Eric Luis Carvalho
Receptáculo
O futebol da Bahia já viveu dias melhores. Estádios lotados, dois times fortes e respeitados na primeira divisão. O tempo passou e ninguém planejou o futuro, este chegou e então o futebol baiano entrou em recessão. A série C foi o fundo do poço, mas passou.
A campanha do Vitória no campeonato brasileiro deste ano, terminando na 10ª colocação e revelando ao Brasil, o talento de Marquinhos e William Santana, empolgou. O Bahia que sem a Fonte Nova jogou apenas duas partidas em Salvador durante todo o ano, dois Bavis pelo estadual no Barradão, não emplacou. O time teve quatro técnicos ao longo da temporada e agora no final do ano, após a conturbada eleição o time recomeçará do zero, com uma nova diretoria, um novo comando técnico e um elenco totalmente reformulado. A missão será reerguer o time duas vezes campeão nacional, em 59 e 88, o fazendo retornar ao seu lugar de origem, a primeira divisão.
Para 2009, o Vitória mais uma vez saiu na frente e anunciou os primeiros reforços. O atacante Neto Baiano que jogou a Série B pela Ponte Preta, o lateral Roque, que defendeu o Guarani na Série C, além de Cristian e Gláucio vindos do Paraná Clube foram os primeiros reforços. A diretoria ainda tenta repatriar o lateral Apodi, do Cruzeiro. Paralelo a isso, o time que renovou o contrato do treinador Vágner Mancini, luta para manter a base que conquistou o Baianão de 2008 e fez uma boa campanha no Brasileirão. Porém, as dificuldades serão grandes.
O Internacional já procurou o lateral esquerdo Marcelo Cordeiro, que pode estar seguindo para o Beira-Rio. Outras duas importantes peças no esquema de Mancini podem deixar a Toca do Leão, William Santana é visto com bons olhos tanto por Botafogo como por Cruzeiro e Palmeiras. E a ida do presidente Jorge Sampaio para Belo Horizonte nos próximos dias pode facilitar a chegada do meia na Toca da Raposa. Ele entraria na negociação para o retorno de Apodi e a renovação de Leandro Domingues, que interessa ao Sport. Já os volantes Renan e Vanderson, também podem seguir para Recife, onde disputariam a Libertadores pelo Leão da Ilha. Já deixaram o clube além da revelação Marquinhos, que foi para o Palmeiras, os atacantes Osmar, Trípodi e Rodrigão que acertou com Guaratinguetá, além deles, o zagueiro Marcelo Batatais e o experiente Ramon Menezes não ficam para 2009.
Pelas bandas do Bahia, as coisas acabaram de ser resolvidas fora de campo. O clube elegeu na última quinta-feira, dia 11, seu novo presidente. O deputado federal Marcelo Guimarães Filho, filho do ex-presidente do clube Marcelo Guimarães, preso em novembro do ano passado, sob a acusação de fraudes em licitações públicas. O deputado, que também é ligado ao ex e eterno presidente Paulo Maracajá, não contou com a aprovação da maioria dos torcedores, que desde o anúncio do seu nome como candidato da situação fez protestos, como carreatas e caminhadas pelas ruas de Salvador contra o que considera como um continuísmo.
As eleições do clube ganharam uma alta importância no estado, inclusive com a influência do governador Jaques Wagner, torcedor do Bahia, que tentou sem sucesso articular a candidatura de um dos membros do seu governo. O nome do economista Reub Celestino, que decidiu disputar a eleição desde que fosse um nome de consenso, chegou a ser aprovado por boa parte da torcida, porém o anúncio da candidatura de Guimarães Filho fez com que Reub, que preside a Empresa Baiana de Alimentos, Ebal, ligada ao governo do estado, retirasse a sua candidatura.
No dia da eleição, revoltada a oposição sequer compareceu à Sede de Praia e Guimarães Filho foi eleito com a grande maioria dos votos dos conselheiros. Ele disse que não pretende renunciar ao mandato de deputado, ou seja, irá administrar de Brasília o tricolor baiano e chegou fazendo promessas. Declarou que apesar de ligado ao atual grupo político que há quase 30 anos dirige o clube, irá representar “o novo”. Guimarães Filho trouce para dirigir o fuebol do clube o ex-presidente do Vitória, Paulo Carneiro. Paulo foi um dos maiores responsáveis pela atual estruturação do Vitória. O novo diretor de futebol tricolor assumiu o rubro negro em 1989. Naquela época, o Vitória tinha o mesmo número de títulos que o Ypiranga, clube que havia sido campeão pela última vez em 1951.
Paulo comandou o Vitória na conquista de 12 campeonatos baianos em 16 disputados. Além estar à frente no clube na construção do Barradão e do Centro de Treinamento. Paulo vai gerir o futebol do tricolor pelos próximos três anos. Ele deixou o Barradão em 2005, após o rebaixamento para a Terceira Divisão, brigado com o atual grupo que dirige o Vitória.
Além dele também chega ao tricolor um velho conhecido, Newton Motta, para coordenar a base. Ele já tem duas passagens pelo clube, uma entre 1983 e 1991, onde formou uma boa divisão de base de jovens tricolores, sendo levado em seguida para o Barradão, pelo mesmo Paulo Carneiro. Motta levou vários tricolores para o Barradão e se tornou ao lado de Paulo Carneiro um dos principais responsáveis pelo fortalecimento do Vitória. Na segunda passagem, entre 2006 e 2007, Motta foi diretor de futebol e não alcançou o mesmo sucesso e deixou o clube rapidamente.
Quem também foi anunciado foi o técnico Alexandre Gallo, que ficará a frente do tricolor por um ano. Para as quatro linhas Paulo Carneiro promete anunciar nos próximos dias, o nome de pelo menos 10 reforços. O certo é que diante de tantas mudanças e chegadas, o Bahia não deverá ser o mesmo de 2008. Para quem não conquista um título há sete anos e há cinco não disputa a Série A, pior com certeza não pode ficar.
Certo mesmo para 2009 é a reinauguração do estádio Metropolitano Roberto Santo, o estádio de Pituaçu, que começou a ser reformado no começo do ano e teve a data de entrega modificada várias vezes. A reforma do estádio se encontra em fase final e apesar de ainda não contar com as cadeiras e com o placar eletrônico, deve ser reinaugurado no dia 21 de janeiro pela segunda rodada do Baianão na partida entre Bahia e Madre de Deus. O estádio, que teve a sua capacidade aumentada - de 16 para 32 mil torcedores - após a conclusão das obras, estará entre um dos melhores do país. Enquanto o governo decide o que fazer com a saudosa Fonte Nova, Pituaçu será a casa do Bahia pelos próximos anos.
Que o novo Pituaçu possa representar também o começo de uma era moderna no atual futebol da Bahia, que ainda parece adormecer no passado, esquecido com a velha Fonte, e o pior, diferente da eterna casa do futebol baiano, sem boas histórias para contar.