Boca, sempre Boca
Valeu muito a pena. Mesmo com o calor de matar, na cabine-solitária do El Cilindro. Um belo jogo. Que merecia muito mais do que os 27 mil pagantes, máximo aceito pela AFA com medo de novas badernas na reta final do Apertura-2008. As duas torcidas deram um show. Cânticos irreverentes, históricos, vulgares… Tinha de tudo. Havia história. Emoção. Paixão. O argentino ama o futebol com toda as suas forças e devoção latina.
Uma bandeira gigantesca do Boca, toda amarela, chamou a atenção. Os cuervos do San Lorenzo achavam que seria possível jogar, vencer e terminar o ano do centenário com um título. Não deu. De novo, o Boca foi certeiro, frio, calculista e brilhante num jogo decisivo. E, com atuação mais cerebral do que plástica, venceu o clássico por 3 a 1, eliminou o Ciclón e ficou a um empate (terça, no mesmo local, contra o Tigre), do título.
Agora, o Boca pode até perder por um gol de diferença para oTigre para conquistar o vigésimo terceiro título argentino da história do clube. Riquelme e Vargas, suspensos, não jogam. Devem entrar Cristian Chavez e Gracián ou Álvaro Gonzalez. O Tigre, por sua vez, terá que vencer o Boca por dois de diferença para erguer a taça pela primeira vez. Vale ressaltar que o surpreendente Tigre bateu o Boca, na Bombonera, ainda na primeira fase (3 a 2).
O jogo foi equilibrado no primeiro tempo. Mas o Boca sempre foi mais frio do que o San Lorenzo. Um adversário ansioso demais e nervoso além da conta (foram 12 cartões amarelos, para os dois times, e duas expulsões (Aguirre e Bergessio, ambos do Ciclón), a cada minuto que passava mais pressionado pela necessidade de vencer para matar o campeonato. Até que veio momento dramático. Forlin e Silvera bateram cabeça. Ambos desmaiaram no gramado. Pensou-se no pior, Houve desespero. A tragédia, graças a Deus, não se consumou, mas deixou o clima em campo ainda mais pesado.
Na tensão, o Boca foi ainda mais frio. E, nos acréscimos do primeiro tempo, Riquelme bateu corner e Viatri, na primeira trave, fez 1 a 0, de cabeça. No segundo, o San Lorenzo foi com tudo, Mas continuou com as pernas pesadas e a cabeça fraca, sem controle psicológico. Mas veio um golpe de sorte, Um chute despretensioso passou debaixo das pernas de Javier Garcia. Frangaço, Como acontecera, no mesmo local, por Migliore, também do Boca, no jogo contra o Fluminense, pela Libertadores.
O San Lorenzo não aproveitou a maré boa. Seguiu repleto de erros. E o Boca não desandou. Seguiu defendendo-se bem e a explorar contra-ataques. Que ficaram ainda mais fortes quando Palácio substituiu Figueroa. Assim, aos 31 min, veio o golpe fatal. Lançamento de Javier Garcia para o ótimo Dattolo. A matada de bola foi impecável, assim como a inversão de bola para Riquelme, do lado direito. O craque só ajeitou, de primeira, para a entrada de Palácio: 2 a 1. O San Lorenzo estava aniquilado. Perdeu Aguirre. Perdeu Bergessio, E levou o terceiro gol, com Cristian Chávez.
Venceu o melhor, o mais seguro, o mais inteiro e o mais bem preparado, dos pés a cabeça. Ganhou, como quase sempre, o Boca.
rss do blog




*O San Lorenzo largou na frente no triangular decisivo do Torneio Apertura-08. O Ciclón venceu o Tigre por 2 a 1, no estádio Jose Amalfitani. Em vinte minutos, o time de Miguel Angel Russo mostrou porque é favorito para conquistar o título. Com amplo domínio sobre o adversário, Barrientos e Bergessio marcaram dois gols. Vale destacar a boa participação de Solari durante a partida. Em seguida, o forte calor castigou o Ciclón. Até por causa da vantagem de dois gols, a equipe permitiu a reação do Tigre. Lazarro descontou para o time de Victoria. E foi só. Até que o goleiro Islas perdeu a cabeça no final da partida, ao acertar Barrientos dentro da área. Um desfalque importante para partida decisiva contra o Boca. Mas…
40 anos de espera que valeram a pena. Temos de novo um triangular decidindo o campeão argentino. Usando o linguajar comum pra campeonatos paulistas, dois grandes e um pequeno vão brigar em igualdade de condições pelo presente de natal mais cobiçado dos últimos anos.
E se elenco for o mais importante nessas horas decisivas, podem entregar o caneco pro San Lorenzo. Indiscutivelmente eles têm o plantel mais completo e qualificado de todo o Apertura. Sem contar que terminaram o torneio com o melhor ataque e a melhor defesa. Só que mesmo com Barrientos, Ledesma, Solari, Bergessio e cia., o Ciclon não foi capaz de manter a vantagem de 5 pontos que teve no meio do campeonato, quando todos os outros achavam que tudo estava perdido. Claro que nos últimos 3 jogos, o time de Miguel Angel Russo apresentou uma constância interessante. Mas por ser um time que goleia o Independiente com a mesma facilidade que empata em casa com o Gimnasia, se torna uma incógnita.
Falando de irregularidade é impossível não lembrarmos do Boca comandado pelo Ischia. Foi o visitante mais indesejado do semestre, mas como mandante deixou a desejar. 3 derrotas em casa, uma delas pro adversário direto Tigre. Por conta disso, o time xeneize não era muito cotado para essa luta por título até o meio do campeonato. Tudo isso mudou depois da vitória no Superclásico. Uma seqüência de vitórias, somada a tropeços dos rivais colocou de volta o Boca Juniors nessa disputa equilibrada. O que credencia o Boca nesse triangular é seu ataque, comandado por Riquelme. Outro que não começou bem o semestre, mas agora desequilibra com a mesma naturalidade de sempre. Mas Roman terá um desafio pela frente: fazer o ataque xeneize compensar os erros da atrapalhada defesa. Isso sem contar dos erros do técnico Ischia, erros esses que precisariam de um blog inteiro pra que eu pudesse citá-los um por um. Mesmo que disfarcem, essa volta olímpica representa sim o próspero ano novo do time de La Bombonera além de aliviar um pouco a cabeça ainda a prêmio do controverso treinador careca.
Quanto ao Tigre esse título está longe de ser uma obrigação. Os torcedores de Victória já têm muito a agradecer ao Cagna por mais essa campanha brilhante, mas não achariam ruim se viesse o título inédito. O artilheiro Morel, autor do gol que levou o Tigre a esse triangular, é a arma definitiva para assustar hinchas de San Lorenzo, Boca Juniors e Estudiantes. Estudiantes? Exatamente, afinal a classificação para a Libertadores do time de Verón depende do fracasso do Tigre. Fracasso esse que fica mais difícil de imaginar quando se lembra que Daniel Islas, melhor arqueiro do campeonato, agarra pelo time de Cagna. Os confrontos diretos também pesam a favor dos “pequenos”. Venceram na Bombonera e no Nuevo Gasômetro, e agora que jogam em campo neutro, teoricamente será ainda mais fácil pra que repitam essa façanha.
No Brasileirão, 8 rodadas atrás, 4 times tinham chance de sair campeões nacionais. De fato o campeonato mais equilibrado e emocionante dos últimos tempos, porém no final ninguém segurou o São Paulo, e na última rodada o título já estava direcionado. Frustração do apaixonado por futebol que esperava mais. Frustração essa que passa longe dos hinchas argentinos.
Golearam ontem o Independiente por 4×1. A destacar não só dessa linda vitória, mas também desse semestre do Ciclón eu exalto a fase maravilhosa do Barrientos, o jogo firme do Ledesma, e a boa volta de Solari ao futebol argentino. Retorno esse que teve direito a gol ontem contra os Rojos. Ótima chance do Russo se vingar do time que o despediu. Enfrentarão o Argentinos em La Paternal.
O 4° candidato encarava essa possibilidade como um sonho por causa da distância de pontos, mas hoje ainda existe a chance do Lanus conseguir o segundo título seguido do Apertura. Jose Sand, artilheiro do campeonato com 15 gols, está lá pra meter medo nos três líderes. E apesar de ter dois pontos a descontar, encara o rival mais fraco. San Martin, em casa.
*Com o pé direito de Maxi Rodríguez, Maradona estreou com vitória no comando da Argentina sobre a Escócia por 1 a 0, em Glasgow. Discreto no banco de reservas, com poucas instruções durante a partida, Diego assistiu uma Argentina que dominou as ações do adversário, mas faltou maior volume de jogo nas jogadas ofensivas, além de ainda ter apresentado erros defensivos. Porém, o mais importante é que a equipe estava com uma cara vencedora. Logo aos oito minutos após o apito inicial saiu o gol de Maxi, após jogada coletiva iniciada pelo jogador, com participação de Tévez e Jonás Gutierrez. A estréia foi boa, mas precisa de tempo para que Maradona molde a equipe do jeito que ele gostaria. Porém, ainda é cedo para saber, se ele terá um futuro promissor no comando desta Seleção - (acredito que não!).
*Os ingleses mais otimistas não esperariam um resultado tão favorável, como foi a vitória por 2 a 1 diante da Alemanha, em pleno Olympiastadion, em Berlim. A partida foi marcada por erros capitais, cometidas pelas duas seleções. Downing cobrou escanteio, o goleiro alemão Adler bobeou e Upson abriu o placar. Erro de um lado, falha do outro. O gol de empate também surgiu de outra lambança. John Terry e Carson disputaram quem iria afastar a bola, e Helmes aproveitou a confusão da zaga para empatar a partida. Apesar das duas bobagens, o jogo também teve certa dose de qualidade. Downing cobrou falta certeira, na direção de John Terry, que só teve o trabalho de recolocar a Inglaterra na frente. Vale lembrar que o English Team não contava com Wayne Rooney, David Beckham, Steven Gerrard, Frank Lampard e Joe Cole. Porém, Fabio Capello apostou em Carrick, Upson e Downing. E o técnico fez a escolha certa, já que os três jogadores foram os destaques da Inglaterra.
*Um jogo com cara de empate! O placar por 1 a 1 entre Grécia e Itália, no Estádio Karaiskakis, em Atenas, foi um bom teste para as duas seleções. O bom futebol só ocorreu no início do 2º tempo, com os gols de Ghekas e Luca Toni. Aliás, a zaga grega não pode deixar o atacante do Bayern de Munique livre para cabecear. Dessa maneira, saiu o gol da Azzurra. Fora os gols, o jogo serviu para fazer alguns exames. O técnico Marcello Lippi realizou nada menos do que seis alterações na equipe. Um verdadeiro teste de laboratório no elenco italiano. Já o técnico Renhhagel preferiu testar o time titular, já que as alterações só ocorreram nos últimos minutos. Com isso, a Itália se prepara para a Copa do Mundo de 2010, e o próximo amistoso será contra a seleção brasileira, no mês de fevereiro.
*Que ano para a Espanha! A atual campeã da Eurocopa, com 28 partidas de invencibilidade, está há mais de dois anos sem perder. E para coroar 2008, a Fúria, com facilidade, venceu o Chile por 3 a 0, no El Madrigal. Villa, de pênalti inexistente, Torres e Cazorla anotaram para os espanhóis. E a “La Roja” segue dando espetáculo para o público. A equipe de Vicente Del Bosque já está preparada para a Copa de 2010, na África do Sul. Fique de olho, pois será difícil segurar esta Seleção!
Saiu a 1ª relação dos convocados do novo treinador argentino, Diego Maradona, para o amistoso contra a Escócia, em Glasgow, no dia 19 de novembro. Confira os nomes: 

