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Altos & Baixos

Sáb, 20/09/08
por Lédio Carmona |

De fato, este é o mais empolgante Brasileirão de pontos corridos. A disputa para entrar na Libertadores está magnífica. Já o campeonato na parte de baixo da tabela é emocionante. Na primeira parte da 26ª rodada, em apenas três partidas, foram marcados 13 gols. Média de 4,3 gols por jogo. Um sábado de alívio e lamentações para diversas torcidas. Vamos aos jogos:

Não é por mero acaso que o Goiás tem a melhor campanha do segundo turno. Sob comando de Hélio dos Anjos, o time encaixou. Defende com firmeza, é criativo e marcador no meio, e rápido e objetivo demais no contra-ataques, com a ajuda do ótimo Vitor e do veloz Julio Cesar pelos lados do campo. Marcio Fernandes, técnico do Santos, sabia disso tudo. Deve ter passado todos os segredos para os jogadores. Mas não adiantou absolutamante nada. O começo do Goiás, no Serra Dourada, foi avassalador. Em apenas 13 minutos, já vencia por 3 a 0. Com 1 minuto, Paulo Baier, de cabeça, fez 1 a 0. Aos 3min, Anderson Gomes, livre após lançamento de Vítor, fez 2 a 0. E, aos 13 min, Julio Cesar foi derrubado na área: Iarley, de pênalti: 3 a 0. Teria sido mais no primeiro tempo, se o Goiás não parasse e não ficasse com certa soberba. Sorte do Santos. No segundo tempo, novo golpe de misericórdia. Quando o Santos tentava se impor em campo, Rafael Marques fez 4 a 0, logo aos 8 min. Pará ainda encontrou um gol de honra para o alvinegro praiano, aos 29min. Mas aí, não tinha mais jeito. O massacre estava consumado. O Peixe continua com chances de escapar e creio que, se souber a administrar a derrota, pode seguir de cabeça em pé. E o Goiás, diabólico e muito bem treinado, já faz justos planos no caminho do G4. É difícil? É. Mas do jeito que os goianos têm jogado, nada é impossível.

De 26 rodadas, o Fluminense esteve 21 delas na zona da degola. Para uma equipe que sonhava com a Libertadores, a realidade é outra, e mais uma derrota no campeonato, a 13ª, desta vez foi de virada para o Coritiba por 3 a 2, no Maracanã, para 11.512 pagantes. Para ilustrar esse desespero, no segundo gol do Tricolor, marcado por Washington, aos 45 minutos do primeiro tempo, o atacante saiu correndo para pegar a bola que estava nas redes, enquanto a equipe vencia por 2 a 1. A situação ainda poderá piorar, basta Ipatinga e Portuguesa vencerem os jogos. Com isso, a equipe de Cuca poderá terminar o Brasileiro na última colocação. Já o Coritiba não queria nem saber da má fase do Fluminense. Aos 9 minutos, Carlinhos Paraíba abriu o placar. Washington empatou e virou ainda no primeiro tempo. Já na segunda etapa, Keirrison foi destaque, marcou dois e virou o placar para o Coxa. Pela terceira vez que visitou o Rio, a equipe de Dorival Júnior conseguiu a segunda vitória - a outra foi contra o Vasco, em São Januário – e agora está a dois pontos do G4, na 8ª posição.

Sem crise no Galo. Mesmo com a renúncia de Ziza Valadares no cargo da presidência do clube, na quinta-feira, o Atlético Mineiro saiu com a vitória de virada diante do Náutico por 2 a 1, no Mineirão. O Timbu começou surpreendente, Ruy abriu o placar após falha do goleiro Edson. Ainda no primeiro tempo, aos 42 minutos, quando a torcida mineira estava desanimada, Renan Oliveira arrancou com velocidade, invadiu a área e tocou na saída do goleiro Eduardo (1×1). A virada saiu aos 21 minutos, Petkovic, que havia entrado em campo há poucos minutos, cobrou falta, e após a bola ter batido no travessão Vinícius usou a cabeça para fazer o segundo. Com esta vitória, e se o Vasco perder, o Galo ficará a 7 pontos da zona do rebaixamento. Para o Jogo Aberto, a equipe de Marcelo Oliveira está livre da degola. Era um jogo de seis pontos e conseguiu. Já o Náutico ainda briga para não cair, está três pontos acima da fronteira dos quatros últimos.

Confira a classificação da Série A

Artilharia: Kleber Pereira (Santos) – 18 gols

Agenda de domingo: 16h - Atlético-PR x Grêmio; Sport x São Paulo; Portuguesa x Botafogo; e Figueirense x Cruzeiro; 18h10 - Internacional x Vitória; Palmeiras x Vasco; e Flamengo x Ipatinga

Sem festas

Qui, 18/09/08
por Lédio Carmona |

Continua trágico o ano do centenário para o Atlético Mineiro. Depois de perder a final do Campeonato Mineiro, de ser eliminado precocemente na Copa do Brasil e na Sul-Americana, além de brigar para não ser rebaixado no Campeonato Brasileiro, surgiu pela manhã desta quinta mais uma surpresa. Ou bomba. Ziza Valadares renunciou à presidência do clube, após receber cartas ameaçadoras de torcedores revoltados com a situação do clube, em um ano que deveria ser marcado só por festividades.

Ziza ficou no mandato um ano e nove meses. Apenas o título mineiro de 2007 no currículo. O vice-presidente, Renato Salgado, assume o cargo e uma missão. A situação no Campeonato Brasileiro não é tão desesperadora - 12º, com 30 pontos -, mas diante de tanta crise, prefiro não sentenciar nada.

Para você, torcedor do Galo ou não, o que deve ser feito para não manchar ainda mais a imagem de um clube tão tradicional, e agora centenário?

Reta final de luxo

Sáb, 13/09/08
por Lédio Carmona |

Sábado decisivo e movimentado pelo Campeonato Brasileiro. Teve queda de invencibilidade em casa, fuga da zona do rebaixamento e até um novo lanterna. Bom para o espectador, cada vez mais empolgado com o equilíbrio do Brasileirão. Excelente para Cruzeiro, Palmeiras, Botafogo, Flamengo e São Paulo. Ruim para Portuguesa, Fluminense, Santos e Náutico… Fato é que as últimas 13 rodadas reservam uma saudável e exagerada emoção. Vamos às partidas:

* Dos últimos 15 pontos disputados, o Grêmio fez cinco. Enquanto até a partida deste sábado, o Goiás era o vice-líder do segundo turno, com 10 pontos. Números, senão suficientes, ao menos ilustrativos para acreditar que a queda do último invicto em casa do Brasileirão não tardaria a vir. Hoje, pela primeira vez no campeonato, os gremistas saíram tristes do Olímpico. Para ser mais exato, 36.493 torcedores. A distância, que poderia ser de oito, é de seis. E ao término da 25ª rodada pode cair para três. Em meio a tantos números, alguns motivos podem explicar a surpreendente - para alguns - vitória do Goiás.

Victor falhou no gol olímpico de Paulo Baier - invariavelmente um goleiro não comete erro nessas ocasiões. E se estivesse na mesma fase de algumas semanas, quando foi o melhor jogador do primeiro turno, defenderia o chute do bom lateral Vítor - lance normal, por sinal. Confesso que o gol de Léo, aos 30 do primeiro tempo, fez parecer que seria mais uma noite idêntica no Olímpico. Mas a equipe de Celso Roth encontra problemas para criar e concluir. O treinador, inclusive, pode promover a estréia de Richard Morales logo. E a zaga, até pouco tempo intransponível, sofreu seis gols nas últimas cinco partidas - a média ainda é muito boa, diga-se, mas insuficiente para manter a boa seqüência do Tricolor. O Goiás segue sua rotina de recuperação no segundo turno. E ainda enfrenta Palmeiras, Cruzeiro, Botafogo, Flamengo e São Paulo.

* 14 rodadas. Ou mais de dois meses. Tempo suficiente para creditarem o Ipatinga ao rebaixamento. Mas o Tigre mostrou estar vivo ao vencer o rival Atlético Mineiro, por 3 a 2, no Ipatingão. Ferreira abriu o placar para o time da casa, ainda na primeira etapa. Os instantes movimentados ficaram por conta dos 23 minutos iniciais do segundo tempo. Gols de Luciano Mandi e Adeílson para o Ipatinga; Renan Oliveira e Leandro Almeida para o Galo, já apreensivo com a aproximação da zona da rabeira. E que por pouco não empatou - graças às boas defesas do goleiro Fernando. Embora valha a pena ressaltar que é pouco para um clube centenário e de tanta tradição.

* Geninho não podia estrear de forma melhor. Na briga direto para escapar do descenso, o Atlético Paranaense derrotou a Portuguesa, por 2 a 0, na Arena da Baixada (15.638 pagantes). Gols só no segundo tempo. Júlio César e Antônio Carlos, ambos em cruzamentos de Netinho, marcaram para o Furacão. Galatto e Sérgio pouco trabalharam. E só. Enquanto um respira - o rubro-negro torce por uma derrota do Náutico para continuar fora da zona -, o outro agoniza. A vitória do Ipatinga colocou a lanterna na mão da Lusa, que não vence desde a 19ª rodada (2 a 1 sobre o Cruzeiro), e soma apenas um ponto no segundo turno. Preocupante para Estevam Soares.

Colaborou Victor Canedo

A volta anunciada

Qua, 03/09/08
por Lédio Carmona |

O Flamengo demorou para se mexer. Liderava até a 15ª rodada. Uma semana depois se despedia do G4. Mas as contratações ensaiariam uma melhora - inclusive já notória dentro das quatro linhas. Dependendo do resultado de sábado entre Coritiba e Botafogo, no Couto Pereira, os rubro-negros podem sair do G4. Mais precisamente: o Flamengo só fica onde está se houver empate entre Coxa e alvinegros ou vitória por diferença de um gol dos paranaenses. Mas está evidente que o clube saiu da inércia.

Apesar da forte concorrência, Caio Júnior tem material para levar o Flamengo pela terceira vez consecutiva à principal competição sul-americana. Enquanto isso, Galo e Santos respiram o ar da Série A. Já São Paulo e Vitória parecem animados em disputar a Copa do Brasil de 2009… Vamos aos jogos desta quarta-feira:

* Mais parecia uma maratona tamanha foi a entrega física dos atletas no Orlando Scarpelli (15.372 pagantes), premiado com o melhor jogo da noite. Renovado, o Flamengo jogou muito bem na primeira etapa. Envolvente e com belos toques, o gol rubro-negro viria em questão de tempo. Exatos 18 minutos, quando Marcelinho Paraíba cruzou na medida para Ronaldo Angelim. Aos 40, foi a vez do próprio Marcelinho marcar o segundo, após passe de Íbson - o melhor em campo, sobretudo pelo trabalho na parte defensiva. Léo Moura, outro destaque, passou muito perto de ser comparado a Pelé, quando quase marcou do meio de campo.

PC Gusmão então lançou Tadeu. Seja pela presença do atacante ou não, funcionou. Pressão ensaiada, executada durante poucos minutos, mas nada além do gol de Rafael Coelho, aos 5 minutos do segundo tempo. Aos 36, Léo Moura ampliou em boa jogada de Marcelinho e Vandinho. Houve tempo ainda para Tadeu diminuir: 3 a 2. Três gols que colocam o rubro-negro ao lado de Grêmio e Palmeiras - ambos ainda jogam na rodada - como melhor ataque da competição, com 40. E, claro, de volta ao G4, pelo menos até a noite de sábado. O que a janela não faz… Seis jogos de invencibilidade. E outra decisão pela frente: São Paulo, domingo, no Morumbi. Na “zona da marola”, com 28 pontos, o Figueira ocupa o 13º lugar. Mas joga um futebol preocupante especialmente para sua torcida.

* Por alguns momentos tive pena da bola no Mineirão. Criatividade certamente não era uma palavra bem vinda para Atlético Mineiro e São Paulo. O Galo, por jogar em casa, até que tomou a atitude desde o início. Pena que, para os 6.393 pagantes-guerreiros, sobre vontade e falte qualidade. À espera de um bote, o Tricolor Paulista estava acuado até demais. Mas encontrou o gol relativamente cedo, com Borges - ou seria de Marcos, contra? Não há como negar que Marques e Petkovic devam ser considerados peças fundamentais quando os reservas são Lenílson e Jael. André Dias até que tentou ajudar, mas o inexperiente árbitro Nielson Nogueira Dias não viu dois pênaltis cometidos pelo zagueiro. Como ambos os times são chegados em um empate, o destino acabou selado aos 35 da segunda etapa, quando Márcio Araújo empatou - ou seria de Rodrigo, contra? Placar mais justo só o 0 a 0.

O São Paulo precisa recolocar os eixos no lugar. Disputar a Copa do Brasil em 2009, após cinco anos seguidos de Libertadores, é tudo o que o torcedor são-paulino e Muricy Ramalho não querem. Para isso, mais um jogo-chave, diante do Flamengo, no Morumbi. Algo que o Atlético Mineiro não deve ter no restante do Campeonato. Apesar da recente crise, os comandados de Marcelo Oliveira ainda estão numa situação confortável quanto ao rebaixamento.

* O Santos marcou 28 vezes no Campeonato Brasileiro. O que há de relevante nisso? Kleber Pereira pode explicar. Com mais dois marcados nesta quarta sobre o Vitória (2×0), na Vila Belmiro (10.061 pagantes), o artilheiro do Brasil alcançou os 17 no campeonato (aproximadamente 61% de toda a equipe). Sorte e competência de Márcio Fernandes, provisoriamente livre da zona de rebaixamento, em 15º, com 26 pontos. Mesmo que retorne sábado à noite, ao menos o alvinegro praiano dá sinais de melhora. Mas a noite de quarta-feira também teve outros destaques. Positivos, como Rodrigo Souto - essencial desde que voltou - e Douglas, e negativos, como toda a equipe baiana. O Vitória não apresenta um futebol semelhante ao que o credenciou como grata surpresa há algum tempo. Hoje a realidade é diferente. Um time baseado no sobrecarregado Marquinhos, que já não rende como antes - até por estar negociado -, e sem peças de reposição. Vale ressaltar que uma classificação à Sul Americana ainda é um ótimo negócio para os comandados de Vagner Mancini.  E bem próximo de ser realizado.

* Quinta vitória seguida no Serra Dourada. Quarto revés consecutivo no campeonato. Os números mostram a absurda diferença atual entre Goiás e Atlético Paranaense. O resultado desta quarta-feira não podia ser diferente: 4 a 0 para os donos da casa, com grande destaque para os laterais Vítor e Thiago Feltri. O primeiro novamente deixou sua marca, enquanto o ex-Galo participou dos outros três restantes (Romerito, Iarley e Anderson Gomes). No grupo dos, digamos, sem ambição, a equipe de Hélio dos Anjos é a mais equilibrada. Não à toa tem tudo para terminar a rodada na 9ª colocação. Para quem há pouco era apontado como favorito ao descenso, até que o alviverde faz uma digníssima recuperação.

Exatamente o oposto da equipe de Mário Sérgio. Se na quinta rodada do turno o Furacão era o quinto colocado, hoje amarga a 17ª posição, podendo ainda despencar para a vice-lanterna na noite sábado. Triste, porém previsível, visto que os esforços para tornar o clube bem estruturado são desproporcionais em relação à montagem de um elenco competitivo.

A síndrome do centenário

Qui, 28/08/08
por Lédio Carmona |

Após a goleada sofrida para o Botafogo, a frase dita pelo treinador Marcelo Oliveira preocupa: “Colocamos em campo o melhor time possível.” A derrota que, poderia ter sido ainda maior - não fosse Gil & Cia -, expõe a deficiência técnica do time, em decorrência de uma má política de contratações adotada. Entretanto, a sexta goleada sofrida no ano deve servir como um alerta para o futuro.

O Galo se despediu da Sul-Americana e liquidou a última chance do ano de conquistar o tão desejado título no ano em que comemora seu centenário. Mas, será que Petkovic (35), César Prates (33) e Marques (35) não lembram algo ao torcedor atleticano? Apostar em jogadores veteranos - como no ano do rebaixamento atleticano, em 2005 - consiste em dar apenas respostas à torcida. Por simplesmente serem badalados, glorificam os cartolas que os apontam como a  solução. Mas, evidentemente, não são.  O dinheiro investido nesses atletas poderia ter sido utilizado para qualificar melhor o elenco, de forma mais coesa e equilibrada. Nada disso. O Atlético Mineiro desceu e subiu no campo. Mas, certamente não aprendeu a lição.

E, como em grandes clubes é sempre da mesma forma, a crise, assim como as limitações, se escancaram após uma goleada. As conseqüências ganham proporções ainda mais amplificadas se a derrota ocorrer em casa, diante os olhos do seu torcedor. A rotina? Completa: Invasão de treino, críticas a Ziza Valadares, gritos de “olé” e por aí vai. Mas, se o torcedor do alvinegro espera que o futuro lhe reserve algo melhor, o caminho não é por aí.

Na 11ª colocação da tabela do Brasileirão, com 28 pontos - seis acima da zona do rebaixamento -, é bom abrir o olho e espantar de vez o assombroso fantasma que insiste em flertar com o Galo. Que a fita se rebobine. E, que o Atlético Mineiro volte a ter times como os de 71 e 82, e faça a festa da sua apaixonada torcida.

* Com ajuda do nosso blogueiro Helio Arcanjo, observamos a fragilidade da defesa alvinegra. As redes atleticanas já foram balançadas 70 vezes na atual temporada (média 1,5 por jogo).

* Para piorar, o volante Renan anunciou sua saída. Vai jogar no Celta de Vigo, da 2ª divisão espanhola.

Colaborou Pedro Bevilaqua

Concerto alvinegro

Qui, 28/08/08
por Lédio Carmona |

27lf1.jpg* O Botafogo, de Ney Franco, continua encantado. No Mineirão (5.081 pagantes), o time surrou o Atlético Mineiro por 5 a 2 e avançou na Copa Sul - Americana. Na próxima fase enfrentará um time colombiano. Que será de Cali: América ou Deportivo. No jogo de ida, deu América, por 2 a 0. Mas, evidentemente, os alvinegros são melhores e têm tudo para ir longe.

* Em campo, o Botafogo jogou como se fosse dono da casa. O inexperiente time do Atlético não conseguiu equilibrar o jogo. E tome golaço. Os dois primeiros de Lúcio Flávio e o terceiro, de Jorge Henrique, foram belíssimos. Carlos Alberto fez de cabeça. Gil ainda chutou pênalti nas nuvens, enquanto Leandro Almeida, contra, completou a quina. Lenílson, duas vezes, descontou. E Ney Franco segue sereníssimo e superando a imagem forte de Cuca: 14 jogos, 10 vitórias, 3 empates e 1 derrota. Incontestável! Como a classificação de ontem. Pobre Galo. Merecia algo melhor em seu centenário.

27cap.jpg* No Morumbi (3.352 pagantes) - público, digamos, condizente com a partida -, a garotada de Muricy Ramalho jogou melhor do que os marmanjos de Mario Sergio no primeiro tempo. Mas faltou um centroavante para decidir os bons lançamentos feitos por Sergio Motta e a correria da meninada. No segundo tempo, o Atlético Paranaense cresceu, equilibrou a marcação, encurtou os espaços e não deu mais liberdade para os donos da casa. E quase ganhou a partida, fraquíssima, nos contra-ataques. Não conseguiu. E tudo acabou no 0 a 0, como na Arena da Baixada.

Decisão nos pênaltis e, nela, a maturidade do Atlético funcionou. Só Allan Bahia acertou o travessão, enquanto Juninho e Oscar desperdiçaram as suas. O Furacão avança - enfrentará Chivas, do México, ou Aragua, da Venezuela - e ainda tenta salvar a temporada medíocre. Mas nem todo adversário da Sul-Americana usará um Time C para enfrentá-lo. Ou seja, a vida do pálido Atlético Paranaense-2008 tende a se complicar.

* E, na Bombonera, pela Recopa Sul-Americana, Boca Juniors 2 x 2 Arsenal, com Riquelme em campo, quatro dias após decidir a medalha de ouro, em Pequim. Palacio e Riquelme, aos 48, marcaram - o artilheiro Palermo sofreu recentemente uma ruptura de ligamentos no joelho e foi saudado por jogadores e torcida na comemoração. Boca campeão. Sem alguma novidade. E agora recordista de taças internacionais ao lado do Milan, com 18 - 6 Libertadores, 3 mundiais, 4 recopas, 1 Supercopa, 1 Copa Master e 1 Copa Ouro. Esse Boca Juniors parece não ter limites.

Domingo verde

Dom, 24/08/08
por Lédio Carmona |

Semana desconfortável para o Grêmio. Para o Cruzeiro, aterrorizante. Longe dos seus domínios, ambos foram derrotados e só viram a concorrência encostar. Bom para o Campeonato Brasileiro, que já tem emoção suficiente reservada para as 16 rodadas restantes. Seja no céu ou no inferno. Excelente para o Palmeiras, único vencedor do pelotão da frente, e agora segundo colocado. Pela 22ª vez, bons públicos e uma média de gols razoável: 2,8 - até pelas quatro partidas terminadas em 1 a 1. Vamos aos jogos deste domingo:

* A partida não era no Palestra Itália, mas o mando de campo era do Palmeiras - talvez possa explicar tamanha facilidade alviverde. No Pacaembu (8.180 pagantes), o time de Vanderlei Luxemburgo não tomou reconhecimento da Portuguesa. Marcou quatro gols na primeira etapa, e apenas administrou os gols sofridos por Jonas para conquistar mais uma vitória como mandante. - a décima em onze jogos. Alex Mineiro, duas vezes, Gustavo e Kleber anotaram os gols que colocaram o Palmeiras na terceira colocação - com a ajuda do goleiro André Luís. Destaque também para Leandro, autor de duas assistências. Os resultados dentro de casa são um alento. Mas o título, que fique claro, só virá se o aproveitamento longe de São Paulo melhorar, e muito. Enquanto isso, a Lusa agoniza. E vê no retrovisor Santos, Náutico e Ipatinga muito próximos. Preocupante.

* Após a derrota, em nota oficial, a diretoria da Lusa anunciou a saída de Valdir Espinosa. Segundo o comunicado, houve um consenso entre membros da diretoria e o treinador. Para o seu lugar, eis o substituto: O ex palmeirense Estevam Soares.

* Na “Batalha dos Aflitos - Volume II”, Grêmio e Náutico mais uma vez testaram os corações de seus torcedores. Na primeira metade, o Gre-Nau teve dois momentos distintos. Até os 26 minutos, só dava Grêmio. Daí em diante, o Timbu passou a controlar as ações. E só não marcou porque Felipe e Kuki, assim como o time, vivem fase terrível - ataque é o pior do campeonato, com 22 gols marcados. No intervalo, o goleiro André sentiu dores e cedeu lugar a David, recém promovido ao elenco profissional. A partir daí, fortes emoções. Mostrando-se mais objetivo e incisivo, o time pernambucano furou a zaga gremista com Paulo Santos. David, então, entrava em cena. Repertório completo: De furadas a bolas mal rebatidas. Já aos 49, quando se concretizava a segunda derrota consecutiva do Tricolor Gaúcho, veio o empate salvador. Bate-e-rebate para a bomba de Rever. Empate com sabor de vitória. Um ponto precioso para o líder Grêmio, que agora ainda lidera com cinco pontos de vantagem.

* Domingo de sorte para o Vasco no clássico carioca. O empate de 1 a 1 com o Botafogo - com 35.619 pagantes no Maracanã, melhor público da rodada - foi um presente para um time totalmente dominado no segundo, após uma primeira etapa sonolenta. Gols só na segunda. Wellington Paulista, aos 8 min - após sete jogos de jejum -, e Rodrigo Antônio, aos 44. Aliás, gol que brecou a incrível seqüência da equipe de Ney Franco - iria para sete vitórias consecutivas -, e derrubou o Botafogo para a quarta colocação, com 38, apenas um acima do perigoso São Paulo. Jorge Henrique faz mesmo falta. Até para dar opções ao individualista Carlos Alberto. Poucos destaques na equipe de Tita. Chamado de burro após o gol alvinegro, pôs o barrado Mádson em campo. Ironia do destino ou não, foi do baixinho o cruzamento para o empate. O suficiente para ainda manter o Vasco longe da zona de rebaixamento - 14º, com 26 pontos.

* Buscando recuperação na tabela, Internacional e Flamengo, candidatos ao G4, travaram duelo movimentado no Beira Rio (29.329 pagantes). O Colorado foi soberano durante toda a primeira etapa, controlando o jogo diante de um Flamengo apático. Logo aos 8, pênalti de Bruno sobre Nilmar não marcado. Aos 14, Nilmar - melhor em campo - foi esperto e soube aproveitar falha clamorosa de Bruno. E para não terminar os primeiros 45 minutos ainda pior, Caio Júnior se viu obrigado a sacar o faltoso Jaílton - que deu lugar a Toró. Aos 44, Nilmar, após ótimo lançamento de Alex, driblou Bruno e tocou para o gol, mas Fábio Luciano salvou em cima da linha. Domínio amplo da equipe de Tite.

O oposto do ocorrido na segunda etapa. O rubro-negro inverteu os papéis e controlou as principais ações. Mas faltava a falha de Clemer. Obina, também aos 14, empatou após saída errada do goleiro Colorado. E o Flamengo só não virou a partida porque Erick Flores e Obina não tiveram tranqüilidade para marcar, aos 45 e 47, respectivamente. Resultado justo perante o esforço dos dois times. O Inter mantém-se em 9º, com 30 pontos. O Flamengo desce um degrau, ocupando a 7ª colocação, com 36 pontos. Ambos ainda sonham. Muito embora a equipe de Caio Júnior esteja mais próxima da realidade.

* No provável melhor jogo da rodada, Coritiba e São Paulo empataram em 2 a 2 no abarrotadinho Couto Pereira (32.096 pagantes). O Coxa esteve na frente durante duas oportunidades, mas o já conhecido ataque aéreo são-paulino conquistou importantíssimo ponto. Não só por diminuir a vantagem para o G4 - o Botafogo possuí 38 pontos, diante dos 37 do São Paulo -, mas também para impedir o avanço do perigoso Coritiba. Ricardinho e Keirrison anotaram para o time de Dorival Júnior. Rodrigo e Hugo para o Tricolor Paulista. Dagoberto, conhecido da torcida coxa-branca, ainda teve duas chances. Sem muito trabalho para Vanderlei. A impressão que passa é de que na hora em que precisar o São Paulo estará figurando no G4. Também não me restam dúvidas de que o Coritiba estará lutando até o fim do melhor campeonato brasileiro dos últimos anos.

* O Santos tinha o maior período de seca - não vencia desde a 16ª rodada. Mas tem a vantagem de contar no elenco jogadores que possam decidir. Ou melhor, jogador. Kleber Pereira é o único deles. Não à toa marcou os dois na vitória sobre o Cruzeiro, por 2 a 0, na Vila Belmiro, e se igualou na artilharia ao lado de Alex Mineiro, com 15 gols. A Raposa, sem a espinha dorsal - Wagner, Charles e Ramires -, pouco fez. Adílson Baptista ainda apostou em Carlinhos e Bruno na segunda etapa. Sem sucesso. O Cruzeiro não marcou um gol sequer na última semana, e viu a vice-liderança ser roubada pelo Palmeiras.

* Redenção mineira no confronto dos atléticos. O Galo sobrou em campo e não teve dificuldades para fazer 4 a 0, no Mineirão. Serginho, Lenílson, Marques e o jovem Luís Gustavo marcaram. A equipe do técnico Marcelo Oliveira voltou a subir: 11º, com 28 pontos - inclusive já na zona da Sul Americana. O Furacão não ocupa a zona de rebaixamento por detalhes - caso do gol do Grêmio no último minuto nos Aflitos. Acredito ser questão de tempo para a equipe de segundo pior ataque, com 23 gols marcados. Mário Sérgio terá trabalho. E a solução não será colocar volantes.

* O novo treinador do Ipatinga, Márcio Bittencourt, estreou com o pé direito no comando do time. No Ipatingão, vitória pelo placar mínimo do Tigre sobre o Goiás. Ferreira anotou o único gol da partida. Gol que mantém o time do Vale do Aço esperançoso numa fuga do descenso - ainda ocupa a lanterna, com 20 pontos. Já o time de Hélio dos Anjos desperdiçou nova chance por incompetência do ataque - assim como no empate diante do Atlético Mineiro. Assim como Grêmio e Cruzeiro, a semana longe de casa não lhe fez bem, e o alviverde goiano caiu para a 13ª colocação, com 27 pontos.

Colaborou Victor Canedo

Jogo de luxo

Qui, 21/08/08
por Lédio Carmona |

Belíssima partida no Maracanã. Muita boa, mesmo. Flamengo e Grêmio, com mais de 31 mil pagantes (esperava mais gente), foi um confronto de alto nível porque eram dois bons times em ação. Dispostos a jogar, a brigar pela vitória, ambos com sonhos de título. E os rubro-negros levaram a melhor, num final eletrizante: 2 a 1, gols de Maxi, no primeiro tempo, Souza, de falta, e Toró, a cinco minutos do fim. Bom resultado para a turma do arco-íris, pois o Grêmio ficou com 44 pontos, a cinco do Cruzeiro, sete de Botafogo e Palmeiras, oito do São Paulo e nove de Flamengo (agora em 6º, a dois do G4) e Coritiba. O Brasileirão segue espetacular e totalmente aberto.

Graças a um estado chamado Rio de Janeiro. As três derrotas do Tricolor Gaúcho no Campeonato Brasileiro foram para os cariocas. A última, por sinal, quebrou o longo jejum da equipe de Celso Roth: cinco vitórias seguidas sem sofrer um gol sequer. Nada que abale a ainda excelente campanha.

Foi o melhor jogo do Flamengo nos últimos 30 dias. Airton e Kleberson entraram bem no time. Marcelo Paraíba se movimentou muito e participou bastante do jogo. E os laterais, como sempre, funcionaram bem, principalmente Juan. Assim, o Flamengo saiu com tudo, apertou o Grêmio, que tentava cozinhar a partida. Até conseguia, mas, aos 26 min, Juan arriscou de fora da área, Victor deu rebote e Maxi fez 1 a 0. A partir dos 30 min, o Grêmio entrou de vez na partida, equilibrou as ações e também passou a pressionar.

No segundo tempo, o Grêmio melhorou ainda mais. Souza virou meio de campo e jogou muito. Makelele entrou bem na vaga de Perea, que não jogava nada. O Flamengo sentia o jogo, mas tinha a raça que compensava. O jogo ficou bom demais. Apenas um problemas: os dois chutavam pouco. O Flamengo continua sem centroavante. Quem sabe Josiel não será a solução? O Grêmio careceu do meu drama. Mas tinha Souza, que acertou linda cobrança de falta, aos 37 min. Golaço. Na garra, o Flamengo não desistiu e, após chute espirrado de Marcelinho Paraíba, a bola sobrou para Toró: 2 a 1.

Vitória rubro-negra. Bela vitória, num belo jogo, contra um belo adversário. Um duelo que explica bem porque o futebol é tão bom e lúdico. Jogaço!

* César Cielo deu o pontapé inicial que o Vasco precisava em Santa Bárbara D’Oeste. No dia em que completara 110 anos, o time de Tita conquistou a primeira vitória fora de casa. O magro 1 a 0 sobre a Portuguesa - belo gol de Alex Teixeira - foi suficiente não só para afastar as preocupações recentes de rebaixamento, como para empurrar o rival para a zona de rebaixamento. Segunda vitória seguida sem levar um gol sequer. Embora o Vasco tenha jogado mal - assim como a Lusa, no péssimo gramado do Estádio Antonio Guimarães -, o começo de Tita é dos melhores. Já a equipe de Valdir Espinosa voltou à zona de rebaixamento após longo período afastado. Apesar das duas bolas na trave de Roberto na primeira etapa, o futuro é perigoso. Falta criatividade. Falta um Diogo, que não volta mais.

* No sobe-e-desce do Campeonato Brasileiro, Atlético Mineiro e Goiás provaram o veneno do empate no Mineirão. O Galo, que há uma semana sequer pensava em rebaixamento, vê a volta de um perigoso fantasma - 14º, a dois pontos da Portuguesa. Poderia ainda ter sido pior se Édson não defendesse pênalti cobrado por Iarley, quando o placar já marcava 1 a 1 - Petkovic e Paulo Baier. O alviverde ainda pressionou - foi superior em boa parte do jogo -, mas o gol da vitória não veio. Por isso caiu uma posição (12º, com 26 pontos). E a tabela segue equilibradíssima, seja no topo ou na rabeira.

Colaborou Victor Canedo

Copa Sono-Americana

Qui, 14/08/08
por Lédio Carmona |

Placar animador; Jogo sonolento. Sem a menor vontade, o misto frio do Botafogo derrotou os titulares do Atlético Mineiro, por 3 a 1, de virada, no Engenhão (10.181 pagantes). Carlos Alberto, em dois belos gols, e o jovem Eduardo - após bom passe de Lucas Silva - marcaram para o alvinegro carioca. Marques abriu o placar do jogo, mas o Galo ainda sofre. E virou mesmo freguês do Botafogo: não vence há 12 jogos.

Após mais um jogo desinteressante - refletido na atitude de alguns times -, cabem as perguntas: os clubes brasileiros querem mesmo vencer a Copa Sul Americana? Ou estão nadando no dinheiro para dispensá-la?

Colaborou Victor Canedo

Eles não aprendem

Ter, 12/08/08
por Lédio Carmona |

Confesso que não consigo entender. A Copa Sul-Americana oferece 75 mil dólares por jogo aos seus participantes. O campeão, além das cotas, ganha mais 1 milhão de dólares. E o que faz a maioria dos nossos clubes, amparada por seus iluminados cartolas? Desdenha do evento e enche de reservas suas equipes.Começa hoje para os brasileiros. Na Arena da Baixada, titulares do Atlético Paranaense contra um misto do São Paulo.

Amanhã, em Porto Alegre, reservas do Grêmio contra o principal do Internacional.

Botafogo e Atlético Mineiro devem usar o que têm de melhor, descontados os desfalques, amanhã, no Engenhão.

E o Vasco, o Super-Vasco, aquela máquina cheia de craques, vai com reservas (!?!?!?) contra o Palmeiras, em São Januário.

Se o time principal já é ruim, imagine o que será reserva!

Se o Vasco tem uma fagulha de chance de ganhar algo em 2008 seria a Sul-Americana. Pelo jeito, dirigentes e comissão técnica não entenderam isso.

Confesso que não entendo a lógica desse pessoal.

Aí, quando chegarmos em dezembro, e com cara triste observamos festa de argentinos ou mexicanos, todos com os bolsos cheios, faremos cara de arrependimento.

Não tem jeito. Todo ano é a mesma ladainha.


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