Jogo para sempre
04 de junho de 2008. Dia de manhã ansiosa, tarde tensa e noite espetacular para quem gosta de futebol. Fluminense e Boca Juniors fizeram o melhor jogo do ano no Maracanã impecavelmente lotado, com 84.632 mil torcedores – recorde no ano. Uma partida espetacular. Há muito não via um confronto tão intenso. Nervoso, porém bem jogado. Grandes defesas, belas jogadas, erros decisivos, gols espíritas e espetaculares.
O que dizer de duelo no qual até quem perdeu foi gigante? Fluminense 3 x 1 Boca Juniors já virou “Jogos para Sempre”. Foi épico. Tornou-se clássico. Entrou para história. Do futebol e dos tricolores, guerreiros, heróicos e iluminados, pela primeira vez na final da Taça Libertadores da América, contra a LDU, de Quito. Mas, pelo menos por enquanto, relembrar a quarta de luxo – mais uma - é a melhor das opções.
Recordar porque o Fluminense simplesmente eliminou o Boca Juniors. Só o Santos, de Pelé, e o Fluminense, de Thiago Silva & cia conseguiram eliminar o clube argentino em jogos eliminatórios de Libertadores. Entre eles, 9 times brasileiros, em 11 oportunidades.
Tudo levava a crer que a noite de ontem seria apenas mais uma. O time de Riquelme e Palermo dominava o meio campo, já que Cícero foi deslocado para o ataque e Ygor atuava como terceiro zagueiro. Fernando Henrique teve de trabalhar desde cedo. Sempre seguro, por sinal. Decisivo nessa reta final. O primeiro tempo terminou sem gols. Não por falta de vontade do Boca Juniors.
Veio a segunda etapa. A equipe de Renato Gaúcho continuou com a mesmíssima postura. Não deu outra. Palermo, sozinho, após bonita jogada de Dátolo, abriu o placar. Vários filmes, então, rodavam na cabeça dos tricolores. Prevaleceu o do mais otimista. Assim como contra o São Paulo, o Fluminense não tardou a fazer o gol de resposta. E com a participação de Dodô. Sofreu a falta que o iluminado Washington cobrou perfeitamente. 1 a 1.
A vantagem recuperada obrigou o Boca novamente a atacar. Os xeneizes tocam a bola como ninguém. Chegavam ao ataque com extrema facilidade, já que a marcação nas laterais pelo lado tricolor inexistia. Não à toa Fernando Henrique e Thiago Silva se transformavam em personagens épicos. Mas o sistema defensivo dos argentinos, que já não era tão sólido, estava exposto. Foi aí que Conca contou com a sorte para virar a partida, aos 25 minutos, em contra-ataque puxado por Dodô. Êxtase no Maracanã, embora fosse ainda cedo para comemorar. Fernando Henrique tratou de se consagrar mais um pouquinho perante Palermo. Enquanto isso, Dodô e Júnior César desperdiçavam chances de ouro. Tudo para ser mais sofrido, emocionante. Aos 47, não teve jeito. Dodô selou a magnífica classificação. E, no vestiário, reclamou da condição de reserva. Fato é que o time tem atingido os objetivos após suas entradas.
Resta ainda um adversário, a perigosa LDU. Mas para quem derrubou dois gigantes da história recente sul-americana, como São Paulo e Boca Juniors, é difícil – não impossível - imaginar que o caneco fique no Equador. Embora Renato Gaúcho adore uma infantilidade em suas entrevistas, o Fluminense – sortudo e competente - está aí para quem quiser ver e acompanhar. Muito prazer digo eu.
Timão de primeira

O Corinthians entrou no gramado do Morumbi enfurecido. Parecia um trator para cima do Sport. Pressão total. Que vinha das arquibancadas, lotadas com 63.871 pagantes. E do campo, com um time forte, corajoso e sem medo de atacar, comandado por Dentinho, Herrera & Cia. Tanta pressão teria que resultar em gol. Até demorou: aos 18 min, após bate-e-rebate, Dentinho bateu de primeira: 1 a 0. Quatro minutos depois, Herrera, com outra ótima atuação, fez o segundo. O Corinthians era avassalador e parecia ter inspiração para repetir, ainda na etapa inicial, o placar de 4 a 0 construído contra o Goiás, nas oitavas.
Não fez. No segundo tempo, o Sport melhorou bastante. Reforçou a marcação e partiu para o ataque. Precisava de um gol. Teve chances. Mas levou o terceiro. Ótimo passe de Herrera para a projeção de Acosta. De argentino para uruguaio. Gol do segundo, aos 30 min. Sinceramente, com aquele resultado seria praticamente impossível para o Leão reverter, mesmo dentro da Ilha. Mas o gol de Enílton, aos 45m, deixou esperanças. Continua difícil, mas…
O Corinthians é o favorito. Joga um futebol de primeira e comporta-se como tal. O gol de Enílton foi importante para o Sport, mas a vantagem ainda é ótima. Ora, pois: o time de Mano Menezes pode perder por um gol de diferença que será campeão. Ok, poderia perder por dois se não tivesse levado o tal gol de Enílton. Mas, numa boa, é possível até perder. Foi, sim, um resultado excelente para o Corinthians.
E o corintiano só deve mesmo ficar com a pulga atrás da orelha porque a confiança do rubro-negro pernambucano é justificável. Nos três últimos resultados na Ilha do Retiro, pela Copa do Brasil, o Sport goleou o Palmeiras por 4 a 1, ganhou do Internacional por 3 a 1 e passou pelo Vasco (2 a 0). Todos esses números seriam convenientes para o Sport na volta contra o Corinthians. Apenas o 3 a 1 levaria tudo para os pênaltis.
Então, amigos. Tudo é possível. Mas, como no confronto do Maracanã, o que fica mesmo é que o duelo é de primeira. Mano Menezes e Nelsinho Baptista souberam montar seus times. Não são máquinas, mas são muito acertados e bem treinados. É isso que vence no futebol de hoje em dia. Trabalho, repetição e uma dose de talento. Corinthians e Sport têm isso. Fluminense e Boca, idem. Uma noite fantástica. Que venham outras.
É o futebol. Contra tudo e contra todos.
Amém.
Com Victor Canedo
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A pressão em Avellaneda já era esperada. Mais de 50 mil torcedores em cima do Fluminense. Guerreiro, o Tricolor tratou de jogar futebol. Claro, é praticamente impossível não ceder ao futebol do trio Riquelme-Palacio-Palermo em alguns momentos - principalmente no início da partida, quando os xeneizes costumam aprontar verdadeiras blitze no adversário. Foi exatamente o que aconteceu no empate em 2 a 2 de ontem. Um gol no início de cada tempo. Mas os Thiagos – Silva e Neves (que ajuda do goleirinho Migliore) – trataram de mudar o favoritismo de lado. A sorte, porém, continua ao lado da equipe de Renato Gaúcho.
O contra-ataque, principal arma boquense, estava a postos. Mas a sorte tricolor também. E competência, diga-se de passagem. Thiago Neves cobrou falta com perfeição – mais uma! -, e Thiago Silva estava lá para conferir, aos 15. Riquelme resolveu tomar conta do jogo. Aliás, como joga o argentino. Teria, hoje, vaga em muitos grandes europeus. Arouca, que teve a ingrata missão de marcá-lo individualmente, sofreu. O Boca desperdiçava oportunidades. A mais clara delas com Chaves – grata revelação. Júnior César também teve o seu momento de condenação. Um passe, em vez do chute, e o Fluminense iria para o intervalo na frente do placar.
Veio a segunda etapa. Nova pressão do time da casa. Fernando Henrique fez jus à fama de aparecer bem em partidas decisivas. Palácio e Riquelme o infernizavam. Até que o juiz Roberto Silvera marcou mão inexistente de Júnior César. Uma falta na entrada da área para Riquelme é pênalti. 2 a 1, aos 19 minutos. E o Fluminense, que estava perdido em campo, precisou do gol para acordar. Washington e Thiago Neves levaram certo perigo a Migliore. Era só caprichar. Mas nem isso Thiago Neves precisou fazer, aos 31. A falha colossal do goleiro argentino retomou as esperanças tricolores. No Maracanã lotado, é preciso atenção redobrada. Não faltará espaço para o trio infernal. Aguardemos mais um episódio épico que virá por aí.
Uma prévia para logo mais:
* Comecemos pelo mais esperado: Boca Juniors e Fluminense iniciam as semifinais da Libertadores. De um lado, a tradição e força na competição xeneize – ainda mais contra brasileiros. O Boca não teve sorte nos confrontos contra Cruzeiro e Atlas. Teve que se virar fora de casa. Por isso, treinou finalizações exaustivamente. Do outro lado, o equilíbrio, técnica e raça do time tricolor. A equipe de Renato Gaúcho possuí a melhor defesa da competição. A melhor campanha, também. Mas nada disso entrará em campo no lotado estádio Juan Domingo Perón – não tão mítico quanto a Bombonera, mas com pressão tamanha.
* Vários fatores em jogo entre Corinthians e Botafogo, no Morumbi. A começar pela fiel, que esgotou os mais de 60 mil ingressos em apenas dois dias. Ou então os desfalques da equipe de Mano Menezes. Sem Carlos Alberto, Fabinho, André Santos e Lulinha, o Timão irá sofrer para jogar. Raça não será problema, mas a torcida terá de jogar pelo time nesta quarta-feira.
* Vasco e Sport farão o duelo de prós e contras, em São Januário. A favor da equipe cruzmaltina, o caldeirão. Se na semana passada a Ilha do Retiro fez a diferença, os torcedores confiam numa possível virada em casa. Antonio Lopes abandonou o esquema com três zagueiros. Tanto faz jogar com dois ou três zagueiros limitados. A presença de Alex Teixeira é mais importante. A questão é não levar aquele gol que obrigaria o time a fazer quatro. Tarefa árdua, que o Sport pode aproveitar muito bem. Mas Nelsinho Baptista também tem problemas. Romerito, peça chave no contra-ataque rubro-negro, é dúvida. A favor, as boas apresentações recentes fora de casa. Classificação tranqüila, épica? Vale para ambos. Façam as suas apostas. 




Há muito não se via uma partida tão marcante como a de ontem, num Maracanã lotado (72 mil presentes). O tom épico da vitória do Fluminense, por 3 a 1, sobre o São Paulo, deve ser creditado a Washington. O atacante, apelidado de coração valente, não marcava há 8 jogos. E não jogou bem. Mas esteve lá no momento certo. Fez o primeiro, após Cícero subir no 3º andar. E fez também o terceiro, aos 46 minutos do segundo tempo, ao subir no 3º andar para estufar as redes de Rogério Ceni. Festa para os milhares de tricolores presentes, em êxtase. Dodô, em falha de Rogério Ceni, e Adriano anotaram os outros gols.
O primeiro tempo foi marcado por leve superioridade tricolor. Carioca. Sempre levando perigo com o argentino Conca. A segunda etapa começou com um erro de Renato. A saída de Arouca – entrada de Dodô - deixou o time exposto, sem saída de bola – o time apelava para ligação direta com o ataque sem sucesso. Mas a sorte estava lá para ajudá-lo. Costumo acreditar que a sorte ajuda a quem merece, embora o time não tenha feito outra grande exibição. A estrela começava, então, a brilhar.
Já o São Paulo não tem a mesma eficiência de outras temporadas. Ainda é forte, tanto que chegou a dominar a partida em alguns períodos do segundo tempo – tinha a classificação nas mãos -, mas mostrou fragilidade que erar rara de ser testemunhada. Aloísio e Hernanes levaram perigo ao gol de Fernando Henrique. Mas o sistema defensivo não é tão forte como o de 2007. Joílson ainda tratou de ser expulso para facilitar um pouquinho a tarefa da equipe de Renato Gaúcho. Apesar das contratações, o time de Muricy não engrenou. Somente Adriano, que cria e conclui praticamente sozinho. Foram 10 gols em 10 jogos do São Paulo na Libertadores. O rival, Fluminense, marcou 17.
* O Boca Juniors era obrigado a vencer no México, onde já havia perdido para o mesmo Atlas, nesta Libertadores, por 3 a 1. Mas todos acreditavam no poder de decisão xeneize. Palácio, Riquelme, Palermo… Gente para isso não faltava. Só que em apenas 37 minutos de jogo o placar já apontava 3 a 0 para a equipe de Carlos Ischia. Palermo, avassalador – sem cobrar pênaltis -, marcou os três. Aliás, que obra prima o terceiro. Prova de fogo? O Boca passa. Mesmo com os habituais problemas.










A equipe Adílson Batista voltou do intervalo com outra postura – Apodi e Marcinho deram mais opções ofensivas ao time. Ao Boca, virtualmente classificado, cabia apenas se defender. Até os 30 minutos este foi o panorama da partida. Wagner, com um belo voleio, diminuiu. Marcelo Moreno, após bela jogada do meia canhoto, acertou a trave. O Cruzeiro ainda criou outras chances – finalizou mais de 13 vezes na segunda etapa -, mas para eliminar o Boca Jrs é necessário mais do que isso. Ramires ainda foi expulso. A torcida reconheceu. Não vaiou. Afinal, o ano não acabou. Nas quartas-de-final, os xeneizes enfrentarão o Atlas, mesmo adversário da fase de grupos. Não preciso nem dizer quem é o favorito.