Quarta-feira nada agradável para Santos, Vasco e Flamengo. Crises, lesões e ao menos duas quedas de técnicos – Antonio Lopes e Cuca; Pintado na corda bamba – marcaram a última noite. Que também teve gente sorrindo. Casos de Grêmio, Fluminense e Atlético Mineiro. Os empates estão cada vez mais escassos. Nada mais natural que o jogo dos contrastes entre em cena no Brasileirão. Vamos aos jogos:
*Pobre torcedor do Vasco. Sofre em busca de dias melhores. Pede mudanças. Quer time. E, em compensação, ganha uma defesa com Anderson (quem indicou?), Jorge Luis e Vitor; e um inacreditável meio de campo, com Marquinho, Rodrigo Antonio e Madson. Feliz torcedor do Coritiba. O time é bom, bem treinado, tem padrão tático, bons apoiadores, como Carlinhos Paraíba e Alê, e um atacante excelente, chamado Keirrison, autor do segundo gol na vitória por 2 a 0, em São Januário (6.657 pagantes). João Henrique marcou o primeiro.
Pobre torcedor do Vasco. Amarga as escalações erradas de Antonio Lopes, não entende como Alex Teixeira pode ser reserva de Marquinho. E talvez, a partir daí, entenda melhor como seu time perdeu 9 jogos em 18 disputados e está perto da zona do rebaixamento. Entrar nela é questão de tempo. Feliz torcedor do Coritiba. Com a terceira vitória seguida fora de casa (Náutico, Santos e Vasco), o time chegou aos 29 pontos e, além de provar ser o melhor do Paraná, está muito perto do G4. Feliz torcedor do Vasco, que comemora a saída de Antônio Lopes. O elenco, como de conhecimento geral, é fraco. Não possibilita muitas pretensões, no máximo um meio de tabela. Mas não havia mais espaço para erros do ex-técnico vascaíno. Resta saber o substituto - Tita é um dos mais cotados. Trabalho, certamente, ele terá.
* 14 jogos: 3 vitórias, 4 empates e 7 derrotas. Este terrível retrospecto é referente à passagem de Cuca no Santos. Hoje, após mais uma decepção, o treinador não resistiu no cargo. Decepção que tem significado inverso para o Atlético Mineiro. Com gols de Jael, Márcio Araújo e Rafael Aguiar, o Galo virou para cima do Santos - Kleber Pereira e Vinicius (contra) -, por 3 a 2, em plena Vila Belmiro (6.657 torcedores). E não só conquistou sua primeira vitória fora de casa, como se distanciou da temida zona de rebaixamento. Um alento à equipe do efetivado Marcelo Oliveira.
O mesmo não vale para o alvinegro praiano, que há uma semana ameaçava uma tímida reação. Mas as duas derrotas seguidas em casa expuseram – novamente - as fraquezas do elenco santista, estacionado nos 17 pontos. A zaga, mesmo com a chegada de Fabiano Eller, continua fraquíssima – vide terceiro gol do Atlético. O ataque continua a perder gols. E, Kleber, destaque das boas campanhas de 2006 e 2007, é o símbolo da desilusão. Seja no meio-campo ou na lateral. Fala-se em Gallo como solução. Enquanto isso, rios de dinheiro são desperdiçados em jogadores inúteis no elenco. Só não pergunte sobre reforços aos vândalos que se dizem torcedores. O estrago pode ainda ser maior.
* O empate no Serra Dourada (39.200 pagantes) já não agradava o Flamengo, abalado com os recentes acontecimentos. Mas a fase é tão ruim que o Goiás encontrou o gol da vitória com Iarley, aos 46 minutos da segunda etapa. Gol que só agrava a crise rubro-negra. Já são sete jogos sem vitória, e no próximo sábado terá de enfrentar o Atlético Paranaense com oito desfalques. Ao menos Juan, um dos únicos lúcidos do time ao lado de Airton, jogará. Ontem, o lateral não só sofreu o pênalti – bem cobrado pelo apagado Léo Moura -, como participou das principais chances de perigo do Flamengo. Mas a zaga já havia falhado no primeiro gol de Iarley – idêntico ao de Guilherme no último domingo – e erraria no segundo. A equipe de Caio Júnior ainda encontrou a trave em duas oportunidades – Jaílton e Henrique (contra) -, mas não resistiu à pressão.
O rubro-negro vive, de longe, o pior momento em sua fase recente. Só não se sabe até quando a bruxa – ou bruxos que soltam bombas – irão rondar a Gávea. Acreditem, há como ficar pior. Embora eu não acredite que a diretoria irá ficar de mãos atadas. Já o instável Goiás aproveita o fator casa. Até agora, suficiente para deixá-lo afastado da zona de rebaixamento.
* Esperava-se mais do líder diante do lanterna, em casa. O Grêmio esteve longe de mostrar o bom futebol de outrora, foi pressionado durante parte do jogo, mas conquistou mais três importantíssimos pontos na luta pelo simbólico título do primeiro turno. Perea – a dúvida fica se Marcel tocou na bola, caracterizando o impedimento -, logo aos três minutos, marcou o único gol da partida. O Ipatinga parecia não se importar. Por incrível que pareça, impôs o seu ritmo e por pouco não empatou – Victor, assim como no domingo passado, fez grande defesa. A equipe de Celso Roth acordou na segunda etapa. As entradas de Souza e Felipe Mattione – que gol perdido! - melhoraram consideravelmente o Grêmio, mas o magro resultado satisfez os 28.137 pagantes no Olímpico. Bom para o Tricolor Gaúcho, ainda soberano na liderança – oito pontos à frente do quarto colocado. Já o Tigre, apesar da melhora dentro de campo, perdeu como (quase) sempre. E permanece com os míseros 13 pontos, ostentando a lanterna. Como é difícil imaginar o Ipatinga na Série A em 2009…
* Renato Gaúcho abdicou dos três volantes. Não mais improvisou na lateral. E com Washington novamente inspirado, o Fluminense repetiu o placar do duelo das quartas-de-final da Libertadores: 3 a 1, no mesmo Maracanã (8.515 pagantes). Hugo abriu o placar no início de uma movimentada segunda etapa. Já o primeiro tempo só foi notado quando a torcida tricolor protestou – pacificamente, diga-se – ao adentrar a arquibancada carregando caixões e cruzes. O resultado, até certo ponto surpreendente, tem lá suas justificativas. Muricy errou tanto na escalação como nas substituições – o lateral-direito Éder cometeu pênalti prá lá de infantil. Jean, que teve boa atuação diante do Vasco, só foi entrar na segunda etapa. Richarlyson continua errando e muito. E o hoje acomodado São Paulo pode deixar o G4 caso o Vitória empate com o Palmeiras, no Palestra Itália. Enquanto o por ora ofensivo Fluminense vê uma luz no fim do túnel – acesa pela lanterna do Ipatinga, rival de domingo.
* Sobrevida ao Atlético Paranaense. No duelo dos desesperados, o Furacão derrotou o Náutico, por 2 a 0 – um em cada tempo -, na Arena da Baixada (12.142 pagantes). Rafael Moura – pasmem! – e Danilo anotaram. Maurinho – aquele mesmo – ainda foi expulso no Timbu. Enquanto um novo técnico não é anunciado, o interino Tico tem de se virar com o que tem. A sorte foi ter enfrentado uma equipe tão desqualificada quanto o rubro-negro da baixada. Ambos não me convencem. E Pintado já balança no cargo. Nunca é demais ressaltar o erro da direção alvirrubra ao demitir Leandro Machado – na época, o Náutico disputava uma vaga no G4. Hoje, ocupa a primeira vaga da zona de rebaixamento. Erros que não são perdoados.
* O Sport apenas exerceu o mando de campo para vencer a abatida Portuguesa, na Ilha do Retiro. Resultado até previsível. A Lusa já acumula sete derrotas fora de casa, enquanto o Leão alcançou o sexto triunfo como mandante. Roger e Bruno Rodrigo (contra) marcaram em cada tempo. Inúmeras chances desperdiçadas. Sérgio ainda defendeu pênalti de Luciano Henrique. Pouco para a equipe de Valdir Espinosa, que, sem Diogo, não aspira confiança alguma – e vai brigar contra o rebaixamento. No tamanho para o time de Nelsinho, na oitava colocação – e já na Libertadores de 2009.
Colaborou Victor Canedo