Você lembra? - A “Lolinha” T210 vestida de Hollywood
Os 500 km de Interlagos disputados em 1972 são cantados em verso e prosa até hoje pelos aficionados - jovens, velhos e nem tanto - como uma das corridas mais sensacionais acontecidas no Brasil. Não é pra menos: havia protótipos e GTs internacionais em profusão e muitos carros importados competitivos que estavam por aqui, como o Porsche 908/2 de Luizinho Pereira Bueno e a Lola T210 de Tite Catapani.
Este carro é um capítulo a parte do automobilismo brasileiro, pois em fins de 1970, na Copa Brasil, Emerson Fittipaldi ganhou aquela competição derrotando ninguém menos que a Ferrari 512 de Gian Piero Moretti na prova final do evento, realizado em Interlagos. Naquela competição, Emerson correu com o patrocínio da Varig e um carro totalmente alaranjado.
Para 1971, graças a Antônio Carlos Avallone, que trouxe os carros das equipes de fora, a simpática “Lolinha” ficou no Brasil, junto com a “Lolona” que era de Wilsinho Fittipaldi e que o esperto Avallone pegou pra si. Quem foi cuidar do carro foi a equipe do Greco e Tite Catapani, então seu piloto, venceu uma prova em Interlagos derrotando, entre outros, a própria Lola T70 do Avallone, além do modelo semelhante do Norman Casari.
Em 72, a “Lolinha” foi incorporada à poderosa equipe Hollywood, que nos 500 km de Interlagos tinha - além de Luizinho e Tite - o Porsche 910 que foi várias vezes pilotado por Lian Duarte e Anísio Campos, na ocasião com Clóvis da Gama Ferreira no comando.
Tite fez o sexto tempo - 55″712 - com a “Lolinha”, resultado considerado excelente porque na frente dele estavam o poderoso Porsche 908/3 de Reinhold Joest, o suíço Herbert Müller com uma Ferrari 512 M, Luizinho Pereira Bueno, o argentino Rolando Nardi e seu Berta LR3 Tornado e Marivaldo Fernandes, alinhado ao lado do carro #94 na foto que ilustra a postagem.
Pois bem: o Cláudio Paes Leme, que mandou a foto, conta uma história que a equipe Hollywood tinha confeccionado um tanque especial com 100 litros de combustível, prevendo no máximo dois reabastecimentos para surpreender carros com o dobro da cilindrada da “Lolinha” (2 litros). Perguntado se o carrinho, com um tanque daquele tamanho, teria chance, o suíço Herbert Müller disse, textualmente:
“Esse carro não existe”.
Alguém da equipe Hollywood reagiu à declaração de Müller, dizendo que ele iria ver que carro era esse que com um tanque de 100 litros daria trabalho na corrida. Mas a estratégia foi pro saco logo no começo da prova: o tanque furou…
Catapani chegou ao fim da prova em 14º lugar, com apenas 119 voltas completadas. Uma pena. E Herbert Müller, em razão do consumo excessivo de combustível da Ferrari - o carro mais rápido da pista - não foi além da terceira posição.
rss do blog
flavioLopes Padilha | Qui, 23/10/08 | 23:17
Caramba!! o esporte a motor sempre foi um dos modos das empresas tirarem de seus ativos,valores para propaganda e marketing e que não se sabe, quanto efetivamente chegava as equipes .o comind importando carro é o marco na modalidade, e que o fisco brasileiro ainda não pegou…tem muita equipe com patrocinios vultosos , cujas contabilidades devem estar um horror mas como o assunto é a Lola t210, valeu pelo menos pra trazer esse grande carro pra competir contras as ferraris512 de le mans e, os berttas tornados e os porsches .grande Lola, objeto de vários posts no a mil por hora…Emerson fittipaldi adorava este carroe até hoje resiste com fárbicante.
com a crise mundial que se instalou vai ter grid com 3 carros, principalmente na stock car…é o fim da jabaculezandia, as empresas vão ter que rever seus custos e fim da era iniciada nos anos 70 , automobilismo esporte das elites e vamos todos pra monaco trazer de volta a granapois o mundo mudou…
psicografando o senador Lauro Campos ( falecido do PT)
flavio Padilha
Joaquim | Qui, 23/10/08 | 07:43
Olá, Mattar,
A história desses protótipos importados no Brasil tem sempre uma “estória” por trás;um dos meu passatempos prediletos é sair na esteira deles, descobrindo o fim que levaram. Às vezes bem sucedido, outras não.
Quanto ao livro, outra grande novela (sem trocadilhos, por favor). Assinamos uma opção de dois anos com um patrocinador mas, por alguns motivos de estratégia de marketing, ele ainda não se manifestou. Como os dois anos estão vencendo agora, estamos de novo na correria. vamos ver que bicho dá.
Grande abraço e parabéns mais uma vez pelo excelente trabalho aqui no blog, passagem obrigatória para quem gosta e curte automobilismo.
Rodrigo Mattar | Qua, 22/10/08 | 15:22
Esse é o bom e velho Joca! Sempre brilhante nas explanações e no histórico… a memória desse homem é de elefante! Queria ter nascido assim…
A propósito, quando sai o livro?!?
Joaquim | Qua, 22/10/08 | 15:11
Êpa, êpa, vamos colocar ordem no barraco…
Vai aqui a história real: ambas as Lolas, a T-70 MK3B e a T-210, foram importadas oficialmente em caráter provisório pela Federação Paulista de Automobilismo. O Avallone só serviu como intermediário; quem bancou toda a operação foi o ToTó Porto, dirigente da FPA na época e diretor do Banco Comércio e Indústria do Estado de São Paulo, o famigerado e falido Comind. Por imposição de Eric Broadley, dono da Lola Cars, a Lolinha T-210 veio para ser pilotada por Emerson Fittipaldi e a T-70 par aluguel; daí a participação do Wilsinho Fittipaldi ao volante da Lola (inclusive com uma vitória numa das etapas, aliás uma das poucas da T-70 em nossas pistas). O carro nunca foi do Avallone; este ficou como “infiel depositário” do carro, alugando-o na temporada de 1971. Como o velho Ava nunca cumpriu com os pagamentos do arrendamento, a Lola T-70 retornou para a Federação Paulista que a revendeu para o marinho Antunes em 72. Este, por sua vez, sofreu um sério acidente para os treinos dos 500 Km de Interlagos de 1972, com o carro pegando fogo, sendo praticamente destruído.
Quanto à T-210, após a Copa Brasil o carro foi repassado para o Tite Catapani que correu com ele algumas provas pela Equipe Greco em 71 , passando depois a ser incorporado pela equipe Hollywood na temporada de 72.
No ano seguinte, com o fim da Divisão 6 - carros com chassis e motores importados - a Lolinha foi encostada.
Ano passado foi vendida para o exterior.
E isso é tudo…