A rodada de domingo teve uma única surpresa. O Vitória já é uma realidade, mas o triunfo diante do líder Flamengo, no Maracanã, surpreendeu. E deixou o Campeonato Brasileiro mais emocionante do que nunca. Aliás, antes que venham com pedradas, não torço contra o Flamengo. E sim a favor do campeonato. Na absoluta imparcialidade. De resto, tudo rigorosamente dentro do script. Públicos razoáveis – exceção feita aos mais de 40 mil no Maracanã -, média de gols razoável – 2,8 gols por jogo -, e muitos jogos ruins pela 13ª rodada. Destaque também para as vitórias dos seis últimos colocados – o que só embola a competição. Vamos às partidas.
* Se na última quinta o Flamengo não merecia a derrota, pagou o preço neste domingo. Apático como há muito não se via, sofreu o segundo revés seguido, para 41.827 pagantes no Maracanã. Claro, o Vitória tem os seus méritos. Muitos, eu diria. Mas os desfalques no rubro-negro carioca expuseram as deficiências até então não comentadas. A começar pelo ataque. Marcinho não fará falta, disseram alguns. Como, se era o artilheiro do time no ano com 17 gols? O segundo, Obina, tem 10. Fominha ou não, deixa o rubro-negro à mercê de Souza, Tardelli – que teve um gol mal anulado, por sinal -, Éder e afins. Além da ausência de Juan, simplesmente o faz tudo na equipe de Caio Júnior. Que hoje mexeu mal. Preteriu Maxi e Obina à Éder e Erick Flores. O rubro-negro baiano, que de bobo não tem nada, aproveitou os espaços e abriu o placar com a dupla Marquinhos-Dinei. Passe do primeiro para a conclusão do segundo. E Vagner Mancini saiu do Maracanã com a quarta colocação na bagagem. Aos flamenguistas: nada está perdido. Assim como há duas rodadas era favorito incontestável, pode mudar o atual panorama rapidamente. A liderança está mantida. Embora precise contratar. A bruxa anda solta. E a maratona de jogos está só começando.
* O São Paulo não jogou bem como na última quarta-feira. Mas manteve a boa fase de resultados ao conquistar a terceira vitória seguida, diante do ajustado Botafogo, no Morumbi (17.598 pagantes). O Tricolor Paulista até começou bem, mas em pouco tempo o alvinegro igualou as ações. O velho problema de fazer gols, porém, continuou a atormentar Ney Franco. Destaque para os gols perdidos por Jorge Henrique no segundo tempo. Rogério Ceni marcou seu primeiro gol no campeonato, em penalidade sofrida por Alex Cazumba. Carlos Alberto até empatou, mas Dagoberto, no último minuto, deixou o São Paulo de Muricy Ramalho em ótimas condições no campeonato, com 23 pontos. Ainda que perca Alex Silva e Hernanes por um bom tempo. Embora fora do G4, a distância para o líder Flamengo é de apenas três pontos. Já o alvinegro mostrou evoluir sob comando de Ney Franco. O Campeonato Brasileiro está longe de ter algo definido.
* Alguém se surpreendeu com a sexta derrota do Vasco no Campeonato Brasileiro? Nem eu. O time é limitado e só tem o mérito, obrigação, diga-se de passagem, de correr e lutar. Mas isso não é tudo. Um bom meio de campo, uma defesa segura e um treinador com o time nas mãos ajudariam. O Vasco não tem isso. E já perdeu o primeiro tempo para o Atlético Paranaense, na Arena da Baixada (17.806 pagantes), por 2 a 0, gols de Joãozinho e Marcio Azevedo. Alex Teixeira e Morais entraram – incrível terem começado no banco – e o time melhorou. Descontou com Allan Kardec e quase empata, com Leandro Amaral (péssima fase) perdendo pênalti. No crepúsculo, como diziam antigamente, gol de Anderson Aquino, 3 a 1 e fim de papo. O Vasco, cheio de limitações, está mais perto da zona do rebaixamento do que de qualquer outro sonho. E o Atlético, mesmo com a vitória, não empolga nem convence ninguém com o mínimo de serenidade. Resta saber agora se Antonio Lopes resistirá a tanta pressão para sua queda na colina. Mas está claro que a nova diretoria precisa fazer algo para chacoalhar o grupo. Não sei se mudar treinador resolve, só não dá para achar normal perder seis partidas em 13 disputadas. Não faz parte do tamanho do Vasco.
* O melhor jogo aconteceu no Serra Dourada (17.316 pagantes). Cheio de gols, mas com uma razão óbvia. Havia cinco zagueiros em campo. Nenhum deles funcionou. Gladstone (fraco!) e Jeci eram os dois do Palmeiras. E, com cara de paisagem, observaram Alex Terra e Paulo Henrique cabecearem sem nenhuma marcação, na cara de Marcos. Aos 11 e 21 min do primeiro tempo o Goiás abria 2 a 0. Aos poucos, depois do susto, o Palmeiras se viu obrigado a sair para o jogo. E aí foi a vez de o trio da retaguarda goiana fazer água. Ernando, Paulo Henrique e Henrique até que não tiveram culpa no primeiro gol verde limão, marcado por Alex Mineiro, artilheiro do Brasileirão com oito gols, após belo passe de Leo Lima. Quatro minutos depois, todos olharam Jeci subir para cabecear. 2 a 2 e fim do primeiro tempo.
Um novo erro de posicionamento da defesa do Palmeiras permitiu aos Alex Terra fizesse 3 a 2 no segundo tempo. E aí, os paulistas não tiveram serenidade, muito menos paciência, para chegar ao empate. E, dessa maneira, o time de Vanderlei Luxemburgo, que um dia foi favorito ao titulo perde sua quarta partida e deixou o G4. Enquanto isso, o Goiás chegou a sair da zona de rebaixamento. Apenas por duas horas. Enfim, o que fica mesmo, após esse jogo cheio de gols e repleto de erros no Serra Dourada, é que o verde anda mais do que desbotado nesse Campeonato Brasileiro.
* Na Vila Belmiro (13.918 pagantes), outra partida com vontade e erros de sobra. E, finalmente, o Santos venceu com Cuca. Após oito jogos, com quatro empates e quatro derrotas, o treinador viu sua equipe ganhar do Sport por 1 a 0, gol de Kleber Pereira, de pênalti. Placar pálido como o jogo, marcado por muita correria, poucas chances e muitos lances brutos. Fabiano Eller melhorou a saída de bola do Santos. Cuevas tem potencial, mas ainda esta fora de forma. E Kleber precisa ser meio de campo, posição na qual jogou hoje. O Sport segue sem ataque, com Carlinhos Bala abusando do direito de perder gols e me atrapalhar no Cartola FC. Na verdade, os dois ataques são fraquíssimos. E os números provam. O Peixe só fez 10 e tem o pior da competição. O Leão marcou apenas 12 em 13 jogos. Uma lastima. Enfim, o Santos segue na zona do rebaixamento. Subiu da ultima para a penúltima posição. E o Sport, ainda de ressaca da Copa do Brasil, é o 14º colocado.
* A noite era de protestos no Mineirão. Tanto que boa parte ficou de fora do estádio enquanto apenas 6.569 torcedores acompanharam a ótima – e surpreendente – virada do Atlético Mineiro sobre o Coritiba, por 3 a 2. Em 20 minutos, Keirrison e César Prates, contra, já deixavam o Coxa em grande vantagem. Mas Petkovic tratou de reanimar o Galo. Não só deu o passe para o primeiro como sofreu o pênalti cobrado por ele mesmo. Eduardo, na segunda etapa, virou. Houve tempo ainda para Rubens Cardoso e Marlos serem expulsos. O Coritiba de Dorival Júnior é inconstante demais, embora possua bons jogadores no elenco. Mas ainda é o décimo colocado, com 17 pontos. Já o Galo sobrevive, com 15.
* Dois gols irregulares marcaram o jogo equilibrado entre Náutico e Internacional, nos Aflitos (15.431 pagantes). Não houve pênalti no lance que Radamés converteu com êxito – o sétimo contra o Colorado no campeonato. E, a quatro minutos do fim, Nilmar estava impedido quando empatou. Melhor para o Internacional, que arrancou empate em Recife, algo sempre muito difícil. E o Náutico tropeçou dentro de casa, tão incomum quanto. E o sexto jogo invicto do Inter – três vitórias e três empates. A tendência é crescer ainda mais, até porque ótimos reforços não param de chegar. Quanto ao Náutico, tenho minhas duvidas. Não consegue me convencer uma diretoria que muda de treinador de mês em mês. Sem justificativa, por sinal.
Colaborou Victor Canedo