O sorteio da pré-Libertadores foi mesmo ingrato para o Cruzeiro. Poderia enfrentar o possante Olmedo. Ou o La Paz. Quem sabe o Chico? A bolinha caiu com o Cerro Porteño. Um time com boa tradição sul-americana e medíocre qualidade técnica. Mas que tem garra. E, apesar das limitações, nunca quer ser coadjuvante (e faz muito bem). Quase todo clube grande treina na pré-Libertadores. Ao Cruzeiro, a sorte ofereceu duas decisões em pleno mês de janeiro.
Na primeira delas, a Raposa foi convincente. Nada estonteante. Poderia ter vencido sem levar gol. Mas tomou. Sorte que fez 3. E poderá perder por 1 a 0 ou 2 a 1 em Assunção. Só não dá para levar um pipoco de 2 a 0. Aí, roda. Mas não levará. Até por que, tecnicamente, o Cruzeiro é muito melhor do que o Cerro. Só não pode entrar na esparrela de recuar os arfe para esperar a catástrofe. Sai para o jogo e não deixe o Cerro jogar. Esse é o caminho. No mínimo, a Raposa fará um gol. E não levará três. Muito menos quatro.
Eu gosto muito desse time do Cruzeiro. E acredito demais no trabalho de Adilson Batista. A defesa ainda me incomoda. Mas o meio de campo é excelente, com Fabrício, Charles, Ramires (joga demais e fez dois gols ontem, o decisivo aos 44 minutos) e Wagner (que precisa ser mais regular e objetivo, mais precisamente, deve deixar de ser vagalume). No ataque, Guilherme (projeto de grande jogador e autor de dois passes excelentes) e Marcelo Moreno (um boliviano talentoso e que fez um gol difícil). Cruzeiro 3 a 1. Falta confirmar em Assunção. Para, enfim, descansar no Grupo A, ao lado de San Lorenzo (a única ameaça), Real Potosí (fala sério) e Caracas (que bom). Público no Mineirão: 38.855.
Dissertemos sobre o São Paulo. Que o time tem a base totalmente diferente de 2007, só um teimoso não admite. São, com generosidade, sete alterações, táticas e técnicas. E, de fato, o time não tem jogado bem. Mas, vejam só, é o únicos dos grandes paulistas que hoje estaria classificado para as semifinais (claro, é cedo para erguer o São Paulo aos céus e azucrinar Corinthians, Palmeiras e Santos). Até porque, sem bairrismo e apenas vendo os jogos, os pequenos paulistas são muito mais ousados do que os nanicos cariocas, que pagam mico sem parar).
Ontem, o São Paulo perdeu mais um jogador. Souza se foi para o PSG (Souza em Paris. Que beleza!). E, mesmo com o êxodo, o time venceu o Rio Claro por 3 a 1, gols de Adriano (de cabeça!), Jorge Wagner e Hernanes. Ganhou, ok. E continua com time forte. Muito embora essa história de Richarlysson como terceiro volante me irrite profundamente. Mas falta. Como faltam coisas a todos em janeiro. Tanto que, na coletiva, Muricy Ramalho disse que estar com dificuldade para fazer o banco.
Outras duas ótimas frases do treinador: Quero revelar mais um jogador esse ano, como fizemos com Breno. Essa é a minha escola. E a melhor, na minha opinião: Acabou esse negócio no futebol de pegar a bola e dar para o Zico. Futebol é conjunto. Concordo em gênero, número e grau. Pena que a maioria queira vestir uma blusa de gola rolê , uma calça boca-de-sino e fazer companhia a Tony e Doug no Túnel do Tempo. Cuidado… As coordenadas podem não estar precisas.
Com dez jogadores, o Corinthians empatou com o Sertãozinho, em Ribeiro Preto. Perdigão, que marca mal, foi dar carrinho e levou um vermelho logo no primeiro tempo. E sobrou para Acosta. Opção certa de Mano Menezes, até porque ele não tem jogado nada e tenho sérias dúvidas se jogará. Enfim, pelas condições da partida, o Corinthians saiu no lucro. E não se desgarrou muito do quarteto inicial.
E o Palmeiras perdeu a invencibilidade para o Ituano: gol de Felipe, de calcanhar. Não vi essa partida, que marcou a estréia de Diego Souza e Lenny (esse, pelo que vi no compacto), solto e arriscando muito. E, no fim, Vanderlei Luxemburgo voltou a dizer que é um técnico vencedor. Impressionante como ele tem repetido isso sistematicamente. Enfim.
No Rio, comentei Botafogo 6 x 2 Mesquita. Mais um treino. O Mesquita é fraquinho demais. Com 35 minutos, o placar marcava 4 a 0 (Wellington Paulista, dois de Zé Carlos, e um de Lucio Flavio, de pênalti). No segundo tempo, o envolvimento do primeiro tempo virou preguiça. O Mesquita fez dois gols, que deixaram claro que, se meio de campo e ataque do Botafogo estão bem, a zaga tem problemas, principalmente pelo lado de Renato Silva. E Castillo falhou de novo numa saída do gol pelo alto. Mas Alessandro e Abedi fizeram mais dois: 6 a 2. Um treino. Outro. E mais virão. 
No Maracanã, o Flamengo não jogou bem, mas venceu o Macaé, o melhor dos pequenos, por 1 a 0, gol de Toró. O público de 13.795 mostra que torcedor gosta de ver jogo bom, principalmente quando as autoridades (!) inventam de cobrar R$ 40 por um treino.
E outra coisa: por que a torcida do Flamengo tem tanta birra com Juan? Ele é ótimo. Descontado o Santos, que tem Kleber, qual é o clube brasileiro que tem um lateral-esquerdo melhor do que Juan?
E no treino de São Januário, Vasco 5 x 2 Resende. E, de fato, o time tem melhorado. Alex Teixeira está mais solto; Morais jogou muito bem; e Wagner Diniz, ótimo pela lateral-direita, fez dois gols. Só não entendo como Allan Kardec faz quatro coletivos no Campeonato Carioca e ainda não marcou nem um golzinho… Acorda, cara!
E até que o Náutico funcionou em 2008. Aplicou 5 a 2 no Serrano, com direito a gol de Kuki. E o Santa Cruz perdeu para o Ypiranga por 2 a 0… Até quando não joga o Sport Recife se dá bem. Hoje recebe o Sete de Setembro. Vai abrir…
Quando a fase é bom, até um volante faz dois gols. Ontem foi dia de Claiton, autor de uma doppietta na goleada de 4 a1 do Atlético-PR sobre a Portuguesa Londrinense. Marcelo Ramos, sempre eficiente, fez outros dois. Para melhorar, o Coriritiba resolver perder, dentro de casa, para o J.Malucelli. Sabe o que aconteceu: o Furacão 100% (7 vitórias em 7 jogos) abriu oito pontos para os segundos colocados: Coxa, Engenheiro Beltrão e Toledo.
O Santa perdeu para o Ypiranga; O Bahia, para o Ipitanga: 1 a 0. E lá se foi a invencibilidade. E também a liderança, pois o Vitória fez 5 a 1 no Juazeiro. O Leão tem 16 pontos; o Bahia, 14.
Danilo-ES informa que o Linhares venceu a Desportiva por 2 a 1 e é o novo líder do Capixabão!
E no Catarinão, Brusque 2 x 2 Figueirense. Mais detalhes, com Rodrigo Herd e Paulo Gordo.
Que sono…