O peso feminino na Eurocopa
Emerson Gonçalves
http://www.olharcronicoesportivo.blogspot.com/
As mulheres têm um grande peso nos números referentes ao giro financeiro da Euro: respondem por despesas na ordem de 140 milhões de euros, segundo estudo da Mastercard, patrocinador oficial da competição.
O público feminino é responsável por um movimento superior a 4 milhões de euros por jogo, de acordo com o estudo. Esse valor inclui todos os itens relacionados ao futebol e ao jogo em si, como produtos licenciados, alimentos e bebidas, acomodações e transporte. Esse levantamento mostra, também, que as despesas femininas com entretenimento, viagens e “retail therapy” aumentaram durante a disputa da Euro. “Retail therapy” é o nome dado a compras, geralmente em shoppings, feitas em momentos de crise, depressão, comemoração ou como compensação. Para bons entendendores, meia explicação basta, não?
Esse estudo indica que as mulheres, considerando as diferenças sócio-culturais entre as nações européias, responderão por aproximadamente 10% do impacto econômico da Copa, no valor total estimado pela Mastercard em 1,4 bilhão de euros. Em países como Suécia e Alemanha, entretanto, esse impacto da participação feminina pode chegar e até ultrapassar a marca de 30% do total.
A pesquisa buscou destacar o papel feminino porque o futebol está acordando para o potencial comercial do esporte junto a esse público. Além do consumo de itens diversos e da presença crescente de grandes jogadores em campanhas comerciais que têm o público feminino como target, as mulheres estão presentes, também, cada vez mais, nos estádios e nas “Fan Zones” nos locais dos jogos.
Em estudo anterior, na época da Euro 2004, em Portugal, constatou que os grandes itens de despesas foram ingressos, alimentação, hospedagem e transporte. Essa pesquisa identificou dois novos e grandes itens de despesas do público feminino: produtos licenciados dos clubes e seleções e despesas com entretenimento nas cidades-sede da competição.
O estudo prevê gastos crescentes desse público na compra de produtos e serviços dos patrocinadores, mídia (impressa e eletrônica), telecomunicações e novas mídias, aparelhos e equipamentos esportivos, e até mesmo incremento nas apostas e loterias ligadas ao futebol.
Comentando a pesquisa, Paul Meulendijk, Diretor da MasterCard Europe e responsável pelas ações ligadas a esse patrocínio, disse que “a UEFA Euro 2008 está provando mais uma vez que o futebol é verdadeiramente o esporte universal, assistido por homens e mulheres na Europa e em todo o mundo. Nossa pesquisa no coração do comércio ligado ao futebol mostra que as mulheres estão fazendo uma importante e significativa contribuição econômica – mais de 4 milhões de euros a cada jogo – graças à UEFA Euro 2008.
“ Um dos responsáveis pelo estudo e reputado entre os maiores experts do mundo em “sport business”, o Prof. Simon Chadwick, disse: “Essa pesquisa demonstra claramente a crescente importância financeira das mulheres na indústria do futebol. … A indústria do futebol está acordando para o poder financeiro das torcedoras e está adaptando seus produtos de forma a agradá-las e atraí-las ainda mais.”
Enquanto isso…
…num grande e bobo país tropical, tido e havido como a “terra do futebol”, pensar em atrair o público feminino chega a ser uma piada de péssimo gosto, já que a realidade é repudiar, repelir mesmo, o próprio e tradicional público masculino.
Será que 2014 ajudará a mudar esse panorama?
rss do blog
borracho | Qua, 25/06/08 | 00:54
GIGI,
eu ja fui varias vezes com mulher ao olimpico e nunca aconteceu nada.. acho q isso acontecia alguns anos atras, mas mudou bastante, principalmente com o grande numero de socios (mais de 50 mil), o preço “acima da media” dos ingressos (R$ 30 o mais barato) e agora com a proibiçao da venda de bebidas tambem… acho q o crescimento da Geral ajudou nisso, tendo como filosofia somente apoiar o time (diferente das organizadas q vao pra arrumar confusao) e conseguindo essa excelente media de publico q o Gremio vem tendo desde 2006
eh claro q se a guria eh gostosa vai ser cantada (mas isso eh assim na maioria dos lugares), e nao sei qual a implicancia com os palavroes… vai me dizer q mulher nao fala palavrao? se um juiz ta tentando prejudicar o teu time de coraçao tem mais eh q chingar mesmo! e gremista q eh gremista tem q chingar os macacos tambem! hehehe
Fabio | Ter, 24/06/08 | 18:20
Tempos tristes os nossos, em que ser torcedor inclui estar antenado no mercado de jogadores e técnicos…
Emerson Gonçalves | Ter, 24/06/08 | 18:00
Minha mãe ensinou-me boa educação, mas eu, pra variar, faltei às aulas, ou melhor, esqueci-as.
Mas, antes tarde do que nunca: obrigado aos amigos pelos elogios. Mas eles valem mais pelo trabalho do que, propriamente, por criação. Nesse caso, agradeço ao pessoal da Sport Business. E, naturalmente, ao Lédio.
:o)
Foi legal trazer um tema diferente pra leitura e discussão.
Emerson Gonçalves | Ter, 24/06/08 | 17:57
Apesar de tudo, aumenta a presença feminina no Morumbi, também.
Mas é um aumento tímido, ainda.
Quanto ao poder de compra das mulheres dentro do mundo da bola não temos nenhuma informação (pelo menos que eu conheça), mas deve ser pequeno ainda. É um público tratado de forma secundária ou terciária.
Ainda falta um bocado de coisas para o futebol dominical ou sabatino ser um programa da família.
A Federação Paulista até incentiva essa presença com preços diferenciados, numa ação bem interessante.
Um problema sério e chato é que devido ao desrespeito pelos lugares marcados, os torcedores tendem a chegar muito antes no estádio. Chegando cedo, o tédio é inevitável, principalmente para crianças abaixo dos dez ou mesmo doze anos. As mães ficam incomodadas, a molecada, sem ter o que fazer, acaba dando trabalho.
Se chega em cima da hora, bom, aí é aquela velha história: entrada complicada, gente se acotovelando, tumulto, lugares ocupados, restando como alternativa os lugares piores, etc, etc.
Independentemente de quaisquer outras medidas, vejo duas como essenciais para trazer novas fatias de público:
1 - Respeito absoluto aos lugares marcados;
2 - Atrações que antecedam o jogo.
Tivéssemos esses dois pontos atendidos, mesmo com as outras mil mazelas sem solução, já teríamos, de imediato, um grande crescimento na presença feminina. O aumento no consumo de itens ligados ao futebol seria decorrência.
E . Neto | Ter, 24/06/08 | 14:52
Lédio.. vou a jogos com frequência desde 1994 e acho que ultimamente aumentou muito o número de mulheres no estádio. Principalmente de 2002 pra cá. Pelo menos aqui em PE…
..mas lendo seu texto tiro um aprendizado: Nunca deixe um cartão de crédito perto de uma mulher.
Paulo Henrique | Ter, 24/06/08 | 13:35
Realmente aqui em Porto Alegre a preseça do publico feminino eh mto grande nos estadios!
Inclusive nas lojas ha varios artigos do clube para o publico feminino!
nao sei se chega perto do q ocorre na Europa… mas jah eh um começo!
Abraço!
marcos alvinegro | Ter, 24/06/08 | 12:59
Srs btde.
A mudança terá de ser cultural…e cm perda de poder e “fonte de recursos” p gente pouco afeita a atitudes honestas…temos seis anos até lá…dá????
Sdçs alvinegras.
OLAVO | Ter, 24/06/08 | 12:05
A mentalidade do nosso país aos poucos vai se adequando, devagar, mas já se
começa a perceber as mudanças de comportamento em relação as mulheres.
E quanto elas representarem 10 %do impacto econômico da copa, é uma coisa
que não pode ser tratada por amadores.
Não é a minha área de comentários, neste assunto sou quase um leigo, mas não
poderia deixar de comentar neste post do grande companheiro Emerson.
Ao Companheiro torcedor do São Paulo.
Um abração.
STSF Olavo GM - 201
Domiro Netto | Ter, 24/06/08 | 11:59
A CBF só quer saber de vender jogador e faturar encima da Seleção, mas ela está cavando a própria sepultura, os grandes jogadores estão acabando, se não ganharmos essa copa, será um longo e tenebroso inverno… Aí, quando de derem conta da falta que faz o público no estádio, será tarde, o futebol brasileiro será cada vez mais irrelvante. Aliás, com o esforço de Marketing que a UEFA faz, logo estaremos torcendo para as equipes Européias, pelo menos você não ficará desempregado, haja visto que você é um dos poucos comentáristas do país com condições de comentar jogos internacionais. Parabéns pelo trabalho na Eurocopa!
GIGI | Ter, 24/06/08 | 11:38
Bom dia.
Aqui no sul, realmente a presença feminina é cada vez maior.
Mas infelizmente ainda estamos longe do ideal, pois como disse, a falta de educação de muitos torcedores ainda é grande.
E não falo em relação as “músicas cantadas” ou palavrões proferidos.
Falo em relação as provocações feitas diretamente as mulheres ou seus acompanhantes.
E isso acontece nos dois grandes estádios da capital gaúcha.
Odair Porcolino | Ter, 24/06/08 | 11:34
Bom dia JA.
.
Emerson, meu caro amigo tricolino.
Parabéns pelo “assunto”. Mesmo se tratando de “damas”, o amigo não perde o “feeling” pelas cifras, he, he, he.
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Concordo com a Gigi. A falta de educação faz com que eu não leve minha filha e esposa aos estádios.
Mas deixo aqui minha sugestão:
Vamos rocar as uniformizadas pela torcida feminina nos estádios?
Um abraço.
Murilo | Ter, 24/06/08 | 09:49
Tambem com mulheres assim eu não veria nenhum problema de dar meu cartão de crédito pra elas!
borracho | Ter, 24/06/08 | 02:14
cerca de 40% do publico q vai aos jogos no olimpico sao mulheres… o gremio tem muitas socias mulheres tambem!
e muitas gurias vao na geral, inclusive as mais gostosas
GIGI | Seg, 23/06/08 | 23:11
Emerson,
já havia lido alguma coisa sobre isso no Cidade do Futebol, e concordo com você que no Brasil as mulheres são “indiretamente excluidas” dos estádios.
A falta de segurança aliada a falta de educação, são os principais fatores .
E infelizmente, não vejo grandes possibilidades de mudanças, principalmente em relação a “falta de educação”.
Marcelo Guerra | Seg, 23/06/08 | 23:07
Nos estádios do Rio Grande do Sul, cada jogo que passa mais e mais mulheres vão aos jogos e associam-se ao seu clube do coração.
Abraço
Eduardo Hollanda | Seg, 23/06/08 | 21:45
Pois é, enquanto na Europa eles querem valorizar ainda mais a presença feminina nos estádios, aqui, como o Lédio mostra no post acima, o torcedor é tratado a bofetão. E quando chega aos estádios, é o festival de baixarias que começamos a ficar mal acostumados a ver. Quero ver quando, na Copa de 2014, tiver uma partida, digamos, entre Turquia e Togo. Ou entre Escócia e Arábia Saudita. Vai ser aquele vexame, com as arquibancadas vazias. E nos jogos do Brasil, será a zona de sempre, com multidão do lado de fora querendo entrar, ninguém respeitando lugar marcado, etc., etc.
Guilherme Luiz Rosa | Seg, 23/06/08 | 21:39
E viva as mulheres,,,e que mulheres!
Bernardo RS | Seg, 23/06/08 | 21:16
E com certeza esse panorama brasileiro vai mudar pra melhor depois da Copa de 2014!
Bernardo RS | Seg, 23/06/08 | 21:14
Muito boa a pesquisa, Emerson! Excelente assunto, agregaste muito bem.
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Em Porto Alegre o publico feminino esta cada vez mais presente. abracos!!!
Fernando Xaruto | Seg, 23/06/08 | 20:44
Boanoite…saudações rubro negras … futebol feminino é comigo mesmo … e aquela alemã da foto é titular absoluta no meu time … ela joga muito … é um espetáculo a parte … NADA MAIS A DECLARAR …. hehehehehe