A Peugeot se orgulhava da invencibilidade de dez corridas na Le Mans Series - as seis do ano passado mais as quatro primeiras do campeonato. Marc Gené e Nicolas Minassian lideravam a temporada e nem precisavam vencer em Silverstone, na última etapa, para faturar o caneco e derrotar a Audi, que ainda tinha chances matemáticas com a dupla formada por Alexandre Prémat / Mike Rockenfeller.
E o imponderável, que por vezes dá as cartas no automobilismo, virou a história da temporada pelo avesso justamente na corrida decisiva da temporada: o protótipo de Minassian / Gené deixou a disputa na 45ª volta graças a um acidente com um Porsche da IMSA Performance Matmut, da classe LMGT2. Para piorar, Stéphane Sarrazin / Pedro Lamy, que poderiam atrapalhar a corrida dos rivais da Audi, se atrasaram depois de uma colisão justamente com o R10 de Rinaldo Capello / Allan McNish e perderam várias voltas parados nos boxes.
Como “camarão que dorme, a onda leva”, a Audi imediatamente passou ao comando da competição, só que com o R10 TDi tripulado por McNish e Capello. O outro carro, com Prémat e Rockenfeller, estava em terceiro atrás do Lola Aston Martin de Jan Charouz e Stefan Mücke.
Os momentos finais da prova foram repletos de tensão, pois a dupla franco-germânica, a um passo do título, perdeu a 3ª posição para o Pescarolo Judd de Romain Dumas / Jean-Christophe Boullion quando precisaram fazer um pit stop inesperado. Logo depois, na disputa entre os dois carros, Prémat fez uma ultrapassagem sob bandeira amarela e foi “premiado” com um stop & go de 1 segundo. O francês caiu para quarto e não conseguiu mais alcançar o protótipo da equipe de Henri Pescarolo.
Mas com o desastre completo da Peugeot, a Audi encontrou motivos de sobra pra sorrir. Afinal, o R10 TDi quebrou a invencibilidade do 908 HDi FAP na Le Mans Series. E, mesmo sem chegar ao topo do pódio em nenhuma das cinco provas disputadas neste ano, Alexandre Prémat / Mike Rockenfeller chegaram ao título entre os pilotos na classe LMP1. Os alemães também comemoraram a conquista entre as equipes e uma vaga automática para as 24 Horas de Le Mans em 2009.
Na classe LMP2, deu a lógica: Jos Verstappen e Peter van Merksteijn chegaram em 5º na classificação geral e foram os grandes vitoriosos da subclasse. Jos The Boss chegou também ao seu primeiro título da carreira desde a conquista do Campeonato Alemão de Fórmula 3 em 1993, vencendo entre os pilotos. A escuderia holandesa levou a taça entre as equipes, de forma incontestável.
Thomas Erdos, na estréia do Lola EX265 Coupé, teve desempenho discreto: chegou em 12º na classificação geral e quinto na classe LMP2. Com os quatro pontos somados, a RML chegou a 20 no campeonato e não conseguiu alcançar a Saulnier Racing, que provavelmente ganhará uma vaga automática para Le Mans - visto que as duas equipes que terminaram à frente na LMS são as mesmas que garantiram participação na prova de 2009.
A Horag Racing, dos veteraníssimos Fredy Lienhard (que se despediu hoje do automobilismo) e Didier Theys(este, pendura o capacete em 2009), ficou em 3º lugar entre as escuderias na LMP2.
Na esvaziadíssima divisão LMGT1, com quatro carros disputando, não se esperava outra coisa: título da Luc Alphand Aventures e vitória do Team Modena, com Tomas Enge e Antonio Garcia. A equipe chefiada por Graham Schultz também conseguiu garantir sua participação em Le Mans 2009.
Rob Bell e Jaime Melo Jr. venceram os 1000 km de Silverstone na divisão LMGT2. O britânico ganhou o título de pilotos de forma isolada, devido a ausência do italiano Gianmaria Bruni, às voltas com o FIA GT. A Virgo Motorsport ganhou entre as equipes e a vaga para Le Mans, junto com o Team Felbermayr-Proton, vice-campeão da classe graças ao 2º lugar conquistado por Alex Davison / Marc Lieb.