Rodrigo Mattar
O Silverstone, dos testes em fim de semana do GP da Alemanha foi do jeito que Lewis Hamilton queria. Em ascensão depois da vitória irretocável na chuva de Hockenheim onde a McLaren mostrou força, o piloto britânico voltou a não deixar dúvidas de que ele está disposto a apagar da memória os erros que lhe custaram o título do campeonato de 2007. Ao vencer a 10ª etapa do campeonato, Lewis agora é o novo líder isolado do campeonato.
Mas a torcida brasileira teve motivos para sorrir. Afinal, Nelson Ângelo Piquet conseguiu um resultado que até ontem, parecia sonho. Largando em 17º, o filho do tricampeão mundial Nelson Piquet - que há quase 30 anos estreou na Fórmula 1 exatamente na mesma pista de Hockenheim - contou com uma boa dose de sorte, além de grande competência, para alcançar o primeiro pódio dele na categoria máxima. E o melhor resultado da Renault no ano.
Felipe Massa deu o seu melhor e também foi ao pódio, com o terceiro lugar. Dois brasileiros entre os três primeiros era algo que não acontecia havia 17 anos. E por coincidência, havia um sobrenome Piquet no pódio: Nelson, o pai, foi terceiro no GP da Bélgica de 1991, vencido por Ayrton Senna.
A corrida da Alemanha, aliás, cheirava a monotonia nas primeiras voltas, pois Hamilton tirou partido da pole position, abriu e sumiu. Com um carro mais leve, parou duas voltas antes que todo mundo e seguiu tranqüilo na liderança. Até que, perto da metade da corrida, o alemão Timo Glock, da Toyota, “pisou” com o carro na zebra da última curva e a suspensão traseira direita quebrou, ejetando o bólido de encontro ao muro dos boxes. Destroços voaram e o carro atravessou perigosamente a pista - felizmente sem ser colhido por ninguém.
O Safety Car entrou na pista, reajuntou o pelotão e praticamente o pelotão inteiro parou. Exceto o líder Lewis Hamilton, o alemão Nick Heidfeld e, para espanto geral, Nelson Ângelo Piquet. Felipe Massa voltou em quarto e já que a McLaren optara por não levar o britânico para seu segundo pit stop, muitos apostaram em “equívoco de estratégia”.
Só que Hamilton é daqueles pilotos que tem uma grande confiança em si mesmo. E da relargada até a sua segunda parada, que aconteceu na 50ª volta, jamais foi ameaçado. Ocorre que a McLaren e a Ferrari tinham estratégias bem opostas. A escuderia italiana optou por montar pneus macios entre o primeiro e o segundo stint de combustível. Já a McLaren preferiu deixá-los para o trecho final.
Tiro certeiro: Hamilton, com pneus frescos e mais aderentes, partiu pra cima. Passou Kövalainen na ordem do boxe e subiu para terceiro quando Nick Heidfeld fez sua parada - o que ascendeu Nelson Ângelo Piquet a uma incrível liderança da corrida. Por sua vez, o britânico trucidava volta após volta a diferença que o separava de Massa e a ultrapassagem, inevitável, aconteceu no grampo do circuito.
Por alguns momentos, Piquet reviveu a temporada de 2006, quando em vários momentos não só andou na frente como ganhou corridas deixando Hamilton para trás. Só que aqui não é a GP2. Os carros não são iguais, longe disso. A Renault nem de longe chega aos pés da McLaren. E Hamilton, no mesmo ponto, passou o brasileiro, abriu, disparou e venceu.
Mas por mais que a vitória do líder do campeonato tenha sido impressionante, para todos nós o domingo ficará marcado pela alegria e pelo sorriso exultante de Nelson Ângelo Piquet. Afinal de contas, não é fácil sobreviver num meio onde a pressão psicológica dá as cartas. E o brasileiro vai mostrando aos poucos que seu lugar é aqui. Entre os grandes.
As notas do GP da Alemanha:
Hamilton - O britânico esteve imbatível no fim de semana. Com um carro impecável, fez a pole position, liderou grande parte da corrida e, quando todos imaginavam que a estratégia da equipe fora equivocada quando ele não parou durante o período de Safety Car, Lewis mostrou que todos estavam errados. Pneus macios e menos combustível no tanque foram a equação exata para mais uma vitória do novo líder do campeonato - Nota 10
Piquet - Trinta anos depois da estréia do pai, eis que o sobrenome Piquet brilha num solo conhecidíssimo da família. Afinal, o pai venceu o GP da Alemanha três vezes e Nelson Ângelo nasceu… na Alemanha. Coincidências à parte, o brasileiro fez uma prova impecável. Optou por andar com tanque cheio e parar apenas uma vez. A entrada do Safety Car foi decisiva para o sucesso da estratégia. No fim da prova, não teve como segurar Hamilton, mas mostrou consistência e velocidade num carro notadamente mediano. Um desempenho fantástico - Nota 9,5
Massa - Deu o seu máximo no fim de semana. Mas o máximo dele não foi suficiente para superar Hamilton. Desta vez, não foi atrapalhado por decisões erradas da Ferrari. Ele não chegou em segundo porque a Renault optou por uma única parada para Piquet e ainda teve trabalho para ser terceiro colocado, agüentando bem a pressão de Nick Heidfeld nas voltas finais - Nota 8,5
Heidfeld - O experiente alemão caminhava para mais um fim de semana apagado depois de um desempenho abaixo do esperado nos treinos. Mas há que se contar que Hockenheim é um de seus “quintais de casa” e o piloto da BMW também foi um dos beneficiados com a entrada do Safety Car quando do acidente de Timo Glock. Com isso, conseguiu um importante quarto lugar - Nota 8
Kövalainen - Jamais esteve à altura de Lewis Hamilton, mesmo com um carro teoricamente parecido. Foi razoavelmente rápido, mas não conseguiu ir além da quinta posição - Nota 7
Räikkönen - O campeão mundial nunca se deu bem em Hockenheim e este fim de semana não foi exceção. Após um resultado abaixo do esperado nos treinos, foi prejudicado quando perdeu muito tempo nos boxes em sua segunda parada. Teve de pisar fundo para ganhar posições e conseguiu ótimas ultrapassagens sobre Alonso, Vettel e Kubica - Nota 6,5
Kubica - Na terra da BMW, ficou devendo. Classificou-se bem no grid, mas não conseguiu extrair um bom desempenho do carro durante a corrida. Perto do fim, perdeu o sexto lugar para Räikkönen - Nota 5,5
Vettel - Ótima performance do jovem alemão. Ficou entre os 10 da Superpole e foi competitivo o tempo inteiro. Teve uma bela briga com Fernando Alonso e valeu-se de um erro de Jarno Trulli para conquistar o último pontinho da corrida - Nota 7
Trulli - Classificação brilhante no sábado, corrida irregular no domingo. Teve um bom início de corrida com os pneus macios, mas quando montou os compostos “prime”, o rendimento caiu. Não conseguiu segurar-se nos pontos e chegou em nono - Nota 6
Rosberg - Largou no meio do pelotão e fez uma corrida muito agressiva, tentando recuperar posições. O máximo que conseguiu, correndo em casa, foi uma boa manobra de ultrapassagem sobre Fernando Alonso. Depois de um raro erro do espanhol, fechou em décimo - Nota 5,5
Alonso - Tentou dar o máximo com um carro muito inferior à concorrência e travou bons duelos com Trulli, Vettel e Rosberg, incrivelmente perdendo todos. Perto do fim, cometeu um raríssimo erro e não foi além da 11ª posição - muito pouco para um bicampeão mundial - Nota 4,5
Bourdais - Devagar e sempre foi o lema do francês da STR. Largou do meio para trás do pelotão e chegou bem perto de Fernando Alonso. E foi só - Nota 4
Coulthard - Voltou a ter as “panes mentais” que lhe atormentam desde o início do campeonato. Desta vez, a vítima do escocês foi Rubens Barrichello. Bateu com o brasileiro e voltou à pista para ser o 13º - Nota 2
Fisichella - Último no grid, conseguiu o “milagre” de cruzar a linha de chegada na frente de uma Honda e de uma Williams. Com o carro que tem, é um feito - Nota 4,5
Nakajima - Apagado. Errou duas vezes durante a corrida e limitou-se a levar o carro ao final - Nota 3
Sutil - Lento o tempo todo, também não fez muita coisa. Acabou em penúltimo entre os que receberam a quadriculada - Nota 3
Button - O britânico fez uma corrida bem razoável no início, mas foi prejudicado por uma parada extra, que o jogou para os últimos lugares. Acabou em 17º - Nota 4,5
Barrichello - Vinha numa corrida honesta, dentro das suas possibilidades, quando ousou crescer nos espelhos retrovisores de David Coulthard e foi fechado inadvertidamente pelo escocês. Resolveu abandonar a corrida - Nota 5
Webber - Não teve um fim de semana brilhante nem nos treinos, nem na corrida. Abandonou por quebra - Nota 4,5
Glock - Vinha bem até ser surpreendido por um incidente desagradável: a quebra da suspensão traseira direita do Toyota, que o arremessou de encontro ao muro dos boxes. Um tremendo acidente que, felizmente, não lhe trouxe conseqüências físicas - Nota 5
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Raphael Carvalho | Seg, 21/07/08 | 10:18
A corrida ja parecia q seria monotona quando o Glock bate e força a entrada do Safety Car. Com isso, aparece a estratégia da Renault, q com um carro muito limitado, arrisca uma unica parada pro Piquet, e deu certo. Piquet soube andar forte, mesmo com um carro lento e pesado, e conseguiu um EXCELENTE 2° LUGAR. Parabens para ele e que deixem ele trabalhar.
Quando a ferrari. Melhor nem comentar. Carro visivelmente mais lento q o da maclaren.
Fernando Xaruto | Dom, 20/07/08 | 20:43
Boa noite … saudações rubro negras … o GP da Alemanha teve sem duvidas um resultado excepcional para Nelson Angelo Piquet mas uma coisa me chamou muita atenção … como a Maclaren do Hamilton voou na pista e como a Ferrari do Massa simplesmente não existiu … A Ferrari retrocede … fora isso só um detalhe … não achei legal a manobra do Hamilton para evitar a ultrapassagem do Massa …
Rafael Rafic | Dom, 20/07/08 | 17:33
Que a McLaren errou a estratégia não há dúvidas (até o Hamilton reclamou). A sorte é que o carro rubro-prateado estava sobrando tanto, que nem esse erro de estratégia fez a vitória escapar.
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Hamilton deu show mais uma vez e começo a me perguntar se depois da monotonia da Era Schumacher, não teremos daqui a 2 ou 3 anos outra monotonia de uma Era Hamilton (muitos já diziam isso quando ele estava começando na F-3 inglesa). Tomara que não.
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Massa fez uma corrida honesta, dentro de suas possibilidades, parcas com essa Ferrari que mais anda para trás.
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Piquet teve uma sorte fenomenal, mas também teve competência, e principalmente carro, para terminar no pódio. Sinal de que o carro da Renault não estava tão ruim assim e Alonso “braço-curto” mais uma vez depois de uma boa classificação faz uma corrida para esquecer. Com isso, apesar do 9 a 0 de Alonso em classificação para cima de Nelson, na tabela que vale, a do campeonato, já está só 13 a 10 para o espanhol.
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O outro que está tomando 9 a 0 é Heidfeld, mas também já é o 2° bom resultado dele seguido em que Kubica não vai tão bem, por causa de fatores extra-volante.
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A Ferrari do jeito que está não pode se dar o luxo de ter 2 pilotos disputando o título. Hamilton começa a distanciar e o calendário não é animador. Agora vem Hungria, em que a McLaren históricamente tem um carro melhor e uma pista que Massa odeia eternamente ao cubo. Logo depois tem o circuito de rua de Valença (por que na rua se tem um belíssimo circuito, usado para testes na F1, a menos de 8km do local?) em que, teoricamente é vantagem também é da McLaren (na prática ninguém sabe, nem sempre os computadores acertam).
Leonardo Lemos | Dom, 20/07/08 | 15:57
Galvão vai ter que engolir o nome Piquet, mais uma vez!!
Douglas Heinz | Dom, 20/07/08 | 15:41
Como o Hamilton sobrou nessa corrida. Foi impressionante o seu rendimento, mesmo com o erro de estratégia da McLaren. Se continuar assim, Massa pode dar adeus ao título.
E com o ótimo segundo lugar de Nelson A, Piquet., todos os brasileiros da categoria subiram ao pódium nesta temporada.
Bela marca.
Marcos Vinícius | Dom, 20/07/08 | 14:15
Eu achei que a Mclaren errou. Se o Hamilton tivesse pardo junto com os outros, ele teria vencido a corrida com muito mais facilidade. O carro da Mclaren foi muito melhor que a Ferrari nesta corrida. Hamilton fez uma corrida excepcional, passando Kovalainen, Massa e Nelsinho nas últimas voltas. Ele mostrou que é um piloto diferenciado. E merece a liderança do campeonato.
Nelsinho contou com a sorte hoje. Ele parou justamente na volta que o Glock bateu, e como correu de tanque cheio, conseguiu completar a corrida com apenas uma parada. Ele, que só tinha feio bobagem na temporada até aqui, ganhou moral para continuar seu trabalho na Renault.
Massa teve problemas no carro, e fez uma corrida burocrática, bem abaixo da Mclaren. E Raikkonen teve que se recuperar fazendo ultrapassagens, pois a Ferrari complicou a sua corrida fazendo ele esperar o pit stop do Massa.
Hamilton sai como uma boa vantagem no campeonato, e já passa a ser o favorito ao título da temporada.