coritiba, e estará servindo a seleção chilena durante o duelo contra o Internacional. Mas o Hertha Berlim não seria o ideal. Muito menos o Al-Jazira, de Abel Braga. Enquanto parece ter reencontrado o futebol, os torcedores apenas aguardam um desfecho feliz.

* E não é que Renan foi vendido? O presidente Vitório Piffero confirmou a saída do ótimo goleiro por cerca de € 4 milhões para o Valencia, da Espanha. Mas o Internacional não perde tanto assim. A quantia é aceitável para um goleiro. E Clemer não vem comprometendo. Além da ótima base que o Colorado possuí.

* A semelhança está apenas no sangue. O zagueiro Digão, irmão de Kaká, foi emprestado ao Royal Standard de Liege, da Bélgica. Segundo a diretoria, não tinha espaço no elenco (!) rubro-negro. Faça-me o favor.

* Finalmente uma boa noticia para a torcida do Vasco: Beto vai embora. Que não seja por falta de adeus.

O amigo Carlos Cereto está de blog novo. Podem conferir. Está aprovadíssimo.

http://cereto.wordpress.com/

Colaborou Victor Canedo

Eles não aprendem

Ter, 12/08/08
por Lédio Carmona |

Confesso que não consigo entender. A Copa Sul-Americana oferece 75 mil dólares por jogo aos seus participantes. O campeão, além das cotas, ganha mais 1 milhão de dólares. E o que faz a maioria dos nossos clubes, amparada por seus iluminados cartolas? Desdenha do evento e enche de reservas suas equipes.Começa hoje para os brasileiros. Na Arena da Baixada, titulares do Atlético Paranaense contra um misto do São Paulo.

Amanhã, em Porto Alegre, reservas do Grêmio contra o principal do Internacional.

Botafogo e Atlético Mineiro devem usar o que têm de melhor, descontados os desfalques, amanhã, no Engenhão.

E o Vasco, o Super-Vasco, aquela máquina cheia de craques, vai com reservas (!?!?!?) contra o Palmeiras, em São Januário.

Se o time principal já é ruim, imagine o que será reserva!

Se o Vasco tem uma fagulha de chance de ganhar algo em 2008 seria a Sul-Americana. Pelo jeito, dirigentes e comissão técnica não entenderam isso.

Confesso que não entendo a lógica desse pessoal.

Aí, quando chegarmos em dezembro, e com cara triste observamos festa de argentinos ou mexicanos, todos com os bolsos cheios, faremos cara de arrependimento.

Não tem jeito. Todo ano é a mesma ladainha.

A metade (muito) boa

Dom, 10/08/08
por Lédio Carmona |

De maio a agosto. Longas e até interessantes 19 jornadas marcaram o primeiro turno do campeonato. Gols, bons jogos, estádios cheios… A 19ª rodada – em especial o domingo -, no entanto, fugiu um pouco à regra. Foram 26 gols (2,73 é a média geral do campeonato, enquanto 2007 teve 2,76 gols por jogo) – muitos em virtudes de falhas alheias -, públicos razoáveis - a média do campeonato é de 15.486 pagantes -, gramados ruins, jogos piores e uma exceção: Botafogo x Palmeiras. O duelo mais aguardado do fim-de-semana teve apenas um golzinho, porém, de importância gigantesca. O Grêmio, campeão do turno, somou 41 pontos – 71% de aproveitamento, um recorde na era dos pontos corridos. Mas que na reta final teve a agradável companhia do alvinegro. Para azar dos cariocas, o Tricolor Gaúcho portou-se tão bem nas dez primeiras rodadas – esteve em sete na zona da Libertadores -, que lidera o campeonato com cinco pontos sobre o vice-líder. No entanto, há muita gente de olho. O que deixa a metade restante do campeonato como, no mínimo, promissora. Vamos às partidas deste belo dia dos pais:

* Ney Franco assumiu o Botafogo na 11ª rodada. O decepcionante empate diante do Santos – vencia por 2 a 0 – deu a leve impressão de que o alvinegro seria novamente coadjuvante no Campeonato Brasileiro. Grata ilusão. Hoje, oito rodadas depois, o Botafogo soma 31 pontos - 20 conquistados pelo técnico mineiro ou 74% de aproveitamento) – apenas a dois do São Paulo, atual quarto colocado, e a três do Palmeiras, adversário vencido deste domingo. No Engenhão (29.379 pagantes), o Botafogo soube se impor e acabou compensado pela postura ofensiva que adotou durante o jogo: 1 a 0. Zé Carlos, outrora contestado pela torcida, acabou como salvador, já que Gil não teve competência para tal. Além de mais uma vitória, a torcida deve comemorar a volta do bom futebol de Jorge Henrique, novamente decisivo. Os “inhos” também vêm sendo fundamentais na arrancada alvinegra. Que empolga. E já começa o segundo turno na quinta marcha, à procura de alguém que possa brecar o ímpeto dos comandados de Ney Franco. Já o Palmeiras apenas se defendeu além da conta. Embora não tenha deixado de ser perigoso quando atacou – Evandro e Valdívia criaram boas oportunidades. Mas a zaga ainda falha. E Luxemburgo, que assiste à disparada gremista de camarote, só lamenta.

* O Vasco conseguiu terminar o primeiro turno na zona do rebaixamento. E o torcedor amargou seu terceiro domingo seguido com uma goleada nas costas: Santos 5 a 2; São Paulo 4 x 0; e, hoje, Vitória 5 x 0. No meio de tudo isso, mais uma sapatada, em casa, para o Coritiba (2 a 0)e uma goleada a favor (6 a 1 sobre o não menos fragilizado Atlético Mineiro). Com apenas 19 pontos em 57 disputados (33%), 5 minguadas vitórias, 4 empates, 10 derrotas (mais de 50%), 30 gols marcados e 39 sofridos (pior defesa da competição, ao lado da Portuguesa), o Vasco envergonha os seus torcedores. A culpa não é de Tita. A culpa é de quem achava ontem e ainda entende hoje que o time não é tão ruim assim. É péssimo. É medonho. É insuportavelmente fraco. Com esse elenco, não há Rinus Michels, Telê Santana, Guus Hiddink ou Bernardinho que salve. Hoje, infelizmente, o Vasco tem uma história e torcida de clube grande e time de Série B. Ou melhor, para brigar para não cair na B! E ainda faltam 19 jogos. Será que a defesa chegará aos 100 gols ao fim do returno?

Enquanto isso, o Vitória só orgulha o seu torcedor. Foi um massacre no Barradão, com um inapelável 5 a 0, gols de Dinei, Ramon, Leandro Domingues, Jackson e Adriano. O Vitória tem tudo que o Vasco não tem: treinador com elenco na mão, plantel jovem e de qualidade, padrão de jogo, defesa razoável e ataque rápido. Por isso, termina o turno em 5º lugar, a apenas um ponto do G4 – o São Paulo tem 33. E olha que Marquinhos nem jogou tanto hoje. O Vitória vai brigar, sim, por uma vaga na Libertadores.

* Após quatro vitórias seguidas, o Cruzeiro tropeçou no gramado ruim do Canindé (3.489 pagantes) e numa aplicada Portuguesa: 2 a 1, gols de Jonas e Edno, enquanto Fabrício descontou. Foi bom para o Grêmio, que abriu cinco pontos para a Raposa, segunda colocada. Apesar desse resultado, o Cruzeiro, no meu entender, se manterá no G4 até o fim da competição – está nele há 18 rodadas - e permanecerá na caça aos gaúchos. Elenco bom, treinador, também, tudo está no lugar. Basta não cair na tentação de vender mais alguém. Sábado o time recebe o Vitória e tem tudo para se recuperar. E a Lusa luta para não cair. Por enquanto está livre. Até com certa folguinha. Mas é bom deixar os dois olhos arregalados.

* Todos os aplausos para a campanha do excelente time do Coritiba – o melhor, disparado, do Paraná. Terminou o 1º turno em 6º lugar, com 9 vitórias, 5 empates e 5 derrotas. Dos primeiros colocados, o Coritiba só perdeu para o Grêmio. Ganhou do Palmeiras e do Flamengo e empatou com Cruzeiro, São Paulo e Vitória. O time é bom, bem armado por Dorival Junior, tem padrão tático, um bom meio de campo, com Carlinhos Paraíba, Alê e Guaru, e um atacante de ponta como Keirrison, autor de 2 gols no 3 a 0 sobre o Sport, no Couto Pereira (20.077 pagantes) e com 10 na briga pela artilharia – Alex Mineiro e Kleber Pereira têm 11. Já o Sport terminou o 1º turno em 9º lugar. Como já ganhou o ano com o título da Copa do Brasil e a classificação assegurada na Libertadores, está mais do que de ótimo tamanho. Quem vai reclamar?

* Em outro terrível confronto da rodada, vitória do Ipatinga sobre o Fluminense, de virada, no Ipatingão (3.788 presentes). Até a expulsão de Fabinho – carrinho criminoso -, a equipe de Renato Gaúcho vencia e tinha o jogo nos pés – muito pela fraqueza do adversário. Tartá, ainda no primeiro tempo, havia marcado. O Tricolor, que desperdiçou outras chances – leia-se Somália e Washington -, viu a situação de promissora voltar ao antigo sofrimento em apenas três minutos. Depois de tanto pressionar, Adeílson e Kempes anotaram os gols da virada. Até merecida. Acostumado a sofrer mais faltas do que fazê-las, o Fluminense hoje é um time descontrolado emocionalmente. Enquanto isso, a situação é refletida no campo e na tabela: 16 pontos em 57 possíveis. O tempo de brincadeira se esgotou. É hora de voltar à sala de aula.

* Mais uma atuação sofrível do Santos. Novo resultado decepcionante. Nada parece ter mudado no alvinegro praiano, agora com o interino Márcio Fernandes. Apesar de não ter feito uma partida brilhante – longe disso -, o adversário Náutico ao menos voltou a vencer – acumulava jejum desde a 10ª rodada, na vitória sobre o São Paulo. Curiosamente – ou não -, na reestréia de Roberto Fernandes no comando do Timbu. Nos Aflitos (13.711 torcedores), 1 a 0, gol de Negretti em um dos muitos ataques aéreos do alvirrubro pernambucano. Douglas ainda fez boas defesas que evitaram uma derrota maior. Perdido em campo, o Santos foi o retrato fiel de sua pífia campanha – 17 pontos em 19 jogos.

* Vaga na Libertadores é o máximo que o bom time (no papel) do Internacional pode almejar nesse Campeonato Brasileiro – se bem que não esteve nela durante todo turno. Não engrena. Hoje, na estréia de Daniel Carvalho, tropeçou mais uma vez no Beira-Rio (23.234 pagantes). Depois de perder para o Santos, ficou no empate de 1 a 1 com o Figueirense (Diogo e Nilmar). Tite não acertou a equipe e já tem muita resistência. Com sete derrotas e apenas sete vitórias, os gaúchos estão em 10º lugar, a 15 pontos do Grêmio. O título já era. O ataque não funciona – fez apenas 21 gols em 19 jogos. Números de meio de tabela. Como são os do Figueirense – 11º, com 25. Nenhum deles deu liga. E acho difícil que venham a dar nesse Brasileirão. Apesar do ótimo elenco de vermelho.

* Marcelinho Paraíba, aos 33 anos, chega como incógnita ao Flamengo. Pode ser útil, mas sempre dependeu do corpo, do estado físico para render. Vamos ver como ele está. Suas ultimas temporadas na Europa foram decepcionantes. Talvez por isso o Wolfsburg o tenha liberado tão facilmente. Amanhã eu volto ao tema. Por ora, garanto: Marcelinho Paraíba pode ajudar, mas está longe de ser a solução. Aguardemos. Amanhã eu explico melhor.

* Renato Gaúcho não é mais o técnico do Fluminense. O treinador foi demitido após mais uma derrota no Campeonato Brasileiro - dessa vez sobre o lanterna Ipatinga, no Ipatingão. Permaneceu aproximadamente um ano e quatro meses no cargo - e conquistou a Copa do Brasil de 2007. Mas o ciclo parecia ter acabado desde a derrota na final da Libertadores. Cuca e Carlos Alberto Parreira surgem como possibilidades. E você, aposta em quem como comandante do tricolor?

Nada melhor do que ser pai. Só não foi um domingo perfeito pelo fato de não ter mais o meu pai. Mas sei que está feliz em saber que tenho o meu filho, minha família, minha mãe, meus amigos, meus leitores, minha vida. É muito bom ser pai. Saudades do meu. Que eu seja tão bom e importante para o Pequeno Bob quanto o Grande Carmona foi para mim. Um ótimo fim de domingo e semana melhor ainda para todos.

Colaborou Victor Canedo

Os convincentes

Qui, 07/08/08
por Lédio Carmona |

Parece nome de filme. E é. Noite de complemento da 18ª rodada sem muitos gols, mas com vitórias pra lá de agradáveis. Foram 27 redes balançadas, alguns bons públicos e muito bom futebol, principalmente nesta quinta-feira. Cruzeiro, Palmeiras e Botafogo só ratificaram a ótima fase. Os dois primeiros estão cada vez mais fixos no G4, enquanto o alvinegro definitivamente chegou para brigar. E o mais importante: convencem um público sempre exigente. Vamos aos jogos:

* Carlos Alberto conseguiu a proeza de ser expulso aos 25 minutos de jogo. Apenas mais um desafio cumprido da melhor forma possível pelo Botafogo de Ney Franco. Túlio – belíssimo gol – e Thiaguinho marcaram na vitória diante do Figueirense, fora de casa, por 2 a 1, no Orlando Scarpelli (8.570 pagantes). Rafael Coelho descontou. Na medida para um time de meio de tabela, como é o Figueirense de Paulo César Gusmão. Ney Franco, ao contrário, possuí ambições. Com 13 pontos nos últimos 15 disputados, o alvinegro carioca já pode dizer que chegou. Atuais dois pontos o separam do São Paulo, quarto colocado, com 30. A destacar grande melhora da zaga botafoguense, hoje segura com Renato Silva e André Luís. Um gol sofrido nas últimas cinco partidas. E a última rodada do turno promete: Botafogo x Palmeiras, no provavelmente lotado Engenhão. Eu é que não perco mais um grande jogo deste Campeonato Brasileiro.

* Nem a chuva, nem o bem armado Vitória. Nada pôde atrapalhar mais uma noite de futebol vistoso e eficiente do Palmeiras, no Palestra Itália (18.190 pagantes). 3 a 0. Gols de Valdívia, Alex Mineiro e Sandro Silva. Resultado que, além de manter o alviverde na briga pelo título – agora quatro pontos atrás do Grêmio, deu ao time de Vanderlei Luxemburgo o melhor ataque da competição, com 32 gols. Mas o grande destaque do time tem sido os volantes Sandro Silva e Jumar. Duas contratações nada badaladas que deram retorno. Ainda há Pierre e Léo Lima para atuar na posição. É na base do equilibrado elenco que o Palmeiras não se distancia. E parece ter reservado uma vaga no grupo dos quatro primeiros. Tirá-lo dali não será nada fácil. Já o Vitória não resistiu a uma semana atípica – Grêmio e Palmeiras fora de casa. Duas derrotas que o afastam, por ora, do G4. Mas Vagner Mancini faz um ótimo trabalho. Ontem, a zaga, desfalcada, bateu cabeça. Embora a frente com Marquinhos, Ramon e Dinei continue sempre perigosa. Que o Vasco se cuide no próximo domingo.

* O Cruzeiro teve apenas mais dificuldade que o Palmeiras. Temporária. Até Fábio, quando o placar apontava 1 a 0, buscar pênalti bem cobrado por Nilmar. O Mineirão (30.861 presentes) estava em êxtase. A Raposa, com Gerson Magrão, vencia merecidamente. Possuía mais volume de jogo e chances em relação a um Internacional privado de criatividade – Alex, Daniel Carvalho e D’Alessandro estiveram de fora. Sorondo, contra, aumentou a vantagem azul celeste logo no início da segunda etapa. Aí ficou fácil para a equipe de Adílson Baptista administrar. O jogo melhorou. Na frente, o ataque cruzeirense desperdiçava oportunidades, enquanto Fábio, em grande noite, salvava as esporádicas chances do Colorado. E olha que Wagner e Ramires estiveram de fora. Hoje, coloco minha mão no fogo pelo Cruzeiro. Ainda não faço o mesmo pelo time de Tite, que ainda deve boas atuações – em especial fora de casa. Mas é muito cedo para excluí-lo do páreo. E, no domingo, a previsão é de estréias no Beira-Rio, contra o Figueirense.

* Roberto Fernandes está de volta ao Náutico. Conseguirá nova reação – assim como em 2007? O tempo dirá. A certeza é que terá de extrair o máximo do fraco elenco do Timbu.

Colaborou Victor Canedo

Central de transferências

Ter, 05/08/08
por Lédio Carmona |

* Jorge Henrique está muito próximo de se despedir do Botafogo. O destino seria o Yokohama, do Japão. Péssima notícia para Ney Franco, que apostava na boa fase do atacante para continuar bem no equilibrado Campeonato Brasileiro.

* Richard Morales é oficialmente jogador do Flamengo. O uruguaio chega ao Rio de Janeiro nesta quarta-feira para assinar contrato de quatro meses, com possibilidade de renovação por mais uma temporada. Mau negócio. O time ainda precisa de um meio campista de qualidade.

* Dudu Cearense é mais um brasileiro a reforçar o futebol grego. O volante assinará por três temporadas com o Olympiacos, rival do Panathinaikos de Souza, Gilberto Silva e Gabriel.

* O holandês Rafael Van der Vaart já foi apresentado à torcida do Real Madrid e se junta a uma colônia laranja significativa. Ótima contratação dos merengues (€ 10 milhões). E como a linda camisa lhe caiu bem.* José Reyes andava encostado no Real Madrid. O Benfica, esperto, acertou a contratação do meio campista por empréstimo de uma temporada. Será companheiro de Pablo Aimar no meio campo.

* Aos 34 anos, o argentino Ariel Ortega desligou-se do River Plate. Segundo o Burrito, o clube e o técnico Diego Simeone o afastaram dos treinamentos devido ao velho problema com bebidas alcoólicas. Parece que o obstáculo não foi problema para acertar com o Al Ain, dos Emirados Árabes.

* E um sincero parabéns ao blogueiro tricolor Olavo The Best. Felicidades.Colaborou Victor Canedo

Brasileirão às avessas

Dom, 03/08/08
por Lédio Carmona |

Foi a rodada dos visitantes. Seis vitórias, contra apenas quatro dos mandantes. Não houve empate. No total, 32 gols, com média de 3,2 por partida. Rodada que mudou a cara do Brasileirão, de cima para baixo. Em cima, o Grêmio confirmou o primeiro lugar, com Cruzeiro em 2º e, finalmente, dois paulistas no G4 - Palmeiras e São Paulo. O Vitória foi para quinto e o Flamengo, sem vencer há seis jogos, despencou para sexto, a sete pontos do Grêmio. No fundo, Santos, Fluminense e Ipatinga seguem aboletados na zona do rebaixamento, agora na companhia do Atlético Paranaense, que não merece time tão fraco. Segue o resumo do domingão:

* O Grêmio não perde desde a 9ª rodada. Hoje, na 17ª, nada mais natural que seja o líder. Incontestável, por sinal. Em mais um confronto direto, o Tricolor Gaúcho fez o dever de casa diante do Vitória, no abarrotado Olímpico. Triunfo que só veio com a ajuda do ótimo goleiro Victor – defesa épica em cabeçada de Anderson Martins -, quando o time de Celso Roth já vencia por 1 a 0, com William Magrão – achei falta no lance. Vale destacar o belo lançamento de Rafael Carioca para Perea tocar levemente na trave, ainda na primeira etapa. Souza, em sua estréia, também lançou. E Reinaldo não desperdiçou. Resultado que só reforça a superioridade do Grêmio. Melhor ataque, com 30 gols; melhor defesa, com 12; mais vitórias, 10; menos derrotas, 2. Números de um forte favorito ao título. Ao contrário do Vitória, de Vagner Mancini. Desfalcado de Ramón e Willians, a derrota de hoje era aceitável, embora decisiva. E enfrenta outro adversário direto na quinta-feira – Palmeiras. Há qualidade suficiente para cobiçar uma vaga na Libertadores. O título, pelo visto, é demais para o Leão do Barradão.

* O marasmo rubro-negro continua. Para mais de 37 mil pagantes no Maracanã, o Cruzeiro voltou a aprontar das suas e, pela melhor fase que vive, venceu o Flamengo, de virada, por 2 a 1. Sem ter o que fazer com o setor ofensivo, Caio Júnior testou apenas Obina como atacante, e pôs o jovem Erick Flores em campo. Como era de se esperar, não deu resultado. A Raposa não foi brilhante na primeira etapa, mas dava trabalho a Bruno. Vandinho e Diego Tardelli entraram como solução. O primeiro marcou em sua estréia. Mas o Flamengo, perdido, sofreu a virada num intervalo de quatro minutos. Guilherme – que fase vive o garoto! – e Rômulo, livre, marcaram para o Cruzeiro. Fábio Luciano, já no fim, expôs a real situação do Flamengo ao ir para o ataque desesperadamente. E o rubro-negro acumula seis jogos sem uma vitória sequer – sete pontos atrás do líder Grêmio. Há menos de um mês o clube era referência com cinco pontos de vantagem. Esse é o cíclico futebol. Mas para voltar a vencer, Caio Júnior precisa não só reanimar o time, como encaixar as poucas peças que possuí. E torcer por mais contratações – principalmente no setor ofensivo, fragilizado ainda mais com a perda de Tardelli, no mínimo fora por três meses. A vinda de Vandinho ainda é muito pouco para quem almeja(va) o título.

Já o time de Adílson Baptista é só alegria. Três ótimas vitórias consecutivas mantiveram a Raposa na vice-liderança, com 33 pontos. E hoje nem precisou de Wagner, que deixou o gramado lesionado ainda na primeira etapa – não preocupa. Se o Cruzeiro não me convencia há algumas rodadas, aos poucos me faz acreditar que o título é possível. Embora necessite de Ramires – cobiçado agora pelo Werder Bremen.

 

* No início parecia que não daria liga. Ali pela sétima rodada, a sensação é de que não haveria nem namoro. O flerte recomeçou depois da décima. E o início da relação começou hoje. O São Paulo, enfim, conquistou o G4. No Morumbi, 4 a 0 em cima do limitadíssimo, confuso, desunido e mal escalado Vasco, que, pelo segundo domingo consecutivo, levou uma goleada capaz de envergonhar o mais crente e utópico dos vascaínos.

O jogo nunca foi difícil para o São Paulo. O time de Muricy Ramalho foi melhor o tempo todo. André Lima, o estreante, fez 2 a 0 no primeiro tempo. Dois gols polêmicos, ambos num breve impedimento. Lances difíceis de serem vistos. Na dúvida, pró-ataque. Assim eu entendo essas situações. Mas, evidentemente, vai ter gente se enganando e dizendo que o Vasco perdeu por culpa disso. No segundo tempo, após Antonio Lopes tirar Madson e oferecer Allan Kardec para os vascaínos, Rogério Ceni ensinou a bater falta e pênalti: 4 a 0. Massacre anunciado e justo. Sem choro nem vela. O São Paulo está no G4. E o Vasco está a dois pontos do rebaixamento. Doloroso…

* Fácil. O Botafogo nem precisou se esforçar para vencer o Atlético Paranaense, por 3 a 0, em plena Arena da Baixada (16.966 pagantes). Lúcio Flávio, Jorge Henrique e Túlio marcaram ao cantos de “olé” da torcida rubro-negra. Os três, ao lado de Diguinho, têm sido os destaques do ótimo time armado por Ney Franco, que já soma 25 pontos - apenas cinco abaixo do G4. Embora ainda falte algum matador – casos dos empates com Santos e Flamengo, e na derrota para o São Paulo. Mas é um time que cria - privilégio de poucos nesta competição. Se mantiver o ritmo, por que não sonhar com uma vaga na Libertadores? Quem paga o pato é Roberto Fernandes, virtualmente desempregado. O Furacão em sua pior fase no campeonato, na 17ª posição, com 17 pontos. Até que ponto vale à pena investir na estrutura, e, conseqüentemente, abandonar os investimentos no time?

* Longe de apresentar um futebol satisfatório, o Palmeiras jogou o suficiente para vencer o Ipatinga, no Ipatingão, por 2 a 1. Valdívia deixou a polêmica de lado e marcou os dois do alviverde. Alex Mineiro poderia ter assumido a liderança isolada, mas desperdiçou um pênalti. Mas a zaga palmeirense não poderia passar duas partidas sem sofrer um gol sequer. Adeílston, no fim, descontou. Não fez diferença. Ainda que sem brilho, o Palmeiras volta ao G4 na terceira posição, com 31 pontos. Mas é bom Luxemburgo torcer pela volta de Gustavo. Gladstone e Jeci ainda podem atrapalhar as ambições do Palmeiras no Campeonato Brasileiro. Já o Tigre continua segurando a ingrata lanterna. A cada rodada o sonho de permanecer na Série A torna-se cada vez mais utopia.

* Na Vila Belmiro (10.261 pagantes), falou mais alto a irregularidade do Santos. Diante de um Coritiba muito bem organizado, o time de Cuca errou passes demais, esbaldou-se em fazer falta inúteis, ofereceu o contra-ataque ao Coxa e foi derrotado com três gols do ótimo Keirrison. Dois deles em falhas claras do goleiro Douglas. No Santos, destaque apenas para o garoto Maikon Leite, autor do gol, mas que exagerou no individualismo. E, no fim, Kleber, que de novo não jogou nada, pediu desculpas aos torcedores. Fez bem. O Santos, creio, sairá do buraco. Mas a irregularidade atrapalha. Por isso, sonhos são proibidos. Melhor ser prático: escapar do abismo. E ponto final.

* Marcelo Oliveira tratou de apagar mais um incêndio no Atlético Mineiro. Depois da demissão de Gallo na última quinta-feira, o interino comandou a virada do Galo sobre o Sport, por 2 a 1, no Mineirão. Ainda que com dificuldade, o alvinegro faz valer o mando de campo. Roger abriu o placar para o Leão. Perdeu outros tantos gols. E o Atlético Mineiro, com Marques e Gedeon, assumiu a 12ª posição. Nem parece a crise que pintava após a goleada sofrida para o Vasco, com 21 pontos. O Sport, no entanto, caiu para a décima colocação. E não precisa se preocupar com o fantasma do rebaixamento. Muito provavelmente disputará a Libertadores de 2009 na primeira divisão.

Colaborou Victor Canedo

Tudo azul

Qua, 30/07/08
por Lédio Carmona |

A quarta-feira não teve muitas novidades. Foram 19 gols em sete jogos (média de 2,7), públicos razoáveis e alguns destaques. A começar pelo novo líder Cruzeiro. Ao menos até as 22h30 de quinta-feira. Para recuperar a liderança, somente a vitória é necessária ao Grêmio. E o campeonato agora tem seis clubes na briga pelo G4. Palmeiras e São Paulo ainda batem na porta. Enquanto o sobe-e-desce prevalece no meio da tabela para baixo. Façam as suas apostas. Vamos às partidas:

* O Cruzeiro voltou a jogar bem. Contra o Náutico, no Mineirão (19.209 pagantes), nada mais natural que a vitória. Em noite de Guilherme, a Raposa fez 4 a 2 – dois em cada tempo - até com certa facilidade no Timbu. O jovem atacante marcou dois – chegou aos nove no campeonato - e deu passe para o de Wagner. Henrique completou. Para o decadente Náutico, Wellington e Geraldo – de pênalti. Por sinal, foi a terceira derrota consecutiva da equipe do técnico Pintado. Do lado cruzeirense, vale destacar a ótima atuação de Marquinhos Paraná – talvez a melhor com a camisa azul celeste. Movimentação, desarmes e até sofreu pênalti…. Só faltou o gol. Mas a zaga ainda vacila. E poderá custar alguns pontos no futuro. Nada que abale a quarta-feira perfeita do Cruzeiro. Dormirá na liderança ao som da canção de ninar. Feliz e sorrindo.

* O Vitória não esteve nos seus melhores dias, mas ainda assim conseguiu o triunfo diante do Atlético Paranaense, no Barradão (13.942 pagantes). Nei, ainda no primeiro tempo – com um gol olímpico, diga-se -, abriu o placar. Marquinhos e Ramón, no finzinho, decretaram a virada do rubro-negro baiano. Em casa, o time de Vagner Mancini é muito difícil de ser batido – sete vitórias e apenas duas derrotas. É outro que dormirá em bons lençóis – ao contrário da famosa expressão -, na vice-liderança, com 29 pontos. Já a situação do Furacão é preocupante. Nem quando a equipe de Roberto Fernandes tem jogado melhor o resultado é positivo. E, com o terrível retrospecto fora de casa – uma vitória e sete derrotas -, pode terminar a rodada na 16ª posição, apenas uma acima da zona de rebaixamento.

* Palmeiras e Flamengo não fizeram uma partida brilhante, como era esperado, no Palestra Itália (26.854 pagantes). Mas a vitória do eficiente Palmeiras, de Vanderlei Luxemburgo – que adora partidas decisivas -, acabou por merecida. O singelo 1 a 0 colocou o alviverde com a mesma pontuação do que o rubro-negro (28 pontos), porém em desvantagem no saldo de gols. A ser comemorada pelos palmeirenses a volta do bom futebol de Valdívia, como pôde ser visto na assistência para o gol do volante Sandro Silva. Aliás, a ótima atuação do outro volante, Jumar, possibilitou os avanços de Élder Granja e Leandro, perigos constantes ao gol de Bruno. Já o Flamengo, de Caio Júnior, até fez Marcos trabalhar. Mas a qualidade ofensiva de outrora simplesmente desapareceu com Marcinho, Souza e Renato Augusto. O rubro-negro completou cinco partidas sem vitória. Quatro dessas sem sequer marcar um gol. Fato mais do que preocupante para quem almeja o título.

* Papéis invertidos no Orlando Scarpelli (12.814 presentes). O empate em 1 a 1 entre Figueirense e São Paulo foi ruim para ambos, que desceram uma posição. Mas o mandante parecia ser o Tricolor Paulista. Talvez pelo fato do gol de Tadeu logo aos 7 minutos para o Figueira. Acuado, resistiu durante mais de uma hora. Encontrava ainda espaços para ameaçar nos contra-ataques. Em um deles, o juiz Evandro Rogério Roman não marcou pênalti de Richarlyson em Edu Sales. Wilson novamente se destacou com boas defesas. Embora nada pudesse fazer no petardo de Hugo, aos 34. Um ponto apenas separa o time de Muricy Ramalho do G4. Já os comandados de Paulo César Gusmão não vivem a melhor fase no campeonato – não vencem desde a 12ª rodada.

* O Botafogo de Ney Franco demonstrou novamente estar em ascensão. No Engenhão (15.798 pagantes), os números são expressivos – seis vitórias, um empate e uma derrota. A última delas conquistada sobre o Goiás, por 2 a 0. Túlio, revelado no alviverde, marcou ambos de fora da área. A defesa mostrou segurança durante boa parte do jogo, enquanto o ataque voltou a apresentar deficiência nas conclusões. Sob comando do treinador mineiro – três vitórias, dois empates e uma derrota -, o elevador alvinegro volta a subir. Já a instável equipe de Hélio dos Anjos nada fez de relevante. O novo revés ocasionou a volta para a zona de rebaixamento. Duas derrotas consecutivas pesam. E a tabela ainda reserva Flamengo e São Paulo no primeiro turno.

* O Santos aproveitou os importantes desfalques do Internacional e conquistou sua primeira vitória fora de casa, no Beira-Rio (19.952 pagantes). Maikon Leite – veloz e habilidoso -, destaque já do último domingo, anotou o único gol da partida. Promete ser, de fato, mais uma das tantas revelações do campeonato. Ponto positivo para Cuca, que depois de ter a demissão recusada, parece ter acertado o time. Tanto que o alvinegro abandonou a zona de rebaixamento. Talvez para não mais voltar. O Colorado, que conheceu sua primeira derrota como mandante, depende exclusivamente de sua força ofensiva. Sem Nilmar e Alex – além de Daniel Carvalho e D’Alessandro sem condições de estréia -, não há muito que Tite possa fazer. O Internacional que eu espero ver ainda não entrou em campo. Mas é bom correr contra o tempo.

* Vitória tranqüila da Portuguesa – fato raro – diante do Fluminense, numa noite de belos gols no Canindé (2.701 pagantes). Conca abriu o placar para o Tricolor, que teve ainda de lutar contra o nervosismo de seus jogadores. Tartá, descontrolado, foi expulso ainda no primeiro tempo, logo após o golaço de Jonas. Muito embora o cartão vermelho de Washington, na segunda etapa, tenha sido exagerado. 11×9. A virada era mera questão de tempo. Não tardou a vir com Preto. Jonas, no fim, fechou o caixão. Renato Gaúcho balança no cargo. Dá a cada jogo a impressão de que o ciclo está para se encerrar. E, há 15 rodadas na zona de rebaixamento, o Fluminense agoniza. Enquanto a Lusa de Valdir Espinoza sobrevive. E amanhecerá na 12ª colocação – subiu cinco posições -, com 19 pontos.

O Jogo Aberto pede desculpas pelo ocorrido durante as partidas de ontem. Tudo reestabelecido em sua normalidade.

Colaborou Victor Canedo

Central de boatos (e verdades) do futebol mundial

Ter, 29/07/08
por Lédio Carmona |

* Muricy Ramalho mostrou-se insatisfeito com o vazamento das informações de que estaria interessado em três meio-campistas. William, ex-Corinthians, Jádson e Lincoln fazem parte da lista elaborada pelo treinador. Mas as negociações são difíceis. Fato é que o São Paulo precisa de um camisa 10. Dentre os três citados, prefiro o último, atualmente no Galatasaray. E você, são-paulino?

* O zagueiro Léo deixará mesmo o Grêmio nesta janela de verão europeu. O PSV, da Holanda, já fez proposta pelo jogador – o próprio empresário confirmou. Mas os valores ainda não foram divulgados. Léo será observado de perto nas próximas partidas do Tricolor Gaúcho. Apesar de já ter vivido melhor fase no Campeonato, a jovem promessa fará falta.

* Antônio Lopes está na corda bamba mais do que nunca. Há quem diga que se um empate diante do Atlético Mineiro – adversário direto na briga contra o rebaixamento -, nesta quinta-feira, já pode custar o cargo do treinador. O Vasco ocupa a 16ª colocação, com apenas 16 pontos. E não tem dinheiro em caixa para reforços – muito menos técnicos de ponta. Você, vascaíno, é a favor ou contra a saída de Lopes? E indicaria quem como sucessor?

* Vanderlei é mais um a deixar o Brasil. Mas o Botafogo não sentirá falta alguma. O atacante, contratado a pedido de Geninho, disputou apenas quatro partidas. E sequer balançou a rede. O União de Leiria, da 2ª divisão de Portugal, será o destino do jogador. Passo e voto nulo.

* A confusão envolvendo Messi e Seleção Argentina já tem data para acabar. O técnico Sérgio Batista estimou até a próxima sexta-feira o prazo para que Messi se apresente. Caso contrário, o atacante estará fora das Olimpíadas de Pequim. O Barcelona, clube do jogador, alega não liberar o jogador por não considerar a competição como data da FIFA. A entidade, aliás, não toma uma posição. Sempre em cima do muro. Bom para o Brasil.

* Rumores na Itália nesta terça-feira colocam uma possível troca entre Inter e Roma em pauta. Os nerazurri teriam interesse na ótima promessa – e meio-campo - Aquilani enquanto o time da capital estaria de olho em Adriano. Mourinho, apesar de gostar do esquema com três atacantes, já conta com Cruz, Crespo, Balotelli e Mancini. Eu prefiro o Adriano a todos esses. E você?

* Apesar de estar fora da Liga dos Campeões, o Milan investe forte no mercado. Depois da contratação de Ronaldinho Gaúcho, a imprensa italiana noticia o interesse do rubro-negro em Shevchenko. A volta do artilheiro – 127 gols em 208 partidas no Milan - estaria condicionada ao ok de Felipão, técnico do Chelsea. Com isso, o ucraniano brigaria por vaga no ataque com Pato. A conferir.

Colaborou Victor Canedo


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