Tchau, Buda Nagô
A Bahia e a música brasileira estão um pouco mais tristes. Dorival Caymmi, o compositor que melhor retratou sua terra, responsável por algumas das maiores pérolas da MPB em todos os tempos, e homenageado pela Estação Primeira de Mangueira no carnaval de 1986, morreu hoje aos 94 anos no Rio de Janeiro.
Ocioso dizer que o legado de suas canções é eterno. Que seus filhos Dori, Danilo e Nana vão manter ainda por muito tempo a chama acesa. Mas nenhum deles, por mais que tenha talento (e eles têm, de sobra), vai encarnar aquilo que dizem que o velho Dorival tinha como ninguém: o “dengo viril” exaltado por artistas que o adoravam, feito Tim Maia.
A figura do “Buda Nagô”, com seu eterno bigode e os cabelos de algodão, vai deixar saudade. E quanta coisa boa ele escreveu e gravou! Até tema de novela ele emplacou: com o famoso lerê-lerê da abertura de Escrava Isaura, que não sai da minha memória.
Nelson Motta contou, certa vez, que ao dividir um táxi em Roma com Dorival, Stella Caymmi e Nana, sentiu-se deliciado ao passar pelas ruas da cidade eterna ouvindo a Tosca, de Giacomo Puccini. Um concerto di grátis que empolgou o taxista, a ponto da corrida demorar e custar muito mais que o previsto. Ao descer do veículo, Dorival, grave como o mogno, soltou a pérola: “Cada minuto que passa é um milagre que não se repete.” E não tardou a revelar a fonte.
“Rádio Relógio Federal”.
Boa noite, Dorival Caymmi. Tchau, Buda Nagô.
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Titus Magnus | Dom, 17/08/08 | 12:32
E indo na deixa, eis um homem que dignificou os 50 milhões de minutos que viveu.
Vai com Deus, Buda Nagô.