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Você lembra? - A última vitória da Carretera do Lobo do Canindé

Sáb, 16/08/08
por Rodrigo Mattar |
categoria Memorabilia

As Carreteras, carros potentíssimos com aparência de calhambeques dos anos 30 /40 dominaram grande parte do automobilismo brasileiro. Em razão da proximidade do Rio Grande do Sul com a Argentina, dezenas de pilotos daquele estado, com seus carros transformados e movidos por motores Ford e Chevrolet, de tripla carburação e potência superior a 400 HP, surgiram para vencer inúmeras corridas. Catarino Andreatta, Breno Fornari, Diego Luiz Ellwanger, José Asmuz e outros, que o digam.

carreteracamilo.jpgAlguns paulistas também construíram Carreteras: Chico Landi chegou a andar numa delas nos anos 60. Mas a lenda máxima era o carro número 18, construído numa oficina no Canindé, em São Paulo, por Camilo Christófaro. O “Lobo do Canindé” usou um chassi de Chevrolet ano 37, instalou um potente motor V-8 e o conjunto traseiro da Ferrari Testarossa demolida por Rio Negro num acidente fatal em Interlagos, 1961. O conjunto era estranho, mas funcionava, dava trabalho aos adversários e vencia, como aconteceu nas Mil Milhas de 1967, onde o “Lobo” correu em dupla com Eduardo Celidônio.

Em 1970, quando Interlagos estava prestes a ser reaberto, Camilo participou bem dos 500 km com sua Carretera. Naquela época, as equipes estavam partindo para outras alternativas de competição e surgiu o Festival de Recordes, evento onde o que valia, mais do que tudo, era a velocidade pura dos bólidos.

O Carcará, primeiro streamliner brasileiro construído por Anísio Campos e Rino Malzoni num chassi de Fórmula Júnior, deteve o recorde absoluto de velocidade até aquele ano, quando Bird Clemente, num Opala, passou de 232 km/h na Rodovia Castelo Branco, em São Paulo. E logo depois, foi realizado um outro evento de tentativa de recordes, na Marginal Pinheiros.

Um público estimado em 20 mil pessoas acompanhou com excitação o duelo entre a Carretera de Camilo Christófaro e o possante Lamborghini Miura P400, cor de abóbora, inscrito por Alcides Diniz, herdeiro do grupo Pão de Açúcar. Entre os outros inscritos, Luiz Pereira Bueno alinhava um monstruoso Gálaxie preparado por Luiz Antônio Greco, com motor de 7 litros. Havia ainda vários protótipos e modelos com motor Volkswagen, meros figurantes; outras Carreteras; a bizarra mistura de uma Ferrari Monza com motor Corvette, inscrita por Luiz Landi - filho de Chico Landi; e o protótipo Snob’s Corvair de Eduardo Celidônio.

Luizinho “Peroba” foi o primeiro a arrancar com o Gálaxie e conseguiu a média de 198,192 km/h para os dois trechos lançados - um desempenho abaixo do esperado. Alcides, a bordo do Lambo, fez 224,413 km/h, garantindo que poderia vir mais rápido se o trambulador do carro não apresentasse problemas na troca da quarta pra quinta marcha.

Aí veio Camilo, que no quilômetro lançado já alcançara 218 km/h. Na primeira passagem, 15″575 e 231,213 km/h - insuficientes para bater o recorde de Bird Clemente. Na volta, ele tirou tudo de sua Carretera: média de 242,261 km/h e 236,737 km/h na divisão dos dois trechos. Novo recorde brasileiro de velocidade!

Ao fim do evento, feliz por ter batido o moderno e potente Lamborghini, Camilo soube que tinha chegado à velocidade máxima de 268 km/h a 6.700 rpm. Nada mal, para um carro que conquistava, naquele dia, a última vitória de sua gloriosa trajetória.

O resultado final do II Festival Brasileiro de Recordes:

1. Camilo Christófaro (Carretera Chevrolet Corvette 5,3 litros) - 236,737 km/h
2. Alcides Diniz (Lamborghini Miura P400 4 litros) - 224,413 km/h
3. Luiz Pereira Bueno (Ford Gálaxie 7 litros) - 198,192 km/h
4. Eduardo Celidônio (Protótipo Snob’s Corvair 2,6 litros) - 194,886 km/h
5. Luiz Landi (Ferrari Monza-Corvette 4 litros) - 192,978 km/h
6. Carlos Alberto Sgarbi (Chevrolet Opala 4 litros) - 189,074 km/h
7. Aldo Pugliese (Puma VW 1,6 litro) - 177,572 km/h
8. Expedito Marazzi (Protótipo Lorena Spyder VW 1,6 litro) - 174,900 km/h
9. Antônio Versa (Carretera Chevrolet Corvette 4,5 litros) - 174,832 km/h
10. Anatole Cirello Júnior (Volkswagen 1,6 litro) - 171,635 km/h
11. Salvatore Amato (Protótipo Amato Ford 1,6 litro) - 170,843 km/h
12. Stanley Ostrower (Protótipo Kinko VW 1,6 litro) - 168,564 km/h
13. Célio Huggemeyer Júnior (Volkswagen 1,6 litro) - 150,226 km/h
14. Jozil José Garcia (Volkswagen 1,6 litro) - 145,246 km/h
15. Luiz Filinto Júnior (Volkswagen 1,6 litro) - 141,312 km/h

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1 comentário


  1. Camilo sempre foi fantástico. Ainda me lembro da oficina no Canindé!


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