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Noite da melancolia

Qua, 24/09/08
por Lédio Carmona |

*Uma noite tão melancólica quanto o marasmo da, infelizmente, arrastada Copa Sul-Americana.

*A equipe titular viajou para Cali, mas o futebol ficou no Rio. Com muitos passes errados e pouca inspiração ofensiva, o Botafogo saiu de campo derrotado pelo América de Cali por 1 a 0. O gol saiu após uma pane na zaga alvinegra. Após a cobrança de escanteio, Moreno desviou de cabeça e a bola bateu em André Luis e Túlio antes de chegar para Ramos, que chutou forte, sem chance para Castillo: 1 a 0. A próxima partida será quarta-feira, dia 1º de outubro, no Engenhão. Para o Botafogo só resta a vitória por mais de um gol de diferença. Agora toda a concentração é voltada para o Brasileirão, no clássico diante do Fluminense, domingo, no Engenhão. Hoje, em Cáli, diante de um medíocre adversário, o Botafogo deveu mais uma vez.

* Empate muito bem-vindo. Depois de longas horas de viagem, com o time reserva em campo e até sem o técnico Geninho, o 2 a 2 diante do Chivas, no Jalisco, foi muito festejado pelos jogadores do Atlético Paranaense. O Furacão chegou a estar duas vezes na frente do placar, com Pedro Oldoni e Antônio Carlos, mas cedeu o empate. Arellano e Medina empataram. Com o resultado, o Atlético pode empatar por 0 a 0 ou 1 a 1 no jogo de volta, na próxima terça-feira, às 21h45, na Arena da Baixada, que mesmo assim fica com a vaga. O 2 a 2 leva a decisão para os pênaltis. Empate por 3 a 3 ou com mais gols dá a classificação para o time de Guadalajara. Destaque do jogo foi o goleiro Vicícius, do Furacão, com duas defesas seguidas sensacionais no segundo tempo.

Empate modorrento do misto do Palmeiras diante do Sport Ancash, no Estádio Nacional de Lima. O fraco zero a zero beneficiou a camisa marca-texto, que só precisa vencer por qualquer resultado no Palestra Itália, no dia 1º de outubro. A forte marcação e o campo de grama sintética (coisa de peladeiro!) foram os maiores adversários para os paulistas. A saída encontrada pelo Vanderley Luxemburgo foram as bolas alçadas na área, mas não surtiram o efeito esperado. Por isso, o jogo foi tão fraco tecnicamente. Mesmo assim, no jogo da volta, afirmo, com todas as palavras, que o Palmeiras irá golear o Ancash. Ou melhor, desde que queira, é claro. Se quiser, é sacode.

No outro jogo da noite, o San Luis venceu o Argentinos Juniors por 2 a 1, em San Luis de Potosí, no México - com gols de Luna e Moreno; Pavlovich descontou.

Agenda de quinta-feira: Sporting Defensor x River Plate, em Montevideú, e Universidad Católica x Internacional, em Santiago.

Com Carlos Gustavo

Reta final de luxo

Sáb, 13/09/08
por Lédio Carmona |

Sábado decisivo e movimentado pelo Campeonato Brasileiro. Teve queda de invencibilidade em casa, fuga da zona do rebaixamento e até um novo lanterna. Bom para o espectador, cada vez mais empolgado com o equilíbrio do Brasileirão. Excelente para Cruzeiro, Palmeiras, Botafogo, Flamengo e São Paulo. Ruim para Portuguesa, Fluminense, Santos e Náutico… Fato é que as últimas 13 rodadas reservam uma saudável e exagerada emoção. Vamos às partidas:

* Dos últimos 15 pontos disputados, o Grêmio fez cinco. Enquanto até a partida deste sábado, o Goiás era o vice-líder do segundo turno, com 10 pontos. Números, senão suficientes, ao menos ilustrativos para acreditar que a queda do último invicto em casa do Brasileirão não tardaria a vir. Hoje, pela primeira vez no campeonato, os gremistas saíram tristes do Olímpico. Para ser mais exato, 36.493 torcedores. A distância, que poderia ser de oito, é de seis. E ao término da 25ª rodada pode cair para três. Em meio a tantos números, alguns motivos podem explicar a surpreendente - para alguns - vitória do Goiás.

Victor falhou no gol olímpico de Paulo Baier - invariavelmente um goleiro não comete erro nessas ocasiões. E se estivesse na mesma fase de algumas semanas, quando foi o melhor jogador do primeiro turno, defenderia o chute do bom lateral Vítor - lance normal, por sinal. Confesso que o gol de Léo, aos 30 do primeiro tempo, fez parecer que seria mais uma noite idêntica no Olímpico. Mas a equipe de Celso Roth encontra problemas para criar e concluir. O treinador, inclusive, pode promover a estréia de Richard Morales logo. E a zaga, até pouco tempo intransponível, sofreu seis gols nas últimas cinco partidas - a média ainda é muito boa, diga-se, mas insuficiente para manter a boa seqüência do Tricolor. O Goiás segue sua rotina de recuperação no segundo turno. E ainda enfrenta Palmeiras, Cruzeiro, Botafogo, Flamengo e São Paulo.

* 14 rodadas. Ou mais de dois meses. Tempo suficiente para creditarem o Ipatinga ao rebaixamento. Mas o Tigre mostrou estar vivo ao vencer o rival Atlético Mineiro, por 3 a 2, no Ipatingão. Ferreira abriu o placar para o time da casa, ainda na primeira etapa. Os instantes movimentados ficaram por conta dos 23 minutos iniciais do segundo tempo. Gols de Luciano Mandi e Adeílson para o Ipatinga; Renan Oliveira e Leandro Almeida para o Galo, já apreensivo com a aproximação da zona da rabeira. E que por pouco não empatou - graças às boas defesas do goleiro Fernando. Embora valha a pena ressaltar que é pouco para um clube centenário e de tanta tradição.

* Geninho não podia estrear de forma melhor. Na briga direto para escapar do descenso, o Atlético Paranaense derrotou a Portuguesa, por 2 a 0, na Arena da Baixada (15.638 pagantes). Gols só no segundo tempo. Júlio César e Antônio Carlos, ambos em cruzamentos de Netinho, marcaram para o Furacão. Galatto e Sérgio pouco trabalharam. E só. Enquanto um respira - o rubro-negro torce por uma derrota do Náutico para continuar fora da zona -, o outro agoniza. A vitória do Ipatinga colocou a lanterna na mão da Lusa, que não vence desde a 19ª rodada (2 a 1 sobre o Cruzeiro), e soma apenas um ponto no segundo turno. Preocupante para Estevam Soares.

Colaborou Victor Canedo

Noite dos visitantes

Qui, 04/09/08
por Lédio Carmona |


edgoleiro.jpgAté com certa facilidade, Cruzeiro e Sport venceram e mereceram os placares dilatados. Ruim para o Palmeiras, ainda distante do sonho do título. Péssimo para o Vasco, cada vez mais próximo do rebaixamento. Simples assim.

* O Cruzeiro não esperava encontrar tanta facilidade em São Januário (8.408 pagantes). Que pode até ser explicada por alguns motivos imprevisíveis. Em 25 minutos o Vasco já estava sem melhor opção ofensiva - Wagner Diniz, lesionado -, e com uma expulsão do melhor marcador (Jonílson). O que já era previsível tornou-se real nos gols seguidos de Guilherme e Ramires. Completamente perdido, o time de Tita só acordou com o gol do estreante André. Pena que a animação já surgiu com um fim encaminhado. Mais precisamente cinco minutos. Após falha de Eduardo Luiz - incrível como sempre deixa sua marca -, Tiago viu-se obrigado a cometer pênalti em Guilherme. Nova expulsão e Edmundo no gol. Mas a paradinha o deixou vendido como o time: 3 a 1.

crugol.jpgResultado, no papel, até normal devido à diferença em que se encontram. Poderia, inclusive, ser até maior, pois Edmundo esteve no gol vascaíno durante 14 minutos. O Cruzeiro preferiu o poupar. Talvez por respeito à história vascaína. Embora o Vasco de hoje seja um time sem ação e reação. A Raposa, que adora os ares do Rio de Janeiro, voltou à vice-liderança, com 43 pontos. Apenas uma notícia ruim:  Guilherme, suspenso infantilmente por causa de um cartão amarelo tolo, é desfalque para o jogo decisivo de semana que vem contra o Palmeiras.

O mais incrível após a um jogo tão tranqüilo para o Cruzeiro, é que ainda tem torcedor disposto a achar (ou acreditar) (ou se iludir) que o Vasco perdeu por causa da arbitragem. É gostar de pousar no mundo paralelo. Talvez seja melhor do que encarar a realidade de frente. Vai saber…

* O penúltimo invicto como mandante do Campeonato Brasileiro caiu de forma drástica. O Sport, visitante, só ratificou a condição de carrasco ao golear o Palmeiras, por 3 a 0, no Palestra Itália (15.992 pagantes). Disciplinado taticamente, a equipe de Nelsinho Baptista soube explorar cada espaço deixado pelo sistema defensivo palmeirense. Aliás, que fase vivem Jeci, Gustavo & Cia. Magrão deu um chutão para o baixinho, porém guerreiro Carlinhos Bala ajeitar  sem qualquer interferência para Roger: 1 a 0. Lenny substituiu o inócuo Evandro. Obviamente não seria ele a solução para a falta de criatividade do Palmeiras, que agora depende praticamente das boas e raras atuações de Diego Souza - novamente apagado na noite de ontem. Roger e Durval aproveitaram-se da imobilidade da zaga alviverde para ampliar e selar mais um triunfo rubro-negro em 2008 - em quatro jogos, foram três vitórias (duas goleadas) e um empate.

Confesso já ter perdido a conta de quantos gols a equipe de Vanderlei Luxemburgo sofreu pela mesma jogada. Falhas que soam como ducha de água fria nas pretensões do Palmeiras, desfalcado ainda de Alex Mineiro e Kleber para a decisão diante do Cruzeiro, semana que vem. Uma hora a casa cai. Libertadores? Quem já está lá é o Sport. E só.

* Geninho é o novo técnico do Atlético Paranaense. Ao menos era esse o desejo da torcida rubro-negra. Apesar da ótima história no Furacão, Geninho precisará mais do que invocar uma lâmpada para livrar o Atlético dessa situação. Sinceramente, não acredito.

A próxima vítima

Qui, 04/09/08
por Lédio Carmona |


alvo.jpgA diretoria do Atlético Paranaense se supera. Faz coisas maravilhosas, como a Arena da Baixada, e equipes pavorosas, como a atual. Além de montar time fraco, nunca se movimentou com coragem para reforçar o elenco medíocre. E, como forma de jogar para a galera e dizer que faz alguma coisa em busca da recuperação, demite treinador com a mesma velocidade de Usain Bolt trota pelas pistas. Ontem o time foi surrado pelo Goiás no Serra Dourada e finalmente entrou na zona do rebaixamento. O que fizeram os mandatários? Mandaram Mario Sergio embora. Não deu nem para pagar o treinador pagar o primeiro aluguel em Curitiba. Ficou no comando do Furacão durante 20 dias. No total, cinco jogos, uma vitória (na estréia, contra o Ipatinga) e quatro derrotas seguidas.

O Atlético Paranaense, time com defesa razoável, meio de campo fraco e ataque improdutivo, faz campanha deplorável. Cheia de convicções “mudernas”, sua diretoria bota a culpa nos treinadores a cada surra que o time leva. Já foram degolados Ney Franco, Roberto Fernandes e Mario Sergio. A quarta vítima está por vir. E a segundona, também.

Concerto alvinegro

Qui, 28/08/08
por Lédio Carmona |

27lf1.jpg* O Botafogo, de Ney Franco, continua encantado. No Mineirão (5.081 pagantes), o time surrou o Atlético Mineiro por 5 a 2 e avançou na Copa Sul - Americana. Na próxima fase enfrentará um time colombiano. Que será de Cali: América ou Deportivo. No jogo de ida, deu América, por 2 a 0. Mas, evidentemente, os alvinegros são melhores e têm tudo para ir longe.

* Em campo, o Botafogo jogou como se fosse dono da casa. O inexperiente time do Atlético não conseguiu equilibrar o jogo. E tome golaço. Os dois primeiros de Lúcio Flávio e o terceiro, de Jorge Henrique, foram belíssimos. Carlos Alberto fez de cabeça. Gil ainda chutou pênalti nas nuvens, enquanto Leandro Almeida, contra, completou a quina. Lenílson, duas vezes, descontou. E Ney Franco segue sereníssimo e superando a imagem forte de Cuca: 14 jogos, 10 vitórias, 3 empates e 1 derrota. Incontestável! Como a classificação de ontem. Pobre Galo. Merecia algo melhor em seu centenário.

27cap.jpg* No Morumbi (3.352 pagantes) - público, digamos, condizente com a partida -, a garotada de Muricy Ramalho jogou melhor do que os marmanjos de Mario Sergio no primeiro tempo. Mas faltou um centroavante para decidir os bons lançamentos feitos por Sergio Motta e a correria da meninada. No segundo tempo, o Atlético Paranaense cresceu, equilibrou a marcação, encurtou os espaços e não deu mais liberdade para os donos da casa. E quase ganhou a partida, fraquíssima, nos contra-ataques. Não conseguiu. E tudo acabou no 0 a 0, como na Arena da Baixada.

Decisão nos pênaltis e, nela, a maturidade do Atlético funcionou. Só Allan Bahia acertou o travessão, enquanto Juninho e Oscar desperdiçaram as suas. O Furacão avança - enfrentará Chivas, do México, ou Aragua, da Venezuela - e ainda tenta salvar a temporada medíocre. Mas nem todo adversário da Sul-Americana usará um Time C para enfrentá-lo. Ou seja, a vida do pálido Atlético Paranaense-2008 tende a se complicar.

* E, na Bombonera, pela Recopa Sul-Americana, Boca Juniors 2 x 2 Arsenal, com Riquelme em campo, quatro dias após decidir a medalha de ouro, em Pequim. Palacio e Riquelme, aos 48, marcaram - o artilheiro Palermo sofreu recentemente uma ruptura de ligamentos no joelho e foi saudado por jogadores e torcida na comemoração. Boca campeão. Sem alguma novidade. E agora recordista de taças internacionais ao lado do Milan, com 18 - 6 Libertadores, 3 mundiais, 4 recopas, 1 Supercopa, 1 Copa Master e 1 Copa Ouro. Esse Boca Juniors parece não ter limites.

Raposa, Furacão, Figueira & Timão

Sáb, 16/08/08
por Lédio Carmona |


16crucru.jpgPara fechar a noite, vamos ao Brasileirão nosso de cada dia, Séries A, com o início do segundo turno, e B, com o fim do primeiro. Tudo, rigorosamente, dentro do esperado.

Cruzeiro 2 x 1 Vitória

No primeiro tempo, mesmo sem Marcelo Cordeiro, Marquinhos e Dinei, o Vitória jogou mais. Controlou o jogo, criou chances, ganhou o meio de campo. Mas, no primeiro chute a gol, no fim dessa etapa, Charles, o bom volante da Raposa, acertou um lindo chute no ângulo direito de Viáfara. Sorte de quem só passou uma rodada das 20 disputadas até agora fora do G4. No segundo tempo, o Cruzeiro voltou melhor, se impôs e Guilherme, que estava meio devagar, fez um gol de quem sabe jogar: chute rasteiro e colocado, de fora da área, daqueles que entram colados à trave. O jogo ficou relativamente tranqüilo, até que Ricardinho, no fim, descontou. Mas os mineiros seguraram o placar e o segundo lugar, com 39 pontos, a apenas dois (e um jogo a mais) do Grêmio. O Vitória, o bom time de Wagner Mancini, continua em quinto lugar (32). Duvido que caia muito. Os baianos são ótimos e ainda farão muitos estragos nesse Brasileirão.

Atlético Paranaense 5 x 0 Ipatinga

16cap.jpgNa reestréia de Mario Sergio à frente do Atlético Paranaense, nada melhor do que um Ipatinga como adversário. O novo técnico do Furacão fez mudanças - Danilo foi ala direito, Nei foi deslocado para a esquerda, por exemplo - e o massacre foi consumado: 5 a 0, com três gols de Pedro Oldoni, um de Danilo e outro de Ferreira. Resultado que deixa o Atlético mais tranqüilo - 13º, com 23 pontos - e conserva o Ipatinga na lanterna. Os mineiros cairão. Trata-se de uma verdade inapelável.

Figueirense 2 x 1 Portuguesa

16fig.jpgPor falar em queda, a cada rodada que passa estou mais convicto de que a Portuguesa também cairá. Hoje até deu trabalho ao Figueira, em Florianópolis, mas…. perdeu seu 10º jogo: 2 a 1, gols de Ricardinho e Wellington Amorim, descontando Washington, gol que só serviu para me atrapalhar no Cartola FC. A Lusa (15ª, com 22) dorme fora da zona do rebaixamento, mas pode terminar o domingo aboletada nela. E o Figueira, com 28 pontos, repousa num confortável 9º lugar. Tranquilo, como costumam ser as campanhas dos catarinenses.

Série B

ti.jpgPúblico no Pacaembu para acompanhar a 11ª vitória do Corinthians na Série B e o título simbólico do primeiro turno (39 pontos, a 4 do Avaí, 6 do Santo André e 7 da Ponte Preta): 18.949. Douglas e Anderson Bill, contra, fizeram os gols da vitória de 2 a 0 sobre o América de Natal. O Timão já vive a contagem regressiva. Creio que lá pela 12ª rodada do returno o Corinthians estará matematicamente classificado para a primeira divisão. Grande previsão! Todo mundo sabe disso (ou deveria saber!). E banco também, anote aí: o Avaí subirá também. As outras duas vagas? Ainda preciso de mais algumas rodadas. Calma…

A bola não pára

Ter, 12/08/08
por Lédio Carmona |

* Excelente jogo na Ressacada entre Corinthians, líder da Série B, com 36 pontos, e Avaí, segundo colocado, com 34. Dois bons times, que jogaram para frente numa partida emocionante, bem disputada e com boa arbitragem (Leandro Vuaden). O Corinthians foi um pouco melhor no primeiro tempo e fez 1 a 0, gol de Douglas. No segundo tempo, recuou demais, deu campo ao Avaí, uma equipe muita bem arrumada por Silas Oliveira, aquele mesmo, velho companheiro de Muller no São Paulo, e cedeu o empate, aos 38 minutos. Belíssimo gol de bicicleta de Evando, diga-se. Resultado justíssimo, num jogo de Série B, mas com jeito de A. Por sinal, aposto que os dois estarão em cima ano que vem.O Corinthians caiu? Não vejo assim não. A Série B é que não é tão fácil quanto parecia. E, mesmo assim, não tem time no planeta que consiga manter o mesmo padrão durante 38 rodadas. Façam uma pesquisa e me provem o contrário.

* Na Arena da Baixada, empate entre titulares do Atlético e reservas do São Paulo na estréia de ambos na Copa Sul-Americana. Pois então: o Furacão A não consegue ganhar do São Paulo B. Depois não entendem porque estão brigando para não cair. Definitivamente, elenco ruim gera time fraco. E ninguém se estabelece com esse cenário. Uma pena.

Meio caminho andado

Sáb, 09/08/08
por Lédio Carmona |

Não há melhor forma para terminar um turno de Campeonato Brasileiro. Líder isolado (41 pontos), melhor ataque (35 gols marcados), melhor defesa (12 gols sofridos), mais vitórias (12), menos derrotas (duas, a última na 9ª rodada) e há quatro jogos sem sofrer um gol sequer. Este é o Grêmio, muito bem na fita para levantar o caneco em dezembro. E que neste sábado deu mais um gigante passo. Vamos aos jogos:

* O resultado de 4 a 0 normalmente sugere um atropelamento. Não foi o que ocorreu no Mineirão. Mas na base da competência, o Grêmio novamente chegou lá. Defende-se como ninguém no campeonato. E dá o bote na hora certa. Como no gol de William Magrão, aos 35 do primeiro tempo. Que tendeu levemente ao Atlético. Embora Victor quase não tenha trabalhado - a trave ajudou em chute de Petkovic. Placar necessário para a equipe de Celso Roth usar mais ainda sua principal arma: o contra-ataque. Perea sofreu pênalti. Tcheco cobrou e fez 2 a 0. O Galo, então, sucumbia diante do desespero. Reinaldo, assim como em Florianópolis, aproveitou e deixou mais dois - na ocasião marcou três vindo do banco. Enquanto o ótimo Victor tratou de se consagrar - melhor goleiro do primeiro turno. Goleada de gente grande sobre quem já foi um dia. Infelizmente, o Atlético ficará satisfeito se fizer figuração na competição. Apesar da melhora com Marcelo Oliveira, a briga, como de hábito, é para escapar da segundona. Não há presente pior para uma instituição centenária - e de muito respeito - como o Clube Atlético Mineiro.

* A crise na Gávea já tomava proporções maiores e inesperadas. O longo jejum - sete jogos sem vitória - incomodava. E não havia melhor adversário para o Flamengo pôr um fim: o Atlético Paranaense, no Maracanã (14.257 pagantes). Mas o rubro-negro precisava de um herói, digamos alternativo. Diante de tantos desfalques, acabou sendo fácil encontrá-lo. Jaílton, o vilão da torcida de outrora, certamente fez o gol mais importante de sua carreira - grata colaboração de Galatto. O magro 1 a 0 - que para o torcedor rubro-negro é um placar gigante - é mais do que suficiente para a tranqüilidade voltar aos comandados de Caio Júnior. O Flamengo continua a dois pontos do G4, muito embora careça de reforços - para o ataque, e, principalmente, o meio-campo. Ou até mesmo um lateral-esquerdo se Juan for atuar como armador. Já o Atlético Paranaense, que de Furacão nada tem, muito provavelmente voltará à ingrata zona de rebaixamento. Futebolzinho feio e nada eficiente. Ao menos se constata a cada rodada que o problema não vem do banco de reservas. Vive acima disso.

* Partida movimentadíssima no Morumbi. O São Paulo jogou para o gasto e venceu o Goiás, por 2 a 1. Talvez a trave de Paulo Baier, já no fim, não fosse esperada, mas o Tricolor Paulista desandou a desperdiçar chances de gol. Dagoberto, inclusive, chegou a marcar, mas o gol foi corretamente anulado - André Lima participou do lance. Bolas na rede, de fato, foram três; Zé Luís e Rodrigo - que petardo! - para o time de Muricy, e Iarley - sempre ele -, de pênalti, para o alviverde goiano. Aliás, penalidade pra lá de discutível - ao menos em nada influenciou. O São Paulo continua em busca de uma regularidade, mas a vaga no G4 está assegurada até o início do returno. Enquanto o Goiás, de Hélio dos Anjos, sofre do sobe-e-desce. E hoje, quando joga fora de casa, a tendência é cair. Embora tenha material necessário - precisa ser bem trabalhado - para escapar da temida segunda divisão.

Colaborou Victor Canedo

Jogo dos contrastes

Qua, 06/08/08
por Lédio Carmona |

Quarta-feira nada agradável para Santos, Vasco e Flamengo. Crises, lesões e ao menos duas quedas de técnicos – Antonio Lopes e Cuca; Pintado na corda bamba – marcaram a última noite. Que também teve gente sorrindo. Casos de Grêmio, Fluminense e Atlético Mineiro. Os empates estão cada vez mais escassos. Nada mais natural que o jogo dos contrastes entre em cena no Brasileirão. Vamos aos jogos:

*Pobre torcedor do Vasco. Sofre em busca de dias melhores. Pede mudanças. Quer time. E, em compensação, ganha uma defesa com Anderson (quem indicou?), Jorge Luis e Vitor; e um inacreditável meio de campo, com Marquinho, Rodrigo Antonio e Madson. Feliz torcedor do Coritiba. O time é bom, bem treinado, tem padrão tático, bons apoiadores, como Carlinhos Paraíba e Alê, e um atacante excelente, chamado Keirrison, autor do segundo gol na vitória por 2 a 0, em São Januário (6.657 pagantes). João Henrique marcou o primeiro.

Pobre torcedor do Vasco. Amarga as escalações erradas de Antonio Lopes, não entende como Alex Teixeira pode ser reserva de Marquinho. E talvez, a partir daí, entenda melhor como seu time perdeu 9 jogos em 18 disputados e está perto da zona do rebaixamento. Entrar nela é questão de tempo. Feliz torcedor do Coritiba. Com a terceira vitória seguida fora de casa (Náutico, Santos e Vasco), o time chegou aos 29 pontos e, além de provar ser o melhor do Paraná, está muito perto do G4. Feliz torcedor do Vasco, que comemora a saída de Antônio Lopes. O elenco, como de conhecimento geral, é fraco. Não possibilita muitas pretensões, no máximo um meio de tabela. Mas não havia mais espaço para erros do ex-técnico vascaíno. Resta saber o substituto - Tita é um dos mais cotados. Trabalho, certamente, ele terá.

* 14 jogos: 3 vitórias, 4 empates e 7 derrotas. Este terrível retrospecto é referente à passagem de Cuca no Santos. Hoje, após mais uma decepção, o treinador não resistiu no cargo. Decepção que tem significado inverso para o Atlético Mineiro. Com gols de Jael, Márcio Araújo e Rafael Aguiar, o Galo virou para cima do Santos - Kleber Pereira e Vinicius (contra) -, por 3 a 2, em plena Vila Belmiro (6.657 torcedores). E não só conquistou sua primeira vitória fora de casa, como se distanciou da temida zona de rebaixamento. Um alento à equipe do efetivado Marcelo Oliveira.

O mesmo não vale para o alvinegro praiano, que há uma semana ameaçava uma tímida reação. Mas as duas derrotas seguidas em casa expuseram – novamente - as fraquezas do elenco santista, estacionado nos 17 pontos. A zaga, mesmo com a chegada de Fabiano Eller, continua fraquíssima – vide terceiro gol do Atlético. O ataque continua a perder gols. E, Kleber, destaque das boas campanhas de 2006 e 2007, é o símbolo da desilusão. Seja no meio-campo ou na lateral. Fala-se em Gallo como solução. Enquanto isso, rios de dinheiro são desperdiçados em jogadores inúteis no elenco. Só não pergunte sobre reforços aos vândalos que se dizem torcedores. O estrago pode ainda ser maior.

* O empate no Serra Dourada (39.200 pagantes) já não agradava o Flamengo, abalado com os recentes acontecimentos. Mas a fase é tão ruim que o Goiás encontrou o gol da vitória com Iarley, aos 46 minutos da segunda etapa. Gol que só agrava a crise rubro-negra. Já são sete jogos sem vitória, e no próximo sábado terá de enfrentar o Atlético Paranaense com oito desfalques. Ao menos Juan, um dos únicos lúcidos do time ao lado de Airton, jogará. Ontem, o lateral não só sofreu o pênalti – bem cobrado pelo apagado Léo Moura -, como participou das principais chances de perigo do Flamengo. Mas a zaga já havia falhado no primeiro gol de Iarley – idêntico ao de Guilherme no último domingo – e erraria no segundo. A equipe de Caio Júnior ainda encontrou a trave em duas oportunidades – Jaílton e Henrique (contra) -, mas não resistiu à pressão.

O rubro-negro vive, de longe, o pior momento em sua fase recente. Só não se sabe até quando a bruxa – ou bruxos que soltam bombas – irão rondar a Gávea. Acreditem, há como ficar pior. Embora eu não acredite que a diretoria irá ficar de mãos atadas. Já o instável Goiás aproveita o fator casa. Até agora, suficiente para deixá-lo afastado da zona de rebaixamento.

* Esperava-se mais do líder diante do lanterna, em casa. O Grêmio esteve longe de mostrar o bom futebol de outrora, foi pressionado durante parte do jogo, mas conquistou mais três importantíssimos pontos na luta pelo simbólico título do primeiro turno. Perea – a dúvida fica se Marcel tocou na bola, caracterizando o impedimento -, logo aos três minutos, marcou o único gol da partida. O Ipatinga parecia não se importar. Por incrível que pareça, impôs o seu ritmo e por pouco não empatou – Victor, assim como no domingo passado, fez grande defesa. A equipe de Celso Roth acordou na segunda etapa. As entradas de Souza e Felipe Mattione – que gol perdido! - melhoraram consideravelmente o Grêmio, mas o magro resultado satisfez os 28.137 pagantes no Olímpico. Bom para o Tricolor Gaúcho, ainda soberano na liderança – oito pontos à frente do quarto colocado. Já o Tigre, apesar da melhora dentro de campo, perdeu como (quase) sempre. E permanece com os míseros 13 pontos, ostentando a lanterna. Como é difícil imaginar o Ipatinga na Série A em 2009…

* Renato Gaúcho abdicou dos três volantes. Não mais improvisou na lateral. E com Washington novamente inspirado, o Fluminense repetiu o placar do duelo das quartas-de-final da Libertadores: 3 a 1, no mesmo Maracanã (8.515 pagantes). Hugo abriu o placar no início de uma movimentada segunda etapa. Já o primeiro tempo só foi notado quando a torcida tricolor protestou – pacificamente, diga-se – ao adentrar a arquibancada carregando caixões e cruzes. O resultado, até certo ponto surpreendente, tem lá suas justificativas. Muricy errou tanto na escalação como nas substituições – o lateral-direito Éder cometeu pênalti prá lá de infantil. Jean, que teve boa atuação diante do Vasco, só foi entrar na segunda etapa. Richarlyson continua errando e muito. E o hoje acomodado São Paulo pode deixar o G4 caso o Vitória empate com o Palmeiras, no Palestra Itália. Enquanto o por ora ofensivo Fluminense vê uma luz no fim do túnel – acesa pela lanterna do Ipatinga, rival de domingo.

* Sobrevida ao Atlético Paranaense. No duelo dos desesperados, o Furacão derrotou o Náutico, por 2 a 0 – um em cada tempo -, na Arena da Baixada (12.142 pagantes). Rafael Moura – pasmem! – e Danilo anotaram. Maurinho – aquele mesmo – ainda foi expulso no Timbu. Enquanto um novo técnico não é anunciado, o interino Tico tem de se virar com o que tem. A sorte foi ter enfrentado uma equipe tão desqualificada quanto o rubro-negro da baixada. Ambos não me convencem. E Pintado já balança no cargo. Nunca é demais ressaltar o erro da direção alvirrubra ao demitir Leandro Machado – na época, o Náutico disputava uma vaga no G4. Hoje, ocupa a primeira vaga da zona de rebaixamento. Erros que não são perdoados.

* O Sport apenas exerceu o mando de campo para vencer a abatida Portuguesa, na Ilha do Retiro. Resultado até previsível. A Lusa já acumula sete derrotas fora de casa, enquanto o Leão alcançou o sexto triunfo como mandante. Roger e Bruno Rodrigo (contra) marcaram em cada tempo. Inúmeras chances desperdiçadas. Sérgio ainda defendeu pênalti de Luciano Henrique. Pouco para a equipe de Valdir Espinosa, que, sem Diogo, não aspira confiança alguma – e vai brigar contra o rebaixamento. No tamanho para o time de Nelsinho, na oitava colocação – e já na Libertadores de 2009.

Colaborou Victor Canedo

Desespero

Seg, 04/08/08
por Lédio Carmona |

* Como esperado, Roberto Fernandes foi demitido do Atlético Paranaense nesta tarde. A situação ficou insustentável após a derrota do último domingo. Enquanto isso, a diretoria, que não consegue montar um bom time, lava as mãos. E, como já é hábito, tudo cai em cima do treinador. É com essa mentalidade que o rubro-negro da baixada conquista cada vez mais o posto de grande favorito ao descenso.

* Richard Morales, o grandalhão (1,95m) que defendeu o Nacional na Libertadores, deve ser o novo reforço do Flamengo para o Campeonato Brasileiro. Aliás, o “Chengue”, como é conhecido no Uruguai, marcou dois gols na vitória de 3 a 0 do Nacional sobre o próprio rubro-negro, em Montevidéu, pela primeira fase – assista ao vídeo abaixo. Aos 33 anos, o atacante possuí um estilo que a torcida do Flamengo crucificou e queimou jogadores em inúmeras vezes. Não é um Somália melhorado que irá solucionar a falta de gols da equipe de Caio Júnior. Íbson não tem rendido como meia de ligação. Prefere atuar recuado. O Flamengo adotará de vez o chuveirinho? Quem será o meio campista? Você, rubro-negro, aprova a contratação? Opine.


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