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Você lembra? - A “Lolinha” T210 vestida de Hollywood

Seg, 20/10/08
por Rodrigo Mattar |

Os 500 km de Interlagos disputados em 1972 são cantados em verso e prosa até hoje pelos aficionados - jovens, velhos e nem tanto - como uma das corridas mais sensacionais acontecidas no Brasil. Não é pra menos: havia protótipos e GTs internacionais em profusão e muitos carros importados competitivos que estavam por aqui, como o Porsche 908/2 de Luizinho Pereira Bueno e a Lola T210 de Tite Catapani.

Este carro é um capítulo a parte do automobilismo brasileiro, pois em fins de 1970, na Copa Brasil, Emerson Fittipaldi ganhou aquela competição derrotando ninguém menos que a Ferrari 512 de Gian Piero Moretti na prova final do evento, realizado em Interlagos. Naquela competição, Emerson correu com o patrocínio da Varig e um carro totalmente alaranjado.

Para 1971, graças a Antônio Carlos Avallone, que trouxe os carros das equipes de fora, a simpática “Lolinha” ficou no Brasil, junto com a “Lolona” que era de Wilsinho Fittipaldi e que o esperto Avallone pegou pra si. Quem foi cuidar do carro foi a equipe do Greco e Tite Catapani, então seu piloto, venceu uma prova em Interlagos derrotando, entre outros, a própria Lola T70 do Avallone, além do modelo semelhante do Norman Casari.

Em 72, a “Lolinha” foi incorporada à poderosa equipe Hollywood, que nos 500 km de Interlagos tinha -  além de Luizinho e Tite - o Porsche 910 que foi várias vezes pilotado por Lian Duarte e Anísio Campos, na ocasião com Clóvis da Gama Ferreira no comando.

lolinha500km.jpgTite fez o sexto tempo - 55″712 - com a “Lolinha”, resultado considerado excelente porque na frente dele estavam o poderoso Porsche 908/3 de Reinhold Joest, o suíço Herbert Müller com uma Ferrari 512 M, Luizinho Pereira Bueno, o argentino Rolando Nardi e seu Berta LR3 Tornado e Marivaldo Fernandes, alinhado ao lado do carro #94 na foto que ilustra a postagem.

Pois bem: o Cláudio Paes Leme, que mandou a foto, conta uma história que a equipe Hollywood tinha confeccionado um tanque especial com 100 litros de combustível, prevendo no máximo dois reabastecimentos para surpreender carros com o dobro da cilindrada da “Lolinha” (2 litros). Perguntado se o carrinho, com um tanque daquele tamanho, teria chance, o suíço Herbert Müller disse, textualmente:

“Esse carro não existe”.

Alguém da equipe Hollywood reagiu à declaração de Müller, dizendo que ele iria ver que carro era esse que com um tanque de 100 litros daria trabalho na corrida. Mas a estratégia foi pro saco logo no começo da prova: o tanque furou…

Catapani chegou ao fim da prova em 14º lugar, com apenas 119 voltas completadas. Uma pena. E Herbert Müller, em razão do consumo excessivo de combustível da Ferrari - o carro mais rápido da pista - não foi além da terceira posição.


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