Chico, Francisco e Francisco
Aydano Andre Motta
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Três xarás viveram, no fim de semana de decisão no futebol, uma história superbrasileira, que decifra as maravilhas do DNA de quem nasce nesta terra ensolarada. São três Franciscos.
O primeiro, filho da querida parceira Ana Cláudia, viveu, pela primeira vez nos seus cinco anos de vida, a deslumbrante experiência de estar frente a frente com seus ídolos, aqueles que só vê de longe, nem parece gente, dentro da televisão. Foi no treino do Botafogo, sábado de manhã, num Caio Martins lotado. Francisco posou com o técnico Cuca, recebeu autógrafo de Lúcio Flávio - ele repetia o nome do craque o tempo todo - e voltou para casa feliz como pinto no lixo. Uma jornada inesquecível, fundamental na vida de um menino brasileiro.
No dia seguinte, o mais famoso, que vive na alma dos brasileiros, surgiu no Maracanã lotado para um dia em que seu time não iria a campo. Chico Buarque estava lá não pelo seu Fluminense, mas por causa do neto, Francisco, rubro-negro devido à inevitável influência do pai, Carlinhos Brown.
Tudo bem. O avô orgulhoso sentou-se na cadeira especial, no meio galera rubro-negra. Ouviu os cantos entusiasmados da maior torcida do país, testemunhou a festa da vitória apertada do Flamengo e viveu sua felicidade, pela alegria do neto. Até derrotou a proverbial timidez e se permitiu fotos com os poucos fãs que o reconheceram, naquele cenário improvável.
O terceiro Francisco desta história, neto do poeta, dormiu feliz após ver seu time ganhar o primeiro capítulo da decisão. Torcedor compenetrado, concentrou-se na partida, ignorando o assédio ao avô famoso. Sofreu com a bola na trave, para, pouco depois, pular feliz e cantar o nome de Obina, o ídolo igualmente improvável.
As duas crianças vão, entre derrotas e vitórias que se sucedem em tardes dominicais, consolidando seu caminho, no melhor modo de ser brasileiro: o da paixão inegociável pelo futebol, a que nos acompanha pela vida afora. Até que tenhamos netos, como o avô do Francisco rubro-negro.
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