Nada substitui o talento

qui, 02/07/09
por decio.lopes |
categoria America do Sul

Esta semi-final da Libertadores serviu para nos lembrar a diferença que ainda faz um grande jogador, um talento, um homem de decisão. Podem dizer que o futebol está cada vez mais equilibrado, que o poder físico hoje em dia manda, que a tática vem anulando a criatividade, que não há mais espaços em campo para o craque… Tudo isso tem um pouco de verdade (ou muito), mas não adianta. O que resolve mesmo ainda é - ainda bem! - e sempre será o talento.

O Grêmio jogava melhor, pressionava, chegava com perigo diversas vezes. O Cruzeiro tinha uma boa postura defesiva, mas já parecia desgastado com o “abafa” do time da casa - empurrado por seu bom treinador e pela torcida maravilhosa que fervia nas arquibancadas. Ambas as equipes abusavam das faltas, o que é sempre triste; mas, assim mesmo, com menos paralisações, o jogo foi ficando bom.

Até que em uma jogada, em um único momento, Kléber resolveu a partida. Como um Mike Tyson em seus melhores dias, quando aproveitava um segundo - ou meio que fosse - de distração do adversário para fabricar um nocaute. Kléber percebeu, em um sopro de vento, que tinha um marcador desatento, virou, driblou, protegeu a bola e achou espaço para cruzar. Wellington Paulista só completou.

O segundo gol veio na pane provocada por este lance. E o resto é história. É consequência.

No fundo no fundo, resumindo, a vaga foi decidida pelo talento de Kléber. Em dois segundos de brilho e força.

Parabéns ao Cruzeiro, que mereceu a vaga. Agora que o clube e sua imensa torcida nos representem muito bem nesta final de Libertadores.

Muito mais que Ronaldo

qui, 02/07/09
por decio.lopes |
categoria Brasil

 

É muito difícil encarar o timaço do Inter. Ainda mais no Beira Rio. Ainda mais conseguindo marcar dois gols logo no primeiro tempo. Ainda mais em um momento em que a torcida colorada está tão motivada e incendiada.

Pois o Corinthians realizou esta proeza. Resolveu o jogo no primeiro tempo, gastou tempo e sofreu o empate no segundo, mas conseguiu o que queria. Mais um entre diversos feitos espetaculares nesta campanha da Copa do Brasil. Apesar das tristes cenas de violência e falta de educação de ambos os lados, prefiro ficar apenas com a bola rolando e, assim, foi um fecho de ouro para o time que, definitivamente, mais mereceu o título.

Um time que tem um grande treinador - neste momento o melhor do país. Que começa por um bom goleiro, passa por uma defesa sempre guerreira e quase sempre bem posicionada - em que um jogador cobre o outro incansavelmente e todos parecem saber exatamente onde estar a cada momento. Na lateral, André Santos vive um momento fantástico e mostra que a seleção longe de trazer preguiça e deslumbramento, trouxe maturidade, experiência e confiança. Os volantes são incansáveis e passam bem, fato raro entre muitos cabeçudos da posição mais polêmica do futebol atual. Do meio para a frente não faltam soluções rápidas e poder de decisão. É incrível como, mesmo tendo poucas oportunidades, o Corinthians chega com perigo. Não há posse de bola à toa. Não há perda de tempo nem toquinho fajuto. A objetividade no ataque impressiona. Em três ou quatro passes, de repente, um jogador surge na cara do gol e a defesa adversária, quando percebe, já era. Foi assim com o Flu, o Vasco e o Inter nos dois confrontos.

É um time equilibrado, que ataca em bloco e defende também com quase todos os seus jogadores. Futebol moderno da melhor qualidade. Com espaço para brilho e jogadas bonitas.

E repararam que neste texto eu não falei no Ronaldo? Foi de propósito. Hoje esta equipe campeã da Copa do Brasil mostra para todos que é muito mais que Ronaldo. Injustiça tremenda o que muitos diziam:  que, tirando o Fenômeno, o Corinthians é um time normal. Não é. E a rapaziada provou isso mais uma vez, no fio da navalha, neste primeiro tempo diante do Inter, quando matou a partida com pouca participação do Fenômeno.

Prefiro me esquecer também das patéticas cenas de violência de ambos os times. Apesar disso, são duas grandes equipes. E este Corinthians, cheio de qualidades, mereceu a taça que levantou e fez orgulhosa, mais uma vez, a sua imensa torcida.

Duelos sim, batalhas não.

ter, 30/06/09
por decio.lopes |
categoria Brasil

Por motivos diferentes teremos duas partidas de alto risco nesta semana, uma decidindo a Copa do Brasil e outra a vaga para a final da Libertadores. Inter x Corinthians é um jogo de temperatura alta sempre, com duas grandes torcidas apaixonadas e felizes pelos bons momentos de seus clubes. Grêmio x Cruzeiro é um clássico cheio de histórias e craques, dois tons diferentes de adoração enlouquecida ao mesmo azul. Dois times “de chegada”.

Em decisão, os detalhes podem fazer a diferença, é verdade. Sutilezas, acertos, uma jogada, uma fraqueza bem observada do adversário, uma bola parada, uma declaração infeliz nos dias que antecedem a partida… Todos nós que vivemos o futebol já vimos grandes partidas serem resolvidas assim, em uma palavra, um olhar, um segundo de desatenção ou soberba.

Mas às vezes este desejo de descobrir o detalhe a mais que vai decidir o jogo pode levar a atitudes irresponsáveis e perigosas. No caso destes dois belos duelos de futebol é preciso responsabilidade redobrada de dirigentes, jogadores, árbitros e torcedores. Jornalistas também deveriam policiar-se para  diferenciar notícia de provocação, de “pilha” em corações apaixonados.

O recente épisódio de Maxi Lopes, por exemplo, deve ser esquecido. Ao menos dentro de campo. Não importa se você acha que ele estava errado ou certo. Agora é com a Justiça e a Polícia. Em campo acabou. Na arquibancada tem que acabar. Os humores despertados por aquele incidente não podem servir para provocar ódios entre times e torcidas, não podem ser usados contra o futebol.

Assim como no jogo entre o colorado e o timão. Os erros de arbitragem no passado não podem inflamar o torcedor excessivamente. Não deve ser criado um clima de que algum time está para ser roubado. Ok, reclamar das decisões dos juízes é permitido e todo debate democrático, com civilidade e ética, pode ajudar. Nada contra. Só a favor. Mas muitíssimo cuidado para não passar disso. Para que não seja criado outro motivo de ódio e justificativa para violência.

Não acredito que “em decisão vale tudo”. Não! Em momento algum um bípede civilizado pode aceitar o “vale tudo”. Nunca! Existem regras, Leis, decência, ética, vergonha na cara, bondade… Sem isso a vida perde o sentido. Sem isso o esporte vira um coliseu romano e voltamos no tempo, alguns séculos, a caminho das cavernas.

Muito cuidado. Que estas duas partidas sejam espetaculares, que vençam os melhores times, que os árbitros andem na linha, que os dirigentes tenham responsabildade. Que o futebol e estes quatro grandes clubes nos orgulhem mais uma vez em partidas memoráveis.

Campeão com 100% de aproveitamento

dom, 28/06/09
por decio.lopes |
categoria Brasil, Mundo

Confesso que entrei no estádio Elis Park meio entediado, esperando um jogo chato. Se o Brasil vencesse bem, não faria mais que a obrigação. Se perdesse, uau, o mundo cairia…

Mais uma vez tive uma lição de que o futebol é absolutamente extraordinário em sua imprevisibilidade. Que primeiro tempo terrível! Que pesadelo! Quem pdoeria imaginar aqueles 2 a 0 para os EUA…? Que segundo tempo espetacular! Quem poderia imaginar uma reação tão veemente…? A verdade foi que o Brasil fez quatro gols em um tempo de uma decisão de Copa das Confederações (logicamente contando o gol mal anulado de Kaká). É bárbaro!

Sinceramente? Achei um fim justíssimo para uma equipe batalhadora, unida, sólida, que conhece os seus limites e quer muito vencer. O Brasil está de novo no topo do mundo da bola e não se enganem: isso não acontece por acaso. Ninguém vence uma Copa das Confederações com 100% de aproveitamento por acaso. Isso só pode ser fruto de trabalho, de determinação, de um conceito bem formulado, bem assimilado pelo grupo e transformado em futebol.

Se você analisar nome a nome esta seleção é brilhante? Não. Claro que há bem pouco tivemos elencos mais talentosos, muito mais estrelados. Mas qualquer um que já tenha vivido um pouco o futebol está cansado de saber que títulos não são vencidos apenas com talento, mas com uma harmoniosa mistura da arte com  vontade, com poder de marcação, com poder de reação, com liderança positiva, com humildade… Entre outros mil fatorezinhos mais ou menos sutis.

Estou feliz. Primeiro, claro, por ver o Brasil campeão - o que é uma delícia sempre. Mas também por perceber que estamos no caminho de novo. Tudo resolvido para a Copa? Não. Timaço insuperável? Claro que não. Nada mais a trabalhar ou aperfeiçoar? Pelo amor de Deus, longe disso.

Mas, sim, acho que estamos no caminho. Parabéns aos campeões!

Muito bom ou muito ruim?

sáb, 27/06/09
por decio.lopes |
categoria Brasil

Tá certo que o futebol é imprevisível, “caixinha de surpresas”, queima-língua de afoitos, etc etc etc.

Mas, sinceramente, alguém sabe me responder: o que esperar do Flamengo no clássico de amanhã contra o Flu? O time arrasador que goleou o Inter na última rodada? Ou o time patético que tomou um sacode do Coritiba na semana anterior?

Alguém arriscaria um palpite?

E o Flu? Engrena enfim ou vai ficar mais uma vez a sensação de que falta alguma coisa no time?

A proposta de Dunga

sex, 26/06/09
por decio.lopes |
categoria Mundo

 

Há três meses, em Porto Alegre, na véspera da partida contra o Paraguai pelas Eliminatórias, eu disse no Tá na Área que a seleção brasileira havia encontrado uma proposta de jogo. Qualquer um poderia concordar ou não com esta proposta - futebol é liberdade é polêmica. Qualquer um poderia achar que o treinador estava certo ou errado. Mas, sim, a proposta já existia - e talvez chegar a este ponto seja uma das maiores dificuldades em um time de futebol. Mais ainda em uma seleção nacional, que pouco treina e raramente se encontra.
Sem querer dar uma de “cientista da bola”, acho que acertei naquela ocasião (como vou errar - e muito - em outras). Acho que naquele momento ou talvez um pouco antes, no amistoso contra a Itália em Londres, tenhamos vivido um “ponto de virada” na seleção. Talvez ali tenhamos chegado a alguma solidez, a algum resultado no trabalho. O que vem acontecendo desde então é a maturação daquele conceito, daquela proposta de jogo.
Melhor ainda que a sorte também não vem nos faltando. Melhor ainda que tudo vem dando certinho.
De todo modo, entre acertos e erros (mais acertos que erros), o que mais interessa é: a seleção está evoluindo. O time, como vemos a cada partida, ainda tem espaço para experiências, ainda está em formação, ainda busca contornos para a seu própria face. O meiocampo ganhou Felipe Melo, ganhou Ramires… A lateral esquerda experimenta André Santos, pode vir com Daniel… Os dados ainda estão rolando, mas a proposta de jogo é clara, a base construida é sólida. O próprio Dunga está em formação, busca nuances para seu rosto de treinador. Normal. Nada de errado. Nenhum sinal de fraqueza nisso. Ele é um novato no cargo - e dizer isso não tem nada de pejorativo. Certamente fez besteiras e tomou atitudes erradas, como todos. Certamente aprendeu com a derrota nas Olimpíadas que quase lhe custou o cargo. Nada de errado nisso. Ao contrário! Melhor que ele esteja tentando enxergar os seus erros como treinador/gestor e mudando temperos, aqui e ali, para evoluir, para ser mais feliz. No fundo é só isso que todos queremos, sermos mais felizes.
A seleção já é campeã da Copa das Confederações? Não. E digo isso sem fazer média. Assim como escrevi há quatro dias que o jogo contra a África do Sul seria difícil. Foi ainda pior do que eu imaginava. Os EUA têm um time de primeira grandeza? Não, nem de segunda. Sem ofensas.
A seleção brasileira é favorita? Claro. Assim como era a Espanha. E até mesmo o emergente Egito diante do país do soccer. É preciso estar atento e motivado. Assim, o Brasil tem tudo para ganhar mais um título importante, recuperar sua auto-estima (e aqui mesmo no blog, vemos como ela anda por baixo entre os torcedores, desde a última Copa do Mundo), mostrar que este período de preparação foi muito bem
aproveitado… O Brasil tem  tudo para faturar mais uma Copa das Confederações. Mas sinceramente? Ganhando ou perdendo, acho que, pensando a longo prazo, o mais importante já foi feito, visto e conquistado aqui na África do Sul. O Brasil tem uma proposta de jogo, tem uma seleção que
sabe o que quer - embora qualquer um possa gostar ou não desta proposta, qualquer um possa concordar ou não com ela. Futebol sempre foi liberdade e polêmica.

Agora a questão do racismo…

qui, 25/06/09
por decio.lopes |
categoria Brasil

Estive ontem no espetacular Museu do Apartheid, aqui em Johanesburgo (http://www.apartheidmuseum.org/). Um passeio emocionante e cheio de informações sobre um período medonho, asqueroso, criminoso vivido aqui na África do Sul há bem pouco. Um momento histórico vergonhoso para a humanidade e que merece museus como este, para que jamais seja esquecido. Depois de duas horas você sai, por um lado chocado e dolorido por tudo o que viu e ouviu, por outro lado revigorado ao saber que a justiça triunfou e que, sim, dias melhores virão. Vieram. Sempre há esperança.  

Coincidentemente vemos hoje, pela internet, a confusão em que acabou o jogo entre Cruzeiro e Grêmio. Jogadores e treinador na delegacia, processos, acusações, bate-boca; tudo em torno de uma suposta manifestação racista de Maxi Lopez.

A questão é delicadíssima e cabe à Justiça definir o que deve acontecer aos envolvidos.

Há quem diga que “dentro de campo vale tudo”. Há quem defenda que um jogador, negro ou não, ouve e diz coisas muito mais ofensivas durante uma partida e ninguém vai para a delegacia por isso. 

Eu acho que não. Descontado o calor e a pressão de um jogo, descontada uma certa “liberalidade” no vocabulário entre os jogadores nestas condições, acho que há limites para tudo e que um campo de futebol não é lugar para selvageria.

Não há lugar ou situação no mundo que permita que alguém chame um negro de ”macaco”. Não há lugar ou situação no mundo que permita que alguém qualifique o outro por raça ou origem. Seja negro, japonês, chinês, peruano ou tongolês. Isso é a barbárie. É mil vezes pior do que xingar a mãe do adversário.  

O racismo está um degrau abaixo da civilidade. Ser racista, sim, é assemelhar-se a um macaco. É levar a humanidade um degrau abaixo. É gravíssimo sempre.

Maxi Lopez deve ser condenado? Não cabe a mim dizer. Não sou policial nem Juiz. Não sei se há provas de que ele, de fato, tenha dito as deploráveis palavras.

Não sei também se há pessoas querendo aparecer com a situação - o que, infelizmente, também é muito comum.

Tenho certeza de que o Grêmio não tem nada a ver com isso, não pode ser responsabilizado pelo fato (se comprovado) e não pode ser prejudicado no restante da disputa.

Mas tenho certeza absoluta de que o racismo não deve ser tolerado em nível algum. Nunca mais.

Palpitão Libertadores

qua, 24/06/09
por decio.lopes |
categoria Brasil

Sei que está meio em cima da hora, mas com a correria da Copa das Confederações, só cheguei agora ao hotel, aqui em Johanesburgo. De todo modo, pela impoortância do jogo e pelo momento das duas equipes na Libertadores, eu não poderia deixar de fazer este “palpitão”. Quanto você acha que vai ser este Cruzeiro x Grêmio? Quem ou o que vai decidir este jogaço para sacudir o Brasil?   

Quem tem medo da África do Sul?

seg, 22/06/09
por decio.lopes |
categoria Mundo

 

Passada a compreensível euforia pela bela vitória diante dos italianos (reforçada ainda por uma sequência de êxitos e boas notícias recentes), é hora de baixar a bola na seleção brasileira. É hora de Dunga usar sua liderança e seu estilo, sua experiência e credibilidade - especialmente neste “quesito”, de jogar sempre á sério - para fazer a rapaziada deixar as nuvens e voltar ao chão.

Quem não ficaria feliz com os resultados recentes e, em especial, com o chocolate nos italianos? É normal e merecido sorrir largo nesta hora. Mas insisto: agora é preciso baixar a bola rapidamente.

É óbvio que a África do Sul é um adversário frágil. Não tenhamos meias palavras nem sejamos politicamente corretos: o time é ruim. Não tem grandes qualidades. É r-u-i-m. 

Mas também é certo que os simpáticos representantes dos bafana bafana vão jogar as suas vidas nesta semi-final. E aí alguém pode até dizer: ”ah, mas qualquer time, diante do Brasil, joga muito motivado”. Tudo bem, mas o que acontece neste momento, neste país, é qualquer coisa de especial e grandiosa. Nós que estamos na África nesta Copa das Confederações vemos um povo totalmente envolvido, emocionado, empolgadíssimo com a sua equipe. Muito mais do que a prudência e bom senso recomendariam, inclusive.

A mídia e a torcida compartilham de uma sensação, claramente errada, de que eles têm um grande time, uma de suas melhoraes gerações em todos os tempos - até por isso, jogam a culpa de qualquer mau resultado no pobre do Joel, que é bom mas não faz milagre. Não tenham dúvidas: o povo sul-africano vai para esta partida diante dos brasileiros com a expectativa de viver um momento histórico e isso vai se refletir, de um modo ou de outro, nos jogadores. Isso vai ser decisivo, para bem ou para mal, na partida.

Pode ser que o time se apavore com a responsabildade e se abra para um goleada, pode ser que cresça como nunca e faça uma partida de superação. De todo modo, o Brasil não pode entrar minimamente desconcentrado, relaxado, achando que o resultado ”está no papo”. Gente, o caldo pode engrossar. Este é um jogo perigosíssimo em que, se o adversário se empolgar, ficará complicadíssimo segurá-lo. Mesmo sabendo que - repito - o time da África do Sul é ruim.

Dunga é macaco velho da bola. Sabe disso muito antes de mim e certamente já começou a atrabalhar nesta questão. Mas uma coisa é conhecer o problema, outra é resolvê-lo - mesmo querendo muito. E todos sabemos disso muito bem, pela nossa vida cotidiana. Uma coisa é ver as nuvens negras no céu, outra é conseguir desviar-se da tempestade e superá-la sem prejuízos.

Este é o momento da seleção brasileira. Este deve ser o alvo de toda a atenção nos próximos dias: convencer os jogadores de que a partida vai ser pauleira. E não basta dizer isso nas entrevistas, é preciso realmente acreditar muito na dureza deste jogo.

Na minha opinião, mesmo diante de um adversário frágil, podemos ter uma partida muito mais difícil que o clássico contra a Itália. Depende de como emoções tão itensas serão geridas ao longo destes dias e dos 90 minutos de bola rolando. Isto sim, mais que qualquer detalhe físico ou tático, vai decidir esta semi-final.

A montanha russa dos treinadores

dom, 21/06/09
por decio.lopes |
categoria Brasil

Muricy despedido sem conseguir resultados na temporada, Dunga vivendo um grande momento, liderando as eliminatórias e classificado para as semi-finais da Copa das Confederações.

Louco imaginar que há menos de seis meses o despedido - segundo a maioria das opiniões - seria Dunga. Substituido, provavelmente, pelo então treinador do São Paulo.

Muricy certamente não deixou de ser competente. É um dos grandes técnicos brasileiros e merece repeito, merece desfrutar da reputação que construiu com suor e resultados.

Dunga, que começa a carreira, vai mostrando aos poucos que pode ser um grande treinador. Já conseguiu uma incontestável liderança sobre o grupo, já imprimiu a sua marca na forma de a seleção jogar em campo e de agir fora de campo, vem somando resultados positivos, apostando radicalmente em suas convicções. Merece respeito como capitão do tetra e vai construindo uma reputação como técnico.    

É cruel, mas a verdade é que em um tropeço cá, uma grande conqusita acolá, e tudo pode inverter-se de novo. Rapidamente. Quase em um estalar de dedos. E quem entra nesta roda viva tem que saber disso muito bem, tem que estar pronto para pancadas, injustiças, reviravoltas, tem que estar imune a bajulações e excessos de auto admiração, etc. 

Lembrem-se: há poucos meses o demitido seria o Dunga e o número um do Brasil era o Muricy.

Louco.  

E aí eu te pergunto: será que tem mesmo que ser assim? O julgamento dos treinadores tem mesmo que ser tão duro? Será que torcedores, jornalistas e dirigentes exageram na dose ou o futebol é assim mesmo e vida que segue?



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