Existe uma opinião quase unânime na torcida do Flamengo: Zico um dia deveria ser o presidente do clube. Ele faria história nos bastidores, como já fez em campo. Para muita gente boa, por sua força, carisma e honestidade, o Galo seria o líder ideal para trazer de volta os dias de glória.
Não que o Flamengo esteja passando vergonha. Na última temporada, é bom não nos esquecermos, além de vencer o título estadual, a equipe chegou ao quinto lugar no Brasileirão com um elenco que poderia até ter brigado por colocação melhor. Sem falar na Libertadores, perdida de maneira absurda no “Cabañazo”.
O problema do Flamengo hoje nem é time. Logicamente que poderia ser melhor. Aliás, poderia ser muito melhor.
E este sim parece ser o grande problema do Flamengo de uns anos para cá: a permanente sensação de que TUDO poderia ser muitíssimo melhor.
É triste ver a penúria financeira do clube de maior torcida no país. Um clube de potencial imenso mas de realidade financeira melancólica. Isso com o futebol gerando uma pequena fortuna por mês.
Quem ainda tiver alguma dúvida sobre esta desgraça financeira que, em visita ao Rio de Janeiro, dê um passeio em torno da sede da Gávea - aquela que já foi a belíssima sede, em um bairro nobre carioca, cercada por cartões postais e o ar leve das crianças correndo e dos atletas das mais diversas modalidades dando vida àquele espaço. Assim era a sede da Gávea, um dos locais mais agradáveis onde já estive.
Hoje em dia o lugar parece uma ruína, com muros rabiscados, vidros quebrados, obras paradas e/ou que parecem prestes a desabar… Um monte de entulho e tristeza, uma cidade-fantasma, uma cidade da Europa medieval atacada pela peste.
Pensando bem, a metáfora da peste parece boa. Nem precisamos entrar em detalhes.
Foi assim que aconteceu. E aconteceu em consequência de muitos anos de erros, politicagens ou ações ainda piores - aquilo que Chico Buarque já definiu como ”tenebrosas transações”.
Não quero ser especialmente duro ou cruel com a atual gestão que, no fim das contas, bem ou mal, com erros e acertos, conseguiu montar um time que não faz feio no cenário brasileiro de hoje. Não quero elogiar ou pegar pesado com a diretoria atual.
Não gostaria de restringir o debate a ela. Até para não me desviar do que acho que realmente interessa: a salvação do Flamengo. Esta não é uma questão de tirar fulano e botar beltrano. Não é uma questão de mesquinha briga por cadeiras, postos e lugares nas páginas de jornal.
Um clube com dezenas de milhões de torcedores, com uma bela história e potencial para ser um dos grandes do mundo não consegue mais olhar para longe.
Por isso fiquei imensamente feliz ao ler anteontem a entrevista do Leonardo aqui mesmo no globoesporte.
Genial.
Na verdade, o primeiro a me falar sobre uma possível candidatura do ex-jogador e atual diretor do Milan foi o Zico, no Redação Sportv de quarta-feira. O maior ídolo da história do Flamengo pareceu bastante animado ao comentar um possível Léo candidato (não que o Zico tenha apoiado publicamente a idéia, por favor! Nem eu estaria autorizado a falar por ele. Mas a minha impressão, ao ouvi-lo falar nisso, pareceu bastante positiva).
Eu, como jornalista e fã de futebol, fico otimista - mesmo que esta ainda seja uma hipótese distante.
Já que Zico ainda é levado a outros caminhos pelo destino, aí está a solução que provavelmente mais se aproxima do Galo Presidente.
Leonardo, na minha opinião, seria um Presidente incrível para o Flamengo.
Não só por ter sido um ídolo formado no clube e que atingiu a seleção e a fama mundial. Mas pela permanente postura responsável, pelas declarações inteligentes, pela maturidade e, last but not least, pela honestidade.
Mais ainda: se já tinha todas estas qualidades comprovadas através de uma longa história conhecida pelo público, Leonardo disse logo na primeira entrevista como, digamos, “possível candidato”, tudo o que precisava ser dito. Leonardo foi claríssimo e direto: com este modelo administrativo antigo, lerdo, ineficiente, medonho e dependente de politicagens nada pode acontecer.
Ou o Flamengo (aliás, os clubes brasileiros!) se moderniza(m) administrativamente ou não vai ser ele, Leonardo (ou qualquer ser humano) que dará jeito.
Ou o futebol do Flamengo torna-se uma empresa, com a agilidade e a responsabildade que isso exige ou nem precisamos perder o nosso tempo com fórmulas e propostas. Vai dar tudo errado de novo.
Começar assim, botando logo o dedo na ferida, é um exemplo da incrível maturidade do Leonardo. É começar muito bem. É corajoso e mostra que ele não quer entrar nessa pelas páginas dos jornais, pela sensação tola de poder ou como simples passa-tempo de “aposentado” da bola. Mostra que ele quer, se for o caso, chegar para resolver. Para mudar.
Ao contrário de muita gente no mundo da bola, Leonardo pensa. Grande, amplo, claro. Reflete.
Lembro-me de um Expresso da Bola que gravei com ele lá no Milanello. Era fim de temporada. Leonardo começava a deixar de ser jogador e pensava nos caminhos que tentaria dar à vida e à carreira.
Fiquei absolutamente impressionado com a qualidade do que ele dizia, com a lucidez, a cultura, o embasamento para falar em temas como a realidade nacional, a política, o terceiro setor, os negócios no futebol europeu…
Despedimos e recordo claramente que segui para o hotel pensando: este cara tem que ser dirigente. Este cara nasceu para isso.
Hoje, cinco anos depois, e ainda mais com a experiência acumulada como dirigente do Milan, surge esta boa novidade.
Diz o noticiário também que o Léo pode ser treinador, já que está terminando um curso que o habilitaria a exercer a função. Torço para que isso não aconteça. Acho o Leonardo preparado para mais.
Vôos mais altos desta fera seriam ótimos a meu ver, para o Flamengo e para o nosso futebol.
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Estou para postar isso há dias, mas não vinha tendo espaço. De todo modo, antes tarde que nunca:
Nestes tempos em que a formação de atletas é tão importante para o futebol brasileiro, parabéns a gaúchos e pernambucanos pelo excelente desempenho no Campeonato Nacional sub-20.
Grêmio, Sport, Inter e Náutico mostraram que têm pensado no futuro… E fazem muito bem!