Você lembra? - O fracasso da Copa Brasil de 1972
O ano de 1972 tinha tudo para terminar de forma sensacional no automobilismo brasileiro. Afinal de contas, Emerson Fittipaldi vencera o Mundial de Fórmula 1 e meses depois, em novembro, levou Interlagos à loucura ganhando a 2ª edição do Torneio Internacional de Fórmula 2, organizado por Antônio Carlos Scavone.
Entrementes, outro Antônio Carlos, o Avallone, montava o esquema de promoção para a Copa Brasil de 1972, visando repetir o mesmo sucesso do evento de 1970, quando o mesmo Emerson Fittipaldi venceu com a “Lolinha” T210 de forma espetacular.
Para a mini-temporada de cinco corridas (prevista para os dias 3, 10, 17, 24 e 31 de dezembro - sim, na véspera de natal e de ano novo!), previa-se a presença de diversos competidores da Intersérie, da Can-Am e do Mundial de Marcas, que viriam a se juntar com vários protótipos nacionais. Lembro de ter visto num exemplar antigaço da Quatro Rodas que eu tive, alguns dos nomes: Willi Kauhsen, Andrea de Adamich, George Loos, Franz Pesch, Albert von Pfuhl, Steve Matchett e Lothar Motschenbacher estavam entre os prováveis confirmados.
Mas, no meio do caminho, alguma coisa aconteceu de errado e pouquíssimos carros vieram do exterior: dois Porsche 917/10 Spyder, um Porsche 917, um Porsche 908/2, uma Alfa Romeo TT33/3, duas McLaren M8 Can-Am e só. Daqui, o único carro importado que compareceu foi o Porsche 907 de Chiquinho Lameirão e dos sete Avallone-Chrysler previstos, inscreveu-se apenas um, para Jan Balder. O “Omelete” não estaria sozinho entre os brazucas, pois Renato Peixoto colocou na pista o valente REPE 227.
Com tão poucos inscritos, o formato de disputa das provas foi modificado e as corridas, que teriam duas baterias de 10 voltas cada, passaram a ter uma prova só, na mesma distância. Na primeira etapa, Willi Kauhsen, que deteve o recorde absoluto da volta de Interlagos para Esporte Protótipos, venceu a prova com seu Porsche 917/10, seguido por Wilsinho Fittipaldi e Andrea de Adamich.
Uma semana depois, apenas nove carros apareceram para treinar e dois quebraram durante os ensaios: o Porsche vencedor da 1ª corrida e a Alfa de Andrea de Adamich. Com apenas sete competidores, venceu a McLaren de George Loos, com Wilsinho Fittipaldi em segundo lugar e Albert von Pfuhl em terceiro.
A gota d’água foi a terceira etapa, em 17 de dezembro: nem o REPE 227 de Renato Peixoto apareceu e somente oito carros treinaram, caindo para sete com a quebra do Porsche de Franz Pesch. Wilsinho Fittipaldi venceu com o Porsche 917, seguido por Andrea de Adamich e por George Loos. Jan Balder, de forma heróica, ainda conseguiu chegar com o Avallone-Chrysler na mesma volta do vencedor.
As corridas previstas para as inverossímeis datas de 24 e 31 de dezembro, face o fracasso do evento, foram oficialmente canceladas. E Wilsinho Fittipaldi tornou-se assim o campeão da Copa Brasil de 1972. O evento nunca mais seria realizado porque, como se sabe, o governo brasileiro proibiu a importação de carros de corrida pouco tempo depois.
Agradeço ao Cláudio Paes Leme por enviar a foto do 917/10 do Willi Kauhsen e a do grid de largada de uma das corridas do evento.
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David Wall | Sáb, 22/11/08 | 09:42
apologies for my commenting in English, one of the reasons for the poor entry was that the ship carrying some of the European cars caught fire and some of the cars where damaged making an entry for the races impossible .one of the cars was the BRM. the BRM is still not repaired to this day.
does anybody have any links to pictures of the Fittipaldi 917
many thanks
Joaquim | Qui, 23/10/08 | 19:10
Esta Copa Brasil de 72, em que pese a participação dos enormes “big Bangers” da Intersérie, foi um dos maiores fracassos em termos de promoção de corridas no Brasil.
O erro começou ao tentar disputar em termos de calendário com a Springbok Series, tradicional evento de fim de ano realizado na Àfrica do Sul que já fizera parte inclusive do calendário do Mundial de Marcas.
O Campeonato Mundial de Marcas daquele ano mudara bastante com a proibição dos Porsches 917 e Ferrari 512M, com os grids sendo completados com carros do Europeu de 2 litros; mais uma bobagem da Copa Brasil ao realizar o evento com os “grandalhões” de sete ou oito litros, desencorajando as equipes com carros de 2 e 3 litros, incluindo aí as nacionais Hollywood (Porsches 908/2 e 910, Lola T-210), ou Greco.
O Jan Balder só conseguiu participar pois o Avallone-Chrysler foi cedido pelo próprio Avallone para encher o grid e os pilotos convidados eram pouco mais que sofríveis, exceção feita ao Andrea de Adamich, na época um piloto Alfa Romeo e de F-UM.
Quanto á organização, o velho Ava era um cara peitudo, visionário, mas meio leniente com relação ao cumprimento de seus compromissos financeiros (diga-se pagamentos de prêmios de largada e chegada, etc…), fama que já o precedera na Copa Brasil anterior de 1970, onde alguns prêmios não foram pagos.
Daí a lenda de um certo navio que havia pegado fogo em alto mar, que trazia mais alguns carros para a Copa Brasil incluindo alguns BRM, tendo o navio que retornar para a Europa. Na verdade, o navio retornou pois soube que o depósito antecipado que garantiria a participação dos carros não havia sido feito. Por via das dúvidas, resolveram retornar enquanto era tempo….
Ih, rapaz, tem história, tem história….! ! !
Rodrigo Mattar | Qui, 23/10/08 | 17:32
O Fittipaldi Motor Show também ficou com uns carros de Fórmula 1… quais foram mesmo? Lotus, Tyrrell e Brabham?
Claudio Paes Leme | Qui, 23/10/08 | 17:30
Dinho esse carro não só correu mas andou pelas ruas de São Paulo. Era do Emerson que o utlizou como “carro de rua” .Nele ainda pintado de verde e prata que aconteceu a famosa passagem do desmaio de Dona Juze andando em Interlagos. Se não me engano (alô Mestre Joca, socorro!) esse 917 era da Zitro Racing, foi comprado pelo Emerson e veio para o Fittipaldi Motor Show (o 908/3 do Joest também veio) e ficou por aqui. Correu nessa Copa Brasil com o patrocínio da Motoradio. Rodrigo vou mandar uma foto do carro do Wilson. Abraço.
Rodrigo Mattar | Qui, 23/10/08 | 16:08
Grande Dinho, grande xará do irmão do Regi…
O Fangio andou com a W196 Flecha de Prata em Jacarepaguá no ano de 1987, salvo engano.
Abração!
Dinho Amaral | Qui, 23/10/08 | 15:50
eu nnao sabia que tinha corrido no Brasil um 917(fechado)…
valeu !
Rodrigo qual foi o ano da Formula 1 em Jacarepagua que o Fangio deu umas voltas com a flecha de prata ??